Voltar

Para melhorar a caridade, retire o governo da função assistencialista

A maior forma de caridade, argumentou o filósofo
judeu Maimônides, ainda no século XII, ocorre quando a ajuda dada permite ao
ajudado se tornar auto-suficiente.

No entanto, os sistemas de caridade estatal vigentes
ao redor do mundo — eufemisticamente chamados de ‘sistemas de bem-estar
social’ — geraram o efeito oposto: eles na realidade criaram dependência.

Pior: os grandes beneficiados acabaram sendo os próprios
políticos e burocratas que gerenciam o arranjo.

A
burocracia estatal é a grande ganhadora

O governo utiliza a coerção para adquirir as
receitas (impostos) que usa para financiar o assistencialismo. No entanto, como
evidenciada pela comissão retida antes da redistribuição da riqueza, as
burocracias estatais são as grandes beneficiadas pelos programas sociais.

E isso não ocorre apenas em países atrasados e
corruptos, não. Pegue, por exemplo, o Canadá, que figura entre os 10
países menos corruptos do mundo
. O número de burocratas contratados apenas
para gerenciar os programas de redistribuição de renda aumentou
incríveis 43% entre 2006 e 2012
.

Isso comprova uma obviedade: é do interesse de políticos
e burocratas criar (impor) uma cultura de dependência. Quanto mais
assistencialismo, maiores os ganhos daqueles que o gerenciam.

Certamente, o padrão é ainda pior nos países mais
pobres.

O dinheiro do assistencialismo, em grande parte, não
vai para os pobres, mas sim para os próprios membros da burocracia que coordena
todo o esquema. Vai também para os assistentes sociais, para os consultores,
para as empreiteiras que constroem as moradias populares, para os burocratas
que gerenciam os hospitais públicos, os restaurantes populares e os centros de redistribuição.

Consequentemente, os pobres são maldosa e intencionalmente
transformados em uma subclasse perpétua, dependente do governo, para que alguns
parasitas possam viver confortavelmente bem à custa de todo o resto da
sociedade.

Logo, é urgente repensar a maneira como estamos
atualmente delegando ao estado a tarefa de ajudar as pessoas.

Irei aqui sugerir algo que muitos poderão considerar
perturbador e desconcertante: o bem-estar social e todas as variedades de
assistencialismo seriam mais eficazes, mais variados, mais difundidos e mais
baratos se não houvesse nenhum envolvimento estatal.

As pessoas instintivamente pensam que, sem um
programa assistencialista gerido pelo estado, os pobres e os necessitados não
seriam cuidados e, consequentemente, seriam deixados à míngua. Com esta perspectiva
em mente, as pessoas consequentemente se tornam fervorosas em sua defesa de
algum programa assistencialista estatal, ainda que possam porventura apresentar
reservas à maneira como tal programa esteja sendo gerido pelo
estado.  

Mas eis o fato: sugerir que o assistencialismo
estatal não está funcionando e que ele deveria ser abolido não é
a mesma coisa que sugerir que os pobres e necessitados não devem receber
cuidados. Com efeito, é exatamente o oposto.

A assistência é algo complicado — e não
é apenas o assistido o que importa

O fornecimento de serviços assistenciais é um
processo delicado, complicado e imprevisível. Em algumas ocasiões,
simplesmente dar dinheiro pode realmente levar o assistido ao caminho da auto-suficiência;
em outras, não. Dar dinheiro pode gerar uma redução temporária de seu
sofrimento, mas frequentemente gera uma maior dependência e uma menor
auto-suficiência. 

Em determinadas ocasiões, uma abordagem estritamente
local é tudo de que se necessita; em outras, uma abordagem mais prática passa a
ser essencial; já em outras, é necessária uma abordagem puramente psicológica
ou emocional; e há também ocasiões em que se deve buscar algo que seja mais
específico às circunstancias particulares de cada indivíduo. Por fim, há
também ocasiões em que todo o necessário é apenas dar o proverbial
“tapinha nas costas”. Diferentes circunstâncias requerem
diferentes abordagens e diferentes formas de assistência.

No passado, era assim que era feito. E os resultados
eram superiores.

