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Os habitantes de Veneza votaram para se separar da Itália – o que isso significa para a Europa?

Com
89% dos votos a favor, os cidadãos de Veneza decidiriam em um referendo se
separar da Itália (veja a notícia em italiano,
em inglês
e em português). 

Na
prática, o que isso realmente significa é que os venezianos não mais estão a
fim de serem obrigados a pagar impostos para sustentar Roma.  Aparentemente, os venezianos — que residem
naquela que foi a histórica capital de uma das mais
ricas e mais bem-sucedidas repúblicas da história da humanidade
— não
querem mais subsidiar os notoriamente corruptos burocratas de Roma.

O
sul da Itália sempre foi considerado pelos habitantes do norte — que é mais
rico, mais limpo e mais eficiente — como um sorvedouro de recursos.  Os habitantes do norte trabalham para
sustentar, via impostos, o dolce far
niente
dos habitantes do sul.  De
acordo com a reportagem
do jornal The Daily Mail
, já há
movimentações para estender o movimento secessionista para outras áreas do
norte da Itália.

Um
dos organizadores do movimento secessionista é seguidor das ideias de
Hans-Hermann Hoppe
:

O ativista Paolo Bernardini, professor de
história europeia da Universidade de Insubria, em Como, no norte da Itália, disse
que ‘já era hora’ de Veneza voltar a ser um estado autônomo.

‘Embora a história jamais se repita, estamos
hoje vivenciando um forte retorno ao arranjo de pequenas nações, de países
pequenos e prósperos, capazes de interagir entre si em um mundo globalizado.’

‘O povo veneziano percebeu que somos uma
nação digna de autonomia e que não mais deve ser abertamente oprimida por uma
burocracia longínqua.  Todo o mundo está
se movendo em direção à fragmentação; trata-se de uma fragmentação positiva, em
que as tradições locais se misturam às trocas comerciais globais’.

Luca
Zaia, membro da separatista Liga do Norte, exultou: “O desejo e o clamor pela
secessão estão crescendo de forma muito robusta.  Estamos apenas no Big Bang do movimento
separatista — mas revoluções são originadas de fome, e estamos muito
famintos.  Veneza pode agora se libertar.”

A
nova Repubblica Veneta seria formada por cinco milhões de habitantes da
região de Veneto.  Caso a secessão de
Veneza realmente aconteça, a região da Lombadia e a província de Trento
provavelmente farão o mesmo, gerando uma profunda partição da Itália.

Naturalmente,
as grandes nações-estado da Europa odeiam — e estão apavoradas com —
ocorrências como essa.  Porém, como bem
sabe qualquer um que conheça minimamente a história da Europa, não há
praticamente nenhuma “tradição” no atual formato das fronteiras europeias.  Logo, os burocratas das grandes nações
simplesmente não têm argumentos para dizer que as “tradições” devem ser
mantidas.  O atual formato da Itália foi
desenhado por políticos, assim como o da Alemanha, que foi moldada à força por
políticos autoritários como Otto von Bismarck, que obviamente odiava o
liberalismo clássico e o capitalismo com todas as fibras do seu ser.

A Europa em polvorosa

Os
movimentos secessionistas estão se espalhando por toda a Europa.

A
ilha de Sardenha também quer se
separar da Itália e se tornar uma nova Suíça
.

Ao
prepararem seu referendo, os venezianos foram à Escócia para observar todos os
preparativos que estão sendo feitos pelo Partido Nacional da Escócia para o referendo
que irá ocorrer no dia 18 de setembro deste ano.  A intenção dos escoceses é abolir o Tratado de
União de 1707
, e com isso se separar
em definitivo da Inglaterra.

Também
observando os preparativos da Escócia estavam representantes da Catalunha, que
irão fazer um referendo similar no segundo semestre para se separar
da Espanha
.  Secessionistas do País Basco também estavam
presentes na Escócia.

Em
um relatório publicado recentemente intitulado de “A
Europa sob julgamento
“, uma pesquisa feita com 20.000 britânicos descobriu
que a Rússia (antes da crise com Kiev e da anexação da Criméia) era vista mais
positivamente do que a União Europeia e o Parlamento Europeu.

Por
uma diferença de 49 a 31, os cidadãos da Grã-Bretanha acreditam que os custos
da filiação à União Europeia sobrepujam os benefícios, e estão igualmente
divididos, 41-41, sobre se devem ou não sair totalmente da União Europeia.

