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Bitcoin: vale a pena comprar bitcoins? (Parte Final)

Chegamos finalmente à última parte da série Bitcoin. Neste artigo, tratarei do mercado Bitcoin atual, dos desafios ao avanço da moeda digital, bem como da pergunta do título. Com certeza, poderia ter oferecido a resposta a essa questão já na primeira parte da série, o que possibilitaria que alguns aproveitassem uma forte queda na cotação da moeda, especulando no curto prazo.

A verdade é que posterguei lidar com o preço do bitcoin propositalmente. Por um lado, porque era fundamental compreender a essência do projeto, sua natureza e seu funcionamento. Por outro, porque não queria instigar ninguém a lançar-se em aventuras especulativas com a moeda digital — definitivamente, esse não é o seu propósito.

Ademais, e ainda que possa intrigar a muitos, o seu preço é, neste momento, praticamente irrelevante. Portanto, já adianto que a resposta é sim, sem dúvida alguma vale a pena comprar bitcoins. Mas para entender o porquê, é preciso ler o artigo na íntegra e com muita atenção.

Uma falsa dicotomia, uma nova classe de ativos

Se lhe pareceu haver uma dicotomia entre bitcoins e outras moedas, é preciso um esclarecimento. Ainda que possa ter transmitido essa ideia ao explicar a natureza da moeda digital e compará-la às moedas fiduciárias e ao ouro, a intenção foi meramente de realçar o contraste entre as diferentes moedas disponíveis no mundo. Em realidade, é preciso enxergar o Bitcoin não como mutuamente excludente, mas sim como complementário às formas de dinheiro até hoje existentes.

É verdade que não podemos saber se o Bitcoin irá perdurar. Não sabemos se sobreviverá outro ano, ou uma década. Mas arrisco dizer que uma moeda digital (ou criptomoeda) veio para ficar. "O preço do Bitcoin pode até colapsar, e os usuários podem repentinamente migrar para outra moeda", escreveu a revista Britânica The Economist em artigo sobre o Bitcoin, "mas há grande probabilidade de que alguma forma de dinheiro digital deixará uma marca duradoura no ambiente financeiro".

Como analisamos em detalhe nos artigos anteriores, há inúmeras vantagens que fazem de uma moeda digital um excelente complemento no meio financeiro. No seu atual estágio, o Bitcoin já representa uma substancial redução nos custos de transação. Portanto, independentemente de ele vir a algum dia tornar-se dinheiro (meio de troca universalmente aceito), já atua como um meio de troca secundário. Dessa forma, poderíamos considerar o Bitcoin o precursor de uma nova classe de ativos: a das "moedas digitais". E como está a precificação do ativo Bitcoin?

Preço e volatilidade

Bitcoin está caro ou barato? Não sei. Ninguém sabe. O ponto fundamental não é se 1 BTC vale 100 ou 30 dólares, mas sim que o preço de uma unidade bitcoin está acima de zero, e isso, por si só, já é surpreendente. O simples fato de a moeda digital ter um preço e estar sendo utilizada por indivíduos em intercâmbios é sensacional.

Estamos ainda na infância do experimento Bitcoin. A cotação de um bitcoin em relação a outras moedas, ou o seu preço, é algo que está sendo descoberto pelo mercado, e não podemos prever a sua evolução. E ainda que, pelo lado da demanda, não saibamos como ela evoluirá, ao menos do lado da oferta não seremos surpreendidos por súbitos aumentos na quantidade de bitcoins em circulação.

É claro que a alta volatilidade testemunhada há algumas semanas complica a vida dos usuários de bitcoins — e talvez facilite a dos especuladores —, e é por esse fator que, quanto maior o número de aderentes, mais benéfico será para o avanço da moeda digital. Mas não interprete esse argumento como um convite à especulação. Quanto mais indivíduos aderirem e utilizarem a moeda, maior será sua liquidez. Quanto mais liquidez, menor tende ser a sua volatilidade e aceitação no mercado. No entanto, e aqui está o aviso, uma maior liquidez não necessariamente significa um preço maior.

bubble-shutterstock-djordje-radivojevic-ubj-copy-580.jpgAlguns afirmam tratar-se apenas de uma nova bolha que em breve vai estourar levando seus usuários à ruína. Será que estamos presenciando uma bolha de fato? Pode ser que sim. Pode ser que não. Não sabemos. Mas uma bolha especulativa em si não é um fator preponderante ao avanço e futuro do Bitcoin. A bolha da internet no início dos anos 2000 não decretou o fim da internet, e a mania das tulipas, séculos atrás, tampouco fez a lilácea desaparecer do mercado.

De certa forma, o preço de uma unidade BTC é irrelevante. A questão-chave é que a moeda digital tem verdadeiras vantagens comparativas, oferecendo excelentes serviços de pagamentos e reduzindo de forma significativa os custos de transação. Como diz Tony Gallipi, sócio do site de pagamentos BitPay, "Bitcoin é simplesmente a maneira mais fácil até hoje inventada de enviar dinheiro de A para B".

Mercados e desafios

Atualmente, a principal referência do preço de mercado da moeda digital é originada na casa de câmbio (exchange) Mt. Gox, responsável por cerca de 60% do volume total transacionado em bitcoins. Esse percentual já foi mais de 90%, mas em poucos meses novas empresas desbravaram o mercado, concorrendo fortemente nesse serviço.

As casas de câmbio, essenciais no progresso e desenvolvimento do Bitcoin, são o ponto de contato das moedas fiduciárias com o mundo Bitcoin. Por essa razão, são presas fáceis e óbvias aos ataques dos governos e reguladores — possivelmente, são o elo fraco do ecossistema Bitcoin.

Isso fica evidente quando analisamos a mais recente regulação do governo norte-americano, FinCEN, cujo efeito prático tem sido o de atravancar ou até mesmo impossibilitar empresas start-ups de operarem no mercado Bitcoin. A consequência não intencionada pelo governo dos EUA é a concorrência jurisdicional que essa medida tem gerado. As casas de câmbio estão baseadas nas mais diversas localidades – o Mt. Gox, por exemplo, tem seu domicílio fiscal no Japão –, e todo  tipo de legislação em que o intuito seja o de coibir de alguma forma o avanço de empresas nesse mercado conduzirá os empresários a buscar refúgio em outras jurisdições.

Outra complicação tem sua origem no próprio sistema bancário. No Canadá, por exemplo, duas casas de câmbio tiveram suas contas bancárias congeladas, repentinamente e sem esclarecimentos. Isso impossibilitou a continuidade normal de suas atividades. Vale ressaltar, contudo, que derrubar tecnologicamente alguma casa de câmbio, ou forçar legalmente o seu fechamento, em nada afeta a resiliência da rede Bitcoin. Mas com certeza impõe algumas complexidades adicionais à rápida adoção da moeda digital por parte de usuários e grandes comerciantes.

Uma vez que compreendemos o potencial revolucionário do Bitcoin, torna-se claro que não poderíamos esperar nada diferente de governos e bancos. Por esse motivo, talvez o futuro das casas de câmbio não esteja no modelo tradicional e mais evoluído — em que há um servidor central —, mas sim em casas de câmbio peer-to-peer. Da mesma forma como a rede Bitcoin é descentralizada, e por essa razão não pode sofrer ataques de governos, é preciso fazer com que a compra e venda de bitcoins com moedas fiduciárias ocorra de forma descentralizada, longe do alcance de legislações nocivas.

Embora as regulações desestimulem o investimento no setor, é notável o fato de finalmente termos nomes sérios da indústria de venture capital injetando dinheiro pesado no desenvolvimento de start-ups Bitcoin. A Union Square Ventures, cujo portfólio engloba empresas como Twitter, Zynga e Kickstarter, acaba de anunciar o maior investimento da história do projeto, investindo 5 milhões de dólares na Coinbase, empresa com sede em São Francisco, Califórnia.

Notável também é a menção à moeda digital feita por Bill Gross, CIO da Pimco, em sua última carta mensal. Ainda que em tom irônico, a mera referência ao Bitcoin pela maior gestora de títulos soberanos do mundo, com mais de US$2 trilhões de ativos sob gestão, é algo revelador. Bitcoin está atraindo cada vez mais observadores. Já não pode ser mais rejeitado como uma insignificante empreitada geek.

Se no mundo desenvolvido Bitcoin está na sua infância, no Brasil o projeto ainda engatinha. Mas há cada vez mais interessados em abrir casas de câmbio e cedo ou tarde gente séria estará investindo bastante capital nesse setor aqui no Brasil também. E em outros países emergentes a moeda tem ganhado cada vez mais espaço. Na Ásia, os chineses parecem ter finalmente despertado o interesse pela moeda digital. Imaginem o impacto que uma adoção maciça pelos chineses pode ter na evolução do Bitcoin.

Sem dúvida alguma, o experimento enfrentará enormes obstáculos ao longo do percurso. Haverá volatilidade, bolhas e quedas, exchanges serão fechadas, outras quebrarão, e novas formas de usar a moeda surgirão. O livre mercado certamente saberá contornar os percalços e progredir. A inata capacidade criativa do ser humano é o motor do progresso, e nela reside meu otimismo em relação ao futuro da moeda digital.

Mas agora é preciso explicar claramente por que julgo valer a pena comprar bitcoins.

Tirania monetária

Sim, a moeda digital criada por Satoshi Nakamoto proporciona enormes vantagens comparativas em relação às demais moedas fiduciárias. Mas Bitcoin não é apenas uma forma de realizar transações globais com baixo ou nenhum custo. Bitcoin é, em realidade, uma forma de impedir a tirania monetária. Essa é a sua verdadeira razão de ser.

O entorno do surgimento da moeda digital não foi nenhuma coincidência. Bitcoin emergiu como uma resposta natural ao colapso da atual ordem monetária, à constante redução de privacidade financeira e a uma arquitetura bancária cada vez mais prejudicial ao cidadão comum. Governos não podem inflacionar bitcoins. Governos não podem apropriar-se da rede Bitcoin. Governos tampouco podem corromper ou desvalorizar bitcoins. E também não podem proibir-nos de enviar bitcoins a um comerciante no Maranhão ou no Tibet.

