O senso comum nos assegura que um imposto sobre a renda é “justo” porque tira dinheiro apenas dos ricos ao passo que impostos sobre bens de consumo penalizam majoritariamente os consumidores pobres, pois os empresários gananciosos repassam integralmente tais impostos ao preço final destes bens. Será mesmo?
Seria realmente possível as empresas repassarem os impostos que incidem sobre bens de consumo totalmente para os consumidores na forma de um preço final mais elevado?
O fato de impostos sobre a renda acabarem prejudicando diretamente também os mais pobres já foi devidamente abordado em outros artigos (aqui), de modo que este irá se concentrar exclusivamente na questão de impostos sobre bens de consumo.
Para entendermos claramente o mecanismo de uma transmissão de impostos para os consumidores, e verificarmos se tal transmissão realmente é possível em termos econômicos, comecemos do início.
A transmissão não é simples
Imagine que o mercado esteja funcionando normalmente sem um imposto sobre bens de consumo. Assim, todos os preços vigentes são aqueles determinados pela interação entre a oferta de bens — o estoque de bens disponíveis para serem vendidos — e a demanda por esses bens.
E então vem o governo e impõe uma taxa de 20% sobre o valor de todos os bens de consumo da economia. O que irá ocorrer?
Em primeiro lugar, todos os varejistas sofrerão um imediato aumento de 20% em seus custos de vendas. Se a receita era de $100, eles agora ficarão com apenas $80.
Eles podem aumentar integralmente os preços para compensar este custo adicional? Difícil. Afinal, os preços, em todo e qualquer momento, tendem a já estar estipulados em um valor que traga o máximo possível de receita líquida para cada vendedor. Se os vendedores pudessem simplesmente repassar integralmente o aumento de 20% em seus custos para os consumidores, então por que já não haviam feito isso antes? Por que tiveram de esperar que o governo estipulasse um imposto sobre bens de consumo para que então elevassem seus preços?
Assim, se os preços de fato forem aumentados em decorrência desta elevação dos impostos, haverá necessariamente uma queda no consumo. Afinal, as preferências dos consumidores não se alteraram em decorrência desta elevação de impostos. A demanda dos consumidores não foi alterada só porque o governo criou um imposto. Se o governo criar um imposto sobre as vendas, os consumidores não irão alterar suas curvas de demanda de modo a repentinamente aceitarem um preço maior para os bens de consumo.
Logo, se o aumento de custos for repassado aos preços, estes preços mais altos, tudo o mais constante, reduzirão o consumo.
A conclusão básica é que qualquer aumento nos custos terá de ser absorvido pela empresa; tal aumento não pode ser repassado integralmente para os consumidores.
Por isso, se as empresas repassarem o imposto para o preço final de seus produtos, elas simplesmente perderão receitas, pois menos consumidores comprarão seus produtos (assumindo aqui que a quantidade de dinheiro na economia não sofreu alterações volumosas).
No final, os custos dos impostos serão absorvidos pelas empresas. [Isso explica por que era ingenuidade imaginar que os preços cairiam por causa da extinção da CPMF ou por causa da abolição da sacola plástica nos supermercados].
O efeito inesperado da elevação de impostos sobre bens específicos
O exemplo acima abordou a criação de um imposto uniforme sobre todos os bens de consumo da economia. Analisemos agora o que ocorreria caso este mesmo imposto incidisse apenas sobre bens específicos.
Imagine que o governo impõe uma taxa de 20% sobre um determinado bem — por exemplo, produtos cítricos. Tal imposto faria com que as empresas que vendem laranjas, limões, pomelos, sucos de laranja e limão, picolés, saladas de frutas etc. inicialmente tivessem de lidar com um aumento em seus custos de produção e, consequentemente, uma redução em seus lucros.
Como consequência, as pequenas empresas que operam marginalmente nesta indústria poderão sofrer prejuízos e falir, ao passo que as empresas mais eficientes irão cortar custos e reduzir sua produção, de modo a provocar uma redução na oferta de produtos cítricos no mercado. Ao fazerem isso, a redução na oferta levará a um aumento dos preços e a uma queda na demanda, mas os lucros não serão afetados, pois houve também uma redução na produção.
