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Bitcoin: objeções e mais objeções (Parte 3)

Sei
que muitos já estão se perguntando se devem ou não comprar bitcoins, ou se o
preço está alto ou se há mais espaço para quedas abruptas. Sem dúvida alguma,
são questões pertinentes. Mas não podemos responder essas perguntas sem antes
entendermos os motivos pelos quais muitos nem sequer consideram a moeda digital
como uma opção, rejeitando-a solenemente.

Como
não poderia ser diferente, algo novo e sem precedentes gera inúmeras dúvidas,
resistências e todo tipo de objeção. Alguns questionamentos merecem uma
resposta mais elaborada, outros podem ser rapidamente descartados. Estes,
relegaremos às notas de rodapé.[1]
Trataremos aqui das objeções complexas e frequentemente levantadas pelos
críticos do Bitcoin, buscando demonstrar que estas carecem de fundamento por
não compreenderem a essência da moeda digital.

Deflação

Para
diversos economistas, uma grande desvantagem da moeda digital é a deflação
que o Bitcoin geraria.
 Em primeiro lugar, é preciso definir os termos.
Na acepção correta da palavra, deflação significa uma contração da base
monetária. Ora, isso é tecnicamente impossível. A quantidade máxima de bitcoins
que podem ser minerados é de 21 milhões. Mineradas todas as unidades
monetárias, não há possibilidade de a base monetária diminuir ou contrair. O
que pode acontecer é usuários perderem suas senhas e jamais poderem usar suas
carteiras novamente, o que os impossibilita de acessar suas contas e
transacionar.

Mesmo
nesse caso, os bitcoins não seriam destruídos, apenas não mais seriam
utilizados. A consequência, por ficarem “fora” de circulação, seria um aumento
no poder de compra do restante de bitcoins existentes. Entretanto, costuma-se
associar o termo deflação a uma queda dos preços. Infelizmente, redução de
preços supõe um problema para a maioria dos economistas. À população, isso
significa que seu poder de compra aumentou. Uma moeda que se aprecia ao longo
do tempo com certeza não representa nenhuma ameaça à saúde de uma economia
(quem quiser saber mais sobre o assunto leia este artigo).

Hyperdeflation.png

Hiperdeflação! Fonte: The Economist

 

Eletricidade
e internet não são o problema, são a alternativa

E
quanto à dependência da eletricidade e da internet? Não seria uma enorme
desvantagem ao projeto Bitcoin? Como tratamos no artigo anterior, essa não é
uma característica unicamente restrita ao Bitcoin, já vivemos
nessa dependência. É impensável que nossa economia globalizada e
interconectada — bem como o sistema bancário – possa seguir inabalada na falta
de energia elétrica e internet. Nesse sentido, e já endereçando outra crítica
usual, acho pouco provável que governos tentassem “derrubar” a internet com o
objetivo de obstruir a rede Bitcoin. Aliás, considerando que governo nenhum até
hoje logrou conter nenhuma rede BitTorrent, não me parece
plausível esperar que conseguiriam causar danos irreparáveis ao maior projeto
de computação distribuída do mundo (sim, Bitcoin já ultrapassou o projeto SETI, Search
for Extra Terrestrial Intelligence
).

Outros
céticos argumentam que a rede poderia ser hackeada, corrompendo o
algoritmo, alterando saldos em carteira e roubando ou falsificando bitcoins.
Essa preocupação deriva, frequentemente, daquela indiferença que impede as
pessoas de estudar a fundo um assunto novo e desconhecido — como eu, algumas
semanas atrás. Antes de qualquer coisa, é preciso enfatizar dois inerentes
atributos da rede Bitcoin: a total abertura e transparência do sistema. Ainda
que o Bitcoin tenha sido criado por um indivíduo (ou grupo de indivíduos) com
certos parâmetros e regras de funcionamento, o código fonte é
completamente aberto a qualquer um 
que queira verificá-lo, monitorá-lo
e aprimorá-lo (com o consenso de toda a comunidade).  Qualquer pessoa pode acompanhar em tempo real as
transações recentes, a quantidade total de bitcoins minerados, etc.