Imaginem um mundo sem inflação, sem bancos centrais desvalorizando o seu dinheiro para financiar a esbórnia fiscal dos governantes.[1] Sem confisco de poupança. Sem manipulação da taxa de juros. Sem banqueiros centrais deificados e capazes de dobrar a base monetária a esmo e a qualquer instante para salvar banqueiros ineptos que se apropriaram dos seus depósitos em aventuras privadas. A verdade é que o Bitcoin, ou o que vier a substituí-lo no futuro, poderá remover os bancos dos banqueiros e o dinheiro dos governos. Por isso, não espere nenhuma boa vontade dessa dupla simbiótica em relação ao Bitcoin.

A internet nos permitiu a liberdade de comunicação. O Bitcoin tem o potencial de devolver nossa liberdade sobre nossas próprias finanças. Bitcoin é a internet aplicada ao dinheiro.

Portanto, criem suas carteiras, comprem alguns bitcoins e familiarizem-se com a nova tecnologia. Quanto mais indivíduos empregarem a moeda, quanto maior a sua aceitação no mercado, maiores serão suas chances de sucesso.  Mas deem atenção ao aviso de Gavin Andresen, desenvolvedor líder do projeto:

"Somente invista o tempo e o dinheiro que você pode perder, pois o Bitcoin ainda é um experimento. Quanto mais ele perdure apesar de toda volatilidade e problemas técnicos, mais saberemos. Mas a confiança requer tempo."

Aos economistas, deixo um recado: estudem a moeda digital a fundo. Não a desmereçam pela simples aparência virtual. De fato, o Bitcoin tem forçado os estudiosos da teoria monetária e bancária a revisitar conceitos que pareciam estar completamente compreendidos e superados. Temos uma oportunidade ímpar de refinarmos a teoria acerca dos fenômenos monetários.

Àqueles que prezam a liberdade, reitero que, pela primeira vez na história da humanidade, a possibilidade de não dependermos de nenhum órgão central controlando nosso dinheiro é real e está se desenrolando nesse exato instante diante de nossos olhos. À liberdade individual e ao desenvolvimento da civilização, as consequências desse arranjo são extraordinárias e sem precedentes. Dinheiro honesto é uma questão sobretudo moral e basilar para qualquer sociedade que almeja a paz e a prosperidade. E é precisamente essa a essência do experimento Bitcoin.

Em 2008, Satoshi Nakamoto supostamente teria dito que o Bitcoin "é muito atrativo do ponto de vista libertário, se conseguirmos explicá-lo adequadamente. Mas infelizmente sou melhor com código de programação do que com palavras".

Espero que esta série tenha ajudado a explicar um pouco melhor em palavras o significado revolucionário dos códigos do Bitcoin.


Artigo originalmente publicado em O Ponto Base



[1] Em países onde a desordem financeira e os crimes contra a moeda são patológicos, os cidadãos já estão empregando bitcoins como reserva de valor. Na Argentina já é preferível estar sujeito à volatilidade da moeda digital do que à volatilidade do humor da Sra. Kirchner.



autor

Fernando Ulrich
é mestre em Economia da Escola Austríaca, com experiência mundial na indústria de elevadores e nos mercados financeiro e imobiliário brasileiros. É conselheiro do Instituto Mises Brasil, estudioso de teoria monetária, entusiasta de moedas digitais, e mantém um blog no portal InfoMoney chamado "Moeda na era digital". Também é autor do livro "Bitcoin - a moeda na era digital".

 

  • Carlos Marcelo  12/05/2013 04:11
    Vejam só o nível da crítica deste texto: é ruim pq não é de curso forçado e incentiva a deflação. estadao.br.msn.com/link/o-bitcoin-e-a-grande-ilus%C3%A3o-do-dinheiro
  • Fernando da Silva  12/05/2013 07:06
    Muito esclarecedora a série de artigos. Deixar de ser roubado pelos governos, isso é Bitcoin.
  • telmo  24/02/2014 17:28
    não li pois é muito extenso, mas pelos comentários, ja percebe-se o que se comprova ela surgiu das cinzas a deep web, para terminar com as pessoas que sed gabam que faturaram bilhões a cada ano, pelo menos aqui no sul é assim, fazem greve dos bancários pq nem os funcionários aguentam a submissão, ta na hora de governo aprender, muitos municípios criam moedas locais para continuar com a economia em desenvolvimento, quando perguntarem desta mineração e criticarem perguntem como anda o EURO ou o que é o EURO, onde muitos ganham com esta moeda criada para ser usada em conjunto com as demais moedas, e mesmo assim roubam, e os países que não se adaptaram ou simplesmente foi o resultado da ponta da corda que arrebentou no mais fraco, moeda criptografada é o futuro, hoje e sempre. investir em maquinário é como se você investi-se em martelo e dinamite para descobrir mair ouro, e quando este ciclo terminar pode ser minerado outra moeda e assim por diante, chegará o tempo que empresas de farmácias industrias químicas, iram pagar para minerar códigos para descobrir uma doença, formulas para tudo o que é tipo de coisa, e so com super computadores, e mesmo assim hoje os maiores super computador nas no ticas da internet são junto 0,5% da potencia das pools. então gente sigam em frente e ignorem pois a Serra Pelada agora que esta dando lucro, e quando acabar e passar a um novo estagio, sera Serra Leoa a moeda que tiver mais valor, Ouro, bitcoin, diamante o litecoin(mais criptografia) depois as menores, prata, bronze.... e não pense que não é trabalho, dedicamos nossas ferramentas, energia para isso, e isso é trabalho, não precisamos fazer negocio entre duas pessoas, e ter que pagar a uma 3° como cartório para validar a negociação, nem taxas nem participação, pois nem os bancos pagam as participações do lucro de acordo como teria que ser.... eles são elite e por isso são minoria, prova disso são os milhões que saíram a rua ano passado onde tiveram que ludibriar quem estavam a frente do protesto para o governo normalizar a situação, pois policia não havia o suficiente para bloquear todo mundo... #naredesomosmaisfortes. quando falarem que esta moeda é bolha, pergunte sobre as moedas que todo pais sempre cria de tempos em tempos...e diga, é realmente é bolha vai terminar, mas outras vão chegando, e mais uma coisa, concorde com ele, e siga sua vida, ninguém manda em ninguém. sobrevive os mais fortes.
  • Edna  27/12/2016 23:47
    Não leu por ser extenso e escreveu um comentário enorme...
  • victorf  30/05/2017 20:48
    Então leia esse comentário curto: o teu não foi lido.
  • anônimo  12/05/2013 09:36
    o autor sugere casas de câmbio p2p mas não explica o que é isso nem como isso vai ser possível.Eu gostaria de saber como ia ser esse milagre.Como é que alguém ia distribuir por ex reais em uma rede p2p? Não dá pra comparar com música por exemplo, música já é digital. Como alguém ia receber seus bitcoins é fácil, mas e os reais? Se fosse fácil transferir reais pela internet, com p2p ou com um servidor centralizado ou com o que quer que seja, não haveria nem motivo pro bitcoin existir.
  • Paulo  13/05/2013 10:03
    Bem,

    Sintéticamente, uma "Casa de câmbio" p2p seria algo assim: cada ponto de uma rede social, no caso nós, provido de software (uma app) com o algorítimo adequado, pode exercer a função de cambista, independente de um comando&controle centralizador ou de um papel definidor de uma prática "estatal".
    No cotidiano seria algo assim: Estou na Alemanha com o meu smartphone geolocalizado e tenho um saldo em bitcoins, dentro de uma mídia social, dentro da internet. Comunico minha necessidade em euros à rede e um outro nó me comunica que está a duas quadras e que executará o câmbio.

    Só isso! Todos os nós de uma rede são potencialmente cambistas.

    Imaginou o potencial de gente desempregada? :)
  • Julio Heitor  13/05/2013 15:12
    Excelente explicação Paulo!

    Quando tudo for descentralizado, permitindo que qualquer indivíduo possa ser cambista em potencial, a nossa escravidão financeira acabará.

    Só me pergunto se o BitCoin, usando o mesmo raciocício para os cambistas, impediria os governos de cobrar impostos dos indivíduos.
  • Paulo  13/05/2013 16:40
    Julio,

    A resistência à inovações, em qualquer campo do comportamento humano, sempre foi grande e isso não mudará. Então, a resposta óbvia da maioria dos libertários, seria que governos ficariam sim, num primeiro momento, impedidos de cobrar impostos. Só que a criatividade humana, inclusive para adaptar novas tecnologias às necessidades dos modelos de abstração de poder, também pode criar sua bitcoinNation, com um algorítimo que dê rastreabilidade e funcionalidade necessárias à cobrança de impostos, mantendo as características inovadoras da moeda eletrônica que sejam convenientes ou não conflitantes à manutenção do status quo.
  • Julio Heitor  13/05/2013 17:30
    Paulo,

    o problema que vejo em o governo tentar criar uma BitCoinNation é o seguinte: Como o governo irá obrigar o indivíduo a trocar suas BitCoins por BitCoinNations?

    Partindo do principio que o BitCoin usa criptografia para garantir a privacidade, o governo jamais conseguiria saber se todos os indivíduos já fizeram a conversão para BitCoinNation.

    É exatamente essa privacidade conciliado com a descentraçização que impede, por exemplo, do governo fechar um site como este pelo qual nos falamos. Assim que este fosse fechado, outro estaria no ar no dia seguinte.

    Ou seja, o monopolio da informação acabou no dia em que criaram a internet.

  • Dagny Taggart  13/05/2013 22:51
    Cuidado, eles podem tirar a internet de vocês: e.g. Venezuela, Cuba, países africanos e orientais. Busque alternativas para o benefício da internet não morrer, ou será tarde demais.
  • Julio Heitor  14/05/2013 13:51
    Tomara que façam isso. Assim ficará claro para a população que o governo nada mais é do que uma ditadura disfarçada.

    As coisas mudarão muito mais rapidamente quando eles proibirem a internet.
  • Paulo  14/05/2013 19:29
    Julio,

    Não sei se governos precisariam ou conseguiriam obrigar o indivíduo na tomada de uma decisão excludente. Logicamente, dependendo de cada nação, isso pode ocorrer, mas temos que admitir que muitos poderão entrar na onda e surfar numa nova economia. Assim, seriam moedas concorrentes, mas lógico, tem gente que não vai querer descer para o playground.

    Quanto mais a internet se imbrica na economia, mais ela se torna essencial para a estabilidade almejada por governos e paradoxalmente, menos poder será demandado dos próprios governantes. Na minha visão, isto já está num estado simbiótico tão elevado que fica difícil para estados-nação, com alto grau de desenvolvimento, saírem agora desligando a rede.

