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Greves e sindicatos criminosos

Não importa se o movimento é feito por funcionários públicos ou por empregados de empresas privadas: o fato é que greves não são um movimento de resignação em massa, o que seria um direito dos trabalhadores.  Greves são simplesmente uma tentativa de punir empregadores e consumidores por meio de uma total paralisação dos serviços.  (No caso de uma greve de funcionários públicos, o pagador de impostos é ao mesmo tempo o empregador e o consumidor punidos).

Para garantir o sucesso de sua empreitada, sindicalistas e grevistas sempre recorrem à violência — ou à ameaça de violência — contra os “fura-greves” e contra os trabalhadores não sindicalizados, ambos formados por pessoas que querem e estão dispostas a trabalhar sob os salários vigentes.  Por causa disso, por causa desse recurso à coerção, uma greve sempre será ilegítima. 

Sindicatos, por sua vez, nada mais são do que uma organização de pessoas que têm ódio visceral a seus benfeitores, os empregadores (ou aos contribuintes, no caso de funcionários públicos).  Quando eles não conseguem o que querem — isto é, receber mais e trabalhar menos –, eles simplesmente recorrem a medidas que irão prejudicar a empresa para a qual trabalham (e todos os trabalhadores não sindicalizados), quase sempre utilizando de violência ou de ameaça de violência.  Desnecessário dizer, é claro, que essa coerção sindical é totalmente defendida pelo governo, formado majoritariamente por gente oriunda desse mesmo ambiente.

Prejudicar seus patrões e seus consumidores — que são justamente quem garante seu sustento — é exatamente o que os sindicatos querem, dado que essa gente possui a mesma visão e a mesma ética do escorpião da fábula de Esopo, que, ao ferroar o sapo sobre o qual está montado atravessando o rio, morre junto com ele.

Nas vésperas de Natal, funcionários da TAM resolveram cruzar os braços para prejudicar seus empregadores e seus clientes.  Vários vôos foram cancelados e outros tantos saíram atrasados.  Isso gerou um efeito cascata sobre outras empresas aéreas, as quais foram prejudicadas mesmo com seus funcionários não tendo aderido à greve.  A GOL, por exemplo, sofreu atrasos em vários de seus vôos simplesmente porque, com as aeronaves da TAM paradas no aeroporto, ocupando pontes de embarque e áreas de manobra, não havia espaço para outras aeronaves operarem.  E quanto mais tempo um avião é mantido parado em solo, maiores são as despesas da companhia aérea.  Um maior tempo de solo para a aeronave significa maiores valores desembolsados com taxas de permanência e com despesas com passageiros que adquirem direitos quando há atrasos.

Não são poucas as pessoas que dizem coisas do tipo, “Veja bem, é verdade que hoje os sindicatos se corromperam, mas o fato é que suas intenções iniciais eram boas.”  Isso é cascata.  No caso dos sindicatos dos funcionários públicos, obviamente, nunca houve sequer uma boa intenção.  O objetivo sempre foi o de pilhar ao máximo o bolso dos pagadores de impostos, exigindo cada vez mais benefícios, cada vez mais dias de férias e cada vez menos horas de trabalho.  E caso suas exigências não sejam atendidas, eles simplesmente paralisam os serviços, os quais, por serem monopólios estatais, inevitavelmente afetam o cidadão comum, principalmente os mais pobres.  Portanto, para os sindicatos de funcionários públicos, a frase acima nunca foi cabível.

E nem para os sindicatos do setor privado.  Estes também não mudaram em nada.  Suas intenções em seus primórdios eram as mesmas de seus objetivos atuais: ser um braço ideológico e político de movimentos socialistas, sempre alinhando os interesses de sua classe aos interesses da elite política que está no poder, e utilizando essa aliança para minimizar os impactos gerados pela concorrência — veja o exemplo dos sindicatos das montadoras, que conseguiram um aumento de 30 pontos percentuais no IPI de automóveis importados; isso garantiu ao mesmo tempo mais receitas para o governo e mais estabilidade e maiores salários para os empregados das montadoras, ao custo do bem-estar do resto da população. 

O objetivo dos sindicatos sempre foi e sempre será o de substituir as forças de mercado por uma ordem intervencionista estatal, a ser dirigida pelo governo, pelos próprios sindicatos e pelas grandes empresas aliadas ao governo.

Por fim, nada como recorrer à lógica: empregados fazem greve porque, em teoria, creem que seus salários estão ruins.  Logo, por uma questão de lógica, se eles acham que seus salários estão baixos é porque se acham plenamente capacitados para ganhar salários maiores do que ganham atualmente — caso contrário, não estariam fazendo greve.  Sendo assim, a coisa mais sensata e moral a fazer seria simplesmente pedir demissão e ir atrás de empregos mais rentáveis.  Pois se eles se acham plenamente capacitados para salários mais elevados, então não terão dificuldade alguma em encontrar empregos mais “generosos” em termos de salário. 

Sempre que você vir um empregado privado ou um funcionário público insatisfeito com seu salário, pergunte a ele: por que não pede demissão e vai procurar outro emprego, já que você é tão capacitado?

 

Esse artigo foi originalmente publicado em 21 de dezembro de 2011

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Nota: as visões expressas no artigo não são necessariamente aquelas do Instituto Mises Brasil.

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109 comentários em “Greves e sindicatos criminosos”

  1. Exato! Certa vez os empregados da aciaria onde eu trabalhava resolveram fazer greve. Como eu não podia me dar ao luxo de arriscar, porque já tinha família para sustentar, apereci para trabalahr. Não me deixaram entrar. No dia seguinte apareci de novo. Tentaram me agredir. E depois ficavam me mandando ameaças por telefone, o que fez com que eu nem aparecesse nas reuniões. Após semanas, quando a greve terminou, fiquei completamente isolado. Todos me desprezavam. Até que finalmente arranjei emprego em outro lugar e saí dali.

    Obviamente estou utilizando aqui um nome falso.

  2. @Leandro: “…Por fim, nada como recorrer à lógica: empregados fazem greve porque, em teoria, creem que seus salários estão ruins. Logo, por uma questão de lógica, se eles acham que seus salários estão baixos é porque se acham plenamente capacitados para ganhar salários maiores do que ganham atualmente — caso contrário, não estariam fazendo greve. Sendo assim, a coisa mais sensata e moral a fazer seria simplesmente pedir demissão e ir atrás de empregos mais rentáveis. Pois se eles se acham plenamente capacitados para salários mais elevados, então não terão dificuldade alguma em encontrar empregos mais “generosos” em termos de salário…”

    Mas essa gente tá nem aí pra lógica. Eles querem é pilhar o máximo que puderem e o resto que se dane.