Portanto, a taxa de 20% não pôde simplesmente ser repassada para os preços. Se as empresas fizessem isso e não alterassem seus custos de produção, o aumento dos preços levaria uma queda na demanda. E por não ter havido redução na produção, os lucros cairiam.
Por isso, é exatamente o efeito destrutivo do imposto sobre os lucros da empresa o que afeta a relação de oferta e demanda, levando a uma redução da oferta e a um consequente aumento dos preços para os consumidores.
Adicionalmente, dado que os consumidores podem, e irão, alterar suas preferências, passando a consumir outros tipos de frutas e sucos assim que os preços dos cítricos subirem, as empresas de cítricos não poderão aumentar os preços de seus produtos em exatos 20%. Tudo vai depender da oferta de produtos da concorrência. Dependendo dessa disponibilidade de substitutos e da elasticidade das curvas de demanda dos consumidores, o aumento percentual no preço dos cítricos pode acabar sendo bem menor do que 20%.
Até aqui, essa análise austríaca é bastante semelhante à análise neoclássica padrão. O diferencial vem agora.
No longo prazo — e este é o ponto distintivamente austríaco –, o fardo do imposto será jogado para os proprietários dos fatores de produção voltados especificamente para o setor de frutas cítricas — no caso, os cultivadores de frutas cítricas e donos de pomares.
O valor de seu capital — sua terra e sua mão-de-obra — cairá acentuadamente como consequência da queda na demanda por produtos cítricos. Os trabalhadores destes setores terão seus salários reduzidos. Caso não aceitem tal redução, serão demitidos e terão de procurar empregos em outras áreas. Esta maior oferta de mão-de-obra irá deprimir os salários destas outras áreas da economia.
E é assim que os consumidores serão prejudicados por este imposto indireto: como os cultivadores menos eficientes terão parado de produzir simplesmente porque não eram capazes de cobrir seus custos salariais, passa a haver uma maior escassez de produtos cítricos no mercado. E isso leva a um aumento nos preços para os consumidores.
É desta forma, portanto, que impostos indiretos levam a aumentos nos preços. Eles não são simplesmente repassados; há toda uma distorção na cadeia de produção que leva a este aumento de preços. Quanto maior o imposto, maior será este efeito.
Um famoso exemplo prático dessa teoria — e se tornou famoso justamente porque foi amplamente visível — ocorreu nos EUA no início da década de 1990, com a indústria de iates. Para combater uma queda nas receitas decorrente da recessão da época, o governo aprovou um imposto de 50% sobre ‘artigos de luxo’, como aviões particulares, automóveis e barcos que custassem mais de US$100.000. Mas a demanda por estes itens de luxo era tão elástica que as compras de iate despencaram de 400 unidades em 1990 (ano anterior à criação do imposto) para 10 unidades em 1992.
Quase todos os construtores de iates foram à falência e vários trabalhadores desta indústria — uma mão-de-obra muito especializada — foram demitidos e tiveram de aceitar salários muito menores como pescadores de caranguejos, pilotos de barcos de turismo etc. Os consumidores tiveram de lidar com altos preços até o imposto ser finalmente abolido em 1993.
O governo quis aumentar suas receitas mas acabou apenas gerando desemprego.
Conclusão
Como bem explicou Frédéric Bastiat, na economia há aquilo que se vê e o que não se vê. Um economista tem de ser igualmente versado nas duas artes. Nenhum imposto é neutro ao mercado; todo e qualquer imposto gera consequências inesperadas e não-premeditadas.
Esse exemplo dos Iates é muito bom. Deixa claro o que os progressistas se recusam ver: Esses “luxos” e “mimos” dos ricos geram milhares e milhares de empregos. Isso é que é distribuição de renda: Receber uma renda por produzir algo de valor. Ao taxar esses produtos, o rico fica com o dinheiro para si e o pobre fica desempregado.
