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A esquerda foi conferir como estava sua doutrinação sobre os mais pobres. Ficou atordoada

A notícia está em todos os jornais e varreu as redes
sociais: a Fundação Perseu Abramo — criada em 1996 pelo Partido dos
Trabalhadores (PT) para “desenvolver projetos de caráter político-cultural” —
fez uma pesquisa
qualitativa
para averiguar como estava “o imaginário social dos moradores da
periferia de São Paulo”.

A pesquisa foi feita entre 22 de novembro de 2016 e
10 de janeiro deste ano, baseando-se em entrevistas em profundidade com
moradores de bairros periféricos de São Paulo, acima de 18 anos, com renda
familiar mensal de até cinco salários mínimos e que deixaram de votar no PT. Ao
menos 30% dos entrevistados são ou foram beneficiários de programas sociais
implantados pelos governos petistas. Ou seja, é o perfil tido como
característico do eleitor petista, ao menos no imaginário dos que consideram o
PT representante natural dos “excluídos”.

A intenção explícita desta pesquisa era entender por
que o PT havia perdido votos naquela região na eleição municipal de 2016. Já a intenção
implícita era ver como estava a aceitação das idéias e doutrinas de esquerda
entre os mais pobres.

A esquerda sempre deu de barato que os pobres —
assim como os negros e os gays — eram seus “aliados naturais”. Por isso, ela
sempre os tratou como uma massa amorfa, como um coletivo formado por indivíduos
homogêneos destituídos de raciocínio crítico e de vontade própria. Para a
esquerda, os pobres não passam de uma massa acrítica, que reagiria bovinamente a
frases de efeito e que imediatamente se identificaria com todas as afetações de
vitimismo e efusões de coitadismo repetidas em profusão por militantes.

Porém, o que a pesquisa descobriu sobre como
realmente pensam os pobres deixou a esquerda atordoada. A íntegra
pode ser acessada aqui.
Abaixo, as melhores partes. (Todas as imagens abaixo foram retiradas do próprio
relatório da Fundação Perseu Abramo).

Choque
e espanto

Logo de cara, os pesquisadores já receberam a
seguinte declaração atordoante:

FPA1.png

 

Em seguida, a coisa piorou. A esquerda
descobriu que todas as suas décadas de chavões e frases de efeito não conseguiram
fazer os pobres incorporar a luta de classes e ver os patrões como inimigos. Os
pobres — um espanto! — não têm ódio daquelas pessoas que lhes dão empregos e
pagam salários.

FPA2.png

 

Mas o golpe final veio com a constatação de que,
para os pobres, o inimigo não são “os ricos”, “o capital”, e “as corporações”. O
grande inimigo é o estado.

FPA3.png

 

A partir daí, as ilusões da esquerda foram ladeira
abaixo.

Além de não
verem o estado como indutor da qualidade de vida e das oportunidades, mas sim como
um “inimigo” responsável por se apropriar do dinheiro dos impostos e fornecer
serviços de baixa qualidade, os pobres ainda têm a petulância de crer em coisas
reacionárias, como a ideia de que a melhor forma de ascensão social é pelo
mérito pessoal.

FPA4.png

FPA5.png

 FPA6.png

A pesquisa, em suma, mostra que todo o conceito de
luta de classes simplesmente nunca habitou o imaginário popular. Para os
pobres, a “luta de classes” não ocorre entre ricos e pobres, mas sim entre o
povo e o estado. O ‘inimigo’ é, em grande medida, o próprio estado, ineficaz e
incompetente.

Mais: para os entrevistados, “todos
são vítimas do Estado, que cobra impostos excessivos, impõe entraves
burocráticos, gerencia mal o crescimento econômico e acaba por limitar ou
sufocar a atividade das empresas”.

E isso “abre espaço para
o ‘liberalismo popular’, com uma demanda por menos Estado”. 

Por último, para não esgotar a paciência do leitor,
eis o quadro de constatações próprias da pesquisa. Destaque especial para a
maneira como a Fundação Perseu Abramo, no item 1, tenta explicar o simples e
natural desejo de maior poder de compra da população pobre: para a esquerda, o
pobre querer consumir mais é uma prova de que “o capitalismo tenta desprover o
cidadão de todos os elementos que constituem a identidade (cultura, identidade
de classe)”.