O historiador David Beito, em seu
livro “From Mutual Aid to the Welfare
State: Fraternal Societies and Social Services, 1890-1967

(Da ajuda mútua ao estado
assistencialista: sociedades fraternais e serviços sociais, 1890-1967
), mostrou
que, independentemente de suas origens, os membros de praticamente todos os
grupos étnicos e nacionais criaram formidáveis redes de auxílios individuais e
coletivos para ajudar a aliviar a pobreza. Essas redes de auxílios recíprocos
tendiam a ser descentralizadas, espontâneas e informais. Era comum que os doadores
e os recebedores fossem pessoas da mesma camada social. Os recebedores de hoje
podiam se transformar nos doadores de amanhã.

Segundo Beito:

A
ajuda recíproca era algo muito mais predominante do que a ajuda governamental e
até mesmo do que as doações privadas. Sua expressão mais básica era a doação informal:
os incontáveis e imemoriais atos de bondade entre vizinhos, colegas de
trabalho, parentes e amigos. […]

A
ajuda mútua e os arranjos informais entre os vizinhos, criados pelos próprios pobres,
ofuscavam completamente os esforços das agências governamentais voltadas ao “combate
à pobreza”.

Sobre
isso, Edward
T. Devine
, um proeminente assistente social, escreveu um artigo para a
revista “Survey” para alertar seus colegas contra a presunção e a mania de
grandiosidade que eles próprios se atribuíam. Ele reiterou que milhões de
pessoas pobres estavam se mostrando capazes de sobreviver e progredir sem
recorrer à ajuda governamental.

Disse
ele:

“Nós
que estamos engajados nesse trabalho de gerar alívio aos pobres . . .  acabamos tendo impressões bastante
distorcidas sobre a importância, na economia social, dos fundos que estamos
distribuindo ou dos esquemas sociais que estamos promovendo . . . Mas a
realidade mostra que não somos tão indispensáveis assim. . . . Se não houvesse
recursos públicos em épocas de enormes aflições e angústias, e essas pessoas tivessem
de recorrer às ajudas mútuas e voluntárias, bem como aos auxílios informais
feitos por vizinhos, ainda assim a maioria destas aflições seriam debeladas.”

A caridade privada era mais efetiva do que o
assistencialismo estatal porque indivíduos contribuindo com seu próprio dinheiro
são muito mais incentivados a identificar necessidades genuínas. Em nível local,
é fácil monitorar os auxiliados para garantir que eles de fato estão genuinamente
se esforçando para se tornarem independentes. Com efeito, no passado mais
distante, grande parte da ajuda fornecida vinha daqueles que conheciam
pessoalmente os recebedores do auxílio.

Em contraste, burocracias estatais centralizadas são
impessoais por natureza. Elas lidam com milhões de indivíduos que estão na lista
dos auxiliados, de modo que é impossível conhecer cada um pessoalmente. Acrescente
a isso o fato de que elas estão distribuindo o dinheiro alheio, extraído
coercivamente via impostos, e você concluirá que os incentivos para se
determinar as genuínas necessidades desaparecem quase que por completo.

A consequência é que se torna muito mais fácil fraudar
o sistema (no Brasil, ver aqui,
aqui,
aqui
e aqui).
Os indolentes e os espertalhões sabem como se aproveitar do moderno sistema de
assistencialismo público, ao passo que esses mesmos não teriam qualquer chance
no sistema privado de antigamente.

A
destituição do filantropo

Tendo tudo isso em mente, a seguinte pergunta se
torna inevitável: como pode alguém realmente pensar que é viável criar um
programa de assistencialismo estatal que seja feito de cima para baixo, e
imaginar que tal programa irá satisfazer todas essas necessidades distintas e
variáveis, de maneira consistente?

E a coisa se complica ainda mais. Até agora,
falamos apenas do assistido. Temos de falar também do doador, do
“filantropo”.  Ele também tem de ser considerado.

Compaixão, assistência e caridade são atitudes
humanas essenciais. Elas fazem parte da natureza humana. Assim como as pessoas precisam receber, elas
também devem dar. Assim como as pessoas precisam ser ajudadas, elas também
devem ajudar. 

No processo caritativo, o filantropo também tem suas
necessidades. Em algumas ocasiões, ele quer anonimato; em outras, ele quer
reconhecimento. Há ocasiões em que ele quer estar envolvido de alguma maneira
com o assistido; e há ocasiões em que ele prefere não ter envolvimento nenhum.

