Nota da edição:
O artigo a seguir é a quinta parte do ensaio Repensando Churchill do historiador libertário Ralph Raico. No texto, existe uma crítica contundente que desmistifica Winston Churchill, retratando-o não como um herói, mas como um político oportunista viciado em guerras.
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No início da guerra, Churchill declarou: “Tenho apenas um objetivo na vida, a derrota de Hitler, e isso torna as coisas muito simples para mim”1. “Vitória — vitória a qualquer custo”, entendida literalmente, foi sua política praticamente até o fim. Isso aponta para o erro fundamental e fatal de Churchill na Segunda Guerra Mundial: sua separação entre estratégia operacional e estratégia política. À primeira — o planejamento e a condução das campanhas militares — ele dedicou todo o seu tempo e energia; afinal, era algo de que ele tanto gostava. À segunda, o ajuste das operações militares aos objetivos políticos mais amplos e muito mais significativos que elas deveriam servir, ele não dedicou esforço algum.
Stalin, por outro lado, compreendia perfeitamente que todo o propósito da guerra é impor determinadas reivindicações políticas. Esse é o sentido do famoso princípio de Clausewitz de que a guerra é a continuação da política por outros meios. Na visita de Eden a Moscou, em dezembro de 1941, com a Wehrmacht nos arredores da cidade, Stalin já estava pronto com suas exigências: o reconhecimento britânico do domínio soviético sobre os Estados Bálticos e os territórios que havia acabado de tomar da Finlândia, da Polônia e da Romênia. (Essas exigências acabaram sendo atendidas.) Ao longo de toda a guerra, ele jamais perdeu de vista esses e outros objetivos políticos cruciais. Mas Churchill, apesar das frequentes insistências de Eden, nunca refletiu sobre os seus, quaisquer que fossem2. Sua abordagem, como ele próprio explicou, era a da receita de Senhora Glass para Jugged Hare: “Primeiro capture a lebre”3. Primeiro derrotar Hitler, depois começar a pensar no futuro da Grã-Bretanha e da Europa. Churchill afirmou isso em termos inequívocos: “a derrota, ruína e destruição de Hitler, com exclusão de todos os outros propósitos, lealdades e objetivos”.
Tuvia Ben-Moshe identificou com perspicácia uma das fontes dessa indiferença grotesca:
“Trinta anos antes, Churchill havia dito a Asquith que (…) a ambição de sua vida era ‘comandar grandes exércitos vitoriosos em batalha’. Durante a Segunda Guerra Mundial, ele estava determinado a aproveitar ao máximo a oportunidade que lhe foi dada — a condução praticamente sem restrições da gestão militar do grande conflito. Tinha a tendência de ignorar ou adiar o tratamento de questões que pudessem diminuir esse prazer (…) Ao fazer isso, adiou, ou mesmo deixou completamente de lado, o tratamento de questões que deveria ter enfrentado em seu mandato como Primeiro-Ministro”4.
A política de Churchill de apoio total a Stalin eliminou outras abordagens potencialmente mais favoráveis. O especialista militar Hanson Baldwin, por exemplo, afirmou:
“Não há absolutamente nenhuma dúvida de que teria sido do interesse da Grã-Bretanha, dos Estados Unidos e do mundo permitir — e, de fato, incentivar — que as duas grandes ditaduras do mundo lutassem entre si até o esgotamento mútuo. Tal confronto, com o consequente enfraquecimento tanto do comunismo quanto do nazismo, não poderia deixar de contribuir para o estabelecimento de uma paz mais estável”5.
