Recorrentemente, vemos políticos e pessoas clamando por novas leis que reduzam a jornada de trabalho. E, com efeito, quanto mais rico o país, menores as horas semanais que as pessoas querem trabalhar (nos EUA, já há pedidos para uma jornada máxima de 30 horas por semana).
Abordemos, então, esse assunto de maneira franca e direta: leis impondo uma redução na jornada semanal de trabalho irão prejudicar exatamente aqueles trabalhadores que elas supostamente deveriam proteger.
Leis não criam abundância
A idéia de que são necessárias leis que limitem a jornada para proteger os trabalhadores é um mito: o capitalismo, por meio de seus próprios mecanismos de incentivos, reduziu a jornada de trabalho ainda na época em que não havia nenhuma lei regulamentando as jornadas. O economista Robert Whaples observa que a jornada semanal média vem caindo progressivamente desde os anos 1830.
Em 1938, quando o então presidente americano Franklin Roosevelt assinou a Fair Labor Standards Act (FLSA), uma lei que estipulava a jornada semanal máxima em 40 horas, tal lei já era praticamente desnecessária. Ao longo do século anterior, as forças de mercado já haviam derrubado a jornada semanal média nas indústrias, de quase 70 horas para apenas 50 horas. Em outras indústrias, a jornada era ainda menor.
Em 1930, por exemplo, operários das ferrovias trabalhavam uma media de 42,9 horas por semana. Já os carvoeiros trabalhavam uma média de apenas 27 horas. (Confira os números aqui).
Henry Ford implantou uma jornada semanal de 40 horas em 1926 porque ele acreditava que consumidores com mais tempo livre iriam comprar mais produtos. Outras grandes empresas fizeram o mesmo. Apenas um ano depois, 262 grandes empresas já haviam adotado uma semana de trabalho de 5 dias. Pela primeira vez na história, as pessoas estavam usufruindo fins de semana livres.
Essa mudança em nada se deveu às legislações trabalhistas da época, pois as poucas e esporádicas leis salariais existentes nos EUA antes da FSLA podiam, na prática, ser nulificadas pela Suprema Corte da época, a qual reconhecia a legalidade de qualquer contrato firmado voluntariamente entre empregador e empregado, independentemente das horas de trabalho que esse contrato estipulasse.
De acordo com esse trabalho acadêmico do economista Robert Whaples:
Mais de 80% dos historiadores econômicos já aceitam a idéia de que “a redução na jornada de trabalho semanal nas indústrias americanas antes da Grande Depressão deveu-se majoritariamente ao crescimento econômico e aos aumentos salariais gerados por esse crescimento econômico. Outras forças tiveram um papel apenas secundário. Por exemplo, dois terços dos historiadores econômicos rejeitam a proposta de que os esforços dos sindicatos foram a principal causa da queda na jornada de trabalho antes da Grande Depressão.
A explicação
A semana de trabalho mais curta é uma invenção inteiramente capitalista. À medida que os investimentos em capital — isto é, em máquinas, equipamentos e instalações mais modernas — levaram a um aumento na produtividade marginal dos trabalhadores ao longo do tempo, foi possível que uma quantidade menor de trabalho gerasse os mesmos níveis de produção. À medida que a concorrência por mão-de-obra foi se tornando mais intensa, vários empregadores passaram a competir pelos melhores empregados. E esta competição se deu de duas maneiras: oferecendo salários maiores e horas de trabalho menores.
Aqueles que não oferecessem semanas de trabalho menores eram obrigados pelas forças da concorrência a compensar esta desvantagem oferecendo salários maiores — caso contrário, estes empreendedores se tornariam pouco competitivos junto ao mercado de trabalho, ficando sem mão-de-obra qualificada.
Trabalhadores não são impotentes. Em um mercado competitivo, eles têm grande poder de barganha perante seus patrões, e sabem que, se não gostarem da proposta oferecida pelo patrão, podem simplesmente oferecer sua mão-de-obra para a empresa concorrente.
O trabalho infantil, as longas jornadas e os sindicatos
A concorrência capitalista, não obstante as alegações contrárias dos sindicalistas, também explica por que o “trabalho infantil” desapareceu nos países ricos.
Antigamente, os jovens deixavam o campo e iam para a cidade trabalhar sob condições severas nas fábricas porque isso era uma questão de sobrevivência para eles e para suas famílias. Porém, à medida que os trabalhadores foram se tornando mais bem pagos — graças aos investimentos em capital e aos subsequentes aumentos na produtividade –, um número cada vez maior de pessoas passou a poder se dar ao luxo de manter seus filhos em casa e na escola.
As legislações, apoiadas pelos sindicatos, proibindo o trabalho infantil só surgiram depois que o trabalho infantil já havia declinado. Mais ainda: tais leis sempre foram de cunho protecionista e sempre tiveram o objetivo de privar os mais jovens da oportunidade de trabalhar. Dado que o trabalho infantil, em várias ocasiões, concorria com a mão-de-obra sindicalizada, os sindicatos se esforçaram ao máximo para usar o poder do estado com o intuito de privar os mais jovens do direito de trabalhar.
Atualmente, nos países mais atrasados, o amor incontido dos sindicalistas às crianças fez com que a alternativa ao “trabalho infantil” passasse a ser a mendicância, a prostituição, o crime e a inanição. Os sindicatos absurdamente proclamam estar adotando uma postura altamente moral ao defenderem políticas protecionistas que inevitavelmente levam a estas desumanas consequências.
Os sindicatos também se vangloriam de ter defendido todas as legislações sobre segurança do trabalho impostas pelo Ministério do Trabalho e similares agências governamentais. É fato que os ambientes de trabalho são hoje muito mais seguros do que eram há mais de um século, mas isso foi também uma consequência das forças da concorrência capitalista, e não das regulamentações defendidas pelos sindicatos.
O que fez com que as jornadas de trabalho no século XIX fossem longas foi o mesmo fenômeno que obrigou agricultores a colocar seus filhos para trabalhar: a produtividade era baixa, e as pessoas simplesmente tinham de trabalhar 70-80 horas por semana se quisessem produzir o suficiente para comer. Isso, obviamente, não pode ser atribuído a “patrões exploradores”, a menos que consideremos que pais são exploradores. Tal fenômeno se devia ao fato de a economia ainda ser subdesenvolvida.
Ainda hoje, há pessoas que realmente acreditam que no século XVIII havia o mesmo tanto de riqueza que há hoje, de modo que, se os salários eram baixos (comparado aos padrões de hoje), se a segurança no trabalho era precária (de novo, comparado aos padrões de hoje) e se mulheres e crianças trabalhavam, isso só ocorria porque os malditos e gananciosos capitalistas se recusavam a prover segurança e salários altos, e obrigavam mulheres e crianças a trabalhar.