No entanto, quando a caridade se torna um programa
estatal compulsório, as necessidades do filantropo nem sequer são
consideradas. Sua renda é confiscada via impostos e fim de papo. O filantropo
não tem nenhuma voz ativa; ele simplesmente não pode especificar a maneira como
o dinheiro que ele ganhou e que lhe foi tomado deve ser gasto. Para piorar, o
filantropo é, na maioria das vezes, moralmente contra os programas que seus
impostos financiam.

A tributação é um ato de doação forçada que
destrói a satisfação altruísta que as pessoas normalmente sentem quando fazem
doações voluntárias. Ajudar os outros e compartilhar com eles um pouco do
que temos é parte de nossa humanidade. No entanto, em um mundo em que o
governo se arvorou a responsabilidade de cuidar dos pobres e necessitados, essa
compaixão foi removida. Como resultado, o estado hoje detém um
quase-monopólio da compaixão.

Com efeito, a coisa é ainda mais bizarramente
específica: a esquerda defensora de um estado assistencialista inchado e
generoso detém hoje o monopólio da compaixão. Qualquer um que não concorde
com o conceito de um estado assistencialista inchado e generoso é imediatamente
tido como insensível e egoísta.

A solução: concorrência

Quando você é obrigado a pagar impostos para o
governo para que ele forneça serviços assistencialistas (ou mesmo educação e
saúde) para os necessitados, a sua capacidade de pagar por
estes mesmos serviços para você e para sua família é reduzida, pois agora você
tem menos dinheiro. Após uma parte da sua renda ser confiscada via
impostos, torna-se mais difícil para você bancar a escola de seus filhos, seu
plano de saúde e seu aluguel. E se torna ainda mais difícil você ser
caridoso para com terceiros, o que significa que tal tarefa será delegada com
ainda mais intensidade ao estado. 

Pior ainda: o próprio fato de você agora ter menos
dinheiro significa que você provavelmente também dependerá do estado para determinados
serviços. Isso faz com que a rede de dependência cresça cada vez mais.

Mais: se o estado está fornecendo auxílio para os
necessitados com o seu dinheiro, então você inevitavelmente se sentirá
absolvido da responsabilidade moral de ajudar os outros
necessitados.

Simultaneamente, o assistencialismo estatal, além de
ser inflexível, é caro. Como mostrado acima, as burocracias
que administram os programas de redistribuição de renda sempre são ineficientes
e dispendiosas, além de propensas à corrupção e ao rentismo.

Se você analisar o que ocorreu ao longo das últimas
décadas com itens como tecnologia, alimentação e vestuário — necessidades
humanas essenciais que, em grande parte, não são fornecidas pelo estado –,
verá que houve uma queda dramática nos preços (mensurados em termos de horas de
trabalho necessárias para se adquirir a mesma quantidade de cada item) e uma
sensível melhora na qualidade dos produtos. A concorrência reduziu os
custos. No entanto, no campo assistencialista, não houve tal melhoria. Por
que não? Porque, graças ao quase-monopólio estatal, não há concorrência
nesta área.

A ideia de haver concorrência para serviços
caritativos é ofensiva para muitas pessoas. Mas é necessário haver
concorrência se a intenção for melhorar a qualidade e reduzir os custos.

O maior gasto em nossas vidas não é,
como muitos acreditam, nossa casa ou a educação de nossos filhos. Nosso
maior gasto é com o governo. E tal gasto não deve ser mensurado apenas em
termos de carga tributária, mas também em termos de regulações, burocracias, infraestrutura
decadente e serviços pelos quais temos de pagar em dobro, pois os que o estado
fornece com nossos impostos são lastimáveis (como saúde, educação e
segurança). 

Sendo assim, imagine um mundo com um estado
mínimo. Repentinamente, este gasto desnecessário seria removido. Sem
o custo do estado, teríamos agora mais capital para investir e gastar. As
pessoas genuinamente estariam no poder. Nossa capacidade de ajudar os
necessitados seria aumentada.

Nossa responsabilidade moral em
ajudar os outros seria repentinamente restaurada. Mais ainda, seria
aumentada. 

Simultaneamente, e graças à concorrência, a ajuda
que queremos e podemos oferecer seria mais barata, mais variada e de melhor
qualidade. Organizações estariam competindo entre si para oferecer mais
ajuda a um preço menor. E mesmo organizações que visam estritamente ao
lucro estariam propensas a fazer isso porque, no mínimo, seria bom para a
imagem delas.