    Como curiosidade, acho que com estas duas notícias compõe-se um quadro melhor da destruição criativa da "moeda" que podemos estar assitindo:

    Bitcoin 2.0: Can Ripple Make Digital Currency Mainstream?

    www.scientificamerican.com/article.cfm?id=bitcoin-20-can-ripple-make-digital-2013-05

    State of Iowa partners with Dwolla for electronic payment options

    blogs.desmoinesregister.com/dmr/index.php/2013/01/22/state-of-iowa-partners-with-dwolla-for-electronic-payment-options/article?nclick_check=1
  • Julio Heitor  14/05/2013 20:55
    Paulo,

    legal os artigos que voce mencionou. A questão que voce levantou é chave. Se os governos quiserem sobreviver, terão que concorrer com as demais moedas. A ausencia de obrigatoriedade em usar a moeda governamental permitirá a redução gradual, e quem sabe a extinção de governos ineficientes.
  • victorf  30/05/2017 20:52
    Olá de 2017,

    Eis o market cap das maiores casas de câmbio ("exchanges") do mundo

    coinmarketcap.com/exchanges/volume/24-hour/
    1. Poloniex (EUA) - $578,125,291
    2. Bithumb (Coreia) - $377,535,210
    7. Bitfinex (Hong Kong) - $135,331,158

  • fred  12/05/2013 11:44
    O Instituto Mises já poderia estar aceitando bitcoins...
  • Breno Almeida  13/05/2013 22:34
    Provalmente seja crime no Brasil aceitar bitcoins diretamente, já que a constituição obriga o uso do Real. Para se aceitar bitcoin no Brasil deve ser necessário alguma empresa que converta os Bitcoins em Real e deposite o Real na conta do Instituto Mises.
  • Dagny Taggart  13/05/2013 22:46
    Fiquem de olho nesse cara aqui: ele pode proclamar independência ou morte.
    www.mercadobitcoin.com.br/
  • Julio Heitor  14/05/2013 13:57
    Me corrijam se eu estiver errado mas, esse seria um caso parecido com o MegaUpload?

    Se o Mises aceitar pagamento em BitCoin, mesmo contra a constituição, o governo tentaria prender o dono do site.

    O site poderia ser hospedado, do dia par a noite, em outro servidor e continuar operando. Os pagamentos continuariam sendo feitos normalmente.

    A midia passaria a noticiar a prisão deliberada do dono do site e o governo, se não quisesse se desgastar teria que solta-lo mais cedo ou mais tarde.

    Se todos os estabelecimentos virtuais ou não fiserem isso, o governo teria que prender a todos, o que seria inviável e, após algum tempo, este mesmo governo teria que aceitar a nova moeda....ou então decretar abertamente uma nova ditadura e ir à caça às bruxas.

    Seria esse um caminho possível caso o BitCoin realmente ganhe força?
  • Breno Almeida  14/05/2013 16:26
    Junior,

    Não há razão para crer que o governo brasileiro tenha qualquer problema com o uso indireto de bitcoin. Para o governo brasileiro bitcoin é como qualquer outra moeda estrangeira. Pode ser que até tenha alguma maluquice, no Brasil não dá para confiar muito.

    Mas é improvavel que tenha qualquer conflito. Dúvido muito até que o uso direto do bitcoin chamaria atenção para alguma ação do governo. O problema maior é necessidade de organizações devidamente registrada no Brasil seguir a lei. Se você registrou porque desobedecer a lei? Se o objetivo é desobedecer então melhor não registrar.

  • anônimo  14/05/2013 18:14
    ' e o governo, se não quisesse se desgastar teria que solta-lo mais cedo ou mais tarde.'

    Meu filho vc anda vivendo em que planeta? Você quer um governo mais desgastado que esse aqui? Roubo após roubo e você acha que alguém liga? O governo pode fazer QUALQUER COISA e não acontece NADA, estamos quase em uma ditadura petralha e ninguém faz nada, basta ter o apoio da maioria de idiotas úteis e pronto.
    E isso não vai mudar tão cedo.
  • Eliel  12/05/2013 14:30
    Eu, particularmente, acredito no Bitcoin. Após ler esse artigo do Fernando, ponderado em seus argumentos , prós e contras, minha crença ganhou novos horizontes. Vou mais além: acredito que o BTC poderá servir de base para uma Unidade de Valor Virtual, a UVV, que todo cidadão, de um estado mínimo, decorrente do Princípio de Subsidiariedade (1), possa ter uma renda mínima que surge e desaparece todo dia, disponível a cada 24 horas, dependendo apenas do cidadão correr atrás. Não haveria mais impostos. Poderá haver desemprego de mão de obra em suas várias modalidades, mas não ausencia de renda. Os bancos remanescentes ofertarão suas próprias moedas no mercado Free Banking (2) como "Unidades Reais de Valor", ou URV´s (3). O "quarto poder" do Brasil, o MPU (4), poderá vir a ser esse estado mínimo, eliminando assim a necessidade, onerosa, ineficiente, corrupta, sociofacista, egoísta, ... , dos demais poderes. O senado seria extinto. E a Constituição permitirá tal mudança? Ora pois, se nem o BTC querem permitir!
    Lembram-se, o que nos conta a história, da "ilusão" (5) do enciclopedistas do iluminismo francês de um mundo sem Monarquia? A história não se repete, mas rima.
    (1) - pt.wikipedia.org/wiki/Subsidiariedade
    (2) - en.wikipedia.org/wiki/Free_banking
    (3) - pt.wikipedia.org/wiki/Unidade_Real_de_Valor.
    (4) - www.mpu.gov.br/
    (5) - estadao.br.msn.com/link/o-bitcoin-e-a-grande-ilus%C3%A3o-do-dinheiro
  • Paulo  13/05/2013 02:21
    Começaram a adotar numa escala maior, agora para transações do cotidiano. Vamos ver como o estado-nação se comporta.

    exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/bairro-de-berlim-cria-economia-baseada-em-bitcoins
  • Rodrigo  13/05/2013 13:14
    Leandro,

    Fugindo do assunto deste artigo, gostaria de te fazer uma pergunta. Para um austríaco, este papo de indexação faz sentido?

    um abraço
  • Leandro  13/05/2013 14:42
    Não vejo grandes problemas com ele, desde que devidamente entendido e contextualizado.

    Por exemplo, se um pequeno empresário começa a sentir que a inflação de preços veio para ficar, ele começará a remarcar seus preços sempre de acordo com a inflação de preços do mês passado. Esse ciclo de retroalimentação irá durar enquanto a expansão da oferta monetária persistir. Caso a expansão monetária seja interrompida, chegará um ponto em que o aumento de preços fará apenas com que haja uma redução na demanda. Afinal, se a quantidade de dinheiro na economia está constante, mas os preços continuam subindo, então o efeito geral será uma redução na renda real das pessoas. Por conseguinte, haverá uma redução nos gastos e uma estagnação econômica.

    Em suma, indexação é um fenômeno que dura somente enquanto estiver havendo expansão monetária. Interrompa a expansão monetária e a indexação será quebrada -- caso não seja, haverá uma recessão grega e espanhola (países em deflação monetária e com inflação de preços).
  • Pupilo  14/05/2013 12:11
    O que seria "minerar" bitcoins?
  • Ricardo  14/05/2013 12:36
  • Antonio  15/05/2013 21:48
    Caros,

    Entendo que o maior risco do bitcoin é a criminalização do seu uso. Enquanto estiverem apenas tentando tributar, regular corretores, tudo bem. E se a maior parte dos governos criminalizar o uso do bitcoin? Isso teria grande impacto, pois empresas não poderiam aceitá-lo como meio de pagamento, e ele só poderia existir na economia informal. Infelizmente, creio isso será a tendência, pois representará perda de poder para o Estado, uma vez que não poderá fazer uso do imposto inflacionário e perderia muita arrecadação de tributos.


  • Wagner  16/05/2013 18:33
    Fresquinho do Twitter:
    "Is the U.S. govt trying to destroy Bitcoin? Mt. Gox Bitcoin assets seized." Kim Dotcom.

    Cópia do mandato:
    https://www.documentcloud.org/documents/701175-mt-gox-dwolla-warrant-idg-news-service.html
  • Andre Cavalcante  15/05/2013 23:04
    Antônio.

    Está errônea a sua afirmação. O governo pode sim tributar bitcoins. Basta criar impostos sobre as transações financeiras realizadas por intermédio de instituições sob a sua jurisdição, por exemplo bancos e casas de câmbio. Também pode tributar sobre a renda, na fonte, caso o empregado receba em bitcoins. E também pode tributar sobre o consumo exigindo um tibuto por bem ou serviço vendido no país, não importando a moeda em que o pagamento seja feito, ou seja, pode até tributar em reais mesmo em pagamentos com bitcoins.

    O maior risco do bitcoin não é o estado, mas o mercado. Se não houver uma adesão maciça dos vendedores de produtos e serviços para aceitar a moeda, então ela de nada vai adiantar.

    A maior vantagem da moeda é a sua inflação controlada - e depois deflação, o que por si só já arrebentaria com os governos em caso de adoção maciça da moeda. Outra brutal vantagem é a possibilidade de internacionalização da transação, aí sim deixando os governos de lado.

  • Andre Cavalcante  16/05/2013 13:47
    Só completando, Bitcoin, como uma moeda alternativa já é proibida. A única moeda permitida em circulação no Brasil é o Real.
  • Tiago RC  16/05/2013 14:47
    Você tem certeza disso?
    Em Foz do Iguaçu, lojas aceitam pagamentos em 4 moedas diferentes (real, dólar, peso argentino, guarani). Seria privilégio de cidade de fronteira?

    Não acho que seja ilegal aceitar outra moeda que não seja o Real. Até porque existem essas moedas locais, e me parece radical proibir o escambo. Acho que o único detalhe é que os impostos serão cotados e cobrados em reais, mas até aí, é igual no mundo inteiro com suas respectivas moedas governamentais.

    Mas bom, não sou advogado.
  • Andre Cavalcante  16/05/2013 17:27
    "Você tem certeza disso?"

    Exceto em algumas áreas de fronteira, a moeda oficial do país é o real. Não é permitido a ninguém manter saldos em dólares, por exemplo, nem transacionar em dólares ou quaisquer outras moedas.

