As
pessoas podem ser manifestamente desagradáveis com comerciantes e com
atendentes de lojas, tratando de maneira sórdida indivíduos que estão apenas
tentando empreender e que estão ali apenas para nos servir e prestar um bom
atendimento.
Sim,
é um direito das pessoas reclamarem: uma característica do mercado é que você não tem de
comercializar com ninguém em
específico. E, ainda
assim, confesso ficar aborrecido quando vejo pessoas sendo tão desdenhosas e
desrespeitosas para com tentativas de empreendimento. Por que não simplesmente se recusar a comprar
e ir embora? Pra que proferir invectivas
e se comportar de maneira rude?
Outra
dia, na loja de materiais esportivos, ouvi consumidores resmungando que essa
luva estava muito cara, que essa raquete de tênis era muito sensível, que esse
sapato era muito espalhafatoso, que esse equipamento de ginástica não era tudo
aquilo que diziam, e que a loja deveria trabalhar apenas com essa marca de
bola, e não com aquela outra.
A maioria
dos consumidores dos produtos desta loja está feliz, caso contrário a loja não mais
estaria operante; porém, outras pessoas (de novo, corretamente) simplesmente
assumem que é seu direito não gostar, rechaçar, desprezar, rebaixar, humilhar e
dispensar qualquer comerciante com um simples e depreciativo gesto de mão.
Persuasão versus coerção
Compare
esta cena à ala de segurança ou alfandegária de um aeroporto. Essa mesma classe de cidadãos se submete a
filas humilhantes, marchando em estilo quase militar, e se deixa ser revistada,
ter sua privacidade invadida e às vezes até seus pertences confiscados por
burocratas que não dão nenhuma explicação.
Ninguém ousa proferir uma palavra de protesto ou de reclamação por puro
medo de ser repreendido por desacato a funcionário público, com ameaça de
prisão.
O único objetivo é sair dali o
mais rápido possível para chegar ao outro lado da barreira governamental, onde
a mini utopia do comércio aeroportuário nos espera ansiosamente para nos servir
de maneira decente — e é melhor que aquele sanduíche e aquela cerveja sejam
servidos imediatamente, caso contrário vamos exigir nossos direitos!
Quando
consumidores, somos mestres do universo; quando cidadãos perante autoridades
governamentais, somos cordeirinhos dóceis e obedientes. E talvez isso seja fácil de ser
entendido.
O governo tem uma arma
apontada para a nossa cabeça. Já o
comerciante está apenas tentando nos persuadir a abrir mão do nosso dinheiro em
troca de bens e serviços. O primeiro não
aceita ‘não’ como resposta; já o último vê um ‘não’ como sendo parte inerente à sua rotina diária.
Ainda
assim, deveríamos ser mais conscientes dessa diferença, e demonstrar maior apreço
pelo significado de tudo isso. A classe
de pessoas que optou pelo caminho da persuasão em vez da coerção merece todo o
nosso respeito e gratidão, mesmo quando não compramos nada deles.
A incerteza é a única certeza
A classe comerciante é aquela que torna possível tudo em nossa vida: nossas moradias, nossa comida, nossos
serviços médicos, nossas roupas, nosso ar condicionado, nossos computadores,
nossos aparatos musicais — absolutamente tudo que faz com que nossa vida
diária seja tolerável, prazerosa e jubilosa.
Frequentemente
somos tentados a crer que o posto de gasolina, a farmácia, o restaurante, a
franquia de fast-food, e a padaria da esquina são apenas coisas comuns à estrutura do nosso mundo, uma inevitabilidade do nosso meio. Mas não são.
A decisão de abrir um comércio é algo absolutamente desgastante e
inquietante, pois o risco de dar errado e fazer com que o empreendedor perca
tudo é muito alto. O futuro é
desconhecido tanto no sentido macroeconômico (será que a economia vai entrar em
recessão e fazer com que a renda dos consumidores caia?) quanto no sentido
microeconômico (talvez ninguém realmente queira comprar minhas coisas).
Frequentemente a ideia exige que o
empreendedor utilize todo o dinheiro que ele poupou — ou que ele vire refém dos
bancos. Não importa qual seja a ideia do
empreendimento: o ato de empreender sempre será algo amedrontador.
E
não se trata apenas de dinheiro. Você
acabará comprando vários objetos e equipamentos (o seu capital) que, caso o
empreendimento dê errado, não serão facilmente convertidos para outros fins;
muito menos poderão ser vendidos a preços sequer comparáveis àqueles pelos
quais você os comprou. Cadeiras, mesas,
placas, cartazes, letreiros e outras decorações revelar-se-ão um puro
desperdício caso o empreendimento não dê certo.
