Jamais,
em hipótese alguma, subestime a capacidade do governo de fazer besteira e
conseguir piorar o que já era péssimo.
Peguemos
o exemplo do que ocorreu ontem durante o leilão de concessão do aeroporto de
Cumbica, em
Guarulhos. O aeroporto
foi arrematado por um consórcio formado por duas empresas, INVEPAR e ACSA, que ofereceram o maior
lance do leilão, R$ 16,213 bilhões de reais, 26% maior do que o lance proposto
pelo segundo colocado.
Mas
quem são estas empresas? Sobre a INVEPAR,
seu site já deixa explícito logo na
página principal:
A INVEPAR foi criada em março de 2000. Hoje, seus
acionistas são a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (PREVI
através do BB Carteira Livre I Fundo de Investimentos em Ações), Fundação
Petrobras de Seguridade Social (PETROS), Fundação dos Economiários Federais
(FUNCEF) e Construtora OAS Ltda.
Entendeu? A empresa que irá operar Guarulhos, embora
nominalmente privada, é gerida pelos fundos de pensão do Banco do Brasil, da
Petrobras e da Caixa Econômica Federal. Sabe quais outras empresas são geridas
por estes mesmos fundos de pensão? As
telefônicas.
Sobre
a OAS, é a mesma empreiteira da linha 4 do metrô de São Paulo (aquela que
desabou em janeiro de 2007), do superfaturamento em licitações da Infraero, e do Rodoanel (que também desabou sobre a Rodovia
Régis Bittencourt). Ou seja, trata-se de
uma empresa umbilicalmente ligada ao governo.
E
quanto à ACSA — Airports Company South Africa?
Trata-se de uma estatal sul-africana, criado pelo governo daquele país
em 1993 e controlada diretamente pelo Ministério dos Transportes da África do
Sul.
A
distribuição final para o aeroporto de Guarulhos ficou assim: os fundos de
pensão, representados pela INVEPAR, detêm 90% do consórcio vencedor, ao passo
que a ACSA responde pelos 10% restantes. Ambas as empresas deterão 51% de participação. A INFRAERO permanecerá com os 49% restantes.
E o governo federal efetuou a sensacional façanha de entregar o
gerenciamento de uma atividade estatal para mais outras duas empresas estatais. Portanto, temos agora três estatais cuidando de Guarulhos. E a mídia está chamando isso de privatização.
(Não
é à toa que os sindicatos, que sempre se manifestam contra privatizações,
sequer se deram ao trabalho de protestar contra o ocorrido. E por que deveriam? Até eles sabem que o que está havendo não é
privatização, mas sim estatização disfarçada.)
Ademais,
quais as experiências destas duas empresas no setor aéreo? A INVEPAR não possui nenhuma. Suas áreas são rodovias e metrôs. A INVEPAR gerencia o Metrô Rio, que opera as
linhas 1 e 2 do metrô carioca; a Bahia Norte, em parceria com a Odebrecht, que
opera as rodovias do sistema BA 093; a Linha Amarela, no Rio de Janeiro; a CLN,
que administra a rodovia BA 099, no Norte da Bahia; a Cart, consórcio que opera
a rodovia Raposo Tavares; a CRT, da rodovia Rio-Teresópolis; e a CRA,
responsável pelo complexo viário de Suape, em Pernambuco.
Já
a ACSA de fato lida com aeroportos, mas com nenhum de amplo relevo. A estatal sul-africana administra 10
aeroportos daquele país: dentre os internacionais, OR Tambo International
Airport (Johanesburgo), Cape Town International Airport (Cidade do Cabo), King
Shaka International Airport (Durban) e Pilanesberg International Airport (Pilanesberg). Já dentre os aeroportos locais, Bloemfontein
Airport, East London Airport (Londres Oriental, cidade na parte sul da África
do Sul), George Airport, Kimberley Airport, Port Elizabeth Airport e Upington
Airport. Além destes, a ACSA também participa,
desde 2006, do consórcio que opera o aeroporto internacional de Mumbai (Mial),
na Índia.
Por
serem empresas com acionistas estatais, não foi surpresa alguma que ambas
tenham apresentado o maior lance do leilão, com ágio de 373,5% sobre o valor inicial. O lance se torna ainda menos surpreendente
quando se sabe que o BNDES irá financiar 80% dos investimentos. Utilizando dinheiro público a juros
subsidiados, realmente não há grandes riscos de se perder dinheiro.