Tais pessoas realmente acreditam que bastava apenas um decreto governamental para que um trabalhador em 1750 gozasse dos mesmos confortos, segurança no trabalho e níveis salariais vigentes hoje. É inacreditável. Para quem está acostumado a todas as comodidades e confortos do século XXI, é claro que as condições de vida do século XVIII pareciam “sub-humanas”.
Falar que a qualidade de vida era ruim nos séculos XVIII e XIX tendo por base o século XXI, e daí tirar conclusões, é impostura intelectual. Ignora toda a acumulação de capital que ocorreu ao logo dos séculos seguintes. Era simplesmente impossível ter nos séculos XVIII e XIX a qualidade de vida que usufruímos hoje no século XXI, a segurança no trabalho, e a renda. Naquela época, não havia a mesma acumulação de capital que temos hoje. A produtividade era menor, os investimentos eram menores, a quantidade e a variedade de bens e serviços eram menores. Era impossível ter naquela época a mesma quantidade de comodidades que temos hoje.
Trabalhar muito e receber pouco não era uma decisão de capitalistas maldosos. Era a necessidade da época. Quem realmente acredita que era possível trabalhar 6 horas por dia nos séculos XVIII e XIX e ainda assim viver bem não entende absolutamente nada de economia. Tal raciocínio parte do princípio de que vivemos no Jardim do Éden, que a riqueza já está dada, e que tudo é uma mera questão de redistribuição.
À medida que a produtividade e, consequentemente, os salários foram crescendo, os trabalhadores foram se tornando aptos a viver à custa de menos horas de trabalho, o que deu a eles um incentivo para barganhar — de maneira bem-sucedida, como podemos testemunhar — jornadas semanais menores.
E por que a queda não continuou?
Mas, então, se a “exploração” não está conseguindo manter a jornada de trabalho longa, por que ela não continuou diminuindo desde 1938?
Um fator é que os salários estão subindo (contrariamente à alegação dos progressistas), o que aumenta o custo de oportunidade de não trabalhar. Os trabalhadores estão optando por trabalhar mais e comprar mais bens do que ter mais tempo livre. Salários crescentes fazem com que a hipótese de se trabalhar mais horas seja mais atrativa.
Outro fator é que, no mundo desenvolvido, a jornada semanal já está de fato diminuindo, só que por decisão voluntária dos patrões. Empresas como a Treehouse, do setor tecnológico, estão experimentando uma jornada semanal de 32 horas.
Abaixo, um gráfico que mostra a evolução do PIB per capita dos EUA (linha pontilhada, eixo da direita) e a evolução das horas de trabalho anual por trabalhador.
Ou seja, leis que impõem uma jornada máxima aparentemente tendem a ser inócuas para os trabalhadores. Só que pode ser muito pior do que isso: esse tipo de regulação, na realidade, prejudica a capacidade dos trabalhadores de ganhar um salário decente.
Trabalhadores são pagos de acordo com o que produzem, de modo que, se não estão trabalhando e produzindo o suficiente, não há como eles ganharem o suficiente. Empresas não são instituições de caridade; se um empregado produz 100, não há como ele ganhar mais do que 100. Leis que impõem uma jornada máxima reduzem a capacidade dos trabalhadores de aumentar seus salários, o que poderia ocorrer caso eles trabalhassem mais e produzissem mais.
Isso é algo que os próprios sindicatos já haviam reconhecido. Terence Powderly, líder do sindicato americano Knights of Labor (o maior e mais importante do país na década de 1880), afirmou que os trabalhadores não queriam jornadas menores se isso implicasse uma redução salarial. Mas foi exatamente isso o que as greves e as leis trabalhistas criaram.
Populações ricas trabalham menos
Nos países ricos, em que os trabalhadores possuem uma grande quantidade de maquinários e bens de capital tecnológicos à sua disposição, tais trabalhadores tendem a ser mais produtivos. Sendo assim, eles podem se dar ao luxo de trabalhar menos horas. Já nos países ainda em desenvolvimento, que não usufruem de bens de capital abundante e de qualidade para seus trabalhadores — o que faz com que eles sejam menos produtivos –, não há alternativa senão trabalhar mais para produzir o mesmo tanto que um trabalhador de um país desenvolvido.
Essa tabela (fonte), que mostra a quantidade anual de horas trabalhadas por país, diz tudo:
Menos trabalho não gera mais emprego
Um argumento sempre usado em prol da redução da jornada de trabalho é do que ela criará mais empregos. O argumento é o de que, se cada empregado tiver de trabalhar menos, os patrões serão obrigados a contratar mais apenas para manter toda a produção.
Ou seja, se o patrão puder obrigar João a trabalhar 60 horas, ele fará isso; mas se ele for proibido disso, e João tiver de trabalhar apenas 40 horas semanais, então o patrão será obrigado a contratar mais uma pessoa para ajudar João.
Só que tal raciocínio está errado por dois motivos.
Em primeiro lugar, o trabalhador contratado para ajudar João não será tão eficiente quanto João (afinal, se ele fosse, então, por uma questão de lógica, o patrão já o teria contratado de qualquer maneira). Sendo assim, transferir parte do trabalho de João para esse recém-contratado fará com que a empresa seja menos eficiente. Isso pode significar preços mais altos, menor produção, menos capacidade de investimento e expansão, ou todos os três.
Em segundo lugar, essa medida serve apenas para ajudar os desempregados à custa dos empregados. Se João quisesse ou necessitasse de trabalhar mais horas, azar o dele. Ele acabou de sofrer um corte salarial de 33% para que o outro pudesse ser contratado.
Desnecessário dizer que, se o governo impuser uma redução da jornada e, ao mesmo tempo, proibir reduções salariais, o resultado será o desemprego (vide a França) e a estagnação. Com menos produção e mais custos, não haverá muito dinheiro para as empresas fazerem novos investimentos e se expandirem.
Conclusão
Se o objetivo é criar empregos, há melhores alternativas do que jogos de soma negativa que punem tanto trabalhadores quanto empresários.
Apenas para ficar claro: uma jornada semanal de 30 horas em países ricos e de 35 horas em países em desenvolvimento não é impossível e nem mesmo é indesejável. Mas se o objetivo é ajudar os trabalhadores, a melhor alternativa é deixar que cada um decida o melhor para si, e não políticos.
Este artigo foi originalmente publicado em 10 de outubro de 2021.
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Nota: as visões expressas no artigo não são necessariamente aquelas do Instituto Mises Brasil.