FPA7.png

O item 3 merece especial atenção. Os pobres, quando
podem, correm dos serviços estatais e vão procurar socorro no mercado e na
iniciativa privada. E entendem perfeitamente por que os serviços estatais não funcionam
e nem têm como funcionar.

Segundo um dos entrevistados: “O ensino é bem
melhor na particular. Meu neto estudava numa escola particular, só que ele saiu
porque não tinha condições mais de pagar, mas se ele tivesse lá ainda, ele
já estaria lendo (…) tem muita diferença do ensinamento (…) Porque eu acho que você está
pagando você pode exigir e em escola pública você vai exigir de quem? Não
pode exigir!
” 

Mais ainda: para os pobres, ser ajudado pelo estado
é sinônimo de “desvalorização individual”. A coisa foi em definitivo para o
vinagre quando os pesquisadores perguntaram especificamente sobre as cotas. Diz
a pesquisa: “(Os entrevistados) não negam a importância de políticas públicas e
garantia de acesso a oportunidades, mas rejeitam aquelas que parecem ‘duvidar’
das capacidades individuais, como as cotas.”

Treze
constatações

Para poupar o leitor, eis as 13 principais constatações
da pesquisa:

1) Não há luta de classes entre ricos e pobres
— ao contrário, há empatia com empresários e patrões.

2) O inimigo é o estado: ineficaz, incompetente, cobra impostos excessivos, impõe entraves burocráticos, gerencia mal o
crescimento econômico e acaba por limitar ou sufocar a atividade das empresas.
O mercado é mais confiável.

3) Há um “liberalismo popular”, com demanda por
menos estado — “se pago impostos, tenho o direito de cobrar”.

4) Há identificação não com quem pertence ao
mesmo grupo, mas com o grupo a que se almeja chegar — essa é a negação completa
da “ideologia de classe
inventada por Karl Marx.

5) A ascensão social está associada à coragem,
ousadia, disciplina, mas acima de tudo ao mérito.

6) Estudar é fundamental para subir na vida.

7) O empreendedorismo é a aspiração de quem quer
vencer pelas próprias forças.

8) Há mais individualismo que solidariedade.

9) Religião e família são o centro da vida.

10) A igreja é vista como instituição de apoio
para evitar o caminho do desemprego e do crime.

11) A política é suja, gera desconforto e
influencia a vida — dos serviços públicos aos impostos altos.

12) Não há lógica no uso de termos como “esquerda”
ou “direita”, nem polarização — todos os partidos são iguais.

13) A crise ética da sociedade não é resultado de
vícios estruturais, e sim de mau comportamento individual, que deve ser
resolvido, antes de mais nada, pela família.

A
conclusão

A pesquisa, por fim, afirma que o padrão de vida dos
pobres da periferia de São Paulo aumentou em decorrência das políticas dos
governos petistas, mas, estranhamente, essa melhoria levou os moradores a “se identificarem
mais com a ideologia liberal, que sobrevaloriza o mercado”.

Mesmo com a crise econômica, tais pessoas, ao
contrário do que os petistas esperavam, reagiram movidos pela “lógica da
competição”, isto é, pela ideia de que é preciso que cada um trabalhe duro para
superar os problemas. Tal visão é incompatível com uma ideologia que anula o
indivíduo em favor da “classe trabalhadora”.

De quebra, a pesquisa também constatou que “as categorias
analíticas utilizadas pela militância política ou pelo meio acadêmico não fazem
sentido para os entrevistados”. Ou seja, coisas como “esquerda” e “direita”, “progressistas” e “reacionários”, “mortadelas” e “coxinhas” simplesmente “não habitam o
imaginário da população”.

Finalmente, a pesquisa
constatou que “a cisão entre a classe trabalhadora e a burguesia não perpassa o
imaginário dos entrevistados”. Ou seja, toda a discussão sobre a divisão da
sociedade entre “nós” e “eles”, promovida pelo PT e pela esquerda em geral, é
significativa somente nas redes sociais.

