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A taxa SELIC – o que é, como funciona e outras considerações (Parte 2)

No artigo anterior explicamos todo o mecanismo de determinação da
SELIC.  Alguns leitores mandaram e-mails
pedindo explicações mais detalhadas sobre o que é CDI, Fundos DI, Renda Fixa e
a relação que a SELIC tem com tudo isso.   

Uma ótima oportunidade para explicar alguns
detalhes adicionais do mercado interbancário, bem como as consequências
práticas que tudo isso gera pra você, usuário do sistema bancário.

Os CDIs

Como explicado anteriormente, os
bancos utilizam o mercado interbancário para manter suas reservas em níveis
determinados pelo governo.  Nesse
processo, os bancos fazem empréstimos entre si utilizando títulos públicos como
colateral.

Entretanto, uma dúvida pode surgir: se
esses empréstimos têm a duração máxima de 1 dia, determinada por lei, o que
acontece quando um banco precisa de empréstimos por mais de 1 dia? Mais ainda:
e se, no extremo, um banco estiver precisando de um empréstimo interbancário,
mas estiver sem títulos públicos?  Seria
ele obrigado a recorrer ao redesconto?

Nesses casos – e não apenas nesses
casos, mas a todo momento – os bancos podem emitir um Certificado de Depósito
Interbancário (CDI).  Um CDI nada mais é
que um título que um banco lança com o intuito de levantar dinheiro para suas
necessidades.  Nesse caso, enfatiza-se,
não se trata de um título do Tesouro; trata-se de um título privado.  E esses títulos têm a vantagem de permitir
prazos de empréstimos interbancários mais dilatados.

E daí? 
Isso é importante?

Importante, é.  Aliás, muito importante.  Porém, como veremos mais abaixo, não muda
praticamente nada do raciocínio que foi desenvolvido até aqui.

Fundos DI e Renda Fixa

Quando você deposita seu dinheiro no
banco, você pode destiná-lo à caderneta de poupança, a um fundo de Renda Fixa
ou aos Fundos DI.

A poupança não mexe com títulos de
qualquer espécie.  Seus juros são
determinados pelo governo.  Via de regra,
a remuneração é de 0,5% ao mês mais a variação de um índice chamado TR (Taxa
Referencial), que por sua vez é calculada a partir da SELIC.   Pouparei o leitor da chateação dos cálculos,
até porque são desimportantes.  O que
deve ser entendido é que a poupança tem renda determinada pelo governo e não
envolve aplicação em títulos.

Um fundo de Renda Fixa investe em
títulos públicos com taxas pré-fixadas, como as LTNs e as NTNs.  (Ele também investe em títulos privados, seja
de bancos ou empresas, mas isso agora não vem ao caso).

Já os Fundo DI (DI
significa Depósitos Interfinanceiros) aplicam a maior parte do seu patrimônio
em títulos públicos com taxa pós-fixada, como as LFT.

E qual a relação
entre SELIC, CDI, Renda Fixa e Fundos DI?

Bom, sabemos que a
SELIC é a taxa de juros no mercado interbancário resultante de operações
envolvendo títulos públicos.  Já as
operações envolvendo CDIs resultam na taxa conhecida como CDI overnight – ou CDI over.  A operação é
exatamente a mesma (mercado interbancário), só que com títulos privados (nesse
caso, títulos emitidos pelos próprios bancos). 
Ademais, o cálculo da taxa se baseia nas operações realizadas entre instituições de
conglomerados diferentes (Extra-Grupo: bancos de redes diferentes),
desprezando-se as demais (Intra-Grupo: bancos da mesma rede).

Grosso modo, pode-se dizer que a SELIC
= CDI + um spread mínimo.  E como você pode ver nessa tabela do Banco
Central
, a diferença entre ambas dificilmente é superior a 0,04 ponto
percentual.  Ou seja: a taxa SELIC é
praticamente idêntica à CDI. 

Entretanto, é a taxa CDI que serve de
referência para a remuneração dos fundos DI e fundos de Renda Fixa; ela é o parâmetro
para avaliar a rentabilidade desses fundos.

Traduzindo tudo: enquanto a SELIC é
taxa de juros utilizada pelo Banco Central para gerenciar toda a economia (o
Banco Central nada mais é do que uma agência de planejamento econômico, uma
autêntica GOSPLAN), a taxa CDI é utilizada pelos fundos de investimento dos
bancos para aferir a rentabilidade de suas carteiras.  A SELIC é resultado das operações com títulos
do governo; a CDI é resultado da negociação entre os bancos.  E como o Banco Central pode interferir na
primeira, a consequência prática é que a segunda está diretamente relacionada à
primeira.  Ao fim e ao cabo, ambas são
praticamente iguais.

Toda essa bagunça foi apenas para
esclarecer que a CDI serve, no economês, como benchmark (referência) para os fundos DI e Renda Fixa.  Um gestor de fundos opera de olho na CDI, e
não necessariamente na SELIC.  Só que a
CDI, por sua vez, tende a ser igual à SELIC. 
Confuso?  Bom, em defesa do
Instituto Mises Brasil, jamais dissemos que o atual sistema financeiro,
totalmente baseado no intervencionismo estatal puro e no papel-moeda
fiduciário, fazia algum sentido.