Mais um ótimo artigo,é isso que eu sempre falO e as pessoas me rotulam de ”ser a favor da escravidão e opressor”.
Ai eu pergunto para essas pessoas,você prefere as pessoas sem emprego ou empregadas mas ganhando menos?Tem gente que diz desempregada..Se fosse possível diminuir o salario dos empregados de um empresa,ao invés de demitir vários empregados,diminui o salario dos mesmos e eles continuam empregados…Foi oque aconteceu agora pouco,se não me falha a memoria acho que a empresa era a GM aqui do Brasil,queriam demitir entorno de 1500-2500 empregados,ai o sindicato(vulgo clube de vagabundo),foi negociar com eles e advinha oque aconteceu? Menores salarios e jornada de trabalho menor para poder evitar tais demissões…Se as pessoas tivessem a liberdade de fazer isso,sindicatos deixariam de existir no mesmo dia….
Pessoal,aproveitando aqui,poderiam me passar algum artigo ou site explicando oque a Constituição Americana garante em termos de leis trabalhistas,propriedade privada,livre iniciativa e direito do consumidor?Preciso para um trabalho que irei apresentar na faculdade cujo professor é democrata,aproveitarei a oportunidade parar mostrar aos colegas e ao professor que o estado não resolve nada,só atrapalha,portanto se eu puder contar com ajudas de fontes para acrescentar na apresentação e no trabalho ficarei grato vocês.A e se possível,os estados mais liberais nesses termos e as consequências,tipo comparando os estados mais liberais nesses sentidos e os menos…
Obrigado e grande abraço!
De alguns benefícios do capitalismo bem empregado lembro-me de estórias que diretores de multinacionais que vinham ao Brasil, acompanhar a produção, davam aumentos salariais como incentivo. Bem lá no início da nossa era industrial. Sem sindicatos… Parece ficção de tão bom.
É fácil fazer o paralelo com pessoas que vivem na roça. Vá ver se eles trabalham 8 ou 6 horas e largam tudo do jeito que está para ir pra casa aproveitar o tempo de descanso. Não! Eles acordam as 5 da manhã, saem pro trabalho externo, terminam quando o sol se poe, e aí dentro de casa tem mais trabalho. Se não produzirem o suficiente, não tem comida. Não tem dessa de 40h semanais. As pessoas comparam os trabalhadores das fábricas explorados, como se antes das fábricas a vida fosse moleza.
Eu não sei como o Brasileiro não consegue entender isso.
No Brasil, quem vocês DEVEM agradecer é ao Lula, Mantega e ao PT. Apenas procurem férias coletivas no Google News para ver a recente conquista legada pelo maior sindicalista da história deste país ao bem-estar e tempo livre do trabalhador brasileiro: nunca antes férias foram tão emitidas aos operários quanto hoje.
Se vocês têm tempo para ficar batendo panelinha, reclamando de câmbio desvalorizado na internet e sabotando a governabilidade no país inventando uma crise estapafúrdia, o mérito é do Partido dos Trabalhadores.
Pelo fim da desinformação pelo grande capital: Secretaria de Comunicação Social JÁ!
Sei que é meio fora do assunto, mas alguém poderia me explicar o que foi a doença holandesa? Virou uma mania aqui na faculdade falar mal do liberalismo por causa dessa porra.
Alguém poderia me ajudar, por favor?
O cúmulo são os funcionários públicos querendo reduzir a própria jornada de trabalho para 30 horas, e o mais legal eles querem ganhar a mesma coisa. Não basta ter salários completamente distorcidos em relação às funções exercidas, eles querem deixar o trabalho deles ainda mais caro. E os inocentes ainda tem emprego vitalício, essa gente está vivendo em uma realidade paralela.
Paises ricos em recursos naturais tem tendencia a serem pobres
O livre-mercado premia a responsabilidade, a eficiência e a produtividade. Se você é um especialista, domina os meios de produção, possui conhecimentos teóricos e práticos você irá receber um bom salário. Mas se você for um parasita inconsequente, mal treinado e irresponsável você não irá ganhar bem, uma vez que empresa não faz caridade.
O estado tenta regular o trabalhador e tentar ao máximo fazer com que ele não se desenvolva. Quanto mais improdutivos existem, maior é o curral eleitoral.
Como adquirir a experiência profissional que os empregadores tanto exigem? Até para estágio já estão exigindo experiência profissional elevada. Então, como adquirir experiência profissional se nunca dão a oportunidade de adquirir?
Parabéns pelo artigo, é uma lógica pouco óbvia do ponto de vista de quem vive hoje mas que faz muito sentido.
Mas tenho receio pela ideologia da busca pelo maior lucro possível. Claro que o empresário quer lucro, ele investiu seu tempo e capital numa empresa para isso. Mas ele entende que quanto melhor a vida dos seus funcionários melhor será sua produtividade? Entende que com salários maiores, todos poderão comprar mais e mover mais a economia?
Pode falar o que for, mas minha prática tanto na vida profissional quanto acadêmica me mostra o contrário. Se quiser dados é só comparar o nosso coeficiente Gini com o de qualquer país liberal, na verdade nem precisa ser um país liberal, para notar que somos um dos piores no mundo em distribuição de renda.
Não estou falando que imposição de leis que limitem carga horária de trabalho dos Recursos Humanos sejam a melhor solução, mas sei que atualmente se depender somente do mercado a distribuição tende a piorar.
Desculpem-me a ignorância, mas tenho algumas dúvidas:
Tem aquela frase (que para mim, é uma máxima da economia) que é:
“A economia não é conta de soma zero”. Ou seja, para uma lado ganhar não necessariamente o outro precisa perder.
O PIB mundial, sempre é passível de se expandir? Admitindo que a riqueza de um não causa a pobreza de outro, é possível todos serem ricos?
Muito obrigado.
E o que os “benevolentes” capitalistas fizeram pelo fim da escravidão no século XIX? A escravidão só foi abolida porque se criaram leis para proibir e fiscalizar empresários que explorassem o trabalho escravo. E isso aconteceu por pressão da sociedade civil, que depois de tentar, percebeu que o boicote aos produtos do escravismo não estava funcionando. Se dependesse apenas do livre mercado, o escravismo teria durado muito mais. Aliás, se ainda existe trabalho escravo hoje, é justamente por falta de fiscalização dos governos (e porque capitalistas “benevolentes” aproveitam essa brecha para explorar mão de obra barata e aumentar seus lucros).
“Você chegou ao Planeta Terra agora? A escravidão sempre foi uma política impingida pelo estado. Era o estado quem dizia que a escravidão era legal.”
O estado dizia que era legal. E depois o estado definiu que era ilegal. Não foi o livre mercado. As pessoas que fizeram pressão para que a escravidão acabasse não o fizeram por questões comerciais. Fizeram-no por questões morais e religiosas.