Perfeito o artigo. Como o varejista arca com o imposto (pois não tem como repassar tudo para o preço), ele tem de cortar custos. Logo, ele tem de fazer pressão sobre seus fornecedores, os quais acabam pagando o pato.
Para uma explicação extremamente detalhada sobre todos os impostos e todas as suas consequências, recomendo o capítulo IV do livro Governo e Mercado, de Murray Rothbard.
http://www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=74
“O governo quis aumentar suas receitas mas acabou apenas gerando desemprego.”
Lei universalmente válida sobre governos.
Muito obrigado mais uma vez pela clareza e simplicidade como esses assuntos são explicados. Mesmo uma pessoa completamente leiga como eu consegue entender e repassar a ideia.
Uma dúvida: assim como a empresa não pode repassar imediatamente os custos decorrentes dos impostos sobre o consumo, da mesma forma ela não reduzirá os preços no caso da diminuição de alíquota, certo? Como a empresa quer maximizar seus lucros, e como não houve alteração na demanda, ela não tem motivos para reduzir o preço. É isso?
As 10 infelizes leis brasileiras – resultado da doutrinação marxista:
1) O Estado é imperativo para o desenvolvimento econômico e a manutenção da ordem e da justiça
2) Todo empresário é ganancioso e escraviza seus funcionários
3) Impostos são justos pois são usados para ajudar os mais pobres
4) O capitalismo gera desigualdades
5) O Lucro é imoral
6) As minorias são perseguidas
7) Os sindicatos são defensores dos direitos dos trabalhadores
8) A polícia é violenta
9) As instituições estão cada vez mais fortalecidas
10) A "democracia" tem que ser "defendida" a qualquer custo (inclusive através de terrorismo).
O problema é que o governo não suporta cidadãos ricos.
Um PIB de 10 trilhões com 15% de imposto, é igual a um PIB de 5 trilhões com 30% de imposto. A arrecadação seria exatamente a mesma.
O governo não suportaria ficar com apenas 15%. Ele quer que empresários sobrevivam com dinheiro do mês, formas de multar, impedir que as pessoas ganhem dinheiro, etc.
Já está claro que o governo só quer roubalheira. O mundo ideal para o governo é um monte de escravos que não reclamam. São pessoas sem o mínimo de carácter.
O Estado é o causador de quase odos os problemas da sociedade, escravizando os cidadãos.
E as pessoas acham normal isso, como se estivessem dependentes de uma droga, o “estatismo”.
Me lembra de um trecho de “Matrix”, que Morpheu diz que as pessoas se tornaram dependentes da escravidão e farão de tudo para proteger os escravizadores.
Quem realmente sustenta os impostos? O pequeno e médio empresariado? Todos os empresários inclusive os ligados ao estado? O trabalhado assalariado ao consumir?
Nós temos a obrigação de respeitar outras pessoas?
A ironia cruel é que a justificativa para impostos tão elevados no Brasil é financiar os programas assistencialistas que visam auxiliar os mais pobres, sendo que são justamente estes impostos que os mantêm na pobreza.
Por isso eu digo que os impostos mais justos são aqueles atrelados a capacidade de pagamento de cada um. Quem recebe mais, deve pagar mais; quem recebe menos, deve pagar menos. O imposto de renda progressivo, por exemplo, eu acho um dos mais justos. Já impostos sobre os itens e serviços mais populares, acho menos justos, porque acabam onerando mais aquelas pessoas de menor renda.
Se aumentasse os impostos dos carros a combustão e isentasse em 100% dos carros elétricos, o que aconteceria com a economia?
Os carros elétricos iriam virar eternos e 100% da realidade?
Eu to precisando desenvolver meu raciocínio, isso causaria investimentos errôneos, me ajudem a desenvolver
Grato e abraços
Imposto existe de todo sempre. Estado significa imposto, sua existência depende dele. Não vejo como alterar esse status-quo.
Que outras maneiras o Estado poderia se financiar que não seja impostos e títulos do Tesouro?
O que aconteceria se os impostos fossem apenas sobre a renda de pessoas físicas que ganham altos salários e trabalham para o governo ou para empresas?