Você e o Sistema Bancário

Superados todos esses tecnicismos
chatos, vamos para a parte prática.

Suponha que os planejadores econômicos
do Banco Central decidam que a economia está muito aquecida e que os riscos
inflacionários são altos (o fato de que a inflação generalizada é algo que só
pode ocorrer por causa do próprio banco central, que tem o monopólio da emissão
monetária, e que, portanto, o banco central se auto-intitular o guardião da
moeda é um paradoxo monstruoso, é algo que não será mencionado aqui em momento
algum, por pura pudicícia).

Os planejadores centrais irão então se
reunir no Conselho de Política Monetária (COPOM) para fazer o ajuste fino na
economia (o fato de que isso é idêntico ao que se fazia na URSS também não será
mencionado aqui, por uma questão de delicadeza).  Após rodarem seus modelos econométricos – e
jurar que ali estão incluídas todas as variáveis importantes da economia -, os
clarividentes irão determinar, através de uma votação estilo “levanta a mão!”,
em quanto os juros deverão ser aumentados.

Decidida a nova taxa, o Banco Central
irá, no dia seguinte, fazer as operações de mercado aberto (open market) necessárias para atingir
essa nova SELIC.  Como a decisão foi pelo
aumento dos juros, então o BC irá vender títulos
públicos.  Ao fazer isso, as reservas
bancárias diminuem e os preços dos títulos caem.  Você pode interpretar essa queda dos preços
dos títulos de duas formas: aumento da oferta de títulos e/ou diminuição da
quantidade de dinheiro para comprá-los.

Como os bancos agora têm menos
reservas, os juros do mercado interbancário (tanto para títulos públicos quanto
para CDIs) irão subir.  Isso faz com que
os bancos tenham menos dinheiro disponível para empréstimos para pessoa física
e jurídica, o que causa um aumento dos juros para esta modalidade de
empréstimo.

Na prática, ocorre o seguinte: como os
bancos são meros intermediadores financeiros, eles não investem dinheiro
próprio (afinal, o dinheiro, na teoria, é seu e não deles).  Logo, quando ocorre um aumento da SELIC – o
que significa que o Banco Central está vendendo títulos -, os bancos comerciais
irão, obviamente, comprar estes títulos com o seu dinheiro que foi lá
depositado.  O dinheiro irá para o Banco
Central e lá será “deletado” (lembre-se que nessas operações ocorre uma redução
do nível das reservas compulsórias). 
Portanto, houve uma diminuição da quantidade de dinheiro na economia.

Com menos dinheiro no sistema, os
bancos que lançam seus CDIs para conseguir dinheiro também têm de pagar juros
mais altos sobre eles.  O dinheiro que
esses bancos arrecadam ao lançar seus CDIs também será emprestado para a
economia real a um preço (juro) maior. 
Dessa forma, um aumento da taxa básica de juros pelo Banco Central
aumenta os juros de toda a economia.

Até aqui, nada de novo.

Mas e você que tem conta em
banco?  Como isso lhe afeta?

Bom, esses títulos públicos que agora
estão em posse dos bancos, passarão a ser comercializados entre si no mercado
interbancário, ao lado também dos CDIs. 
Os juros a que eles (títulos públicos e CDIs) serão emprestados no
interbancário será agora maior.

Se você tiver dinheiro aplicado em Fundos DI, um aumento da
SELIC ser-lhe-á extremamente benéfico. 
Afinal, fundos DI investem maciçamente em LFTs, que são títulos públicos
pós-fixados e que variam de acordo com a SELIC. 
Se você tiver dinheiro aplicado em Renda Fixa, o preço dos seus papéis caiu (como
explicado no artigo anterior: juros sobem, preços dos títulos caem).  Diz-se, nesse caso, que houve uma perda de
riqueza para os proprietários desses títulos – afinal, o preço de seus ativos
caiu.  Porém, não houve uma perda de
renda, já que os juros são pré-fixados e pagos pelo Tesouro.  Se você comprar
esses papeis, você terá com eles um rendimento maior do que terão aquelas
pessoas que os possuíam antes da alteração dos juros (afinal, os juros pagos
pelo Tesouro são constantes, mas você comprou o papel por um preço menor).  Se você não
vender esses papeis, sua renda não será afetada, embora sua riqueza tenha, sim,
diminuído.

Isso significa que, ao contrário do
que dizem, um aumento dos juros não necessariamente favorece aqueles a quem
Ciro Gomes chama de “rentistas”.  O
aumento dos juros irá favorecer apenas (1) quem possui LFTs, (2) quem possui
aplicações na caderneta de poupança, e (3) aqueles que comprarem esses papeis
no mercado secundário, agora a um preço menor.

