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Repensando Churchill:  Arrastando a América para a guerra — novamente

Nota da edição:

O artigo a seguir é a quarta parte do ensaio Repensando Churchill do historiador libertário Ralph Raico. No texto, existe uma crítica contundente que desmistifica Winston Churchill, retratando-o não como um herói, mas como um político oportunista viciado em guerras.

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Clique aqui para ler a parte 2 – Repensando Churchill: Churchill e o “novo liberalismo”

Clique aqui para ler a parte 3 – Repensando Churchill: Primeira Guerra Mundial e Período Entreguerras


Em setembro de 1939, a Grã-Bretanha entrou em guerra com a Alemanha, em decorrência da garantia de proteção que Chamberlain foi levado, pelo pânico, a conceder à Polônia em março. Lloyd George classificou essa garantia como “irrefletida”, enquanto Churchill a apoiou. Ainda assim, em sua história da guerra, Churchill escreveu: “Aqui estava, finalmente, uma decisão, tomada no pior momento possível e sobre a base menos satisfatória, que certamente levaria ao massacre de dezenas de milhões de pessoas”1. Com a guerra em curso, Winston foi reconduzido ao seu antigo cargo de Primeiro Lorde do Almirantado. Então, no primeiro mês da guerra, algo surpreendente aconteceu: o presidente dos Estados Unidos iniciou uma correspondência pessoal não com o Primeiro-Ministro, mas com o chefe do Almirantado britânico, contornando todos os canais diplomáticos usuais2.

As mensagens trocadas entre o presidente e o Primeiro Lorde foram cercadas por um sigilo intenso, culminando no caso de Tyler Kent, o funcionário de cifras americano na embaixada dos Estados Unidos em Londres, que foi julgado e preso pelas autoridades britânicas. O problema era que algumas das mensagens continham referências ao acordo de Roosevelt — ainda antes do início do conflito — para uma cooperação claramente não neutra com uma Grã-Bretanha participante na guerra3.

Em 10 de junho de 1939, George VI e sua esposa, a Rainha Mary, visitaram os Roosevelt em Hyde Park. Em conversas privadas com o rei, Roosevelt prometeu apoio total à Grã-Bretanha em caso de guerra. Ele pretendia estabelecer uma zona no Atlântico a ser patrulhada pela Marinha dos Estados Unidos e, de acordo com as anotações do rei, o presidente afirmou que “se avistasse um submarino, afundaria imediatamente e depois lidaria com as consequências”. O biógrafo de George VI, Wheeler-Bennett, considerou que essas conversas “continham o germe do futuro acordo de bases por destróieres, bem como do próprio Acordo de Empréstimo e Arrendamento”4. Ao se comunicar com o Primeiro Lorde do Almirantado, Roosevelt sabia que estava em contato com o único membro do gabinete de Chamberlain cuja disposição beligerante se equiparava à sua.

Em 1940, Churchill finalmente se tornou Primeiro-Ministro, ironicamente no momento em que o governo Chamberlain renunciou por causa do fiasco da Noruega — que Churchill, mais do que qualquer outro, ajudou a provocar5. Assim como havia se oposto a uma paz negociada após a queda da Polônia, continuou a resistir a qualquer sugestão de negociações com Hitler. Muitos dos documentos relevantes ainda permanecem sob sigilo — depois de todos esses anos6. —, mas é claro que existia um forte partido da paz no país e no governo. Ele incluía Lloyd George na Câmara dos Comuns e Halifax, o Ministro das Relações Exteriores, no gabinete. Mesmo após a queda da França, Churchill rejeitou as renovadas propostas de paz de Hitler. É isso, mais do que qualquer outra coisa, que supostamente fundamenta sua grandeza. O historiador britânico John Charmley provocou uma onda de protestos indignados ao sugerir que uma paz negociada em 1940 poderia ter sido vantajosa para a Grã-Bretanha e para a Europa7. Um historiador de Yale, escrevendo no New York Times Book Review, referiu-se à tese de Charmley como “moralmente repugnante”8. No entanto, o trabalho acadêmico detalhado de Charmley sustenta o ponto crucial de que a recusa inflexível de Churchill até mesmo em ouvir termos de paz em 1940 condenou aquilo que ele afirmava ser mais caro para si — o Império e uma Grã-Bretanha não socialista e independente nos assuntos de política externa. Pode-se acrescentar que isso provavelmente também condenou o povo judeu na Europa9. É impressionante que, meio século depois dos fatos, ainda existam teses críticas sobre a Segunda Guerra Mundial que permanecem fora dos limites do debate histórico.