“Não. Foi o cristianismo. Antes do advento do cristianismo, não se encontra uma única cultura antiga que proibia a prática da escravidão; a escravidão era vista como algo absolutamente normal”.
E porque séculos depois do advento do cristianismo a escravidão continuou, para ser abolida apenas quando o estado passou a proibir, fiscalizar e punir quem vivia da escravidão? Repito: alguns homens religiosos de fato fizeram pressão para que isso acontecesse. Mas tiveram que recorrer ao estado. Quando tentaram terminar com a escravidão através do mercado (boicote aos produtos com apoio de quem simpatizava com a causa) não funcionou. Por um motivo muito simples. O fim da escravidão não era do interesse do mercado naquela época.
“Claro, pois escravos produzem bens de “excelente” qualidade, né?”
As pirâmides do Egito, que foram as maiores construções erguidas pela humanidade durante milhares de anos e até pouco tempo, foram obra de escravos. E estão de pé até hoje. Muito daquilo que os escravos produzirem eram, sim, produtos de qualidade, muitas vezes caros e com uma enorme demanda. Se não fossem, simplesmente não haveria tanta gente interessada nestes produtos e o mercado escravagista não teria se sustentado durante tanto tempo.
“Mais ainda: é ótimo ter uma mão-de-obra sem nenhum poder de compra. Aí todos fazem produtos para ninguém comprar”.
Os escravagistas não estavam nem aí para o poder de compra dos escravos. O que interessava para eles era o poder de compra dos não escravos. E eles ganharam dinheiro suficiente para abrir mão do potencial poder de compra dos escravos.
“Existe trabalho escravo atualmente? Existe gente trabalhando sem receber nada e sendo proibida de pedir demissão? Não sabia.”
Então sugiro se informar melhor.
Sobre meus conhecimentos defasados, sou bem versado na história da escravidão. Posso até sugerir alguns livros para vocês. Mas veja bem: livros sem nenhuma contaminação ideológica, como essa baboseira de que o capitalismo acabou com a escravidão.
Uma professora disse que o capitalismo obriga as pessoas a trabalhar 8h/dia, mesmo que não queiram.
Perguntei a ela se, caso um empregado quisesse trabalhar 4h/dia com o correspondente ajuste salarial e seu empregador aceitasse, as leis trabalhistas permitiram.
A resposta é “NÃO”.
* * *
Eis o problema de se apoiar pequenas reformas de mercado: propaganda.
Esquerdistas estão usando os dados do desemprego como prova de que as reformas trabalhistas extremamente tímidas do Temer (que não mudaram praticamente nada) foram apenas para “retirar direitos dos trabalhadores”.
Mas o problema não é esquerdista falar borracha, afinal isso é normal, o problema é a mentalidade extremamente estatista do brasileiro médio ouvir esse tipo de coisa.
g1.globo.com/economia/concursos-e-emprego/noticia/desemprego-fica-em-131-em-marco-e-atinge-137-milhoes-de-pessoas.ghtml
Quando o país está mergulhado na maior crise da história e com desemprego em níveis recordes, o que o governo faz? Abre mais 15 mil vagas para concursos até agora nesse ano. Estão fechando empregos da iniciativa privada, mas o governo acha que é uma boa ideia abrir empregos na burocracia.
Do que adianta reduzir 1 papelzinho que você precisa para abrir seu negócio, se mantém a absurda lei marxista de indenização por tempo de trabalho? Do que adianta permitir terceirização mais facilmente, mas aumentar os impostos?
Quando toda a economia é estatizada e apenas uma pequena parte é livre, não há milagre que crie empregos produtivos e aumente a renda da população.
Não será possível mudar a realidade do país como foi feito na década de 90, se não for feito de forma radical, privatizando tudo, abolindo 100% a CLT (não ficar fazendo reforminhas nessa joça), destruindo agências reguladoras e reduzindo a carga tributária bruscamente principalmente de pessoas jurídicas.
Ficar apoiando pequenas reforminhas de mercado não vai nem aumentar nossa liberdade e nem melhorar a economia. Além, claro, de ser uma anti-propaganda do capitalismo.
Excelente artigo!
O braziu comunofascista é um enorme gulag.
Muito bom!.
Muito se fala do FASCISMO como um adversáro do Socialismo (comunismo é promessa de Paraíso no futuro impossível, já que só depois da abundância absoluta que o Socialismo produzirá).
Ora, o que sempre faltou dizer é que o Socialismo é apenas uma reivindicação de PODER ABSOLUTO para a HIERARQUIA ESTATAL e que tanto o NAZISMO como o FASCISMO eram perfeitos exemplos de Sociaismo.
Dizer que Fascismo e o Nazismo combatiam o Partido Comunista e por tal ideologias antagônicas é FRAUDE INTELECTUAL:
– A Igreja Católica combatia os protestantes e AMBOS ERAM/SÃO CRISTÃOS
– O COMANDO VERMELHO e o TERCEIRO COMANDO (no RJ) se combatem, mas AMBOS SÃO TRAFICANTES.
A briga entre católicos e protestantes não faz de um dos lados os ateus e tão pouco a briga entre duas FACÇÕES de traficantes faz de uma dela a polícia. Porém é nesse sofisma ou “FALÁCIA do BINÁRIO” (título que criei) que a esquerda se baseia para apontar o dedo acusador e xingar seus adversarios acusando-os daquilo que ela, esquerda, defende.
Tivessem os esclarecimentos sido feitos e Fascismo e Nazismo tanto quanto bolchevismo e trotskismo e toda sorte de socialismo marxista seria conhecido como ideologia dos facínoras de esquerda.
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1) O Fascismo foi criado pelo membro militante do Partido Socialista Italiano: o jornalista Benito Mussolini.
2) A idéia de Mussolini se fundamentava no SINDICALISMO para arrebanhar toda a população SOB o PASTOREIO de sindicalistas a quem o Estado controlaria e estes controlariam o rebanho humano em beneficio do Estado totalitário. Claro que fluiu dinheiro para organizações sindicais e cargos.
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Ou seja,
. a população trabalharia e produziria para pagar impostos para o Estado.
. todos deveriam estar filiados a sindicatos, patrões e empregados, para fazerem pedidos de vantagens uns sobre os outros ao Estado através destes sindicatos.
Evidentemente que o Estado alternaria vantagens a uns com desvantagens a outros e assim apenas os sindicalistas mais obedientes ao Estado obteriam vantagens provisórias para controlar o rebanho sindicalizado.