E
há também o problema com as outras pessoas. Você tem de contratar empregados, e estes têm de ser pagos muito antes
de você vislumbrar qualquer perspectiva de lucro — se é que algum dia o lucro
virá. Você repentinamente se torna o
responsável por essas pessoas.
Você
pode até se autointitular “chefe” ou “patrão”, mas no íntimo sabe que isso não representa a realidade. Você é responsável pelos seus empregados, mas
não é realmente o patrão. Os patrões são
os consumidores, cuja volubilidade e inconstância podem tanto lhe enriquecer
quanto destruir seu novo meio de vida — você está completamente à mercê deles.
E
depois há a questão da comercialização do produto. Você acredita no seu produto, mas você não
pode fazer tudo por conta própria. Você
tem de contratar pessoas que terão a função de saber ofertar e vender o seu
produto. É necessariamente verdade o
fato de que essas pessoas que você irá contratar não serão tão sólidas quanto
você no entusiasmo ou mesmo na crença na qualidade do seu bem ou serviço. Elas terão de ser “vendedores” de qualidade
— alguém contratado para estar empolgado e interessado no ofício, mas que, na
maioria das vezes, preferiria estar fazendo outras coisas.
Isso
não é, de modo algum, uma crítica aos vendedores contratados. Muito pelo contrário. O vendedor estará na desconfortável posição
de ter de imitar o senso de responsabilidade e de desejo de sucesso que já existe
na mente do criador do empreendimento, mas que não existe naturalmente na mente do
vendedor. É por isso que saber vender é
uma arte que exige treinamento.
As
pessoas normalmente desprezam essa necessidade de treinamento e até mesmo fazem
gracejos, mas se trata de algo essencial. Tampouco existe algo como um ‘vendedor genérico’, aquele que domina a arte de
saber vender qualquer coisa. O que podemos vender e o
que não podemos vender depende enormemente do nosso próprio enfoque e da nossa
própria mentalidade.
Jamais
também subestime o problema dos estoques, algo que requer julgamentos
empreendedoriais diários.
Se você, por
exemplo, está no ramo da venda de madeira compensada, e o seu primeiro mês de
vendas ficou muito aquém das suas expectativas, sua batalha apenas
começou. Você terá de fazer um melhor juízo
acerca dos estoques do mês seguinte. Compre muito e você dissipará todos os seus lucros. Compre pouco e você perderá clientes que, ao
não encontrarem um produto específico em seu estabelecimento, nunca mais
voltarão.
Suas estimações terão de estar
praticamente corretas o tempo todo. Mas
você não possui uma bola de cristal. E
esse problema da adivinhação nunca irá deixar de lhe importunar: não importa o quão
bem sucedido você tenha sido em um dado mês, você jamais terá ideia do que lhe
aguarda no mês seguinte. Um pequeno
descuido e sua sorte estará selada.
A concorrência e a preferência dos consumidores são a navalha
E
há ainda a concorrência. Qualquer um
está livre para copiar e reproduzir o seu sucesso. Quanto mais bem sucedido for o seu empreendimento,
mais imitadores você inspirará, os quais farão de tudo para copiar exatamente o
que você faz, só que, de alguma forma, a um preço menor.
Isso significa que você constantemente terá
de se manter um passo à frente, sempre inovando. Ao mesmo tempo, você constantemente terá de
saber como se autoavaliar, sempre olhando para trás.
Um dia ruim de vendas pode não significar
nada, mas pode também significar tudo. Pode ser apenas um ligeiro solavanco em sua jornada rumo à glória, mas
pode também ser o prenúncio do desastre. Simplesmente não há como saber de antemão.
As
forças da concorrência em um mercado dinâmico estão constantemente atuando para
solapar o seu sucesso futuro. Para os
empreendimentos que hoje são bem sucedidos, o sistema de mercado equivale a uma
gigantesca conspiração que visa a reduzir seus lucros a zero. A única maneira de resistir e contra-atacar é
servindo seus clientes com ainda mais atenção e excelência.
E,
ainda assim, não importa quão bem sucedidos tenham sido seus planos até aqui,
não há absolutamente nada garantido para o futuro. A qualquer dia, a qualquer hora, tudo pode se
esvanecer. Os consumidores podem
desaparecer. As tendências podem mudar. As preferências e os gostos da classe
consumidora podem sofrer uma guinada.