  3. A frase utilizada nesse protesto solitário da foto é simples mas exprime perfeitamente o absurdo dessas greves. Acredito que seria uma boa idéia se o LIBER organizasse protestos anti-greves nos locais aonde estiver ocorrendo manifestações sindicais. Ficaríamos repetindo essa frase ininterruptamente irritando ao máximo os grevistas. Enquanto isso, as pessoas que passassem pelo local se solidarizaram com a lógica da nossa manifestação e os grevistas teriam muito mais dificuldade para não se passar por ridículos

  4. Leandro,
    Sou funcionário público, bancário.
    Sou leitor assíduo do Mises, inclusive já li outros artigos teu e não consegui compreender ainda porque no presente artigo você teve uma visa tão superficial e generalizada da greve. Ainda mais o ataque escrachado aos funcionário públicos em geral. Perdoe a analogia, mas é quase igual à “justiça” sagrada de condenação em massa, ou você é pecador ou não é, se for contra mim, é pecador.
    A única explicação plausível que me vem, seria que este artigo foi escrito por uma mente “quente” após enfrentar o transtorno ao qual também enfrentei ao tentar embarcar hoje e não conseguir.
    Agora veja a definição de greve: “Interrupção voluntária e coletiva de atividades ou funções, por parte de trabalhadores ou estudantes, como forma de protesto ou de reivindicação.”
    Seja servidor, funcionário público ou privado, esta é uma ferramenta ativa e garantida constitucionalmente para evitar abusos patronais. Saber que um grupo de funcionários pode exigir o fim dos abusos sem correr o risco de serem discriminados e dispensados é o mínimo que a democracia nos garante.
    Criticar meu caro, é realmente algo fácil e você o fez de forma enfática em todo o texto. Agora o que pergunto sempre à todos que me questionam sobre a greve (no caso dos bancários) é: Para você, cidadão ou cliente de um serviço público, qual a solução contra a desvalorização do seu trabalho (por perda de poder aquisitivo causada pela inflação), falta de recursos, condições adequadas e segurança ao exercício de suas atividades (escriturários estão sempre no ranking das 5 profissões mais perigosas segundo o INSS, por índice de acidentes, segurança deficiente, doenças do trabalho, assim como suicídio e abuso de medicamentos psicoativos) e constantes abusos patronais que exigem, apesar de terem perfeita noção de legalidade, que seus funcionários tomem ações dúbias (contra o próprio regulamento), para se manterem com parte do seu ganho salarial (PLR), e arquem com a responsabilidade, eximindo-os da culpa?
    Não adianta você pegar o reajuste salarial do bancário destes últimos três anos, esta amostra estaria contaminada. Pegue os reajuste nas últimas três décadas e compare com a quantidade de exigências, metas, depreciação da segurança e quantidade de doenças e me diga aonde você verifica a justiça no salário de um funcionário público?
    A sua lógica de pedir demissão é, me desculpe o termo, ridícula. Muitos iriam adorar ter nosso salário no momento, porém uma década depois sem reajuste salarial, aumento de abusos e doenças eu queria ver. Qual seria sua solução? Que estes também pedissem demissão? Enfim, chegaríamos ao ponto que um funcionário público não valeria nada e que isso é culpa da inércia de todos os funcionários por não terem lutado.
    E por favor, não me dê como solução um acordo trabalhista bem feito, discutido e bom para as duas partes. Se você já tivesse ido em uma assembléia de acordo trabalhista saberia que uma parte pede socorro e a outra olha os números. Não importa se uma instituição ganhou 25% a mais em um ano. A ideia é manter o lucro para os acionistas e manter a massa trabalhando, afinal eles não participam disso, aliás, se der para desvalorizá-los para aumentar o lucro líquido, tá valendo. E isso ocorre frequentemente, dada a alta rotatividade dos setores mais perigosos do Brasil.
    Estou onde estou porque obviamente me capacitei para estar, porém não me considero o umbigo do mundo como você tentou vestir os funcionários públicos. Não considero que tenho capacidade de talvez julgar alguém como um juiz, de representar o Brasil como um Embaixador. Apesar de todos nó termos a capacidade de chegarmos lá.
    Porém não me considero um inferior, que ganha bem e não faz nada, que só quero reajuste para valorizar meu ostracismo. Isso é, repito, ridículo. Quero um reajuste salarial para não poder ser desvalorizado com a inflação, para poder viver dignamente e não na mão do banco com empréstimos, de caridade ou pior, acabar perdendo o direito de viver ou a própria vida.
    E como agravante, você reclama da violência sindical e incita a violência ao clamar ao povo que confronte o funcionário humilhando-o um pouco mais, para quem sabe ele desista. Isso não é violência nem um pouco não é mesmo?
    Realmente a greve é horrível. Estou totalmente frustrado por não ter viajado, e me pergunto se chegarei até sábado ao meu destino. Porém, não ficarei atacando também o direito de um trabalhador, seja ele da TAM, infraero ou de onde bem entender. Talvez eles ganhem realmente bem, mas não irei julgá-los assim tão facilmente e de forma generalizada. Desconheço suas dores e por isso não irei atacar achando que é puro fingimento. Caso eu as conheça talvez algum dia eu volte aqui e publique uma solução.
    Ao invés de pedir que se demitam, que reconheçam sua insignificância, que procurem ir atrás de algo melhor para ver como não são despreparados e como sempre irá surgir alguém mais desesperado, mais servil e substituível.

  5. Leandro,

    Sobre existir a coerção aos não grevistas concordo que esteja certo e sou contra também. Porém isso não é uma regra, onde trabalho, a greve é opcional, quem não aderiu trabalhou normalmente. Não pinte de satanás todos os grevistas, como falei, você generaliza.

    “Sindicatos, por sua vez, nada mais são do que uma organização de pessoas que têm ódio visceral a seus benfeitores, os empregadores (…). Quando eles não conseguem o que querem — isto é, receber mais e trabalhar menos —, eles simplesmente recorrem a medidas que irão prejudicar a empresa para a qual trabalham…”
    Sério mesmo? Trabalhar menos e ganhar mais, meta de vida de todo sindicalista? Se isso não é generalizar, devo entender como… ironia talvez?