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Foi desta forma que o Estado, através de seu líder, o DUCE, poderia controlar QUEM seriam os sindicalistas que controlariam os rebanhos dos sindicatos. O DUCE controlaria os sindicalistas.
Ao Estado também caberia os empreendimentos “ESTRATÉGICOS” que não poderiam ficar nas mãos de emresários ganaciosos que se preocupam com lucro.
Exatamente daí a famosa frase de Mussolini:
“TUDO PELO ESTADO, TUDO PARA O ESTADO e NADA FORA DO ESTADO”
Os sindicalistas controlariam TODA a atividade econômica ao controlar os empresários e empregados forçados a sindicalizarem-se. Toda e qualquer reivindicação deveria ser passada aos sindicalistas e então administradas pelo Estado.
Não é dificil perceber que o Estado controlaria os sindicalistas e mesmo seria fundamental para que assim permanecessem como sindicalistas.
Fora isso o FASCISMO notabilizou-se pelos “CAMISAS PRETAS” e as agressões a ADVERSÁRIOS IDEOLÓGICOS.
OS FASCIS de COMBATIMENTO atacavam os adversarios para IMPEDIR que viessem a tona qualquer CRÍTICA ao Estado ou SISTEMA FASCISTA.
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Semelhanças dos tais FASCES de COBATIMENTO com as MILICIAS CHAVISTAS (os coletivos) ou com MST, MTST, BLACK BLOCKs ou ETC., NÃO É MERA COINCIDÊNCIA.
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O MST, por exemplo, começou anunciando-se invasor de terras improdutivas APENAS. Com isso amaciou os corações e, Claro, rapidamente se formalizou o fornecimento de VERBAS MILIONÁRIAS para tal “movimento social” sob FHC.
Com muito dinheiro já garantido, tal MILICIA não mais atuou invadindo terras improdutivas, mas qualquer propriedade até para VINGANÇA contra inimigos políticos e CHANTAGEM no campo.
Na sequencia veio para as cidades e ATUA ESCANCARADAMENTE como UMA MILICIA de esquerda, com “SOLDADOS” para ataques em pequenos grupos de aparentes militantes raivosos (OS BLOCKs).
A estratégia deu certo e novas MILICIAS como MTST, Black Blocks e etc. surgiram como blocos de pequenas GUERRILHAS.
Essa é uma comparação que faço segundo minha percepção. Será que estou errado?
Nada é por acaso.
No mais, Mussolini ainda tentou fundar uma REPUBLICA SOCIALISTA ao norte da Italia, mas foi capturado e trucidado. Porém sua estratégia de dominação da sociedade tem sido bastante utilizada. Seja no brasil ou venezuela, entre outros de menor sucesso atual.
FAZ BEM LEMBRAR dos “COLETIVOS” venezuelanos…
Não por acaso os CAMISAS PRETAS de Mussolini firmaram a cor em dua designação (PRETA), poderia ser camisas vermelhas ou Blocos Vermelhos em alusão a blocos como pequenos grupos de guerrilha.
A CLT defendida por TODOS os socialistas, sobretudo por sindicalistas que são braços da esquerda militante, foi uma cópia da CARTA del LAVORO de MUSSOLINI. Porém, aberrantemente, isso não é divulgado.
Me parece muito difícil engolir essa ideia de “concorrência por mão-de-obra”. O que se vê são filas e mais filas de desempregados fazendo concorrência por emprego, não o contrário. Tem algum artigo tratando disso ?
Falta a este artigo não confundir sindicato e ação sindical com a luta dos trabalhadores por condições dignas de trabalho que marcou todo o século 19. Não foi o capitalismo “bonzinho” que reduziu a jornada de trabalho, por decisão própria. Claro que não!! Essas foram conquistas alcançadas a duríssimas penas, a partir das incontáveis e anônimas batalhas (literalmente) travadas pelos trabalhadores. por sua dignidade.
Estudar economia é bom, mas é melhor ainda lembrar que ela não é uma ciência exata – assim como a história também não é e serve para não cometermos os mesmos erros do passado e evoluirmos, de fato, enquanto sociedade. Retornar ao tempo em que não haviam garantias aos trabalhadores é literalmente retroceder, voltar no tempo.
Além disso, ao contrário do que essa “propaganda” quer nos fazer acreditar, aqui no Brasil, na Inglaterra, está na moda defender a propriedade pública de empresas consideradas estratégicas para o país.
Transformar os ativos da Grã-Bretanha em propriedade privada, com ações das empresas nacionais negociadas em bolsas de valores, e confiar apenas em uma regulamentação mínima pelo Estado, a fim de tentar garantir que esses ativos sejam administrados de modo a conduzir os negócios visando a um interesse público mais abrangente, sempre fora uma aposta arriscada. E essa aposta não valeu a pena, na opinião do povo britânico.
Recentes pesquisas mostram que 83% da população é a favor da nacionalização da água; 77% é favorável à reestatização do setor de eletricidade e gás; e 76% dos britânicos querem que o transporte público ferroviário volte a ser gerenciado por empresas estatais.
Isso não representa, exatamente, uma queda na confiança das pessoas na iniciativa privada. Significa, no entanto, que vem ganhando espaço entre a população uma percepção de que as concessionárias privadas atuam em um mercado um pouco diferente: são serviços públicos. Há, portanto, uma visão generalizada de que essas empresas, ao serem privatizadas, deixaram de lado as suas obrigações como prestadoras de serviços públicos e acabam por priorizar metas que visam ao lucro.
E, segundo a reportagem do "The Guardian", a seguir, o público britânico está correto!
Vejam mais no link: http://www.theguardian.com/commentisfree/2018/jan/09/nationalise-rail-gas-water-privately-owned
>sindicatos no Brasil: 17.000+
>sindicatos nos EUA: 190
>sindicatos no Reino Unido: 168
>sindicatos na Dinamarca: 164
>sindicatos na Argentina: 91
Através destes números podemos perceber com clareza que evidentemente sindicatos são altamente necessários, e também que um país que possibilita seus empresários manterem vínculos empregatícios diretamente com o contratado está fadado ao fracasso absoluto e as pessoas a mais triste miséria.
130 anos depois da abolição da escravidão, nossos juristas e formadores de opinião ainda não aprenderam o que significa trabalho escravo.
Pra quem acha que leis trabalhistas é bobagem, que escravidão é só a base de chicote, vejam essas reportagens em pleno país desenvolvido. Não é na China, não é na África Subsaariana, não é no Brasil… É nos Estados Unidos da América. UNITED STATES:
Trabalhadores de avicultura impedidos pelos seus patrões de ir ao banheiro e obrigados a usar fralda
Em Chicago: empresa limita banheiro a 6 minutos:
A questão que fica é: por que patrões fazem isso? Para manter os trabalhadores produzindo 10 minutos no banheiro, é 10 minutos sem produzir. Para que? Para aumentar o lucro dos patrões.