Mas
calma, ainda tem mais. Veja o adendo a esta notícia:
BNDES
poderá financiar até 80% de aeroportos privatizadosParticipação do banco no financiamento de equipamentos nacionais poderá
chegar a 90%; itens importados, comuns no setor aeroportuário, não poderão ser
custeados pela instituição
Ou
seja, em nome desta imbecilidade chamada nacional-desenvolvimentismo,
e em decorrência desse câncer chamado parcerias público-privadas, os aeroportos
nacionais praticamente não terão equipamentos de ponta, sendo entupidos com
lixo nacional apenas para satisfazer ideologias. Como as concessionárias são protegidas pelo
governo, não estando sujeitas a concorrência, elas não terão nenhum incentivo
para utilizar equipamentos de ponta. Para
que gastar mais e ter o trabalho de se modernizar se não há o menor risco de
ver sua fatia de mercado encolher?
Há pouco mais de um ano, escrevemos um artigo sobre este assunto
e fizemos as seguintes previsões (em
negrito):
Mas, afinal, qual o problema com concessões? Para
responder a essa pergunta, basta o leitor se colocar no lugar de um
empreendedor qualquer (o único pré-requisito é ser minimamente racional).
Partindo do pressuposto de que ninguém rasga dinheiro, faça a si próprio a
seguinte pergunta: seria vantajoso eu despejar vários milhões de reais em uma obra
que daqui a 20 anos será apropriada pelo governo? Faria sentido eu me
esforçar, fazer um trabalho realmente bem feito, investir ousadamente e prestar
bons serviços aos consumidores, se daqui a 20 anos tudo isso será do governo?É claro que não — e é justamente por isso que nenhum
arranjo sob essas condições jamais seria firmado. Não há empreendedores
tão irracionais a esse ponto. Logo,
se tal arranjo sair, é certo que haverá um enorme aporte de financiamentos
subsidiados via BNDES. Ninguém seria insensato a ponto de usar
capital próprio em um empreendimento que futuramente será arrebatado pelo
governo, mesmo que tal arrebatamento envolva altas restituições.
Portanto, as obras serão patrocinadas
por nós, mas os lucros ficarão todos para as empresas aéreas e empreiteiras,
que obviamente repassarão uma parte para as campanhas de seus políticos
favoritos, como agradecimento pelo privilégio. Somos acionistas sem
direito aos dividendos, cabendo a nós apenas o financiamento compulsório.É possível um arranjo destes gerar serviços genuinamente
interessados em bem atender o consumidor? Há algum estímulo ou
concorrência?Temos aí um ótimo exemplo de capitalismo de estado ou
corporativismo. E o pior: tal
artimanha já está sendo vendida sob o nome de ‘privatização’. Tão logo a
insatisfação pública com os (futuros) serviços inevitavelmente negligentes
começar a se manifestar, a culpa obviamente recairá sobre a livre iniciativa —
muito embora esta esteja totalmente fora do arranjo –, restando ao governo,
como sempre, o papel de salvador e agente promotor do “bem comum”.
No
mesmo artigo linkado acima, foram feitas sugestões sobre como a desestatização
de fato deveria ser feita. Não há nada a
acrescentar a tudo o que foi dito ali.
No entanto, um detalhe neste leilão chamou a atenção: os consórcios
participantes. Ao analisarmos quem de
fato se interessou pelos aeroportos de Guarulhos, Campinas e Brasília, e quem
de fato venceu os leilões, notamos o pendor do governo para desconsiderar a
eficiência e para premiar os conchavos.
Por exemplo, dentre os vários consórcios participantes, havia três que
realmente entendiam do riscado e que possuíam comprovada competência no setor
de administração aeroportuária: Changi, Flughafen Zurich e Fraport.
A
Changi é a
empresa responsável pela administração do moderníssimo aeroporto de Cingapura;
a Flughafen
Zurich é a empresa que opera o aeroporto suíço de Zurique; e a Fraport opera o aeroporto de
Frankfurt. Por que não foram estas as
empresas escolhidas? Alguém duvida de
sua competência no setor? Será que estamos
em posição de esnobar a infraestrutura dos aeroportos de Cingapura, Zurique e
Frankfurt? Por que não simplesmente entregar
a administração de nossos aeroportos, principalmente o de Guarulhos (que é o mais
movimentado aeroporto da América Latina), a estas empresas, e dar liberdade
para que elas façam o serviço?