    Sobre a aula barata sobre inflação, poder de compra e a mágica da criação (desvalorização) do dinheiro, muito obrigado, mas não me acrescentou nada, dado onde trabalho, creio que compreendo. E mais uma vez volto a perguntar, você considera justo não pedir reajuste salarial pois a desvalorização é um problema do sistema capitalista e meus “benfeitores” não tem culpa? Sério mesmo que você considera o Banco Central o vilão isolado por criar dinheiro? Meu caro, meu empregador é um dos principais responsáveis por me fazer valer cada vez menos. Sem dar reajustes e desvalorizando o que ganho criando dinheiro eletrônico a partir de empréstimos.

    Não, você não considera o trabalho público produtivo, pois comprou com unhas e dentes uma ideia. Não consegue ver demanda para um serviço público e o considera ineficaz, inferior e dispensável.
    Considera um engenheiro produtivo, que por acaso também sou e trabalho com prestação de serviços, por gerar uma riqueza tangível para quem o contrata, porém não consegue verificar que a demanda do serviço público é justamente a necessidade pública por um sistema que traga suporte para esta produção?
    Um acionista é produtivo e um funcionário deste não? Só pode ser piada, e das ruins.

    Um funcionário público não é produtivo? Ok, exclua-o de sua equação de sistema produtivo. Me diga agora como o engenheiro terá sua produção reconhecida?
    Empreender e viver do meu dinheiro? Se serviço público não tem demanda, dinheiro, que é um serviço público, também não existe. Não existe viver só de empreender quando você não tem um serviço público para quantificá-los e qualificá-los! Não existe essa de todos deveriam ser empreendedores assim só existiria a criação de novos serviços e bens para todos!
    Viver uma utopia é maravilhoso.
    Não existe a sociedade moderna sem o serviço público. E isso não é uma visão emotiva. Apesar de que tudo que eu venha dizer, você considerará emotiva, afinal eu faço parte do sistema não é mesmo? Todo trabalho é produtivo, não existe trabalho sem uma algo que o enseje. Inclusive na física.

    Sinceramente, sua visão é contraditória quanto a produtividade e assumo as falhas da minha. Mas não espero que faça o mesmo, pode bombardear com sua ideologia utópica o que me dispus a argumentar aqui. Acho toda crítica válida e sim, sempre leio e continuarei lendo o Mises, por incrível que isso possa lhe parecer estranho. Uma coisa é ler, aceitar tudo e comprar uma briga. Outra é tentar verificar a veracidade dos fatos e questionar, o que faço, felizmente, não aceito tudo que é exposto aqui.

    Não da pra viver só de empreendedorismo, para se ter dinheiro, renda, etc. Por mais que continuemos aqui a honra do serviço público, não mudará muita coisa. Para mim, humilde leitor, talvez não tão capacitado quanto você para abordar tais temas, creio muito em um sistema de produção por reconhecimento e não financeiro. Vender a força de trabalho como forma de produção é uma doença que sempre desenvolverá um sistema que necessite de quantificação e por fim um governo que crie serviços públicos para tal. Não concordo em pleno mas sou muito amigável à visão do Zeitgeist. Ou temos um sistema igual por reconhecimento do trabalho de todos (como produtivo) sendo indiferente a área. Ou entraremos em conflito eternamente.

    Bom, irei resumir por aqui ou passarei o resto do ano aqui argumentando.
    Meus sinceros votos de paz para ti e se ao ver este mero cidadão funcionário público ou qualquer outro, espero que não me condene, à forca ou folgueira, não criei o sistema porém não irei me apartar dele de “supetão” pois tenho uma família e não posso largar tudo e me demitir, seria muito descaso com quem precisa de mim.

    Abraço

  6. Victor.

    Acho que sua principal pergunta ficou meio no ar.

    “Agora o que pergunto sempre à todos que me questionam sobre a greve (no caso dos bancários) é: Para você, cidadão ou cliente de um serviço público, qual a solução contra a desvalorização do seu trabalho (por perda de poder aquisitivo causada pela inflação), falta de recursos, condições adequadas e segurança ao exercício de suas atividades (escriturários estão sempre no ranking das 5 profissões mais perigosas segundo o INSS, por índice de acidentes, segurança deficiente, doenças do trabalho, assim como suicídio e abuso de medicamentos psicoativos) e constantes abusos patronais que exigem, apesar de terem perfeita noção de legalidade, que seus funcionários tomem ações dúbias (contra o próprio regulamento), para se manterem com parte do seu ganho salarial (PLR), e arquem com a responsabilidade, eximindo-os da culpa?”

    Resposta: a solução é pedir demissão e procurar um emprego melhor. Parece difícil né ? Mas é mesmo, mas é solução para a grande maioria daqueles que trabalham para a iniciativa privada. Para os empresários com estes problemas a solução é fechar para ou abrir um novo negócio ou procurar um emprego.

    “Não adianta você pegar o reajuste salarial do bancário destes últimos três anos, esta amostra estaria contaminada. Pegue os reajuste nas últimas três décadas e compare com a quantidade de exigências, metas, depreciação da segurança e quantidade de doenças e me diga aonde você verifica a justiça no salário de um funcionário público?”

    Resposta: Acho que ninguém melhor do que você mesmo para responder a esta pergunta. Nem eu nem ninguém aqui tem que saber se existe “justiça no salário” do emprego que você escolheu.

    E se ñ existe “justiça no salário” de um funcionário público talvez seja o caso de você ir para a iniciativa privada ou abrir uma empresa. Talvez esse seja o caminho para o emprego dos seus sonhos. Talvez você ache ou talvez perceba que o emprego dos seus sonhos nao existe. Só existe uma maneira de descobrir.

  7. Falam como se os meios de produção fossem inesgotáveis, mesmo colocando que trabalho, consumo e recursos como escassos.\r
    \r
    Ai, ai, ai… quanta ideologia desligada da realidade.

  8. Desculpe, não me dignaria a ler tantas inverdades…

    Caro escritor do texto, se começar proclamando que as ‘o fato é que greves não são um movimento de resignação em massa, o que seria um direito dos trabalhadores”. Não termine dizendo que o objetivo das greves é “punir empregadores”.

    Greves lutam por um movimento justo. Infelizmente no Brasil tomaram uma dimensão partidaria, que é extremamente prejudicial para o partido no poder (seja ele o PSDB ou o PT) e para os que nao estão ali. A politica brasileira é falha, e encontrou na politicagem maneiras de prosperar. Essa (greves) é só uma delas, e apoiada por ambos os lados. Já estive em reuniões da UNE e sei o quanto aquilo é paridário, e tenho certeza que posso dizer o mesmo de outros grupos de trabalhadores.