Melhor comentário do Youtube:
“Companies are solely focused on productivity, working people like slaves. Focus on keeping people happy, and they will work hard for you. These people are in the bathroom contemplating whether to quit or not. ?”
O pior de tudo são os “libertarios” americanos apoiando este tipo de coisa nos comentários do Youtube. Vejam este comentário:
“They are on their phone. My coworker does the same thing – for 30 minutes a day. Drives us nuts. Why should I work more like a slave because my coworker wants 30 minutes of free-time??”
E este:
“And some people are just plain lazy, if the company took this extreme mesuare, it probably had ocurred significant abuse…..I feel very little sympathy towards lazy workers?”
E mais este outro:
“How about just make them keep their phones in lockers so they cannot use them while on work time? That would cut down on their bathroom break time since they cannot sit and use their phone.? “
Ou seja, pros “libertários” americanos, o trabalhador vai pro banheiro pra mexer no celular. Logo, é justificável que uma empresa limite o tempo no banheiro a 6 minutos ou até proíba de ir ao banheiros, como no caso dos avicultores.
Se não houvesse leis trabalhistas, este tipo de coisa seria mais corriqueiro do que se imagina, e com aceitação de muitas pessoas. Voltaríamos pro século XIX.
“não pode haver capital sem trabalho, nem trabalho sem capital.” (Papa Leão XIII, Encíclica Rerum Novarum
É, por conseguinte, inteiramente falso atribuir ou só ao capital ou só ao trabalho o produto do concurso de ambos, e é injustíssimo que um deles, negando a eficácia do outro, se arrogue a si todos os frutos, como fez o capital, por muito tempo.
Nem podem os operários exigir para si todos os lucros e rendimentos, descontado apenas o que baste a amortizar e reconstituir o capital.
– ARLINDO VEIGA DOS SANTOS (Para a Ordem Nova, São Paulo, Ed. Pátria-Nova, 1933, p. 29).
O que é capitalismo? Muito frequentemente esta palavra não é muito bem definida, e cada pessoa lhe dá um significado, bom ou mau, conforme as suas próprias convicções, mas nunca a definindo claramente. Então, o que é o capitalismo?
O capitalismo não é a posse privada de propriedade, mesmo que se trate de propriedade produtiva, pois tal tipo de propriedade existe na maior parte do mundo desde tempos muito remotos, enquanto que o aparecimento do capitalismo é normalmente situado na Europa do final da Idade Média.
Talvez a melhor maneira de proceder seja escolher a definição de uma autoridade, e depois analisaremos como é que se enquadra com os fatos históricos. Voltemos à encíclica Quadragesimo Anno (1931), do Papa Pio XI, em que o capitalismo é definido, ou caracterizado, como “o sistema econômico em que o trabalho e o capital necessários para a produção são fornecidos por pessoas diferentes.” Por outras palavras, no sistema capitalista normalmente trabalha-se para outra pessoa. Alguém, o capitalista, paga a outros, os trabalhadores, para que trabalhem para si, e recebe os lucros do seu empreendimento, isto é, o que sobra depois de pagar o trabalho, as matérias-primas, amortizações, débitos, etc.
Há algo de errado com o capitalismo, com a separação da posse e do trabalho? Não há nada de errado em ter uma fábrica ou uma quinta e pagar a outros para as trabalharem, desde que lhes pague um salário justo.
No entanto, o sistema capitalista é perigoso e insensato. Os seus frutos foram nocivos para a humanidade, e o Sumo Pontífice fez o apelo por mudanças que iriam eliminar, ou pelo menos diminuir, o cerne e o poder do capitalismo.
Deixem-me explicar as afirmações que acabei de fazer. E para o fazer tenho de fazer primeiro um breve desvio para discutir o propósito da atividade econômica.
Por que é que Deus deu ao homem a necessidade e a possibilidade de criar e utilizar-se de bens econômicos? A resposta é óbvia: necessitamos desses bens e serviços para levarmos uma vida humana. A atividade econômica produz bens e serviços para servir toda a humanidade, e qualquer ordenamento econômico deve ser avaliado pela capacidade de preencher este objetivo.
Quando a posse e o trabalho estão separados, tem necessariamente de existir uma classe de homens, os capitalistas, que estão afastados do processo de produção. Os acionistas, por exemplo, não querem saber o que é que a empresa, da qual eles são formalmente os donos, faz ou produz, mas só lhes interessa saber se as ações estão a subir ou quais os dividendos que daí vão tirar. De fato, na bolsa, as ações mudam de mãos milhares de vezes por dia, ou seja, diferentes indivíduos ou entidades, como fundos de pensões, são em parte donos de uma empresa durante alguns minutos ou horas ou dias, e depois vendem-na tornando-se donos de outra entidade qualquer. Naturalmente esta classe de capitalistas passa a encarar o sistema econômico como um mecanismo pelo qual dinheiro, ações, títulos e outros equivalentes podem ser manipulados para enriquecimento pessoal, ao invés de servir a sociedade produzindo bens e serviços. Em resultado disto, têm-se feito fortunas através de takeovers hostis, fusões, encerramento de fábricas, etc., por outras palavras, aproveitam o direito de propriedade privada, não para se envolverem na atividade econômica produtiva, mas para se enriquecerem independentemente dos efeitos nos consumidores e trabalhadores.
Os Papas justificaram a propriedade privada, mas se analisarmos os motivos e os argumentos por que o fizeram constataremos que a sua lógica está muito longe da capitalista. Examinemos, por exemplo, a famosa passagem da encíclica Rerum Novarum (1891), do Papa Leão XIII.
“estimule-se a industriosa actividade do povo com a perspectiva da sua participação na prosperidade do solo, e ver-se-á nivelar pouco a pouco o abismo que separa a opulência da miséria, o operar-se a aproximação das duas classes. Demais, a terra produzirá tudo em maior abundância, pois o homem é assim feito: o pensamento de que trabalha em terreno que é seu redobra o seu ardor e a sua aplicação.”
A justificação que os Papas sempre fizeram da propriedade privada está ligada, pelo menos idealmente, à unidade entre a propriedade e o trabalho. Acrescenta Leão XIII:
“Importa, pois, que as leis favoreçam o espírito de propriedade, o reanimem e desenvolvam, tanto quanto possível, entre as massas populares.”
