Nota do Editor:
Artigo com dados atualizados para janeiro de 2021.
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Comecemos com um exemplo simples que, no entanto, reflete exatamente o que está se passando na economia brasileira neste momento pandêmico.
Imagine uma economia em que haja apenas dois produtos: maçãs e laranjas. Vamos trabalhar apenas com o curto prazo. Há 10 maçãs e 10 laranjas, e uma oferta monetária total de $20.
Suponha que a interseção entre oferta de laranjas e demanda por laranjas determine um preço de $1,10 por laranja. Isso irá, simultaneamente, estipular o preço de cada maçã em $0,90.
(Se você multiplicar 10 laranjas por $1,10 e 10 maçãs por $0,90 terá um total de $20, que é a oferta monetária total da economia).
O preço relativo entre laranjas e maçãs reflete a demanda da sociedade por estes dois bens, sempre de acordo com sua relativa abundância — ou oferta.
Agora, suponha que as preferências das pessoas se alteram e elas passam a demandar ainda mais laranjas e menos maçãs. Ou seja, a demanda por laranjas aumenta e a demanda por maçãs cai. Faltam laranjas e sobram maçãs.
O efeito de curto prazo será um aumento no preço das laranjas e uma redução no preço das maçãs (caso a oferta monetária se mantenha inalterada).
Assim, suponha agora que o novo preço de equilíbrio seja de $1,20 para laranjas e $0,80 para as maçãs.
Isso representa um aumento de 9% no preço das laranjas (de $1,10 para $1,20) e uma redução de 11% no preço das maçãs (de $0,90 para $0,80).
Estatisticamente, essa alteração no padrão de consumo deveria levar a uma alteração no peso de cada item na cesta de consumo. No início, laranjas e maçãs tinham o mesmo peso, pois eram consumidas igualmente (10 de cada). Agora, sobram maçãs e faltam laranjas. Logo, laranjas deveriam passar a ter mais peso estatístico do que maçãs. Se isso for feito, o cálculo da inflação estará correto.
No entanto, se não fizermos essa alteração, e considerarmos que o peso dos dois itens na cesta de consumo das pessoas se manteve o mesmo — que é exatamente o que o IBGE fez; ou seja, o Instituto não alterou os pesos dos itens na cesta de consumo durante a pandemia (e, justiça seja feita, nem teria como) —, então temos que a economia está vivenciando uma deflação de preços de 2%, calculada como uma média ponderada dos dois bens (aumento de 9% nas laranjas, queda de 11% nas maçãs, ambos os itens sendo mantidos erroneamente com o mesmo peso na cesta de consumo).
E tudo por causa de uma simples mudança na preferência das pessoas, mudança essa que não foi levada em conta pela agência que calcula a inflação de preços, que não alterou a cesta de consumo das pessoas — com o novo padrão de consumo, laranjas deveriam ter mais peso que maçãs.
(Ironicamente, o IBGE alterou a metodologia da cesta no fim de 2019, antes da pandemia. A alteração foi correta; porém, com a pandemia, ficou desatualizada)
Ato contínuo, em decorrência do fato de o índice oficial de preços estar agora apontando uma deflação, o Banco Central — que tem como principal política manter este índice de preços aumentando 4% ao ano — terá de reduzir a taxa básica de juros e expandir a oferta monetária (aumentar a quantidade de moeda na economia) com o objetivo de estimular a demanda e, com isso, encarecer ainda mais a laranja (ou evitar que a maçã caia de preço).
Agindo assim, ele tentará fazer com que o índice oficial de inflação ao menos volte para perto de 4%.
E por que o Banco Central tem de atuar para encarecer as coisas? Por que ele tem de impedir que os preços caiam? Nenhum economista convencional sabe responder seriamente a essa pergunta, sem cair em contradição.
É assim no mundo real
Embora extremamente simples, o exemplo acima ilustra exatamente o que o Banco Central brasileiro está fazendo nesta era de Covid-19.
Ao longo de 2020, por causa das quarentenas e do desligamento compulsório da economia efetuado por prefeituras e governos estaduais, a esmagadora maioria do setor de serviços foi fechada. A cesta de consumo do brasileiro foi profundamente alterada.
Com poucas pessoas saindo de casa, a demanda por itens como passagens aéreas, passagens de ônibus, hotéis, turismo, vestuário, lazer, estacionamentos, ingressos de cinema e teatro, utensílios domésticos, móveis, toalhas, lençol, fronhas etc. simplesmente sumiu.
Com a queda global no preço do barril de petróleo e a forte redução na circulação de veículos, combustíveis baratearam (até meados de 2020). Com o fechamento das escolas e a adoção do ensino à distância, várias instituições ofereceram redução nas mensalidades.
Tudo isso pode ser comprovado nos gráficos abaixo.
Itens como artigos de residência, vestuário e transporte apresentaram a menor taxa de crescimento em 20 anos. (Observação: o gráfico está no formato de média móvel de 12 meses, o que significa que os valores se referem à média dos valores mensais para cada período de 12 meses).

Observe que, no primeiro semestre, todos apresentaram deflação de preços.
Já a educação, embora não tenha entrado em deflação, apresentou uma queda fragorosa:
Gráfico 2: taxa média mensal, em um período de 12 meses, de inflação de preços do item “educação”
Consequentemente, e dado que estes itens possuem um peso considerável na cesta de consumo criada pelo IBGE para calcular o IPCA, o Banco Central reduziu acentuadamente a SELIC (fazendo com que a taxa real de juros se tornasse negativa e menor até mesmo que a da Suíça) e atuou para expandir a oferta monetária, principalmente por meio do Orçamento de Guerra.
O gráfico a seguir mostra a evolução da taxa Selic e da oferta monetária (M1).
Gráfico 3: linha azul, eixo da direita: M1; linha vermelha, eixo da esquerda: taxa Selic
Observe que a relação é quase sempre inversa. Quando a Selic sobe, a expansão da oferta monetária sofre uma desaceleração. Quando a Selic cai, expansão da oferta monetária acelera.
Igualmente, a forte expansão monetária em conjunto com juros reais negativos depreciaram fortemente o real. O dólar encareceu.
O gráfico a seguir mostra a evolução da taxa Selic e da taxa de câmbio.