    Ainda assim, é de tamanho levianismo ignorar o fato de que movimentos grevistas visam projeter os funcionários. E não lesar os proprietários.

    Explico: Se os movimentos grevitas tivessem a força que deveriam todos os trabalhadores teriam oportunidades justas. Te exemplifico: A supressão das corporações trabalhistas nos EUA lideraram a uma evasão de empregos, sobretudo para a Ásias. Hoje em dia o custo para retomar as operações em território americano são muito mais altos. No final das contas as greves que poderiam se feitas antes teriam livrado empresa e empregado dos problemas que em breve serão enfrentados;

    Desculpa, mas falar que grevistas são “tentativas de punir os empregadores” é de tamanha levianidade e ignorancia que eu normalmente e recusaria a comentar. Grevistas lutam por seus direitos, e seus direitos devem ser equivalentes ao de todos, isso se chama democracia: Igualdade de escolhas, e liberdade de escolhas. De os empregadores não lhe provêm igualdade, então a greve representa uma liberdade a ser seguida, em busca da igualdade perdida.

  9. Maurício Goncalves

    O modelo de sindicato que temos hoje está anos-luz de gerar a "proteçao" ao trabalhador que os seus defensores advogam. O pior é que os dirigentes sindicais não estão dentro das empresas para ver como os funcionários, os seus protegidos, torcem o nariz na hora de pagar a dita "contribuição" sindical. Um montante cuja finalidade nunca vi ninguém reconhecer como bem pago; muito pelo contrário, as pessoas sempre correm na época do pagamento para driblar este "imposto", que se ficasse no bolso de quem paga teria uma finalidade muito maior (aliás, como todos os outros hehehe).

    Na inexistência de leis trabalhistas, um sindicato, fruto de um arranjo voluntário de profissionais da categoria, negociaria contratos de trabalhos mais condizentes com a realidade de cada setor, destinaria as contribuições (de fato, e voluntárias!) para fundos de investimento para assistir os associados em caso de desemprego, teria maior interação com as empresas sobre a realidade do setor em que atua etc, etc. A utilidade do serviço faria com que trabalhadores voluntariamente demandassem por este serviço.

    E mais, faria com os serviços fossem profissionalizados, aumentando o poder de salvaguarda para os seus assegurados. Os maiores beneficiados seriam profissionais de baixa qualificação, cujo poder de barganha com o empregador é mais baixo, se comparado a profissionais mais qualificados.

    Os sindicatos atuais (os vermelhinhos) estão pautados numa lógica econômica equivocada. Para eles, riqueza se transfere e lucros tem de ser divididos de forma mais "equânime". Capitalismo é jogo de soma zero para os Vicentinhos, Paulinhos etc.

    Esses sindicatos se fossem extintos fariam um enorme bem para os seus "protegidos". Lembro de uma situação numa empresa em que eu trabalhava, cujo resultado operacional não foi atingido para que se distribuisse bônus para os funcionários (todos, inclusive os da fábrica). O sindicato simplesmente alegou que a empresa estava MENTINDO e que deveria ser pago o que era de direito dos trabalhadores. Para piorar, a empresa flexibilizou a regra para pagamento de bônus para evitar problema semelhante no futuro. Nessas horas vê-se que até as empresas estão contaminadas com o ranço vermelho.

    Outra coisa que me intriga é se o tal direito (?!) a greve faz sentido. Na minha humilde opinião, não faz. Salários tem de ser negociados de acordo com a produtividade, greves são quebras unilaterais de contrato de trabalho. E como todo contrato, deveria ter clausula de rescisão para este caso. Num cenário de livre mercado, sindicatos seriam cobrados pelos seus associados por não terem alcançado um acordo adequado, inclusive até com entidades competindo entre si para ver quem oferta melhor tal serviço.

  10. O direito a greve e a organização de trabalhadores em sindicatos são perfeitamente legitimas. O que é inaceitavel é usar a força para arrecadar e/ou impedir os não grevistas de trabalhar. Mas acho que caso não usassem a coersão provavelmente não existiriam greves, ja que o beneficio de se desviar é muito alto (um dilema dos prisioneiros). Leontief acho que propos uma discussão interessante (obvio que concluindo que o governo deveria enforce as greves, mas enfim…)

  11. Você não poderia ter dito melhor – é um post muito perspicaz, e eu concordo plenamente que a “generosidade” de tais uniões, sua atitude para com seus trabalhadores, corrupção e monopólio são as questões que não podemos manter nossos olhos fechados para. Também gostaria de conselhos aqueles treinados para mudar de emprego, de fato.

  12. Vinicius, acho que fui infeliz ao usar “greve”, termo carregado. O que eu quis dizer é que não há problema c/ greves como mecanismo de negociação caso os não grevistas nao sejam empedidos de trabalhar e os administradores nao sejam impedidos de demitir ou fazer valer os covenants.

  13. Claro que greves são necessarias. Existem diversos trabalhos que não exigem muita especialização e esses postos de trabalho não são poucos. Como exemplos, pode-se citar caixas de supermercados, garis, faxineiros, porteiros, copeiros, pessoas que trabalham com transporte de cargas etc. E são justamente esses trabalhadores que, em nossa sociedade, recebem o menor salário e por isso seriam os que mais sofreriam com a falta de controle das condições de trabalho por parte do governo.

    Imaginemos a seguinte situação. Numa rede de supermercados, os caixas estão reclamando do salário pago, pois ele é muito baixo. O empregador se nega a atender as exigências e diz que quem quiser continuar com o emprego deve aceitar as condições atuais de trabalho. O que você acha que a maioria dos caixas vai fazer (lembrando que a maioria deles tem família pra sustentar e várias dívidas a pagar)? Vão se resignar e aceitar continuar trabalhando ou vão ter a coragem de peitar o chefe e se arriscar procurando outro trabalho melhor? Tenho certeza de que, por mais que as condições de trabalho mal garantam a sua subsistencia, a grande maioria vai preferir se manter no emprego e os que saírem poderão ser substituídos sem dificuldade pelo empregador, principalmente por ser um trabalho que exige pouca especialização.

    Outra coisa que também quero lembrar e que, mesmo em empregos que exigem uma especialização um pouco mais elevada, a mesma situação pode perfeitamente se repetir.

    Suponhamos agora que os pedreiros de uma construtora estejam reivindicando melhores condições de trabalho. Concordo que ninguém aprende a construir prédios da noite pro dia, mas você não acha que dentre o grupo dos desempregados existem ex-pedreiros suficientes para substituir os empregados mais rebeldes caso seja necessário?