Faz tempo que vi um artigo que abala os meus conhecimentos por aqui. Só não entendi o exemplo da extinção da CPMF e das sacolas plásticas. Se a remoção de custos sobre o empresário aumentar seus lucros, vai haver maior oferta e consequentemente barateamento de preços não? Qual motivo de nao ter havido mudanças nos preços? O exemplo dos artigos de luxo é o inverso desse exemplo e houver aumento de preços.
À parte a questão ideológica (imposto é roubo), qual seria o menos pior tipo de imposto? (Supondo que o valor arrecadado seja o mesmo)
Qualquer pacote de medidas que não envolva cortes de arrecadação e de gastos do governo terá (na melhor hipótese) efeito nulo, “uma martelada no prego e outra na ferradura”.
* * *
Eu sempre achei que o melhor tipo de imposto seria o imposto sobre o lucro. O imposto sobre o consumo prejudica as demandas mais elásticas (exemplo dos iates do texto). O imposto sobre o lucro é o tipo de imposto que não intervém na administração da empresa, ao contrário dos impostos sobre o faturamento, que obrigam as empresas a ter uma margem de lucro mínima maior que os impostos sobre a receita.
Pois é Antônio Galdian. Está aí uma questão que me intriga: “À parte a questão ideológica (imposto é roubo), qual seria o menos pior tipo de imposto? (Supondo que o valor arrecadado seja o mesmo)”.
Acrescentaria, ainda, qual a melhor proporção na distribuição destas 4 bases (renda – pf e pj, patrimônio, consumo e folha de pagamento), admitindo, sempre, como premissa, a atual carga tributária.
Não há nada substancial para estudos.
Há este manifesto da ANFIP e FENAFISCO:
reformatributariasolidaria.com.br/
Belo texto. Simples e explicativo.
Mesmo o simples nacional traz uma lógica perversa ao aumentar os impostos conforme a empresa aumenta seu faturamento. Cada vez que ela fica sujeita a uma alíquota maior, diminui sua competitividade, restringindo sua capacidade de atender consumidores e gerar empregos.
Boa tarde,
Texto muito direto no conceito e bem esclarecedor. Parabéns!!
Toda riqueza é produzida em sociedade, e representa uma fatia do capital social total. Todas as partes envolvidas no processo de criação de riqueza são importantes, como se fossem as peças de um complexo mecanismo de engrenagens.
Essa frase é importante porque ela derruba o EGOÍSMO dos libertários.
Não há riqueza individual… o libertário esbraveja: “minha riqueza…imposto é roubo da “minha” propriedade.”
É importante deixar claro que libertários são egocêntricos.
O imposto ele tem uma função social. É por conta dele que você tem estradas, calçadas etc…
Mas por incrível que pareça, é o menos pior dos impostos. Compare com os outros tipos de impostos existentes: imposto sobre a renda, imposto sobre a poupança, imposto sobre transações financeiras, imposto sobre o lucro, imposto sobre ganhos de capital, imposto corporativo, imposto sobre a propriedade territorial, imposto sobre a propriedade residencial, imposto propriedade rural, etc… O imposto sobre o consumo é o menos pior dos impostos. existentes..
Se é para existir imposto, que seja um pequeno imposto sobre o consumo, inferior a 10%.
“Eles podem aumentar integralmente os preços para compensar este custo adicional? Difícil. Afinal, os preços, em todo e qualquer momento, tendem a já estar estipulados em um valor que traga o máximo possível de receita líquida para cada vendedor. Se os vendedores pudessem simplesmente repassar integralmente o aumento de 20% em seus custos para os consumidores, então por que já não haviam feito isso antes? Por que tiveram de esperar que o governo estipulasse um imposto sobre bens de consumo para que então elevassem seus preços?”
Simples, a taxação do governo atinge todos os que você chama de vendedores, então eles fazem o de sempre: repassam o aumento para os consumidores, não fazem isso antes da taxação porque se decidissem simplesmente aumentar o preço outros não fariam para tomar mercado.