O
primeiro-ministro britânico David Cameron já marcou para 2017 um referendo
sobre a continuidade da filiação à União Europeia.  Ao que tudo indica, o Partido Trabalhista
britânico — até então o mais favorável à manutenção da união –, percebendo a
impopularidade de UE, também parece mais aberto a alterar o tratado da UE e a
fazer um referendo para se despedir da Europa caso voltem ao poder em 2015.

Por
que a UE está sob esta crescente pressão centrífuga?  Por que várias nações da Europa estão no
limiar da secessão?

Não
há uma explicação única ou simples.

Veneza
e todo o norte da Itália se sentem explorados. 
“Por que temos de subsidiar um sul que é menos trabalhador e mais
preguiçoso, e que consome os impostos que geramos aqui?”, perguntam eles.  Vários italianos do norte acreditam terem
muito mais em comum com os suíços do que com os romanos, napolitanos e
sicilianos.

Na
Bélgica, a região de Flandres pensa o mesmo sobre os valões.

Escoceses
e catalães acreditam ter uma cultura, uma história e uma identidade totalmente
distinta das nações às quais pertencem.

Por
toda a Europa, há também um temor de que o caráter étnico de seus países esteja
sendo alterado permanentemente, e contra a vontade de sua população.  Búlgaros, romenos e ciganos chegam em levas
do Leste Europeu, buscando asilo e refúgio econômico no lado ocidental.  Migrantes desembarcam aos milhares anualmente
na ilha italiana de Lampedusa e nas Canárias espanholas.  Recentemente, o The New York Times relatou um surto de 80.000 migrantes africanos
buscando refúgio nos pequenos enclaves espanhóis de Ceuta e Melilha na costa
do Marrocos.

O
objetivo dessas pessoas desesperadas? 
Usufruir o rico estado assistencialista oferecidos pelos países do Velho
Continente.  Pessoas reagem a incentivos
e, se há o estímulo do assistencialismo, é impossível conter o desejo delas.  A culpa não é dos imigrantes,
que compreensivelmente querem melhorar de vida, mas sim do generoso estado
assistencialista, que utiliza os impostos incidentes sobre a população que
trabalha para bancar os privilégios de quem não trabalha.  E os gastos dessa “caridade” não param de
crescer.

Obviamente,
aqueles que sustentam tudo isso já estão previsivelmente fartos, e buscam na
secessão uma maneira de preservar suas riquezas.

Os
filhos da Europa estão hoje se rebelando contra as consequências daquilo que
seus pais, paralisados pelo temor do politicamente correto, se recusaram a
atacar.

Era
previsível, foi previsto, e vai acontecer.

O futuro

No
caso específico de Veneza, será interessante ver o que Roma irá fazer.  Será que seus burocratas mandarão um exército
para coletar seus impostos?  Talvez irão
apenas fazer uma guerra cultural e recorrer a algum tipo de campanha de ódio
contra os venezianos, apelando a um suposto patriotismo italiano.  Essas coisas quase sempre funcionam.

Dado
que Obama recentemente declarou que todos os movimentos de secessão são
ilegítimos (exceto aqueles apoiados pelo governo americano, é claro), ainda não
dá para prever qual será o apoio que Veneza pode esperar da comunidade
internacional.

800px-Venezianische_Kolonien.png

Em
uma entrevista concedida em 2004, Hans-Hermann Hoppe falou sobre as vantagens de
um arranjo formado por países pequenos e independentes:

Ao contrário, a maior esperança para a
liberdade vem justamente dos países pequenos: Mônaco, Andorra, Liechtenstein, e
até mesmo Suíça, Hong Kong, Cingapura, Bermuda etc.  Quem preza a
liberdade deveria torcer e fazer de tudo pelo surgimento de dezenas de milhares
destas entidades pequenas e independentes.  Por que não uma Istambul e uma
Esmirna livres e independentes, que mantêm relações cordiais com o governo
central da Turquia, mas que não têm de pagar impostos e nem receber repasses, e
que não mais reconhecem as leis impostas pelo governo central, pois têm as suas
próprias?

Os apologistas de um estado forte e
centralizado alegam que tal proliferação de unidades políticas independentes
levaria à desintegração econômica e ao empobrecimento.  No entanto, não
apenas a evidência empírica contradiz esta alegação — todos os pequenos países
citados acima são mais ricos que seus vizinhos —, como também uma reflexão
teórica mostra que tal alegação não passa de mais um mito estatista.

