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Economistas do lado da oferta vs. economistas do lado da demanda – entenda esta distinção crucial

Quando destituídas de toda a retórica e de todos os jargões acadêmicos, há apenas duas escolas de pensamento econômico: a que vê a economia pelo lado da oferta e a que vê a economia pelo lado da demanda.   

Os economistas do lado da demanda se concentram nos consumidores: mais especificamente, se concentram no bolso dos consumidores. 

Já os economistas do lado da oferta se concentram nos produtores: mais especificamente, na retirada de barreiras para a livre atuação de produtores, empreendedores, investidores e trabalhadores.

Economistas do lado da demanda

Para os economistas do lado da demanda, são os gastos dos consumidores que fazem a economia crescer. Quanto mais o governo estimular e facilitar gastos, maior será o crescimento econômico. 

Consequentemente, o ponto central na análise de um economista do lado da demanda são as mudanças na quantidade de dinheiro no bolso dos consumidores e também das empresas, que irão usar esse dinheiro para comprar bens e serviços (inclusive mão-de-obra).

Se a economia está “superaquecida” ou se os preços estão subindo a um ritmo além do desejado, o economista do lado da demanda irá atuar mexendo na quantidade de dinheiro na economia. No caso, irá defender o aumento de juros para esfriar a demanda dos consumidores e reduzir a demanda das empresas por empréstimos para gastarem com mão-de-obra e equipamentos. 

Neste cenário, segundo a teoria, o consumo cai, os investimentos caem, o desemprego aumenta e, como consequência, os preços param de subir. (Algumas franjas também defendem o aumento de impostos com o intuito de também reduzir a demanda de indivíduos e empresas.)

Inversamente, se a economia está “desaquecida” e o preços estão “bem comportados”, o economista do lado da demanda irá atuar no sentido oposto. No caso, irá defender a redução de juros para estimular a demanda dos consumidores e aumentar a demanda das empresas por empréstimos para gastarem com mão-de-obra e equipamentos. Neste cenário, segundo a teoria, o consumo aumenta, os investimentos crescem, o desemprego cai e, como consequência, os preços voltam a subir.

Na prática, portanto, para um economista do lado da demanda, uma maior demanda por bens e serviços leva automaticamente a uma maior oferta destes bens e serviços. A questão de como surgirá a produção é totalmente secundária (em algumas escolas de pensamento, a figura do empreendedor sequer é citada). Apenas acredita-se que uma maior demanda levará a um um maior emprego de mão-de-obra e, consequentemente, a mais produção.

E essa maior demanda por bens e serviços pode ser aumentada ao se implantar políticas que aumentem o poder de compra dos indivíduos: empréstimos a juros mais baixos, déficits orçamentários do governo (que “retiram” dinheiro da poupança das pessoas e o repassam ao governo, que então gasta, criando mais demanda) e, no extremo, a simples criação direta de dinheiro.

Este é o modelo dominante no mundo atual. Praticamente todos os governos, bancos centrais e ministérios das finanças seguem esta teoria.

Economistas do lado da oferta

Já para os economistas do lado da oferta, o que faz a economia crescer não é o consumo, mas sim a produção de bens e serviços

O consumo é uma consequência natural da produção. Por meio de nosso trabalho (produção), nós produzimos bens e serviços específicos com o intuito de auferirmos uma renda, a qual então utilizaremos para demandar (consumir no presente e no futuro) outros bens e serviços.

Quais bens e serviços iremos consumir? Aqueles produzidos por terceiros, e os quais serão adquiridos por nós com o dinheiro que obtivemos com a nossa produção (trabalho). Isso significa que, para o economista do lado da oferta, nosso consumo, e tudo aquilo que desejamos consumir, não é a força-motriz da economia.

O consumo ocorre quando encontramos bens e serviços que nos aprazem e cujos preços consideramos acessíveis, e os quais foram produzidos por empreendedores antes mesmo de termos manifestado nosso desejo de consumir.  

Em outras palavras, a quantidade de bens e serviços disponíveis para nós facilita o consumo. Não podemos consumir o que ainda não foi produzido. Consequentemente, a produção, feita com o propósito de permitir o consumo (e, quando bem-sucedida, trazendo lucro ao produtor), é o que conduz a economia.

Para o economista do lada da oferta, portanto, o foco está na produção de bens e serviços, e não na demanda dos consumidores.

Ademais, dado que a demanda por bens e serviços é natural e intrínseca ao ser humano — o simples fato de sermos humanos faz com que nossos desejos e necessidades sejam infindáveis e nunca sejam plenamente saciados —, não faz sentido criar medidas voltadas para aquilo que já é natural e inevitável. 

Logo, políticas voltadas para a demanda (seja para estimular ou para arrefecer o consumo) não fazem parte do modelo. A demanda não é uma preocupação. Não faz sentido se preocupar com algo que é natural e que já é exatamente objetivo final de toda e qualquer produção.

E dado que as pessoas produzem exatamente para auferirem renda, para então poderem demandar outros bens e serviços, o objetivo final da produção é exatamente o consumo (presente e futuro). Sendo assim, não faz sentido se preocupar com algo que é natural e cujo objetivo todos já almejam.

Portanto, e por uma questão de lógica pura, dado que sem a produção não há renda, e que sem renda não há demanda, se você resolve a questão da produção, você resolve automaticamente a questão da demanda. Por isso, o economista do lado da oferta se concentra em facilitar a produção.

Sendo assim, crucial em sua análise são as alterações nos incentivos tanto para o capital quanto para a mão-de-obra participarem nas atividades de mercado.

Consequentemente, problemas como preços em alta ou economia estagnada (ou mesmo uma combinação de ambas, como a famosa ‘estagflação’) não devem ser atacados por meio de políticas de demanda (manipulação de juros e da oferta monetária, aumento/redução do crédito etc.), mas sim por medidas que estimulem e facilitem a produção.