“Eles podem aumentar integralmente os preços para compensar este custo adicional? Difícil. Afinal, os preços, em todo e qualquer momento, tendem a já estar estipulados em um valor que traga o máximo possível de receita líquida para cada vendedor. Se os vendedores pudessem simplesmente repassar integralmente o aumento de 20% em seus custos para os consumidores, então por que já não haviam feito isso antes?”
Acredito que esse trecho esteja tratando do Homo Economicus que os neoclássicos e keynesianos adoram. É o empreendedor estritamente racional.
Na realidade, vemos diferentes tipos de formação de preço de bens e serviços. Existem aqueles que, dado seu custo, colocam uma margem de X% e esse fica sendo seu valor de venda. O que impede esse preço de ser menor do que o que maximiza a receita? Nesse caso, esse empreendedor poderia sim repassar todos os custos, não?
“Assim, se os preços de fato forem aumentados em decorrência desta elevação dos impostos, haverá necessariamente uma queda no consumo.”
Isso aqui não depende da elasticidade da demanda?
Imaginemos um produto essencial e poucos substitutos, como a água. O consumo garantidamente irá cair? Se não, esse argumento não seria válido.
Penso que poderia haver um sistema justo de equilíbrio e mecanismo reajuste da Economia, que cortasse aposentadorias milionárias, privilégios e despesas excessivas,que tributasse bens, produtos e serviços, caso fosse necessário mas ao mesmo tempo, multiplicasse um capital residual gerado desta equação e fizesse a distribuição para as diversas áreas por meio de um Fundo Financeiro Econômico Emergencial, de modo que no decorrer do tempo, equilibrasse a situação de demandas destas áreas, alcançasse o ponto de equilíbrio das contas públicas, promovendo uma situação de estabilidade financeira e econômica e diante de uma eventual crise futura reiniciasse o ciclo de reajuste econômico. Esta tese é possível?
A teoria austríaca não leva muito a sério a elasticidade da demanda como um dado tão relevante assim, correto?
Ainda tenho dúvidas de como um economista austríaco usa a praxeologia no seu trabalho.
Como partindo do axioma da ação humana se chega numa TACE, por exemplo?
Artigo muito bom. Não tenho nenhuma formação para discutir o assunto, mas, e no caso de um produto como os combustíveis? Aqui me parece que não há como o consumidor escapar da transferência dos valores para o preço final, afinal posso parar de tomar suco de laranja, mas não posso parar de me deslocar. A consequência seria que eu ficaria mais pobre?
Acho que há vários aspectos sobre a questão:
Tributar o consumo talvez seja “menos pior” na medida em que incentiva a poupança e, portanto, o reinvestimento;
contudo, percebam que, ainda que coercitivos e ruins, a única coisa que o Estado oferta são serviços, que, doutro modo, só seriam consumidos com o dinheiro do lucro (pois quem não tem lucro não teria dinheiro para consumo), razão pela qual seria mais lógico, para qualquer um, só realizar consumo se tiver excedente (lucro), portanto, sob tal aspecto, é menos artificial (e, em tese, melhor) o imposto sobre o lucro.
Mas… mudando um pouco o referencial… tenho comigo que em qualquer caso o valor acaba sendo mesmo repassado ao produto e, neste sentido, tenho que o imposto sobre o consumo especifica melhor as partes envolvidas, enquanto que sobre a renda ela socializa mais o tributo (o que acho ruim); exemplifico: em uma empresa que só vende um tipo de geladeira em um só local isto não faria diferença já que todo o lucro vem da venda (do consumo por terceiros) de um só produto em um só local; entretanto, em uma empresa que vende carro no Paraná e geladeira na Paraíba o lucro da empresa certamente viria de situações completamente diferentes entre si e, portanto, com rentabilidades distintas, de modo que o imposto de renda total da empresa certamente estaria sendo mais financiado ao longo do tempo ou pelos consumidores de carro do Paraná ou pelos consumidores de geladeira da Paraíba, o que causaria injustiças na medida em que, possivelmente, uma das linhas de venda produziria mais lucro que outra, ou seja, de certa forma, ou os consumidores do Paraná ou os da Paraíba estariam financiando em um percentual maior o imposto total; enfim, acho que o imposto sobre o consumo teria o potencial de alocar melhor os custos dos impostos entre as partes que efetuam a troca.