Governos pequenos possuem vários
concorrentes geograficamente próximos.  Se um governo passar a tributar e
a regulamentar mais do que seus concorrentes, a população emigrará, e o país
sofrerá uma fuga de capital e mão-de-obra.  O governo ficará sem recursos
e será forçado a revogar suas políticas confiscatórias.  Quanto menor o
país, maior a pressão para que ele adote um genuíno livre comércio e maior será
a oposição a medidas protecionistas.  Toda e qualquer interferência
governamental sobre o comércio exterior leva a um empobrecimento relativo,
tanto no país quanto no exterior. 

Porém, quanto menor um território e seu
mercado interno, mais dramático será esse efeito.  Se os EUA adotarem um
protecionismo mais forte, o padrão de vida médio dos americanos cairá, mas
ninguém passará fome.  Já se uma pequena cidade, como Mônaco, fizesse o
mesmo, haveria uma quase que imediata inanição generalizada.

Imagine uma casa de família como sendo a
menor unidade secessionista concebível. 
Ao praticar um livre comércio irrestrito, até mesmo o menor dos
territórios pode se integrar completamente ao mercado mundial e desfrutar todas
as vantagens oferecidas pela divisão do trabalho.  Com efeito, seus proprietários podem se
tornar os mais ricos da terra.  Por outro
lado, se a mesma família decidir se abster de todo o comércio
inter-territorial, o resultado será a pobreza abjeta ou até mesmo a morte.  Consequentemente, quanto menor for o
território e seu mercado interno, maior a probabilidade de sua adesão ao livre
comércio.

Por fim, irei apenas mencionar, mas sem no
entanto adentrar em detalhes explicativos por pura falta de espaço, que a
secessão também promoveria uma integração monetária e levaria à substituição do
atual sistema monetário baseado em moedas fiduciárias nacionais — que flutuam
entre si e se desvalorizam diariamente — por um padrão monetário baseado em
uma commodity totalmente fora do controle dos governos.  Em suma, o mundo
seria formado por pequenos governos liberais e seria economicamente integrado
por meio do livre comércio e por uma moeda-commodity internacional, como o
ouro.  Seria um mundo de prosperidade, crescimento econômico e avanços
culturais sem precedentes.

______________________________________

Participaram
deste artigo:

Ryan McMaken, editor do site do Ludwig von Mises Institute dos EUA

Patrick Buchanan, co-fundador e editor da revista The
American Conservative
,
e também autor de sete livros, dentre eles Where the Right Went WrongA Republic Not An Empire, e o polêmico Churchill, Hitler, and the
Unnecessary War

Hans-Hermann Hoppe, membro sênior do
Ludwig von Mises Institute, fundador e presidente da Property and Freedom Society.  Recebeu seu Ph.D e fez seu pós-doutorado na
Goethe University em Frankfurt, Alemanha.  É o autor, entre outros trabalhos, de Uma
Teoria sobre Socialismo e Capitalismo
 e The
Economics and Ethics of Private Property
.

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104 comentários em “Os habitantes de Veneza votaram para se separar da Itália – o que isso significa para a Europa?”

  1. Existe no âmbito regional grupos querendo a separação entre estados tais como,estado do Triângulo e São Francisco em Minas Gerais,Tapajós e Solimões no Pará,esses casos eu conheço,agora separação de fronteiras até hoje não.

  2. É um movimento positivo. Espero que ganhe forças e comece a ser praticado.

    O voto com os pés é um caminho muito mais claro em direção a mais liberdade do que o ridículo e grotesco voto nas urnas em nome de camadas em cima de camadas de um governo gigante e centralizado sobre o qual os tolos eleitores não têm qualquer controle (e já começam a perceber isso).

    As críticas ao separatismo nunca têm qualquer fundamento.
    Todo o comércio, turismo e relações com o resto do mundo continuariam do mesmo jeito (ou mais livres e eficientes).

    A diferença básica é que se trocaria a ridícula representatividade por um governo que está brutalmente distante (veja o Sul do Brasil que fica a quase um continente de distância de seus supostos representantes / governantes em Brasília) por uma representatividade local, mais sensível ao que quer a população local, e mais fácil de obedecer o que demanda a população local.
    Experimente um sulista demandar algo como redução de impostos do governo federal.

