Dizer que o dinheiro é uma espécie de régua que
serve para mensurar o valor de bens e serviços é uma noção tão simples quanto
equivocada, a qual vem enganando excelentes economistas há séculos.
O dinheiro — ou, caso prefiram, a moeda — facilita
o cálculo econômico ao servir como uma unidade de conta, isto é, um meio comum
para precificação de bens e serviços. Ou, dito de outra forma, um pouco mais
científica, o dinheiro é um denominador comum para expressar as razões de
trocas (os preços) no mercado.
No entanto, qualquer troca sempre envolve valorações
subjetivas a respeito de mercadorias.
E tanto a oferta de mercadorias quanto as valorações subjetivas sofrem
constantes alterações. Consequentemente, e por definição, as razões de troca no
mercado são cambiantes. Por definição.
E, sendo também a moeda uma mercadoria (contendo
apenas uma diferença quanto ao seu grau de liquidez perante as demais
mercadorias, pois a moeda é a mercadoria mais líquida de todas), sua demanda e
oferta também variam normalmente, fazendo com que seu preço (seu poder de
compra) seja “não fixo”. Por definição.
Assim, imaginar que o dinheiro possa ser uma
“medida” de valor — como se valor pudesse ser objetivamente mensurado —
contraria os princípios mais básicos da teoria do valor subjetivo
e da ação humana.
Valor pode, sim, ser comparado, mas somente ordinalmente (na forma de um ranking de preferências) e
pelo próprio indivíduo subjetivamente.
Jamais por terceiros e jamais de forma objetiva.
Sutis, mas, cruciais diferenças.
Ótima explanação!
É mais fácil dizer que o valor de um bem é medido por uma variável aleatória. Além de fazer mais sentido.
Tá,
Mas se a moeda é uma mercadoria e ela deriva do valor subjetivo, uma das hipóteses básicas é de que para conseguir-se pensar a demanda, essas mercadorias devem ter utilidades marginais decrescentes. O dinheiro tem utilidade marginal decrescente???? Eu ganho mais dinheiro, eu sinto menos prazer? Ela vale menos pra mim?
“Portanto, o valor que um indivíduo atribui a uma unidade de uma determinada quantidade de bens é igual à importância que ele dá à satisfação da necessidade MENOS importante propiciada por essa unidade.”
Leandro, não entendo pq se trata da necessidade menos importante. Se o indivíduo agora, por exemplo, possui apenas um carro, pq ele irá valorizar esse bem de acordo com a necessidade atendida menos importante e não MAIS importante?
Um artigo bastante inteligente e didático.
Parabéns pela objetividade e clareza.
Isso é uma coisa que os keynesianos nunca vão entender: a mera impressão de um pedaço de papel jamais pode gerar riqueza
Não seria o “papel” um parâmetro para a mensuração de um bem? Como poderíamos precificar algo sem ter algo para isso?
Se diminuirmos a base monetária, nossa moeda passaria a valer mais?
Já que a valoração da moeda se baseia de forma subjetiva, podemos aplicar a lei de oferta e demanda, certo?
Logo: Menos é mais…Ou não tem nada a ver?
Como aumentar o valor de uma moeda?
Muito bem explicado e esclarecedor. Parabéns, Ulrich
Olá, gostaria de tirar umas dúvidas, tem haver com padrão-ouro, alguém pode me ajudar? Sou leigo:
A clássica: E se acabar o ouro? Para mim, se eu tenho, exemplo, 1kg de ouro, troco por cédulas ($1.000) e invisto, ganhando $1.300, esse $300 foi criado, foi PRODUZIDO, não é? Eu não “tirei” de ninguém…. Correto? Sendo assim, cada vez mais e mais dinheiro acaba entrando na sociedade, tendo que ser lastreado em ouro… e se acabar o ouro?
Outra: Como funciona a “entrada do ouro” na sociedade? Tipo uma Mineradora vende 1T, e receberia $ 1 milhão.. Se ela conseguir, ou se conseguisse, produzir mais…. não afetaria, em relação a Lei da demanda, oferta…? Se aquela tonelada fosse vendida por, ao invés de $ 1 milhão, por $900k, não desvalorizaria todo o ouro, o ouro de todos? Mas então como funciona esse “controle” para que a “oferta e procure” não ferre com “tudo”?
OBS: Li os artigos de padrão-ouro, concordo plenamente, mas tenho tais dúvidas.
Por último: E se a produção de ouro não for o suficiente para “abastecer” a economia?
Grato.
Perfeito texto.