    Bitcoin, por hora, é tolerado porque é encarado como forma de escambo (como se uma transação monetária não o fosse, kkk!) e troca entre agentes é impossível de ser monitorada.
  • Tiago RC  17/05/2013 12:15
    André, sei que bancos não podem abrir contas em outras moedas.
    Mas não acho que seja proibido transacionar em qualquer coisa que seja, inclusive outras moedas. O real ser "moeda oficial" faz com que qualquer troca que não envolva reais seja "oficialmente escambo" e escambo não é proibido. Como já disse, conheço quem vendeu uma casa e parte do pagamento foi um carro. Tudo isso feito oficialmente.

    Mas enfim, repito, não sou advogado.
  • andre  20/05/2013 23:19
    Impossivel?
  • Tiago RC  16/05/2013 14:51
    Acrescentando: tenho certeza de que até alguns anos atrás ao menos o escambo não era proibido, pois conheço praticou escambo numa venda de imóvel reconhecida por cartório (parte do pagamento veio na forma de um carro).

    Se escambo não é ilegal, então aceitar Bitcoin ou qualquer outra coisa como pagamento também não é.
  • anônimo  16/05/2013 15:13
    Tiago, sempre pensei como você neste caso. Aí me pergunto se os libertários - entre os quais me incluo - não estão excessivamente passivos às regras impostas pelos estatistas, não negociando em ouro e prata, ou desenvolvendo moedas paralelas nestes metais, como era o caso do Liberty Dollar. Talvez seja a hora de começar a desafiar o inimigo.
  • Paulo  16/05/2013 16:52
    O que é "ilegal" André? Circulando no Brasil, existem várias moedas, só que são "locais" e na virtualidade do "local" de uma internet, toda a legislação atual se mostra obsoleta.

    exame.abril.com.br/economia/noticias/brasil-tem-cerca-de-70-moedas-alem-do-real

  • anônimo  16/05/2013 17:17
    Pois é, Paulo. Existem várias moedas em paridade com o Real. Oras, por que não moedas em paridade com o ouro, este é cotado em Real, também!?

    Acho que isto tudo só vem para questionar a irracionalidade da lei que estabelece o monopólio da moeda ao estado. Não só é problemático economicamente, isso simplesmente não faz sentido, não tem sustentação lógica.
  • Neto  16/05/2013 17:37
    A maioria dessas moedas alternativas são moedas 'sociais' sustentadas pelo governo ou por ONGs.
  • Paulo  16/05/2013 18:39
    Neto,

    O "social" da moeda, nestes casos, é uma alavancagem oculta na localidade desta moeda, basada na elisão fiscal.

    :)
  • Paulo  16/05/2013 18:21
    Ou para demonstrar que o racionalismo sobre a abstração de lastrear moedas em metais só por estes serem escassos (outra abstração), talvez tenha desconsiderado que ter uma "sustentação lógica" dentro do comportamento humano, simplesmente não faz o menor sentido lógico. Em suma, o ser humano pode conviver com qualquer abstração de valor dentro da economia de mercado, desde que ele tenha uma fé, que é a expressão máxima do irracionalismo. Fazer o quê, diante de uma possível constatação empírica?

    Pois é, tem muito libertário e anarquista que trata Silvio Gesell como um pirado. Sempre achei que ele foi um tipo de visionário quando conceituou sobre o dinheiro-free. Pode ser que tenha chegado a hora de revisar seu legado em "The Natural Economic Order".
  • anônimo  08/08/2013 13:03
    Paulo, tenho uma novidade pra você, fé não enche barriga nem cura doenças.
  • Paulo  09/08/2013 00:12
    Sério? E eu achando que a exploração da "fé" matava a fome de padres, pastores e afins e que o estudo científico do placebo religioso em curas "milagrosas" era mais sério que a canonização de Madre Teresa de Calcutá! :)

    Mas, explica isso numa seita religiosa de fanáticos qualquer. Depois, se objetivamente sobreviver, leia a ironia desta situação bizarra, aonde Hayek teria que rever muito do exposto como "solução" em sua proposta de "Desestatização do Dinheiro", principalmente quanto à necessidade de lastro patrimonial para se configurar a fidúcia das moedas concorrentes.

    Daí estarmos falando também de fé em um algorítimo que gera escassez de uma "meio" de troca numa plataforma em rede P2P.

  • anônimo  09/08/2013 12:19
    Paulo, isso aí não cola, você sabe muito bem qual tipo de fé eu estava me referindo.
    Fé no sentido de acreditar por acreditar, acreditar irracionalmente não é exclusividade das religiões e todo mundo sabe disso.
  • anônimo  09/08/2013 12:28
    E eu também não falei de 'exploração' de fé coisa nenhuma, isso foi ima invenção sua.
    O que eu disse é que a FÉ sozinha não consegue transformar uma pedra num pedaço de pão.
    Se você tiver fé que a pedra vai matar sua fome, você só vai quebrar a cara. É uma coisa idiotamente óbvia, que os bitcoinzistas fingem que não entendem.Como o Tiago RC vive repetindo, eles acham que TUDO é uma questão arbitrária, tudo é uma questão de fé, porque somente assim conseguem justificar a vontade deles de que os outros troquem bens da economia real, com características reais e que resolvem problemas reais, pelo monte de nada que é o bitcoin.
  • anônimo  08/08/2013 13:09
    www.wired.com/wiredenterprise/2013/08/court-says-bitcoin-is-money/

    The government has not laid down regulations for digital currencies, but it has begun to crack down on Bitcoin (...)
    In May, it froze two (real world) bank accounts that belonged to major Bitcoin exchanges.
  • Andre Cavalcante  16/05/2013 17:30
    Todas essas moedas "locais" são apenas outras denominações para o Real. Esse fenômeno já foi extensivamente comentado pelo Leandro Roque aqui no IMB.
  • Antonio  16/05/2013 15:07
    Andre,

    O bitcoin não vai impedir tributação, mas dificultar. O imposto inflacionário deixaria de existir, e, como as transações não mais passariam pelos bancos, isso dificultaria sobremaneira a tributação. Os governos teriam de usar meios mais dispendiosos para arrecadar, como tributar na circulação de mercadorias (ICMS). Por outro lado, ficaria difícil financiar déficits, já que não haveria possibilidade de monetizá-la (este ano praticamente todo o déficit dos EUA está sendo monetizado - equivalente a mais de US$ 600 bilhões). A margem de manobra dos governos seria vertiginosamente diminuída.

    Em relação ao mercado não aceitá-lo, creio não o farão se tiverem medo dos governos. Acho que o ritmo de aceitação está até acelerado, considerando a grande inovação que representa. Assim como os cartões de crédito, a tendência é que, aos poucos, o uso de bitcoin se espalhará por toda parte.
  • Andre Cavalcante  16/05/2013 17:43
    "O bitcoin não vai impedir tributação, mas dificultar."

    Sim. E é esta a maior vantagem do bitcoin. Retirando o poder de inflacionar a moeda e, mais ainda, colocando a transação fora da jurisdição do governo brasileiro (ou de qualquer país), o bitcoin tem efetivamente a possibilidade de ser a moeda da contraeconomia.

    VAmos esperar pra ver.
  • Julio Heitor  17/05/2013 00:10
    Adiciono mais uma vantagem ao que o colega falou: Se todos usarem BitCoin, os estabelecimentos poderão declara o valor que quiserem do produto. Assim, a incidencia de ICMS será sobre o valor ficticio do produto, dado que será impossível rastrear o custo real que a empresa teve para criar o produto.

    Meu raciocinio procede?
  • Tiago RC  17/05/2013 12:26
    Dinheiro em espécie já permite isso, Júlio. A nota fiscal paulista foi inventada justamente para quebrar esse barato.
    E no caso particular do ICMS sobre mercadorias (e não serviços), o próprio comerciante tem interesse em declarar, para poder deduzir o que pagou de ICMS em seus insumos. Claro, poderia declarar menos, mas, como disse, não é nada que ele não possa tentar com dinheiro em espécie - assumindo que os clientes não pediram a nota fiscal eletrônica.
  • Julio Heitor  19/05/2013 17:54
    Thiago,

    as diferenças entre dinheiro em especie e o BitCoin são as seguintes:

    1) O dinheiro em espécie necessita de mais segurança (e os custos associados) para ser transportado de forma tão frequente nas carteirs dos comerciantes e estabelecimentos. Não existe senha para acessar o dinheiro em especie. Talvez seja por isso que o "capanga" do PT foi pego com 100.000 reais em especie dentro da cueca.
    Já o BitCoin pode ser carregado das mais variadas formas, tornando desnecessario adquirir soluções/serviços de segurança para transporta-lo.

    2) Com o BitCoin, as empresas podem, no lugar da nota fiscal, emitir um certificado de compra para os clientes poderem usa-lo caso o produto esteja ou seja danificado. Assim, se o cliente consegue obter troca do produto ou a devolução de BitCoins sem precisar de nota fiscal, ele o fará.
    Basta que o estabelecimento sempre atenda o cliente da melhor forma, evitando assim a cobrança do cliente por nota fiscal. Com o tempo, o cliente irá obter a confiança em um sistema que não tem intermediador estatal.

    Por isso acredito que, com o tempo, as empresas poderão declarar valore cada vez menores de seus produtos para o estado, mas vendendo por um valor maior ao cliente.
  • Tiago RC  20/05/2013 21:15
    Júlio, não sei se você está por dentro de como funciona a nota fiscal paulista.

    O cliente tem sempre a opção de anexar seu CPF à nota fiscal. Para cada nota em que ele fizer isso, receberá de volta 30% do ICMS que pagou. Em São Paulo o ICMS padrão era de 18% se me lembro bem, o que dá 5,4% de reembolso se você adicionar seu CPF. É um incentivo monetário considerável.
    E, ao fazer isso, o cliente força o comerciante a pagar imposto, assim como fornece ao estado de SP todos os detalhes de seus hábitos de compra.

    A única alternativa seria o comerciante ilegalmente propor ao cliente de não pedir a nota, e rachar a economia com o ICMS por ex. Mas isso é arriscado de se fazer: se o cliente em questão for do tipo estatista, ele pode denunciar o estabelecimento.