    Se trocaria um governo gigantesco com programas bilionários mirabolantes por governos menores e com programas mais modestos, menos destrutivos e mais direto ao ponto (menos deficientes do que são hoje).

    Se trocaria um calhamaço de legislações que afogam o cidadão e são aprovadas na velocidade de uma metralhadora por poderes distantes por uma quantidade modesta de leis que tenham a ver com a população local. Deixa de ser algo aprovado à força bruta por megalomaníacos controladores que aprovam todas essas leis porque uma população à mercê de governos centralizados são impotentes para impedí-las.

    Não dá para entender por quê o pessoal acha que separação implica cancelar o comércio, cancelar o turismo e se isolar do mundo. Haja ingenuidade para criar cenários horrendos que justifiquem continuar sendo o gado da fazenda de governos centralizados predatórios e fora de controle.

    Por fim, é curioso que aqueles que insistem em viverem como gado do governo ocasionalmente chamam de nazistas quem defende a separação. Logo o nazismo era violentamente e abertamente contra a descentralização e se propôs a centralizar o poder.

  3. “Talvez irão apenas fazer uma guerra cultural e recorrer a algum tipo de campanha de ódio contra os venezianos, apelando a um suposto patriotismo italiano. Essas coisas quase sempre funcionam.”

    Porque sempre funcionam? O sentimento de exploração é menor que o medo de estar sendo contra o patriotismo?

  4. Eduardo Luiz Menezes Santana

    Um grande exemplo de que o encampamento de um Estado menor empobrece o mesmo é o caso do extinto Estado da Guanabara, onde eu nasci em 1974 (sua fusão com o Estado do Rio de Janeiro foi dada em 1976). A Guanabara era, na ocasião, o Estado com a maior renda per capita do Brasil, e abrigava apenas um município (Rio de Janeiro), o que consumia muito pouco de seus recursos. Era um Estado rico e próspero. A sua fusão com o Estado do Rio de Janeiro foi a derrocada para que ele passasse a ser esquecido na década de 80, o que contribuiu para o aumento da pobreza e da violência ao longo do tempo.

  5. Leonardo Faccioni

    Estamos a caminho – ainda não da Idade Média, que, ainda que somente em meus escritos, traz consigo conotação inteiramente positiva e ares de ideal – mas, quando menos, de uma já bem-vinda Renascença.

    A Idade Média, explico, precede a formação do Estado tal como hoje entendido. As relações ditas políticas eram, fundamentalmente, vínculos pessoais naturalmente traçados pela conformação das propriedades e por um bem disseminado “common ground” nos direitos natural e consuetudinários. A Renascença, ao contrário, traz em si o Leviatã embrionário – um Leviatã, todavia, que a nós, hoje, assustaria menos que um travesso Leprechaun. O estado moderno não é simples diabrete, é Legião, e reduzi-lo novamente a duende seria conquista tremenda da civilização.

  6. Existe outro caso de secessionismo na Itália além dos mencionados no artigo, cuja análise é extremamente interessante. Trata-se da província autônoma de Bolzano/Bozen, também no norte do país, que foi anexada pela Itália após a 1ª Guerra Mundial — a região é conhecida como “Südtirol” (Tirol do Sul, em referência à região austríaca). A maior parte da população de lá é de origem germânica e tem o alemão como língua nativa. Essa província faz parte de uma região maior, chamada Trentino Alto-Adige, onde a parte “italiana” da população também pensa em se separar do país (o que é mencionado no texto, btw).

    Há pelo menos dois partidos separatistas atuantes nessa província, os quais atualmente ocupam 9 das 35 cadeiras do “Consiglio della Provincia” (espécie de Assembleia Legislativa local) — tendo obtido, juntos, 25,1% dos votos nas últimas eleições. Além disso, esses dois partidos ocupam 10% (7 de 70 cadeiras) do “Consiglio Regionale do Trentino Alto-Adige” — o que, dado o fato de que para esse órgão também vota a metade “italiana” da região, não deixa de ser uma porcentagem significativa.

    O ponto realmente interessante aí é o programa defendido pelos partidos separatistas. Um deles se chama “Freiheitlichen”, palavra alemã cuja tradução é “libertários”. E, embora ele se enxergue proeminentemente de um partido populista de direita, grande parte da sua pauta reflete tendências realmente libertárias – o “programa de princípios” disponível no site fala em “não esperar nada do estado”, “menos estado na mídia”, “livre concorrência de ideias” na educação, etc. Eles chegam até ao ponto de falar no programa que “a proteção do meio ambiente precisa de mais economia de mercado”!

