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O conceito de liberdade individual nas filosofias libertária e conservadora

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Os leitores sabem que Murray Rothbard concebia todos os direitos como direitos de propriedade, derivados do princípio da autopropriedade. Seu conceito de liberdade individual, portanto, estava enraizado na defesa dos direitos de propriedade privada. Isso não significa que ele desconsiderava outras perspectivas filosóficas nas quais a defesa da liberdade individual desempenha um papel central. Pelo contrário, como observou Sheldon Richman, a própria filosofia política de Rothbard abrangia uma ampla gama de perspectivas sobre a liberdade:

“Rothbard sentia um evidente prazer em explorar os fundamentos e as ramificações da liberdade em diversas disciplinas. Para ele, a liberdade individual era uma única pedra preciosa com muitas faces: econômica, histórica, sociológica, político-ética. Um estudioso pode concentrar-se em uma ou outra dessas faces, mas, para Rothbard, algo se perde se negligenciamos o conjunto da pedra”.

Essa valorização de uma defesa mais ampla da liberdade aparece com clareza em “A Strategy for the Right” (“Uma Estratégia para a Direita”), obra em que Rothbard adota um tom de celebração ao descrever seu “retorno ao lar, à Direita, após 35 anos no deserto político”. Nessa conferência de 1992, proferida no John Randolph Club, Rothbard destacou a importância de formar coalizões políticas em defesa da liberdade, especialmente com os conservadores tradicionais da chamada “Velha Direita”, que reconheciam que um governo dotado de poder ilimitado para intervir na vida dos cidadãos só pode ser, inevitavelmente, um governo tirânico. A Velha Direita mantinha-se firmemente contrária ao que Rothbard chamava de “a elite no poder”, que representava a ameaça mais grave à liberdade individual.

Rothbard definiu a elite no poder como “os burocratas, políticos e grupos de interesse especial dependentes do domínio político. Eles ganham dinheiro com a política e, por isso, estão profundamente envolvidos, fazem lobby e agem ativamente vinte e quatro horas por dia” — enquanto os cidadãos comuns estão ocupados “com os negócios diários da vida: se sustentar, estar com a família, ver os amigos etc”. É justamente porque aqueles à direita têm pouco tempo para se dedicar à política que a formação de coalizões em prol de objetivos comuns se torna importante.

Isso não significa, é claro, que não existam diferenças significativas entre os libertários e todos aqueles que marcham sob a bandeira dos “conservadores”. Ainda assim, Rothbard reconhecia que, embora “houvesse muitas divergências dentro da estrutura da Velha Direita”, os conservadores tradicionais compartilhavam o mesmo desejo de defender o indivíduo contra a tirania do estado leviatã e contra as manipulações dos intelectuais de corte neomarxistas, cujo papel é legitimar o poder estatal.

Sob uma perspectiva diferente, o historiador intelectual conservador Richard Weaver também destacou a importância de unir esforços em uma causa comum com aqueles que defendem a liberdade a partir de diferentes perspectivas filosóficas. Weaver foi um grande defensor dos direitos de propriedade, e David Gordon descreveu seu livro As Ideias Têm Consequências como uma brilhante defesa dos direitos de propriedade e “uma das obras fundadoras do conservadorismo americano do pós–Segunda Guerra Mundial”. Em seu ensaio “Conservatism and Libertarianism: The Common Ground” (Conservadorismo e Libertarianismo: O Terreno Comum), Weaver desenvolve um argumento muito semelhante, em pontos essenciais, ao de Rothbard em “Egalitarianism as a Revolt Against Nature” (O Igualitarismo como Revolta Contra a Natureza) — o argumento de que a liberdade individual é um atributo essencial da natureza humana e que nenhuma defesa da liberdade individual pode ter êxito se operar apenas no nível da teoria abstrata, desconsiderando a natureza humana e a realidade da condição humana. Weaver argumenta:

“Defendo que um conservador é um realista, alguém que acredita que existe uma estrutura da realidade independente de sua própria vontade e desejo (…) essa estrutura consiste não apenas no grande mundo físico, mas também em muitas leis, princípios e regras que controlam o comportamento humano. Embora essa realidade seja independente do indivíduo, ela não lhe é hostil. De fato, é em muitos aspectos acessível a ele, mas não pode ser alterada de forma radical e arbitrária. Este é o ponto fundamental”.