Lloyd George, Halifax e outros estavam abertos a uma paz de compromisso porque compreendiam que a Grã-Bretanha e os territórios sob domínio britânico, sozinhos, não poderiam derrotar a Alemanha10. Após a queda da França, o objetivo de Churchill de alcançar a vitória total só poderia se concretizar sob uma condição: que os Estados Unidos fossem arrastados para outra guerra mundial. Não é de admirar que Churchill tenha colocado toda a sua energia em garantir exatamente isso.

Após uma conversa com Churchill, Joseph Kennedy, embaixador americano na Grã-Bretanha, anotou: “Os britânicos gastarão todo o tempo disponível tentando descobrir como nos fazer entrar na guerra”. Ao partir de Lisboa em um navio com destino a Nova York, Kennedy implorou ao Departamento de Estado que anunciasse que, caso o navio viesse a explodir misteriosamente no meio do Atlântico, os Estados Unidos não considerariam isso motivo para entrar em guerra com a Alemanha. Em suas memórias inéditas, Kennedy escreveu: “Achei que isso me daria alguma proteção contra Churchill colocar uma bomba no navio”11.

Os temores de Kennedy talvez não fossem exagerados. Pois, embora envolver a América já tivesse sido importante para a política britânica na Primeira Guerra Mundial, isso era condição indispensável para a política de Churchill na Segunda Guerra Mundial. Em Franklin Roosevelt, ele encontrou um cúmplice disposto.

Não é motivo de discussão que Roosevelt, por meio de suas ações e declarações privadas, demonstrava claramente a intenção de entrar na guerra antes de 7 de dezembro de 1941. Os debates se concentraram em questões como seu possível conhecimento prévio do ataque a Pearl Harbor. Em 1948, Thomas A. Bailey, historiador diplomático de Stanford, já apresentava o verdadeiro argumento favorável a Roosevelt:

“Franklin Roosevelt enganou repetidamente o povo americano no período anterior a Pearl Harbor (…). Ele era como um médico que precisa contar mentiras ao paciente para o próprio bem do paciente (…). O país era esmagadoramente não intervencionista até o próprio dia de Pearl Harbor, e uma tentativa aberta de conduzir o povo à guerra teria resultado em fracasso certo e, muito provavelmente, na derrota de Roosevelt em 1940, frustrando completamente seus objetivos finais”12.

O próprio Churchill nunca se preocupou em ocultar o papel de Roosevelt como co-conspirador. Em janeiro de 1941, Harry Hopkins visitou Londres. Churchill o descreveu como “o mais fiel e perfeito canal de comunicação entre o Presidente e eu (…) o principal sustentáculo e inspirador do próprio Roosevelt”:

“Logo compreendi o dinamismo pessoal de [Hopkins] e a importância extraordinária de sua missão (…) ali estava um enviado do Presidente de suprema importância para nossa sobrevivência. Com olhar brilhante e uma paixão contida e serena, ele disse: ‘O Presidente está determinado a que vençamos a guerra juntos. Não tenha dúvidas quanto a isso. Ele me enviou aqui para lhe dizer que, a qualquer custo e por todos os meios, ele o sustentará até o fim, não importa o que lhe aconteça — não há nada que ele não fará dentro dos limites do que está ao alcance humano’. Ali estava ele, magro, frágil, doente, mas absolutamente irradiando uma compreensão refinada da Causa. Tratava-se da derrota, ruína e destruição de Hitler, com exclusão de todos os outros propósitos, lealdades e objetivos”13.