Porque
a função do governo é arrecadar, sempre o máximo possível. O governo não está preocupado primordialmente
com a qualidade da gerência, mas sim com o quanto pode arrecadar em seus
leilões (dinheiro importantíssimo para financiar seus gastos crescentes). E estas três empresas, por serem sérias e
competentes, não podiam se dar ao luxo de fazer ofertas astronômicas em leilões
cujo marco regulatório ainda é incerto. Sendo empresas genuinamente privadas, elas não
podem se aventurar em terreno desconhecido. Muito menos podem elas competir com estatais,
cujo caixa, ao menos em teoria, é farto — afinal, o dinheiro vem dos pagadores
de impostos e, ao menos no caso da ACSA, ter lucro não é um imperativo.
Em
vez de entregar nosso maior e mais movimentado aeroporto para suíços, alemães e
cingapurianos comprovadamente competentes, o governo preferiu “vendê-lo” para
fundos de pensão de estatais brasileiras e para uma estatal sul-africana. E com recursos do BNDES, é claro, pois
capitalismo e risco não são coisas com as quais estamos acostumados —
principalmente fundos de pensão de estatais e empreiteiras que sempre trabalharam em
parceria com o governo.
Portanto,
ficamos assim: três estatais irão operar o mais movimentado aeroporto da América
Latina. Nada menos que 80% do
empreendimento será financiado pelo BNDES (leia-se ‘dinheiro tomado dos
pagadores de impostos e emprestado a juros muito abaixo dos de mercado para as empresas favoritas do governo’). Para que haja este financiamento, a utilização
de equipamentos importados está banida. Suíços,
alemães e cingapurianos competentes foram dispensados. E, de alguma forma, isso está sendo vendido
como privatização e capitalismo.
Também farei uma previsão dificílima: os serviços continuarão ruins e o povo vai dizer que a culpa é da ganância, da desregulamentação e da privatização, embora nenhuma tenha dado as caras. Apostas?
No mais, boas informações.
Abs!
De fato, muito elucidativo. E, acrescento, esse é talvez o melhor texto sobre as privatizações fajutas dos aeroportos.
qto a OAS tem um erro ali noq se refere a arena… n é a arena itaquera (q é tocada pela Odebrecht) e sim a arena do gremio… q é privada, mas evidentemente com uma graninha do BNDES
Adendo, Leandro.
A Fraport detém 70% da empresa que administra Aeroporto Internacional de Callao no Peru. A concessão foi feita em 2001 dando 30 anos para essa empresa administrar o aeroporto. Após reformas, o aeroporto foi eleito em 2009, 2010 e 2011 o melhor aeroporto da América Latina.
Além de ter um Duty Free excelente!
kkkk q merda esse pais……
bom trabalho, Leandro
É uma piada de mal gosto isso que se faz…
A retórica da “privatização” afasta muitas pessoas que poderiam ser simpáticas ao liberalismo. Deveriam ser tomadas outras atitudes e argumentação, como oposição ao monopólio – independente de ser governamental ou privado.
Ontem escrevi um texto sobre o assunto – a quem interessar:
naocurtoprazo.blogspot.com/2012/02/privatizacao-monopolios-e.html
Leandro, seu poder de síntese e clareza são invejáveis.
Vcs do IMB foram rápidos e certeiros e precisam chegar à grande mídia.
Com um pouco de lobby e uma pitada de jornalismo furado rapidamente alta influência política, recursos do BNDES e participação de fundos de pensão de estatais falaciosamente se tornam “privatizações”. Mais do que não-criação de riqueza por intervenção na propriedade alheia e problemas de captura onde simplesmente vale a pena controlar o planejador central que continua interferindo no setor, me parece que esse cenário de monopólio forçado sob a alcunha da “privatização” ainda gera a percepção ilusória de que mais ações do Estado são necessárias. Se o setor – que foi re-estatizado – for mal, então é culpa da “privatização” (que nunca existiu). Aí resta uma re-re-estatização (!) dos aeroportos onde o Estado deverá fiscalizar de modo exemplar – intervir mais ainda – a sua própria atuação incompetente (com o dinheiro alheio, é claro). Nada pode ser mais natural, afinal de contas se o Estado é burocrático, lento e caro para agir magicamente ele é eficiente para se auto-fiscalizar; basta que tanto surjam dívidas maiores em nosso nome – seguindo o modelo bem sucedido da Grécia – quanto também parece ser uma ótima opção que se tribute um pouco mais os brasileiros que trabalham apenas 150 dias tão somente para pagar os impostos ao “rei”. Por fim, lembre-se que a roubalheira é só um efeito colateral desse inchaço da máquina pública, uma vez que basta pensar em pilhas de trilhões de reais ao lado de partidos políticos que não competem ideológicamente para entender o problema da corrupção. Eis o funcionamento do Crony Capitalism: uma socialização dos prejuízos ali seguida do embolso dos privilégios acolá, enquanto os reais empresários somem – desincentivados por regras do jogo que prejudicam a inovação – junto com o acesso a bens e serviços de alta qualidade e preços baixos…
Ótimo artigo!