A realidade sempre foi e sempre será imperfeita porque o ser humano é intrinsecamente imperfeito. A questão é escolher os sistemas menos piores (inclusive de impostos) e aprimorá-los continuamente dentro do possível.
* * *
Mais um artigo excelente como sempre!
Pessoas, por que aqui o desemprego não disparou com os lockdowns, como em outras partes do mundo? Legislação? Milagre? Errei em algum diagnóstico? Ou porque estamos nessa situação de desemprego desde 2015? O que esperar para os próximos meses e anos?
No mais, Guedes deveria pedir demissão, pelo bem do país. Coloquem um boneco vudu no lugar dele, que teremos pelo menos uma moeda forte. Que ele vá curtir a vida em Mônaco e pare de ficar palpitando.
Eu vi esse vídeo e fiquei pensando:
“O problema fundamental da Reforma Tributária”
Por decreto, será que o governo federal não poderia extinguir esse dejeto de sistema tributário e copiar da Estônia? Gradualismo só dá errado.
Olá pessoal, tudo bem? Então temos esta teoria da escola austríaca. Como pode ser aplicado hoje no Brasil no atual cenário? Temos leis que engessam, um congresso que barra as novas leis. Penso que temos que aplicar o que aprendemos aqui no Mises. Mas como seremos uma economia liberal?
O que vocês acham?
“Para privatizar Correios, governo prepara marco legal para o setor”
Se eles abrirem o setor, acho a melhor coisa. Claro, vender os Correios vai melhorar os serviços (não tem como piorar), mas vai continuar ruim (igual é hoje o setor de telecomunicações). Outra coisa que eles precisam mudar é em tirar as restrições e o nível de invasividade sobre o que mandamos e recebemos. No fim de 2017 vocês se lembram daquela exigência invasiva da SRF de querer saber o que estamos mandando e recebendo (para pessoas físicas), ou seja, eles mesmos não confiam no cidadão mas querem que confiemos neles. Nos EUA, até filhote de tartaruga você pode mandar pelo USPS (o similar americano daqui), por aqui o negócio é praticamente proibitivo (como a exigência do GTA) e então a maioria acaba fazendo isso de maneira ilegal. No site dos Correios, eles falam que pode enviar animais vivos permitidos pela convenção de não sei o quê (eles não citam quais), então ficando uma coisa obscura, como quase tudo nesse país. Para essa desburocratização, acho que também teria de juntar nessa o Ricardo Salles (é norma do Ibama) e possivelmente a Tereza Cristina (do MAPA), para fazer a desregulação. O Salles falou tanto de desregular, então vamos!
O melhor “modelo” é o do Leandro (nem precisava terem aberto concurso para artigo desse tema, já tinha um bom artigo de 2012!), cujo artigo é este.
Opa! Pessoas, eis o mapa dos pagadores e dos recebedores do programa bilionário de recuperação na União Europeia:
Net payers and recipients of EU recovery fund in billion EUR
Alemães, como sempre, pagando a conta. Franceses também. Chama atenção o montante que a Espanha recebeu, mais do que o dobro do que o da Grécia.
Gente, olhem a pesquisa feita por essa ONG “OXFAM”, insistindo na mesma narrativa esquerdista de sempre:
extra.globo.com/noticias/economia/patrimonio-de-bilionarios-brasileiros-cresceu-us-34-bilhoes-durante-pandemia-diz-oxfam-24552867.html
E a proposta deles para resolver esse “problema”?? Adivinhem: AUMENTO DE IMPOSTOS!!! TAXAR OS MILIONÁRIOS (imposto que não certo em lugar nenhum) e cobrar impostos de plataformas digitais, pois o consumo desses produtos aumentou, além do AUMENTO DE GASTOS ESTATAIS para “combater os milionários que estão ganhando com o COVID-19”. SÉRIO ISSO??