    Fica o registro. Se a possível secessão do Veneto já criaria um precedente extremamente interessante na Europa, a do Südtirol, se levada a cabo por aqueles que já estão conduzindo o processo, traria uma nova Liechtenstein.

  7. Acho que a FIFA é contra esse separatismo todo, daria muito trabalho para prganizar e lucrar com a copa do mundo. Quanto ao BR, vejam que nossa história é recheada de movimentos separatistas, inclusive vários estados do nordeste tinham esse sonho.

  8. Que notícia boa! Depois de ler sobre a aprovação do marco civil e das cotas em concursos no Brasil, ao menos essa notícia inverte um pouco os ânimos. Seria muito legal ver a Europa se dividindo em pequenos estados.

    Imagine uma Sardenha independente e com um governo liberal feito o Suíço? Seria fantástico. 🙂

    Esperemos que esse referendo traga resultados práticos reais.

    Um pequeno parênteses, esse artigo me lembrou desse outro texto: Is the United States Too Big to Succeed?

  9. Emerson Luis, um Psicologo

    Seria um precedente interessante: os novos países não teriam que se submeter mais às políticas esquerdistas que estão estragando a Europa e o continente poderia se recuperar a tempo.

    Quanto ao Brasil, seria bom se os municípios e regiões obtivessem maior autonomia e fôssemos uma federação de fato, aplicando o princípio da subsidiariedade.

    * * *

  10. O melhor modelo para o Brasil, deveria começar com um federalismo ferrenho e gradualmente para o verdadeiro separatismo mesmo, regiões autônomas cultural (de fato) e politicamente (de direito).

    Não existe outra saída a não ser por esta.

  11. Se os venezianos se perguntam “Por que temos de subsidiar um sul que é menos trabalhador e mais preguiçoso, e que consome os impostos que geramos aqui?”, aqui no Brasil, os sulistas, os paulistas e até mesmo alguns fluminenses se perguntam o mesmo. Claro, substituindo “sul” por norte/nordeste.

  12. Se Veneza, Catalunha e Escócia se separarem mas, logo em seguida, aderirem à União Europeia, tudo isso me parece sem sentido. Seria trocar estados nacionais por um estado supranacional ainda mais opressivo. Qual a chance de eles se tornarem realmente independentes como a Suíça ?

  13. Eu até entendo a vontade dos movimentos separatistas, porem esses movimentos podem ser legítimos, mas são INCONSTITUCIONAIS. Pelo menos no caso da Itália. A república italiana é única e indivisível. Basta ir conferir no artigo 5 da constituição italiana.
    Em relação a liga norte, penso que este é um partido que não tem uma argumentação bem definida, muito pelo contrário são políticos com mentalidades escrotas e defendem coisas absurdas, além disso usam o mecanismo ”Fale sem pensar e sem parar” pois este é o único mecanismo de defesa que eles tem.

  14. Anderson Teixeira Gonçalves

    E o Rio Grande do Sul também pode, basta a gauchada acordar.
    O RS é um país invadido pelo Braziu. Mandamos 70% dos impostos para a “União” e muito pouco retorna ao Estado.
    O Braziu é hoje o 85º no ranking mundial de desenvolvimento. O Uruguay, nosso visinho, co-irmão, da nosso mesmo Povo Gaúcho, é o 48º. E se o RS fosse independente, seria o 35º, segundo o IDH/ONU.
    É simplesmente matematicamente desvantajoso o RS continuar invadido pelo Braziu, que é um falso país, sequer uma nação, mas uma junção forçada e artificial de povos sem nenhuma identidade cultural entre si, uma instituição criada para manter o poder nas mãos de elites regionais corruptas.