Weaver, assim como Rothbard, criticava o radical progressista que se revolta contra a realidade, descrevendo-o como “o radical [que] faz de sua vontade a lei, em vez de seguir as regras da justiça e da prudência. Imaginando que seu sonho ou desejo possa substituir o grande mundo da realidade, ele acaba se metendo em apuros dos quais algum bom conservador precisa resgatá-lo”. Isso explica a oposição conservadora ao radical progressista:

“[O radical] agora pensa, antes de tudo, em tomar o controle do estado para tornar todos os homens iguais, ou para tornar todos os homens ricos, ou, se isso falhar, para tornar todos igualmente infelizes. Esse uso do instrumento político para coagir as pessoas a se conformarem com seu sonho, apesar de sua crença em uma ordem real, é, creio eu, nossa razão para rejeitarmos o radical”.

Weaver rejeitava os projetos igualitários, que ele corretamente compreendia como uma desculpa para concentrar cada vez mais poder nas mãos do estado. Ele via a rejeição conservadora do igualitarismo e o compromisso com a realidade como um ponto importante de convergência entre libertários e conservadores, enfatizando que a natureza humana e a ação humana são a chave para compreender a realidade:

“A praxeologia, em definição breve, é a ciência de como as coisas funcionam por causa de suas naturezas essenciais. Descobrimos isso não consultando nossos desejos, mas observando-as. Por exemplo, acredito que é uma lei praxeológica que um vendedor sempre tentará obter o máximo possível pelo que tem a vender, e um comprador sempre tentará pagar o mínimo possível para adquirir o que deseja. Essa é uma lei tão universal que a consideramos parte da própria ordem das coisas. Essa lei não é apenas um indicador confiável do comportamento humano; ela também torna possível a economia de livre mercado, com sua contribuição extremamente importante para a liberdade política”.

Esses pontos de interesse comum entre o pensamento libertário e o pensamento conservador — ainda que de forma alguma representem uma visão de mundo filosófica uniforme — ajudam a reforçar a força da defesa política da liberdade. O mesmo se aplica à defesa do individualismo presente em ambas as tradições, embora, nesse ponto, a divergência entre as duas visões de mundo se torne mais acentuada. Em seu ensaio “Two Types of American Individualism” (Dois Tipos de Individualismo Americano), Weaver rejeitou o tipo de individualismo que se manifesta em “negar nossas responsabilidades para com nossos semelhantes”, o mesmo tipo de “isolacionismo” pelo qual Henry David Thoreau é admirado. Em vez disso, Weaver defendeu um individualismo “mais tolerante e circunspecto,” não radical, mas, pelo contrário, enraizado na natureza humana e que oferece “nossa melhor esperança de preservar a personalidade humana em uma sociedade civil”. O individualismo de Weaver baseia-se em uma filosofia política que se opõe às “forças de controle e ao totalitarismo”, e encontra sua expressão mais poderosa na doutrina dos direitos dos estados.

O principal proponente dessa visão de individualismo é John Randolph de Roanoke, cuja filosofia política era firmemente realista no sentido rothbardiano, e sobre quem Weaver observou que “sua atitude era de desprezo por aqueles que fogem da realidade”. Randolph defendia os direitos dos estados como uma doutrina que, “na sua visão, constituía a âncora da liberdade”. Para ele, esses direitos funcionavam como um baluarte contra a coerção federal, protegendo assim o cidadão individual contra a centralização tirânica do poder governamental. Weaver descreveu Randolph como um “ultra individualista”, um pensador independente que “não seguia nem as opiniões nem as fortunas dos homens, e não sentia que uma declaração ousada precisasse de desculpas”. Na filosofia política de Randolph, o individualismo estava enraizado no contexto social e político de tempo e lugar. Weaver explica:

“O individualismo é uma rejeição do controle presuntivo imposto de fora. Mas Randolph nunca perdeu de vista a verdade expressa na máxima de Aristóteles de que o homem é um animal político. Seu individualismo é, portanto, o que vou chamar de individualismo do ‘vínculo social’. Ele luta incessantemente pelos direitos individuais, ao mesmo tempo em que reconhece que esses direitos precisam ser assegurados dentro de um contexto social (…) Randolph não conseguia imaginar que os homens resolvessem questões políticas por meio de um simples autoisolamento”.