Tiram sarro da nossa cara de forma deslavada.
Esse artigo tem que ser espalhado o máximo possível. Enviem a seus contatos, todo mundo tem que saber.
Que filhos da puta sem vergonha.
Obrigado Leandro e equipe IMB por estarem sempre atentos a esses abusos aos quais somos cotidianamente submetidos. Mesmo não sendo um site de notícias, frequentemente me informo melhor do que acontece no mundo por aqui do que nos sites que teoricamente servem a esse propósito.
Muito bom.
Parabéns.
Ótimo artigo Leandro, parabéns!
Da vontade de chorar…
Mas o que deveria ser feito para melhorar a questão aérea:
1: Abrir o mercado, irrestritamente, para companhias aéreas estrangeiras operarem vôos domésticos.
2: Permitir que qualquer empresa, aérea ou não, construa e opere terminais ou aeroportos próprios. Cobrando valores de mercado pelos serviços. Para satisfazer os medrosos, a ANAC poderia ter a responsabilidade de ditar as normas de construção desses locais.
3: Permitir que empresas privadas controlem o tráfego aéreo. Novamente, pode até ter alguma regulamentação da ANAC, mas essa atividade não pode ser proibida.
4: Diminuir a burocracia para a abertura de novas companhias aéreas.
5: Ideal seria fechar a ANAC e abolir todas as regulamentações, mas sabemos que a luta por um setor aéreo desregulamentado é muito difícil, deveria pelo menos reduzir as atividades da agência.
Isso tudo ter que ser somado a outro fator: Abertura total do mercado de petróleo, livre mercado real nesse setor, para o preço do combustível cair, diminuindo ainda mais os preços das passagens.
Agora imaginem: Dezenas, talvez centenas de empresas aéreas do mundo todo disputando mercado aqui, tentando expandir rotas. Para tal, teriam que investir em novos aeroportos. Preços no chão, cidades antes ligadas apenas por linhas de ônibus, agora com vôos diretos.
Novas companhias, novos aeroportos, novas rotas. Dinamismo e eficiência. Promoções. Empresas de baixo custo oferecendo viagens do Oiapoque ao Chuí a preços irrisórios. Ponte aérea São Paulo-Rio De Janeiro a preços bem menores. Viagens internacionais mais baratas.
E vou até mais longe, desregulamentando a construção e operação de ferrovias e rodovias, a concorrência seria monstruosa. Essa seria a primeira vez que a tão falada "integração nacional" iria funcionar.
A PETROS, FUNCEF e PREVI nao sao fundos de pensão totalmente privados?
O que aconteceu não foi privatização e sim um drible na Lei das licitações. Agora o governo poderá gastar sem a interferência dos órgãos de controle (como se isso funcionasse). O governo continua com 49% e os fundos de pensão 90% do restantes.
Definitivamente, o Brasil não é um país sério. Re-estatização com nome de privatização. Pergunto: Por que as estatais estrangeiras seriam melhores gestores do que as nossas? Com empréstimo do BNDES, até eu sou um bom gestor de aeroporto.
Não consigo comentar…
Mais uma vez, perfeito na análise!\r
\r
É duro ter que aguentar a mídia falando de privatização.\r
\r
O Brasil está longe de ser um país sério!