Gráfico 4: linha azul, eixo da direita: taxa de câmbio (reais por dólar); linha vermelha, eixo da esquerda: taxa Selic
Observe que a relação é também quase sempre inversa. Quando a Selic sobe, a expansão a taxa de câmbio cai (ou pára de subir). Quando a Selic cai, a taxa de câmbio sobe.
O real, até o início de outubro, foi a moeda que mais se desvalorizou no mundo. Um feito.
Como consequência desta forte expansão monetária, desta forte redução dos juros e da ampla desvalorização da moeda, os preços em reais das commodities brasileiras negociadas no mundo e cotadas em dólares, como arroz, milho, soja e carne, subiram forte.
O gráfico abaixo mostra a evolução dos preços, em reais, das principais commodities agropecuárias brasileiras, segundo dados do Banco Central:
Gráfico 5: evolução dos preços das principais commodities agropecuárias.
Com os preços em reais em alta, as exportações de alimentos passaram a bater recordes. E isso gerou seu encarecimento, mesmo tendo havido recorde de produção.
O gráfico abaixo mostra a taxa de inflação dos preços dos alimentos em comparação com os demais produtos da cesta do IBGE.
Gráfico 6: taxa média mensal, em um período de 12 meses, de inflação de preços dos itens “alimentos e bebidas”, “transportes”, “artigos de residência” e “vestuário”
Portanto, essa disparada dos preços dos alimentos se deveu, basicamente, a três fenômenos:
1) auxílio emergencial de R$ 600 por mês para 67 milhões de pessoas, que está sendo feito majoritariamente via expansão monetária.
2) Isso gerou um aumento da quantidade de moeda injetada na economia pelo Banco Central.
3) E gerou também uma alta do dólar, a qual foi causada tanto pela injeção de moeda quanto pela pronunciada redução da Selic.
Já os preços dos materiais de construção também seguem batendo recordes, mas estes nem sequer entram no índice de preços ao consumidor.
Apenas mais um exemplo
Portanto, comparando-se ao nosso exemplo hipotético inicial, os alimentos e os materiais de construção são as laranjas, que tiveram aumento na demanda e subiram intensamente de preços. Já todo o resto da economia são as maçãs, que tiveram queda na demanda e relativa estabilidade nos preços.
O IBGE captou esse fenômeno, mas não alterou o peso de cada item nas cestas de consumo (e, como dito, nem teria como em tão curto espaço de tempo). E o Banco Central, que é guiado exclusivamente pelo resultado final do índice de preços, reagiu de acordo com seu objetivo de tentar encarecer tudo em 4% ao ano.
Para compensar a queda dos preços dos estacionamentos (vazios), das passagens aéreas (aviões parados), das diárias de hotéis (fechados) e das roupas (quase ninguém compra roupa sem ir à loja experimentar), o Banco Central injetou moeda a rodo para fazer subir outros preços e, com isso, manter a meta de carestia em 4% ao ano.
Consequentemente, acabou gerando uma brutal carestia nos alimentos, algo que todas as famílias sentem no supermercado. E nos materiais de construção. E ainda impediu uma salutar e necessária queda nos preços nos outros setores (em recessão com alto desemprego, custos devem cair para auxiliar uma recuperação mais rápida).
Todo o problema, portanto, está não apenas na devoção cega ao sistema de metas de inflação, como também na estipulação de um valor absurdamente alto para esta meta. Em outros países da América Latina, a meta de inflação é bem menor.
Ao passo que, no Brasil, o Banco Central tem como meta encarecer o custo de vida do brasileiro em 4% ao ano, no Chile, na Colômbia e no México essa meta é de 3%. No Peru, é de apenas 2% (veja a lista completa aqui).
Se, por exemplo, tivéssemos como meta 3% (quiçá 2%, como o Peru) em vez de 4%, a Selic não teria sido reduzida tanto quanto foi, e consequentemente não estaríamos vivenciando essa bizarra desvalorização do real e essa desumana carestia nos alimentos (em meio a uma pandemia e um alto desemprego).
Nosso padrão de vida estaria maior. E, ainda mais importante, não estaria sendo construído um cenário bombástico para o futuro.
Eis a evolução dos preços no atacado:
Gráfico 7: taxa média mensal, em um período de 12 meses, de inflação de preços no atacado
Com uma taxa média de 2,40% ao mês, estamos com um acumulado de 33% em 12 meses. Trata-se, simplesmente, da maior taxa da história do real.
Se isso “vazar” para os consumidores (e ao menos uma parte irá vazar), um aperto nos juros poderá ser necessário no futuro — um aperto maior do que seria necessário caso a meta de inflação fosse mais civilizada.
Tal aperto poderá afetar a recuperação econômica.
Ter uma meta para o encarecimento do padrão de vida já é, por si só, algo bizarro e que não faz nenhum sentido. A meta ser alta é algo ainda mais bizarro. Mas a busca por essa meta levar ao encarecimento desnecessário itens essenciais beira o criminoso.
Apenas mais um caso de desarranjo econômico causado pela Banco Central, essa agência estatal responsável por planejar centralmente os preços chaves da economia.
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Leia também:
Políticas de metas de inflação são a causa dos problemas, e não a solução
Não faz sentido um Banco Central ter metas de inflação
O problema com o sistema de metas de inflação






Ainda mais bizarro do que um governo ter como meta explícita a redução em 4% do poder de compra de sua população é o fato de economistas defenderem essa excrescência e dizerem que tal destruição do poder de compra é necessária para o crescimento econômico!
“Se não destruirmos continuamente o poder de compra da moeda, ninguém investirá e ninguém consumirá!”
Apenas mostra como intelectuais e acadêmicos são totalmente descolados da realidade do povo.
Uma coisa bizarra no atual cenário brasileiro é que economistas de esquerda se tornaram os mais fervorosos defensores da política monetária do atual governo, que é classificado por essa mesma esquerda como "conservador, ultra-liberal e reacionário".
Isso é ainda mais explícito no Twitter. Os caras criticam tudo do atual governo, mas se derretem em elogios para o Banco Central.
O que apenas mostra que o Brasil realmente não é para amadores.