Todo o resto ou fica na mesma ou
perde.  (Quando ocorre uma diminuição dos
juros, o efeito é exatamente inverso).

Com isso, agora podemos entender
por que as políticas monetárias anteriores ao Real jamais funcionavam no
Brasil.  Naquela época, a maior parte de
dívida pública estava na forma de LFTs, que pagam juros de acordo com a SELIC.  Assim, quando a SELIC aumentava, os
portadores desses títulos obtinham um amento imediato de renda, o que gerava o
efeito oposto daquele tencionado pelo aumento dos juros, que era o de contrair
a demanda.  Da mesma forma, ganhavam
aqueles que tinham aplicações na caderneta de poupança.  Ou seja, no Brasil, uma política monetária
teoricamente restritiva acabava gerando um aumento na demanda.  E mais engraçado ainda: um aumento nos juros
levava a um aumento da oferta monetária, por causa do pagamento das LFTs.  (Mais detalhes sobre esse lúgubre período
brasileiro aqui).

A Explicação Acadêmica

Faço aqui um pequeno paralelo apenas
para explicar como a Academia explica o efeito dos juros sobre a economia.  A explicação dada acima é aquela que, a nosso
ver, é a mais sensata.  Porém, os
universitários gostam de embromar um pouco, e sempre criam explicações mais
convolutas sobre como o mecanismo da manipulação dos juros afeta toda a
economia.  É mais ou menos assim.

Quando o BC eleva a SELIC (que é uma
taxa de juros de curto prazo), isso induz as pessoas e as empresas a venderem
seus títulos públicos de longo prazo para comprarem títulos de curto prazo
(isso chama-se arbitragem).  Essa fuga
dos títulos de longo prazo faz com que seus preços caiam e seus juros subam.  Como os preços desses títulos caíram, há uma
perda de riqueza para os proprietários desses títulos.

É aí que entram em cena as teorias de
Modigliani, Brumberg e Friedman.  Essas
teorias dizem que os gastos de consumo dependem tanto da renda proporcionada
pelo capital humano (renda do trabalho) quanto da renda proporcionada pelo
estoque de riqueza não-humana.  Assim, se
o indivíduo fica mais rico porque o valor de mercado de sua riqueza não-humana
aumentou, então ele vai consumir mais. 
Se sua riqueza não-humana diminuiu, então ele irá consumir menos.

Portanto, quando o BC aumenta a SELIC,
a arbitragem dos agentes econômicos faz com que os juros de longo prazo também
subam.  Isso irá não só provocar uma
queda na demanda de investimentos, estoques e bens duráveis – como casas e
automóveis -, como também irá provocar uma perda de riqueza para os
proprietários da dívida pública.  E essa
perda de riqueza faz com que os gastos sejam contraídos.

É um tanto difícil crer nessa última
parte por dois motivos:

1) As pessoas – tanto físicas quanto
jurídicas – apenas depositam seu dinheiro no banco; elas não raciocinam que,
“ah, se os juros subiram, os títulos nos quais estou investido tiveram uma
queda de preço, o que significa que estou mais pobre”.  Não.  A
maioria se mantém nos títulos públicos como forma de poupança, e não para fins
de especulação diária. 

2) Aquelas que praticam especulação
diária com títulos públicos – e que, logo, raciocinam da forma acadêmica – não
compõem de modo algum o grosso do setor produtor e/ou consumidor da economia,
de forma que suas ações dificilmente gerariam grandes impactos macroeconômicos,
como pretende a teoria.

Enfim, esse tópico foi apenas para
mostrar como a academia explica o mecanismo de influência da taxa básica de
juros.

Por Que os Juros São Altos no Brasil?

A pergunta que ninguém, e ao mesmo
tempo todo mundo, responde.

Até agora estivemos trabalhando com as
taxas de juros do mercado interbancário, a SELIC, que atualmente está em 8,65%
(a meta é de 8,75%) ao ano.

Porém, isso quase nada significa
quando se sabe que as taxas de juros para pessoa física estão em 130,58% ao ano
e para pessoa jurídica, 61,22% ao ano (dados de julho).

Também se observa constantemente que,
quando a SELIC cai, as outras taxas de juros caem numa proporção muito
menor.  Ou seja, a SELIC praticamente
pouco influencia as outras taxas de juros da economia, que são as que realmente
importam.  Por que isso ocorre?

Existem várias explicações, porém as
mais plausíveis são:

1) Pouca concorrência no setor bancário.  As regulamentações criadas pelo próprio Banco
Central impedem o fácil estabelecimento de novas redes bancárias, que trariam
mais concorrência para os grandes bancos já estabelecidos.  Como todo cartel, o sistema bancário também é
um cartel que se sustenta apenas por causa do estado.  Os bancos, ao contrário do que se diz, adoram
ser controlados e regulados pelo Banco Central, pois é este quem lhes protege
de qualquer possibilidade de concorrência.