Qual seria o resultado? Auxílios caritativos a
custos mais baixos, auxílios caritativos mais eficazes, auxílios caritativos
mais variados, mais difundidos e mais flexíveis, que poderiam satisfazer
necessidades específicas. Em suma, uma rede caritativa de maior qualidade
que estimulasse algum retorno dos auxiliados em termos de
qualificações profissionais
.

Conclusão

Podem os programas assistencialistas ser reformados
de modo a igualar os incentivos possuídos por indivíduos privados? Não. A natureza
superior dos incentivos privados advém do fato de que indivíduos estão utilizando
seus próprios recursos — seu próprio dinheiro. Isso é impossível de ser
copiado dentro da estrutura institucional coerciva do governo.

Você diz que, sem o estado assistencialista, os pobres
e necessitados seriam deixados à míngua? Pois eu digo que eles serão
tratados em um padrão muito mais elevado do que aquele vigente hoje. Afinal, já
foi assim no passado.

Últimos Artigos

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

46 comentários em “Para melhorar a caridade, retire o governo da função assistencialista”

  1. Há algumas décadas, antes de o estado se intrometer na saúde, a Igreja mantinha hospitais de excelente nível, fornecendo vários serviços gratuitos, serviços estes que eram financiados por doações, inclusive de ateus caridosos. Mas desde que o estado entrou em cena para mostrar todo o seu amor aos pobres, a Igreja perdeu doações, pois as pessoas pensaram: “O estado já faz o serviço; não preciso mais contribuir para serviços caritativos”.

    O curioso é que absolutamente ninguém toca nesse assunto. Ninguém comenta como os serviços caritativos da Igreja auxiliavam as pessoas no passado e hoje perderam espaço para o SUS. Defensores da saúde estatal é que devem explicações.

  2. Eu sempre foi engajado em movimentos de filantropia e auxílio. Na década de 90, o dinheiro doado poderia ser descontado do imposto de renda. Mas no governo do PT isso mudou. Foi criado um fundo, gerido por representantes da sociedade e do governo. O desconto do imposto foi limitado as doações a esse fundo.

    Já fui representante de um conselho que tinha poder de gerir um desses fundos, no caso voltado para assistência a crianças. É uma piada de mau gosto. Existe tanta burocracia na gestão que algumas entidades nem recebem o dinheiro. Teve ano que o dinheiro ficou guardado no fundo, e, é claro, foi para o caixa do governo. Ficou lá alimentando o Leviatã.

  3. Há bons exemplos de caridade antes da presença do estado. Em SP o hospital Sta. Catarina foi fundado em 1906 e era muito bom ou a fundação Padre Chico para crianças cegas, de 1928, bem antes do governo pensar em fazer algo.

  4. Os esquerdistas reivindicam o monopólio da virtude: se alguém discorda da forma como eles procuram ajudar os pobres, acusam o sujeito de ser “contra os pobres” e ter uma série de defeitos de caráter.

    A ajuda aos pobres deveria vir primariamente da filantropia particular, de forma direta ou através de doações de recursos e trabalho para instituições autônomas, o que permitirá evitar muito melhor os desperdícios e desvios de verbas e personalizar o auxílio, tornando-o eficaz.

  5. “Compaixão, assistência e caridade são atitudes humanas essenciais. Elas fazem parte da natureza humana. Assim como as pessoas precisam receber, elas também devem dar. Assim como as pessoas precisam ser ajudadas, elas também devem ajudar. ”

    Balela neoliberal. O capitalismo é essencialmente atribuído a ética individualista, sendo assim quando as pessoas recebem, elas não sentem a necessidade de devolver, isso é pura demagogia.

  6. Excelente texto. Mostrei pra um colega meu, keynesiano até a medula, creio que não leu todo, e me fez algumas perguntas. Como eu ainda não tenho a tarimba do pessoal daqui, vou copiar o que ele mandou e gostaria que alguém me ajudasse a montar uma resposta pra ele, pode ser? Aí vai:

    ” Ok… Ismar Gavilán, bom texto! A ideia é muito boa mesmo… Mas, na hipótese de uma rede caritativa privada, não estatal, três perguntas: (1) qual seria a motivação, o retorno, para o grupo caritativo privado, considerando que vivemos num mundo capitalista? E deveria ser um bom retorno, visto que o autor julga que haveria até boa concorrência! (2) o Estado não existe justamente para promover o “bem comum” posto que certas atividades não são desenvolvidas por nenhum grupo visto que não dão retorno ?…”