Bitcoins-em-circulação.png

Fonte: blockchain.info

Estaríamos
sugerindo que a rede Bitcoin é à prova de falhas? É lógico que não. O Bitcoin
não é perfeito e é pouco provável que não sofra alguns solavancos ao longo do
seu desenvolvimento e à medida que o seu uso seja ampliado. Ainda assim, é
preciso destacar que não
há registro algum de ataques
 à cadeia de blocos do sistema (blockchain). Sim,
é verdade que alguns sites de casas de câmbio, por exemplo, foram hackeados e
tiveram problemas de operação, mas isso não quer dizer que a “moeda bitcoin”
esteve sob ataque.[2]

Mas
para efeitos deste artigo, prefiro direcionar o debate a uma questão conceitual
a provar a superioridade tecnológica e maior segurança do sistema de forma
objetiva — isso requereria especialistas em segurança computacional e/ou
criptógrafos. O problema crucial é qual é a alternativa. Dependermos de um
dinheiro cuja emissão se dá de forma monopolística pelo estado, cujo órgão
central decide unilateralmente qual deve ser seu valor em reuniões restritas a
um punhado de burocratas? Em que um emaranhado de instituições financeiras e
provedores de serviços é regulado e monitorado por esse mesmo órgão central,
por meio de decisões frequentemente arbitrárias e contra os interesses da
população?

Os
austríacos certamente contestariam. O que precisamos é, na verdade, de um
dinheiro privado, de liberdade total na escolha da moeda, diriam eles. Concordo
plenamente. Mas como atingir esse objetivo? Como convencer o estado a abrir mão
de um sistema monetário e bancário cujo maior beneficiado é o próprio estado?
Vou mais longe: admitindo que o objetivo seja logrado, como garantir que o estado
não subverterá novamente o sistema — como o fez ao longo de toda a história?
Esticando ainda mais o raciocínio, assumamos um mundo ideal dos libertários, em
que não há estado; como garantir que bancos ou instituições meramente
depositárias não incorrerão nas chamadas reservas fracionárias (RF) — sendo
que nem mesmo entre os austríacos há consenso se as RF devam ser coibidas e se
representam um perigo à economia? Como garantir um coeficiente de 100% de
reservas na ausência do aparato estatal? Qual agência ou entidade o
asseguraria? Nem mesmo Murray N. Rothbard respondeu essa última questão
(retomarei a esse assunto na última parte da série Bitcoin).

O
ponto central, implícito e comum a todas essas alternativas listadas, é que em
todas elas dependemos de um terceiro, de um middleman. É
justamente aí que reside uma das forças do Bitcoin, pois ele prescinde do
intermediário em uma transação (além da própria rede Bitcoin, é claro).
Ademais, o que é preferível? Um sistema monetário e bancário controlado e
monitorado por poucas pessoas e entidades, ou um totalmente aberto, controlado
e monitorado por qualquer interessado em qualquer parte do globo?

Bitcoins,
Litecoins, Ripple, etc.

Tratemos
agora de algumas das objeções mais complexas, especialmente aquelas lançadas
por economistas e investidores com formidável domínio de teoria monetária. Doug Casey, por
exemplo, alega que uma das ameaças ao Bitcoin é que não há barreiras de entradas;
dessa forma, qualquer um poderia lançar sua própria moeda digital no mercado.
Acabaríamos tendo, assim, diversas moedas digitais, o que inviabilizaria que
uma preponderasse e viesse a tornar-se um meio de troca universalmente aceito.

Em
tese, esse não é um problema exclusivo do Bitcoin. Em qualquer ambiente em que
prevaleça a liberdade de escolha de moeda, qualquer um pode competir. No
entanto, nessa competição, aquele meio de troca que tenha mais êxito em reduzir
os custos de transação tende a sobressair-se como o mais utilizado pelos
participantes. Com relação ao Bitcoin, por ter sido a primeira moeda digital,
ele goza do privilégio do chamado “efeito de rede” (network effect). Dentro do universo de moedas digitais,
Bitcoin já é a mais utilizada e com mais aderentes, portanto, ainda que uma
nova moeda possa superá-la em qualidade tecnológica, a barreira de convencer
usuários de Bitcoin a trocar para um concorrente é bastante grande.

Converter
bitcoins em dólar, eis a questão


Shostak alega
que “Bitcoin só funciona enquanto os indivíduos souberem que podem convertê-lo
em moeda fiduciária”. A priori, não podemos determinar se isso
é verdade. Essa conclusão de Shostak deriva da falaciosa ideia de que o Bitcoin
é nada menos que uma “nova forma de empregar a moeda fiduciária existente”. Mas
se entendemos que a moeda digital é dinheiro coisa, dinheiro de fato,
perceberemos que os usuários, em realidade, podem utilizar bitcoins não com o
intuito de usá-los como uma mera ferramenta de meio de pagamento, mas sim para
fugir (ou liberar-se) do sistema de moeda fiduciária.

