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Exemplo Clássico

A atual crise financeira americana ilustra de modo tão claro
as conseqüências das distorções que o estado provoca na economia que ela
deveria figurar em todos os livros-texto.

Vejamos.

Em 2001/2002, os EUA estavam em uma leve recessão provocada
pelo estouro da bolha da NASDAQ, pelo 11 de setembro e pelo
colapso da Enron.

O que fez
então o Federal Reserve para tentar evitar a recessão?

(Adendo: os
governos, em todos os lugares, sempre partem do princípio de que recessões são
coisas infaustas que devem ser evitadas a todo custo – quando, na verdade,
recessões nada mais são do que desejáveis correções em uma economia que foi artificialmente
inflada por injeções monetárias do banco central).

Repetindo:
o que fez então o Federal Reserve para tentar evitar a recessão?

Ele trocou
o toner da sua impressora e colocou-a
em plena atividade. Tudo parte daquela velha ilusão keynesiana de que basta
imprimir dinheiro e toda a riqueza será criada. Dali em diante a impressora nunca
mais foi desligada.

Em dezembro de 2001, a base monetária era
de 605 bilhões de dólares. http://research.stlouisfed.org/publications/usfd/20011227/usfd.pdf
(página 2)

Em agosto de 2007, ela já era de 860
bilhões de dólares. (http://research.stlouisfed.org/publications/usfd/page3.pdf)

Um aumento de 42%.

 

Em termos
de M1, o aumento foi de 24,5%:

Em termos de M2, o aumento foi de 46%:

5.png


Em termos de MZM (Money of Zero Maturity – Dinheiro de Maturidade Zero; é uma medida da oferta monetária criada nos anos 1990. É igual ao M2, menos os depósitos a prazo, mais todo o dinheiro em fundos mútuos que investem em dívidas de curto prazo. Inclui todos os tipos de instrumentos financeiros que podem ser facilmente convertidos em dinheiro sem penalizações e sem riscos de perdas de capital. Em resumo: ele mede a quantidade de dinheiro que está imediatamente disponível na economia para gasto e consumo), o aumento foi de 64,5%:

6.png

Porém, a inflação de preços, em todo esse período, foi de 17%.   (http://www.measuringworth.com/inflation/#)

Ainda que as estatísticas do governo americano não incluam
alimentação, energia e imóveis em seus cálculos de inflação, por considerarem
que esses itens têm preços muito voláteis – o que por si só já mascara em muito
a inflação real – é válido perguntar: por que todo o aumento da oferta
monetária não se transmutou em aumentos de preços?

Resposta: porque boa parte desse dinheiro não vai direto
para a “economia real”; a maior parte é aplicada em modismos, como bolsa de
valores e imóveis. E foi justamente nessas áreas que vimos o surgimento de
bolhas insustentáveis.

A Teoria Austríaca explica que o aumento indiscriminado da
base monetária – que consequentemente causa o aumento dos agregados monetários
M1, M2, M3 E MZM – irá causar inflação de preços, investimentos errôneos e,
finalmente, ciclos econômicos.

E foi
exatamente esse tipo de distorção monetária criada pelo governo americano que
gerou a febre imobiliária. Como previsto.

E como se não
bastasse esse descontrole monetário, o governo ainda criou leis populistas que
obrigavam os bancos a conceder financiamentos a pessoas sem qualquer condição
financeira e/ou com histórico creditício duvidoso (ver mais aqui) – uma
insensatez típica do ideal americano que proclama que ser dono de um imóvel é
um direito natural.

Deu no que deu – e não tinha como dar algo diferente.

E o que fazer agora?

Nada. Absolutamente nada. Apenas deixar que o mercado
encontre sozinho a solução.

Infelizmente, não foi essa a opção do governo americano.
Lembre-se de que toda a crise (o estouro da bolha) começou no final de julho de
2007 e, desde então, o governo americano só fez intervir, crente de que assim
poderia resolver a situação. Ele já patrocinou a compra do Bear Stearns pelo JP
Morgan Chase, criou um programa de devolução de dinheiro de impostos (tax rebates), encampou as semi-estatais Fannie Mae e Freddie Mac,
emprestou $85 bilhões para a AIG e agora vem tentando aprovar esse pacote de
$700 bilhões de dólares para salvar seus camaradas das finanças.