Como conclusão final, os pesquisadores anunciam a
descoberta da pólvora: “O campo democrático-popular precisa produzir narrativas
contra-hegemônicas mais consistentes e menos maniqueístas ou pejorativas sobre
as noções de indivíduo, família, religião e segurança”.

E vaticinam: “Este cenário de descrédito da política,
compreensão do Estado como máquina ineficaz somada à valorização da lógica de
mercado e à ideologia do mérito abrem espaços para candidatos e projetos como o
do João Doria — ‘um não-político, gestor trabalhador que ascendeu e, por isso,
não vai roubar’.”

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106 comentários em “A esquerda foi conferir como estava sua doutrinação sobre os mais pobres. Ficou atordoada”

  1. José Márcio Santana

    Eu juro que não entendo qual realmente foi a surpresa com todas essas constatações. O povão sempre foi maciçamente conservador, sempre teve vergonha de receber esmola, sempre foi muito trabalhador e sempre valorizou o esforço próprio.

    Ademais, em termos culturais, vá a uma periferia e pergunte lá se bizarrices como "ideologia de gênero", "apropriação cultural", "estupro reverso" (quando um homem rejeita fazer sexo com uma mulher porque a achou feia), "homofobia", "lesbofobia", "transfobia" ou até mesmo "feminismo" são bem-vindas.

    Pergunte a um cidadão da periferia se ele acha normal um homem se dizer "uma mulher presa a um corpo masculino". Pergunta se ele gostaria de matricular sua filha em um escola que permite um travesti peludo mijar no banheiro de garotas. Pergunte o que ele acha do movimento LGBTQSUVXYZ.

    Isso tudo é invenção cultural de classe média descolada e despreocupada. Na periferia, os textões de Facebook — que tentam banalizar todas essas aberrações — não chegam.

    E, onde a cultura tradicional se mantém, valores de esquerda dificilmente ganham corpo.

    Sim, os pobres de vez em quando votam no PT, mas fazem isso simplesmente porque todos os outros partidos são iguais. E também nunca souberam qual é a verdadeira agenda cultural do PT. Qual realmente foi a oposição "de direita" ao PT nos últimos 13 anos? Quem foi à TV (principal veículo de comunicação dos mais pobres) desmascarar a agenda progressista do PT? Com tamanha ausência de oposição e de desmascaramento, é claro que os pobres iriam votar no PT.

  2. Penso que o item 8) Há mais individualismo que solidariedade. Poderia ter sido melhor redigido “há mais individualismo que socialismo’. Solidariedade é um termo muito amplo, da forma que está escrito dá a idéia que o individualismo nunca é solidário, gerar emprego não seria solidariedade? Ser empreendedor e abrir espaços para outros ajudarem não é solidariedade?

  3. Felipe Lange S. B. S.

    Muito interessante a pesquisa.

    O catolicismo, apesar de ter algumas contradições na Bíblia, serve como foco de resistência. Eu que sou ateu, reconheço isso. Lembro bem de quando estava na Providência Santíssima e um dos padres de lá criticou o feminismo e diz que o movimento não quer igualdade e sim quer que a mulher seja superior ao homem.

    Agora vou usar o meu achismo. Deve haver uma questão psicológica também. O pobre é o que vai mais sentir o peso do estado, inclusive o seu filho. O filho do rico (ou quem tem melhor renda) sente menos, principalmente o mais mimado e paparicado. Sempre recebeu tudo do melhor sem se esforçar e acha que as coisas caem do céu. Nunca tentou arrumar um trabalho e acha que os outros têm obrigação de se sacrificar por ele. É o tipo de gente que vai querer “direitos” e que acha que riqueza se cria por decreto. Ele tem mais tempo para realocar em bobagens esquerdistas em textos de Facebook. Eu posso constatar empiricamente num cursinho no qual eu vou. Uma grande parte dos que vão em cursinhos e vão no ensino superior estatizado os pais podem bancar com folga (veja o caso), inclusive o ensino superior privado e o filho pode estudar sem precisar trabalhar. O pai leva e busca em sua picape nova. Vai na Disney. Faz curso de inglês. Uma minoria é de filhos de pais mais pobres que se matam para poder pagar as mensalidades. Em alguns outros os pais simplesmente vivem apenas em função dos filhos (apesar de mais pobres, os mimam). Eu me enquadro no primeiro caso dos pobres do cursinho. Desde criança eu já fui acostumado à ter raiva do governo. Na minha época as importações eram mais fáceis. Quando apertaram a alfândega e fiscalização, além das taxações, senti na pele o que é o governo. Não tinha dinheiro para ficar comprando jogo original e brinquedos. Quais desses casos acima você acha que a pessoa vai ser mais propensa em clamar por “direitos” e achar que o estado cria coisas do nada?