2) Judiciário leniente com o devedor
No Brasil parece valer a máxima “devo, não pago; nego enquanto
puder”.  O calote virou uma instituição
protegida judicialmente, pois aqui se segue a filosofia marxista de que o
credor é um ente espoliativo e malvado e o devedor é o coitado desinformado que
contraiu uma dívida involuntariamente. 
Sendo assim, por uma questão de ‘justiça social’, deve-se manter o
credor despido de suas posses e o devedor no pleno gozo delas.  Parece que é preciso ter um Ph.D em
sociologia para não perceber que esse arranjo corresponde a um roubo, pura e
simplesmente.  A solução mais prática e
viável – e que justamente por isso ninguém quer adotar – é permitir a alienação
fiduciária (ou reintegração de posse) em todas as modalidades de
empréstimos.  Atualmente ela existe para
o financiamento de carros.  E, não por
coincidência, trata-se um mercado em que juros são dos mais baixos.  Não é algo difícil de entender.  Se A empresta seu dinheiro (sua propriedade)
para B, que utiliza esse dinheiro para comprar um apartamento e não devolve a A
o valor combinado, então B roubou A.  E
se o apartamento comprado por B foi comprado com a propriedade de A, então A é
o dono legal desse apartamento.  A tem o
direito de tomá-lo quando quiser.  E é
isso que a justiça brasileira não permite. 
Munido de um bom advogado, B pode tranquilamente usufruir uma boa
cobertura em Ipanema utilizando a propriedade de A – tudo em nome da justiça
social.

(Nos EUA existe a profissão do Repo Man, que é o sujeito contratado
para reaver os bens não pagos.  Esse vídeo mostra um Repo Man em ação, recuperando um carro
cujo empréstimo não foi pago.  O vídeo é
de fato violento, mas é preciso ter em mente que o carro não era legalmente da
mulher, pois ela não pagou por ele.  Logo,
era a mulher a ladra da história).

3) Governo.  O maior devedor da
economia brasileiro é o estado.  Como ele
não consegue financiar todas as suas atividades meramente por meio da
arrecadação de impostos, ele precisa recorrer aos empréstimos bancários.  (No primeiro artigo
explicamos o processo de lançamento de títulos pelo Tesouro).  E como o Tesouro faz isso com constância, os
bancos direcionam boa parte do depósito de seus clientes para a compra desses
títulos.  Logo, o dinheiro que poderia ir
para o setor produtivo na forma de crédito, acaba sendo sugado para o setor não
produtivo na forma de empréstimos que serão pagos via impostos ou via mais
empréstimos.  Ou seja: o governo se
endivida para pagar dívidas antigas (o que se chama ‘rolar a dívida’).  Com um estado tão inchado e glutão, é
realmente difícil sobrar dinheiro para o setor produtivo da economia.  O pouco que sobra é encarecido tanto pela lei
da oferta e demanda quanto pelos dois itens acima.  Aí fica difícil.

Ah, sim, o leitor mais atento
provavelmente já concluiu o óbvio: se não existissem títulos públicos, isto é,
se o governo não se endividasse, não haveria como o Banco Central fazer
política monetária.  Não haveria como o
Banco Central estipular juros.  Não
haveria como o Banco Central planejar a economia.  Os bancos comerciais teriam de concorrer
entre si para fornecer empréstimos ao setor produtivo da economia.  Somente assim eles conseguiriam obter algum
lucro.  Atualmente eles não precisam
recorrer a essa faina inglória, pois podem apenas aplicar em títulos públicos
(100% seguros, garantidos pelo governo) e acender o charuto.  Os juros para pessoas físicas e jurídicas
inevitavelmente seriam menores.  Haveria,
enfim, um genuíno livre mercado.

Concluindo

No próximo texto (e eu juro ao bondoso
leitor que será o último da série), terminada a parte técnica, vamos discutir a
polêmica questão do “nível da SELIC”. 
Ela é alta?  Sempre foi?  Tinha como não ser?  Uma política monetária austera realmente
exige juros altos ou é possível ter juros baixos e pouca inflação de
preços?  Trata-se do debate infindável entre keynesianos, monetaristas e
austríacos.

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100 comentários em “A taxa SELIC – o que é, como funciona e outras considerações (Parte 2)”

  1. “O maior credor da economia brasileiro é o estado. “\n\n.\n\nnão seria devedor? rs…\n.\n\nvocê não acha que o prêmio inflacionário seria mais um motivo para a alta do juros no mercado de empréstimos?

  2. Ooops! Valeu pelo puxão de orelhas. Troquei infantilmente as palavras. Já corrigi. Quanto ao prêmio inflacionário, ele dificilmente seria o responsável por elevar tanto os juros (reais) na economia atual. Antigamente, de fato a inflação era um fator preponderante. Hoje, de jeito nenhum. Mas essa questão será abordada em maiores detalhes no ultimo artigo da série. Abraços!