Você é total e completamente dependente dos caprichos subjetivos de todo
o resto. Não importa quão grande seja a
sua determinação, a realidade implacável é que você simplesmente não pode
controlar o que os outros pensam ou fazem. E isso vale tanto para o pipoqueiro da esquina quanto para a
Amazon. Não importa quão grande
você tenha se tornado: dinheiro nenhum pode garantir que o seu futuro
empreendedorial seja propício.
Por que se aborrecer com tudo isso?
E
por que, mesmo assim, alguém ainda se arrisca? Por que uma pessoa decide se tornar comerciante ou empreendedora? A resposta típica é que as pessoas fazem isso
por dinheiro. Mas não há absolutamente nenhuma
garantia de que tal atitude será transmutada em dinheiro.
O dinheiro tanto pode vir
aos montes como pode vir em quantidades escassas. E, quando ele vem, ele normalmente acaba
sendo reinvestido no próprio empreendimento, para que este se mantenha
viável. Então, por que as pessoas se
arriscam nisso?
Tudo tem a ver com o
sonho do sucesso, a esperança de fazer a diferença, de ganhar a vida com a
vocação, com a concretização da ambição de servir bem e ser reconhecido por
isso. É isso que motiva e guia o
empreendedor.
E
como nós retribuímos essas pessoas? Falando palavras ásperas, gritando e desdenhando, se recusando a comprar
seus produtos, criticando a menor das falhas e se recusando a dar absolutamente
qualquer crédito por suas tentativas. Nós os chamamos de gananciosos e menosprezamos seus pedidos de compra,
dizendo que seus produtos são imprestáveis.
O estado oprime essas pessoas com regulações, impostos, burocracias,
ordens e imposições muito maiores do que aquelas vivenciadas pelo resto de nós,
e ainda assim elas insistem, resolutas em sua determinação.
É
algo evidente que a classe comercial é tratada hoje da mesma forma como era
tratada na antiguidade: como pessoas desprezíveis, vis, incapazes e
ineptas. Porém, a verdade é essa: a
classe comercial é a classe que nos fornece exatamente todas as coisas que mais
amamos. Nós dependemos dela e ela
depende de nós.
Apenas seja cortês
As
pessoas que hoje têm de lidar com esse estado leviatã normalmente se sentem
impotentes para fazer qualquer coisa contra essa atual situação opressora. Eu sugiro que uma maneira de lutar contra
essa tomada hostil da sociedade pelo estado e por seus burocratas desprezíveis
é mostrando uma maior apreciação por aquilo que representa o exato oposto dessa
opressão.
Devemos mostrar apreço pelos
comerciantes. Deveríamos começar
mostrando gratidão intelectual pelas coisas que eles fazem por nós. Deveríamos ir ainda mais adiante e realmente
dizer aos comerciantes o quão elevada é a nossa consideração pela vocação
deles.
Controlar
nossas afeições é uma maneira de contra-atacar. Por isso, devemos mostrar respeito, consideração e apreço pelas coisas e
pelas pessoas que estão fazendo o que é melhor para a sociedade, e que estão
servindo de inspiração para outras pessoas seguirem seus passos.
O modelo e o ideal de sociedade em que
queremos viver, uma sociedade pacífica e próspera, pode estar tão perto de nós quanto
aquela loja de conveniências logo ali na esquina.
Apesar deste artigo sido escrito em outro país, combina admiravelmente com o que ocorre no nosso. A gosseria com que muitas vezes fregueses descontentes tratam os comerciantes, comparada com a submissão passiva demonstrada perante atos de funcionários públicos, tanto lá quanto cá são semelhantes. Certamente, a arma apontada para a cabeça do freguês, enquanto público, faz a diferença. No entanto, as pessoas nem sempre se dão conta que a pior desfeita que podem causar a um comerciante não é ofendê-lo, mas é não comprar dele. E, ao não comprar, poderão levá-lo a reavaliar e melhorar os produtos e serviços que oferece, resultando em vantagens para todos.
Artigo para ser emoldurado e lido por todos os brasileiros antes de saírem de casa. Talvez aprendem a tratar com cortesia quem realmente merece e a tratar com desprezo aqueles pulhas que apenas nos extorquem nada dão em troca.
É uma perfeita ilustração do relativismo moral que nos ataca hoje em dia: tratamos mal quem nos trata bem e tratamos respeitosamente quem nos trata como gado.
Não creio que tenha havido confusão, Augusto, muito menos proposital. O comerciário é abertamente chamado de vendedor, e o autor inclusive gasta um parágrafo inteiro falando destas pessoas contratadas “para estar empolgado e interessado no ofício, mas que, na maioria das vezes, preferiria estar fazendo outras coisas.”