  4. Olavo de Carvalho já diz há tempos que governos de esquerda já desistiram de contar com os mais pobres (também conservadores) para garantir sua soberania. Hoje, os governos de esquerda buscam sua sustentação junto àqueles que vivem à margem da sociedade. Ex: assassinos, traficantes, usuários de drogas, prostitutas, pedófilos.

    Dito isso, fica evidente o motivo de toda a defesa dos DIREITOS HUMANOS e de certas REGALIAS para os “excluídos” da sociedade – conhecidos como ‘vítimas’ ou ‘suspeitos’.

  5. É regozijante ver que um dos partidos mais canalhas que já existiram reconhece isso publicamente. O PT acabou. Espero que essa corja nunca saia do fundo da lama em que se meteram. Que sejam execrados ad aternum pela população. Já vão tarde, seus malditos!

  6. “Nunca antes na história desse país” ideias liberais estiveram florescendo como agora.

    Nao percamos essa grande oportunidade.

    Este espaço do Mises Brasil, foi e é fundamental para continuar o processo de esclarecimento e consequente derrota do esquerdismo.

    Tal pesquisa, aqui bem esmiuçada, não me casou espanto. Nosso povo na grande maioria é de gente que sente orgulho em vencer com seus próprios méritos.

    Os governos Lula/Dilma nos deram ao menos um bom desfecho, jogaram uma pá de cal nas funestas ideias socialistas.

  7. Ideias liberais reais se tornaram acessíveis no Brasil de uns 10 anos para cá (graças a internet) e o país hoje vê os adeptos deste ideário crescer exponencialmente simplesmente porque ele é latente em todo individuo…. Já o ideário de esquerda é infiltrado via meio acadêmico desde a década de 30 e por mais seguidores doutrinados que possua não é natural e sempre irá morrer na praia.

  8. Cansei de ver esquerdista se achando o intelectual do facebook, chamando pobre de burro só porque não vota mais na esquerda… muito bom ver o desespero desse povo sem noção ao finalmente perceberem que pobre na verdade odeia o estado.

  9. Espanto nenhum. Socialismo fabiano é coisa de quem mora no Itaim Bibi e marxismo cultural é coisa de quem mora em Pinheiros. Lá na quebrada é Deus, Família, Pátria e Trabalho!

  10. Acho difícil de acreditar nestes dados. If something is too good to be true, it ain’t…

    Atendo pobres no SUS todo dia (sou médico) e honestamente não vejo qualquer indício do que foi descrito acima. O que percebo é uma vontade enorme de depender cada vez mais do auxílio do Estado, seja por meio de benefícios ou de privilégios. Mesmo aqueles que pensava serem mais libertários (como lavradores), me pedem laudos para “encostar pelo INSS”, mesmo que tenham uma simples enxaqueca.

    Mas acho que isso é natural, afinal todos vão de uma posição menos confortável para uma mais confortável, correto? Esse é o país que temos hoje. Não vejo saída.

  11. Deve ser por isso que estão importando haitianos, africanos e muçulmanos.

    Já que o povão não compra mais esses discursos, o jeito é apelar, encher isso aqui de gente que apoiará esses partidos fuleiros.