A hipnose do Brasil
O Brasil vive uma grande hipnose, somos o país que eternamente irá depositar a esperança do futuro nas mãos de políticos e partidos. O interessante é que até os libertários entraram nesta hipnose, mais a frente irei comentar sobre isso. Muitos colocaram a mão no fogo por Bolsonaro e a "nova direita", e agora todos estão queimados – inclusive os liberais. Por que há uma mistura tão grande de decepção e ao mesmo tempo aposta política em novos candidatos no Brasil? Neste artigo irei comentar sobre o fator histórico que nos levou ao momento atual.
Desde da eleição de Bolsonaro eu sabia que a liberdade que a nova direita vira-lata brasileira prometia era na verdade uma forma hipnose para se aproveitar das mazelas de um povo miserável de alma. Ora, o que é hipnose? É algo que nos tira do estado de consciência normal e muda nossa personalidade diante da própria natureza humana. É comum pessoas em estado de hipnose negar a realidade concreta e aderir a ideologias. O que ocorreu no Brasil foi a troca de ideologias.
Um bando de caipiras iludiu o povo, assumiu o congresso e logo se acostumou a mamar dinheiro público. Entre um acontecimento e outro, a hipnose foi o fator de movimento esquadrinhado dentro das regras institucionais. É por isso que a cada quatro anos afirmamos: "Ele mudou tanto quando assumiu o poder!", como se fosse uma forma de justificar a nossa psique de que o problema está no indivíduo que assumiu o poder, e não no sistema que está por trás do poder. Se serve de consolo, vamos chamar os caipiras atuais mamadores de dinheiro público de "caipiras azuis", em oposição aos "caipiras vermelhos" do governo anterior, ao menos você terá a consolação de saber que mudou a cor. O Brasil nunca mudou de fato porque a hipnose política é a força motriz de nosso século.
Dizem que socialistas são iludidos porque afirmam: "O socialismo não foi tentado de verdade"; mas será que o liberal republicano que diz: "A democracia representativa não foi tentada de verdade nas eleições passadas, portanto, votem em mim" é diferente do socialista que sempre obtêm o mesmo resultado? Sempre há uma ideia de que dessa vez será diferente. É um ciclo revolucionário que não sai do lugar. O problema é que no mundo das ideias não há ideias novas; há apenas ideias. O que você diz ser novo e revolucionário, como o liberalismo e a putaria ideológica, alguém já tentou e usou até enjoar. São mais de 200 mil anos de história; e você, com sua mediocridade histórica, consegue chegar no máximo até a Revolução Francesa. Isso diz muito sobre a nossa situação atual.
A esperança política, como hipnose, é uma forma de ceder a hipocrisia, que sempre se renova, pois sempre há a esperança de fazer concessões em troca de um futuro mais livre, como se o futuro fosse nos redimir. Isso é pura ilusão. Essa ilusão está em toda parte e por todo lado. É por isso que o Instituto Mises ficou quieto em um dos momentos mais dramáticos da histórica recente do Brasil: Quando membros do STF decidiram abertamente prender e perseguir apoiadores de Bolsonaro. Não vou entrar no mérito desse pessoal ser apoiador de Bolsonaro, mas o fato é que os supostos "representantes da liberdade" se calaram, como os progressistas, diante do poder estatal. Onde estava Hélio Beltrião quando Sara Winter foi presa? Escrevendo artigo na Folha sobre Star Wars? Onde estavam todos neoliberais que pregam a liberdade de pensamento quando pessoas reais foram presas por pensar diferente? Talvez estivessem ocupadas demais pensando em comprar ouro na Órama Investimentos. A lei do silêncio, sempre molesta, se impõe para revelar nossa hipocrisia. A única liberdade que os neoliberais se importam é a de ficarem ricos; todo o resto são detalhes de quem "não quer construir".
E quando resolvem se meter no mundo cultural, o resultado é um hospício contraditório de movimentos ideológicos onde a autodestruição é um princípio intocável de liberdade. "A liberdade individual, entendida como quebra de todos os tabus e restrições "obsoletas" ou "irracionais", produziu o mundo bizarro da política de identidade, da ideologia de gênero e do Estado controlador", diz Rodrigo Constantino{1}. É por isso que Felipe Neto Ancap{2} e a patota "livres pra valer" estão cada vez mais parecidos com membros do PSOL. São libertários que forjam os próprios grilhões.
Por falar em Felipe Neto Ancap, é curioso constatar como todo brasileiro dá um jeito de se envolver com o estado, mesmo que indiretamente. Houve uma época, quando o Instituto Mises publicava bons artigos, em que os libertários sabiam que era mais fácil o sistema mudar suas convicções e valores do que você mudar o sistema. Ao menos os libertários tinham a dignidade de procurar crescer fora do estado. Mas o jeitinho brasileiro sempre impera. Felipe Neto Ancap é a imagem moderna do que sempre foi o Brasil; um país de malandros e manés. Ele se vende como evoluído, a frente do seu tempo, mas a verdade é que ele é só mais um malandro. E você, só mais um mané. A plataforma política libertária é mais um "esqueminha" para fortalecer a nossa eterna relação de lucros – para ele e seus eleitos – e prejuízos – para você. A liberdade irá vencer da mesma forma que a hipnose nunca irá acabar. Quando os caipiras laranjas finalmente assumirem o poder, dizem eles, será diferente. Não é mesmo? O jeito deles receberem mais de 30 mil reais é diferente.
As cores mudam, mas a ideia, ilusória, de funcionalidade política permanece.
Conclusão
A hipnose política brasileira é fruto de um pensamento utilitarista que nasceu com a Revolução Industrial. Em algum momento a vida deixou de ser direcionada para questões elevadas e familiares, e se tornou um conjunto de leis, a princípio, utilitárias, mas posteriormente, revolucionárias. E isso nos levou ao momento atual em que vivemos a eterna revolução que não sai do lugar, pois o homem é medíocre e deposita suas esperanças em coisas, não no entendimento real e individual dos problemas. Porque o entendimento real significa deixar as próprias impressões e tendências (ideologia) para encarar fatos independentes e pessoas reais de carne e osso – como Sara Winter. A lei do silêncio não existe quando o espírito é verdadeiro. A política é um meio ilusório para resolver problemas reais pois te coloca num escopo utilitário de códigos de conduta. Somente encontramos a verdade quando a nossa inteligência se adéqua a realidade. Por isso Felipe Neto Ancap e os caipiras laranjas são limpinhos e viados. Eles se vendem como a solução de problemas complexos da mesma forma que o seu smartphone se vende como meio para enviar mensagens. O código ideológico materializa a alma deles da mesma forma que o código fonte diz para enviar mensagens. É tudo muito bonito, mas não é humano. Você sabe que um problema humano não pode ser resolvido por um meio utilitário. O seu smartphone é muito bom para enviar mensagens, mas talvez ele não salve o seu casamento. O código ideológico é elegante e racional, mas ele não vai pagar o Mucilon dos seus filhos. É nesse momento que você desperta da hipnose.