Isso ajudou a melhorar a crise? Não. Ao contrário, piorou.

F.A. Hayek ganhou o Prêmio Nobel por ter demonstrado que é
a manipulação arbitrária dos juros por parte do banco central que cria os
ciclos econômicos. Em 1932, no auge da Grande Depressão, ele fez a seguinte
descrição a respeito das estúpidas políticas monetárias que estavam sendo
implementadas naquela época:

“Ao invés de facilitar a
inevitável liquidação dos investimentos errôneos que foram induzidos pela
expansão econômica dos últimos três anos, todos os meios imagináveis têm sido
utilizados para impedir que o processo de reajustamento ocorra; e um desses
meios – que tem sido repetidamente tentado, ainda que sem sucesso, desde os
primórdios até os mais recentes estágios da depressão – é justamente a política
da expansão deliberada do crédito…

“Combater a depressão por
meio de uma forçosa expansão do crédito é tentar curar o mal fazendo uso do
próprio meio que o criou; por estarmos sofrendo de uma má alocação da produção,
queremos criar ainda mais más alocações – um procedimento que só irá levar a
uma crise muito mais severa assim que a expansão creditícia acabar…. É
provavelmente por causa desse experimento, bem como por causa das tentativas de
se impedir quebradeiras logo que a crise surgiu, que estamos vivenciando uma
depressão de duração e severidade excepcionais.”

Parece até que Hayek deu essa palestra recentemente.

A idéia por trás desse pacote de $700 bilhões que o
governo americano insiste em querer aprovar pode ser perfeitamente resumida da
seguinte forma: tirar dinheiro de pessoas que fizeram bons investimentos e dar
esse dinheiro para pessoas que fizeram maus investimentos na esperança de que essas
pessoas que fizeram maus investimentos irão fazer bons investimentos no futuro
e que as pessoas que fizeram bons investimentos irão continuar fazendo bons
investimentos ainda que elas tenham menos dinheiro para tal.

Nessa mesma linha, quando perguntado o que pensava sobre a
idéia de o governo socorrer os mutuários afundados em toda sorte de dívidas,
Ron Paul, inspirando-se em Bastiat, respondeu:

“Se eles gastaram mais dinheiro do que tinham e agora não
estão conseguindo pagar suas dívidas, restam-lhes duas opções: ou eles cortam
gastos e trabalham mais para quitar suas dívidas, ou, se necessário, entram com
pedido de concordata. Mas eles não têm o direito de requerer que outras pessoas
paguem a conta, pessoas essas que podem ser bem mais pobres e que mal estejam
conseguindo se manter. Quando você pede que o contribuinte faça isso, uma outra
pessoa fica em apuros para pagar a conta. Essa é uma verdade absoluta: Alguém sempre vai  ter de pagar. Essa idéia de que não haverá
vítimas é uma completa falácia.”

Em resumo: o que os EUA estão vivenciando agora é uma
auto-correção do mercado a toda violência e distorção que lhe foi imposta pelo
estado. O mercado pode ser enganado por algum tempo, mas, no final, sua
realidade sempre prevalecerá. E o mercado está dizendo que os preços atuais dos
imóveis e de todos os ativos baseados em imóveis estão artificialmente
sobrevalorizados (artificialmente
porque foi essa injeção monetária do Fed que causou esse fenômeno). Por isso, o
mercado está demandando a correção desses preços.

Se o governo não se intrometer, deixar que os preços caiam
normalmente e parar com essas nacionalizações de empresas insolventes, a
recessão (leia-se: correção) será profunda, porém curta. Mas, se o governo
ficar inventando paliativos, estratagemas e artifícios vários para manter os
preços artificialmente elevados – como esse pacote de US$700 bilhões,
felizmente reprovado – a recessão será muito mais longa, conquanto sua
intensidade possa ser ligeiramente menor.

Toda e qualquer recessão sempre vai durar o tempo que o
governo do momento estiver disposto a agüentar.

E os EUA estão vivenciando esse exemplo clássico.

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31 comentários em “Exemplo Clássico”

  1. Interessante os dados. Realmente o Fed deve ta precisando de mais toner hahaha.

    mas quanto tempo duraria a recessao sem nenhuma intervençao?

  2. Excepcionalmente bem escrito, meu caro.

    Discordo de alguns poucos pontos, por ora, obviamente por limitações minhas: sua abordagem é consistente e muito interessante.

