Em última instância, os preços são determinados pelo julgamento de valores feitos pelos consumidores. Cada indivíduo, ao comprar ou ao não comprar e ao vender ou não vender, dá a sua contribuição à formação dos preços de mercado. Mas quanto maior for o mercado, menor será o peso da contribuição de cada indivíduo. Assim, a estrutura dos preços de mercado parece, a um indivíduo, um dado ao qual ele deve ajustar sua própria conduta. Aquilo a que se chama de preço é sempre uma relação que ocorre no interior de um sistema integrado, sistema esse que é o resultado das várias relações humanas.
Os preços refletem as relações de troca. A divisibilidade da moeda, ilimitada para todos os propósitos práticos, torna possível determinar com precisão as relações de troca que, via de regra, passam a ser conhecidas por preços expressos em moeda.
Os preços são determinados entre margens muito estreitas: de um lado, temos as valorações do comprador marginal e as do ofertante marginal, que se abstém de vender; do outro lado, temos as valorações do vendedor marginal e as do comprador potencial marginal, que se abstém de comprar.
As valorações que resultam na determinação dos preços definitivos são diferentes. Cada parte atribui um valor maior ao bem que recebe em relação àquele do qual abdica. A relação de troca – isto é, o preço – não é o produto de uma igualdade das valorações feitas pelos agentes, mas, ao contrário, é resultado de uma discrepância entre essas valorações.
O componente característico do preço de mercado é que ele tende a igualar a oferta à demanda. Quando um preço de mercado se afasta do nível em que oferta e demanda são iguais, a tendência é que – em um mercado desimpedido – o retorno ao equilíbrio se manifeste automaticamente.
Há épocas em que os governos determinam preços máximos e há épocas em que determinam preços mínimos para várias commodities. Há épocas em que eles decretam qual deve ser o salário máximo e há épocas em que determinam o salário mínimo. Somente em relação aos juros é que os governos nunca recorreram à fixação de taxas mínimas; sempre que eles interferiram, foi para estabelecer quais seriam as taxas máximas. Eles sempre encararam com desconfiança a poupança, o investimento e os empréstimos.
Mas, se o governo fixar os preços em um nível diferente daquele que seria estabelecido em um mercado desimpedido, o equilíbrio entre a oferta e a demanda será rompido. Dessa forma, no caso de preços máximos, compradores potenciais acabam não podendo comprar, mesmo estando dispostos a pagar o preço fixado pela autoridade, ou até mesmo um preço maior. Da mesma maneira, no caso de preços mínimos, vendedores potenciais acabam não podendo vender, mesmo estando dispostos a vender pelo preço fixado pela autoridade, ou até mesmo por um preço menor. O preço adotado já não consegue separar os potenciais compradores e vendedores – aqueles que de fato podem comprar e vender – daqueles que não podem fazê-lo. Se as autoridades não quiserem que a alocação dos recursos disponíveis seja determinada pela sorte ou pela violência, terá ela própria de regulamentar a quantidade que cada indivíduo pode comprar. Ou seja, ela terá de recorrer ao racionamento.
Antes dessa intervenção, o governo considerava que os preços de alguns bens estavam muito altos. Como resultado do tabelamento de preços, a oferta desses bens diminuiu ou desapareceu completamente. O governo interferiu porque considerou essas mercadorias como sendo de primeira necessidade, vitais e indispensáveis. Mas sua ação levou a uma redução da quantidade disponível. Foi, portanto, do próprio ponto de vista do governo, uma atitude absurda e contraditória. Um governo é tão eficaz na determinação de preços quanto uma gansa em botar ovos de galinha.
Se o governo não estiver disposto a aceitar tacitamente essas indesejadas e indesejáveis conseqüências, e continuar perseguindo cada vez mais obstinadamente o seu objetivo, fixando os preços de todos os bens e serviços e obrigando todas as pessoas a continuar produzindo e trabalhando por esses preços e salários, ele acabará por eliminar completamente o mercado. Assim, a economia de mercado será substituída pela economia de planejamento central, pelo modelo alemão de socialismo, a chamada Zwangswirtschaft (economia estatizada). Não será mais o consumidor quem dirigirá a produção, ao comprar ou abster-se de comprar; essa função passará a ser exclusivamente do governo.
Os preços são, por definição, determinados pelas pessoas comprando e vendendo ou por aquelas que se abstêm de comprar e de vender. Preços não podem ser confundidos com decretos emitidos por governos ou por outras agências detentoras de um aparato de coerção e compulsão para fazer cumprir suas determinações.
Preços são um fenômeno do mercado. Eles são gerados pelo processo de mercado e são o cerne da economia de mercado. Não há como existir preços fora da economia de mercado. Preços não podem ser criados como se fossem produtos sintéticos.
A própria idéia de preços de custo é algo inconcebível. A razão pela qual o preço do vinho da Borgonha é maior do que o preço do Chianti não é porque os vinhedos da Borgonha são mais caros do que os da Toscana. A causa vai no sentido contrário. É pelo fato de as pessoas estarem dispostas a pagar preços maiores pelo vinho Borgonha do que pelo Chianti é que os vinicultores estão dispostos a pagar mais caro pelos vinhedos da Borgonha do que pelos da Toscana.