Em 1976, o público finalmente tomou conhecimento da história de William Stephenson, o agente britânico de codinome “Intrepid”, enviado por Churchill aos Estados Unidos em 194014. Stephenson estabeleceu sua base no Rockefeller Center, com ordens para utilizar quaisquer meios necessários para ajudar a levar os Estados Unidos à guerra. Com pleno conhecimento e cooperação de Roosevelt, e com a colaboração de agências federais, Stephenson e seus cerca de 300 agentes “interceptavam correspondência, realizavam escutas telefônicas, arrombavam cofres, sequestravam (…) espalhavam rumores” e constantemente difamavam seus alvos preferenciais, os “isolacionistas”. Por meio de Stephenson, Churchill exercia, na prática, controle sobre a organização de William Donovan, o embrião do serviço de inteligência dos Estados Unidos15.

Churchill chegou até mesmo a participar da enxurrada de propaganda pró-britânica e anti-alemã que saiu de Hollywood nos anos anteriores à entrada dos Estados Unidos na guerra. Gore Vidal, em Screening History, observa com perspicácia que, a partir de cerca de 1937, os americanos foram expostos a um filme após o outro glorificando a Inglaterra e os heróis guerreiros que construíram o Império. Como espectadores dessas produções, diz Vidal: “Não servíamos nem a Lincoln nem a Jefferson Davis; servíamos à Coroa”16. Uma figura central de Hollywood na produção dos filmes que “estavam nos tornando estranhamente ingleses” foi o emigrado húngaro e amigo de Churchill, Alexander Korda17. Vidal escreve de forma bastante apropriada:

“Para aqueles que hoje consideram desagradável a propaganda sionista, só posso dizer que a pequena e valente Israel de hoje deve ter aprendido muito com os pequenos e valentes ingleses da década de 1930. Os ingleses mantiveram uma intensa campanha de propaganda que acabaria por penetrar toda a nossa cultura (…) Hollywood foi infiltrada, de forma sutil e não tão sutil, por propagandistas britânicos”18.

Enquanto os americanos estavam sendo propagandeados, os dois conspiradores discutiam como provocar hostilidades diretas entre os Estados Unidos e a Alemanha. Em agosto de 1941, Roosevelt e Churchill se encontraram na conferência do Atlântico. Ali produziram a Carta do Atlântico, com suas “quatro liberdades”, incluindo “a liberdade em relação à necessidade” — um cheque em branco para difundir a Sozialpolitik anglo-americana pelo mundo. Quando Churchill retornou a Londres, informou o gabinete sobre o que havia sido acordado. Trinta anos depois, os documentos britânicos foram divulgados. Eis como o New York Times relatou as revelações:

“Documentos do governo britânico anteriormente ultrassecretos, tornados públicos hoje, afirmam que o presidente Franklin D. Roosevelt disse ao Primeiro-Ministro Winston Churchill, em agosto de 1941, que estava procurando um incidente que justificasse o início de hostilidades contra a Alemanha nazista (…) Em 19 de agosto, Churchill relatou ao Gabinete de Guerra, em Londres, outros aspectos da reunião em Newfoundland [Carta do Atlântico] que não foram tornados públicos (…) ‘Ele [Roosevelt] estava claramente determinado a fazer com que eles entrassem. Se submetesse a questão da paz e da guerra ao Congresso, eles a debateriam por meses’, acrescentam as atas do gabinete. ‘O presidente disse que travaria a guerra, mas não a declararia, e que se tornaria cada vez mais provocador. Se os alemães não gostassem, poderiam atacar as forças americanas (…) Tudo deveria ser feito para forçar um incidente’”19.

Em 15 de julho de 1941, o almirante Little, da delegação naval britânica em Washington, escreveu ao almirante Pound, o Primeiro Lorde do Mar: “a maior esperança de trazer a América para a guerra está nos esquemas de escolta até a Islândia, e esperemos que os alemães não demorem a atacá-los”. Little acrescentou, talvez em tom de brincadeira: “Caso contrário, acho que seria melhor organizarmos um ataque com nossos próprios submarinos, de preferência contra a escolta!” Algumas semanas antes, Churchill, buscando uma oportunidade para levar a América à guerra, escreveu a Pound a respeito do navio de guerra alemão Prinz Eugen: “Seria melhor, por exemplo, que ela fosse localizada por um navio americano, pois isso poderia levá-la a abrir fogo contra esse navio, proporcionando assim o incidente pelo qual o governo dos Estados Unidos ficaria tão grato”20. Incidentes no Atlântico Norte de fato ocorreram, cada vez mais, à medida que os Estados Unidos se aproximavam da guerra contra a Alemanha21.