  3. Caro Leandro,

    Seria realmente possível para o governo americano cruzar os braços simplismente? Com certeza haveria uma quebradeira generalizada no mundo todo, com consequências imprevisíveis.
    A cada dia concordo mais com a teoria da escola Austríaca, mas não acredito que uma ruptura dessa magnitude seja viável atualmente, haja vista os gigantescos problemas sociais que dela adviriam, facilitando o surgimento de lideranças populistas que fariam com que houvesse um sério retrocesso político no mundo capitalista.

  4. Prezados, obrigado pelos comentários. Marco Aurélio e Antonio Araujo: se o governo cruzar os braços, a recessão será de fato profunda, porém curta. Foi exatamente o que aconteceu com a recessão de 1920-1921. O início dela foi igual à de 1929, só que, ao contrário desta, o governo nada fez e ela durou aproximadamente 1 ano. Já a de 1929 teve toda sorte de intervenção. Resultado: uma recessão que deveria ser curta só acabou em 1946. Não é à toa que a depressão de 1920-21 virou um mero pé de página na história, ao passo que a de 1929 virou uma hecatombe estudada até hoje. Qual foi a diferença entre ambas: intervenção do governo. E é exatamente isso que está em jogo agora. Com a aprovação desse pacotaço, no curto prazo poderá de fato haver uma recuperação. Porém, os maus investimentos que precisam ser liquidados não serão, o que prolongará a recessão, impedindo que as bases para uma recuperação sadia sejam formadas. Em outras palavras: se o governo sai completamente de cena, todos os ativos podres são liquidados. Isso causa um reajuste (recessão) profundo, porém rápido. Após esse ajuste, a economia já está pronta para crescer novamente, agora sobre bases sólidas.

    Por outro lado, se o governo ficar interferindo, imprimindo dinheiro, aprovando pacote, e coisa e tal, esse reajuste é adiado ad eternum. Durante esse período, a recessão é menor que no cenário acima, porém as liquidações necessárias nunca são feitas, e as bases sólidas para um futuro crescimento sustentável não são atingidas. A recessão só se prolonga.

  5. Caro Leandro,

    e o Brasil? Essa relativa prosperidade e crescimento econômicos que estamos experimentando no momento é também artificial?
    Em outras palavras, o nosso “boom” – modesto, é verdade – também é a conseqüência de uma expansão artificial – promovida pelo Governo – do crédito, da moeda?
    E, se isso for correto, então, acredito, também estamos sujeitos à mesmíssima crise, à depressão, certo?

    Desculpe tomar seu tempo.

    Meus cumprimentos.

  6. Prezado Fernando, obrigado pelo comentário. Pois é. Eis a grande questão. O que define a sustentabilidade de um boom é o conjunto da poupança real. Se a expansão do crédito se der como conseqüência de um aumento da poupança, então o crescimento é sadio e sustentável, pois há uma poupança real por trás de cada investimento. Porém, se a expansão do crédito advir unicamente da criação artificial de dinheiro, o crescimento é insustentável (para maiores detalhamentos, gentileza recorrer ao artigo “Como ocorrem os ciclos econômicos”). Foi exatamente isso que ocorreu nos EUA. Examinando-se o caso brasileiro, de fato estamos na (ou acabamos de passar pela) fase do boom. Mas a questão crucial é: os juros caíram porque a poupança subiu ou porque o BACEN injetou dinheiro na economia? A análise é complicada. O M1 foi de 92,4 bilhões em janeiro de 2003 para 187,2 em agosto último. Não acho que a poupança real tenha aumentado 100% nesse período. A queda dos juros estimulou visivelmente o crédito, o que levou a uma expansão brutal da construção civil, principalmente. O financiamento de automóveis, que em alguns casos chega a 99 meses, também é uma conseqüência típica desse fenômeno. Logo, meu palpite: estamos, sim, em um período de expansão artificial, porém bem menor que o americano – até porque nossos juros, não obstante a queda, ainda se mantiveram relativamente altos, principalmente o juro real. A bolha da construção civil vai estourar, mas não se sabe quando, nem como e nem a gravidade das conseqüências, pois não sabemos a real ‘alavancagem’ do sistema bancário; a “bolha automotiva” parece que já começou a desinflar, conquanto essa não vá trazer conseqüências muito graves (afinal, não creio que as carteiras dos bancos estejam repletas desses empréstimos). Enfim: nosso boom foi, sim, devido a uma expansão creditícia. Quando e como irá acabar? Ainda não há como saber. Até porque hoje saiu a notícia de que o BACEN está afrouxando um pouco os compulsórios. Mais crédito na praça.