Em vez de adotar essa abordagem, ou, por exemplo, promover a derrubada de Hitler por alemães anti-nazistas — em vez sequer de considerar tais alternativas — Churchill, desde o início, lançou todo o seu apoio à Rússia soviética. A complacência de Franklin Roosevelt em relação a Joseph Stalin é bem conhecida. Ele via Stalin como um colega “progressista” e um colaborador indispensável na criação da futura Nova Ordem Mundial6. Mas os neoconservadores e outros que contrapõem à ingenuidade de Roosevelt, nesse aspecto, a suposta astúcia e sagacidade do Velho Mundo de Churchill estão profundamente equivocados. A bajulação nauseante de Roosevelt a Stalin é facilmente igualada pela de Churchill. Assim como Roosevelt, Churchill acumulou elogios efusivos ao assassino comunista e buscava a amizade pessoal de Stalin. Além disso, sua admiração por Stalin e por sua versão do comunismo — tão diferente da variante “trotskista” considerada repulsiva — não era diferente em conversas privadas do que publicamente. Em janeiro de 1944, ele ainda dizia a Eden que havia ocorrido “mudanças profundas no caráter do estado e do governo russos, a nova confiança que cresceu em nossos corações em relação a Stalin”7. Em uma carta à sua esposa, Clementine, Churchill escreveu, após a conferência de outubro de 1944 em Moscou: “Tive conversas muito agradáveis com o velho Urso. Quanto mais o vejo, gosto mais dele. Agora eles nos respeitam e tenho certeza de que desejam trabalhar conosco”8. Autores como Isaiah Berlin, que tentam dar a impressão de que Churchill odiava ou desprezava todos os ditadores, incluindo Stalin, são ignorantes ou desonestos9.
Os apoiadores de Churchill frequentemente afirmam que, ao contrário dos americanos, o experiente e astuto estadista britânico previu o perigo representado pela União Soviética e trabalhou incansavelmente para contê-lo. Sua famosa estratégia “mediterrânea” — atacar a Europa por seu “flanco mais vulnerável”, em vez de concentrar esforços em uma invasão do norte da França — é apresentada como prova disso10. No entanto, essa foi uma defesa elaborada posteriormente, construída por Churchill depois do início da Guerra Fria: há pouca, ou nenhuma, evidência contemporânea de que o desejo de chegar antes dos russos a Viena e Budapeste tenha feito parte de sua motivação ao defender a estratégia do “flanco mais vulnerável”. Na época, Churchill apresentou razões puramente militares para sustentá-la11. Como afirma Ben-Moshe: “Os historiadores oficiais britânicos estabeleceram que somente na segunda metade de 1944, e após o desembarque no Canal, Churchill começou a considerar pela primeira vez a possibilidade de antecipar-se aos russos no sudeste da Europa por meios militares”12. A essa altura, tal iniciativa já seria impossível por diversas razões. Tratava-se de mais uma das ideias militares excêntricas de Churchill, como invadir a Fortaleza Europa pela Noruega, ou adiar a invasão do norte da França até 1945 — momento em que os russos já teriam alcançado o Reno13.
Além disso, a oposição americana à estratégia meridional de Churchill não se devia à cegueira diante do perigo comunista. Como escreveu o General Albert C. Wedemeyer, um dos mais firmes anticomunistas das forças armadas americanas:
“Se tivéssemos invadido os Bálcãs pelo corredor de Ljubljana, poderíamos teoricamente ter chegado antes dos russos a Viena e Budapeste. Mas a logística jogaria contra nós: teria sido praticamente impossível abastecer mais do que duas divisões pelos portos do Adriático (…) A proposta de salvar os Bálcãs do comunismo jamais poderia ter sido concretizada por meio de uma invasão pelo “flanco mais vulnerável”, pois o próprio Churchill já havia preparado o caminho para o sucesso de Tito (…) [que] já estava firmemente estabelecido na Iugoslávia com o apoio britânico muito antes da própria Itália ser conquistada”14.
As observações de Wedemeyer sobre a Iugoslávia eram precisas. Nesse ponto, Churchill rejeitou o conselho do seu próprio Ministério das Relações Exteriores, baseando-se em vez disso em informações fornecidas sobretudo pelo chefe do escritório do Cairo da SOE — o setor de Operações Especiais — dirigido por um agente comunista chamado James Klugman. Churchill retirou o apoio britânico do exército guerrilheiro lealista do general Mihailovic e o transferiu para o líder partidário comunista Tito15. O que uma vitória de Tito significaria não era segredo para Churchill16. Quando Fitzroy Maclean foi entrevistado por Churchill antes de ser enviado como ponto de contato junto a Tito, observou que, sob liderança comunista, os Partisans:
“tinham como objetivo final, sem dúvida, estabelecer na Iugoslávia um regime comunista estreitamente ligado a Moscou. Como o governo de Sua Majestade via tal eventualidade? (…) A resposta do Sr. Churchill não deixou dúvida quanto à solução do meu problema. Enquanto toda a civilização ocidental estivesse ameaçada pelo perigo nazista, disse ele, não podíamos nos dar ao luxo de desviar nossa atenção da questão imediata por considerações de política de longo prazo (…) A política devia ser uma consideração secundária”17.