    Resumo da ópera: impostos sobre o consumo são particularmente difíceis de sonegar, e não acho que Bitcoin vai mudar muito isso.
    Um tipo particular de imposto, bastante nocivo (mais do que impostos sobre o consumo, eu diria), contra o qual eventualmente Bitcoin pode ser útil é imposto de renda sobre investimentos (capital gains taxes). Você envia seus Bitcoins para fora e faz investimentos em países que não cobram esse imposto, por ex. Mas os diversos governos do mundo já estão se unindo para coibir esse tipo de coisa também. Leia sobre o FATCA para ter uma idéia. Mesmo Suíça e Liechtenstein já abaixaram a cabeça.
  • Julio Heitor  21/05/2013 00:17
    Thiago,

    valeu pela explicação. Eu mesmo não havia me informado sobre o funcionamento da Nfe.

    Concordo com voce, o BitCoin valerá a pena conta impostos sobre investimento.

    Abraços!
  • anônimo  27/05/2013 10:26
    "O bitcoin não vai impedir tributação, mas dificultar."

    Então vai virar oficialmente um crime e o governo não vai permitir nunca.Meio óbvio isso.
  • Tiago RC  28/05/2013 06:38
    É... como o dinheiro em espécie...

    Se o assunto é tributação, talvez seja interessante ler esse texto do fundador do partido pirata sueco (um socialista, diga-se de passagem): The Information Policy Case for Flat Tax and Basic Income

    Vai um pouco na direção desse artigo do Leandro (se tirar a estória de renda mínima): Imposto de renda vs. imposto sobre o consumo - uma abordagem liberal clássica

  • Antonio  16/05/2013 23:28
    Sim, não nego que seja extremamente vantajoso, pois amarra as mãos dos governos. No entanto, é aí que mora o perigo. Governos não gostam de ser contidos..rss
  • anônimo  20/05/2013 10:46
    Could Federal Seizure Be the Beginning of the End for Bitcoin?

    www.motherjones.com/mojo/2013/05/and-it-begins-feds-target-bitcoin

  • leandropc  26/05/2013 19:31
    Brilhante série de artigos Fernando, parabéns.
    Tenho uma dúvida que só me ocorreu agora. Parece que senhas perdidas resultam em bitcoins perdidos. É possível algum governo comprar massivamente muitos bitcoins e jogar a senha fora, inviabilizando todo o projeto?
  • Tiago RC  27/05/2013 08:12
    Que comecem o quanto antes esse "ataque". :D
    Isso seria o equivalente a comprar toneladas de ouro e mandá-las todas para o espaço. Só vai valorizar o que restar.
  • Wagner  29/05/2013 12:30
    Se comprar quase todo ouro, mandar tudo pro espaço e só deixar 1 grama aqui na terra essa grama de ouro vai ser super valiosa mas o Ouro não seria mais utilizado como moeda de troca; Se o mesmo acontecesse com o BTC e ele perdesse sua característica de "moeda de troca" ele perderia todo o seu valor pois ele não tem outra utilidade.
  • Andre Cavalcante  29/05/2013 13:49
    Wagner,

    Essa confusão entre valor e dinheiro é antiga e muito comum. Dinheiro é apenas uma régua, uma forma de medir o preço das coisas. Hoje temos mais de 10 milhões de BTC no mercado (são 11.213.100 na altura da escrita deste comentário). A economia bitcoin está hoje em 1 bilhão de dólares. Significa que cada bitcoin vale aproximadamente USD100.00.
    Se eu quiser transferir, por exemplo, USD1,000 .00 entre USD e Europa, pagando o mínimo de taxa, posso usar BTC10.00.

    Digamos que o governo comprasse quase todos os bitcoins do mercado e sobrassem somente 10.000BTC. Logo cada bitcoin valeria USD100,000.00. Se eu quisesse transferir, os mesmos USD1,000.00 usaria agora BTC0.1.

    Para que isso "desse certo" do ponto de vista do governo ele teria que comprar "todos" os BTC, o que é inviável porque há vários que estão guardados em offline wallets esperando simplesmente que tal fato ocorra.

    E outa: a necessidade existe (fazer transações internacionais com o menor custo possível, e, de preferência, longe das garras dos governos), logo, os empreendedores vão procurar solução. Se BTC falhar, criamos outra tecnologia que o substitua (de fato para se criar outra moeda, bastaria criar uma outra rede, com outro BD descentralizado, não seria necessário nem mexer no software).

    O que percebo que a maioria das pessoas ainda relutam sobre o bitcoin é que não percebem justamente a beleza do processo de formação de uma nova moeda totalmente no mercado (sem interferências governamentais, até agora). Deus queira que isso "dê certo" (aqui poderíamos definir o que vem a ser isso) - já estou cansado de entregar à políticos e banqueiros, através da inflação, meu suado dinheirinho...

    Abraços
  • Tiago   29/05/2013 11:37
    "EUA fecham site que 'lavou' US$ 6 bi"

    economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,eua-fecham-site-que-lavou-us-6-bi,154936,0.htm
  • Neto  29/05/2013 12:27
    'Of course, that description could just as easily describe Bitcoin.'

    www.washingtonpost.com/blogs/wonkblog/wp/2013/05/28/feds-shut-down-payment-network-liberty-reserve-is-bitcoin-next/

    Nossa, mas essa é uma grande surpresa!
  • anônimo  18/06/2013 13:27
    www.forbes.com/sites/steveforbes/2013/04/16/bitcoin-whatever-it-is-its-not-money/
  • anônimo  24/06/2013 16:54
    California Says the Bitcoin Foundation Is a Money-Transferrer

    www.wired.com/wiredenterprise/2013/06/california_dfi/
  • Occam's Razor  19/08/2013 16:52
  • Tiago RC  20/08/2013 13:04
    A manchete está incorreta. Não reconheceram como "legal tender". Apenas reconheceram como uma "moeda privada".

    Na minha opinião, é só pra poder tributar. Mas bom... veremos. EUA e Alemanha são os países onde o projeto mais avança. Não faz muito um banco alemão (Fidor) se mostrou bastante favorável ao Bitcoin, fazendo uma parceria com o bitcoin.de.
    Um dos políticos que falou em favor da moeda na Alemanha - Frank Schäeffler - se diz fã de Hayek:

    "We should have competition in the production of money. I have long been a proponent of Friedrich August von Hayek scheme to denationalize money. Bitcoins are a first step in this direction"

    www.cnbc.com/id/100971898
  • anônimo  21/08/2013 08:39
    Então na verdade ele não quer o bitcoin, quer COMPETIÇÃO de várias moedas privadas.
  • Occam's Razor  22/08/2013 17:32
    Valeu! Só fiz colar a notícia e não verifiquei. Eles mesmos consertaram.
  • Marcelo  21/08/2013 01:35
    Onde posso comprar Bitcoin de forma confiável? Alguém saberia me ajudar?
  • anônimo  21/08/2013 07:32
    https://localbitcoins.com/places/588636/brazil-brazil/

    www.mercadobitcoin.com.br/

    Não mantenha teu dinheiro numa exchenge mais do que o tempo estritamente necessário para comprar e sacar suas bitcoins. Por enquanto, você tem que ser seu próprio banqueiro. Aprenda a estocá-las em segurança.
  • Marcelo  21/08/2013 17:29
    E como posso estocá-las em segurança? Eu pretendo comprar e só vendê-los no longo prazo. Desculpe-me, sou iniciante nisso.
  • Tiago  21/08/2013 18:27
    Hoje ainda não existem "hardware wallets" disponíveis à venda (o Trezor está disponível em pré-venda, pessoalmente acho que está meio carinho), então se você quer estocar suas bitcoins em segurança, terá que fazer tua própria.

    O segredo é não deixar tuas chaves privadas tocarem um sistema que é usado para navegar na internet. Idealmente mantê-las num sistema estritamente offline.
    Você pode tanto usar uma paper wallet ou uma offline wallet.
    Ou seja, você tem que usar um sistema (veja bem, não precisa ser uma máquina exclusiva - você pode usar um desses sistemas que bootam pelo USB, como o Ubuntu por ex.) offline para estocar suas bitcoins ou criar uma paperwallet e imprimi-la a partir desse sistema seguro.

    Eu recomendo usar uma offline wallet, e criar uma cópia encriptada da tua carteira para poder fazer backup em servidores tipo Wuala, SpiderOak etc. Não sou um grande fã de paper wallets precisamente porque não dá pra fazer backup remoto de papel.

    Repito: não estoque nenhuma quantidade significativa de bitcoins num sistema que você usa para navegar na internet. Trate seu sistema principal de uso cotidiano como a carteira física que você carrega contigo no bolso: algo que pode ser roubado.
  • Andre Cavalcante  21/08/2013 21:04
    Já eu prefiro paper wallet. Mantenho duas: uma na minha carteira porta-cédulas mesmo, com baixo valor e uma em casa, com valores maiores. Uso o meu celular com wallet criptografada se precisar fazer alguma transação. Depois de feita a transação, tranfiro o restante para minha próximapaper wallet na carteira e a paper wallet antiga vai pro lixo. Se precisar mexer na paper wallet de casa, faço duas transações, uma vai pra carteira de dinheiro e a outra é para uma nova paper wallet em casa, de forma que sempre a paper wallet permanece com a chave privada em segredo e elas são usadas na forma de transação única.

    Parece muito trabalhoso, mas não é. Em geral você gasta menos de 5 min para fazer tudo.
  • Daniel  06/09/2013 20:51
    Andre,

    Não sei se interpretei errado, mas me parece que você realiza transações usando bitcoins com alguma frequência. Poderia ilustrar algumas delas? Como você adquire bitcoins? (apenas comprando com reais/dolar, ou existe outra forma?) E o que compra?
  • anônimo  24/08/2013 10:22
    Daniel Fraga está sendo processado

    Ele já disse que não vai pagar porque suas economias estão em bitcoins
    Então agora é inevitável, mais cedo ou mais tarde eles vão chegar no bitcoin, vamos ver o que é que vai dar
  • anônimo  24/08/2013 16:05
    É, atacar cegamente o leviatã não é a mais prudente das atitudes.

    Pra quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir:

    https://en.wikipedia.org/wiki/Perpetual_traveler
  • Neto  02/10/2013 22:38
    Quando eu falava que não é bom usar o dinheiro de uns maconheiros, muita gente não acreditava né? Inclusive o Tiago RC que se maravilhava com os não sei quantos milhões movimentados pelo Silk Road...
    Feds prendem o cérebro por trás do SR
    www.wired.com/threatlevel/2013/10/silk-road-raided/
    E o 'valor' do bitcoin vai junto.
    www.wired.com/wiredenterprise/2013/10/bitcoin-market-drops-600-million-on-silk-road-bust/
  • anônimo  03/10/2013 12:20
    E você está celebrando uma vitória das forças estatais contra a liberdade... bravo.