Preços de mercado são o fato essencial para o cálculo econômico. Tentativas de eliminar os termos monetários do cálculo econômico são ilusórias. Nenhum método de cálculo econômico é possível além daquele que se baseia nos preços monetários determinados pelo mercado.
O processo de formação de preços é um processo social. Ele é consumado pela interação de todos os membros da sociedade. Todos colaboram e cooperam, cada um no papel específico escolhido para si próprio na estrutura da divisão do trabalho. Concorrendo na cooperação e cooperando na concorrência, todas as pessoas são importantes para que se atinja o resultado final, a saber: a estrutura de preços do mercado, a alocação dos fatores de produção de modo a satisfazer os variados tipos de necessidades e a determinação da porção que cabe a cada indivíduo.
Interessante ver elguem que viveu o Brasil e pode contrariar não por “opinião” mas por experiencia. Tudo que lemos em sala de aula sobre a historia brasileira é um enorme engodo. Desde sua descoberta até hoje. Quem donina a historia dominara o futuro
Muito interessante a simplicidade, clareza e correção na maneira de manifestar as ideias e conceitos pelo Embaixador Meira Penna. Algo que, com absoluta certeza, inexiste entre os intelectuais revolucionários/esquerdistas, os quais se especializam em devaneios, abstrações e conjecturas desgarradas da realidade.
Lamentavelmente o mainstream e a “intelectualidade” brasileira de massa têm descartado das discussões, do debate e das salas de aula a mera leitura ou citação de grandes pensadores e escritores como ele.
Ótima entrevista, Garshagen!
Aula MAGNA!!!
Graças ao meu mentor intelectual, professor Ricardo Vélez Rodríguez, conheci o embaixador Meira Penna ainda nos primeiros anos de universidade. Mas, infelizmente, se depender da maioria burra da “intelectualidade brasileira” ele será mais um grande pensador esquecido.
Basta lembrar o que ocorreu no Brasil durante o Plano Cruzado, além dos acontecimentos na Argentina e na Venezuela mais recentemente.
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Parabéns por terem trazido tão importante pensador brasileiro! Que todo estudante brasileiro ao menos ouça falar dele um dia.
Caro Bruno, a sua entrevista com o Embaixador Meira Penna é histórica em mais de um sentido. Primeiro, porque ajuda o povo brasileiro a conhecer um autor que há muitíssimo tempo já deveria ser leitura obrigatória em qualquer academia que se preze. Ademais, a entrevista começa com o testemunho "ocular" do Embaixador sobre um dos eventos da história brasileira mais importantes no século XX, a Intentona Comunista, de 27 de novembro de 1935. O livro didático de história de meu filho, aluno do 5º ano do ensino fundamental, dedica um capítulo inteiro (e altamente emocional) à Ditadura Militar, sem ter dito antes, porém, uma única palavra sequer sobre a Intentona Comunista (e a Internacional Comunista que comandou essa tentativa de coup d'état). Com isso, a criança sai da leitura do livro imaginando que o Movimento de 1964 aconteceu assim, do nada, motivado por caprichos pessoais de meia dúzia de oficiais das Forças Armadas.
Usei a entrevista com o Embaixador para explicar ao meu filho, de 10 anos de idade, o contexto histórico transcorrido entre a Intentona Comunista e o Movimento militar-eclesiástico-civil de 1964 (o trabalho de formação intelectual e política da oficialidade brasileira nas academias militares, etc).
Parabéns por seu belo trabalho do Podcast Mises Brasil!
Bráulio Porto de Matos
Gostei muito de saber da existência destes livros, lerei os quatro.
Achei que a entrevista não se desenvolveu tão bem, mas mesmo assim valeu. Tive a impressão de que José Osvaldo de Meira Penna não segue muito a base de raciocínio da Escola Austríaca, mas possui visão bem diferenciada, valiosa e interessante.
Uma critica a ele, e tantos outros, é o desprezo, total esquecimento da era da Republica Velha, salientando que ele viveu pelo menos em sua infância e adolescência este período. Talvez esta foi unica época em que o Brasil desfrutou um ambiente de liberdade. Gostaria de sugerir entrevista com alguém que conheça bem o período e desenvolva analises do mesma pela linha austríaca.
Mais uma vez, parabéns pelo Podcast!
os textos de Ludwig Von Mises são excepcionais, parece que o que ele diz é o que sabemos inconscientemente mas nunca paramos para formular, provavelmente devido a doutrinação que recebemos das correntes filosóficas estatistas. O mais engraçado é que nunca ouvi falar de Ludwig Von Mises nos meus tempos de escola, enquanto já sabia tudo de Karl Marx, Engels, Rousseau etc
O preço deve ser LIVREMENTE determinado pelo vendedor e não pode conter impostos.
Brilhante!
Olá,
como os preços são determinados nos casos de produtos/serviços exclusivos e essenciais (que não haja substitutos)? Por exemplo, um remédio fabricado por apenas um fabricante. O que acontece se ele resolve aumentar indiscriminadamente os preços?
Suponhamos que eu tenho uma confeitaria onde fabrico e vendo bolos decorados. O preço de dos meus bolos não seria determinado pelos custos que tive para fazê-lo? ex: Farinha de trigos, gás, impostos, mão de obra….etc..etc?