Bom texto!
PREZADA EQUIPE DO IMB:
estou evitando o meu colega esquerdista e “empresáriófobo”, por não ter muito que argumentar quanto ao assunto economico do momento: a fusão Pão de Açúcar-Carrefour; por isto, tenho 3 perguntas:
1- Este negócio é mesmo prejudicial aos consumidores, ou à concorrencia ou à economia como um todo?
2- Será que mais uma vez o governo foi o culpado pela megafusão? Se sim, qual o papel do BNDES?
3- Quais os motivos do negócio? Quais os interesses das partes envolvidas?
UM ABRAÇO A TODOS!
Educacao sempre sera um assunto importante, mas no caso desse artigo esta mais para algo trazido de casa. Temos que tratar bem as pessoas de maneira geral, e nao porque elas nos trazem algum beneficio (como no caso dos comerciantes). E aplicando-se a teoria liberal, ser compreensivel e sangue doce faz parte do trabalho do comerciante. Se ele nao aguentar os compradores chatos e mal educados, se ele revidar os xingamentos que eventualmente a ele serao direcionados, vai perder mercado para um comerciante mais calmo e atencioso…
Gostei muito das duas respostas, que se complementam perfeitamente. Refletindo sobre elas cheguei à conclusão de como é triste ver a sociedade protestando porque um político ou burocrata desviou uma “merreca” para o seu próprio bolso, e silencia quando o governo desvia uma fortuna para o bolso do seu empresário favorito. A população fez cair Collor, Palloci, Arruda, Erenice, José Dirceu, Genoíno mas nada faz contra empresários com vocação monopolista, “insiders”, etc.
Gostei principalmente das 2 frases seguintes do eandro [a 1ª e a última]: “uma fusão que depende do dinheiro de um banco público para ser feita é um arranjo que todo esquerdista, por definição, aprova.” e “Se o seu colega é contra esse arranjo, então ele não deve ser tão esquerdista quanto diz.” Você, Augusto, me fez lembrar da questão do “monopólio natural”, onde existe apenas uma empresa explorando a atividade, mas a mera possibilidade, a mera facilidade de instalação de eventuais concorrentes surte efeitos de livre mercado benéficos para a sociedade; também a sua colocação sobre o BNDES me fez enxergar essa instituição com outros olhos.
As pessoas são rudes e deselegantes com os comerciantes, que os beneficiam. Porém, são amáveis e servis com membros governamentais, que os tributam. Por esses comportamentos, está o povo brasileiro numa triste situação.
Artigo simplesmente excelente! Empreendedores devem ser exaltados!
O artigo está perfeito. Destaca a importância do empreendedor sem ocultar os reveses inerentes à atividade empresarial. Mais que isto, o tema do artigo sugere o que deveria ser a pedra angular do movimento liberal no Brasil: a educação sobre a real dimensão das trocas voluntárias em nossas vidas. Só assim será possível vencer o maior obstáculo que enfrenta o livre mercado: a demonização do empresário, resultado de décadas de doutrinação marxista inculcada na mentalidade do povo.
Exatamente pela dimensão hercúlea da tarefa, a missão do IMB se torna cada vez mais essencial. Parabéns aos que o fazem.
O texto é excelente, mas tive uma decepção com uma LOJA DE GRANDE PORTE (conhecida por todos os brasileiros) por comprar pela internet. Comprei um celular (Smartphone) pelo valor de 290,00 no dia 19/12/2012 tendo prazo para análise dois dias (20/12 e 21/12) úteis.
A data da entrega seria em 6 dias úteis, no dia previsto para a entrega, nada do celular chega. Então liguei para saber o motivo da demora, Então um atendente me disse que não foi possível a finalização da venda porque durante os dois dias de análise o preço do celular aumentou para 349,00 e por esse motivo não pode dar continuidade ao processo de venda. Agora eu pergunto o que eu tenho haver com isso? Não quero nem saber se aumentou ou abaixou.
Então, liguei outro dia e uma atendente me disse que esse não seria o motivo certo, que o motivo certo, seria por divergência de dados do portador do cartão. Sem falar que só é possível realizar a compra se os dados do cartão estiverem corretos, pois o sistema não permite erros de dados, uma vez que terá que refazer o pedido com os dados corretos. Só lembrando que o cartão e da própria loja e não tenho problema nenhum de comprar, ou seja, compro em todos os lugares sem problemas de dados nenhum.