  3. Uilson de Jesus Carvalho

    Caro Leandro e amigos.
    Se o maior credor brasileiro é o estado, significa que a maior parte da poupança é direcionada por critérios politicos para quem tem melhores relações com o mundo político E SUAS DIRETRIZES, já que o estado quando quer comprar produtos e serviços é forçado a chamar o setor privado pois só aí podem haver preços (Mises) e não para o mercado aberto de capitais, pois os bancos aparentemente privados são todos paraestatais, ao lado dos bancos estatais e, na prática o que temos é um capitalismo de estado e não de mercado; isto significa restrição à pessoa comum ter acesso a este mercado em muito maior escala. Salvo melhor juízo Leandro faz sentido o que digo ?
    Um abraço e muito obrigado pelo comentário.

  4. Faz perfeito sentido, Uilson! É exatamente isso. Só gostaria de ressaltar a correção já apontada pelo Rafael: o estado é o maior DEVEDOR brasileiro, e não credor. Nós somos os credores dele.

  5. Sensacional Leandro. Sarcasmo e didática fazem uma ótima dupla na sua escrita. Recém saido da academia, fica difícil saber se existe uma escola que de fato abarque todas as minhas opiniões economicas. Confesso que tendo para o lado Keynesiano pois nenhum austriaco conseguiu me demover da crença que o mercado não é perfeito (ao menos para o objetivo que ele se deveria prestar que é o de vivermos todos melhor). De qualquer forma, parabéns pela provocação vigorosa ( assino em baixo de quase todos os pontos).
    Para finalizar, uma pequena ultima correção: CDI = Selic + Spread Minimo, e não o contrário uma vez que o papel dos bancos oferece mais risco que o do governo, e por tanto demanda um premio maior.

  6. HJ, tudo o mais constante, a tendência é que haja uma grande expansão da oferta monetária, principalmente do agregado monetário M1 (no caso, um aumento dos depósitos em conta-corrente), podendo gerar inflação descontrolada e, principalmente, uma acentuação dos ciclos econômicos.

    Já num ambiente ideal – isto é, sem banco central e sem seguros governamentais para as contas-correntes -, a redução (ou mesmo abolição) do compulsório dificilmente geraria essa tendência expansionista.

    Afinal,

    1) Os bancos não poderiam ser temerários pois não haveria um BC para salvá-los quando se tornassem insolventes.

    2) E, além de não terem um BC a quem recorrer, não haveria também o sistema estatal de garantia dos depósitos para restituir os clientes que ficaram sem seu dinheiro (que os bancos queimaram em suas aventuras) – sistema esse que estimula o risco moral.

    Portanto, em um sistema sem a proteção do banco central e sem a proteção do governo aos depósitos – e obviamente com segurança jurídica -, esquemas como o compulsório não seriam vigorosamente necessários como são hoje.

    Ou seja, o compulsório é uma intervenção estatal criada justamente para corrigir outra distorção que é incentivada e protegida pelo próprio estado, a saber, o sistema de reservas fracionárias.

    Vale lembrar que na Suíça, por exemplo, país onde há leis e cujo banco central tem fama de durão, o compulsório é de míseros 2,5%, e mesmo assim os bancos não fazem gracinhas – pois sabem que, se fizerem, pagarão por isso.

  7. Se a SELIC no Brasil foi aumentada ou mantida ao longo dos últimos meses, porque a base monetária e os meios de pagamentos tiveram alta?

  8. Que espetaculo de artigo Leandro!!

    Fiquei com uma duvida…essa injeção monetária “emergencial” afim de evitar que a selic suba em função desse boom artificial, se dá atraves do aumento de moeda escritural (compra de titulos do tesouro por parte do BC) ou expansão de M1 propriamente dita?

    E a parte 3 não saiu ou eu não a encontrei?

    abraços!!!

  9. Leando, descobri o site há pouco tempo, e divulguei a vários amigos. Acabei de ler em seqüência seus dois artigos sobre a SELIC, e achei excelentes, no entanto, não estou conseguindo encontrar o terceiro. Ele ainda está em elaboração?\r
    \r
    Parabéns e abraços!

  10. Leandro, uma dúvida.
    Você disse que o BC injeta dinheiro no interbancário comprando títulos com dinheiro gerado artificialmente, mas, para que os bancos tivessem em mãos estes títulos em primeiro lugar, eles não tiveram que comprá-los com o “próprio”(nosso) dinheiro? Não estaria o BC apenas devolvendo (com valorização) este dinheiro aos bancos?

  11. Leandro, por que estão falando que agora que a selic está em 9%, a poupança está mais atraente que a renda fixa? A renda fixa não tem juros pré-fixados?

  12. Excelente artigo, Leandro!

    Gostaria apenas de pedir que você desenvolvesse a ideia posta no final do artigo:
    “…se não existissem títulos públicos, isto é, se o governo não se endividasse, não haveria como o Banco Central fazer política monetária. “

    O BC não poderia fazer política monetária via operações com quaisquer outros ativos emitidos por outras instituições? Por exemplo, via operações com CDI’s ou mesmo ações.

    Valeu!
    Abraços.