E este ensinamento é repetido por Pio XI na Quadragesimo Anno:
“É pois necessário envidar energicamente todos os esforços, para que ao menos de futuro as riquezas grangeadas se acumulem em justa proporção nas mãos dos ricos, e com suficiente largueza se distribuam pelos operários; não para que estes se dêem ao ócio, — já que o homem nasceu para trabalhar como a ave para voar, — mas para que, vivendo com parcimônia, aumentem os seus haveres, aumentados e bem administrados provejam aos encargos da família; e livres assim de uma condição precária e incerta qual é a dos proletários, não só possam fazer frente a todas as eventualidades durante a vida, mas deixem ainda por morte alguma coisa, aos que lhes sobrevivem.”
Mas, o que ocorre sob o capitalismo? Os homens aprendem a amar os certificados das ações que lhes renderão dinheiro, em resultado do trabalho de outra pessoa?
A Doutrina Social da Igreja visa aumentar o número de proprietários, estimulando os indivíduos e as famílias a adquirir ou criar seus próprios meios de produção, em vez de depender de salários. Isso, na prática, pode significar muito bem os “três alqueires e uma vaca” de Chesterton, assim como, na economia moderna, “três computadores e um escritório em casa”.
O sistema econômico defendido pela Doutrina Social da Igreja consiste em empresas familiares de qualquer espécie (não só chácaras – como insinuam ser nossa opinião alguns críticos zombeteiros), ou firmas cuja propriedade pertence aos empregados (chamadas cooperativas), ou ainda pequenas empresas e empresas de médio porte que atuam local ou regionalmente. Também pequenos negócios e trabalhos independentes, em geral, correspondem ao distributismo na prática.
Qualquer pessoa que pense que “livre iniciativa” quer dizer Wal-Mart, com suas legiões de chineses pagos com salários escravos a labutar em benefício de acionistas americanos, sob a canga de um governo comunista que sequer lhes permite ter filhos, precisa consultar depressa a Doutrina Social Católica. Algo muito errado se passa na ordem moral, quando os fundadores do Wal-Mart repousam sobre uma carteira de ações de 84 bilhões de dólares, construída em grande parte com trabalho quase escravo, enquanto os “assistentes de venda” da rede varejista não conseguem sustentar as próprias famílias ou dar conta de seus gastos médicos, embora uma pequena fração dos bilhões da família Walton fosse suficiente para pagar, por uma vida inteira, um plano de saúde para todos os funcionários do Wal-Mart. Não estou sugerindo que o governo confisque a riqueza da família Walton. Claramente a questão é que os Walton deveriam fazer justiça aos seus esforçados funcionários sem a necessidade de uma ordem governamental, isto é, eles deveriam aplicar a lei do Evangelho na condução dos seus negócios. A família Walton é muito rica e pode pagar um salário justo aos seus empregados.
O fundador e diretor executivo da Costco, um católico imerso na Doutrina Social da Igreja, paga a seus empregados o salário-família e 92% dos seus gastos médicos.
“nos EUA, já há pedidos para uma jornada máxima de 30 horas por semana”
Sério? Os caras querem trabalhar como estagiários e ganhar salário de funcionário? Pois 30h/semana era o que eu trabalhava no meu tempo de estagiário!
Baita “bullshit” esse argumento(dados) que os países ricos trabalham menos horas. Pergunta pra um escandinavo quantas horas ele trabalha. Ele rirá da sua cara se você acha mesmo que ele trabalha 6h por dia.
Não é por nada, mas todas essas criações são mais devidas a Igreja Católica do que ao Capitalismo. Antes da lógica produtiva do Capitalismo já existiam as leis religiosas que em sua sabedoria obrigava as pessoas a descansarem sem se dar o trabalho de ter uma explicação científica sobre isso.
“À medida que os investimentos em capital — isto é, em máquinas, equipamentos e instalações mais modernas — levaram a um aumento na produtividade marginal dos trabalhadores ao longo do tempo, foi possível que uma quantidade menor de trabalho gerasse os mesmos níveis de produção. À medida que a concorrência por mão-de-obra foi se tornando mais intensa, vários empregadores passaram a competir pelos melhores empregados. “
Pessoal, uma puderem me tirar uma dúvida:
A introdução de máquinas e equipamentos não iria gerar uma redução na necessidade de mão obra humana? Como isso poderia gerar mais concorrência por mão de obra humana, visto que agora haveria menos necessidade mão de obra humana no processo produtivo?
Mensagem (des)criptografada…
Problema – O que que acontece se as máquinas com elevado nível inteligência artificial se rebelarem ou se um grupos de hackers a mando do governo tomarem conta de todo sistema de informação e a vida do próprio povo?
Solução?
Leandro, eu li essa notícia dias atrás e me chamou atenção.
“Com uma base parlamentar modesta e instável, o Palácio do Planalto corre o risco de ficar sem recursos para pagar subsídios e benefícios a idosos carentes e pessoas com deficiência (BPC).
Para contornar esse grave problema de caixa, a equipe econômica do ministro Paulo Guedes passou a articular a aprovação do projeto de lei que autoriza o governo a gastar R$ 248 bilhões com recursos a serem obtidos com títulos do Tesouro Nacional.
É a primeira vez que o Poder Executivo precisará desse tipo de aval do Congresso Nacional para realizar despesas como as transferências assistenciais aos mais pobres.
A chamada “regra de ouro” impede o governo federal de se endividar para pagar despesas correntes, como salários, Previdência Social e benefícios assistenciais.
Guedes pediu ao Congresso para que, em 2019, haja uma exceção a essa limitação.Por ser um caso incomum, o governo federal terá de obter 257 votos na Câmara dos Deputados e 41 votos no Senado depois que o projeto sair da CMO (Comissão Mista de Orçamento), onde está parado. “
Eu sabia que em algum momento o governo começaria a quebrar, agora a minha surpresa é que essa simulação parcial de Grécia fosse começar nisso, eu achei que ele pudesse se endividar e custear essas despesas. Como chegou a esse ponto? Eu sei que parece uma pergunta estúpida por ter farto material sobre, mas é que eu só queria os artigos certos para poder ter uma noção. Seria o principal responsável o descontrole dos gastos previdenciários? Quando te perguntei sobre a reforma, sua opinião sobre, você disse que seria só um remendo e não resolveria o problema mas, agora, nesse artigo, você defende que ela seja feita. Você mudou de ideia ou eu interpretei errado a sua resposta? Essa ideia de que o rico vai pagar mais seria qual rico? O funcionário estatal eu sei que vai pagar mais, mas e o funcionário do setor privado, teria que pagar mais também?
"Muito engana-me, que eu compro"
Vive o PT© de clichês publicitários bem elaborados por marqueteiros.
Nada espontâneo.
Mas apenas um frio slogan (tal qual "Danoninho© Vale por Um Bifinho"/Ou: "Fiat® Touro: Brutalmente Lindo"). Não tem nada a ver com um projeto de Nação.