Uma
vez “dentro” da rede Bitcoin, o objetivo é não ter que “voltar” às moedas
locais. Sim, no momento ainda não estamos nesse estágio de evolução da rede
(por causa da baixa liquidez e aceitação), mas à medida que se amplia a
aceitação, não será sequer necessário fazer uso das moedas fiduciárias. Uma vez
que ambos os produtores e consumidores aceitarão receber e pagar em
bitcoins,
 por que convertê-los em uma moeda fiduciária que perde poder
de compra constantemente?[3]

“Mas
Bitcoin não tem valor intrínseco!”

A
mais frequente objeção, no entanto, é outra. E, segundo aqueles que recorrem a
ela, é a questão básica e fundamental: Bitcoin não tem valor intrínseco, ele
não é uma “coisa”. É uma unidade de uma moeda virtual não material. Não tem
nenhuma condição ou formato físico e, portanto, é descabida a noção de que
possa algum dia substituir a moeda fiduciária. Esse é o núcleo do argumento de
tais céticos.

O
que lhes parece escapar, contudo, é que não existe valor intrínseco,
existem propriedades intrínsecas (químicas e físicas). Valor é
subjetivo e está na mente de cada indivíduo. “Bitcoin é o ouro digital”, defende Jon Matonis, conselheiro da Fundação Bitcoin,
“mas em vez de depender de propriedades químicas, ele depende de propriedades
matemáticas”. Isso quer dizer que as propriedades do Bitcoin resultam do design
do sistema, permitindo que sejam valoradas subjetivamente pelos usuários. Essa
valoração é demonstrada quando indivíduos transacionam livremente com bitcoins.

Admitindo
a fragilidade de seu argumento, os céticos partem para outra crítica, a de que
o Bitcoin, além do seu valor de troca (ou seu valor monetário), não apresenta
nenhum valor de uso amplamente reconhecido. Por esse motivo,
raciocinam eles, a moeda digital não poderia jamais adquirir o status de
meio de troca universalmente aceito no comércio. Isso me faz perguntar: como o
ouro conseguiu emergir como dinheiro, sendo que seu principal valor de uso
séculos atrás era basicamente adorno e enfeite? Sim, é claro que hoje em dia o
ouro tem aplicação nos mais diversos campos (indústria, medicina, computação,
etc.), mas essa demanda surgiu com relevância somente nos últimos 20 ou 30
anos. E mesmo considerando seu uso industrial, estima-se que mais de 90% da
demanda por ouro deriva de seu uso monetário.

Em
suma, não proporcionar uma maior variedade de aplicações e uso; ou, dito de
outra forma, não ter um valor de uso amplamente reconhecido não impede que
o Bitcoin venha a ser um meio de troca universalmente aceito. Ao menos a
priori,
 tal assertiva não pode ser considerada conclusiva.

Nesse
momento, você provavelmente já deve ter se perguntado: afinal de contas, vale a
pena comprar bitcoins ou não? Já estamos em uma bolha? Tendo estudado a
natureza do Bitcoin, suas vantagens em relação a outras moedas e buscado
refutar algumas das frequentes objeções, podemos, por fim, responder a essas
questões. No próximo artigo prometo acalmar todas as suas inquietações.

Leia aqui a quarta e última parte da série Bitcoin.

Artigo originalmente publicado em O Ponto Base


[1] A
objeção mais comum, e um tanto débil, é que, ao permitir o anonimato nas
transações, o Bitcoin seria bastante convidativo a traficantes,
bicheiros, cafetões e demais cidadãos de reputação não ilibada.
 Ao
governo, esse pode ser um tremendo problema, mas não sugere uma eventual
fragilidade da moeda digital.

Outra crítica comum, a qual normalmente advém ou de
leigos ou de economistas deficientes em teoria monetária, é que o Bitcoin
não tem lastro algum, nem mesmo do governo
. A verdade é que lastro estatal
não garante muita coisa; basta verificarmos a depreciação de todas as moedas
fiduciárias ao longo dos anos. Nem precisamos considerar as crises financeiras.
Sob outra perspectiva, a falta de lastro governamental é um problema que
depende da sua inclinação econômico-filosófica. Aos marxistas, keynesianos e
chicaguenses, isso de fato é uma debilidade; aos austríacos, uma grande
virtude. Esse raciocínio é igualmente válido para o ouro. Somente os austríacos
enxergam o valor da oferta inelástica do metal e o enaltecem por não ser
passivo de ninguém.