Por esse motivo me vi obrigado ir até o PROCON, uma vez que os atendentes já tinham dado o caso por encerrado e não podiam fazer nada para que eu pudesse obtece o celular por 290,00 e sim por 349,00. Entrei com o processo de reclamação no PROCON e aguado posição da loja. Se não for possível uma negociação amigável por parte da loja, terei com um pedido de danos morais no juizado de pequenas causas. O atendente do PROCON me informou que muitas lojas (Grandes, Media e pequenas) que preferem levar o caso até as últimas consequências, do que entrar em um acordo amigável com o cliente.
Fico pensando como essas lojas conseguem sobreviver? Já que são muitas (segundo o atendente) que não respeita os clientes. Confesso que estou puto da vida com essa loja. E se nada for feito por parte da loja confesso que quebro o cartão e não compro mais nada dessa @&%$@#$@.
Refutarei os clamos do artigo um a um:
1 – O empresário merece respeito pois, diferente do governo, age através da persuasão e não da coerção.
A persuasão dos empresários ocorre da maneira mais suja e perversa, da forma que qualquer coerção voltada para a promoção da segurança coletiva(Filas de aeroporto) e o bem-estar da economia nacional(Confisco de mercadorias) parece um gesto de amor.
Empresários vêem nos famintos sua fonte de lucro e a eles oferece comida e vêem no doente sua fonte de lucro e a ele oferecem remédios. Chantagear outros abusando de suas necessidades é a atividade mais vil que um humano poderia realizar. Empresários oferecem serviços satisfatórios aos consumidores para obter ganho pessoal em troca e não por generosidade, como parece crer o senhor Tucker. O estado oferece serviços públicos sem discriminar e salvará a vida de um doente mesmo se ele não tiver a quantidade de dinheiro necessária em sua conta. Um empresário o deixaria morrer pois ele não tem nada que o promova pessoalmente.
É uma brutalidade apoiar um arranjo assim. Ainda maior brutalidade é defender quem o perpetua.
2 – Empresários são generosos com seus funcionários e ambos merecem respeito.
Empresários, caso não saiba o Senhor Tucker, empregam pessoas pagando salários inferiores ao valor ganho por seus serviços. Ou seja, eles exploram seus funcionários. Caso não houvesse o empresário na situação, seus empregadores obteriam seu salário completo e o burguês não acumularia seu montante de riquezas. Tal exploração é chamada mais valia, um fato que tem sua existência constantemente negada por aqui.
Empresários não merecem respeito por buscarem sua promoção individual sobre o trabalho de outros. Muito menos por resistir às regulações estatais que buscam proteger os consumidores e a população da ganância dos empreendedores. Se não fosse o estado, haveriam pedras no saco de feijão.
3 – Empresários merecem respeito por resistirem aos impostos e regulações estatais.
Impostos excessivos, diferente do que defende o Senhor Tucker, existem apenas pois os empresários brasileiros são gananciosos e apenas farão serviços de qualidade satisfatória ao consumidor para obter ganhos pessoais. Eles não possuem a mínima preocupação com o pobre e o deixarão para morrer caso ele não tenha a quantidade de dinheiro necessária para pagar pelo serviço(Em uma situação tão absurda e irracional que ninguém seria capaz de explicar).
A carga tributária excessiva é boa para o pobre, pois ele recebe serviços públicos. O rico discorda, pois vê uma ameaça a seu montante de lucros.
4 – Devemos todos os luxos de nossa vida moderna aos empresários.
Não, devemos à super-exploração de chineses, africanos e outras pessoas que vivem em países pobres. Hoje, eles vivem em condições sub-humanas criadas pela economia globalizada para que nós tenhamos nossos luxos dos quais nem mesmo precisamos.
Empresários não são os heróis da história, são os vilões. Eles oferecem serviços satisfatórios a seus consumidores a preços sustentáveis a eles, entretanto, o fazem meramente por ganho pessoal e não para a promoção do bem comum(Como faz um servidor público).
_____________________________________________________________________________________
Espero que, após tal discurso, a retórica burguesa do Senhor Tucker tenha sido desconstruída. Empresários não merecem respeito, mas sim os inúmeros burocratas e pensadores controlando a máquina estatal que são responsáveis pela limitação de todo dano que causam à sociedade. E nem mesmo adentrei a tortura psicológica imposta pela propaganda às pessoas quando os empresários desejam aumentar seus lucros.
Apoiar tal arranjo é, acima de tudo, uma terrível brutalidade. Ainda na pólis Sócrates nos alertou sobre o perigo dos mercadores e glorificou Esparta por controlá-los. Esquecer das lições do primeiro filósofo é pedir o fim à civilização baseada no bem comum.