Seria difícil imaginar uma atitude mais leviana em relação à condução de uma guerra do que considerar a “política” como uma “consideração secundária”. Quanto aos “custos humanos” da política de Churchill, quando um assessor apontou que Tito pretendia transformar a Iugoslávia em uma ditadura comunista nos moldes soviéticos, Churchill respondeu: “Você pretende viver lá?”18
A visão complacente de Churchill sobre Stalin e a Rússia contrasta fortemente com sua visão da Alemanha. Por trás de Hitler, Churchill enxergava o antigo espectro do prussianismo, que, supostamente, teria causado não apenas as duas guerras mundiais, mas também a Guerra Franco-Prussiana. O que ele combatia agora era a “tirania nazista e o militarismo prussiano”, os “dois principais elementos da vida alemã que devem ser absolutamente destruídos”19. Em outubro de 1944, Churchill ainda explicava a Stalin que: “O problema era como impedir que a Alemanha voltasse a se erguer durante a vida de nossos netos”20. Churchill nutria uma “confusão mental sobre o tema da aristocracia prussiana, do nazismo e das fontes do expansionismo militarista alemão (…) [sua visão] era notavelmente semelhante à sustentada por Sir Robert Vansittart e Sir Warren Fisher; isto é, resultava de uma combinação de uma antipatia quase racial com cálculos de equilíbrio de poder”21. O objetivo de Churchill não era apenas salvar a civilização mundial dos nazistas, mas, em suas próprias palavras, a “prevenção indefinida de que eles [os alemães] voltem a se erguer como uma potência armada”22.
Não surpreende, portanto, que Churchill tenha se recusado até mesmo a ouvir os apelos da oposição alemã anti-Hitler, que tentou repetidamente estabelecer contato com o governo britânico. Em vez de fazer todo o possível para incentivar e apoiar um golpe anti-nazista na Alemanha, Churchill respondeu às sondagens enviadas pela resistência alemã com um silêncio frio23. Advertências reiteradas de Adam von Trott e de outros líderes da resistência sobre a iminente “bolchevização” da Europa não causaram qualquer impacto em Churchill24. Um historiador recente escreveu que, “por sua intransigência e recusa em admitir negociações com dissidentes alemães, Churchill desperdiçou uma oportunidade de encerrar a guerra em julho de 1944”25. Para agravar a estupidez com infâmia, Churchill e seu grupo não tinham nada além de palavras de desprezo pelos valentes oficiais alemães, mesmo enquanto eram massacrados pela Gestapo26.
Em vez de oferecer ajuda, tudo o que Churchill apresentou aos alemães que buscavam uma forma de encerrar a guerra antes que o Exército Vermelho invadisse a Europa Central foi o slogan da rendição incondicional. Posteriormente, Churchill mentiu na Câmara dos Comuns sobre seu papel em Casablanca em relação ao anúncio, por Roosevelt, da política de rendição incondicional, e foi obrigado a se retratar27. Eisenhower, entre outros, opôs-se de forma firme e persistente à fórmula da rendição incondicional por entender que ela prejudicava o esforço de guerra ao elevar o moral da Wehrmacht28. De fato, o slogan foi aproveitado por Goebbels e contribuiu para que os alemães resistissem até o fim.
O efeito pernicioso dessa política foi imensamente reforçado pelo Plano Morgenthau, que oferecia aos alemães uma imagem aterradora do que significaria a “rendição incondicional”29. Esse plano, rubricado por Roosevelt e Churchill em Quebec, previa transformar a Alemanha em um país agrícola e pastoril; até mesmo as minas de carvão do Ruhr deveriam ser destruídas. O fato de que isso teria levado à morte de dezenas de milhões de alemães o tornava um equivalente perfeito aos planos de Hitler para lidar com a Rússia e a Ucrânia.