Alguns céticos também ficam apreensivos por não
saber quase nada sobre o criador (ou criadores) do Bitcoin, o invisível Satoshi
Nakamoto,
 nem mesmo a sua identidade verdadeira. Não posso negar a
imensa curiosidade que tenho. Mas para o futuro do projeto Bitcoin, isso é
totalmente irrelevante. Independentemente do que Nakamoto pensava, ou pensa, o
importante é que o código-fonte do sistema é aberto a todos e, dessa forma,
todos conhecem as regras do jogo, o seu algoritmo e seu funcionamento. Nada
mais depende de Nakamoto

[2] Seria
como afirmar que o real foi atacado porque alguns bandidos roubaram o cofre da
Agência da Av. Paulista do Banco do Brasil.

[3] Curiosamente,
a própria experiência do site de pagamentos em bitcoins Bitpay ilustra
muito bem essa afirmação. No começo, mais de 90% dos comerciantes, para os
quais oBitpay intermediava transações, solicitava receber em dólares
americanos. Atualmente, pelo menos a metade dos comerciantes tem preferido
manter saldos em bitcoins, sem jamais convertê-los em dólares.

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45 comentários em “Bitcoin: objeções e mais objeções (Parte 3)”

  1. Fernando, acredito que a indagação a respeito da não “intrinsequitude”, seja na verdade uma dificuldade de expressão dessas pessoas. Elas querem dizer que o bitcoin não teria uma utilidade (e existência, adendo meu) fora do meio circulante. Pois é justamente o fato do ouro possuir uma utilidade não-monetária e uma existência real/concreta fora do meio circulante, que permite às pessoas, inclusive, preservarem seu patrimônio fora do meio circulante (entesouramento). O ouro foi o terror dos bancos e dos Estados por conta disso.

  2. ‘A objeção mais comum, e um tanto débil, é que, ao permitir o anonimato nas transações, o Bitcoin seria bastante convidativo a traficantes, bicheiros, cafetões e demais cidadãos de reputação não ilibada. Ao governo, esse pode ser um tremendo problema, mas não sugere uma eventual fragilidade da moeda digital.’

    Como assim problema do governo? Então facilitar a vida de traficantes, pedófilos, etc, não é uma coisa que vai afetar toda a sociedade?

  3. Enquanto austríaco o autor desse artigo devia defender a competição entre as moedas, e não falar que o bitcoin é superior ao litecoin por ter sido o primeiro.Na área de tecnologia ser o primeiro não é grande coisa.A Microsoft lidera o mercado de sistemas operacionais pra tablets? A nintendo lidera o mercado de video games?
    Muito suspeito essa parcialidade já que economicamente todas as criptocurrencies são iguais.

    “mas em vez de depender de propriedades químicas, ele depende de propriedades matemáticas”

    Isso sim é um argumento débil, se é que chega a ser um, parece mais um jogo de palavras sem sentido típico de poetas e de gente sem muito contato com a realidade.
    Não existem ‘propriedades’ matemáticas, a matemática é uma linguagem, só a matéria tem propriedades.Se o que se quer dizer é que o valor está no que o código de um programa é capaz de executar, não faz diferença.O código de um programa é tão bom quanto os problemas do mundo real que ele resolve. Endeusar o código pelo código, mesmo que não tenha utilidade nenhuma é como endeusar o cara que passa a vida cavando um buraco pra depois enterrar.

  4. ‘Isso me faz perguntar: como o ouro conseguiu emergir como dinheiro, sendo que seu principal valor de uso séculos atrás era basicamente adorno e enfeite? ‘

    Qual o sentido de perguntar isso? Todo austríaco sabe a resposta, além da beleza natural ele emergiu por causa de suas características INTRÍNSECAS de não sofrer oxidação, não reagir com nada, e portanto ser capaz de durar pra sempre.Todos os outros ‘dinheiros’ tinham a desvantagem de sofrer algum tipo de deterioração.Até os gregos já sabiam disso.

    ‘E mesmo considerando seu uso industrial, estima-se que mais de 90% da demanda por ouro deriva de seu uso monetário.’

    90, 99, 10, esse número é irrelevante e esse cara sabe disso.O que importa é que pelo teorema da regressão o uso monetário só existe em um segundo momento.