Excelente artigo, um salve a todos os comerciantes!
Boa tarde!
Qual o modelo mais proximo da Escola Austrica com respeito ao fornecimento de energia eletrica e agua? abs
totalmente fora do tópico, mas creio que é uma notícia importante, e ficaria feliz em ver isso debatido em toda a sociedade:
discursosdecadeira.blogspot.com.br/2013/01/uma-submissao-travestida-de-autonomia.html
É revoltante.
Realmente o dono do empreendimento é sempre o mais empolgado com o mesmo.
Os funcionários também atendem bem os clientes, mas quando é o dono que atende é fácil perceber que ele é o dono, pois ele demonstra a maior boa vontade do mundo em fazer o cliente se sentir bem vindo no seu estabelecimento.
E tanto as pessoas sabem que o comércio é algo bom que qualquer casa/apartamento para ser considerado bem situado deve estar em uma região que tenha a maior variedade possível de comércios ao seu redor e todos à menor distância possível.
Não necessariamente do lado da casa, por causa do eventual barulho, mas bem próximo, quase do lado.
Um dos melhores artigos que ja li.
Minha familia tem pizzaria há 13 anos aqui na minha cidade, e todo dia (principalmente no fim do ano). E sempre ouvimos coisas desse tipo.
Realmente o cliente tem todo direito de reclamar, mas as pessoas nao tem a minima consciência de todo o trabalho que nos temos aqui.
Mas felizmente grande parte ve todo nosso trabalho e aprecia a qualidade de nosso produto, e é por esses que nos trabalhamos
Esquerdista só congelando e esperar que um capitalista invente uma vacina tríplice que previna contra arrogância, desonestidade e ignorância. Aí é só descongelar o bruto e aplicar a vacina regularmente, pois a doença é incurável.
O artigo é um dos melhores que já li. Estou espalhando entre os amigos e os nem tanto.
Senhores, off topic. O que sabe sobre Christiana? Sociedade anarquista?
Esse artigo nunca poderia ser ‘demonstre apreço pelos industriais’ porque as massas estúpidas quase nunca tem contato com a indústria…
Sem contar que é muito mais fácil obter um desconto ou flexibilização na forma de pagamento sendo gentil com o comerciante. Eu não peço desconto nunca, acho que cada um sabe o quanto vale seu bem que está sendo comercializado, mas fica a dica para quem gosta de pechinchar.
Nao ta muito ligado ao artigo mas olhem essa matéria que sensacional.
midiapublicitaria.com/lego-responde-cartinha-de-uma-forma-incrivel/
Isso simplesmente mostra como o mercado força as empresas a serem compreensíveis e atenderem as vontades do consumidor. Nao é a toa que a LEGO é uma empresa que ta há anos no mercado e é referencia quando o assunto é brinquedos
Desculpa pelo off, nada a ver com o artigo. Me interesso muito pela ideia de livre-comércio. O Instituto Mises possui alguma estratégia para chegar a um mundo de livre-comércio? Vejo que geralmente os ativistas são de esquerda(é o que parece), eles estão sempre correndo atrás de seus ideais. Não vejo muita ação dos libertários de direita.
Como alavancar um movimento em prol do livre-comércio?
Abçs.
Em tempos de internet a profissão de comerciante está ficando bastante dificil. Eu conheço um ex-comerciante que fechou uma loja de roupas esportivas. Ele me disse que não tem como competir com Netshoes com frete grátis. Muitos segmentos de mercado estão morrendo fisicamente e sendo transportados para internet.
Este artigo me lembrou uma frase que ouvi há um tempo atrás:
”O brasileiro é um consumidor exigente e um contribuinte benevolente”. É isso…
Apenas e tão somente este trecho sintetiza o assunto:”lutar contra essa tomada hostil da sociedade pelo estado e por seus burocratas desprezíveis”.
Diante do lupanário que isso aqui se transformou e quando vierem te achacar digam: Vá pra meretriz que deu a Luz!
O consumidor age assim por causa de um tal Código de Defesa do Consumidor que trata as pessoas como bebês e empreendedores como bandidos.
E a cultura do pobrismo que trata lucro como pecado.
Uma outra coisa que eu percebo é que geralmente as pessoas culpam as empresas como se elas fossem as culpadas pela inflação em alguns tipos de produtos, quando na verdade inflação é mais um tipo de imposto causado pela expansão monetária do governo. Da padaria ao supermercado aos preços dos carros: para essas pessoas, tudo é culpa da "ganância". O governo é isento.