{1} A crise do liberalismo, Rodrigo Constantino: http://www.youtube.com/watch?v=BtCGoDFcz94
{2} Raphael Lima, Ideias Radicais.
Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.
Sexta-feira passada o governo anunciou que zeraria as tarifas de importação do milho e da soja (atualmente em 12%) até o primeiro trimestre de 2021.
Milho subiu hoje 3% na B3.
Já era. Com o dólar a esse nível, zerar tarifa não mais adianta. Agora, sobrou apenas elevar juros para tentar revalorizar a moeda.
Boa tarde!
Forte exportação de soja, milho, arroz e feijão faz preços explodirem e traz de volta a ameaça da inflação
http://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/agronegocio/267971-forte-exportacao-de-soja-milho-arroz-e-feijao-faz-precos-explodirem-e-traz-de-volta-a-ameaca-da-inflacao.amp.html
“É uma situação contraditória. O Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do planeta, mas, em razão da exportação acentuada de grãos, terá que importar essa mesma matéria-prima (soja, milho e arroz) – pagando preços maiores – para manter setores essenciais do agronegócio, como o seu gigantesco parque agroindustrial.
“Parece um contrassenso”, mostra o vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC) Enori Barbieri. “Estamos exportando grãos e importando esses mesmos grãos por preços maiores para produzirmos carnes e outros alimentos”.”
Consequência direta de uma Selic irreal que desarrumou artificialmente a taxa de câmbio. Maravilhas do intervencionismo.
Inflação é que nem medo ou ansiedade, ngm gosta, mas é necessária e funcional, desde que não exagerada. E sua ausência, assim como daquelas duas primeiras, é patológica.
Em outras palavras, pra uma economia, inflação é um salutar oleosinho que não deixa as engrenagens econômicas emperrarem.
E digo mais, esse aumento de alimentos vejo como passageiro. Seus preços são mesmos voláteis. E nosso maior risco ainda é de inflação muito baixa por falta de demanda, não de inflação fora de controle.
Enquanto aqui os preços sobem mais de 20% no atacado, vamos comparar com outros países:
– Estados Unidos: deflação de preços ao produtor.
– Equador: deflação de preços ao produtor.
– México: inflação, mas muito mais civilizada do que no Brasil.
– Noruega: deflação ainda mais forte.
– Itália: deflação.
– Uruguai, que nem lockdown direito impôs: disparou, mas a inflação ao produtor está caindo e a de agosto está menor do que aqui. Provavelmente graças à pancada dos juros feita por eles recentemente.
No Peru quase não houve carestia. (Aqui é o índice, e não a taxa de crescimento).
“Com uma taxa média de 1,58% ao mês, estamos com um acumulado de quase 21% em 12 meses. Trata-se, simplesmente, da maior taxa da história do real.
Se isso “vazar” para os consumidores (e ao menos uma parte irá vazar), um aperto nos juros poderá ser necessário no futuro — um aperto maior do que seria necessário caso a meta de inflação fosse mais civilizada.”
Ouço muito falar sobre o aumento na “curva de juros” poderia alguém explicar o que isso significa? e também se é certo entender que o BC está “represando os juros” e que terá que aumentar bem mais no futuro, e quais seriam as consequências disso?
Até a China que é utilizada como exemplo por 11 em cada 10 defensores da destruição da moeda já está mudando o rumo:
China sinaliza mudança na política cambial para fortalecer o yuan e ajudar a desenvolver a demanda doméstica
http://www.scmp.com/economy/china-economy/article/3100814/china-signals-shift-stronger-yuan-exchange-rate-policy-help
Detalhe que a matéria chama os 10% de desvalorização que a moeda chinesa sofreu nos últimos 5 anos de “depreciação significativa”.
Enquanto isso o Real só no ano de 2020 já desvalorizou quase 30%.
Imagina se o Brasil tivesse copiado a famosa “política de desvalorizar a moeda” da China? O real estaria hoje na casa dos 3,90.
Também quero uma desvalorização cambial dessa aqui no Brasil.
O mais patético que toda essa ideia que precisa haver inflação é baseada em “se não haver números maiores nos preços, fica difícil quantificar crescimento econômico”. É pura lógica keynesiana de “números maiores são algo bom” que os neoclássicos adotaram com gosto.
Muito bom o artigo. Os textos do Anthony são muito bons. Esse fenômeno eu lembro que o Leandro Roque falou também.
Sinceramente, esse tripé macroeconômico é uma grande porcaria. Pelo menos, quando o real era atrelado, a taxa de inflação de preços era bem menor. A pena é que esse regime é instável e é amigo de ataques especulativos. Só funcionaria se fosse como em Cingapura, onde não tem controle de juros. Ou poderíamos tentar o caminho do Peru (que foi liberar a circulação do dólar), ou do Equador (que foi dolarizar) ou de Hong Kong (que foi o Currency Board). Na teoria o regime flutuante parece lindo (e geralmente “funciona” nos países desenvolvidos), mas na prática por aqui o câmbio é extremamente volátil. Para ele funcionar, a equipe econômica teria de ter uma postura hawkish e essa meta de inflação precisaria reduzir.
Falando nisso, recentemente houve eleições na Bolívia e o aliado do Morales ganhou. Vamos ver como ficará o boliviano com eles. Acho que não houve ataque especulativo lá também pelo fato de os juros não serem manipulados pelo governo (lá recentemente os juros subiram).
Agora, uma dúvida: a equipe econômica do FHC no segundo mandato era desenvolvimentista por qual motivo? Leandro disse isso certa vez, fiquei curioso.
Dando uma olhada no Facebook hoje, deparei com um link de uma matéria da bbc sobre as filas para conseguir alimentos em São Paulo. Inacreditável os comentários que li. “Como que “só” com seis meses de lockdown as coisas chegaram nessa situação, que sisteminha mais frágil.”. “Absurdo uma empresa não aguentar seis meses fechada e ir à falência.”