    Bom, agradeceria as sugestões das pessoas daqui. Abraços

  7. Foram muitas questões deixadas de lado na matéria. Por exemplo a inflação na qual corrói não só o salário do filantropo comunitário, mas também a própria utilização de recursos usado na caridade como alimentos, roupas e etc. Além da inflação monetária, ainda há a inflação de demanda focado no mercado imobiliário, falando especificamente do Brasil com os programas de MCMV, imóveis que antes custavam R$90 mil, hoje custam R$300 mil, surreal isso, como irão abrigar os sem-tetos com esse preço? Sendo que qualquer terreno pequeno não sai por menos de R$20 mil, onde eu moro não existe terreno menor do que R$35 mil. Faço parte de uma caridade de animais, fomos olhar um preço de um terreno e nos assustamos, é muito caro para abrigar os animais abandonados na rua, inclusive aqui há cavalos e bois, ou seja, precisaria ser um terreno bem amplo. Fomos na prefeitura e não conseguiu disponibilizar um terreno sequer, sendo que aqui há mais terrenos, principalmente no interior do município.

    Assim é difícil mesmo.

  8. Eu mesmo já me vi quase deixando de ser caridoso por causa do estado. Certa vez me ligaram de uma creche que cuida de crianças com problemas mentais pedindo uma doação. Na hora me veio à mente o seguinte:

    “Ora, o estado já me rouba 40% do que ganho com o argumento de cuidar das pessoas, porque não vão pedir dinheiro para a prefeitura, o governo estadual o federal??” e quase desliguei o telefone na cara da moça. Mas felizmente me lembrei de muita coisa que aprende aqui no Mises e me tornei doador da creche. Todos mês colaboro com um pouco.

    Se nós passarmos a fazer caridade voluntariamente mesmo com o estado nos roubando NÓS VAMOS MOSTRAR A INUTILIDADE DO MESMO.

  9. O estado jamais sairá desta área, e por um motivo extremamente simples: sem o assistencialismo, ele perde toda e qualquer justificativa popular para sua existência.

    É por isso que nos países ricos, o assistencialismo não para de crescer. Já tem “pobre” europeu ganhando 2 mil euros por mês.

  10. Excelente artigo

    Só algumas observações:

    Vamos ser mais realistas, é impossível a livre iniciativa “tomar” a responsabilidade do assistencialismo do Estado, e nem acho que deva, ambos podem coexistir, a briga deve ser para que o Estado seja mínimo, se torne cada vez menor, e quando prestar a assistência, não torne os assistidos “zumbis”, é preciso criar independência, o velho jargão, dar um peixe pra matar a fome e ensinar a pescar..

    Quem normalmente faz isso são as instituições religiosas, a que eu participo presta um tipo de assistência emergencial e depois ensina as famílias a caminharem sozinhas, como deve ser, para que abra espaço para mais famílias em situações mais desesperadoras serem ajudadas, e depois tornarem – se independentes, e assim o ciclo continua..

    O grande problema é que as instituições que prestam essa assistência do ponto de vista liberal estão sofrendo fortes ataques por parte de alguns grupos para que também sejam tributadas,(sim, estou falando do grupo de ateus esquerdistas exigindo tributação mais pesada sobre instituições religiosas), o que dificultaria ainda mais essas instituições independentes de prestarem tal assistência

    E no final das contas acabamos fazendo “caridade obrigatória” (impostos) e voluntária, pois quem toma nossos recursos para fazer, não o faz como deveria..

  11. Concordo que não faz sentido entregar o juízo de valor (determinar quem precisa e quem não precisa de ajuda) ao estado. Mas deixar a cargo do indivíduo também não irá funcionar. Vou dar um exemplo muito comum no nosso mundo: Você tá lá no trânsito, dentro do seu carro, e de repente aparece uma pessoa pedindo ajuda. Você não conhece essa pessoa, como você vai ter condições de fazer um julgamento correto?

    Não fica claro que até um indivíduo não tem condições de fazer um julgamento sobre o outro? Para ser justo, ou você ajuda todo mundo ou não ajuda ninguém pois se tentar fazer um julgamento, terá uma grande probabilidade praticar uma injustiça.

  12. Falta pouco para gastarmos mais com o governo do que com nós mesmos. Estamos trabalhando 5 meses e 3 dias por ano para pagar impostos. Mais 2 meses e nós iremos virar escravos constitucionalizados.