Randolph queria que o centro de poder estivesse o mais próximo possível daqueles que seriam afetados pelas decisões políticas. Ele via isso como a maneira mais eficaz de maximizar o alcance da liberdade individual, argumentando que “para que o governo seja seguro e livre, deve ser composto por representantes que compartilhem um interesse e um sentimento comum com os representados”. Assim, Weaver argumenta que “Randolph merece ser chamado de individualista político conservador por duas razões: por sua crença no papel limitado, ainda que real, do governo, e por sua defesa da unidade menor, porém ‘natural’, contra a unidade maior que alega ter o direito de governar”.

Esse é um conceito de liberdade individual que trata “a relação do indivíduo com o Estado” como um instrumento para garantir o maior espaço possível à liberdade individual. Nessa defesa dos direitos naturais, da liberdade individual e dos direitos dos estados, Randolph ajudou a forjar as bases da tradição filosófica que Rothbard celebraria em seu “retorno ao lar, à Direita”.

Este artigo foi originalmente publicado no Mises Institute.

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4 comentários em “O conceito de liberdade individual nas filosofias libertária e conservadora”

  1. fonte : https://t.me/s/DemystifyingTruths

    Uma matéria interessante pro mises.org.br se enriquecer com argumentos :

    A Diferença Entre Assistência e Dependência: Por que o Caminho da Prosperidade é o Mercado, e Não o Estado

    Ao longo da história econômica moderna, há uma verdade que se mantém incontestável: os países que prosperaram foram aqueles que confiaram no mercado, na liberdade econômica, no incentivo ao empreendedorismo e na responsabilidade fiscal. A narrativa de que sistemas estatizantes ou “socialistas” produzem justiça e igualdade simplesmente não resiste à análise dos fatos.
    O que a experiência real demonstra é o oposto: onde o Estado tenta substituir o mercado, nasce a estagnação; onde o Estado tenta “cuidar” permanentemente do cidadão, nasce dependência, não desenvolvimento.

    É preciso separar dois conceitos que muitos confundem — às vezes por ingenuidade, outras por conveniência política:

    1. Assistência é um instrumento; dependência é um projeto de poder.

    O assistencialismo, quando concebido dentro de um arcabouço capitalista e meritocrático, tem seu valor. Ele existe para socorrer quem temporariamente perdeu a capacidade de se manter, seja por desemprego, doença, instabilidade econômica ou circunstâncias excepcionais.
    Esse modelo, praticado por décadas na Europa pós-guerra, não tinha propósito de criar eleitores eternamente dependentes, mas sim de permitir que cada pessoa recuperasse autonomia, dignidade e capacidade produtiva.
    Mas isso só funciona quando a assistência é:

    • temporária,
    • orientada ao trabalho,
    • ancorada em formação e capacitação,
    • acompanhada de incentivos ao investimento,
    • e sustentada por uma economia dinâmica.

    Infelizmente, o que vemos em muitas experiências latino-americanas é exatamente o inverso: programas sociais transformados em moeda eleitoral, sem porta de saída, sem reinserção produtiva, sem estímulo à autonomia.
    É assim que o assistencialismo deixa de ser política social e passa a ser mecanismo de perpetuação de poder.
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    2. O socialismo real não produz prosperidade — produz dependência.

    Muito se fala que “o socialismo produz”, mas o que ele efetivamente produz?
    A história responde:
    ineficiência, escassez e empobrecimento progressivo.

    Da URSS à Venezuela, de Cuba à Albânia, o padrão é sempre o mesmo: concentração de poder econômico no Estado, queda brutal de produtividade, fuga de talentos, declínio tecnológico e perda da competitividade.
    Esses países não deixam de existir: eles se arrastam — muitas vezes sustentados pelo pouco que resta do setor privado ou pela exploração de recursos naturais.

    Dizer que “o socialismo não produz prosperidade sustentável” não é opinião; é constatação empírica.
    E por que isso acontece?

    Porque sem liberdade para empreender, sem incentivos para inovar, sem segurança jurídica e sem concorrência, a economia simplesmente não se move.
    O Estado não gera riqueza — apenas a redistribui.
    E quando o setor produtivo é sufocado, não há mais o que redistribuir.