Churchill inicialmente se opôs ao plano. No entanto, acabou sendo convencido pelo Professor Lindemann, tão maníaco em seu ódio aos alemães quanto o próprio Morgenthau. Lindemann disse a Lord Moran, médico pessoal de Churchill: “Expliquei a Winston que o plano salvaria a Grã-Bretanha da falência ao eliminar um concorrente perigoso (…) Winston não havia pensado nisso dessa forma, e não voltou a falar de uma ameaça cruel ao povo alemão”30. Segundo Morgenthau, a redação do plano foi inteiramente elaborada por Churchill. Quando Roosevelt retornou a Washington, Hull e Stimson expressaram seu horror e rapidamente fizeram o presidente mudar de posição. Churchill, por sua vez, não demonstrou qualquer arrependimento. Quando chegou o momento de mencionar o Plano Morgenthau em sua história da guerra, ele distorceu seus termos e, por implicação, mentiu sobre seu papel em apoiá-lo31.
Para além da questão do plano em si, Lord Moran se perguntava como havia sido possível que Churchill comparecesse à conferência de Quebec “sem qualquer posição refletida sobre o futuro da Alemanha, embora ela parecesse estar à beira da rendição.” A resposta era que “ele havia se deixado absorver de tal forma pela condução da guerra que lhe restava pouco tempo para planejar o futuro”:
“Os detalhes militares há muito o fascinavam, enquanto ele se entediava abertamente com o tipo de problema que poderia ocupar o tempo de uma Conferência de Paz (…) O Primeiro-Ministro estava desperdiçando suas energias já declinantes em questões que pertenciam, com razão, aos militares. Meu diário no outono de 1942 relata como conversei com Sir Stafford Cripps e constatei que ele compartilhava de minhas preocupações. Ele queria que o Primeiro-Ministro se concentrasse na estratégia geral da guerra e na política de alto nível (…) Ninguém conseguia fazê-lo enxergar seus erros”32.
Este artigo foi originalmente publicado no Mises Institute.
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- Taylor, “The Statesman,” p. 43. ↩︎
- Por exemplo, em maio de 1944, Eden protestou junto a Churchill contra a perspectiva da “comunização dos Balcãs”: “Devemos pensar nas consequências a longo prazo desses acontecimentos, em vez de nos limitarmos, como temos feito até agora, a uma visão de curto prazo do que trará os melhores resultados durante a guerra e para a guerra apenas”. Charmley, Churchill: The End of Glory, p. 538.
↩︎ - Ben-Moshe, Churchill: Strategy and History, pp. 236–37.
↩︎ - Ibid., 241. ↩︎
- Hanson W. Baldwin, Great Mistakes of the War (New York: Harper, 1949), p. 10. ↩︎
- A atitude de Roosevelt é resumida em sua declaração: “Se eu lhe der [a Stalin] tudo o que puder e não pedir nada em troca, [então], por uma questão de nobreza, ele não tentará anexar nada e trabalhará comigo por um mundo de paz e democracia”. Robert Nisbet, Roosevelt and Stalin: The Failed Courtship (Washington, D.C.: Regnery, 1988), p. 6. As observações de Joseph Sobran em seu breve ensaio, “Pal Joey”, Sobran’s 2, n.º 8 (agosto de 1995): pp. 5–6, são caracteristicamente perspicazes.
↩︎ - Ben-Moshe, Churchill: Strategy and History, pp. 287–88, 305–06. ↩︎
- Ponting, Churchill, p. 665. ↩︎
- Isaiah Berlin, “Winston Churchill”, em idem, Personal Impressions, ed. Henry Hardy (Nova York: Viking, 1980), p. 16, onde Churchill é citado dizendo que Stalin é “ao mesmo tempo um gigante insensível, astuto e mal informado”. Note-se, no entanto, que mesmo essa citação mostra que Churchill colocava Stalin em uma categoria totalmente diferente do indescritivelmente maligno Hitler. De fato, como as obras de Charmley, Ponting e Ben-Moshe demonstram amplamente, até o fim da guerra a atitude típica de Churchill em relação a Stalin era amigável e admiradora. O ensaio de Berlin, com sua paixão piegas pelo “maior ser humano de nosso tempo”, precisa ser lido para se acreditar. Uma indicação de uma das fontes da paixão de Berlin é sua referência à simpatia de Churchill pela “luta dos judeus pela autodeterminação na Palestina”.