O artigo é muito bom, mas deixou de abordar a causa principal desse mal tratamento que é o resultado de décadas de doutrinação esquerdista; a DEMONIZAÇÃO DO LUCRO. É essa doutrinação que causa nos consumidores esse sentimento de estar sempre sendo roubado, e também em boa parte dos empregados, que acabam sendo a peça principal na inviabilização dos empreendimentos. Basta ler o comentário do tal “filósofo” aí para comprovar o lixo que está dentro da cabeça dele e da maioria do povo.
Leandro suponhamos que o Brasil abra sua econômia sem reformar as leis trabalhistas e tributarias e portanto fará com que toda industria quebre em questão de mesês em compensação com produtos importados mais baratos e de qualidade fara com que aumente e muito comercios fazendo talvez um shopping center em cada bairro brasileiro, em termos econômico é benefico visto que consumo não gera riqueza e sim produção?
Realmente, em meio a tanta dificuldade, são herois os que tentam empreender neste país.
No entanto, não se deve esquecer que também estes, particularmente aqui no Brasil (não conheço a realidade de outros povos), abordam os clientes com muitas mentiras e falsas promessas, propagando um sem fim de vantagens que, na verdade, não existem.
Por outro lado, nós, como povo eternamente infantilizado/imbecilizado, que resiste a ver (que dirá assumir) que precisamos ser mais responsáveis por nós mesmos, mantemo-nos como permanentes alienados desse tipo de postura dos comerciantes quando de nossas tratativas de negócio em lojas etc.
Sim, sei que também para ambos os problemas, o livre mercado ajudaria muito a reverter este quadro, não para mudar, mas para refrear tal postura.
Onde acho esse artigo em Inglês?
Confesso que este texto até me emocionou. Sou sócio de uma pequena lanchonete. Bom, apesar de pequena, tem prosperado muito bem! Nos esforçamos muito para entregar ao consumidor os melhores produtos, o melhor atendimento por um preço bem razoável, em uma ambiente agradável.
Vendo o nosso sucesso, um dono de loteria resolveu abrir uma outra lanchonete bem próximo a nossa. Fez uma coisa bem grosseira e está tentando copiar absolutamente tudo que eu demorei um grande tempo pra fazer. Inclusive, tentando subornar nossos funcionários para entregar vários segredos.
Vida de comerciante é assim mesmo! Você luta para fazer o melhor possível. De vez em quando toma porrada de um cliente. O tempo todo toma porrada do governo. Muitos clientes, o governo e a concorrência pensam que você está ganhando rios de dinheiro e tentam copiar/boicotar tudo que você faz, sem saber que a margem de lucro é bem baixa. E, no entanto, atendemos todos os clientes com um sorriso no rosto e grande satisfação por fazer um trabalho bem feito.
Li este texto e entendi como uma bela homenagem aos comerciantes e empreendedores que dedicam suas vidas a servir da melhor maneira possível seus consumidores. É difícil, mas a satisfação do sucesso e trabalho bem feito é grande.
Os brasileiros em geral veem tudo de uma ótica doutrinada; foram ensinados que têm direito a tudo, nenhuma obrigação e que as empresas são malvadas.
* * *
“Você pode até se autointitular “chefe” ou “patrão”, mas no íntimo sabe que isso não representa a realidade. Você é responsável pelos seus empregados, mas não é realmente o patrão. Os patrões são os consumidores, cuja volubilidade e inconstância podem tanto lhe enriquecer quanto destruir seu novo meio de vida — você está completamente à mercê deles.”
Esse parágrafo me lembra muito de Sam Walton: “Existe apenas um chefe, o cliente. E ele pode demitir todos na empresa, desde o presidente, simplesmente gastando o dinheiro em outro lugar.”
Parabéns pelo artigo ao IMB, olha realmente os micro e pequenos empresários são massacrados no mercado pela concorrência desleal e pessoas tolas que não valorizam empreendedorismo; e no Estado gente sangrando essa classe a todo momento e regulamentos que nunca conseguimos cumprir tudo. Os grandes empresários são curiosamente aliados e financiadores de campanhas desde cidades de interior até todos os presidentes de esquerda no Brasil (quase todos).
Cliente mal criado não merece atenção deve mesmo um: “se não quiser tem outras lojas mais adiante”.