    O que quero dizer com isso é que os desempregados não são uma massa de pessoas sem especialização alguma. Na verdade, esse grupo é formado, em grande parte, por pessoas que já tiveram alguma profissão anteriormente e que estão aptas a exercê-la novamente caso haja oportunidade.

    Além do que, se alguma nova empresa não tem condições de fornecer os benefícios básicos aos seus empregados, é melhor não permitir que ela venha a funcionar do que permitir que ela submeta os empregados a condições indignas de trabalho.

    Em segundo lugar, não é verdade que os benefícios diminuem o salário do trabalhador. Vamos pegar os trabalhadores que recebem salário mínimo. Se o empregador está pagando salário mínimo e o governo produz uma regulamentação obrigando a empresa a pagar o transporte dos operários, por exemplo, o trabalhador vai continuar recebendo o mesmo valor de antes e ainda vai ter o benefício do transporte grátis. Percebe que não houve redução no salário?

    Talvez você queira rebater minha última afirmação dizendo que, se o trabalhador ganha mais do que o salário mínimo, ai o empregado poderá abater nesse salário o valor do benefício concedido. Mas eu digo que é ai que entra a importância da regulamentação jurídica do trabalho através de princípios constitucionais como o da irredutibilidade do salário. Esse princípio garante que, mesmo que o patrão seja obrigado a fornecer um novo benefício ao funcionário, ele não poderá diminuir o valor do salario do empregado por conta disso.

    Mas ai você pode dizer que, com o tempo, o valor que o empregado recebe vai sendo corroído pela inflação e o empresário poderia então descontar o valor desses novos benefícios fazendo um reajuste menor do que a perda inflacionária. Novamente, é ai que entra a regulamentação jurídica garantindo o direito de greve ao trabalhador para que tenha reajustes adequados.

  14. Leandro e Fernando.

    Obrigado pelas respostas.

    Leandro, não me baseio em imbecilidades marxistas. “Está insatisfeito pede demissão”, se toda uma classe de trabalhadores (sejam professores, bancários….) está insatisfeita a melhor solução para ambos os lados seria um acordo. Seria como dizer as mulheres sauditas (que não podem dirigir), “Estão insatisfeitas, mudem para outro país”, não é assim, o acordo entre elas e o governo também existe, mas chegaram a um ponto que a mudança é a solução. Empresas não são uma democracia, e não teriam o porque de serem.

    Fernando, alguns pontos:

    Sim, “comprovei”, ou melhor, concordei com o que escreveu no texto no sentido de partidarismo sindicalista (sobretudo quando comentei sobre a UNE). E de fato concordo com isso, mas também acredito ser um reducionismo acreditar que greves e grevistas são apenas isto.
    Quero dizer (como disse no texto), o problema é que as greves se tornaram parte da politicagem que faz a democracia brasileira funcionar. O que cuncluo é que na realidade o mal não é a greve ou o movimento trabalhista, e sim a forma que ela adquiriu no Brasil. A reforma politica é mais do que necessária para acabar com esses mecanismos que são prejudiciais para o país (estão na raiz da corrupção que temos hoje. Corrupção espalhada de sindicalistas à ministros, corruptor e corrompido estão do mesmo lado). E o seu texto representa essa opinião de uma forma extrema, justamente por isso achei por melhor comentar (e se possível evoluir pensamentoS).

    O segundo ponto é que foi justamente o movimento grevista que moveu empresas para a Asia. Está certo. Está certo porque considerou apenas um lado do jogo. O fato é que ele se moveu porque na Ásia esse tipo de direito não existe, então os trabalhadores se sujeitam a trabalhar por salários irrisórios e não podem lutar pelos direitos (nem sabem da existencia de direitos). Claro, quando as empresas se moveram essa luta não seria necessária, mas com mudanças no jogo (pressões inflacionárias, moeda valorizando…) os trabalhadores passaram a ter esse tipo de demanda que, claro, não serão atendidas, e aí sim teremos um grande problema.
    Ou seja, esse tipo de movimento e demanda de trabalhadores parece ter sido essencial para o aumento na qualidade de vida americana. Só que o tiro saiu pela culatra, porque as empresas pensaram como deveriam (visando o lucro) e sairam do país, na década de 80 um CEO ganhava 82 vezes o salário de um trabalhador comum. Hoje ele ganha 400 vezes mais.
    A questão de igualdade não é nivelar. É igualdade de oportunidade, e consequentemente de diminuir o abismo entre classes, é elementar que numa empresa (que por natureza é autocrática) os cargos mais altos ganharão mais, a questão é, o quanto mais é justo? Não me parece que 400 vezes seja um número interessante.
    E a função dos movimentos de classe seria pressionar (governo e empresas) para remunerações e trabalhos mais justos. Estamos longe do inicio da revolução industrial, e num momento de evoluir e não regredir.
    Vivi em alguns países (ainda vivo fora do Brasil…), lugares com movimentos mais fortes e outros com movimentos inexistentes. E te digo que a diferencia de vivência entre cada um é enorme. A desigualdade que a ausencia de direitos trouxe a China é gigantesca(também trouxe progresso, controlado a mãos de ferro, e a uma desvalorização crônica da moeda, que não serve apenas para ajudar as exportações, se tornou um mecanismo essencial na manutenção dos preços). Não sei quanto tempo mais a mão de ferro no controle das pessoas irá funcionar, o tamanho do abismo entre ricos e pobres está aumentando rapidamente e nós brasileiros conhecemos bem as consequencias da desigualdade, para manter em um exemplo, diria o crime (que já está em rápida ascensão na China, que como dito, mantém a segurança na base da supressão de liberdades básicas, todos são vigiados 100% do tempo).

    A questão é, para onde queremos caminhar? Para um país mais justo e igual (com ricos e pobres, mas com uma extensão de direitos). Ou para um progresso momentaneo que prefere acabar com direitos visando um caminho mais curto, e que pelo que vemos não faz sentido. Ainda não estamos num ponto de nos compararmos com os países nórdicos, em que os movimentos de classe sempre funcionaram corretamente, mas podemos nos espelhar neles, melhor do que se espelhar em chineses ou paraguaios. Seria um retrocesso acabar com movimentos sindicalistas. Seria um avanço gigantesco separar-lo da politicagem.

    Ainda vejo como um tanto utopica essa separação, da mesma forma que vejo a redução da corrupção no Brasil como utopica, aguardo um político com coragem para mudar esse sistema.

    Espero ter me explicado melhor (ou melhor, enfim ter explicado algo). Abraço.