  7. Olá,

    Este site é ótimo! Traz análises reais com base na economia austríaca, a qual já há algum tempo procuro estudar.
    Xará, seus comentários são muito bons também. Peço que fale um pouco de vc: sua formação, ocupações etc.
    obs: quando possível é sempre bom constar a data em que feito os artigos para facilitar a visualização da situação tratada.

    Valeu,

  8. Eh bom saber que ja existe brasileiros levantando a bandeira da economia austrica. Mas temos que agir para implementar essas ideias no Brasil.
    Eh hora de mudanca. Voltarei ao brasil em 3 anos e lutarei por esses ideais. Assim o Brasil realmente serah o pais do futuro.

  9. Prezados Leandro e Cassio, obrigado pelos gentis comentários. Leandro: na verdade, sou um reles tradutor e admirador da Escola Austríaca. Sou, também, estudante de Economia, mas isso não é mérito algum. Aliás, no cenário educacional brasileiro, chega até a ser um demérito. Nos cursos de ciências humanas, quanto mais longe o estudante se manter das salas de aula, maior a probabilidade de ele aprender a usar o cérebro. A educação deve ser buscada por conta própria, a única maneira de se chegar à verdade. Aproveito também para agradecer sua menção do Instituto em seu ótimo artigo na Gazeta. É assim mesmo: temos que nos unir para divulgarmos nossas idéias, exatamente como disse o Cassio.

  10. Acho que vocês me detestariam mais do que detestam alguém de esquerda! Eu não me interesso muito em me posicionar na esquerda ou na direita. Minha posição “ideológica” e política é outra: eu sou governista! (viu como vocês me odeiam agora?)
    E não vim fazer este comentário para vandalizar o site nem desrespeitar a opinião de vocês. Pelo contrário, vim aqui para conhecê-la. Mas, até por uma questão de legitimar o Instituto frente a pessoas não austríacas, eu gostaria de comentar este texto.

    O autor afirma, pelo que eu entendi, que recessões são temporadas de reajuste econômico necessárias pois a atuação de um banco central desestruturou o mercado. Isto deve ser uma terrível verdade, afinal, nada que seja planejado pelo governo consegue prever todos os impactos de sua intervenção. Mas o que eu não concordaria jamais é que recessões sejam desejáveis! O governo é, assim como todas as instituições terrestres, composto por pessoas. Enquanto acontecem recessões, pessoas passam fome e sofrem de desemprego. Empresas fecham, a instabilidade e violência aumentam. O risco de fanáticos conseguirem influência aumenta. Uma atuação do governo durante uma recessão é um risco muito alto, mas é um risco que a maior parte das pessoas está disposta a correr. Até porque, no final, atuações governamentais no curto prazo abrandam os problemas, que acabam por atrapalhar o médio prazo, mas no longo prazo: comparar o mundo hoje com o mundo de 1900 mostra as recessões não impediram que a relação custo-benefício da atuação do governo seja negativa.

    Não esqueci o ponto principal: recessões são CAUSADAS pelos governos. Devem ser mesmo. Acho que mais que a crise de 29, a experiência socialista seriam um ótimo exemplo disso, ou até mesmo a África. Contudo, acredito que os governos, na condição de instituições formadas por pessoas, aprendem com os erros, e pouco a pouco aprendem a ter MEMÒRIA dos seus erros (o que é um ponto importantíssimo). Assim, a sociedade deposita no governo, como seu porto seguro, a proposta de fazer experiências econômicas em prol do desenvolvimento e da melhoria do bem-estar. É um risco que elas correm, mas é um risco tal qual aquele que houve de destruírem o mundo com um acelerador de partículas. O que as pessoas querem dos economistas não é que eles descubram que o mundo tem que ser livre para funcionar – isso é inútil. Porque, se a sociedade for economicamente livre, ela vai começar a escolher pagar para que os economistas saibam como forçar desenvolvimento. E, livres como elas serão, vão votar em quem se propõe a tentar fazer isso. Seja ele Barrack Obama, seja ele Sarney, seja ele Hitler.