  13. Leandro, sou um completo leigo que gostaria de entender mais sobre o assunto. Algo deve ter me escapado nos artigos, então perdoe-me pelas perguntas abaixo.
    Beleza, a SELIC é a taxa de juros aplicada no mercado interbancário (mercado utilizado pelos bancos para fazerem suas compensações e manterem o compulsório no percentual estipulado pelo BACEN). Mas e daí? Qual o impacto disto na economia como um todo? Depois de explicada a SELIC, você disse isto:

    “Até agora estivemos trabalhando com as taxas de juros do mercado interbancário, a SELIC, que atualmente está em 8,65% (a meta é de 8,75%) ao ano.

    Porém, isso quase nada significa quando se sabe que as taxas de juros para pessoa física estão em 130,58% ao ano e para pessoa jurídica, 61,22% ao ano (dados de julho).

    Também se observa constantemente que, quando a SELIC cai, as outras taxas de juros caem numa proporção muito menor. Ou seja, a SELIC praticamente pouco influencia as outras taxas de juros da economia, que são as que realmente importam.”

    Se a SELIC pouco influencia as outras taxas de juros da economia, então por que se dá tanta importância à SELIC? Por que é um oba-oba quando o BACEN aumenta ou reduz a meta da SELIC? A propósito, qual o efeito prático de o BACEN aumentar ou baixar a SELIC? Injetar mais ou menos dinheiro na economia?

  14. Excelentes artigos! Parabéns!!! Estava há muito tempo tentando entender o mecanismo que o governo usa na economia. Agora, finalmente, consegui entender!!!

  15. Lenadro, sou um leigo no assunto de economia, mas gostaria de entender melhor dois pontos:

    1 – quanto as poupanças, talvez possa me indicar um artigo que tenha esta informação, ela é usada diretamente pelo estado? Se abrir uma conta poupança num banco, o mesmo tira qual ‘vantagem’ sobre ela? Já que existe um retorno no investimento, de onde sai esse retorno?

    2 – Quando você fala

    ‘se não existissem títulos públicos, isto é, se o governo não se endividasse, não haveria como o Banco Central fazer política monetária. Não haveria como o Banco Central planejar a economia. Os bancos comerciais teriam de concorrer entre si para fornecer empréstimos ao setor produtivo da economia. ‘

    pelo que entendi até agora, o dinheiro é exatamente criado da dívida pública, e lastreado pela mesma, se não houvesse dívida pública, o dinheiro não iria ‘desaparecer’ causando enorme caos a economia nacional?

  16. Leandro,

    Primeiramente, gostaria de parabenizá-lo (e toda a equipe do IMB) pelo excelente trabalho. Graças a este site, passei a compreender melhor a economia e mudar os conceitos antigos que professores de ensino médio e universitário martelaram na minha cabeça ao longo dos anos. Ao mesmo tempo, passei a questionar muito dos ‘indicadores’ da economia.

    Justamente sobre isso, tenho um questionamento. É sobre o conceito de renda ou salário “real”. Muitas vezes eu vejo nos jornais, matérias dizendo que a renda real de um determinado país aumentou X%¨ao longo dos anos.

    Por renda real, se entende o aumento da renda descontada a inflação de preços no período certo? Pois bem, se um governo ditatorial resolver congelar preços* ao mesmo tempo que aumenta o salário mínimo e benefícios assitenciais, a inflação de preços vai ser 0% (de acordo com índices oficiais, obviamente), de forma que a renda “real” vai ter aumentado, e muito, no mesmo período. No entanto, devido aos problemas causados por controle/congelamento de preços, analisados por Mises no “Uma crítica ao intervencionismo” e “Ação Humana” (além dos vários artigos aqui do site), a quantidade de bens e serviços a disposição na economia vai CAIR. Ou seja, as pessoas vão acabar ficando mais pobres, já que não vão poder adquirir nenhum bem com seu dinheiro (ou menos bens que antes).

    Assim, enquanto pelo critério da dita renda “real”, a população está mais rica, ela estará, de fato, muito mais pobre. Nesse caso, este número, que indicaria o enriquecimento do povo, seriam mera balela não, já que ele só compara preços e salários, sem levar em consideração um racionamento de bens, não? Ou o meu raciocínio está completamente equivocado?

    Desde já agradeço.

    *além de congelar preços, controlará o câmbio, proibirá – da melhor forma possível – o mercado negro, etc…

  17. Em um sistema bancário 100% livre (sem BC):

    1) Os bancos continuariam com suas reservas fracionárias? Haveria algum lastro ao invés de títulos públicos?

    2) No caso de falência, os correntistas perderiam tudo, já que não haveria BC para socorrer, ou há algum outro instrumento?

    Obs.: cadê o Nobel de Economia? Cada artigo me surpreende mais.

  18. Leandro, não me canso de ser grato a vocês por ter acesso a tanto conhecimento. Sou advogado e após passar a freqüentar este think tank passei a ficar pasmo vendo o meio jurídico encher a boca para explanar conclusões cujo fundamento maior é a crença de que o que está nessa nossa Constituição intervencionista ao extremo existe, e que se existe é porque é possível, como direito a receber do estado saúde grátis, educação grátis, casa, comida, roupa lavada etc.