  5. Muito boa a sua série de artigos, Ulrich.

    Só um comentário: para todos os efeitos práticos, perder as chaves privadas para tuas bitcoins equivale a destruí-las. Seria algo deflacionário, no sentido original do termo. É equivalente a destruir uma nota de dinheiro de papel.
    Óbvio que é insignificante como fenômeno, e, como você escreveu, pode ser considerado como uma “doação acidental” daquele que perde para todos os outros que possuem a moeda.

  6. [Off-Topic}
    Cientista preve queda de 60% em ações em 3 meses.

    http://www.moneynews.com/MKTnews/Market-Collapse-Predicted-By-Scientist/2013/03/13/id/494569?promo_code=13001-1

    Por favor, Ulrich e Leandro, alguma opinião a respeito de tal previsão apocalíptica e se caso real, quais seriam suas implicações para a economia dos Bitcoins?

    Apesar de ter sérias dúvidas de que tal previsão ocorrerá, uma valorização devido à fuga de capitais das bolsas para a proteção de encaixes e poupança no Bitcoin ou em ouro seriam resultados possíveis, certo?

  7. Essa questão do “valor intrínsico” e do teorema da regressão ainda não ficou bem clara pra mim. Por um lado, a explicação do Fernando me pareceu uma enrolação, algo que tornaria o teorema da regressão algo inútil: “por que o bitcoin tem um valor x hoje? Ora, porque ontem alguém o criou do nada e disse que ele valia x + dx!” (Sei que forcei um pouco a interpretação). Porém, por outro lado, até que faz sentido. Uma hora teremos que chegar em algum ponto no qual a valoração foi totalmente subjetiva. O primeiro ser humano a vender algo de ouro não tinha padrão nenhum para definir o preço. Dependia exclusivamente da sua subjetividade e da do comprador.

    Na minha cabeça, bitcoin continua sendo uma tulipa: “Hei, você quer trocar minha casa por isso?! Deve achar que estou maluco!” E todo o sistema desmorona. Mas pensando bem, tal raciocínio também não se aplicaria ao ouro? A diferença é que o “valor intrínsico” do bitcoin é zero, enquanto o do ouro é x > 0, sendo que x é bem menor que o valor do ouro moeda.

    Alguém se habilita a responder? Neto? Eduardo Bellani? Tiago Moraes? Andre Cavalcante? Tiago RC? Algum dos Grandes? Leandro? Chiocca? Ulrich?

    Desculpem por prováveis mancadas econômicas. Abraços.

  8. A meu ver, os Bitcoins são apenas mais do mesmo problema. Se comparado com moeda fiduciária, ele tem sim algumas vantagens, mas seria como comparar um câncer no fígado com um câncer no cérebro. Uma iniciativa dessas não pode ser tratada com a pretensão das coisas eternas, a ponto de se ouvir coisas como “Bitcoin é o ouro digital”, ou “mas em vez de depender de propriedades químicas, ele depende de propriedades matemáticas”.

    Num mundo indo pelo caminho de um governo mundial, será que dá para acreditar que uma iniciativa dessas, quando atingido seu status pretendido, teria a complacência dos poderosos de plantão? Seria difícil crer que tais “propriedades matemáticas” que sustentam o sistema seriam imunes a ação dos donos do petróleo, da mídia, dos bancos centrais, das redes de abastecimento de comida etc.

  9. Fernando, saludos desde España; estoy de acuerdo con tu análisis sobre Bitcoin, salvo en un aspecto que a mi entender es crucial y que el propio Mises destacó respecto del dinero; me explico : vamos a obviar el hecho de que pueden crearse “otros bitcoins” y vamos a suponer que Bitcoin tiene aceptación universal y por lo tanto logra la liquidez perfecta que caracteriza al dinero en la concepción Mengeriana y Misiana; ahora bien, el dinero, antes y después de su surgimiento como tal, como indicó claramente Mises es un bien económico; un bien tiene el carácter de económico “si y solo si” sus efectos resultan cuantitativamente limitados (una cantidad de causa produce una determinada cantidad de efecto); si sus efectos son ilimitados sería un bien libre y su utilidad marginal sería nula (un bien libre es la formula del café, que Mises pone como ejemplo en su obra “La Acción Humana” en el apartado donde demuestra “a priori” la Ley de los Rendimientos Decrecientes); es decir, la escasez de un bien económico es algo natural y físico en el sentido cuantitativo; el oro y la plata cumplen con esta condición; Bitcoin no la cumple, ya que depende de un sistema críptografico (hasta el momento no hay ninguno que no pueda ser descifrado) que lo hace artificialmente escaso y subordinado a la voluntad de los creadores del mismo (doy por supuesto que no puede ser saboteado por los Hackers, lo cual es mucho suponer); éste es para mi el gran defecto de Bitcoin; ¡SERIA COMO LA COCA- COLA DEL DINERO! EL MISMO ESTARIA EN MANOS DEL CRIPTOGRAFO ¿RESISTIRA ESTE LA TENTACION DE NO EMITIR DINERO PARA DETRAER RIQUEZA ,SIN COSTE ALGUNO PARA EL, DEL RESTO DE LA SOCIEDAD COMO HACEN LOS “FALSIFICADORES OFICIALES” ACTUALES?