    A meritocracia é uma forma muito justa de tocar a sociedade. Mas, se implantada, surge a dúvida: o que fazer com os incompetentes? Eu estaria ferrado! Vai ver é por isso que eu defendo o governo. Prefiro o risco de um dia descobrir como o governo poderá promover o desenvolvimento do que ir pro olho da rua por ser um baita inútil!
    (:

    Aceito qualquer resposta, desde que não xinguem minha família! E agradeço muito quem leu até aqui! Obrigado!

  11. Igor,

    De modo algum seu comentário merece ser esculhambado. Foi bem sincero e sem qualquer indício de fanatismo histrionico. Merece, isso sim, ser bem avaliada e respondida. Não acho que seja possível em bate papo pela net resolver todas as suas duvidas. Só adianto que já pensei bastante sobre isso tudo que vc expos e continuo a pensar.
    A questao tem uma vertente economica e outra ética. Aceito que a intervencao governamental na economia é prejudicial no longo prazo, pregar sua intervencao no presente é jogar a bomba para o futuro – visto que já provado e comprovado que a recessao é inveitável e tende a ser pior na medida que se tenta evitá-la com mais intervencao – podendo até salvar sua pele agora, mas compromete-la sobremaneira em futuro nem tao distante (parte economica) e inviabilizar a das futuras geracoes (parte ética).
    O mais importante, ao meu ver, é que as pessoas tenham nocao clara dessas escolhas ao invés de serem ludibriadas com explicações demagogicas e irracionais. Se a mídia e os políticos disessem “é preciso escolher entre uma recessao agora, com o retorno ao livre mercado, que garantirá a prosperidade futura, ou mais intervencao agora para que seja garantida a atual situacao por certo tempo mas que depois terá consequencias desastrosas economica e socialmente, principalmente para os mais pobres (tendo em vista que os mega capitalistas facilmente se aproveitam das intervencoes para ganhar mais”. Se colocado nesses termos, por mais que nao concorde com as teorias de Rossueau e cia, estaria disposto a aceitar a vontade da maioria.
    Quanto à meritocracia, sugiro colocar a questao na seguinte perspectiva, ao invés de pensar modestamente como sendo vc o “baita inútil”: independetemente do que e com que qualidade vc faça, algo vc faz. Agora pense que suas condiçoes de vida estao sendo seriamente sacrificadas porque A, B e C nao querem fazer nada (apenas beber nos fds e pescar durante a semana) e, ainda assim,serem sustentados pelo Estado. Vc aceitaria isso? Uma sociedade assim poderia subsistir com alguma harmonia?
    Imagine que vc diga nao às respostas e comece a pugnar pelo fim dessa situaçao. Mas A, B e C se juntam com o alfabeto inteiro para politicamente conseguirem aprovar uma lei que garanta seu direito ao ócio financiado. A política, entao, seria o meio de estimular a luta entre grupos de interesses, fomentando a corrupcao etc. É isso. Espero que lhe tenham sido útil em alguma medida essas considerações bem singelas. Valeu,

  12. Igor, em relação à sua objeção quanto a recessões serem coisas desejáveis, talvez o mais certo de minha parte seria enfatizar que elas são necessárias. Sim, elas são necessárias. Recessões nada mais são do que correções feitas pelo mercado em uma economia que foi completamente desarrumada por intervenções estatais. Recessões são dolorosas, porém inevitáveis. E nenhum governo pode impedir isso. Aliás, até hoje absolutamente nenhum governo conseguiu evitar recessões. Sabe por quê? Porque é tecnicamente impossível lutar contra o sistema de preços, que é o que de fato comanda o mercado. Se o sistema de preços sinaliza pra baixo – que é o que ocorre durante recessões – é impossível mantê-lo artificialmente elevado – que é o que os governos tentam fazer. É o equivalente a eu bater o meu carro e insistir em querer vendê-lo a preço de lançamento. Ninguém vai comprar. Com a economia é a mesma coisa. Por isso, em épocas de recessão, o governo nada pode fazer. Aliás, minto, pode sim: ele pode cortar impostos e cortar gastos; ele não deve incorrer em déficits; ele deve cortar regulamentações para não tolher a livre empresa; ele deve cortar tarifas de importação para acelerar o barateamento das mercadorias; ele deve cortar custos trabalhistas; e, principalmente, ele deve cortar boa parte da burocracia. Se você não gosta de recessão, assim como nós do IMB, deveria nos ajudar a apoiar essas medidas. Abração!