Mas Churchill não negligenciou a “porta dos fundos para a guerra” — envolver os Estados Unidos com o Japão — como forma de levar a América ao conflito com Hitler. Sir Robert Craigie, o embaixador britânico em Tóquio, assim como o embaixador americano Joseph Grew, trabalhava intensamente para evitar a guerra. Churchill instruiu seu Ministro das Relações Exteriores, Anthony Eden, a enquadrar Craigie:

“Ele deve certamente ser informado imediatamente de que a entrada dos Estados Unidos na guerra, seja contra a Alemanha e a Itália, seja contra o Japão, é plenamente compatível com os interesses britânicos. Nada na esfera de armamentos pode se comparar à importância de o Império Britânico e os Estados Unidos atuarem como co-beligerantes”22.

Churchill colocou toda a sua influência em jogo para endurecer a política americana em relação ao Japão, especialmente nos últimos dias antes do ataque a Pearl Harbor23. Um crítico simpático a Churchill, Richard Lamb, escreveu recentemente:

“Era justificável que [Churchill] tentasse provocar o Japão a atacar os Estados Unidos? (…) em 1941, a Grã-Bretanha não tinha perspectiva de derrotar a Alemanha sem o auxílio dos EUA como aliado ativo. Churchill acreditava que o Congresso jamais autorizaria Roosevelt a declarar guerra à Alemanha (…) Em tempos de guerra, as decisões dos líderes nacionais devem ser tomadas de acordo com seu efeito sobre o esforço de guerra. Há verdade no velho ditado: ‘No amor e na guerra, vale tudo’”24.

Não é de admirar que, na Câmara dos Comuns, em 15 de fevereiro de 1942, Churchill tenha declarado, a respeito da entrada da América na guerra: “Foi isso que sonhei, que busquei, isso foi o motivo pelo qual trabalhei, e agora se concretizou”25.

Os admiradores de Churchill de modo algum usam contra ele seu papel em levar a América à Segunda Guerra Mundial. Pelo contrário, contam isso a seu favor. Harry Jaffa, em sua defesa desinformada e frenética, parece ser a última pessoa viva que se recusa a acreditar que o Homem de Muitos Séculos tenha tido qualquer responsabilidade pela entrada da América na guerra: afinal, não foram os japoneses que bombardearam Pearl Harbor?26

Mas e quanto à República Americana? O que significa para nós o fato de um presidente ter colaborado com um chefe de governo estrangeiro para nos envolver em uma guerra mundial? A questão teria importado pouco a Churchill. Ele não tinha qualquer preocupação com os Estados Unidos como uma nação soberana e independente, com seu próprio caráter e seu lugar no conjunto das coisas. Para ele, os americanos eram apenas parte dos “povos de língua inglesa”. Ele vislumbrava uma cidadania comum para britânicos e americanos, uma “fusão”, no caminho para a hegemonia mundial anglo-americana27.

Mas a intriga entre Churchill e Roosevelt deveria, ao que se poderia supor, importar aos americanos. Aqui, no entanto, a crítica é interrompida antes mesmo de começar. Um postulado moral de nossa época é que, na busca pela destruição de Hitler, tudo era permitido. Ainda assim, por que seria evidente por si só que a moral exigia uma cruzada contra Hitler em 1939 e 1940, e não contra Stalin? Naquele momento, Hitler havia matado milhares, mas Stalin já havia matado milhões. De fato, até junho de 1941, os soviéticos se comportaram de forma muito mais assassina em relação aos poloneses em sua zona de ocupação do que os nazistas na deles. Cerca de 1.500.000 poloneses foram deportados para o Gulag, sendo que aproximadamente metade morreu nos primeiros dois anos. Como escreve Norman Davies: “Stalin estava superando Hitler em seu desejo de reduzir os poloneses à condição de uma nação escrava”28. Evidentemente, havia considerações de equilíbrio de poder que criavam distinções entre os dois ditadores. Mas ainda não foi explicado por que deveria existir um duplo padrão segundo o qual um compromisso com um ditador seria “moralmente repugnante”, enquanto a colaboração com o outro seria moralmente irrepreensível29.