  15. Ainda não estamos num ponto de nos compararmos com os países nórdicos, em que os movimentos de classe sempre funcionaram corretamente, mas podemos nos espelhar neles, melhor do que se espelhar em chineses ou paraguaios. Seria um retrocesso acabar com movimentos sindicalistas. Seria um avanço gigantesco separar-lo da politicagem.

    A prosperidade nos países nórdicos e em outros países da Europa não tem absolutamente nada a ver com movimentos de classe. Aliás, a Saab foi à falência, e um dos maiores motivos para isso foi o motivo que levou muitas outras empresas a instalarem fábricas em países em desenvolvimento: salários altos demais e pressão de sindicatos. A GM – agora do governo dos EUA – tem prejuízos há vários anos, torrou muito dinheiro de bailouts e há grandes chances de ele precisar de mais dinheiro do governo para não ir à falência de vez. E o maior problema da GM está justamente nos problemas causados pela United Auto Workers.

    Aliás, é uma contradição dizer que a redução da corrupção no Brasil é utópica (concordo com isso) e ao mesmo tempo afirmar que deve-se separar sindicatos de politicagem. Os sindicatos são politicagem pura! Todas as pessoas minimamente honestas que eu já conheci na vida e que viram um pouco mais de perto como funciona um sindicato ficaram enojadas. Eles sempre relatavam que os sindicalistas, via de regra, entravam no sindicato porque não gostavam muito de trabalhar de verdade. As disputas de poder dentro de sindicatos costumam ser ferozes. Não é incomum que haja brigas homéricas e até mesmo assassinatos. Funcionários que ousam não aderir a movimentos grevistas são tratados como lixo, e podem até mesmo ser agredidos e ameaçados. Essa corja só consegue fazer tudo isso porque é protegida e tem um monopólio garantido por lei.

  16. Concordo com o artigo, mas é importante que o real culpado desta situação é o governo que cria inúmeras regulamentações restringindo o mercado de trabalho. Ao criar direitos exagerados aos trabalhadores e aumentar o funcionalismo o Estado cria algumas distorções como a busca de uma grande massa por empregos públicos e um grande crescimento do poder dos sindicatos.

  17. Camarada Friedman

    Tirei isso do http://www.pliber.org.br:

    clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/1/12/dilma-podera-enfrentar-greve-geral-de-servidores

    1 – Um servidor público federal tem um salário em média 100% maior que o trabalhador da iniciativa privada;
    2 – Nos últimos 8 anos o servidor público federal teve um aumento médio de 75%, contra apenas 9% da iniciativa privada;
    3 – Se não fosse o suficiente, ainda tem o bônus da estabilidade, só podendo ser despedido em casos extremos;
    4 – Nos últimos 8 anos foram contratados mais de 150.000 servidores federais;
    5 – A atual presidente pretende contratar em 4 anos outros 140.000 servidores federais.

    Fonte: http://www.pliber.org.br/Blog/Details/365

  18. Nunca acreditei que este comentário, “está insatisfeito, peça demissão”fosse levado a sério mas está sendo.
    E o que o senhor diria então quando ocorrem “greves”patronais, como a de produtores rurais, ou mesmo de mepresários que reclamam dos altos impostos, por que não dizer a eles então, “se estão insatisfeitos, mudem de ofício”. Ora se eles podem fazer pressão política através da imprensa e do congresso, para diminuírem os direitos trabalhistas, por que o outro lado não pode fazer a pressão política que está a seu alcance.
    O que esta sua idéia vai virar, numa sociedade sem diálogo e negociação.
    Se você não está contente com a economia brasileira, por que não muda de país?

  19. Sou militar e estudante de Direito, seu artigo sobre greves e sindicatos me faz recordar da constituição que não dá direito aos militares de terem sindicatos, ou seja, somos obrigados a recorrer individualmente a justiça e por nossas carreiras na lista negra das forças armadas sem falar que não temos sequer direito a greve ou protesto, de modo, a nos tornarmos verdadeiros escravos do governo e meretrizes dos governantes.
    Através de uma análise apurada percebi que primeiramente Thomas Hobbes diz que o poder emana do povo e que nossa constituição federal deixa claro que somos um Estado Democrático de Direito e se isto for verídico não importa então oque os governantes dizem, mas sim o que o povo quer, se o povo deseja fazer greve então que o faça, se o povo deseja almento salarial quem são os governantes para impedir, são a menoria e não a maioria, então onde esta a democracia será que se degenerou para demagogia, então Maquiavel estava certo quando disse que a democracia degenera para a demagogia, concluo então que estamos em um Estado Demagogico de Obrigações.

  20. Qual seria a solução quando professores públicos, que recebem R$ 1200, querem um aumento e o estado não concede por vários anos seguidos?

  21. Há que se fazer uma distinção entre greves legítimas e ilegítimas. Greves legítimas respeitam os direitos individuais; greves ilegítimas não os respeitam. São, portanto, criminosas. O artigo joga todas as greves no mesmo saco, logo incorre em vários erros.

    “Não importa se o movimento é feito por funcionários públicos ou por empregados de empresas privadas: o fato é que greves não são um movimento de resignação em massa, o que seria um direito dos trabalhadores.”

    Como você sabe? Você já analisou todas as greves que ocorrem no mundo? Não é possível haver um movimento de resignação em massa, que é um direito dos trabalhadores? O que o está sendo criticado são as greves ilegítimas. Mas o autor não deixa espaço para uma greve legítima, que é perfeitamente possível.

    “Greves são simplesmente uma tentativa de punir empregadores e consumidores por meio de uma total paralisação dos serviços.”

    Isso não é um direito de qualquer um? Paralisar o serviço? Você poderia argumentar que existe um contrato. Entretanto as greves legítimas simplesmente acontecem depois que o contrato expira. Ou quando não há prazos no contrato. Isso depende de contrato para contrato.

    “Para garantir o sucesso de sua empreitada, sindicalistas e grevistas sempre recorrem à violência — ou à ameaça de violência — contra os “fura-greves” e contra os trabalhadores não sindicalizados, ambos formados por pessoas que querem e estão dispostas a trabalhar sob os salários vigentes. Por causa disso, por causa desse recurso à coerção, uma greve sempre será ilegítima.”