  15. Discordo da separação.
    Não porque seja contra.
    Acho que o problema está na carga elevada e na distribuição desigual dos impostos.
    Por diversos motivos os Estados contemporâneos ao se formarem refletiam a superação de problemas do passado.
    Por exemplo, como fariam as cidades-estado diante de uma agressão ao estilo Átila ou Gengis Khan.
    A europa foi, durante séculos, dominada por invasores árabes.
    A formação do Estado moderno contribuiu para a expulsão do invasor exógeno.
    E sempre haverá ameaça, seja amarela, vermelha ou sob outras bandeiras.
    A Índia é outro bom exemplo. Foi subjugada, justamente por que era rica, mas não era unida nem poderosa no mar.
    Um grande Estado em território não é o problema.
    O problema é a grande carga tributária em benefício de milhares de prefeituras de cidades que não geram sequer 5% de seu custo.
    Só o estado de Minas Gerais tem mais de novecentos municípios, cuja absoluta maioria são deficitários.
    Isto em um estado que é o segundo ou terceiro do país em PIB. Imagine o resto.
    Cada estado deve ficar absolutamente com o que arrecada, após pequena contribuição para a União.

  16. sonho meu, transformar cada microrregião brasileira (pt.wikipedia.org/wiki/Categoria:Microrregi%C3%B5es_do_Brasil) no equivalente a um cantão suiço, com o máximo de autonomia e auto-determinação.

  17. O autor deste texto foi genial, quem dera haver uma consciência política e econômica deste nível nos líderes políticos, como o mundo seria melhor! Gostaria imensamente que este tipo de raciocínio fosse aplicado na nossa Constituição de 1988, mas infelizmente o legislador constituinte não associou as vantagens da livre concorrência entre as empresas ( que ele mesmo eleva a status de princípio da ordem econômica no inciso iv do artigo 170) aos benefícios da livre concorrência aplicada aos pequenos Estados,entre as soberanias de uma determinada região optando por um Estado centralizador, explorador, demasiadamente intervencionista e assistencialista.
    Eu sou a favor de uma zona política e econômica com uma livre circulação de pessoas dentro desta,e que possua vários pequenos Estados por dentro, justamente para atingir a qualidade de vida através da livre concorrência.

  18. Acho engraçado paulistas e até gaúchos falarem que sustentam o país. Sustentam em que? Cada estado brasileiro, por mais rico que seja, depende de seu ente federativo para poder “sobreviver”. O RJ é o estado que paga mais impostos per capita do Brasil, é o maior produtor de petróleo do país(do qual SP depende muito para fazer valer a sua condição de locomotiva), a 2ª economia do Brasil(por favor mineiros, não tentem manipular os fatos, vocês ainda são a 3ª economia do país). O RJ é somente o 24º estado do Brasil em retorno de impostos. E não venham falar que na época, quando era capital , o rio de Janeiro se beneficiava somente pelo erário estatal que isso não é correto. Ao contrário de Brasília hoje, o Rio de Janeiro capital possuía um mercado privado forte também, procurem saber na internet. Outra, durante o império, o Rio de Janeiro possuía 70% do PIB brasileiro( era muita coisa e nem SP conseguiu até hoje chegar devido o estado ser o maior produtor de café, sua economia um dia foi forte, rica e financiava praticamente todas as obras públicas do país, leiam na internet, é só procurar. Mas depois houve a decadência da produção do café no estado e aí começou a era paulista. E para finalizar, qual foi a mão de obra que ajudou a construir os estados mais ricos do país? Sim, eles mesmos, os nordestinos. O que eu quero dizer é que, aqui no Brasil não há estados ou províncias autônomos, como na Europa ou EUA. Todos os estados brasileiros por mais ricos que sejam, iriam a falência e não conseguiriam se sustentar, porque dependem dos seus entes federativos. Que os gaúchos leiam bem a história sobre a Guerra dos Farrapos e procurem saber, quando eles conseguiram se separar do Império, o que aconteceu, leiam!

  19. Ótimo artigo, boa sorte pra eles
    Agora um porém: como assim não é culpa dos imigrantes quererem se aproveitar do welfare state? Se o cara quer se aproveitar de dinheiro roubado, e ainda se revolta quando as pessoas não querem mais ser roubadas, ele é tão sem vergonha quanto o ladrão.

    Ele só não teria culpa se fosse algum tipo de doente mental que não entende de onde o dinheiro vem.