Redução de impostos sobre a produção irá estimular mais produção. Redução de impostos sobre o trabalho irá estimular mais trabalho. Permitir que os trabalhadores mantenham uma fatia maior de seu salário e que empreendedores/produtores mantenham uma fatia maior do seu lucro irá estimular mais trabalho e mais produção. Reduzir a burocracia e as regulações para se empreender irá gerar mais empreendedorismo. Liberar mercados, permitir a entrada de concorrência em vários setores da economia e praticar um comércio livre e irrestrito com o resto do mundo irão gerar mais empreendedorismo e produção.

Mais trabalho, mais empreendedorismo e mais produção significam mais emprego e renda. E mais renda significa mais demanda.  

A abordagem pelo lado da oferta resolve todos os problemas de uma só vez

Observe que este arranjo (abordar a economia pelo lado da oferta) resolve todos os outros problemas de uma só vez. Resolve o problema dos preços em alta e resolve o problema da economia estagnada.

Mais bens e serviços sendo produzidos significa, por definição, mais crescimento econômico. E, se há mais bens e serviços sendo produzidos, então há um aumento na oferta destes itens. Havendo maior oferta de bens e serviços, então tem de haver uma pressão baixista nos preços.

Para as pessoas demandarem (consumirem) mais, elas têm antes de ter produzido mais. Não é possível você demandar (consumir) sem antes ter produzido. Por isso, mesmo uma explosão no consumo não pode, por definição, ser inflacionária, pois os consumidores tiveram antes de produzir algo. Ao produzirem, eles aumentaram a oferta.

Isso, obviamente, não significa que o crescimento econômico tem necessariamente de gerar deflação de preços (pois sempre haverá quem aumente preços por estar em uma área com pouca concorrência, por exemplo), mas sim que é errada a narrativa de que todo crescimento econômico é necessariamente inflacionário.

Igualmente, para as pessoas demandaram mais (consumirem mais), elas têm de ter mais renda. Para terem mais renda, é necessário haver mais produção. Para haver produção, é necessário haver mais investimento. Para haver mais investimento, é necessário remover barreiras governamentais que desestimulam a produção

Cruciais são a segurança jurídica, a institucional e, acima de tudo, a econômica. Não há como haver investimento e produção (que são o que criam renda) em um país que regula, tributa e inflaciona em excesso.

Portanto, temos que uma maior oferta (produção) de bens e serviços cria uma maior demanda por outros bens e serviços. E a oferta de bens e serviços pode ser aumentada ao se retirar barreiras governamentais à produção e ao comércio. 

Na prática, portanto, para o economista do lado da oferta, uma maior oferta de bens e serviços cria uma maior demanda por outros bens e serviços. E a oferta de bens e serviços pode ser aumentada ao se retirar barreiras governamentais que atrapalham a produção e o comércio. Isso ataca, simultaneamente, tanto a questão da inflação de preços quanto a questão da estagnação econômica.

Política monetária do lado da oferta e do lado da demanda

Para o economista do lado da demanda, a política monetária é a principal força-motriz da economia. É a política monetária o que irá aumentar ou reduzir o consumo — e, consequentemente, aumentar ou reduzir o crescimento econômico.

Por isso, esse economista é extremamente ativista em termos de política monetária. O Banco Central deve estar continuamente manipulando juros para baixo ou para cima com o intuito de, respectivamente, estimular ou arrefecer o consumo das pessoas e os gastos das empresas. Agindo assim, ele acredita estar determinando diretamente o crescimento econômico. 

Dado que é a demanda o que impulsiona a economia, a política monetária visa a afetar diretamente a demanda (injetando ou retirando dinheiro da economia). Afetando a demanda, afeta-se crescimento econômico e, consequentemente, os preços.

Já para o economista do lado da oferta, o objetivo da política monetária não deve ser o de colocar dinheiro no — ou retirar do — bolso dos consumidores, mas sim, tão-somente, fornecer uma unidade de conta que seja estável ao longo do tempo, e que, principalmente, tenha alguma definição. 

Hoje, por exemplo, você não sabe definir o que são R$ 5. O que isso representa de concreto? Nada. R$ 5 hoje não representam o mesmo que representavam há 10 anos, e não representarão daqui a 10 anos o mesmo que representam hoje. Sendo assim, você tem uma unidade de conta completamente indefinida. Isso afeta profundamente as decisões de investimento de longo prazo

Por outro lado, se a moeda for mantida estável em relação a, por exemplo, uma commodity (como o ouro) ou mesmo a uma cesta de commodities, aí então você teria uma exata definição da unidade de conta. Você saberia que daqui a 10 anos aqueles R$ 5 reais terão a mesmo definição que têm hoje, assim como teriam a mesma definição que tinham há 10 anos.

Tal idéia sempre foi defendida por todos os economistas clássicos (Smith, Ricardo, Say, Mill e a Escola Austríaca). À sua época, eles já defendiam a ideia de que a moeda, para ser eficaz, deveria ser a mais estável possível. Eles corretamente compreenderam que ter uma moeda fiduciária, não atrelada a nada, e cujo valor flutuasse constantemente seria o equivalente a utilizar unidades de medida que flutuassem diariamente. É como se a definição de metro, do grama e do minuto fosse alterada diariamente. Um dia, o metro tem 100 centímetros; no dia seguinte, o metro se desvaloriza e passa a valer 95 centímetros. Depois, se valoriza e passa a ter 107 centímetros. Como seria possível fazer qualquer obra dessa maneira?

Assim como um metro flutuante e um minuto flutuante gerariam vários erros de construção, de cálculo e de planejamento, um dinheiro flutuante, além de dificultar enormemente o planejamento para investimentos de longo prazo, gera também uma enorme quantidade de investimentos insensatos, uma grande desarmonia nas transações e um profundo caos no cálculo econômico.

Por isso, para um economista do lado da oferta, em havendo um Banco Central, sua função é única: manter a moeda estável em relação a algum padrão. Historicamente, esse padrão sempre foi o ouro. Porém, manter a moeda estável em relação a uma cesta de commodities (como o Índice CRB, que é o principal índice de commodities do mundo) seria ainda melhor.

Para isso, bastaria o Banco Central operar exatamente como já opera hoje, mas com uma crucial diferença: em vez de comprar e vender títulos públicos visando a manter a taxa de juros do mercado interbancário fixa (curiosamente, o Banco Central controlar juros é algo visto como “liberal”), ele irá comprar e vender títulos públicos com o intuito de manter a cotação da moeda estável em relação ao padrão de referência escolhido. (Os detalhes estão descritos aqui).