http://www.investificar.com.br/ouro-atinge-maxima-historica-prata-e-bitcoin-tambem-disparam-com-enfraquecimento-do-dolar/?fbclid=IwAR1cAj4fV1fmKSvbxWEVrKmWC1y_JifmCasalG4KyUn-kaCR99YR_Bad5pI
O dolar caindo e o ouro subindo
Eu falei com um colega meu – “não importa se é privado ou público, o que importa é se existe este triângulo:”
*Sistema de lucros e prejuízos
*Sistema de alocação racional dos recursos, a.k.a sistemas de preços
*Sistema de concorrenciabilidade
Essas três características são quase inexistentes no setor público
Vi esse tuíte agora há pouco:
“O Agro é o único setor BR com ganho de produtividade relevante há 5 décadas. Cresce mesmo na crise.
Ainda assim quase não há empresas do setor na bolsa. O que há de errado?”
O setor agropecuário é composto de verdadeiros hoplitas. Após a década de 60, o aumento na produtividade agrícola foi algo impressionante. Agora, sobre a bolsa de valores, por que vocês acham que isso acontece? Por que e como se deu esse aumento estrondoso na produtividade do setor no Brasil depois dos anos 60? Aquele brutal corte dos gastos feitos no governo Castello Branco foi o bastante?
Fenômeno também legal é o caso do café brasileiro e o da borracha natural. Os dois setores tiveram um boom no Brasil, mas só o café continuou tendo relevância, ao passo que fomos passados pelos países asiáticos de clima tropical no caso da borracha.
Encontrei esses dados do PIB do setor da agricultura, com a média.
Ah, uma observação: a desvalorização da nossa moeda torna atrativa as exportações das commodities. Então, nos tempos de agora, eles estão exportando do bom e do melhor para os estrangeiros. Alguém aí sabe dá para comprar café “tipo exportação”?
Fugindo do tópico do artigo, gostaria de compartilhar convosco uma pequena amostra da mentalidade atrasada e terceiro-mundista do Bananense médio:
Certo dia estava eu “escrolando” no Facebook quando topei com um meme, que não me lembro direito como era, mas basicamente brincava que um lavador de pratos nos EUA ganha mais do que um engenheiro em Banânia. Então decidi checar a seção de comentários, e o comentário que estava no topo chamava as EUA de “shithole superestimado”, quando nas respostas perguntaram porque ele achava isso ele respondeu coisas do tipo “a maioria dos brasileiros que vai pra lá só faz o serviço que os americanos não querem”.
O nosso amiguinho simplesmente jogou no lixo todas as variáveis envolvidas nessa questão, como por exemplo o fato de muitos bananenses irem pra lá sem falar inglês fluente , muitas vezes não falando nada de inglês, a maioria não possui formação em alguma área com alta demanda e pouca oferta no país, alguns vão só com o ensino médio de escola pública mesmo, as vezes nem isso, fora a questão do visto, eu não sei como funciona na terra do homem laranja mau, mas na Europa os vistos de trabalho tem prazo e muitas vezes não são renovados, fora a galera que vai ilegal mesmo.
Enfim, o cidadão, ignorando completamente tais fatores acha que vai chegar em outro país mal e parcamente falando a língua nativa de lá, sem nada que chame atenção no currículo, com um visto de trabalho temporário ou mesmo sem visto nenhum, e simplesmente darão à ele um emprego de boa qualidade logo de cara, se isso não acontece então o país é um “shithole superestimado”.
O mais engraçado é que na Europa, elogiada pelo dito cujo elemento, a situação é muito semelhante, se não igual, lá os bananenses que tem empregos bons ou já saíram daqui empregados ou então tem uma boa proficiência na língua do local e tem formação e/ou experiência em áreas em que falta gente, fora isso, quem simplesmente vai na cara e na coragem acaba geralmente lavando pratos igual nos EUA.
Enfim, esse não foi o único comentário desse nível que tive o desprazer de ver por lá. Os jovens simplesmente não sabem mais que na vida, com raras exceções, se começa por baixo, especialmente se você se muda pra um local onde ninguém te conhece, você não fala a língua de lá com fluência, etc.