  10. Eu não troco o dinheiro em forma física por um em forma digital, a não ser de forma forçada. No caso do Bitcoin, por exemplo, numa hipótese que ele venha no futuro a ser uma moeda escolhida pela maioria esmagadora das sociedades, e neste caso eu seria obrigado a também optar por ele, nessas condições eu seria obrigado a utilizar uma ferramenta tecnológica para transacionar.

    Isso me soa horrível o fato de existir essa possibilidade de ficar refém da tecnologia, de não poder fazer nada se não submeter a ela. Eu creio que provavelmente bilhões de pessoas ficariam privadas dessa moeda, pois são tantas as possibilidades de uma pessoa qualquer não poder utiliza-la em função de ser uma tecnologia.

    Enfim, creio que apesar de ter características positivas sob certos aspectos, ela tem uma vulnerabilidade insuperável que é estar disponível no mundo real das pessoas em carne e osso.

  11. Acredito que o principal é a experiência de uma moeda inelástica, de aceitação universal, possuindo várias formas de negociar com ela, num ambiente global , aberto e com a emissão de 1 bicoin a cada 2 minutos, faz com que quando, e se ela for amplamente aceita, ela será rigidamente anti-bolha especulativa, pelo menos no sentido clássico e histórico do termo, pois pelo simples fato de que serão emitidos 21 milhões de bitcoins até os anos 2100, e até lá, a população da terra estará em torno de 13 bilhões de habitantes, então podemos supor que sempre haverá gente disposta à trabalhar para as ter, isso explica o porquê quem já as tem, quase que instintivamente não as está convertendo novamente em papel-moeda.

    A lógica, diz que os valores ainda vão oscilar muito pois poucos usuários, que compraram muitos bitcois (exceto os mineradores), ainda estão muito nervosos com as incertezas dos botcoins, mas vai passar, quando eles perceberem que por mais que vendam tudo e as comprem novamente, os ganhos com a especulação vão diminuir pelo simples fato de que o interesse em “acumular bitcoins” será maior do que o de se desfazer deles.

  12. Se algum dia o bitcoin virar dinheiro, vai ser a prova prática de que Mises estava errado e que é possível sim criar dinheiro do nada. Então talvez o dinheiro do nada criado pelo governo, de uma forma controlada e não inflacionária não seja tão ruim assim

  13. Nilmar João dos Santos

    O valor da moeda se perde se ela não for aceita. Do que adianta eu ter em mãos um número pomposo de Bitcoins que não é aceito como pagamento, o Bitcoin é mesma coisa que uma moeda estrangeira, veja se alguém aceita Peso Argentino ou o Guarani, nem mesmo aqui perto da fronteira são moedas aceitas.

    As moedas comuns emitidas por governos tem sua obrigatoriedade de aceitação imposta por força de lei. O Bitcoin precisa da aceitação natural das pessoas como meio de troca, se não houver aceitação de troca ela não terá valor. Logo então quem não acredita na moeda e a tem nas mãos terá que se desfazer delas de alguma forma trocando por outra moeda, quem compra irá comprar acreditando que valorizará. Tudo vai depender sempre da aceitação do valor, não importa qual será a moeda.

    Mas tenho certeza que esta da tecnologia é uma ótima oportunidade para os estados de todo mundo criarem uma moeda única sem precedentes. Moeda esta reduziria os custos de transação no mundo de forma significativa. E tiraria a dependência do mundo do dólar como moeda de referência e muitos países poderiam controlar de forma conjunta e transparente a emissão de moeda de forma global. Certamente esta moeda não será o Bitcoin.

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