Forneça uma moeda estável ao longo do tempo, e retire as barreiras governamentais à produção e ao comércio, e toda a economia estará preparada para um crescimento contínuo de longo prazo, sem voos de galinha.

Sobre isso, poucos se deram conta, mas o Banco Central americano (o Federal Reserve) manteve o dólar extremamente estável em relação ao Índice CRB (o principal índice de commodities) desde o início de 2015 até o início de 2020 (quando estourou a Covid-19). Foram cinco anos de dólar estável em relação a um padrão de referência. Daí não ser nada estranho a resiliência apresentada pela economia americana naquele período, com taxa de desemprego nas mínimas históricas, economia em crescimento contínuo e estável, salários em alta (crescendo a uma média de 5% ao ano) e, principalmente, inflação de preços estável abaixo de 2%

Para concluir

Dizer que o consumo impulsiona a economia significa simplesmente tornar irrelevante todo o processo empreendedorial de descobrir como melhor satisfazer os consumidores. Dado que este ‘como’ não é conhecido, e até mesmo muda ao longo do tempo, o consumo não pode ‘conduzir’ a economia.

De resto, nunca há um problema de demanda. Sempre há, isso sim, um problema de oferta restringida por barreiras governamentais. Essa restrição pode se dar tanto pelo lado da política monetária — moeda instável, moeda fraca, juros excessivamente altos para atacar um falso problema de demanda (como ocorreu no Brasil em 2015) —  quanto pelo lado da política fiscal — tributos altos, déficits e dívida do governo crescentes (que geram o temor de que haverá aumentos de impostos no futuro), regulamentações e burocracias que tolhem o empreendedorismo. 

Estando a oferta restringida, não há como haver aumento da demanda.

E manipulações monetárias — como a ideia de desvalorizar a moeda para impulsionar exportações ou reduzir juros para estimular mais consumo — não podem resolver este problema em definitivo, simplesmente porque adulterar a moeda não tem o poder de abolir restrições à oferta. 

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182 comentários em “Economistas do lado da oferta vs. economistas do lado da demanda – entenda esta distinção crucial”

  1. Excelente artigo. Só não consigo entender como a inflação é tão defendida, de modo que o povo, que está tendo seu poder de compra diminuído, também a defende ao cair no conto dos políticos. Um exemplo é o Ciro Gomes, tem cada coisa absurda que ele já falou ejá vi gente chamando ele de intelectual. Enfim, agradeço se alguém puder me explicar como a inflação sempre é boa na cabeça de quem acredita nisso.

  2. Artigo de suprema importância. Esse assunto nunca foi abordado abertamente por ninguém de maneira clara. E o fato de o artigo fazer isso sem recair no ataque ad hominen de sair rotulando escolas de pensamento (keynesianos, chicaguistas, neoclássicos, ortodoxos etc.) torna tudo ainda melhor.

    É bastante óbvio que todos os nossos governos sempre atacaram tudo pelo lado da demanda. O atual governo até deu uma olhada para o lado da oferta, com a MP da Liberdade Econômica. Mas foi só.

  3. Embora o leitor acima tenha elogiado a ausência de ad hominens, eu gostaria que alguém pudesse explicitar de que lado está cada escola de pensamento econômico. Pelo menos as mais conhecidas.

  4. Austríacos pegam muito leve com chicaguistas. Li os artigos deste site contra a escola de Chicago. São muito educadinhos. Quem bate com gosto neles é justamente o pessoal da supply-side economics dos EUA (tipo o John Tamny, que tem artigos aqui). Essa turma de Chicago que defende moeda fraca, câmbio flutuante e que acredita que é juros (e não câmbio) o que determina preços e estimula a economia merece porrada sem dó. Em alguns quesitos são até piores que os keynesianos. Ambos destroem nosso padrão de vida, mas Chicago faz isso utilizando uma retórica liberal, o que só me enraivece ainda mais.

    Dica: estudem a economia americana de 1978 a 1989. De 1978 a 1982, foi monetarismo chicagueano. A economia despirocou. De 1983 a 1989 foi supply-side economics. A economia decolou. De 1990 a 1994 foi neo-keynesianismo. A economia parou. De 1995 a 2000, voltou o supply-side, a economia disparou. De 2001 a 2014, pós-keynesianismo. Deu no que deu. De 2015 em diante, voltou uma mescla de supply-side com protecionismo. O supply-side vem garantindo alguns bons números, ao passo que o protecionismo vem tentando anular o que há de bom. Resta saber o que irá prevalecer.

  5. Boa noite pessoal. Leandro, poderia me tirar duas dúvidas?

    1) Então a única coisa que diferencia um economista Keynesiano de um economista de Chicago é que o primeiro defende que o crescimento deva ser puxado por “investimentos” públicos enquanto o segundo defende a ideia de que o crescimento deva ser puxado por investimentos privados?

    2) A medida que o Bolsonaro tomou recentemente de revisar as regulações de todos os órgãos do governo relacionada ao Custo-Brasil que está no “manual de boas práticas da OCDE” pode ser considerada uma medida supply-side? só não anexo o link da notícia com o comentário porque não tenho certeza se é permitido.

    Grato pela atenção.

  6. Na faculdade eu aprendi essa bobagem de “deficiência da demanda”. Se você parar para pensar, a coisa desafia o bom senso. O propósito de se ter preços em qualquer coisa é justamente haver um mecanismo de racionamento. Se a demanda fosse um problema então não mais precisaríamos desse mecanismo de racionamento! E a “demanda insuficiente” estaria resolvida!

    Preços existem justamente porque nossas demandas são infinitas, mas os recursos para saciá-las são escassos. Isso é o básico do básico.

    Por isso, não tem como existir um problema de demanda, mas sim de oferta. Qualquer economista minimamente sensato deveria saber disso.

  7. Aproveitando que o Leandro está de plantão hoje, gostaria de deixar uma pergunta na esperança de ser respondido pelo mentor intelectual do Mises BR.