Enfiar uma cunha de custos goela abaixo gera, em última análise, redução de investimentos na área afetada, pois com margens unitárias e globais menores, o investimento vai cada vez mais se mostrando menos atrativo. Ou seja, onde o governo espera comer é de onde não sairá comida. A população perde, os investidores perdem, a economia perde e, por fim, o governo perde. O governo tem é que reduzir custos e se comportar dentro ou em limites tão inferiores quanto possível, da capacidade da economia suportá-lo. Se o governo desequilibrar a economia, com gastos ineficientes, a casa cai.
Go out pelo aeroporto internacional mais próximo.
Os patriotas (vocacionados, iludidos ou por condição) que ficarão no país, mas o máximo que dá pra fazer, é uma política de menores danos (como se tentou em 28/10/2018).
Pois…
Tanto mais perdulário, corrupto, amoral e inetpo é o estamento burocrático. Maior o mesmo será, e maior será a carga tributária exigida correspondente.
E junto dessa já enorme carga tributária, estarão sua ”eterna insuficiência” dado o caráter perdulário do espoliador.
E também mais injusta, dada a ”lógica amoral” do espoliador em prejudicar exatamente os mais pobres, para que estes sempre ”necessitem” de um estado que os defenda que os vá proteger.
O Brasil é, resumidamente isso, desde 1500.
Brilhante comentário. De uma nitidez cristalina ímpar.
http://www.istoedinheiro.com.br/substituto-do-pis-cofins-pode-elevar-renda-em-ate-r345-por-ano-a-cada-brasileiro/
Seta mesmo verdade esse estudo ou é uma maneira de fazer propaganda da aliquota unificada com aumento?
De inesperado não tem muita coisa, né? rs
Pessoal, vamos comemorar. Antes o Haiti estava à nossa frente em liberdade econômica. Agora passamos eles.
Não estou brincando, só pegar esse comparativo entre os dois países.
Obrigado Paulo Guedes.
Eu estava no YouTube, e me deparei com um vídeo do youtuber e deputado MamãeFalei – Arthur Moledo do Val. Ele tem um vídeo que ele fala que abriu mão do salário ou dos auxílios (se n me engano foram auxílios). E isso acabou me intrigando bastante, fiquei pensando, qual seria o procedimento usado para fazer tal feito?
Alguém desse site provavelmente foi servidor público ou alguém que saiba sobre o assunto, poderia me guiar sobre isso?
Gostaria de saber como podemos rejeitar o salário (de servidor público) e os auxílios? Se tiverem sites sobre o assunto e os sites forem seguros até oficiais, eu agradeço estou curioso… abraços!
Pela primeira vez deste setembro de 2018, os juros longos brasileiros voltaram a passar dos 10 %.
É injusto que eu, um mero consumidor de carro popular tenha que pagar IPVA, enquanto o ricaço que usa jatinho e iate não. Deveria ter IPVA de jatinhos e iates.
Jair Bolsonaro leu esse artigo. Ele zerou IPI para importação de jet ski e veleiro. Ele também quer desregular a aquisição de habilitação para esses veículos.
Os argumentos dele são bons.
Tem que escrever na cara: aumento de imposto gera um custo ao produtor e proporcionalmente é um dinheiro que ele vai deixar de investir na produção.
A produção do setor penalizado vai cair proporcionalmente ao dinheiro espoliado do bolso do produtor. Vai ocorrer menos compra de bens de capital, menos contratações humanas, menos material pra beneficiar para oferta futura de bens ou servicos.
Os precos subirão pela queda na oferta. E com a queda na oferta , cairá o pib. Mesmo sem impressão monetaria, os precos sobem pelo menos proporcionalmente pela diminuição da oferta.
Opostamente , queda nos impostos estimula a contratação, mais dinheiro pra compra de bens de capital e material pra futura oferta de bens e serviços . Com o aumento destes , o corre diminuição dos preços e o povo consumidor tem mais prosperidade. Tudo na contramão do que o gov quer: mais impostos e mais impressão de dinheiro pra gastar nas suas ” bolsas”.