  12. FERNANDO CARITAS DE SOUZA

    Com o acesso a informação mais disponível hoje em dia, literalmente na palma da mão, mesmo as classes menos abastadas conseguem entender que o Estado não consegue suprir a todos o tempo todo. Eles sabem que são seus impostos que bancam todos esses programas sociais e que se a demanda continuar crescendo é impossível sobreviver às custas do Estado. A guerra há tempos deixou de ser por hegemonia econômica (Economia planificada X Livre mercado), e passou a ser cultural. A única maneira da Esquerda se propagar no poder por mais tempo é se ela conseguir destruir nossa cultura fundada em bases judaico-cristãs. É o que está acontecendo na Europa hoje e tentou-se implantar na América do Norte com Obama e os Clintons. Como alguém disse por aqui, o brasileiro humilde, do interior ou da periferia, ainda é muito conservador nos seus costumes e tradições, dificilmente abriria mão disso. O problema está na Escola, no que andam propagando para nossos jovens. Aí se trava a maior guerra cultural de todos os tempos. Ou prestemos atenção naquilo que andam incutindo na cabeça de nossas crianças ou perderemos mais uma geração. Por isso louvo a iniciativa do Instituto Mises Brasil em querer doar cerca de 3.000 livros às escolas paulistas sobre noções de economia para crianças. Se os libertários não atacarem o mal pela raiz (na escola) a luta será longa e com possibilidade de confronto armado.

  13. Na verdade o resultado dessa pesquisa é preocupante, ela formaliza a capitulação do fracasso da estratégia esquerdista e abre caminho para novas formas de controle.

    Em breve estarão usando o discurso liberal para reconquistar os corações da classe baixa, mas com o único propósito de se perpetuar no poder. E nesse processo ganharão o apoio de muita gente que não irá perceber o plano maior deles.

  14. Gustavo Loyola da Silveira

    Não entendo o pensamento de vocês, querem acabar com o Estado só que isso é impossível, sorte dos EUA que em suas recessões e guerras o partido Democrata sempre ganhava(exceção de 1929 governo Republicano incapaz de combater a depressão com pensamento muito similar na época). Voltemos a questão nos tivemos duas grandes recessões 1929 e 2008 uma de superprodução e desregulamentação e outra financeira/endividamento com baixa regulação. Nas duas crises a saída rápida a crise se da pela política fiscal, O grande Roosevelt pai do Welfare State recebeu um conselho de um economista chamado john maynard Keynes sobre como o estado deveria agir em crises , e o resultado imagino que saibam em 1936 economia recuperada, em 1945 80% da capacidade industrial do mundo e desemprego em queda. Então pensem mentes sadias sem ação governamental os EUA não seriam a maior potencia capitalista do mundo. Vejam desenvolvimento econômico japonês e chinês e iluminem suas cabeças . Concordo com vocês Dilma foi terrível e ainda mais com seu ajuste fiscal de curto prazo elaborado pelo Joaquim Levy.

  15. Não sei qual foi a novidade. Pobre tem fortes tendências reacionárias. Posso falar por categoria, pois também sou pobre.

    Graças a meus estudos e a diversos sites, como este, evoluí um pouco meu pensamento político. Hoje sou libertário.

    Mas, basta conversar com nosso avós, pais e mães que não tiveram nada na infância. Pelo menos na maioria dos casos que conheço, sempre nos incentivaram a estudar, trabalhar, conseguir ascensão na vida com as próprias pernas e não depender de ninguém. Sempre pensei no meu bisavô e avó. Meu bisavô morreu com 97 anos, nascido em 1906. Era negro, deve ter vivido uma época péssima, porém nunca falou nada a respeito. Se hoje tenho um teto é graças a ele.

    O curioso é que, quem mais tem essa tendência ao socialismo são as pessoas que nasceram em famílias abastadas e não tem muita preocupação com o futuro, visto que o mesmo, em teoria, estaria garantido pelas heranças.

    Conforme muitos já comentaram, o morador da periferia tem mais com o que se preocupar do que ideologia de gênero, apropriação cultural, seiláoquefobia, etc. O povo quer uma vida digna. O povo não quer pagar impostos. O povo quer emprego, quer moradia.

    Esses chavões e assuntos batidos fica pra turminha que não precisa trabalhar e está mais interessada em fazer textões no Facebook.

  16. Desigualdade social não é e nem nunca foi pauta de pobre. É pauta de rico culpado e desocupado. Pobre quer um trabalho, receber o salário em dia, pagar a conta da Net e poder assistir Netflix na sua TV nova de 42 polegadas comprada em 12 parcelas nas Casas Bahia.