    Qual é o papel da poupança no crescimento econômico? Acredito que este é o principal pilar do crescimento econômico, e que este pilar é corrompido pela tributação(qualquer que seja). Eu fiz um download de um power point deste site há uns anos atrás, e o que eu entendi foi o seguinte: quando o consumo é reduzido voluntariamente pelos consumidores(ou seja, as pessoas aumentam a poupança), as indústrias de bens de consumo sofrem um desinvestimento e a demanda por matérias-primas é reduzida, após isso o preço das matérias-primas cai, e as indústrias de bens de capital aproveitam a oportunidade para investir neste momento. A consequência é que os bens de capital acabam ficando melhores e mais baratos do que antes e as indústrias de bens de consumo podem reduzir seus custos e aumentar a sua produtividade por causa disso, e finalmente o consumidor tem a oportunidade de consumir mais do que antes porque a produtividade da economia aumentou. Gostaria de saber se é isso mesmo ou se errei em algum ponto, e se há algum adendo que pode ajudar a elucidar melhor a questão.

  8. Se em um ano a inflação é de 3% e o crescimento é de 2%, logo ninguém enriqueceu. Certo?

    Oras, eu enriqueço 2% em um ano mas perco 3% do poder de compra.

  9. Mas a economia brasileira apresenta altíssima ociosidade e elevado desemprego. Isso não é falta de demanda? Com a crise fiscal, o setor público passou a conter fortemente gastos, fora que o BNDES saiu de cena, e o setor privado não preencheu o espaço deixado por aquele. Sem pessoas demandando não tem economia… vai pra produzir pra quem ? quem vai consumir se não tem dinheiro ? Primeiro vem as pessoas, depois vem o dinheiro e a lógica fria do mercado.

  10. Leandro,

    Algo crucial que aprendi com os artigos do IMB:

    “A riqueza e o padrão de vida de um país são determinados pela abundância de bens e serviços. Quanto maior a quantidade e diversidade de bens e serviços ofertados, maior será o padrão de vida da população. ”

    Sobre os países desenvolvidos: a maior liberdade econômica presente nesses países permite uma maior produção/oferta/abundancia de bens e serviços gerando uma pressão baixista nos preços, o que faz com que a população local tenha mais acesso estes bens/serviços (e assim um melhor padrão de vida)?

    Seria por isso que, quando viajamos a países ricos(com maior liberdade econômica), constatamos que, em relação ao Brasil, quase todos os produtos são mais baratos e mais acessíveis a população do país (as vezes baratos até mesmo quando convertemos para o nosso real desvalorizado e comparamos com o preço do Brasil) ?

    (Pobres nos EUA geralmente tem ar-condicionado em casa, micro-ondas e pelo menos um carro)

    Meu raciocinio está correto?

    Podemos dizer que a maior abundancia bens/serviços (o que facilita o acesso da população a eles) é o que diferencia o padrão de vida de países ricos e pobres?

  11. Artista Estatizado

    Pergunta: para manter a confiança no poder de compra da moeda não seria melhor tornar a moeda conversível em uma certa quantidade de commoditie?

    No texto é dito que poucos perceberam que o Federal Reserve vem mantendo o dólar estável em relação ao índice CRB. Sendo assim, a comunicação dessa estabilidade não foi tão eficiente, e o dólar experimentou uma atratividade menor do que poderia.

  12. Pois é. Não é função de governo algum se preocupar com a demanda – isso é coisa para os produtores pensarem.

    A não ser que seja em áreas monopolizadas pelo Estado… e ainda assim entrega-se um serviço terrível.

    Sorte do povo brasileiro que o saneamento finalmente será (um pouco) mais livre para o ano que vem.

  13. Leandro, o juan Ramon rallo ele fala de sistema monetário ideal com uma mescla em ativos financeiros e ativos reais, aqueles para da uma flexibilidade e este para ser a âncora. Então por essa visão um coeficiente de 100% de reserva não seria tão eficiente, na economia de hoje.

    O livro dele tá pra sair talvez ele detalhe melhor. a princípio eu vejo como algo válido. como você ver essa análise?

  14. Muito bom o artigo, é impressionante a clareza e precisão

    Eu estava falando justamente isso para um conhecido e ele só falou, não sei se foi por retórica, que “estimular a oferta é errado porque a curva da ofertaxdemanda não é uma reta”

  15. Artigo muito bom, aliás, a figura que ilustra o artigo me lembra muito o vídeoclip “Fight of the Century : Keynes vs Hayek” (tem no Youtube, recomendo), onde após a luta, mesmo sendo nocauteado pelos belos e lógicos argumentos de Hayek, Keynes sai como vitorioso, saudado pela mídia, pela platéia, pelos políticos e burocratas do FED, enquanto Hayek é parabenizado por um pequeno e lúcido grupo de pessoas.

    Aliás, penso que os economistas e demais apoiadores da economia da demanda, se inspiram bastante naquela falácia do dramaturgo Bertolt Brecht , no que ele dizia que “o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem dos políticos.”

    Errado, Bertolt comuna!

    O preço destas coisas dependem apenas das pessoas.

    Quanto mais os políticos, burocratas e demais parasitas estiverem longe, melhor para todos, inclusive para os mais pobres.

  16. Em busca da verdade

    Pergunta incomoda: haveria este site e vários canais liberais, se não fosse o Estado assumindo riscos e investindo a fundo perdido pra criar novas tecnologias, o que acabou criando a internet?

    Se um socialista não deve usar iphone, um liberal não deve usar internet?

  17. Daria para considerar o governo trump um misto de suuply e demand?

    Corte de impostos (supply), aumento do deficit (demand), moeda forte (supply), tarifas de importação(essa é dificil classificar, afeta o consumo e a oferta, mas vou por como demand, por tentar estimular consumo interno), desburocratização (supply);

    É até estranho, muitos analistas estão esperando uma recessão nos EUA, mas a moeda continua forte( e talvez por estar forte, não ocorra recessão);

    É realmente dificil analisar os EUA atual de um ponto de vista austríaco; Considerando a força da moeda, a recessão não seria forte;

    O FED também voltou a injetar dinheiro, e o dólar continua resiliente

  18. Felipe quaresma da silva

    Não entendo muito de economia , estou aprendendo com a ajuda deste canal. Eu tenho uma duvida : seria algo benefico inificar moeda papel pelo mundo ? Isso e menos interferência do estado e mais livre mercado poderia acabar com a miséria que muitas pessoas passam ao retor mundo.