  13. Quando Johnny Depp esteve no Rio de Janeiro e zerou a fila de espera doando 220 aparelhos auditivos para crianças pobres ele foi duramente criticado e esculachado por grupos de esquerda no facebook. “Ele só quer aparecer na mídia” eles diziam.

    A verdade é que a esquerda possui verdadeira ojeriza à caridade privada, já que ela evidencia de forma cristalina toda a ineficiência e incapacidade do estado em atender as necessidades das pessoas.

    Na mente doentia de alguns socialistas é preferível ver alguém morrer na fila de espera de um hospital público do que algum rico aparecer e ajudar todo mundo, já que isso seria um claro sinal da superioridade da caridade privada sobre a “caridade” estatal.

  14. Trabalhar por menos de salário mínimo e/ou sem “direitos” trabalhistas: escravidão, opressão, empresário malvadão…

    Famílias vivendo no sertão com bolsa família de 70 reais: avanço social, justiça social, #opovonopoder

    Seria cômico se não fosse trágico.

  15. ” cumpanheiros, agenti vâmu tirá os póbi da miséra, vâmu criá o fomi zeru…nunca antis na história destepaíz algum pulíticu feiz nada parecidu comqui o petê vai fazê.

    Us pograma du nossu governu vai ser tudo pros póbi, e o dadu concretu é qui agenti vâmu dá o bolça familha pra nunca mais niguém ficá de barriga vazia.

    A única coisa qui eu pésso é para voceis votá no petê, vai lá e digita o 13 qui dispois podim vim mi cobrá.

    Num é qui eu queru mi gambá, mais num tem no Basil ou no mundo uma peçoa mais onesta duqui eu”.

  16. Hoje eu não ajudo mais ninguém. Eu cansei de enxugar gelo.

    A única ajuda financeira que eu estou doando, é para quem ataca a esquerda e os parasitas do governo.

  17. 400 milionários pedem que Trump não reduza seus impostos

    “Em carta ao Congresso, os mais ricos alertam que a redução dos impostos só favorecerá a desigualdade”

    “Acreditamos firmemente que a forma de criar mais empregos de qualidade e fortalecer a economia não é reduzindo os impostos de quem tem mais, mas investindo no povo norte-americano”

    E quando os próprios ricos chegam a este ponto? Não seria mais fácil que os mesmos, agora com mais dinheiro no bolso, fizessem doações para diminuir a desigualdade? Agora que terão mais dinheiro, não poderão investir e fornecer mais empregos? A lógica keynesiana/esquerdista está no povo.

  18. Leo Ferreira Isidoro

    O assistencialismo deve ser considerado uma doença, digo isso porque muitas pessoas, acabam sendo seduzidas pelos argumentos filantrópicos. Geralmente, os menos cultos, os que possuem menos instrução, se sentem representados pelas palavras de apoio, de incentivo que os socialistas usam em seus discursos. Não os culpo por isso, afinal muitos de nós defensores do libertarianismo, também já defendemos essa falsa filantropia, não por desonestidade, mas por pura falta de conhecimento. Contudo, nós podemos ver que os socialistas estão aos poucos atribuindo em seus discursos um viés liberal para atrair ainda mais indivíduos a sua causa, devemos ficar alerta a essa artimanha, pois sabemos que a única coisa que desejam é obter maioria para usar a democracia a seu favor!

  19. Pessoal, os Correios geram riqueza? Pergunto isso por ser uma empresa pública (a lógica é que tais empresas apenas destroem riqueza) e covrar pelos serviços postais…

    Sendo assim, quando você paga para enviar uma carta, malote ou cartão postal, ou uma encomenda qualquer, você gera um saldo para a empresa. Eu não sei como funciona a lógica dos Correios, mas suponhamos qe os funcionários de determinada agência em um município X sejam pagos com o dinheiro das encomendas recebidas… Se for assim eles produziriam riqueza tal como uma empresa privada?

    Ps: Perdoem a ignorância, mas mesmo lendo alguns artigos sobre privatizações de empresas e a desestatização dos Correios, não entendi o motivo de porque as empresas públicas não geram riqueza.