  20. Yonatan Mozzini Rosa

    Gostei do artigo.
    No entanto, em nosso caso brasileiro, não seria necessário criar uma secessão para que obtivéssemos maior soberania e liberdade em nossos estados ou microrregiões. Seria necessário promulgar uma nova constituição, semelhante àquela dos EUA, dando uma enorme autonomia aos estados – tanto no sentido político quanto econômico. Acabar de vez com impostos federais, ou reduzi-los a uma porcentagem ínfima. Mas para que isso ocorresse, deveria haver uma verdadeira revolução cultural e intelectual em nosso povo, pois somente ele teria força para exigir isso dos políticos. Talvez isso pudesse ocorrer só daqui uns cem anos…

  21. Não dá pra comparar Itália com Brasil. São problemas e situações muito diferentes. a Itália já é um país relativamente pequeno e mesmo tendo as diferenças Norte e Mezzogiorno (sul da Itália) estas não são tão grandes. O sul e o norte são considerados desenvolvidos, falam o mesmo idioma, são da mesma raça, enfim são bem parecidos. Vale dizer que mesmo o mais rico europeu, a Alemanha, tem diferenças enter Oriental e Ocidental. Acho que no caso italiano o mais correto seria manter como um Estado grande (o que permite ter grande poder na U.E. e não ser tão submissa a ela) e buscar desenvolver e integrar o sul como o Mussolini fez. Se for o caso, diminua o envio de verbas para o sul para agradar ao norte.
    Quanto ao Brasil, as diferenças entre regiões são muito grandes e alguns estados são, de fato, totalmente sustentados pela União; sendo incapazes de se virarem por contra própria e ainda tem a questão de que as diferenças aqui não são apenas econômicas. E pra piorar, criou-se (graças ao PT) uma política assistencialista estúpida que ao invés de levar avanços, leva atrasos. Tudo voltado pra fazer uma compra de votos branca, limpa.

  22. Se o Brasil se tornasse uma federaçao de fato, muitos problemas poderiam ser diminuidos ou solucionados. Hoje a tendencia politica da esquerda no poder e de fortalecer ainda mais o controle e a centralizaçao.
    Por outro lado, valia a pena fazer uma reflexao sobre a experiencia federativa da primeira republica, de 1889 a 1930. No final das contas a descentralizaçao foi apenas um arranjo entre as oligarquias regionais, e tal coisa ainda que com as devidas diferenças merece ser tomado em consideraçao. Nossa cultura politica sempre prezou pelo paternalismo e isso e um grande empecilho para medidas liberais. Eu torço pela maior autonomia…

  23. Concordo plenamente. Sou de Brasília e acredito que o DF, que tem o maior IDH e PIB per capita do país, deveria se separar do Brasil. Seríamos a Suíça do cerrado!

  24. Atualmente, a seguinte falácia perambula nos meios populares e acadêmicos: Se a Crimeia votou pela separação da Ucrânia, por quê não poderia qualquer outra região ou estado- membro do mundo também se separa-se de seu país?Não seria também o exercício do direito internacional publico da “autonomia dos povos”?Resposta : Não, tendo em vista a especificidade histórica e cultural da Crimeia, que até na Ucrânia era considerada como um Estado autônomo e sempre foi fortemente vinculada a Rússia.Até uns tempos atrás, a Crimeia fazia parte da Republica Socialista da Rússia,mas foi “doada” para a Republica socialista da Ucrânia.
    Então,como já era uma região com plena autonomia jurídica,a sua dissociação da Ucrânia e anexação à Rússia, se exercida dentro dos sistemas democráticos, é amparada pelo direito internacional publico,diferentemente do que ocorreria, por exemplo, na Veneza, que, embora já tenha sido um Estado independente,com a unificação da Itália passou a integrar definitivamente ao Estado italiano e, dentro dele, nao tinha qualquer autonomia.

  25. Como quase todo paranaense, sou separatista de coração.
    Mas quando vejo os movimentos globalistas, seja o ecogaianismo, o socialismo ou até mesmo o imperialismo russo e chinês, sou obrigado a escolher um mal menor.
    Se com um país grande que pode se tornar forte já estamos potencialmente ameaçados, dispersos em pequenas unidades é que seremos sim presas fáceis.
    Se o Rio Grande fosse independente, por exemplo, já teria se tornado outra Cuba.

  26. Ola perdoem-me o desvio do assunto, mas permanecendo na questão da Europa, teriam vocês no forno algum artigo analisando a situação da Ucrânia? Obrigado!

  27. Países pequenos como Suiça, hong kong e Singapura são desenvolvidos por que um dos fatores é seu tamanho? WUT? Lituania, Letonia, Servia, Hungria, Romênia, sem falar em países sul americanos como Paraguai, Uruguai e etc são pequenos e de 3º mundo. Qualquer país pequeno tem pouca força política e acabam sendo submissos as grandes potencias. Esse Hoppe merece um Nobel.

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