  19. Em busca da verdade

    Por que os liberais reclamam da desvalorização do cambio e pedem intervenção estatal pra valorizar a moeda nacional, se dizem defender a não intervenção do Estado?

    Por que liberais rejeitam cambio desvalorizado e juro baixo, equilibrio pro investimento, se não são muito simpaticos ao consumo e ficam defendendo a poupança?

  20. o problema recai sempre sobre a capacidade. é mais fácil obter gente que demande que gente que oferte. gente que não sabe ou não consegue ofertar sempre demandará. gente que não demanda qualidade dá lucro a quem não oferece qualidade. é nisso que se baseia o socialismo político: em nivelar por baixo, consumidores e eleitores. criar tanto currais eleitorais de analfabetos políticos quanto produtores cooptados pelo governo para enriquecerem a seus líderes enquanto exploram a sociedade emburrecida. por isso tanta intervenção na educação: as pessoas têm que ser guiadas como manada. a chave para a mudança é uma reforma política, o que é muito acima de uma reforma eleitoral. se não houver qualidade nos líderes, não haverá na massa da população. poucos vencerão; poucos ofertarão qualidade. cria-se uma sociedade de derrotados, escravizados por seus desejos de demanda, em crescimento irrefreado, e glamourizada por uma mídia conivente com o atraso.

  21. Como sempre aprendo muito de economia com vocês, retribuo com uma pequena revisão. Quase no final do artigo, um parágrafo ficou sem o predicado e, portanto, sem sentido:

    “Por isso, para um economista do lado da oferta, em havendo um Banco Central, sua função é única: manter a moeda estável em relação a algum padrão. Historicamente, esse padrão sempre foi o ouro. Porém, manter a moeda estável em relação a uma cesta de commodities (como o Índice CRB, que é o principal índice de commodities do mundo).”

    Provavelmente, a intenção era afirmar que “manter a moeda estável […] em relação a uma cesta” é uma opção ainda melhor que apenas o ouro, ou algo do tipo.

    Abraço.

  22. Leandro,

    você (ou o site) deixou de ser austríaco e passou a ser supply-sider?

    Há alguma inconsistência que acreditam ter encontrado na TACE?

    Não é um ataque, é só para entender mesmo.

  23. Pela teoria da oferta ou Lei de Say, não haveria crise, isto é, causada por bens produzidos em excesso, pois tudo que é produzido será vendido ou consumido. Desprezar a demanda não faz sentido, pois a oferta nem sempre cria sua própria demanda. Dificilmente alguém investe em um novo negócio ou amplia a produção sem antes ter uma boa noção da demanda por aquele bem ou serviço. Quem vem primeiro, a oferta ou a demanda? Eu imagino que as duas coisas caminham em paralelo, mas na margem, a demanda vem primeiro. A demanda surge de uma necessidade, enquanto que a oferta é uma resposta a essa necessidade. Quando um produto ou serviço é aperfeiçoado, isto pode ter duas explicações: (a) o produtor (oferta) percebeu que fazendo uma ou mais alterações no produto (acrescentando ou eliminando algo), o produto irá atender melhor as necessidades do consumidor, mesmo que este último não tenha noção disso. Isto ocorre muito na indústria automobilística e na fabricação de outros bens duráveis (home appliances); (b) o aperfeiçoamento é feito tendo como origem uma demanda específica dos consumidores, por exemplo, um produto que com o uso apresenta um defeito ou porque ficou abaixo da expectativa dos consumidores.

  24. Segue minha réplica a Say (23/jan;14h17):

    “Pela teoria da oferta ou Lei de Say, não haveria crise, isto é, causada por bens produzidos em excesso, pois tudo que é produzido será vendido ou consumido.”

    Ninguém fica pobre porque há um excesso de produção de bens e serviços. Quando eu disse que a produção foi excessiva, eu quis dizer que houve um erro de estimativa da quantidade a ser vendida.

    Quando o articulista do Von Mises Brasil afirma: "Consequentemente, quando uma pessoa não consegue vender o que produziu, isso não caracteriza uma “deficiência da demanda”. Ao contrário, caracteriza uma falha na produção. É uma falha na produção o que causa uma redução na demanda efetiva — uma falha empreendedorial."

    Na realidade, a demanda efetiva já existe independentemente do empresário ter aberto ou não a sorveteria self-service. Não será uma falha na produção que irá modificar a demanda efetiva.

    Quase 30 anos antes de J. B. Say publicar seu Traité d´Economie Politique (1803), Adam Smith, em Wealth of Nations, Livro I, cap VII (Of the natural and market price of commodities), fez uma distinção fundamental entre demanda absoluta e demanda efetiva (effectual demand), cujo raciocínio resumo a seguir: o produto ou serviço só será vendido se houver efetivamente consumidores com recursos suficientes para comprar o bem naquele preço. Que há demanda por chocolates finos, ninguém discute, mas somente uma minoria da população pode dispor de recursos para comprá-los.

    A falha de estimativa no erro empreendedorial quase sempre é causada por superestimar a demanda efetiva.

    “Dificilmente alguém investe em um novo negócio ou amplia a produção sem antes ter uma boa noção da demanda por aquele bem ou serviço. Quem vem primeiro, a oferta ou a demanda? Eu imagino que as duas coisas caminham em paralelo, mas na margem, a demanda vem primeiro. A demanda surge de uma necessidade, enquanto que a oferta é uma resposta a essa necessidade.”

    Quanto aos exemplos citados pelo articulista sobre o gasto dos consumidores, não há discussão.