Quase ninguém tocava no assunto da moeda e da Selic. Volta e meia aparecia um energúmeno falando do dinheiro no reto do imbecil lá ou dos cheques da maria-funça-público. A imprensa bananeira consegue mais uma vez fazer o que sabe de melhor, deixar o brasileiro mais tanso. Será que o bananil chega até 2022?
Eu fico estarrecido com a burrice do Guedes. Sério, e olha que já o defendi por mais de 1 ano.
Será que ele não consegue perceber que moeda fraca é anti-popular, não traz desenvolvimento nem no curto-prazo, e beneficia pouca gente? O cara está enterrando o governo, denegrindo a imagem do liberalismo, manchando sua imagem e prejudicando a vida de milhões de pessoas.
A burrice não é acreditar em moeda fraca, a burrice é SE RECUSAR OUVIR OS OUTROS E VER O QUE ESTÁ ACONTECENDO.
Leandro fala de juros altos como se isso fosse garantir prosperidade! Pelo contrário, juros altos aumentam o serviço da dívida pública.
“Haiti's currency is suddenly strong against the dollar. For many, that's disastrous.”
O que vocês acham que pode ter causado essa súbita (e absurda) valorização no gourde haitiano? Vale lembrar que lá o gourde é atrelado ao dólar e os haitianos podem também usar dólares. Quais os impactos?
As razões abaixo seriam o suficiente?
“Among them: the Bank of the Republic of Haiti's ongoing attempt to control what it has called the speculation in the currency exchange market; its decision to inject $150 million into the economy between Aug. 10 and Sept. 30 to buy back gourdes, and the public announcement by the bank's governor, without specifying the reasons, that millions of dollars of penalties had been imposed against two commercial banks.
Several political interventions on the side of both the government and opposition are also being cited as possible contributing factors to the rising currency.”
Vocês acham que um dia a mídia tradicional irá defender moeda forte?
Alguém pode por favor falar da curva de juros, vi alguns traders dizendo que estão tão inclinada que é perigoso o BC subir juros e o juro longo cair.
“101% de Dívida/PIB – O Brasil indo rumo a falência”
Paulo Guedes não prometeu cortar gastos? Cadê?
Mas por que enfraquecer a moeda não atrai investimento estrangeiro? Uma dúvida
Uma coisa é enfraquecer para 8, para atrair o estrangeiro, mas não deixar passar de 8 e deixar a moeda se valorizar naturalmente, pelo reaquecimento da economia (a economia se reaquece e as exportações ficam mais competitivas, logo, a demanda pelo real vai aos poucos aumentando, já que os estrangeiros estão comprando mais as nossas mercadorias, e a moeda se refortalece)
Outra coisa é deixar a moeda sair do controle, ou seja, de 8 ela pular para 9, depois para 12, depois para 100, etc. Aí sim, aí o investimento estrangeiro passa a não compensar já que não há uma mínima previsibilidade de quanto será o lucro já que todo dinheiro está derretendo.
Imagino que o monetarismo prega a primeira opção.
Chegou a crise, desvaloriza a moeda, o investimento estrangeiro vem e a moeda se refortalece rapidamente sem apelar para aquelas maluquices keynesianas
Na Argentina, forças militares estão nas ruas para proibir as pessoas de comprarem dólares. Surreal.
twitter.com/Alerta140/status/1318963157717700611
Eu entendi que impressão de dinheiro é inflação monetária e que carestia é aumento dos preços ao consumidor, mas tem um ponto que eu não consigo ligar. Por favor, me ajudem. Se as pessoas perderam empregos, diminuíram suas rendas, como este dinheiro impresso a mais chega às suas mãos para circular?
E a conclusao da pesquisa da FGV que diz que a renda dos trabalhadores caiu 20,1% na pandemia influencia em algo?
Atualizando os preços ao produtor… nesse mês de setembro, mais uma alta histórica em 17 anos: 26 %.
Enquanto isso…
– Queda de 1,3 % na Colômbia;
– 8,46 % no Uruguai;
– Queda de 1,6 % no Equador;
– 0,4 % nos Estados Unidos;
– 4,5 % no México;
Preciso falar alguma coisa?
Interessante que a meta de inflação do Banco Central dos Estados do Oeste Africano é bastante baixa, de 2 % ao ano com 1 % para mais ou para menos.
Isso explica a baixa inflação vivenciada na Costa do Marfim (são vários países que estão sob esse banco central). Está com inflação de países desenvolvidos. Além disso, a moeda deles, o franco CFA do Oeste Africano, é atrelada ao euro. Atualmente os juros estão em 4 %. O M2 deles também está mais civilizado.
Pelo menos uma boa notícia:
“Governo lança eSocial simplificado e anuncia programa para revisar normas trabalhistas”
http://www.oantagonista.com/economia/ipca-15-tem-maior-alta-desde-1995/
Falei em algum comentário de outro artigo que a inflação galopante do IPCA ainda chegaria esse ano. Ta aí, já ta batendo recorde da história do Real.
O problema começa agora, a subida dos juros vai aumentar a incerteza da solvência do país e isso manterá o dólar alto.
Aí vem a m* : Juros mais altos, cambio alto e inflação alta.
A Dilma está com inveja.
Já que o Governo, especialmente o Congresso, é incapaz de cortar seus gastos, Paulo Guedes deveria ao menos entregar o mínimo de estabilidade da moeda. Isso está totalmente nas mãos dele. Mas não, ele vai lá e destrói o poder de compra da moeda sem dó porque fielmente acredita que destruir o poder de compra da população é o segredo para o enriquecimento.
A destruição do Real começou como uma crença econômica e agora não vai embora porque serve para continuar pagando os funcionários do Estado. O Brasil voltou aos anos 80. Parabéns, Ciro Guedes.
“Agora é o Morgan Stanley que diz para os estrangeiros comprarem reais”
O que vocês acham? Haverá uma valorização do real? Seria um novo “cisne negro às avessas”, como ocorreu após o vazamento da reunião do Bolsonaro?