    Generalização sem fundamento. De fato, há greves criminosas, que se valem da coerção, mas isso não é um requisito para uma “interrupção voluntária e colectiva de actividades ou funções, por parte de trabalhadores ou estudantes, como forma de protesto ou de reivindicação.” (definição dicionarizada)

    Sindicatos, por sua vez, nada mais são do que uma organização de pessoas que têm ódio visceral a seus benfeitores, os empregadores (ou aos contribuintes, no caso de funcionários públicos). Quando eles não conseguem o que querem — isto é, receber mais e trabalhar menos —, eles simplesmente recorrem a medidas que irão prejudicar a empresa para a qual trabalham (e todos os trabalhadores não sindicalizados), quase sempre utilizando de violência ou de ameaça de violência. Desnecessário dizer, é claro, que essa coerção sindical é totalmente defendida pelo governo, formado majoritariamente por gente oriunda desse mesmo ambiente.

    Novamente generalizações sem fundamento, totalmente ilógicas. Então é impossível existir um sindicato que não se valha da coerção? Claro que é possível. E é óbvio que um sindicato pode ser desvinculado do governo, a não ser que ele imponha uma restrição a isso.

    “Prejudicar seus patrões e seus consumidores — que são justamente quem garante seu sustento — é exatamente o que os sindicatos querem, dado que essa gente possui a mesma visão e a mesma ética do escorpião da fábula de Esopo, que, ao ferroar o sapo sobre o qual está montado atravessando o rio, morre junto com ele.”

    Não. Existem sindicatos e mais sindicatos, que são formados por diversos indivíduos. Alguns podem querer prejudicar seus patrões e seus consumidores. Mas em princípio um sindicato é uma entidade que reivindica maiores salários e melhores condições para os trabalhadores.

    Nas vésperas de Natal, funcionários da TAM resolveram cruzar os braços para prejudicar seus empregadores e seus clientes. Vários vôos foram cancelados e outros tantos saíram atrasados. Isso gerou um efeito cascata sobre outras empresas aéreas, as quais foram prejudicadas mesmo com seus funcionários não tendo aderido à greve. A GOL, por exemplo, sofreu atrasos em vários de seus vôos simplesmente porque, com as aeronaves da TAM paradas no aeroporto, ocupando pontes de embarque e áreas de manobra, não havia espaço para outras aeronaves operarem. E quanto mais tempo um avião é mantido parado em solo, maiores são as despesas da companhia aérea. Um maior tempo de solo para a aeronave significa maiores valores desembolsados com taxas de permanência e com despesas com passageiros que adquirem direitos quando há atrasos.

    Exemplo solto. Não especificou se foi uma greve legítima ou ilegítima. De fato, greves prejudicam temporariamente os consumidores. Mas é obrigação do trabalhador satisfazer eternamente os clientes? Isso é uma justificativa para a escravidão. O trabalhador pode ter sido contratado, mas eu acho que não existem muitos contratos eternos por aí. A maioria tem um prazo para expirar, ou simplesmente não têm prazo. E existem muitos outros detalhes no contrato além de sua validade. Portanto um trabalhador pode fazer greve sem estar violando um contrato.

    “Não são poucas as pessoas que dizem coisas do tipo, “Veja bem, é verdade que hoje os sindicatos se corromperam, mas o fato é que suas intenções iniciais eram boas.” Isso é cascata. No caso dos sindicatos dos funcionários públicos, obviamente, nunca houve sequer uma boa intenção. O objetivo sempre foi o de pilhar ao máximo o bolso dos pagadores de impostos, exigindo cada vez mais benefícios, cada vez mais dias de férias e cada vez menos horas de trabalho. E caso suas exigências não sejam atendidas, eles simplesmente paralisam os serviços, os quais, por serem monopólios estatais, inevitavelmente afetam o cidadão comum, principalmente os mais pobres. Portanto, para os sindicatos de funcionários públicos, a frase acima nunca foi cabível.”

    Novamente, você está criticando as “greves” ilegítimas.

    E nem para os sindicatos do setor privado. Estes também não mudaram em nada. Suas intenções em seus primórdios eram as mesmas de seus objetivos atuais: ser um braço ideológico e político de movimentos socialistas, sempre alinhando os interesses de sua classe aos interesses da elite política que está no poder, e utilizando essa aliança para minimizar os impactos gerados pela concorrência — veja o exemplo dos sindicatos das montadoras, que conseguiram um aumento de 30 pontos percentuais no IPI de automóveis importados; isso garantiu ao mesmo tempo mais receitas para o governo e mais estabilidade e maiores salários para os empregados das montadoras, ao custo do bem-estar do resto da população.

    Alguns sindicatos estão alinhados a movimentos socialistas, outros não. Mesmo que todos fossem socialistas, esse fato não invalidaria que é possível existirem sindicatos que respeitam os direitos de propriedade.

    O objetivo dos sindicatos sempre foi e sempre será o de substituir as forças de mercado por uma ordem intervencionista estatal, a ser dirigida pelo governo, pelos próprios sindicatos e pelas grandes empresas aliadas ao governo.

    De novo, de novo, de novo. Sempre jogando no mesmo saco. Você está criticando o corporativismo, o socialismo, e não greves e sindicatos.

    “Por fim, nada como recorrer à lógica: empregados fazem greve porque, em teoria, creem que seus salários estão ruins. Logo, por uma questão de lógica, se eles acham que seus salários estão baixos é porque se acham plenamente capacitados para ganhar salários maiores do que ganham atualmente — caso contrário, não estariam fazendo greve. Sendo assim, a coisa mais sensata e moral a fazer seria simplesmente pedir demissão e ir atrás de empregos mais rentáveis. Pois se eles se acham plenamente capacitados para salários mais elevados, então não terão dificuldade alguma em encontrar empregos mais “generosos” em termos de salário.

    Sempre que você vir um empregado privado ou um funcionário público insatisfeito com seu salário, pergunte a ele: por que não pede demissão e vai procurar outro emprego, já que você é tão capacitado?”

    Não. Não importa se eles se acham “plenamente capacitados para ganhar salários maiores”, o que importa é que eles pararam de trabalhar e exigem salários maiores. O empregador é livre para aceitar pagar salários maiores ou para não empregar ninguém. Exigir maiores salários é tão sensato e moral quanto procurar outro emprego.

    Enfim, você mais fez uma crítica ao Estado do que falou de greves e sindicatos. Perdeu o foco. Lembre-se, existem “greves” ilegítimas e greves legítimas.

  22. Vi o comentário de um anonimo que é servidor público e resolvi comentar.

    Eu sou servidor público, e trabalho na esfera federal. Sou servidor a 25 anos, estou na casa dos 50. Ganho na casa dos 9000 mensais, o bruto(feriados + abonos)… é monstruoso. Sempre “viajei” entre as várias carreiras públicas.