    Mas a minha dúvida é sobre outra coisa: Você pode me dizer, por favor, de que forma, especificamente, entra e sai o capital internacional (o volúvel, não de investimentos) no país? Comprando diretamente do Tesouro no mercado primário? Ou apenas (ou também) no mercado secundário? Ou há alguma via específica para ele?

  19. Leandro estive comparando a série histórica dos rendimentos do CDI com a SELIC,e vi que houveram épocas de alternância entre o valor dessas 2 taxas (em um momento o CDI era maior e no outro era menor).Como poderia explicar essas alternâncias?

  20. Augusto Guelli Ulson de Souza

    Leandro,

    Parabéns! Ótimos artigos. Você foi muito didático, direto, exemplificando sempre que necessário, excelente.

    Pelo o que eu compreendi o governo financia seu custo excedente com emissão de títulos do tesouro. Não seria mais eficiente o governo custear os custos excedentes com a emissão de mais papel-moeda, e controlar a expansão da base monetária com o aumento do depósito compulsório dos bancos?

  21. Leandro, pensando num cenário hipotético a seguir:

    Suponha que o Banco Central, por alguma razão, pare de injetar liquidez no mercado interbancário, mas mantém a SELIC da remuneração para os títulos do governo fixa.

    Provavelmente a CDI irá se descolar da SELIC, correto? Quais as consequências desse descolamento para governo e bancos?

    Pela lógica, títulos do governo seriam menos atrativos do que os títulos privados, o que acabaria com a disposição dos bancos em financiar os gastos governamentais.

    Só isso é suficiente para entender que jamais veríamos isso na prática, mas como exercício mental, existe alguma outra consequência?

    Grato.

  22. Excelente série de artigos… Cadê a parte 3??? =)

    Só discordo que o BACEN não teria como intervir na oferta de moeda caso o tesouro não emitisse títulos… Ele poderia ainda fazê-lo alterando a taxa do redesconto, a porcentagem de depósitos compulsórios, comprando e vendendo divisas, dentre outros.

  23. Leandro, uma outra dúvida que pipocou aqui faz um tempinho e me lembrei de perguntar hoje ao reler este grande artigo:

    Sendo a SELIC teoricamente a taxa “livre de riscos” da economia brasileira, por que por diversas vezes a taxa DI é ligeiramente menor que a SELIC? Seria esse um indicativo de que o sistema bancário brasileiro é mais confiável que o próprio governo? Ou existe algum outro componente além do risco que justifica essa diferença?

  24. Olá Leandro

    Bom, tenho umas duvidas, espero não estar repetindo informações obvias já esclarecidas nos dois textos.

    Bom, o BC equilibra a produção de credito na economia por meio da compra e venda de títulos no setor secundário, o que justifica a demanda e oferta desses títulos? Digo, porque o banco gostaria de compra-lós, sendo que isso diminui consequente seus estoques e suas ofertas de credito?
    Eu não entendi qual tipo de investimento para o banco é mais atrativo, os títulos públicos ou credito para PFs e PJs? E porque a taxa de credito da segunda opção não é abalada pela taxa selic? O BC não tenta por meio dela aumentar e diminuir credito na praça? Aumentando a taxa ele não iria frear o consumo(como explicado pela teoria dos universitários)?Se ele não consegue para que ela serve?

    Obrigado.

  25. Entendi Leandro, muito obrigado!

    Sobre a parte da minha pergunta onde escrevo: “E porque a taxa de credito da segunda opção não é abalada pela taxa selic?”

    Eu me referia a esse parágrafo no texto:

    “Também se observa constantemente que, quando a SELIC cai, as outras taxas de juros caem numa proporção muito menor. Ou seja, a SELIC praticamente pouco influencia as outras taxas de juros da economia, que são as que realmente importam. Por que isso ocorre?”

    O que eu havia entendido era que a SELIC na prática pouco influência as taxas para PFs e PJs.

  26. Felipe Ruppenthal

    Leandro, muito bom seus dois artigos sobre a SELIC, parabéns. Não encontrei a parte 3, ela foi feita? você poderia me encaminhar?
    Obrigado

  27. “No próximo texto (e eu juro ao bondoso leitor que será o último da série), terminada a parte técnica, vamos discutir a polêmica questão do “nível da SELIC”. Ela é alta? Sempre foi? Tinha como não ser? Uma política monetária austera realmente exige juros altos ou é possível ter juros baixos e pouca inflação de preços? Trata-se do debate infindável entre keynesianos, monetaristas e austríacos.”

    Onde este próximo texto, tentei encontrar mas não achei.

  28. Sobre o texto, algumas considerações:

    "as reservas desse banco aumentaram, o que o permitirá conceder empréstimos a juros menores no mercado interbancário "

    …ou permitirá que eles emprestem mais dinheiro cobrando a mesma taxa. Provavelmente o que ocorre no Brasil, o que explicaria o fato de o spread brasileiro ser tão alto

    "um aumento da oferta monetária levou a um aumento dos preços dos títulos, o que gerou uma queda dos juros".