Bolsonaro começa a sentir as consequências da Teoria Monetária Moderna:
Bolsonaro defende que parte da soja fique no Brasil para não afetar preço do óleo
Por Estadão
“O presidente Jair Bolsonaro disse nesta terça-feira (27) que, se o setor produtivo da soja exportar todo o produto para o mercado internacional, poderá desajustar o preço do óleo da commodity.
O consumidor final tem se deparado com a alta dos preços do óleo no mercado interno, o que tem pesado inclusive nos índices de preços. Segundo o presidente, que se encontrará nesta terça à tarde com o setor produtivo da soja, liderados pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, a produção brasileira “tem de ficar um pouquinho (de soja) no Brasil”.
“Se não ficar, bagunça o preço do nosso óleo de soja aqui”, disse Bolsonaro, antes reunião do Conselho de Governo, no Palácio da Alvorada. Na pauta, está prevista a discussão sobre a perspectiva para a próxima safra, mas o encontro ocorre em um momento que o preço da soja tem batido recordes e já provoca impacto na inflação dos alimentos.”
Ou seja: os caras destroem a moeda e agora reclamam que que quem produz quer vender para quem oferece moeda mais forte.
Insisto o que já venho repetindo aqui: quem continua no real sob a atual política monetária ulta-keynesiana do Banco Central está implorando para ser esbulhado.
“Capítulo decisivo para despolitizar a moeda, diz Guedes sobre BC autônomo”
Curioso ver o que o Paulo Guedes disse sobre isso. O que acham?
Resolvi ler esse artigo sobre a tal “recuperação em ‘V'”.
Achei legal até o texto e ele até falou da fraqueza que o Brasil foi em 2019 (aqui alertado por vários leitores também). O nosso crescimento foi broxante… os Estados Unidos, país já rico e desenvolvido, cresceu mais nos últimos anos do que o Brasil, que ainda é pobre.
O IPCA acumulado em 12 meses está em 4,31%. O próprio Banco Central reconhece que em maio do ano que vem o IPCA acumulado em 12 meses estará acima de 6%, muito acima do teto da meta (que é de 5,25%).
Lembro-me de vários keynesianos e defensores da Teoria Monetária Moderna vindo aqui dizer, ainda por volta de maio deste ano, que as impressões de moeda feitas pelo Banco Central não trariam carestia nenhuma e que o IPCA de 2020 ficaria abaixo de 2%.
Eles sumiram.
Mudando um pouco de assunto, vocês acham que seria possível ter alguma interpretação austríaca sobre o seriado Chaves?
O Seu Madruga é um devedor (não sei nem se é possível o sujeito dever 14 meses de aluguel e ainda ficar na casa) e que às vezes se envolve em economia informal (sempre desempregado, provavelmente naquela época nem existia assistencialismo), o Seu Barriga é um capitalista e dono de imóveis (em um episódio ele apareceu com aproximadamente US$ 10 mil em cédulas, se não me engano), entre outras coisas.
“Governo federal lança sistema para simplificar a abertura de empresas”
“Tudo poderá ser feito no mesmo ambiente virtual: recebimento das respostas necessárias da prefeitura; registro da empresa; obtenção do número do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e inscrições fiscais; desbloqueio do cadastro de contribuintes; recebimento das licenças, quando necessárias; e ainda o cadastro dos empregados que serão contratados. O Balcão Único permitirá ainda que os empreendedores possam, no momento da abertura da empresa, realizar o cadastro de empregados pelo e-Social.”
O que vocês pensam sobre?
Sou leigo no assunto.
Tenho 2 perguntas:
1- Se os serviços públicos fossem privatizados, como o pobre iria usá-los?
2- As leis trabalhistas realmente ajudam os pobres?
Obrigado!
Façam suas apostas, deixam aqui suas previsões sobre economia em 2021
Brasil, juros subindo, BC na realidade? Qual vai ser? Dolar cai e real fortelece?
Novo ciclo de BOOM das commodities?
Economia americana sob os democratas, o que vai acontecer?
Começou o ano que defini a presidencia de 2022, façam suas apostas
Comprem Bitcoin!
Será que o Brasil entrou em dominancia fiscal? Mesmo que subam os juros agora, pode ser que isso piore o fiscal ainda mais e o câmbio suba
Ainda não saiu o índice de preços ao produtor de dezembro, mas em novembro o índice no Brasil ficou em 19,7 %. Notem de que alguns países não possuem ainda dados de dezembro.
Comparando com:
– México;
– Uruguai é um caso interessante, pois enquanto aqui os preços ao produtor estão maiores do que a inflação geral de preços, lá é a inflação geral de preços que está maior do que o índice de preços ao produtor. Seria o fato de que o país adotou medidas mais frouxas de lockdowns? Alguém poderia me explicar?
– Colômbia;
– Peru; (aqui os valores são brutos, não há variação percentual)
– Equador;
– Argentina; (um dos poucos países cuja situação está pior do que no Brasil, além de Venezuela)
– Chile;
– Rússia;
– Índia;
– África do Sul;
– Indonésia;
– Filipinas;
– Bielorrússia;
– El Salvador;
– Egito;
– Tailândia;
– Malásia;
– Sri Lanka;
Quem está próximo da gente nesse quesito está sendo a Turquia. Por lá as coisas devem se amenizar, com a recente pancada nos juros e mudança de presidente do banco central.
Aqui o negócio é um espetáculo: pessoas perdendo renda, empregos e negócios, e os custos de produção explodindo, enquanto a situação é mais civilizada em outros países que tiveram uma trajetória parecida no ano.
Taxa de juros de longo prazo explodiu no Brasil, para aproximadamente 8,05 %, maiores valores desde meio de maio de 2020.
Investimento estrangeiro no Brasil cai 50,6% em 2020
Acho que não teremos um dólar fraco ao estilo Bush tão cedo (trecho dessa notícia):
“Yellen didn't reprise their stance on the dollar in comments to the Senate Finance Committee last week. But when asked specifically whether she believed in a strong dollar, she said that she believed in "market-determined exchange rates" and that the U.S. ‘does not seek a weaker currency’.”
Há também este trecho (desta outra notícia):
“The United States does not seek a weaker currency to gain competitive advantage and we should oppose attempts by other countries to do so,[…]”
“Dívida pública bate recorde e termina o ano em 89,3% do PIB, diz BC”
Enquanto isso, no México:
“Populist Amlo's tight grip on Mexico finances holds back Covid stimulus”
“The president justifies his penny-pinching stance as a mixture of principle and necessity. He believes that his government should avoid increasing public debt which, he fears, future generations would have to finance.”