↩︎ - Cf. Charmley, Churchill: The End of Glory, pp. 572–73, sobre a “Operação Armpit”, a extensão da campanha italiana e uma ofensiva em direção a Viena; Charmley conclui que, ao contrário do que afirmam os defensores de Churchill da Guerra Fria: “há poucas evidências que demonstrem que o apoio de Churchill à ‘Armpit’ se baseava em motivos políticos… [Ele a apoiou] pela razão com a qual qualquer estudioso de sua carreira está familiarizado — ela despertou sua imaginação”. ↩︎
- Cf. Taylor, “The Statesman”, pp. 56–57: “Segundo uma versão, Churchill ficou alarmado com o crescimento do poder soviético e tentou tomar precauções contra ele, se não em 1942, pelo menos bem antes do fim da guerra… É difícil sustentar essa visão com base nos registros da época. Churchill nunca vacilou em sua determinação de que a Alemanha nazista deveria ser totalmente derrotada… Churchill não tinha uma política europeia em sentido mais amplo. Sua perspectiva era puramente negativa: a derrota da Alemanha… Com Churchill, era sempre uma coisa de cada vez.” Ver também Ben-Moshe, Churchill: Strategy and History, pp. 292–99, sobre a estratégia meridional não ter como objetivo impedir os ganhos soviéticos.
↩︎ - Ibid., p. 287.
↩︎ - Um exemplo do quanto os defensores de Churchill são capazes de ir é fornecido por John Keegan, em “Churchill’s Strategy”, em Churchill, Blake e Louis (orgs.), p. 328, onde afirma sobre Churchill: “No entanto, ele nunca adotou nenhum rumo estratégico verdadeiramente imprudente, nem sequer o contemplou. Seu compromisso com uma campanha nos Balcãs foi imprudente, mas tal campanha não teria arriscado a derrota na guerra”. Arriscar a derrota na guerra parece ser um critério excessivamente rigoroso para definir um curso estratégico verdadeiramente imprudente. ↩︎
- Albert C. Wedemeyer, Wedemeyer Reports! (Nova York: Holt, 1958), p. 230. Todos os demais se opunham ao plano de Churchill, inclusive seus próprios conselheiros militares. Brooke chamou a atenção de seu chefe para o fato de que, se levassem adiante a ideia dele, “teríamos de empreender uma campanha pelos Alpes no inverno”. Ponting, Churchill, p. 625.
↩︎ - Lamb, Churchill as War Leader, pp. 250–75.
↩︎ - O próprio Ministério das Relações Exteriores de Churchill informou-lhe que: “acabaríamos tendo, após a guerra, um estado comunista intimamente ligado à URSS, que empregaria os métodos terroristas habituais para vencer a oposição”. Ibid., p. 256. Anthony Eden disse ao Gabinete, em junho de 1944: “Se alguém é culpado pela situação atual, em que os movimentos liderados pelos comunistas são os elementos mais poderosos na Iugoslávia e na Grécia, somos nós mesmos”. Os agentes britânicos, segundo Eden, haviam feito o trabalho dos russos por eles. Charmley, Churchill: The End of Glory, p. 580.
↩︎ - Fitzroy Maclean Eastern Approaches (London: Jonathan Cape, 1949), p. 281. ↩︎
- Lamb, Churchill as War Leader, p. 259. Churchill acreditou nas promessas de Tito de uma eleição livre e de um plebiscito sobre a monarquia; acima de tudo, ele concentrou-se em uma única questão: matar alemães. Ver também Charmley, Churchill: The End of Glory, p. 558.
↩︎ - Em 21 de setembro de 1943, por exemplo, Churchill declarou: “As duas raízes de todos os nossos males, a tirania nazista e o militarismo prussiano, devem ser extirpadas. Até que isso seja alcançado, não há sacrifício que não estejamos dispostos a fazer nem limite de violência que não estejamos dispostos a ultrapassar.” Russell Grenfell, Unconditional Hatred (Nova York: Devin-Adair, 1953), p. 92.
↩︎ - Ponting, Churchill, p. 675. ↩︎
- Watt, “Churchill and Appeasement,” p. 210.