    Pobre não se sente espoliado quando o patrão aparece de carrão novo: pobre quer financiar o próprio carro, que pode ser popular, em 60 meses, sabendo que nenhuma presidenta acéfala vai aprontar alguma estripulia em escala monumental gerando a maior crise da história recente a pretexto de ajudar o pobre.

    Pobre não liga se o patrão mora numa casa bonita num bairro bacana, ele quer poder ganhar o suficiente pra sobrar alguma coisa no fim do mês, que ele possa juntar e um dia dar entrada no próprio apartamento dele, onde ele vai colocar aquela TV de 42 polegadas e estacionar o carro já quitado.

    O pobre não quer saber de empoderamento, hegemonização, conscientização, blackface ou manterrupting. Pobre quer um iPhone 6, de preferência com um plano de dados legal, pra ele poder curtir os posts dos amigos.

    Pobre não quer igualdade, pobre quer mais é capitalismo e dinheiro no bolso.

  17. Wederson Geovane de Paula

    Eu fiquei impressionado com a sabedoria popular. Não imaginava que a população comum que não tem acesso à academia pudesse ter uma análise tão profunda do meio. Pensei que seriam percepções superficiais tais como a esquerda prega.

  18. Ouso dizer que, no frigir dos ovos, ou seja, na parte prática da vida, ao trabalhadores mais humildes tem valores mais tradicionais e conservadores do que especialistas e analistas, mesmo identificados como liberais e conservadores. Uma coisa é ecoar um discurso acreditando em promessas vazias, outra coisa é ter um senso prático apurado. Infelizmente, faltou habilidade e discernimento na hora de avaliar os políticos e seus discursos segundo os valores individuais de cada um. Essa programação robótica, desenvolvida para confundir as pessoas, utilizada pela esquerda, jamais refletiu diretamente os anseios e as ambições da sociedade composta pelo cidadão comum. O que fez muita gente acreditar nessa absorção dos discursos políticos foram a mídia, os especialistas e quem produz conteúdo. A população se deixou enganar pela figura de Lula como sendo uma pessoa honesta e preocupada com o Brasil, mas sempre ficou á margem do ideário esquerdista.

  19. Olá, gostaria do contato dos autores desse artigo/pesquisa. Achei sensacional, serviu de inspiração para o meu TCC, queria conversar com eles (autores), pois tenho interesse em ”repetir” esse estudo na comunidade onde eu moro, no Rio de Janeiro. Obrigada!

  20. O PT e todos os derivados que o apoiam sempre tratou pobre como gado idiota incapaz de raciocinar por conta própria. Espero que um dia o PT seja extinto! Lixo

  21. Hebert Marcuse – membro do Partido Social-Democrata Alemão e integrante da Escola de Frankfurt – no livro “O Homem Unidimensional” (1964) afirma que os avanços tecnológicos tornaram a vida do proletariado confortável a tal ponto que esse grupo deixou de ser instrumento revolucionário. Partindo disso, Marcuse planta a semente do mal e constrói a ideia de que o novo instrumento revolucionário são os traficantes, assassinos, estupradores, assaltantes, ladrões, sequestradores e todo e qualquer marginal.

    Em 1979 presos políticos, conhecedores do marxismo e do leninismo, levam táticas revolucionárias à bandidagem encarcerada, encubando-lhes a estratégia militar (aprendida em Cuba) que lhes faltava para dominar o país. Forma-se o lindo e maravilhoso Comando Vermelho.

    Em 31 de agosto de 1993, na onda das idéias de Marcuse, com o discurso de “combate a opressão por parte do sistema carcerário” surge o lindo e maravilhoso PCC.

    No inicio do ano de 2017, com a pacificação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) – outra organização de cunho marxista/socialista – o PCC e o Comando Vermelho iniciaram uma disputa por aquilo que tem sido chamado de espólio das FARC. Atualmente o PCC domina boa parte da América Latina, já tem emissários na Europa e associação com Hezbollah.

    Hoje, 13,64% dos homicídios no mundo são no Brasil. Em 2016 foram 59.617 assassinatos. 55 mil assassinatos em média ficam sem solução. Estamos a frente da Síria no número de mortos por ano. A quantidade de assaltos é o dobro da média mundial. A cada 100 crimes cometidos, menos de 8 são solucionados.