Obrador está sendo criticado pela mídia por não estar entrando em programas de estímulos fiscais gigantescos.
“No mundo do juro zero, Brasil se prepara para alta da Selic”
“Qualquer aumento colocaria o Brasil em posição rara nos dias de hoje. Entre as principais economias do mundo, apenas a Turquia subiu a taxa básica de juros desde o começo da pandemia.
Assim como a Turquia, o Brasil enfrenta preocupações que não chegam à maioria dos países: a possibilidade de a inflação avançar em meio a uma depreciação cambial que elevou o custo dos bens importados.”
Na Turquia, a pancada nos juros foi feita, após a troca do presidente do banco central. Óbvio, a inflação já estava em valores pornográficos e a desvalorização cambial, aguda. Até o momento, a lira turca só se valorizou.
Não se iludam que o Brasil não é muito diferente da Turquia. O que lá é pior é a inflação de preços, aguda mesmo quando o dólar americano ainda estava mundialmente fraco, apesar de eles serem bem mais ricos do que nós, ao menos em termos de PIB per capita por paridade de poder de compra.
O importante é dar uma pancada nos juros e sinalizar ao mercado, aos consumidores e investidores que agora o momento é reduzir a inflação. Aumentos tímidos e graduais já foram tentados no governo Dilma e não funcionou, já que a equipe econômica tinha pouca credibilidade e os bancos estatais continuavam operando fora da SELIC (a desaceleração começou depois de 2014). Depois que entrou a dupla Meirelles e Goldfajn, aí sim, foi uma mágica pura.
Agora, uma dúvida: no começo de 2016, o dólar voltou a passar de R$ 4,10. Pouco tempo depois, foi queda livre, sendo que o Temer assumiria somente alguns meses depois. Foi só por causa da queda de aproximados 6 pontos do índice DXY, ou fatores adicionais foram envolvidos?
Algo particularmente interessante aconteceu justamente na Tailândia. O país se encheu de reservas internacionais no ano passado (não sei ao certo o motivo), teve deflação de preços por dez meses em 2020, tem grau de investimento, as contas do governo estão relativamente controladas e o baht, apesar do traumático choque na Crise Asiática de 1997, se apreciou desde então (com uma solidez notável), apesar de flutuante. Para um país que teve 19 golpes militares desde 1932, não está nada mal.
Outro contraste está no turismo: enquanto o Brasil recebeu 6,4 milhões de turistas em 2019, a Tailândia recebeu 39,8 milhões no mesmo ano, isso em um país com 69,83 milhões de habitantes!
Os juros no país são de 0,5 % ao ano, mas os juros reais ficaram atrativos, já que o país teve deflação.
Apesar de críticas de que a moeda forte prejudica as exportações, a verdade é que o país é um exportador gigantesco. Enquanto o valor total de exportações e importações corresponde a 29,1 % do PIB brasileiro, na Tailândia essa cifra é de 123,3 % do PIB.
Vejam que interessante essa matéria do G1 falando do setor industrial brasileiro…
Notem que a queda na produção industrial foi forte de 2011 a 2016, justamente quando o real começou a afundar. Em 2017 e 2018, a produção industrial cresceu. Em 2018, mesmo com a baderna da greve dos caminhoneiros, cresceu 1 %. Em 2019, recuou 1,1 %, ano onde o real voltaria a afundar. Em 2020, recuou 4,5 %. Esse recuo menor no ano de 2020 em relação aos anos da Dilma seria por causa da SELIC absurdamente baixa? Os lockdowns evidentemente são muito, mas muito mais destrutivos do que qualquer política envolvendo a Nova Matriz Econômica, não acham? Como analisam o saldo de empregos em 2020?
Pelo jeito a greve dos caminhoneiros foi pequena:
Greve dos caminhoneiros é oficialmente encerrada
O governo Bolsonaro tem muito apoio popular, coisa que o Temer nunca teve.
Falando de alimentos, não apenas perdemos para o Peru em inflação de preços no setor alimentício. Perdemos também para Bolívia, Colômbia, Chile, Equador, Egito, El Salvador, Gâmbia, Honduras, Indonésia, Costa do Marfim, Malásia, México, Marrocos, Nepal, Nicarágua, Palestina, Paraguai, Rússia, Senegal, Somália, África do Sul, Trinidad e Tobago, Uganda, Ucrânia e Vietnã.
“Petrobras aumenta gasolina em 8,2% e diesel em 6,2%; gás de cozinha sobe 5,1%”
O fato é: o petróleo está subindo em dólares. Só que o petróleo em dólares ainda não chegou à alta histórica. Por outro lado, além de o petróleo em reais ter subido, chegamos a um novo recorde histórico. Nunca aconteceu na história do real brasileiro.
É incrível como o Brasil repete a mesma história.
Uma moeda doente, uma estatal de petróleo e um estado controlando o setor de combustíveis entram no bar…
Índice de preços no setor alimentício, dezembro de 2020, acumulado dos últimos doze meses (América Latina).
– Argentina: 42,1 %
– Brasil: 14,08 %
– Uruguai: 9,48 %
– Guatemala: 8,68 %
– República Dominicana: 8,4 %
– Chile: 7,6 %
– México: 5,8 %
– Colômbia: 4,8 %
– Nicarágua: 4,2 %
– Honduras: 4,01 %
– Costa Rica: 3,76 %
– Paraguai: 3,3 %
– Belize: 3,3 %
– Peru: 2,24 %
– El Salvador: 0,4 %
– Equador: – 0,06 %
– Bolívia: – 0,78 %
OBS: Nem todos os países da região possuem dados atualizados ou dados específicos sobre o setor.
Alguém pode me ajudar? Suponha que os politicos suspendam a Lei de Resp. Fiscal e permita-se ao governo saldar parte da dívida pública com impressão de dinheiro via BC, como medida extraordinária, e façamos um “reset”, para depois voltar com a Lei, cortar alguns zeros da moeda. Qual o impedimento ou implicações técnicas, econômicas disso?
Vejam que espetáculo:
“Idosa que achou moedas de ouro da época do Brasil Colônia no quintal se muda por segurança”
“Especialistas em moeadas e medalhas afirmam que o valor de um objeto dessa importância histórica pode chegar aos 15 mil reais.”