    Quando ele afirma: "Para tornar seus bens atrativos ao consumidor e, assim, conseguir vendê-los, este produtor terá de reduzir seus preços. Houve um erro empreendedorial de sua parte. Ou ele estimou erroneamente seus custos de produção ou ele estimou erroneamente seu preço de venda. Um dos dois, ou ambos, terá de ser corrigido. Caso contrário, ele não conseguirá vender. E consequentemente não conseguirá demandar."

    Isto confirma minha argumentação acima sobre a demanda efetiva. Por exemplo, na última frase "E consequentemente não conseguirá demandar" podemos interpretar que o empresário terá que se ajustar à demanda efetiva para ter seu produto vendido. Se o novo preço do bem será rentável, que atende as restrições de risco-retorno fixadas pelo empresário, é um capítulo à parte.

    Finalmente, estou totalmente de acordo com o parágrafo a seguir:

    “Esse tipo de erro empreendedorial coletivo ocorre tipicamente quando o governo embarca em uma política de crédito farto e barato, o qual gera um aumento temporário da renda disponível das pessoas, que então passam a consumir mais. Ludibriados por esse consumo maior — o qual foi causado pelo mero endividamento barato e não por um aumento genuíno da produção e da renda —, empreendedores passam a crer que haverá maior renda disponível no futuro, de modo que seus bens e serviços serão mais demandados, o que significa que poderão cobrar preços maiores. Mas tão logo essa expansão do crédito é interrompida, todo o cenário de aumento da renda se revela fictício e artificial, mostrando que nunca houve realmente um aumento da renda da população. Houve apenas endividamento. Consequentemente, seus bens e serviços não poderão ser vendidos pelo maior preço antecipado pelos empreendedores."

    Foi isso que ocorreu na gestão petista, que se baseou no crédito farto e subsidiado para estimular a demanda, isto é, para dar poder de compra às classes de menor renda para que elas pudessem ter acesso a um maior padrão de consumo (alimentos mais ricos em proteína animal, bens semi-duráveis e duráveis etc).

  25. Fabio Anderaos de Araujo

    Resposta a Carlos ( 24/jan- 21h22). A recessão originada no governo Dilma tem haver com i] a situação fiscal do governo; ii] a oferta de crédito farto e subsidiado ter chegado ao limite. Ninguém pode sair por aí gastando usando o cheque especial; iii] a Operação Lava-Jato desnudou o gigantesco esquema de corrupção entre as grandes empreiteiras e o governo petista. As obras dessas construtoras envolvidas na Operação Lava-Jato, além de caras, não criaram um círculo virtuoso, isto é, não trouxeram retorno e nem criaram emprego estrutural. Com um setor produtivo mais ou menos debilitado pela falta de investimentos e com uma política de apreciação da taxa de câmbio (doença holandesa), a desaceleração da atividade econômica foi inevitável.

  26. Fabio Anderaos de Araujo

    O índice da taxa de câmbio real (IPCA versus CPI – série 11753, BC) caiu de aproximadamente 200 no final de 2002 para 61,6 em jul/2011. Estruturalmente houve de fato um apreciação cambial. Porém, com a piora do ambiente doméstico por conta da ineficácia do modelo macroeconômico do governo Dilma, aumento brutal do desemprego, PIB em queda, inflação em alta, esse índice praticamente dobrou no final de set/2015, para 123, o efeito da “tal doença holandesa” perdeu importância. Seu questionamento Carlos, faz sentido. Eu citei a “doença holandesa” apenas para ilustrar a contínua apreciação cambial desde o início do governo Lula até o início do governo Dilma.

  27. Bolsonaro poderia muito bem copiar algumas das coisas boas feitas no governo Reagan (já que ele gosta dele):

    – Cortou imposto de renda de pessoa jurídica: 44% para 34% (hoje o imposto é de 21%, graças ao brutal corte no governo Trump em 2017). Cortou também para pessoa física e aumentou faixas de isenção de imposto de renda.

    – Moeda: Reagan sempre falou que queria um dólar forte, desejando até voltar para o padrão-ouro. Índice DXY chegou ao pico histórico de 160. Hoje esse índice está em 93,3. O dólar se manteve estável até em relação ao ouro. Tem gente que fica surpreso sobre o porquê de a Apple ter nascido nessa época?

    – Cortou despesas menores nos Ministérios do Comércio, Educação, Transportes, Educação e Interior.

    – Acabou com os controles de preços dos antecessores e desregulou o setor de petróleo e derivados. Desregulamentou setor de ônibus interestadual, telefone e frete marítimo.

    Sim, ele fez outras medidas desastradas como aumentar o protecionismo e os gastos militares, mas essas medidas boas acima destruíram aquela estagflação que estava assolando o país na década de 70.

    Leandro, por que você não faz mais artigos iguais àqueles que você fez no governo Dilma, com algo como “O que esperar de 2021”? Ou voltar a fazer podcasts, como aquele ótimo podcast que você fez em setembro de 2015? Suas análises são bastante pertinentes. Aliás, até um livro do Leandro Roque sobre a economia brasileira faria sucesso de vendas.

  28. Olá, tudo bem?

    Primeiramente de tudo, admiro muito o trabalho de vocês, artigos ótimos e de boa qualidade e transparencia

    Sobre essa matéria, concordo plenamente com a visão economica de vós, economia do lado da oferta é a melhor solução, estabilidade da moeda é muito melhor do que redução de juros,

    Mas uma coisa que provalvemente discordo de vós, é sobre os lugares de reducão de impostos, eu acredito numa redução de impostos sobre o consumo e matéria prima

    pois uma reducão sobre consumo e produção, ficaria mais barato produzir e mais barato vender, logo causaria um BOOMM ECONOMICO.

    E vcs, o que vcs acham sobre redução de impostos?

    aonde na suas opiniãos, os cortes de impostos podiam ser aplicados????

  29. A melhor política monetária é manter a quantidade de moeda a mais fixa e inalterada possível. Isso é sound money. Os preços que surgirem daí serão os genuínos preços de mercado.

  30. [OFF-TOPIC]

    Porque ainda não há um artigo por aqui falando sobre a falta de mão obra? Empresas estão desesperadas por mão de obra, e é um fenômeno mundial, e também já vem ocorrendo já faz um bom tempo, então não entendi a falta de artigos sobre o assunto.