HUUUUUMMMM!… ESTAS “PRIVATIZAÇÕES” PETISTAS DOS AEROPORTOS, SEI NÃO. \r
Tem jeito de PT trabalhando daquele jeito "honesto" que eles acusaram o PSDB… Ou até muito mais "honesto", quem sabe?\r
Então o negócio, que segundo seu próprio vendedor valia $ 10,00 e teria seu comprador financiado em 80% ($ 8,00) para levá-lo, foi arrematado por $ 44,70 ($ 10,00 + ágio de 347%)? \r
Isso quer dizer que o BNDES agora vai botar 80% x $ 44,70 = $ 35,76 no negócio, certo? Dos quais a INFRAÉRO, dona de 49% das empresas que administrarão os aeroportos, tomará 49% x $ 35,76 = $ 17,52, $ 7,52, ou 75,2% a mais do que o valor de todo o negócio que, segundo seu vendedor, deveria montar a $ 10,00, certo? E, ainda, outro tanto do financiamento do BNDES será tomado pelos fundos de pensão das estatais, certo?\r
Ainda estou tentando achar a ponta dessa maçaroca, mas aí tem negociata das grandes.\r
Para começar, parece que os compradores incluíram neste ágio que estão "pagando" (não parece que estão recebendo?) um valor que determinaria que aquela parte que seria tomada apenas pela INFRAERO, ou seja, pelo sócio governo, junto ao BNDES seria capaz de suportar todos os investimentos que eles teriam que fazer do próprio bolso como contrapartida.\r
Chamem o Élio Gaspari, o maior especialista em privataria, please!\r
Outra hipótese para o que possa estar escondido neste superhiperultra ágio de 347% destas privatizações do PT pode ser, pura é simplesmente, que os avaliadores do Governo Dilma botaram o patrimônio público dos aeroportos brasileiros a venda a "preço de banana": valia $ 44.70 r eles botaram a venda por $ 10,00.\r
Help, Élio Gaspari! Qual das duas alternativas é a MAIS correta?\r
Fiz um calculo aqui. Considerando que 80% dos valores pagos pelos aeroportos serão bancados pelo BNDES(sob juros subsidiados que possivelmente ficarão abaixo da inflação), temos a seguinte situação:
Guarulhos:
Valor Mínimo: R$3,4 bi
Valor Pago: R$16,213 bi
Valor Pago pelo consórcio: R$3,24 bi
Valor Pago pelo BNDES: R$12,97 bi
Viracopos:
Valor Mínimo: R$1,5 bi
Valor Pago: R$3,821 bi
Valor Pago pelo consórcio: R$0,76 bi
Valor Pago pelo BNDES: R$3,05 bi
Brasilia:
Valor Mínimo: R$582 mi
Valo Pago: R$4,501 bi
Valor Pago pelo consórcio: R$900 mi
Valor Pago pelo BNDES: R$4,501 bi
Conclusão: O único aeroporto que foi concedido por um valor acima do mínimo do leilão, se desconsiderarmos os empréstimos do BNDES, foi Brasilia.
Se o BNDES não se oferecesse para financiar os projetos, Guarulhos precisaria de R$160 milhões a mais e Viracopos de R$ 740 milhões. Porém Guarulhos recebeu R$12,97 bilhões e Viracopos R$4,501 bilhões a mais!
Apenas Brasilia não precisaria de mais investimento e teria um ágio de verdade, no caso R$380 milhões
Mais uma vez os “austríacos” desmascarando o intervencionismo disfarçado de capitalismo. Ainda acredito que nesses lados dos trópicos isso tudo cairá por terra qd os verdadeiros defensores do livre mercado se apresentarem à público. Com suas teorias, análises, fatos históricos e tudo mais.
O melhor é que qd chegar, qq oposição por mínima que seja, vai ficar de boca aberta por não saber no terreno que estão mexendo, hehe. Sequer tem noção dos ensinamentos da EAE.
Acho que uma das lições mais importantes dos austríacos que aprendi foi entender que a crise de 29, que soterrou o liberalismo, não passa de marmotagem. Foi a força definitiva que me fez defender ainda mais esse sistema econômico tão mal compreendido. Daí pro resto foi consequência.
Muito bom artigo Leandro. Completaria que vi numa matéria do Valor que, pelos números estimados pelo governo, o retorno anual estaria entre pífios 3% ou 4%, ao que um representante dos ganhadores respondeu dizendo que alavancariam as receitas não-operacionais que o governo não previu nos editais.\r
\r
O interessante é que mesmo que o retorno seja só de 3%, como a compra é com dinheiro dos outros, sai altamente lucrativo!\r
\r
É absurdo, a Odebrecht rouba até na Angola, aqui o link para uma notícia de um jornal de lá:
“A ODEBRECHT pagou mais de 120 milhões de dólares nos últimos dois anos em comissões e luvas a governantes Angolanos.” link -> http://www.zwelangola.com/opiniao/index-lr.php?id=4230
E mais: “O que se passa actualmente começa a ser demais, a Odebrecht mete-se em tudo, não só na capital, Luanda, mas também em províncias como Benguela, Huambo, Malanje, Lunda- Norte, Lunda-Sul, Huíla, Kwanza-Sul, etc.