Quando o Brasil ainda possuía uma moeda de verdade…
Vejam que interessante esse gráfico mostrando o preço da cesta básica de 2000 a 2021.
Notem que a subida foi mais lenta de 2003 a 2007 (por isso o Lula foi reeleito) e de 2016 a 2018. Prova cabal do que é uma moeda mais saudável (ou menos doente). Prestem atenção na disparada de 2019 a 2021.
Até a mídia reconhece a cagada do BACEN:
veja.abril.com.br/blog/radar-economico/selic-a-2-nao-reduziu-custo-e-piorou-perfil-da-divida/
O bizarro é no final do artigo:
“O Banco Central, que faz trabalho louvável, diga-se, ainda precisa balancear melhor a política monetária para que os juros não estejam baixos somente no papel, mas por toda a atividade econômica do país”.
"A história econômica é um longo histórico de políticas governamentais que falharam porque foram projetadas com um forte desrespeito pelas leis da economia."
Mises
* * *
Algum contraponto aos argumentos abaixo? O cara defendeu que a forte desvalorização cambial não se deveu, em termos relevantes, à política monetária ultra-expansionista do Bacen, mas sim ao risco-país e às contas públicas.
“Vamos para os dados:
1) M2 americano aumentou 27% desde antes da pandemia. O brasileiro aumentou 30%;
2) O M1 brasileiro aumentou 42% no mesmo período. Já o americano aumentou 304%! E é o M1 o agregado relevante para a inflação, não o M2;
3) Empiricamente, o câmbio brasileiro é muito sensível a risco, e pouco sensível a juros;
4) Na página 25 do relatório, o BCB testou a hipótese do diferencial de juros ter causado a depreciação cambial. O resultado foi positivo, mas sem significância estatística. Alguns researches privados (nacionais e internacionais) fizeram o mesmo exercício, e chegaram ao mesmo resultado: a política monetária NÃO foi relevante na depreciação cambial;
5) Mencionei no texto algum componente creditício como fruto da política monetária (você não leu?), mas seu impacto foi claramente menor que o dos demais fatores. Isso fica evidenciado nos núcleos de inflação, que apresentam hiato negativo muito forte em relação ao IPCA (se monetária fosse o principal causador dessa inflação, esse hiato seria pequeno ou inexistente;
6) O repasse histórico do IPA para o IPCA (entre 0,1 e 0,2) deixa pouco espaço para que fatores alheios à dupla câmbio-commodities expliquem a inflação atual;
7) O IPCA decomposto deixa claro que a inflação atual vem de alimentação e combustíveis, dois preços de baixa elasticidade-preço de demanda, e absolutamente sensíveis a câmbio. Mais um prego no caixão de quem acha que essa inflação é de demanda (fruto da monetária);”
Carne e ovos mais caros: Produtores estimam que ovo, frango e porco fiquem até 50% mais caros com seca e geada
O preço alto da carne de boi fez os consumidores procurarem opções em ovos, carne de frango e porco. Mas até mesmo esses produtos podem ficar até 50% mais caros ainda este ano, projetam associações de produtores.
(…)
economia.uol.com.br/reportagens-especiais/agronegocio-seca-e-geada-impacto-no-custo-de-carnes
Guedes nega descontrole da inflação e afirma que taxa entre 7% a 8% está ‘dentro do jogo’
(…)
“A inflação sobe um pouco, todo mundo [fala em] ‘descontrole’. Não é descontrole, a inflação está subindo no mundo inteiro”, afirmou, durante evento virtual promovido pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC).
“A inflação americana vai ser 7% neste ano, a nossa ser 7%, 8%, estamos dentro do jogo”, completou o ministro.
(…)
E a imbecilidade que dólar alto geraria mais importações que Guedes defendia, na prática não se mostra bem assim….
economia.uol.com.br/noticias/reuters/2021/12/01/importacoes-superam-exportacoes-em-us-13-bi-e-brasil-tem-pior-novembro-em-7-anos.htm
Brasil apresentou recessão técnica
http://www.cnnbrasil.com.br/business/economia-brasileira-recua-01-no-3a-trimestre-de-2021-e-entra-em-recessao-tecnica/
Ainda há quem acredite em crescimento para o ano que vem devido ao volume de veículos pesados, etc. Mas, pessoalmente(e posso estar errado), não espero nada de outro mundo, e acho provável recessão.
Tenho um colega que é dono de uma fabrica de blocos de cimento. Ha cerca de 02 anos no inicio da pandemia ele tinha 30 funcionários. Como o lockdown foi obrigado a fechar sua fábrica, ficar sem vender algumas semanas. Após poder voltar a abrir as portas viu o fluxo de vendas e receita cairem, teve que bancar afastamentos de funcionários mediante atestado médico – onde qualquer virose (covid ou não) virava de 7 a 15 dias de afastamento até ter o resultado do exame. Com custos fixos de aluguel e funcionários, pensou em vender o negócio. Não achou ninguém para comprar pelo preço que achava justo. Contratou uma assessoria financeira que orientou pelo corte de funcionários para se adaptar à nova demanda. Alguns concorrentes no mesmo segmento fizeram o mesmo. Com a injeção de dinheiro na economia (vulgo, os 600 reais de Bolsonaro), o movimento voltou a subir, as demandas por pedidos aumentaram. A duvida, recontrato ou não recontrato? A desconfiança generalizada, especialmente pelo excesso de atestados médicos (afinal peao adora se aglomerar final de semana e empurrar o custo da virose no patrao), orientou por tentar maximizar a produção com a mão de obra mais enxuta implicando numa elevação da demanda em relação à oferta, este fato somado com o aumento dos insumos de construção – no caso dele o cimento – fizeram com que começasse a praticar uma margem de lucro mais alta.
Resumindo. Hoje este meu colega de 40 funcinários so tem 20, vende menos que antes, contudo o tempo de espera para entrar um pedido aumentou e consegue faturar o mesmo de antes com o aumento de preços e ter lucro superior. Tudo isto ÀS custas de um prejuizo para quem compra. Ou seja, alguns ramos vão se adaptar à esta crise, sem necessariamente amplificar esta adaptação ao setores que se relacionam diretamente que constinuarao a penar.