Descrição
Entre o final da Segunda Guerra Mundial e meados da década de 1970, a França viveu a era de maior prosperidade da história de seu desenvolvimento capitalista. Isso aconteceu em grande parte devido a uma reformulação de seu modelo social e econômico, com o abandono do liberalismo clássico e a adoção, por meio de um Estado planejador, de uma nova orientação, dirigista, modernizadora e comprometida com uma política de bem-estar social. Este livro procura descrever as linhas gerais da planificação econômica implementada pelo Estado francês a partir de 1946, a qual desempenhou, durante trinta anos, um papel importante na formulação e na realização dessa política de modernização. O objetivo desta publicação é, com base num exemplo histórico relativamente recente, explicar ao público interessado como pode funcionar o dirigismo econômico e a planificação estatal numa economia capitalista.
http://www.amazon.com.br/Capitalismo-planejado-planificação-econômica-Gloriosos-ebook/dp/B08VLG8195/ref=tmm_kin_title_sr?_encoding=UTF8&qid=1646164980&sr=8-1
Alguém tem os argumentos que rebateriam esse livro? Não conheço a história francesa da época
Leandro e Cia, Ja pararam pra pensar que a guerra será a desculpa da inflação continua? Afinal, a guerra causa aumento de preços sem que haja aumento da base monétaria?
A imprensa ja ta batendo nessa narrativa que tudo vai subir por causa de guerra
Porque a histeria com fertilizantes? Vem ka, o produtor Brasileiro não é livre pra comprar de outro país? Que amarra e apego é esse com os russos?
“Anjos enviados por Deus para entregar os sonhos ,para quem sonhou, desejou, pediu e acreditou”
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Comerciantes, intermediários entre quem produz riquezas(produtos ou serviços) e quem consome
Comerciantes são agentes que viabilizam milhares de empregos e a existência de todos que produzem riqueza, produtos ou serviços.
Pessoa que viabiliza o sonho de quem produziu e de quem sonhou com algo, pediu, acreditou…
Será que Estados Unidos, Suíça, Alemanha etc vão despencar nos rankings de liberdade econômica como do Fraser Institute ou Heritage Foundation depois do CONFISCO das propriedades privadas russas por conta das retaliações de guerra, ou esses índices vão provar mais uma vez que só se tratam de uma conta de chegada pra rankear os países mais bem desenvolvidos?
A ver, talvez ele reduzam em .2 ou .3 a nota desses países só pra não ficar muito na cara.
O dinheiro tanto pode vir aos montes como pode vir em quantidades escassas. E, quando ele vem, ele normalmente acaba sendo reinvestido no próprio empreendimento, para que este se mantenha viável. Então, por que as pessoas se arriscam nisso?
Tudo tem a ver com o sonho do sucesso, a esperança de fazer a diferença, de ganhar a vida com a vocação, com a concretização da ambição de servir bem e ser reconhecido por isso. É isso que motiva e guia o empreendedor.
Quanta romantização tosca!
Agora empresário não empreende por dinheiro, mas pelo desejo de "fazer a diferença"
Tá bom!!! E duendes existem!!
Parece propaganda política…. Só que de políticos que defendem e protegem os empresários!!!!
E mesmo os empresários empreendendo pra "servir a sociedade" e nem ligando pro dinheiro pois eles "reinvestem no próprio empreendimento para que este se mantenha saudavel eles estão podres de rico!!!!
De fato, não há porque brigar com o comerciante. Apenas perguntar a ele se é o melhor preço que consegue para aquele produto. Se não estiver satisfeito, procure outro. Se o problema for mau atendimento, idem.
E essa história de dizer: “nossa, que caro” também é bastante discutível. “É caro” em relação ao que, afinal? Se “é caro” em relação ao dinheiro que você tem no bolso, não se pode falar em produto caro, e sim que faltam a você os recursos para adquiri-lo, apenas isso. Quando se tem quatro ou cinco opções de local para comprar o mesmo produto, aí sim, pode-se falar a a respeito de caro ou barato.
Trabalhando com construção civil em uma cidade pequena, tenho que adquirir 95% de todo material para obras fora daqui, simplesmente porque há poucos comércio na cidade e, com pouca concorrência, os preços tendem a ser mais elevados, sem falar que não dispõe de todos os itens que preciso. Isso é lei da oferta e da procura na sua essência. Mas volta e meia é necessário algum material picadinho, que não vale a pena trazer de fora, e aí o comércio local me ajuda. Por isso, nunca fechei a porta para eles nem fiz queixas, dizendo que “é muito caro, desse jeito vocês terão que fechar as portas”, etc, etc. Os caras não são trouxas. Se está sendo negócio para eles trabalhar assim não serei eu sozinho a querer forçar mudanças. Elas virão quando tiverem que vir.