A construtora participa integralmente na construção de 186 quilómetros de auto-estradas, entre a capital e outras províncias, e de Benguela para diversos destinos. Aí, segundo parece, não por ter ganho concurso algum, mas sim a indicação superior…”
Sem contar os desvios nas reformas da refinaria da Petro no Paraná, onde o ministério público ordenou o cancelamento das obras em virtude de R$ 1,4 bilhoes desviados, e o então presidente LULA, usou de um canetaço indo contra o tribunal de contas e o ministério público e teve a cara de pau de fazer um discurso dizendo que “não iria parar com as obras para que nenhum trabalhador perdesse seu emprego” um terrível piada de mal gosto. Mais aqui: revistaepoca.globo.com/tempo/noticia/2011/10/dinheiro-saindo-pelo-duto.html
Frustrante, mesmo pacifistas a vontade de “pegar em armas” aparece nessas horas. Penso que é impossível alguma mudança incremental no Brasil devido as grandes diferenças culturais, a massa do Norte e Nordeste inviabiliza novos modelos de gestão, o país deveria ter nova demarcação de divisas para que surgisse alguma esperança no curto e médio prazo.
Abraços e gracias por mais um brilhante artigo.
Notícia interessante, embora nada inesperada:
A Iata – entidade que reúne as 280 maiores empresas do mundo – denuncia a falta de transparência no processo e diz que a inflação no preço da compra, comemorado pelo governo, não conseguirá ser compensado apenas com a exploração dos três aeroportos e acabará em novas tarifas para os passageiros.
[…]
Para a Iata, não haverá como recuperar esses recursos apenas na exploração da licença dos aeroportos, e o resultado será maiores tarifas para todos. “Mesmo considerando que uma quantidade substancial de recursos pode ser atingida por meio de melhorias na eficiência dos aeroportos, em especial em Guarulhos, é difícil conciliar o montante pago com o potencial de receita“, alertou a entidade. “Essa diferença é de grande preocupação para a indústria”, indicou.
[…]
Para Perry Flint, chefe de Comunicações Corporativas da Iata nas Américas, um dos temores vem justamente do histórico da empresa sul-africana Acsa, que faz parte do consórcio que venceu a licitação do Aeroporto de Guarulhos. Segundo ele, uma das primeiras medidas dessa companhia na África do Sul foi elevar de forma dramática as tarifas quando assumiu nove aeroportos no país há uma década.
[…]
Um levantamento feito pela indústria revela que, na realidade, Guarulhos está entre os aeroportos mais caros do mundo. Para o pouso e decolagem de um avião A330, Guarulhos cobra taxas que seriam 93% superiores às do Aeroporto de Miami. O aeroporto também é 27,5% mais caro que o movimentado Charles de Gaulle, em Paris. Em comparação com o Aeroporto de Cingapura, Guarulhos é 2,5 vezes mais caro.
“É por isso que vamos monitorar essas negociações entre os operadores e os usuários”, alertou Flint. Segundo ele, porém, não ajuda o fato de o governo ser ao mesmo tempo o regulador dos aeroportos e ainda receber parte dos lucros. “Isso dará margem para muita coisa. Antes e durante o processo de concessão, a Iata expressou suas preocupações em relação à estrutura da privatização, que deixa o governo na posição de ser parceiro dos novos proprietários e regulador.”
economia.estadao.com.br/noticias/economia,-iata-critica-privatizacao-de-aeroportos-brasileiros,102157,0.htm
Caro Leandro, veja a escandalosa desonestidade dos stalinistas do MR-8/Partido Pátria Livre (PPL):
“No entanto, o pior é que o grupo que levou Guarulhos – maior e mais lucrativo aeroporto do país, que teve em 2011 um movimento de 30 milhões de passageiros, 358 milhões de toneladas de carga e mais de 250 mil aeronaves pousando ou decolando – irá pagar R$ 810 milhões durante 20 anos.