    Não sei se me lembro direito, mas existe algum artigo por aqui que cita tal tendência, dizendo que empresas estão pagando para às pessoas comparecem às entrevistas devido aos auxílios monetários do governo, mas na minha opinião isso merece um artigo próprio.

  31. O problema é que se produzir, a fábrica fecha e demite centenas de trabalhadores. A Lei de Say é um sofisma. A oferta não necessariamente cria a demanda. Se produzir e as pessoas não tiverem dinheiro para comprar, as pessoas não vão comprar. Foi por isso que, por exemplo, a Ford saiu do Brasil. Aí os liberais vão dizer: “Ain, mas o problema são os impostos!” A Ford já desfrutava de muitos incentivos fiscais aqui no Brasil (incentivos tanto estaduais como federais). Poderia zerar os impostos que a Ford sairia pois não havia demanda. Por isso que os governos estimulam a demanda.

  32. “Brasil tem 14,4 milhões desempregados e taxa de desocupação de 14,1%”

    “O número de trabalhadores por conta própria (24,8 milhões de pessoas) é recorde da série histórica, com altas de 4,2% (mais 1,0 milhão de pessoas) ante o trimestre anterior e 14,7% (3,2 milhões de pessoas) na comparação anual.”

    Além da queda na taxa de desemprego, houve também um aumento no número de pessoas que trabalham por conta própria. Devemos ver esse aumento para os próximos anos, o que vai beneficiar todo mundo, até mesmo os assalariados. Esses são os acertos do governo. Continuando isso, deve haver alguma apreciação cambial.

    Sinceramente o governo deveria desistir de reforma tributária pois tudo que eles vão fazer é aumentar os impostos. Com esse Congresso, irão estragar e, para piorar, o Guedes defende aumento de impostos até hoje. Eles deveriam no mínimo imitar o que Trump fez em 2017 com o Tax Cuts and Jobs Act of 2017 (foi um projeto de lei que foi aprovado na Câmara e no Senado americanos com aperto): reduziu imposto corporativo, aumentou faixa de isenção e reduziu outros impostos, sem recriar imposto. O próprio governo federal fez uma propaganda da reforma tributária, alegadamente falando de que não sei quantos ricos não pagam impostos… igualzinho o Ciro Gomes, estão vendo?

    Se, durante a proposta de reduzir impostos, eles ficarem com essa preocupação de perda de “arrecadação” e não quiserem cortar gastos, então melhor não mexer pois, se ficarem com esse pensamento, logo a gente vira a Venezuela com uma carga tributária ainda maior.

  33. Mas a empresa precisa VENDER o que produz. Se as pessoas não tem dinheiro para comprar, não há demanda, as empresas apresentam prejuizo e demitem trabalhadores, agravando ainda mais a situação.

  34. Ontem fez 5 anos que a Dilma sofreu impeachment.

    Ocorrido em 31/08/2016, esses eram alguns dos dados herdados pelo governo Temer, o qual deixava de ser temporário e ficaria até 31/12/2018:

    >Taxa cambial USD/BRL: R$ 3,23

    >Taxa cambial EUR/BRL: R$ 3,61

    >Taxa cambial CHF/BRL: R$ 3,28

    >Taxa de juros SELIC: 14,25 %

    >Dívida bruta: R$ 2,955 trilhões

    >Taxa de desemprego: 11,8 %

    >Taxa de juros de longo prazo: 12,06 %

    Em maio de 2016, Ilan Goldfajn seria indicado para o BCB e Henrique Meirelles para o antigo Ministério da Fazenda.

    Apesar de em 2018 eles terem errado na política monetária, além de conturbações como a greve dos caminhoneiros e as eleições, o IPCA fechou 2018 em 3,75 %. No ano seguinte, já sob Bolsonaro, seria fechado em 4,31 % (e a equipe econômica praticamente estragou a apreciação cambial obtida com a reforma previdenciária, afinal o IPCA em outubro foi extremamente baixo, somente em 2,54 %).

    IPCA baixo em papel flutuante brasileiro foi quase sempre uma exceção.

  35. “EUA podem entrar em incumprimento da dívida nacional em outubro”

    Dez anos depois, eles entraram na mesma encrenca.

    Realmente não aprendem.

    Visualizo os seguintes cenários:

    (1) O governo americano simplesmente vai falar que não vai pagar as dívidas devidas. Só que se eles fizerem isso, além de perderem credibilidade e uma farta fonte de financiamento de suas atividades, muitos ativos americanos irão ser arrestados. Caso monetizarem de vez aos moldes venezuelanos, as pensões dos burocratas irão evaporar, a economia vai colapsar e vai causar distúrbios e revoltas, ameaçando ainda mais o governo Biden.

    (2) Eles irão simplesmente elevar o teto da dívida e continuar a mesma coisa que estão fazendo antes, com algumas condições impostas. No governo Obama, de fato houve uma redução no déficit após 2011.

    (3) Irão fazer um maciço corte de despesas, para reduzir a dívida por inteiro, lembrando o que foi feito no governo Clinton.

    A segunda alternativa é a mais plausível.

  36. Os desenvolvimentistas já tentam dar uma melhorada no argumento. Dizem que não se deve estimular a demanda indefinidamente e sem critério. Políticas de estímulo a demanda devem durar só enquanto existir capacidade ociosa na economia.

    Eles julgam que é possível fazer esse gerenciamento com maestria, a ponto de colocar a economia no ponto ótimo, sem gerar inflação.

    (Da mesma forma que dizem que déficits públicos devem acontecer só enquanto economia está em recessão. O problema é que, para eles, nunca chega a fase da bonança para a adoção dos superávits. Nessa ideia maluca, o ajuste para gerar superávit fiscal seria recessivo e tiraria e economia da bonança.)

  37. “Brasil bate recorde com criação de 1,4 milhão de empresas de maio a agosto”

    Diante de tanto caos, essa é uma das vitórias dos anos recentes da economia brasileira. O “Bolsonomics” está dando alguns resultados.

    O pessoal do governo fez um relatório interessante até, podendo ser visto aqui.