Este artigo foi originalmente publicado no Mises Institute.

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  1. Winston Churchill, The Gathering Storm, vol. 1, The Second World War (Boston: Houghton Mifflin, 1948), p. 347. Churchill comentou que a garantia havia sido concedida a uma Polônia “que, com apetite de hiena, apenas seis meses antes havia participado da pilhagem e destruição do estado da Tchecoslováquia”. Ele se referia à anexação do distrito de Teschen, por meio da qual a Polônia havia recuperado as áreas de etnia polonesa daquela estranha mistura que Churchill se dignava a chamar de “estado da Tchecoslováquia”. ↩︎
  2. Irving, Churchill’s War, pp. 193–96.
    ↩︎
  3. James Leutze, “The Secret of the Churchill-Roosevelt Correspondence: September 1939—May 1940,” Journal of Contemporary History 10, no. 3 (July 1975): 465–91; Leutze conclui que essa foi a verdadeira razão pela qual os dois governos se uniram para silenciar Tyler Kent.
    ↩︎
  4. John W. Wheeler-Bennett, King George VI: His Life and Reign (New York: St. Martin’s, 1958), pp. 390–92. Wheeler-Bennett acrescentou: “Ao retornar a Londres, o rei comunicou o essencial de suas conversas com o presidente às instâncias competentes e, tal era a importância que atribuía a elas, que levou consigo o manuscrito original de suas anotações em sua pasta de documentos durante toda a guerra”. ↩︎
  5. Hart, “The Military Strategist,” p. 208. ↩︎
  6. John Charmley, Churchill: The End of Glory (London: Hodder and Stoughton, 1993), p 423. ↩︎
  7. Veja também a resenha de Charmley sobre a obra de Clive Ponting, publicada no Times Literary Supplement, de 13 de maio de 1994, p. 8.
    ↩︎
  8. Gaddis Smith, “Whose Finest Hour?” New York Times Book Review, August 29, 1993, p. 3.
    ↩︎
  9. Em 27 de março de 1942, Goebbels comentou em seu diário sobre a exterminação dos judeus europeus, que então estava em andamento: “Também aqui o Führer é o defensor inabalável de uma solução radical, imposta pelas circunstâncias e, portanto, inexorável. Felizmente, em tempos de guerra, nos são oferecidas uma série de possibilidades que nos seriam negadas em tempos de paz. Teremos de tirar proveito disso”. Ele acrescentou: “o fato de que os representantes dos judeus na Inglaterra e na América estejam hoje organizando e patrocinando a guerra contra a Alemanha deve ser pago caro por seus representantes na Europa — e isso é mais do que justo”. The Goebbels Diaries, 1942–1943, Louis P. Lochner (ed. e trad.) (Garden City, N.Y.: Doubleday, 1948), p. 148.
    ↩︎
  10. Paul Addison, “Lloyd George and Compromise Peace in the Second World War,” in Lloyd George: Twelve Essays, A.J.P. Taylor, ed. (New York: Atheneum, 1971), pp 359–84. O próprio Churchill disse a Stalin em 1944: “Nunca pensamos em fazer uma paz separada, nem mesmo naquele ano em que estávamos completamente sozinhos e poderíamos facilmente ter feito uma sem perdas significativas para o Império Britânico e, em grande parte, às suas custas”. Ibid., p. 383.
    ↩︎
  11. Irving, Churchill’s War, pp. 193, 207.
    ↩︎