    Eu nunca pensei que eu estivesse fazendo algo de errado por ser servidor público, mas esse site mostrou uma luz e até me deixou um pouco envergonhado. Minha classe esta em greve, eu não participo mas com certeza vou ter um aumento.

    Os comentários são muito relevantes, nunca tinha parado pra pensar que o meu salario advêm do roubo. Acho que sou o primeiro servidor consternado do Brasil, hehe.

    Gostaria de fazer alguma pergunta:

    Vcs fazem um discurso mais convincente do que a da esquerda. Seria uma luta de classes, também ?

    mais uma… existe algum libertário que é servidor público ?

  23. Quando uma pessoa precisa trabalhar para simplesmente pagar suas contar ou comer, procura um emprego e quando acha aceita o salário e assina um contrato e fica muito feliz. Aí aparece um sindicato e estraga tudo.

  24. Deve-se considerar, no entanto, que, embora o sindicato muitas vezes opte por medidas violentas ou prejudiciais, o seu nascimento é natural, um processo que surge nas relações patrão-empregado. Relações estas que poderiam ser resolvidas na base do diálogo, de estudos, entre outros. Vide as análises da Administração em Psicologia Comportamental, Gestalt, Sistema Contigencial etc. O “ponto de vista” do empregado também pode ser usado como fonte de informação para se apontar erros na administração, no trato com os funcionários etc. Os funcionários não precisam necessariamente “sair” da empresa, ele pode querer melhorá-la também. Capital humano também deve ser considerado no quesito “qualidade” na produção de um bem ou serviço.

  25. “Por fim, nada como recorrer à lógica: empregados fazem greve porque, em teoria, creem que seus salários estão ruins. Logo, por uma questão de lógica, se eles acham que seus salários estão baixos é porque se acham plenamente capacitados para ganhar salários maiores do que ganham atualmente — caso contrário, não estariam fazendo greve. Sendo assim, a coisa mais sensata e moral a fazer seria simplesmente pedir demissão e ir atrás de empregos mais rentáveis. Pois se eles se acham plenamente capacitados para salários mais elevados, então não terão dificuldade alguma em encontrar empregos mais “generosos” em termos de salário.

    Sempre que você vir um empregado privado ou um funcionário público insatisfeito com seu salário, pergunte a ele: por que não pede demissão e vai procurar outro emprego, já que você é tão capacitado?”

    Há pessoas que trabalham há anos no mesmo ramo, ainda mais aqueles na casa dos 40 ou 50 anos e com família para sustentar, não é tão simples pedir demissão e buscar um melhor. Muitas vezes, se o trabalhador for demitido, não conseguirá mais nada.

  26. Ora ora, lendo o comentário de um sujeito que se diz bancário do governo e a replica do Leandro, me vem a mente uma questão que qualquer um pode lembrar ou perguntar a seus pais: O PLANO CRUZADO!

    Em 1986 Sarney congelou preços, baixou os juros, aumentou o salário mínimo e criou um deságio para pagamentos a prazo. …e então me perguntam, oq isso tem com os sindicatos e greves?

    …Eu respondo que foi o melhor exemplo que se podia ter PARA TODAS AS QUESTÕES MAIS REFERIDAS NO QUE TANGE A ECONOMIA E GOVERNO, INCLUSO SINDICATOS E GREVES.

    Neste ano, devido a baixas taxas de juros para remuneração de poupança, houve um boom na construção civil. Os investimentos em construção se multiplicaram por ser um investimento um tanto conservador e até seguro, pois que um ativo perene. …E OQ ACONTECEU? …HEIM????

    ACONTECEU QUE:

    O salario definido pelo sindicato dos trabalhadores da construção para determinado operário era de 2,53 (p/ hora) e nao se conseguia ajudantes por menos de 5,50 (p/ hora). Sim, NÃO HAVIA OPERÁRIOS DISPONÍVEIS e ESSA FOI A CAUSA DO SALARIO SUBIR. Empresas ofereciam vantagens e mimos, como TVs para operarios que ocupam o barracão da obra.
    Muitas foram as vantagens oferecidas aos operários da construção pelo simples fato de terem havido investimentos na construção devido ser estes uma oportunidade para investidores.

    NÃO FOI PRECISO GREVE E MUITO MENOS A INTERFERÊNCIA DOS NEORUFIÕES que exploram não mais as “trabalhadoras da noite” MAS SIM TODOS OS TRABALHADORES, vivendo nababescamente como verdadeiros GIGOLÔS inúteis que seduzem trabalhadores ou RUFIÕES que obrigam trabalhadores a sustenta-los sob o argumento de “protegê-los” …NADA DIFERENTE DAS AÇÕES DA MAFIA, admitida criminosa.

    …Ou seja, o Estado que apoia sindicatos, incoerentemente, afirma ser contrário à MÁFIA atribuindo-lhe crimes.
    Curiosamente os RUFIÕES e GIGOLÔS são conceituados como EXPLORADORES DE MULHERES, pois que a elas IMPÕEM sua “PROTEÇÃO” ou, no caso de gigolôs, as seduzem para viverem às custas delas.

    Essa curiosidade de 1986 poderia ser pesquisada pelo IMB e originar um artigo ue SERIA DE GRANDE EFICIÊNCIA PARA A CAUSA, de tão flagrante que é o exemplo.

    Sugestão para o Instituto Mises Brasil (IMB):

    Pesquisem esse fato, levantem os dados e elaborem um artigo. Será de uma clareza absoluta na explanação da canalhice estatal.

    Aliás, seria de grande valia tratar sindicalistas copmo neorufiões e neogigolôs, pois é oq são.

  27. “empregados fazem greve porque, em teoria, creem que seus salários estão ruins. Logo, por uma questão de lógica, se eles acham que seus salários estão baixos é porque se acham plenamente capacitados para ganhar salários maiores do que ganham atualmente”

    Errado. Empregados fazem greve porque querem o reconhecimento e a valorização de sua categoria, e não porque “se acham plenamente capacitados para ganhar salários maiores”. O trabalhador que faz greve não faz porque ele acha que merece ser valorizado, mas porque acha que o trabalho que faz merece valorização. Veja por exemplo, o caso dos garis: uma categoria até então muito desvalorizada, com a greve que fizeram durante o carnaval, conquistaram um bom aumento no salário, um adicional de insalubridade de 40% e a aprovação da redução da jornada de trabalho. Então, o trabalhador não faz greve porque se acha capacitado para ganhar salários maiores, faz greve pela valorização do trabalho que faz.

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