  13. Prezado Igor
    acredito que eu nao poderia ter me expressado melhor do que vc fez em : “Enquanto acontecem recessões, pessoas passam fome e sofrem de desemprego. Empresas fecham, a instabilidade e violência aumentam. O risco de fanáticos conseguirem influência aumenta.”
    Essa é uma verdade absoluta. E, do mesmo jeito que os ciclos economicos são causados pelos governos (como vc parece ter aceitado), as recessões não podem ser evitadas, e nem minimizadas, por ele. A qtdade de “anos-ponto de excesso de desemprego” com a intervenção do estado é maior do que sem intervenção.
    Quanto a questão da meritocracia, é facil ver as “desvantagens” e dificil de prever as vantagens. Quantas pessoas ao redor do mundo não se beneficiaram e aumentaram seu bem-estar com as invenções de Thomas Edson ou com o desenvolvimento da medicina ? Tais inovações seriam impossiveis sem um sistema de recompenças (Lucro) justo e´é impossivel negar que todos os incompetentes estejam em melhor situação com elas do que sem elas. Obrigado pela discussão, parabens pessoal do IMB vcs tao fazendo um ótimo trabalho e desculpe por eventuais falacias.

  14. fabricio de souza

    Olá Leandro. Estou começando a estudar mais a escola austríaca e gostaria de saber, se puder me responder. Como seria a solução de mercado para essa crise ?
    Abraço e parabéns pelo trabalho.

  15. Olá, Fabrício. Bom, creio que a solução de mercado é exatamente essa que está delineada no texto e nos comentários acima: deixar que os preços se reajustem livre e desimpedidamente. Nada de o governo ficar imprimindo dinheiro ou utilizando o dinheiro do contribuinte para comprar ações na esperança de que isso vai impedir que os preços caiam. Ninguém pode lutar contra o sistema de preços. Essa é uma luta que sempre se revelou inglória em qualquer época e lugar. Portanto, deixem que o sistema de preços atue, doa a quem doer. Combatê-lo ou manipulá-lo é inútil. Abraços!

  16. Igor, discordo de você simplesmente por dizer que a “proposta” de um governo é voluntária e/ou a “vontade do povo”. Se isso é verdade, não é necessário haver leis contra a sonegação (ou qualquer outra secessão pacífica de um governo).

    O que acontece é o contrário, o governo não é corporação de associação voluntária com contratos transparentes entre membros que se fazem visíveis e responsáveis e com poderes limitados definidos pelas condições desta associoação, ou seja, não existe a possibilidade de liberdade política, já que associação é compulsiva, e assim o governo é um monopólio coercivo, definido somente pelo seu poder de exercer força física (e em última instância, morte) à aqueles que são sujeitos a este.

    Um livro muito bom sobre isso é “No Treason” de Lysander Spooner, advogado de direito constitucional, que analisa essas relações entre pessoas, governos e a constituição.

  17. Não acredito que a recessão será mais branda porem mais duradora caso o governo postergue a cura. Ela será igualmente devastadora e mais longa.

  18. Pelo que percebi,80% da galera da conserva e liberais são do metal. HÉVY Metál vai salvar essa desgraça. Logo, concluímos que, a culpa da situação do Brasil é do samba. Samba é um dos catalizadores do socialismo.

  19. Existe uma comunidade no Rio de Janeiro chamada por Tavares bastos, a rua principal da comunidade que originou o nome da comunidade. Irônico que o quartel do BOPE-RJ está sediado lá. Foi a primeira comunidade pacificada no Rio de Janeiro. Nunca poderia imaginar que o Tavares Bastos seria um representante libertário, segue o link com a obra do autor Tavares Bastos:

    http://www.brasiliana.com.br/obras/a-provincia-estudo-sobre-a-descentralizacao-no-brasil/pagina/6/texto

  20. Julio César de Sousa

    Bruno, seu trabalho é bom, mas essa música inicial não combina com o programa. Acho que você deveria rever isso. No mais, gosto do programa.

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