A operadora de Guarulhos será a estatal sul-africana Airports Company South Africa (ACSA). Por que o aeroporto de Guarulhos [b]não pode ser operado por uma estatal brasileira, mas pode ser operado por uma estatal sul-africana,[b] com muito menos experiência no setor”?
http://www.horadopovo.com.br/
Alguém aí sabe qual foi o valor que o 2º colocado colocou no leilão?
Só falam dos milhões e do ágio do vencedor. Gostaria de saber a diferença entre o valor vencedor e os outros…
Abraços
Ah mas eu vivendo em Portugal já conheço bem o objetivo final e sei como é que a história termina. A historia nao preciso contar, mas o truque aqui nessas privatizações é que o governo subsidia via BNDES, a conta é chutada para a frente com o custo diluido ao longo dos anos, mas o valor todo da “privatização” é registrado de uma vez só no orçamento da união para esse ano.
Excelente análise da situação brasileira, como sempre. Corrijam-me se eu estiver errado, mas parece que o BNDES se tornou o grande instrumento de estatização e planificação.
Privataria, PT style
Não tive estômago pra ler tudo. Só li até o comentário da tranquilidade dos sindicatos. Essas políticas estatais me dão nojo.
A esculhambação do país não pára
Jovens de baixa renda terão passagens de avião gratuitas, prevê projeto
Texto do Estatuto da Juventude foi aprovado na CCJ e beneficia cidadãos com idade de 15 a 29 anos
BRASÍLIA – Aprovado nesta quarta-feira, 15, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ), o projeto de lei que institui o Estatuto da Juventude prevê que jovens de 15 a 29 de baixa renda terão duas passagens gratuitas em todos os aviões, ônibus e barcos interestaduais que transitarem no País, além de duas passagens com desconto de 50%, se o benefício integral já tiver sido utilizado. Os jovens de 15 a 29 anos terão, ainda meia-entrada nos eventos culturais e esportivos financiados com dinheiro público e 40% de desconto nos eventos patrocinados pela iniciativa privada.
A medida se estende aos jogos da Copa do Mundo em 2014 e a Olimpíada de 2016, ampliando ainda mais a polêmica com os organizadores dos eventos.
Os privilégios previstos para essa faixa etária se estendem igualmente à criação de linhas de crédito específica, destinada à agricultura orgânica e agroecológica e à “efetiva inclusão dos jovens nos espaços públicos de decisão com direito a voz e voto”.
[…]
De iniciativa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o estatuto tramitou sete anos na Câmara. Saiu de lá com propostas inconstitucionais, como a de tarifar transportes municipais e ainda mais vantagens, como a de liberar meia passagem gratuita para todos os cidadãos de 15 a 29 anos, “independentemente do motivo da viagem”.
http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,jovens-de-baixa-renda-terao-passagens-de-aviao-gratuitas-preve-projeto,836315,0.htm
Havia escrito esses dias no meu facebook a respeito das “privatestatizações” e sobre o BNDES. Só no Brasil mesmo….
Só faria uma ressalva no texto, acho que Johannesburgo e Mumbai são sim aeroportos de amplo relevo, ainda mais aquele que é um hub internacional. Sobre os fundos de pensão, se hoje, Petros, Funcef e Previ fazem o que fazem – nada contra os fundos de pensão, aliás totalmente a favor, o problema são os fundos de pensão brasileiros – imaginem quando for criado o fundo de pensão dos servidores públicos. Imaginem a grana em, por exemplo, 10 anos que um fundo desse terá. E o comando dessa grana. O presidente de um negócio desse vai ter muito mais poder que o presidente da república.
No mais, ótimo artigo
Desculpa o off-topic, mas vocês viram essa defesa ao livre mercado feita por um site de humor?
http://www.cracked.com/blog/5-common-anti-internet-arguments-that-are-statistically-bs/
como sempre o governo está usando nosso dinheiro para enriquece essa empresa de merda em troca de dimdim para suas campanhas e suas comissões por fora.
Leandro,
Este texto ficou EXCELENTE e achei impecável sua articulação e desenho dos fatos, está de parabéns. Adicionei uma referência ao meu perfil do Facebook e espero que muitos o leiam também, talvez abrindo os olhos de alguns PTistas.
Grande abraço!
Existe algum artigo no site que analisa o papel dos fundos de pensão de estatais (PREVI, PETROS, FUNCEF, etc.) na economia brasileira? Qual a influência e a relação destes com o governo?