Eis aqui a superficialidade do PETISMO:
0."Coração Valente©"
1."Pátria Educadora©" [Buá; Buá; Buá].
2."Haddad agora é verde-amarelo ®" [rsrsrs].
3."A Copa das Copas®"
4."Fica Querida©"
5."Impeachment Sem Crime é Golpe©" [lol lol lol]
6."Foi Golpe®"
7."Fora Temer©"
8."Ocupa Tudo®"
9."Lula Livre®"
10."®eleição sem Lula é fraude" [kuá!, kuá!, kuá!].
11."O Brasil Feliz de Novo®"
12."Lula é Haddad Haddad é Lula®" [kkkk]
13."Ele não®".
14."Controle social da mídia" (hi! hi! hi!): desejo do petismo.
15."LUZ PARA TODOS©" (KKKKK).
16. (…e agora…):
"Ninguém Solta a Mão de Ninguém ©"
17.
"SKOL®: a Cerveja que desce RedondO".
PT© é vigarista e
é Ersatz.
PT Vive de ótimos e CALCULADOS mitos publicitários.
É o tal de: "me engana que eu compro".
Produtos disfarçados, embalagens mascaradas e rótulos mentirosos. PT!
Estes direitos são graças às leis trabalahistas criadas pelos governos (como a CLT) que foram baseadas nas Encíclicas Papais, como Rerum Novarum e Quadragesimo Anno.
Nós não somos contra o capitalismo. O que as encílicas papais exigem é que os patrões paguem um salário justo aos trabalhadores, um salário que seja suficiente para um pai de família sustentar a mulher e os filhos. Uma grande empresa como a Wall Mart, Mcdonalds, possuindo a fortuna que possuem, apresentando os lucros que apresentam, podem pagar um salário digno aos seus trabalhadores. E que não é possível sustentar uma família numerosa ganhando US$ 300,00 por mês (o salário mínimo no Brasil é menos do que isso).
Amigo, não existe isso de “salário digno”, isso é ideologia esquerdista travestida de justiça social, o salário é um preço como qualquer outro e está sujeito às leis econômicas, o Neymar não recebe milhões porque o PSG acha que ele merece isso, é porque o mercado assim decidiu, por ser um dos jogadores mais lucrativos do mundo, muitos clubes querem ter ele, portanto o salário dele naturalmente aumenta por ser muito demandado.
Aos os católicos,religiosos e marxistas de plantão,diferente do que estes afirmam não ha nenhuma influência das encíclicas papais e menos ainda da carta de lavoro,na criação das leis trabalhistas no Brasil,pois a igreja católica não só apoiou,como explorou a mão de obra escrava no Brasil e outras partes do mundo e buscou na bíblia passagens para justificar a escravidão; e as encíclicas não possuem lei alguma é só discurso,meá culpa da igreja,já a carta de lavoro(só discurso também), surgiu muito depois que leis já haviam sido criadas de forma esparsas no Brasil(estados) e outros lugares do mundo,sendo que no Brasil e França muitas dessas leis tinham inspiração positivista,sendo que na Inglaterra já haviam algumas normas trabalhistas décadas antes de qualquer projeto católico-fascista(encíclicas/Carta de lavoro);foi no positivismo que se inspirou a maior partes das leis trabalhistas que existiam nos estados e no Brasil e estas leis foram apenas agrupadas na C.L.T e impostas a todo o país,apenas a organizações sindicais foram pensadas e implantadas seguindo princípios socialistas/marxistas,dando no que temos hoje sindicatos parasitas,onde os diretores se adonam do sindicato,com altos salários e o trabalhador tento que custear a boa vida deles,esperamos que com o fim da contribuição sindical obrigatória isso mude e muitos desses sindicatos sumam.
Faço um jogo de achismo, acredito que em um futuro próximo a classe média nos países desenvolvidos trabalharão a maior parte do tempo via home office, com horarios e dias de trabalho bem flexiveis, não tendo mais essa de segunda a sexta 9 horas de trabalho. (Essa tendência já acontece em alguns empregos, mas ainda é minoria)
Depois com o tempo essa forma de trabalhar chegará nas classes mais pobres e países menos desenvolvidos, se tornando a regra.
Galera muito se fala sobre um grande crise global vindo por aí, com alguns inclusive dizendo que será pior que 1929. O que vocês acham? Vem mesmo? E se vir será realmente algo tão enorme? Vocês acham que nesse caso a esquerda volta ao poder mundo afora, ou será que o movimento libertário se fortalece?
Equipe IMB,
em um momento como este em que tanto se discute a desvalorização do real, moeda forte ou fraca, etc., não seria hora de ressuscitar aquele texto do Leandro Roque: “Uma moeda forte poderia trazer desvantagens para os brasileiros?” (se não me engano de 2012), ou escrever outro texto sobre o assunto?
Abraços
Além desse artigo, o IMB deveria republicar esse clássico de 2016, com uma PEC de proposta parecida aos dos progressistas atuais (e muitos pseudodireitistas).
Escrevi um texto bem grande ontem, para quem quiser ler.
Eu duvido muito que essa assinatura por esse fim do 6 x 1 seja realmente pelo pessoal que esteja nesse regime, porque muitas dessas pessoas sequer pensam em ficar pagando de militante político em rede social. Um pequeno padeiro de uma cidade interiorana respondeu um ignorante econômico sobre o tema. Esse pessoal realmente vive numa fantasia, eles acham que não existe cidade interiorana no Brasil e sim só a Avenida Paulista. É por isso que as grandes cidades votam com gosto em gente como o Guilherme Boulos. Inclusive, tem um artigo que fala sobre os motivos de as grandes metrópoles votarem na esquerda no Mises Institute (eu acho), mas não consigo encontrar o texto em questão (quem encontrar, eu agradecerei).
Leandro Roque, o melhor economista deste País, faz muita falta.
O fim da escala 6×1 deve acontecer.
A baixa produtividade no Brasil se deve a vários fatores como o fato dos salários e benefícios dos agentes públicos nunca parar de subir. Assim temos leis tributária de tudo quanto é tipo.
Uma reforma da previdência social ideal era do temer,mas os SOCIALISTAs dos militares foram contra e a pec morreu.
A automação – essa que, de acordo com o artigo, vem diminuindo a necessidade de horas trabalhadas – tende a ir avançando e a lançar cada vez mais a população ao desemprego. Nisso, a massa salarial cai, o consumo cai, o faturamento das empresas cai até o colapso, assim concluímos:
NÃO HÁ SAÍDA PELA ORDEM CAPITALISTA!!!!