    Não por acaso, modelos estatizantes acabam aumentando impostos em escala crescente, na tentativa desesperada de financiar uma máquina pública que gasta mais do que arrecada. Mas esse ciclo tem prazo de validade — porque ninguém pode tributar o que não existe. E quando o setor produtivo definha, o Estado definha junto.
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    3. O capitalismo, com todas as suas imperfeições, é o único sistema que comprovadamente gera prosperidade.

    Não é questão de torcida ideológica; é uma questão de resultados.
    O capitalismo, na medida em que permite:

    • concorrência real,
    • liberdade de mercado,
    • ambiente favorável a quem produz,
    • segurança jurídica,
    • estímulo ao investimento,
    • e redução de cargas e burocracias,

    gera prosperidade, inovação, tecnologia e ascensão social.

    Foi assim nos Estados Unidos, no Japão, na Alemanha, na Coreia do Sul, na Austrália e em praticamente todas as nações que hoje figuram entre as mais ricas do mundo.

    Mesmo países frequentemente citados pela esquerda como “modelos socialistas” — Suécia, Noruega, Dinamarca — são, na verdade:

    • economias altamente capitalistas,
    • com impostos altos, sim, mas com retorno,
    • Estado eficiente,
    • meritocracia,
    • e uma máquina pública enxuta, sem aparelhamento ideológico.

    Sistemas assim só sobrevivem porque a economia privada é vibrante e livre.
    Sem isso, o Estado entra em colapso.
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    4. Conclusão: a prosperidade nasce do trabalho, não da dependência.

    A diferença fundamental entre modelos que funcionam e modelos que fracassam está no propósito:

    • Sistemas baseados em mercado querem indivíduos autônomos.
    • Sistemas baseados em assistencialismo permanente querem indivíduos dependentes.

    E entre autonomia e dependência, entre liberdade e tutela, entre produção e consumo improdutivo, a história já escolheu seu lado.

    O lado da prosperidade nunca foi o da estatização, da tutela permanente ou da dependência política.
    O lado da prosperidade sempre foi — e continua sendo — o mercado livre, a geração de riqueza real e o Estado que socorre, mas não aprisiona; que apoia, mas não controla; que ajuda, mas não escraviza.

    Esse é o único modelo que, até hoje, produziu resultados concretos para quem realmente importa: o cidadão comum que quer trabalhar, crescer, empreender e prosperar por conta própria.

    (Ps : Pros Comunistas Narco-sádicos Klaus, Carlos e Pobre Mineiro, refutem tudo isso dito nessa fonte nos comentários abaixo.)

  2. fonte : https://t.me/s/Blackbirdreturn

    CRIANÇAS PEQUENAS RETIRADAS DOS PAIS na cidade de Arroio Grande no RS. O processo iniciou após a cobrança das vacinas do PNI

    https://x.com/soul221122/status/1994949937428402672?s=46&t=-pajUF2xB7Q1LWJeGCOXWw

    (Ps : Vão deixar que isso aconteça mesmo? Então, se forem deixar mesmo isso acontecer, posso dizer com toda a certeza que
    o povo BOSTILEIRO é o mais hipocondríaco, burro, idiota, corno, frouxo, arrogante, tapado, sojado e bunda mole de todo o planeta
    terra e que merecem comer merda ao estilo QI83 como são conhecidos. Depois choram pro mundo quando são mal vistos mundo afora. Babacas!)

  3. fonte : https://t.me/brazucawars/10693

    ❗🇧🇷🪖 — Clube Militar, Naval e da Aeronáutica publicaram uma nota em repúdio às prisões de oficiais-generais

    (PS : Continuem apoiando o PT (Partido dos Traficantes) e o narco-comunismo, generais. Vão lá. Já abaixaram as calças do Lula hoje? Ganharam quanto? O Olavo de Carvalho passou quase metade da vida dele alertando vocês e vocês prontamente ignoraram tudo que o Olavo passou. Tão se ferrando agora né? É o que merecem pra deixarem de ser uns retardados. É como dizem, o povo perece por falta de conhecimento. Mas nesse caso, vejo que se trata de ignorância consciente mesmo. Sinto muito, mas não mesmo. Avisados foram. Quem sabe depois dessas pauladas na cabeça, resolvam de vez aprenderem alguma coisa.)

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