    Mas não se iluda... enquanto você critica aqueles que lutam pela liberdade e celebra vitórias estatais, dezenas de pessoas brilhantes já devem estar trabalhando em novas ferramentas para combater o totalitarismo.

    (quanto ao preço das bitcoins: imgur.com/aM9Epkt )
  • Neto  03/10/2013 18:58
    Não, não estou.Essa é uma distorção tosca, desde o primeiro momento eu disse que o bitcoin não é ajuda nenhuma na luta pela liberdade, já que pelo critério de Mises, Rothbard, etc, bitcoin não é e nunca foi dinheiro.
    Mas não se preocupe que não vou colar pela bilionésima vez o trecho em que eles explicam isso. Por mim quem quiser 'investir' nisso, que vá fundo. Mais cedo ou mais tarde vai colher os frutos da própria preguiça intelectual.
  • Andre Cavalcante  05/10/2013 15:20
    "Mas não se preocupe que não vou colar pela bilionésima vez o trecho em que eles explicam isso."

    Mas vou repetir mais uma vez: necessidade há: quero um jeito de transferir fundos de um país a outro, de forma anônima, e com o menor custo de transação possível, preferencialmente sem pagar impostos. Se não for bitcoin, a gente inventa outra coisa. Dá no mesmo.

    Sou defensor do bitcoin, como se pode ver nos comentários acima. Mas já passei da fase da empolgação e as minhas ideias evoluiram.

    Ainda não é moeda porque não é de uso generalizado, isto é, não posso fazer transações simples do dia-a-dia com bitcoin (ao menos não de forma generalizada), o que quer que generalizada seja (tudo bem que há ruas em Berlin que aceitam bitcoin, mas isso é exceção e não regra). Logo, ainda não é moeda, mas é um ativo com preço e, portanto, negociável e, portanto, se for aceito amplamente, num futuro (espero que não tão distante) será moeda.

    Do ponto de vista técnico é uma commoditie digital, pois ela tem as características básicas que definem uma commoditie: é escassa, custa para produzir, depende de um substrato material para existir (no caso, a internet).

  • anônimo  07/10/2013 19:36
    'Mas vou repetir mais uma vez: necessidade há: quero um jeito de transferir fundos de um país a outro, de forma anônima, '
    Então bitcoin já não serve.

    Do ponto de vista técnico é uma commoditie digital, pois ela tem as características básicas que definem uma commoditie: é escassa, custa para produzir, depende de um substrato material para existir (no caso, a internet).
    Não existe esse negócio de commodity digital.Ou é commodity ou não é. Se vocês querem inventar uma palavra nova, definam direito esse negócio de escassez, porque se ter um bando de zeros e uns na memória do meu computador é tão importante assim qualquer um pode copiar o código fonte do bitcoin e criar seus próprios zeros e uns. Essa conversa de escassez é uma história muito mal contada.

  • Andre Cavalcante  08/10/2013 14:27

    Pelo jeito você não conhece nada sobre o bitcoin:

    "definam direito esse negócio de escassez, porque se ter um bando de zeros e uns na memória do meu computador é tão importante assim qualquer um pode copiar o código fonte do bitcoin e criar seus próprios zeros e uns. Essa conversa de escassez é uma história muito mal contada."

    Escassez porque não há possibilidade de eu ter uma "sequência de zeros e uns" e você poder ter a mesma "sequência" simultaneamente válida na rede bitcoin. Simples assim: https://blockchain.info/wallet/bitcoin-faq. Outra, é escasso porque não há possibilidade de ter mais que 21 milhões de bitcoins criados.

    A propósito, porque não tenta você pegar o código fonte (que é aberto) do cliente bitcoin e fazer isso que está propondo.

    É cada um que aparece... Ao menos o neto, que é contra, não se esconde, o que dá margem para discussões interessantes e onde a gente aprende bastante, mas tem outros por aqui que não dá nem pra comentar...

  • Neto  09/10/2013 17:37
    'A propósito, porque não tenta você pegar o código fonte (que é aberto) do cliente bitcoin e fazer isso que está propondo.'

    André, e não foi exatamente isso que o cara do litecoin fez? Ele e muitos outros?
    Litecoin que inclusive foi acusado pela mesma comunidade do bitcoin de ser um scam...
  • Andre Cavalcante  10/10/2013 14:09
    Não Neto,

    O Litcoin é um fork do cliente bitcoin, no qual o cara fez alterações, mas não acessa e nem tem o mesmo protocolo para acesso ao blobkchain do bitcoin.

    No início o litcoin foi sim estigmatizado pelos próprios bitcoinistas, o que foi superado, justamente quando prevaleceu o bom senso: se tem bitcoin, porque não pode ter outras "moedas" digitais? O que impede? Nada. E aqui vale um dos princípios da EA: quanto maior concorrência, mesmo no caso de moedas, é bom para a economia como um todo. No final, somente aquelas que são mais confiáveis e que condizerem com as características de uma moeda de uso geral ficarão.

    Creio que as moedas digitais ainda não amadureceram suficientemente, mas ainda não sucumbiram, mesmo com todo o aparato estatal agora dando em cima e tentando regulamentar - algo que já era esperado.

    E aí a gente entra naquela discussão sobre o bitcoin é ou não moeda, é ou não uma commoditie, é ou não um ativo, mas isso já ficou lá pra cima e no outro artigo. E, como disse antes, sou agora um espectador privilegiado: tenho alguns investimentos em bitcoins, algo que posso perder sem problemas, e na torcida que isso realmente vire a economia. Vamos ver, só o tempo dirá. O ouro levou séculos para ser reconhecido como moeda e ainda hoje é o ativo preferido para manutenção de valor e se evitar inflações das moedas fiduciárias. O bitcoin tem poucos anos e um monte de dúvidas...
  • anônimo  09/10/2013 18:01
    'Escassez porque não há possibilidade de eu ter uma "sequência de zeros e uns" e você poder ter a mesma "sequência" simultaneamente válida na rede bitcoin. Simples assim: https://blockchain.info/wallet/bitcoin-faq. Outra, é escasso porque não há possibilidade de ter mais que 21 milhões de bitcoins criados.'

    Exatamente o que eu suspeitava, você distorceu o significado de escassez.
    Começando do básico: uma idéia não é escassa.Se você tem uma idéia e fala pra outra pessoa, você continua com a sua idéia.
    Se a sua idéia for um algoritmo, é a mesma coisa.Se alguém der ctrl-c ctrl-v no seu código fonte, você não fica sem o seu código, logo, um programa também não é escasso.
    E tanto um programa quanto os dados que ele usa, como você aparentemente não sabe, é apenas um monte de instruções na memória do seu computador.Realmente um bando de zeros e uns, ou você não sabe o que é linguagem de máquina e que é com zeros e uns que um computador representa internamente letras, números, tudo?
    A única diferença é que você enfiou na definição de escassez essa idéia de que se esses zeros e uns não estiverem copiados dentro da rede bitcoin, eles não valem nada.Isso é uma lógica circular: bitcoin só vale porque é escasso dentro da rede bitcoin, e a rede bitcoin ´só tem algum valor porque tem bitcoins escassos dentro dela.
    Bullshit. Existem várias criptomoedas circulando pela internet, qualquer um que queira criar dinheiro do 'nada' pode copiar o códigodo bitcoin e fazer o seu próprio,(como muitos já fizeram) e por mais que os bitcoinzistas digam que só bitcoin tem valor, muita gente vai sim estar disposta a trocar dólares por essas novas moedas.
    Logo, considerando escassez no sentido clássico, (e não nessa novilíngua bitcoinzista) bitcoin não é escasso coisa nenhuma.É tão escasso quanto uma poesia que supostamente só tem valor se estiver copiada num papel amarelo.
  • Andre Cavalcante  10/10/2013 14:14
    De novo, cê não sabe o que tá falando a respeito do bitcoin. Não vou nem mais colocar o link do FAQ, que pelo jeito cê nem leu.

    E não distorci nenhum conceito de escassez. Diga-me: se algo tem uma quantidade finita de existência (B$ 21.000.000,00), e não pode estar na mão de duas pessoas simultaneamente, ou seja, ou uma ou outra tem a propriedade deste algo (a blockchain garante isso), este algo é escasso?

  • anônimo  11/10/2013 06:09
    O Litcoin é um fork do cliente bitcoin, no qual o cara fez alterações, mas não acessa e nem tem o mesmo protocolo para acesso ao blobkchain do bitcoin.'

    E desde quando alguém disse que o litecoin acessa a mesma blockchain? Você precisa melhorar interpretação de textos hein!
    O que realmente foi dito, e que você teria comentado sobre se soubesse ler, é que:
    1) qualquer um pode COPIAR e criar sua própria rede.
    2) bitcoinzistas são hipócritas ao falar que os números na memória de um computador só valem alguma coisa se for na rede bitcoin, se for em outra qualquer (nas palavras DELES)é scam
    3) Se qualquer um pode ter sua blockchain como é que qualquer dado dentro dessa rede vai ser escasso, cára pálida? Vamos lá, faça um esforço e leia mil vezes, quem sabe um dia entenda que eu não estou falando de copiar dentro da mesma rede.

    O máximo que vocês podem fazer, e que realmente fazem, é falar que nesse caso ninguém vai dar valor para as 'cópias' do bitcoin(mesmo que elas sejam praticamente idênticas, o que mostra muito sobre a racionalidade da propaganda bitcoinzista)Mas isso é totalmente irrelevante pra questão dele ser escasso ou não.

    Pelo jeito, nem desenhando vai resolver...se alguém copia a idéia de outra pessoa, isso não torna a idéia escassa.Se copia o programa de outro, se faz o código rodar em outro computador, isso não torna o programa escasso.Mas o que os bitcoinzistas fazem é o seguinte: eles pegam um pedaço de papel, desenham um quadrado dentro, dentro do quadrado escrevem UM MILHÃO DE X. Aí falam: esse milhão é escasso, já que não dá pra copiar.Aí outra pessoa chega e diz:'dá sim' e escreve UM MILHÃO DE X em outro papel.'ah mas esse aí não vale porque não está dentro do meu quadrado'. Aí o outro desenha outro quadrado em volta do seu milhão.'ah mas esse quadrado aí não vale, é um scam'...
    Resumindo, você copia o número, copia o quadrado que cerca o número, o 'dono' original continua com o número e com o quadrado dele, mas morre falando que o troço dele é escasso.