    Isso não é queda de juros. É deságio, porque quem compra no mercado secundário vai pagar mais caro pelo título e os juros são sobre o valor original.

    "Quando o Tesouro emite um título, com um dado juro de cupom e um dado prazo de vencimento (ambos definidos pelo Tesouro), os bancos irão comprá-lo pelo preço determinado pela lei da oferta e procura (trata-se de um leilão)."

    Difícil saber até que ponto a lei da oferta e da procura se aplica num leilão com um ofertante e os doze únicos compradores autorizados pelo banco central a operar no mercado primário. Fica difícil não imaginar que eles possam acordar entre si de não comprar abaixo de determinada taxa…

  29. Alexandre Nascentes Schmitt

    “E mais engraçado ainda: um aumento nos juros levava a um aumento da oferta monetária, por causa do pagamento das LFTs”

    Mas não funciona assim até hoje?

  30. Fabio Anderaos de Araujo

    Eu quero parabenizar Leandro Roque pela excelente explicação sobre a taxa Selic em seus dois artigos. Se investidores pessoas físicas, gestores de fundos, gerentes financeiros etc lessem esses dois artigos haveria maior racionalidade nos seus investimentos no mercado financeiro. Considero leitura obrigatória.

  31. Nilson Gomes de Oliveira

    Quero obter o livro em PDF do Lucas Berlanza. Tenho feito uma busca na internet, mas não consigo encontrar. De qualquer modo, o meu espectro político é totalmente oposto ao defendido aqui. Posto isso, tenho feito um trabalho no campo de estudos da Nova Direita, e a dinâmica deste fenômeno político na conjuntura política nacional. Se podermos obter um diálogo por outros canais, seria uma ótima oportunidade para exercitar um debate democrático plural , garantindo o contraditório político.

  32. É incrível o dom que o Leandro tem para escrever. Eu fico admirado com a facilidade que ele tem para explanar assuntos complexos de forma sintetizada e clara.

  33. “No próximo texto (e eu juro ao bondoso leitor que será o último da série), terminada a parte técnica, vamos discutir a polêmica questão do “nível da SELIC”. Ela é alta? Sempre foi? Tinha como não ser? Uma política monetária austera realmente exige juros altos ou é possível ter juros baixos e pouca inflação de preços? Trata-se do debate infindável entre keynesianos, monetaristas e austríacos.”

    Leandro, que artigo seria esse? Você chegou a publicá-lo?

  34. Quando uma pessoa física resgata seu investimento em renda fixa, considerando que esse fundo está atrelado a títulos públicos federais, os títulos também são vendidos no mercado secundário ? O Bacen também monetiza esses títulos ? Assim, se todas as aplicações em renda fixa fossem resgatadas num mesmo momento, o Bacen monetizaria todo o M3 em um mesmo instante? e por fim , o Bacen pode imprimir dinheiro pra quitar despesas do governo (ex: despesas extraordinárias da pandemia)?

  35. 1) Esses títulos estão em posse dos bancos e são remunerados pelo Tesouro.

    2) Em épocas normais, o BCB não pode comprar títulos diretamente do Tesouro, mas o processo ocorre indiretamente. As instituições financeiras rotuladas como Dealers Primários compram títulos do Tesouro no mercado primário. Ato contínuo, o BC compra títulos em posse dessas instituições por meio de suas operações de open market, de modo a manter os juros constantes. Ou seja, houve aumento da quantidade de dinheiro na economia. O BC cumpriu uma de duas funções salutares: financiar o déficit público.

    Mas você citou a pandemia:
    https://mises.org.br/article/3239/a-pec-do-orcamento-de-guerra-e-a-bazuca-do-banco-central
    (Impressão de moeda para comprar ativo em posse de investidor).

    As respostas se entrelaçam. Espero ter entendido a pergunta e sanado alguma dúvida.

  36. Imperion/Pedro

    No artigo da Selic restringe-se o mercado secundário de títulos apenas as operações para atingir o valor de reservas bancárias que é necessário. Minha dúvida é…Na hipotese de um resgate total por todos os tomadores de títulos públicos – por exemplo por resgate de todas aplicações em renda fixa por conta dos aplicadores entenderem preferirem aplicar em ouro – o BC pagaria esse títulos via mercado secundário ?, pois nessa hipótese o tesouro não teria recursos para cobrir todos os resgates ao mesmo tempo. att alexandre

  37. Imperion

    agradeço sua resposta, mas só pra confirmar. O BC não cria dinheiro do nada ? pq nessa hipotese de resgate total de todos os títulos de renda fixa num mesmo dia, vc em sua resposta informa que: “O bc mesmo comprando tanto titulo ficaria sem dinheiro em caixa. Em teoria ele até poderia comprar tudo. Mas depois ele ia ter que vender pra recuperar suas reservas, ja que ele teria muito papel e pouco dinheiro em caixa” ?

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