  22. Calma aê quando falar em programas implantados pois, apesar de social democracia não ser direita liberal, o Bolsa Família é só a fusão de 3 programas de FHC. Já o Minha Casa Minha Vida se inspirou no PAR (Programa de Arrendamento Residencial) de FHC.

    Diga-se de passagem, o “boom” da construção civil teve início com o PAR … vide a compra da Tenda pela Gafisa.

    A esquerda é muito boa em renomear e assumir pra si os méritos de outros. Até ideias os caras roubam, né fácil não.

  23. Cada vez que leio um artigo neste teor ou vejo o retrato da Marmota e mesmo do Nine Fingers, não consigo deixar de lembrar-me do parente que tenho, residente na politicamente correta Inglaterra fazendo com os dedos um L numa alegre alusão à soltura do cachaceiro semi-analfabeto em rede social…

    Sabem a personificação do PSOL? Ei-lo, lamentavelmente.

    Recentemente tive o desprazer de vê-lo defendendo os BLM, sendo que certamente seria alvo fácil desses animais caso estivesse em seu caminho de fúria. Detalhe irrelevante: nosso amigo não é afro-descendente.

  24. Olhando os resultados eleitorais para o governo estadual de São Paulo, notório é ver como o interior paulista prefere mais o Tarcísio. Haddad ganhou na cidade de São Paulo, assim como Lula. O capitão de fato conquistou o interior, até em cidades grandes como Campinas e Ribeirão Preto.

    O que é que aconteceu com o município que, em 2016, elegeu Doria no primeiro turno, chegasse a esses resultados?

    Nos EUA em 2020, Trump foi mais forte no interior do país.

    Não sei se tem aqui para 2022, mas em 2018 o Bolsonaro ganhou voto majoritário entre o pessoal com ensino superior. Chama a atenção, especialmente porque dentro das faculdades e universidades é lotado de petistas.

    Eu também não tenho dúvidas de que ainda exista o chamado voto de cabresto Brasil afora, mesmo atualmente o voto sendo secreto.

  25. Olá Bárbara. Olhei seu comentário, e tenho algumas coisas a comentar.

    “Não dá mais pra passar pano pro caráter podre do brasileiro médio, pra ficar botando a culpa só na classe política, que sabemos que é parasitária, só que o “anjinho” do “cidadão comum” não fica muito atrás nesse ponto.”

    Comentar sobre o caráter da população de forma generalizada é irrelevante se for apenas para haver julgamentos de moral em larga escala. Pois individuos estão sempre buscando pelo melhor de si mesmos, e os brasileiros não são tão diferentes dos outros povos. O importante é se existe uma forma que ajude e estimule os indivíduos a realizar esse melhor, e o fato de habitamos uma região com uma cultura e história pesadamente estatista, aonde as escolas públicas só ensinam de útil o alfabeto e a matemática, e os influenciadores são em grande maioria políticos e idólatras de políticos, não ajuda muito.

    “O problema do Brasil é a cultura e a mentalidade da população, é problema de caráter, de falta de moralidade. Ou por acaso é o “Nine” que mata o vizinho por supostamente “ter olhado pra esposa dele”? Ou por acaso é o “Bozo” que atropela o ex chefe de carro apenas porque foi demitido por este? É o “Cangaciro” que coloca dívidas impagáveis em nome de terceiros que nem conhece, pra ludibriar os credores destas? É o “Doriana” que comete crime passional pelos motivos mais fúteis? Não, quem faz isso é o vitimista do cidadão comum que sempre transfere a culpa da sua delinquência pros outros.”

    Bem, esses individuos podem não causar esses problemas diretamente, mas influenciam sim, considerando que o Estado proibi os indivíduos de se defenderem, e os políticos infleunciam às opiniões dos indivíduos.

    “Olha bem a Constituição asquerosa de 1988 e você vai perceber porque se tem tanta demanda por político de esquerda ou de caráter populista. Nossa problema é bem maior do que geopolítica ou mera ideologia mortadelista.”

    Todo problema tem uma causa, não ignore a razão em favor do ódio ou do desprezo contra seu próprio povo.

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