  • anônimo  07/10/2013 19:44
    Aqui seu bitcoin anônimo:
    www.wired.com/wiredenterprise/2013/08/bitocoin_anonymity/
  • Andre Cavalcante  08/10/2013 14:37
    Engraçado,

    Quando o cara tá a fim de falar mal ele acha defeito até no "pelo do mosquito"...

    Bitcoin é anônimo porque não preciso passar por quaisquer validações de identidade para completar uma transação - as validações são somente da própria transação na rede (se são válidas ou não, do ponto de vista do protocolo bitcoin), o que é feito para se evitar duplicidade de gastos e outras coisinhas de segurança.

    Entretanto, todas as transações são mantidas em um BD distribuído na rede, e são públicas, isto é, todo mundo pode ver todas as transações.

    Da própria reportagem: "Bitcoin is a bit of a paradox. It can be used nearly anonymously: any two people can easily set up brand new Bitcoin wallets, meet in a park, and exchange cash for Bitcoin. But at the same time, Bitcoin trades are public: all transactions are shared in a publicly available file called the Blockchain that's posted to the Bitcoin peer-to-peer network".

    Interessante: é mais fácil alguém a roubar a carteira de alguém na praça e gastar o dinheiro roubado, em reais, que o mesmo alguém roubar a carteira (de bitcoins) de alguém (pode ser de uma empresa/exchange/etc) e gastar o mesmo dinheiro. E isso é ruim?

    Por outro lado, como qualquer moeda, o bitcoin se presta a comprar coisas diretamente entre as partes, sem intervenção de ninguém (principalmente de governos). E isso é ruim?

    Se vai virar, de fato, uma moeda, que era a discussão com o neto, aí é outra história.
  • anônimo  09/10/2013 17:30
    André, você se contradiz, se o banco de dados é público claro que o sistema não é 'anônimo' como os bitcoinzistas adoram divulgar. No começo dessas discussões eles falavam que apesar de tudo você ainda conseguiria uma segurança razoável, tanto que o maior site de drogas do mundo, o silk road, estava vivo e chutando sem o governo dos EUA poder fazer nada.
    Nem esse argumento eles tem mais: prenderam o dread pirate roberts.
  • anônimo  10/10/2013 07:15
    Não foi seguindo o dinheiro que encontraram o DPR. Se você ler o relatório do FBI verá que o policial admite que ele não conseguiu driblar a tecnologia utilizada (tor e bitcoin mixer).

    O DPR foi capturado porque cometeu erros "humanos". Logo na abertura do site, ele usou uma conta em diversos fóruns para divulgá-lo. Em outra ocasião não relacionada, usou essa mesma conta para pedir ajuda técnica e postou seu e-mail pessoal (com seu nome real). Além disso, posteriormente, ele encomendou uma série de identidades falsas do Canadá, que foram capturadas pela alfândega. O pacote estava destinado a seu endereço pessoal, e sua foto estava presente em todas as identidades.

    O fato do site ter durado mais de dois anos, mesmo quando o operador comete deslizes desse porte, pra mim é um forte indicador de a ideia que o Silk Road representava está longe de morrer.
  • anônimo  10/11/2013 16:24
    'Não foi seguindo o dinheiro que encontraram o DPR. Se você ler o relatório do FBI verá que o policial admite que ele não conseguiu driblar a tecnologia utilizada (tor e bitcoin mixer).
    O DPR foi capturado porque cometeu erros "humanos".'


    Na prática não mudou nada.Não existe garantia nenhuma de ficar anônimo usando bitcoin porque o governo tem N formas de te descobrir sem precisar botar um dedo na rede bitcoin.
  • anônimo  10/11/2013 19:17
    "Na prática não mudou nada.Não existe garantia nenhuma de ficar anônimo usando bitcoin porque o governo tem N formas de te descobrir sem precisar botar um dedo na rede bitcoin. "

    Claro, não mudou absolutamente nada. Não é como se as pessoas pudessem comprar drogas seguramente pela internet, como se comerciantes de droga tivessem que disputar mercado sem violência, como se a qualidade do produto pudesse ser submetida a avaliações públicas pelos consumidores etc etc. De fato, nada mudou. Continua tudo igualzinho.

    Haja paciência...
  • anônimo  11/11/2013 11:07
    Haja paciência mesmo.'Não mudou nada', estava se referindo ao pseudo anonimato.
    Como já foi dito bilhões, trilhões de vezes, bitcoin pode ter criptografia quântica, o mundo ao redor dele não.O governo não precisou quebrar a rede do bitcoin pra prender o cara do Silk Road e pra fechar o site dele, será que precisa desenhar?
    Será que tem alguém que realmente não acha que mais cedo ou mais tarde os governos vão chamar o bitcoin de ferramenta de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal?
    Será que vale a pena lutar pela liberdade espalhando pelo mundo inteiro que vc sonega impostos, fazendo vídeos sobre isso e botando no youtube?
    Não obrigado, ainda prefiro o ouro.
  • anônimo  11/11/2013 13:17
    Uau, super úteis tuas moedas de ouro para se conseguir mais liberdade. Super fáceis de transportar para fora de um país com controle de capitais, super fáceis de se enviar para qualquer um no mundo inteiro. Cada vez mais projetos que vão contra os ditames estatais, como esses mercados negros, o defense distributed, o wikileaks, Snowden etc, todos eles se sustentam pedindo moedas de ouro pela internet, não é mesmo?
  • anônimo  12/11/2013 10:33
    Pra mandar dinheiro pro mundo todo já existe paypal. O ouro é pra se proteger da desvalorização do dinheiro de papel feita pelo governo, ouro tem a VANTAGEM de não se dizer um investimento, coisa que o bitcoin não tem.O bitcoin nem sabe o que quer ser, primeiro era uma forma de substituir o paypal, depois quis ser dinheiro, agora quer ser investimento, e os ignorantes acreditam, eles acham que o preço do bitcoin inflado por especuladores torna ele um investimento...
  • Andre Cavalcante  13/11/2013 03:04
    Nada não, mas você fala como se eu não pudesse fazer sonegação de impostos ou lavagem de dinheiro usando o ouro... É claro que é possível. Até mesmo com o dólar, e olha que este aqui está sob total controle do estado americano...

    Aliás, é bom mesmo que venha logo essas legislações absurdas. Assim vai mostrar pra todo mundo como, de fato, a coisa vai funcionar - para quem quiser ser efetivamente anônimo, vai ficar anônimo; quem não precisar ou não quiser ficar anônimo será fácil rastrear a sua transação.

    Outra: o que tem a ver as legislações e os controles que o governo adora nos impor fora da rede bitcoin com a segurança da rede? Ah, o cara foi pego porque colocou o endereço dele onde não devia... Azar o dele. Se o cara quer ser mafioso e faz coisas infantis, vai ser pego mesmo. Agora, para um trabalhador normal ou um investidor, nem sempre é benéfico fazer as coisas anonimamente. Outras vezes sim. Depende. O bitcoin permite as duas coisas...

    E, mais uma vez: se houvesse liberdade efetiva, muito provavelmente a moeda de troca internacional seria algo criado no mercado lastreados em ouro (talvez bits eletrônicos pseudo-escassos graças a um bd de transações temporais distribuído).

    E, por fim, bitcoin foi criado no mercado. Se acabar será por obra e graça do mercado. Vamos dar tempo ao tempo e ver como isso evolui.
  • Neto  03/10/2013 19:08
    E só mais uma coisa, nada do que eu falo é só opinião pessoal minha. Existem vários libertários pelo resto do mundo que também são céticos quanto ao bitcoin. Quem acompanha o blog do tio lew sabe.
  • Pedro  08/11/2013 17:59
    Ontem o bitcoin passou da marca dos 300 dólares. Se formos pensar um pouco, não há muitos "fundamentos" por trás desse valor. Já foram minerados quase 12 milhões de bitcoins, a um preço de mais de 300 dólares cada, somando um total de nada menos que 3,6 bilhões de dólares em bitcoins.

    Mas por que esse preço tão alto se a moeda ainda é pouco aceita? Existe pouca circulação para lastrear o valor dessa moeda.

    Basicamente as pessoas estão segurando os bitcoins para esperar que os mesmos se valorizem, muita pouca gente tá comprando com a finalidade de usar como moeda e muita gente tá comprando com a finalidade de ganhar dinheiro apenas, isso é, em algum momento lá na frente, trocar seus bitcoins pela moeda estatal e então fazer compras com essa moeda estatal e não com bitcoins. E isso não é sustentável.

    Acho que a probabilidade de haver uma bolha das grandes é altíssima. Porém por outro lado, não acredito que se essa bolha estourar será o fim da criptomoeda, afinal, correções de mercado são naturais.

    De qualquer forma, posso estar errado, mas prefiro esperar mais um pouco antes de entrar nesse mercado, esperar para que o bitcoin passe a ser usado mais como moeda mesmo do que como mero alvo de especulação.

    Gostaria, como todo libertário, de ver o bitcoin substituindo as moedas estatais, não servindo de ponte para obtenção de mais moeda estatal com a valorização especulativa do mesmo.
  • Leandro Levlavi  10/11/2013 23:36
    Comungo com suas opiniões, Pedro. A ânsia por ganhar dinheiro de forma rentista já chegou as bandas do bitcoin. Esperemos a correção do mercado e a ampliação do uso para transações no dia a dia.
  • Andre Cavalcante  12/11/2013 15:56
    Olá Pedro.

    "Ontem o bitcoin passou da marca dos 300 dólares. Se formos pensar um pouco, não há muitos "fundamentos" por trás desse valor. Já foram minerados quase 12 milhões de bitcoins, a um preço de mais de 300 dólares cada, somando um total de nada menos que 3,6 bilhões de dólares em bitcoins."