  20. Gabriel Vinícius, creio que o erro está aqui: “não entendi o motivo de porque as empresas públicas não geram riqueza”. Em alguns casos elas geram riqueza, acontece que de forma desproporcional a que uma empresa privada poderia produzir, e é justamente essa lógica que a Escola Austríaca propõe demonstrar. Pense bem, a economia é a administração dos recursos escassos, o governo é o rei em gastar ineficientemente, talvez existam alguns países mais bem intencionados que ocorra um melhor gasto, ai você pensa, um desses países é o Canadá, pessoas bem instruídas e tudo mais… será? Dê uma olhada nisto aqui: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2735

    Motivos que ajudam na ineficiência do governo:

    – Falta de concorrência.

    – Reservas de mercado.

    – BNDES…

    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1927

    Ai vai…

  21. [OFF]

    Eu estava vendo as pesquisas eleitorais, e ou Lula ou Bolsonaro são os mais prováveis para se elegerem. Mas o Lula provavelmente não vai conseguir concorrer em 2018, ficando apenas o Bolsonaro.

    Os admins do site não acham uma boa procurarem o Bolsonaro e dar umas aulas sobre livre mercado para ele antes das eleições? Ele pode ser nossa esperança para implementar boas políticas de livre mercado nos próximos anos no Brasil.

  22. Muito bom! E já que não é possível acabar com o assistencialismo de uma vez, seria muito bom que ele começasse pelo menos a ser programado para ter apenas um limitado período de duração. É no mínimo uma maneira mais suave de fazer com que as pessoas tomem consciência e se preparem seja para a caridade, seja para a autossuficiência.

    E em algum ponto, o artigo me trás à memória aquele episódio em que o Bill Gates criticou a taxação progressiva e global proposta pelo Piketty, e apontou vários erros na obra “O Capital no Século XXI“. Corretamente ele citou como exemplo que a pobreza extrema diminuiu, que não existe essa aristocracia de famílias ricas que simplesmente se perpetua de geração em geração (como o livro dá entender), que quem reinveste seus ganhos contribui, que a caridade já é por si só uma forma de redistribuição, etc.

    E na prática, a resposta do Piketty foi basicamente dizer que apesar de o Bill Gates acreditar sinceramente ser capaz de contribuir para a redução da desigualdade, e talvez ser, ele como indivíduo não é mais eficiente que o governo.

    Ficou um pouco cômico ele dizer isso, porque se uma pessoa como Bill Gates — cuja isenção de impostos deveria ser defendida até pelo mais fervoroso adepto da redistribuição de renda – não é digno de consideração, quem será?

  23. O assistencialismo estatal tira das pessoas tanto a capacidade de ajudar quanto o senso de responsabilidade. As regulamentações do Estado reduzem a quantidade de empregos e os salários; logo, a maioria dos brasileiros está desempregada ou recebendo um salário baixo, lutando para não se tornarem parte dos que necessitam do assistencialismo.

    E como recebemos 50% do que deveríamos e pagamos 50% mais por tudo que compramos por causa dos encargos, impostos, etc. que o governo cobra (diz ele) “para ajudar os pobres”, muitos brasileiros não têm condições nem veem motivos para fazer caridade.

    Dois importantes geradores de bem-estar são a caridade (ajudar sem obrigação nem receber algo em troca) e a gratidão. O que devia ser uma fonte de prazer voluntário (a caridade) se torna uma coercitiva fonte de ressentimento.

    Além de ter estatizado a assistência social, o Estado transformou a caridade em “justiça social”; quem recebe tende a se tornar um ingrato que só reclama de não receber mais.

    * * *

  24. “…os membros de praticamente todos os grupos étnicos e nacionais criaram formidáveis redes de auxílios individuais e coletivos para ajudar a aliviar a pobreza. Essas redes de auxílios recíprocos tendiam a ser descentralizadas, espontâneas e informais. Era comum que os doadores e os recebedores fossem pessoas da mesma camada social. Os recebedores de hoje podiam se transformar nos doadores de amanhã.”

    “…Manuel Feliciano Pereira de Carvalho (…) Cirurgião-mor do Exército, diretor da Faculdade de Medicina, Presidente da Academia Imperial de Medicina (…) propôs a organização de uma socidade de beneficiência médico-farmacêutica, que teria por fim, (…)”formar uma caixa para socorro dos seus membro, que, por idade avançada ou invalidez, carecessem de socorros…

    BARBOSA, Francisco de Assis. A Vida de Lima Barreto. 8a ed. Rio de Janeiro: Jose Olympio, 2002. pp. 39 a 40

Rolar para cima