  12. Thomas A. Bailey, The Man in the Street: The Impact of American Public Opinion on Foreign Policy (New York: Macmillan, 1948), p. 13. Um escritor recente comentou sobre a posição de Bailey: “Na realidade, quando Roosevelt e outros presidentes mentiram, fizeram-no para seu próprio bem, ou para o que acreditavam ser seu próprio bem. Mas muitas vezes estavam equivocados, pois tendiam a ser pelo menos tão míopes quanto as massas… O acordo de Roosevelt sobre os contratorpedeiros marcou um divisor de águas no uso e abuso do poder presidencial, prenunciando uma série de aventuras perigosas e muitas vezes desastrosas no exterior.” Robert Shogan, Hard Bargain (Nova York: Scribner’s, 1995), pp. 271, 278. A argumentação revisionista clássica sobre a política de guerra de Roosevelt foi apresentada em Charles A. Beard, President Roosevelt and the Coming of War 1941 (New Haven, Conn.: Yale University Press, 1949); e Perpetual War for Perpetual Peace, Harry Elmer Barnes, ed. (Caldwell, Idaho: Caxton, 1953), entre outras obras. ↩︎
  13. Winston S. Churchill, The Grand Alliance, vol. 3, The Second World War (Boston: Houghton Mifflin, 1950), pp. 23–24.
    ↩︎
  14. William Stevenson, A Man Called Intrepid (New York: Harcourt Brace Jovanovich, 1976). ↩︎
  15. Irving, Churchill’s War, pp. 524–27.
    ↩︎
  16. Gore Vidal, Screening History (Cambridge, Mass.: Harvard University Press, 1992), p. 40. ↩︎
  17.  Ibid., p. 47. ↩︎
  18. Ibid., p. 47. ↩︎
  19. “War-Entry Plans Laid to Roosevelt,” New York Times, January 2, 1972. ↩︎
  20. Beesly, Room 40, p. 121 n. 1.
    ↩︎
  21. Veja, por exemplo, William Henry Chamberlin, America’s Second Crusade (Chicago: Henry Regnery, 1950), pp. 124–47.
    ↩︎
  22. Richard Lamb, Churchill as War Leader (New York: Carroll and Graf, 1991), p. 149. ↩︎
  23. Ibid., pp. 147–62. ↩︎
  24. Ibid., p. 162.
    ↩︎
  25. Chamberlin, America’s Second Crusade, p. 177. Sobre o uso que Churchill fez da “porta dos fundos para a guerra” em relação aos Estados Unidos, ver John Costello, Days of Infamy. MacArthur, Roosevelt, Churchill—The Shocking Truth Revealed (Nova York: Pocket Books, 1994). Sobre a questão de Pearl Harbor, é interessante notar que mesmo um historiador tão “convencional” quanto Warren F. Kimball, editor da correspondência entre Churchill e Roosevelt, escreve: “Ainda não foram dissipadas as dúvidas relativas aos arquivos da inteligência britânica, ainda fechados, sobre o ataque japonês a Pearl Harbor: informações que Churchill pode ter optado por não repassar aos americanos na esperança de que tal ataque levasse os Estados Unidos à guerra.” Ver também Warren F. Kimball, “Wheel Within a Wheel: Churchill, Roosevelt, and the Special Relationship”, em Churchill, Blake e Louis, eds., p. 298, onde Kimball cita James Rusbridger e Eric Nave, Betrayal at Pearl Harbor: How Churchill Lured Roosevelt into World War II (Nova York: Summit, 1991). Kimball reclama que, apesar dos pedidos por escrito feitos por ele e por outros historiadores, os arquivos do governo britânico sobre as relações com o Japão no final de 1941 permanecem fechados. Churchill, p. 546 n. 29. Robert Smith Thompson, em A Time for War: Franklin Delano Roosevelt and the Path to Pearl Harbor (Nova York: Prentice Hall, 1991), apresenta um relato recente e útil sobre o início da guerra com o Japão.
    ↩︎
  26. Jaffa, “In Defense of Churchill,” p. 277. ↩︎
  27. Charmley, Churchill: The End of Glory, p. 538. ↩︎
  28. Norman Davies, God’s Playground: A History of Poland, vol. 2, 1795 to the Present (New York: Columbia University Press, 1982), pp. 447–53.
    ↩︎
  29. Para uma crítica à visão de que o objetivo de Hitler era “conquistar o mundo”, consulte Geoffrey Stoakes, Hitler and the Quest for World Domination (Leamington Spa, Inglaterra: Berg, 1986).
    ↩︎

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