    Ok. Mas a conta ainda não é essa. Se o objetivo da moeda é de substituição, então o certo é pegar o PIB mundial em dólares e dividir pela quantidade de bitcoins existentes (já minerados). Aí se vai ter a quantidade de dólares necessários para comprar 1 bitcoin. Espera-se que essa substituição aconteça, em sua totalidade, quando o bitcoin chegar na quantidade máxima. Então temos: PIB mundial = 71 tri dólares / 21 mi bitcoins ~= 3 mi. Então, ainda há espaço para muito crescimento e especulação.

    "Mas por que esse preço tão alto se a moeda ainda é pouco aceita? Existe pouca circulação para lastrear o valor dessa moeda."

    Sim, concordo. Só "vai dar certo" quando a moeda circular mais.

    "Basicamente as pessoas estão segurando os bitcoins para esperar que os mesmos se valorizem, muita pouca gente tá comprando com a finalidade de usar como moeda e muita gente tá comprando com a finalidade de ganhar dinheiro apenas, isso é, em algum momento lá na frente, trocar seus bitcoins pela moeda estatal e então fazer compras com essa moeda estatal e não com bitcoins. E isso não é sustentável."

    A medida que o bitcoin valoriza, há possibilidade de entrada, sem grandes sustos, de capital que tenta sair das amarras governamentais/bancos/etc. Por exemplo, imagina uma importação de 10 milhões USD. Ora, a 3,6 bi bitcoins, isso representa 0,010% do mercado. Ou seja, começa ser interessante usar o bitcoin como meio da transação e "receber na hora" o dinheiro do que fazer toda a papelada e ainda esperar os depósitos e compensações bancárias.

    "Acho que a probabilidade de haver uma bolha das grandes é altíssima."

    Pode ser. Tem gente que acha que não pode haver bolha em bitcoins...

    "Porém por outro lado, não acredito que se essa bolha estourar será o fim da criptomoeda, afinal, correções de mercado são naturais."

    Correto.

    "De qualquer forma, posso estar errado, mas prefiro esperar mais um pouco antes de entrar nesse mercado, esperar para que o bitcoin passe a ser usado mais como moeda mesmo do que como mero alvo de especulação."

    Eu já tô comprando e vendendo bitcoins. Mas nada que se eu perder ficaria chateado. Se todos começassem a fazer assim, a moeda iria começar a circular mais, mesmo que para pequenos valores.

    "Gostaria, como todo libertário, de ver o bitcoin substituindo as moedas estatais, não servindo de ponte para obtenção de mais moeda estatal com a valorização especulativa do mesmo."

    Acho que isso é um passo. A especulação populariza, de alguma forma, os bitcoins. Agora pode-se dizer que ele tá mais pra ativo que para moeda.

    A propósito você já fez alguma doação para o IMB? Ele tá aceitando bitcoins.

  • anônimo  12/11/2013 17:12
    ' Se o objetivo da moeda é de substituição, então o certo é pegar o PIB mundial em dólares e dividir pela quantidade de bitcoins existentes (já minerados). Aí se vai ter a quantidade de dólares necessários para comprar 1 bitcoin. '

    De qual universo imaginário você tirou essa fórmula?
  • Andre Cavalcante  13/11/2013 03:58
    Uai, se o objetivo do bitcoin for ser a moeda padrão para todos os valores monetários existentes no mundo, a conta é essa mesma: dividir o total das transações pela quantidade de moeda (a considerada) existente. Aliás, seria a mesma se quiséssemos que o real fosse essa moeda (total dos bens dividido pela quantidade de moeda). Quando se diz que o PIB mundial é de 9 tri USD admite-se que (apesar de absurdo) é possível vender todos os bens do mundo e apurar 9 tri de dólares, que o FED poria em circulação para permitir aquela compra/venda.

    Mesmo que tomássemos somente o M1 (em vez do PIB mais geral) ainda assim teríamos: 2,8 tri USD contra, no máximo, 21 mi de bitcoins o que dá aprx. USD 133 mil por bitcoin. Ainda tem, teoricamente, espaço para o bitcoin valorizar.

    Agora isto tudo é termos puramente monetários. A moeda, aqui considerada, o dinheiro é simplesmente uma métrica.

    O preço de qualquer ativo, no mercado, contudo, é definido pela oferta e procura daquele ativo. Logo, USD300.00/bitcoin é o preço de mercado atual (portanto, o preço correto). Amanhã pode ser zero! (o que também estaria correto) ou USD10,000.00 (igualmente correto) ou qualquer outro valor.

    E, continuo com o pedro, para "dar certo" o bitcoin tem que amadurecer (tempo é "ouro"), e a moeda tem que circular...

    Abraços
  • Tiago RC  13/11/2013 09:34
    PIB != oferta monetária, André. Não há uma correlação rígida entre os dois. Dinheiro circula mais ou menos rápido dependendo do contexto.
  • Andre Cavalcante  13/11/2013 15:04
    Ok, Thiago, sei disso.

    O problema é que o Pedro e o anônimo colocaram a questão de que o valor do bitcoin estaria "exagerado". Ora, isso só seria verdade se o bitcoin valesse mais que a economia do mundo todo, o que não é verdade. E, mesmo tomando somente o M1, ainda assim há possibilidade de crescimento no "valor" (aqui puramente uma métrica em relação ao dólar) do bitcoin em dólares.

    Só isso.

    Abraços.
  • anônimo  13/11/2013 15:38
    'Uai, se o objetivo do bitcoin for ser a moeda padrão para todos os valores monetários existentes no mundo, a conta é essa mesma: dividir o total das transações pela quantidade de moeda (a considerada) existente.'

    E o litecoin onde é que fica? E as outras criptocurrencies? E as moedas tradicionais?
    O que um libertário real defende não é uma moeda A ou B mas sim a COMPETIÇÃO, você começa com um pressuposto falso,ou no mínimo utópico de que o bitcoin vai ser o padrão do mundo inteiro, sozinho.
  • Andre Cavalcante  13/11/2013 17:06
    anônimo,

    pare de poluir a thread. Em momento algum defendi que o bitcoin deva ser a única moeda no mundo. Só fiz uma conta simples, porém absurda como eu mesmo havia enfatizado, que dá margem para que qualquer moeda (inclusive as tradicionais - dei o exemplo do real) possam se valorizar no mercado, desde que livre.
  • anônimo  13/11/2013 10:22
    Mas por que esse preço tão alto se a moeda ainda é pouco aceita?

    Quantos comerciantes você conhece que aceitam ouro como método de pagamento para seus bens/serviços? Aposto que existem bem mais aceitando bitcoins. Em boa parte da Europa e dos EUA você já pode até encomendar pizza pagando em bitcoins.

    E olhe só quanto vale todo o ouro existente.... vi em alguns lugares estimações de que 40% do ouro minerado vai para cofres, servir de reserva de valor/investimento. Isso equivale a quase 70 mil toneladas, se aplicarmos a mesma proporção a todo o ouro já minerado pela humanidade (segundo wikipédia). Se eu não me perdi até aqui, isso dá uns 3 trilhões de dólares em ouro simplesmente estocado em cofres como reserva de valor. Não são usados como moeda. Não são aceitos como meio de pagamento por praticamente ninguém.

    Atualmente, todas as bitcoins existentes somam menos de 5 bilhões de dólares. Não me parece irrealista. Pelo contrário, diria que há ainda um bom potencial para valorização.
  • anônimo  01/12/2013 03:22
    Vale a pena é? Ou valia? Já que agora já inchou tanto que ninguém sabe quando a bolha vai estourar?
    Peter Schiff joga um balde de água fria no bitcoin:

    E agora Gary North: Bitcoins são o segundo maior esquema ponzi da história
    www.lewrockwell.com/2013/11/gary-north/is-bitcoin-a-ponzi-scheme/
  • anônimo  04/12/2013 14:48
    Are bitcoins money? NO.
    www.lewrockwell.com/2013/12/gary-north/are-bitcoins-money-2/
  • victorf  30/05/2017 20:47
    Q: OK, it's not money. But is it better?
    A: YES!

    Q: What the heck is it?
    A: P2P Cash System. Not only MONEY, not a CURRENCY, not only CASH. Welcome to 2010's! Currently the link between of territory-people-nation is being destroyed by the new techniques.

    Q: Can I read more about?
    A: "The Denationalization of Money (1978)", by F.A. HAYEK


  • Andre  20/12/2013 14:25
    Vi esse vídeo hoje e passei aqui pra deixar registrado.

    Milton Friedman previu o Bitcoin em 1999:

    www.youtube.com/watch?v=j2mdYX1nF_Y&feature=youtu.be#t=2m11s

    Mais genericamente falando, ele previu que seria criado um "dinheiro da internet".
  • aspone  07/03/2014 16:02
    Japão regulamenta Bitcoin. Impostos, crimes, pacote completo.

    E agora?

    g1.globo.com/tecnologia/noticia/2014/03/japao-aprova-regulamentacao-do-bitcoin-como-mercadoria.html
  • anônimo  07/03/2014 17:50
    E agora? Agora o bitcoin perde o maior motivo pra ser usado, que era sua liberdade em relação aos governos.E agora o governo japonês também tem o poder de meter a mão no seu bolso e arrancar o que quiser, em bitcoins.

    'os lucros derivados do mercado online de bitcoins, os processos de compra realizados com a moeda criptografada e as rentabilidades obtidas por empresas nessa moeda estarão submissas a impostos no Japão.'
  • aspone  07/03/2014 20:29
    A não ser que dê pra esconder do governo onde nem o governo consiga ver.

    Mas como o governo consegue entrar na contabilidade das empresas, vai ser difícil comprar coisas com bitcoin. Ou seja, acho que o governo fodeu tudo mesmo.
  • Andre Cavalcante  10/03/2014 17:02
    Ô caramaradinha, até parece que cê não sabe que o que mais as empresas fazem é um caixa 2, que somente alguns aspones conseguem ver justamente pra pagar a caixinha... Agora imagina o que é fazer a caixinha com bitcoins: mamão com açúcar da sonegação.

    Abraços
  • Paulo Souza  14/01/2018 12:08
    Olá... vim parar nessa página de 5 anos atrás sem querer,,, hoje é dia 14 de janeiro de 2018. Então... texto longo, comentários longos, curtos, não li todos, mesmo porque passados cinco anos muitas das dúvidas aqui relatadas já forma resolvidas e outros tantos problemas surgiram..!!!! Vale a pena comprar bitcoin a 50 mil reais? sim com certeza... já comprei... saudações
  • Hola  15/01/2018 17:58
    Não é necessário misturar moedas. Você pode comprar novo em auroora.one


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