    Deveremos ver mais disso, afinal os MEIs receberam uma faixa de faturamento de isenção maior, além da Lei do Ambiente de Negócios.

    Essa é uma forma de o real desvalorizar menos.

  38. Concordo que a ênfase deva ser dada à oferta. Mas algo não me ficou claro:

    Como alguém irá produzir, se ao observar o mercado consumidor, não vê a capacidade de consumir o que seria produzido?

  39. O cenário apresentado foi de uma economia que estava em expansão e que depois de um tempo considerável entra em crise. De acordo com o que foi dito, os empresários – que ao perceberem o movimento da economia, expandiram a capacidade produtiva (bem como defendido por aqui como o principal, frente a demanda; e que eu concordo) com vistas a elevarem o nº de unidades vendidas futuramente, cometeram o erro de investir e tudo foi simplificado a um erro "empreendedorial". Empresários investem mediante expectativas.

    Se houve elevação da produção, então a renda foi elevada, pois o valor dessa mesma produção, foi realizado com a comercialização final dos produtos e então a renda agregada mais elevada entra em circulação em um patamar já mais elevado de produto interno bruto.

    É uma questão de análise de momento, identificar onde está o problema e atacá-lo.

    Quando o Estado identifica ociosidade nos fatores de produção (máquinas, equipamentos e mão de obra) o ataque deve se dar no estímulo à demanda, o que deve ser feito com cuidado para que os efeitos de sua elevação acabem por não extrapolar a capacidade produtiva instalada e gerar, de fato, uma pressão inflacionária. É muito importante que ao mesmo tempo em que se observa a elevação do emprego dos fatores de produção, ocorra o ataque via oferta, com os incentivos a aquisição de bens de capital. Não se trata apenas de estimular a demanda, mas também a oferta. Repetindo o que diz o artigo que me foi recomendado aqui no site:

    "…o que impulsiona a economia não é a demanda POR SI SÓ, mas sim a produção de bens e serviços".

  40. Concordo com a existência dos ciclos. Mas eu os vejo como inerentes ao sistema.

    Por partes:

    "Esse novo dinheiro criado pelo Banco Central e injetado na economia por meio do sistema bancário (via concessão de empréstimos) faz empreendedores pensarem que outras pessoas pouparam dinheiro — reduziram seu consumo —, desta forma liberando capital para a economia".

    Sinceramente, duvido muito que a maioria dos empreendedores pare para pensar se o capital inicial em uma expansão monetária é oriundo ou não de poupanças privadas.

    "No entanto, a realidade é que não houve nenhum aumento na poupança, e nenhum aumento em bens de capital. Houve apenas criação de moeda e manipulação de juros".

    Como não houve aumento de bens de capital?! As máquinas e equipamentos e demais componentes acrescentados ao estoque são por acaso, virtuais?!

    Preços e custos normalmente sobem, não há surpresa alguma a menos que alguma turbulência ocorra e haja súbita elevação brusca. Exceto isso, o cuidado em manter o hiato entre inflação e juros já é esperado. Quanto aos juros de longo prazo, ao passar do tempo eles convergem para as taxas de curto prazo, o que favorece aos bancos públicos oferecer taxas mais baixas.

    "Vale ressaltar que a expansão monetária não aumenta a produção. A expansão monetária altera a produção. Ela desvirtua a produção. Ela retira recursos de determinados setores e os redireciona para outros setores".

    "Por isso, criar moeda não tem como criar riqueza nem aumentar produção. Criar moeda apenas desvirtua a produção e mal direciona recursos. Há menos produção em determinados setores e mais produção em outros setores. A produção total não aumenta".

    Depende. Se isto fosse uma lei de soma zero, jamais haveria elevação do PIB. O que não é verdade.

    Do artigo em questão:

    "O consumo ocorre quando encontramos bens e serviços que nos aprazem e cujos preços consideramos acessíveis, e os quais foram produzidos por empreendedores ANTES MESMO DE TERMOS MANIFESTADO NOSSO DESEJO DE CONSUMIR".

    "Na prática, capital e riqueza foram destruídos. Cimentos, vergalhões, tijolos, britas, areia, azulejos e vários outros recursos escassos foram imobilizados em algo PARA O QUAL NUNCA HOUVE DEMANDA GENUÍNA".

    Ora, então algo não foi bem explicado! Mas não é a oferta que cria a demanda?!

  41. “Programa Nacional de Serviço Civil Voluntário oferecerá cursos de qualificação para trabalhadores desempregados”

    Apesar de o Onyx no passado ter votado contra a reforma trabalhista no Temer, ele até que foi uma escolha boa do Bolsonaro. O ruim é que isso vai depender de prefeitura, mas é uma opção a mais. Seria bom ter isso para empresas, em especial os pequenos negócios, os que mais sofrem com a legislação trabalhista venezuelana. O absurdo é um decreto fascista do Getúlio, que foi o que criou a CLT, ainda ser levado a sério.

    Agora, sabendo que a CUT está reclamando, então é uma boa notícia.

    Ano passado tentaram algo melhor, mas o pessoal do Senado derrubou. Eles falaram que isso precarizaria o trabalho. Na verdade eles preferem que o povo viva de esmola e fique nessa armadilha para sempre. Se depender de mim, não vou reeleger ninguém do Senado.

    Muitos sabem que muitas NRs foram revisadas. Então, dessa vez as NRs revisadas foram relacionadas à saúde e segurança em plataformas de petróleo. Essas pelo menos não precisam de aval do Congresso.

  42. Jose Djalma De Freitas

    Bom dia Uma pergunta o porque  o nossa nossa moeda não e valorisada ex dolar e euro .

    Gostaria de entender esse Processo .

     

    Djalma Freitas

  43. Ezequias Moraes da Rocha

    O governo lula no seu primeiro mandato fez exatamente o que não  devia,para aquecer o mercado  deu subsídio para algumas empresas 

    Estimulou o povo a comprar ,sem pensar no amanhã 

    Quando de repente a conta veio e o povo não conseguiu pagar suas contas gerando um caos em suas vidas depois vem os desempregos

    E o que ele faz oferece um auxílio de miseria (bolsa familia) pra manter o povo em suas mãos 

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