↩︎ - Em um memorando dirigido a Alexander Cadogan, do Ministério das Relações Exteriores; Richard Lamb, The Ghosts of Peace, 1935–1945 (Salisbury, Inglaterra: Michael Russell, 1987), p. 133.
↩︎ - Peter Hoffmann, German Resistance to Hitler (Cambridge, Mass.: Harvard University Press, 1988), pp. 95–105; idem, The History of the German Resistance, Richard Barry, trans. (Cambridge, Mass.: MIT Press, 1977), pp. 205–48; and idem, “The Question of Western Allied Co-Operation with the German Anti-Nazi Conspiracy, 1938–1944,” The Historical Journal 34, no. 2 (1991): 437–64.
↩︎ - Giles MacDonogh, A Good German: Adam von Trott zu Solz (Woodstock, N.Y.: Overlook Press, 1992), pp. 236–37. ↩︎
- Lamb, Churchill as War Leader, p. 292. Lamb defende essa tese de forma detalhada e convincente em sua obra The Ghosts of Peace, 1935–1945, pp. 248–320. Um julgamento menos conclusivo é feito por Klemens von Klemperer, German Resistance Against Hitler: The Search for Allies Abroad 1938–1945 (Oxford: Clarendon, 1992), esp. pp. 432–41, que enfatiza as dificuldades no caminho de qualquer acordo entre o governo britânico e a resistência alemã. Entre elas estavam, em particular, a lealdade do primeiro ao seu aliado soviético e a insistência do segundo em que a Alemanha do pós-guerra mantivesse áreas de etnia alemã, como Danzig e a região dos Sudetos.
↩︎ - Marie Vassiltchikov, que era próxima dos conspiradores, em seu livro Diários de Berlim, 1940–1945 (Nova York: Knopf, 1987), p. 218, expressou sua perplexidade diante da postura adotada pelos britânicos: “As transmissões de rádio dos Aliados não fazem sentido para nós: eles ficam citando nomes de pessoas que, segundo eles, participaram da conspiração. E, no entanto, algumas dessas pessoas ainda não foram oficialmente implicadas. Lembro-me de ter avisado Adam Trott que isso aconteceria. Ele continuava esperando pelo apoio dos Aliados a uma Alemanha ‘decente’, e eu continuava dizendo que, naquele momento, eles estavam decididos a destruir a Alemanha, qualquer Alemanha, e não parariam de eliminar os ‘bons’ alemães junto com os ‘maus’”.
↩︎ - Ben-Moshe, Churchill: Estratégia e História, pp. 307–316. Ver também Anne Armstrong, Rendição Incondicional (Westport, Conn.: Greenwood, [1961] 1974); e Lamb, Os Fantasmas da Paz, 1935–1945, pp. 215–235. Entre os mais veementes críticos da política de rendição incondicional durante a guerra, bem como do bombardeio de civis, estava o especialista militar Liddell Hart; ver Brian Bond, Liddell Hart: A Study of his Military Thought (New Brunswick, N.J.: Rutgers University Press, 1977), pp. 119–63.
↩︎ - Lamb, The Ghosts of Peace, 1935–1945, p. 232. ↩︎
- Ibid., pp. 236–45. ↩︎
- Lord Moran, Churchill: A Luta pela Sobrevivência, 1940–1965 (Boston: Houghton Mifflin, 1966), pp. 190–191. A pronta aceitação por Churchill desse argumento espúrio lança consideráveis dúvidas sobre a afirmação de Paul Addison, em Churchill on the Home Front, p. 437, de que Churchill havia sido “instruído” nas doutrinas do livre-comércio, que estavam “arraigadas” nele. Mais consistente com as evidências, incluindo sua rejeição categórica do livre comércio a partir de 1930, é que Churchill utilizava ou descartava a teoria econômica da economia de mercado conforme lhe convinha para seus objetivos políticos. ↩︎
- Moran, Churchill: The Struggle for Survival, 1940–1965, pp. 195–96. ↩︎
- Ibid., p. 193. O fato de que, pelo menos no espírito, o Plano Morgenthau continuou a orientar a política dos Aliados na Alemanha do pós-guerra é demonstrado na obra de Freda Utley, The High Cost of Vengeance (Chicago: Henry Regnery, 1949). ↩︎