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Computadores e Governos

De tempos em tempos, enfrento um problema comum: meu computador começa a apresentar lentidão e travamentos pontuais. A solução inicialmente sugerida é quase sempre a realização de limpezas, seguido de formatação do hd caso não resolvam; em seguida, a responsabilidade recai sobre o hardware. Muitos apontam que é o momento de trocar de máquina, fenômeno frequentemente chamado de obsolescência programada.

Não pretendo discutir se o mérito disso reside em estratégias de mercado ou na velocidade com que a tecnologia avança. Quero, brevemente, relatar como essa situação se relaciona à mentalidade que nos torna vítimas fáceis do coletivismo e, por consequência, do estatismo — um tema que demanda nossa atenção.

Retornando ao computador lento…

Fico genuinamente frustrado ao investir um valor considerável em um equipamento de trabalho e saber que, em no máximo dois anos, precisarei realizar esse gasto novamente. Essa dificuldade me acompanha por mais de duas décadas. Ao longo desse período, busquei alternativas para evitar a substituição constante do hardware.

Durante o mestrado, conheci o Ubuntu. Na época, escrevi em meu antigo blog sobre Mark Shuttleworth, fundador dessa plataforma, que investia sua fortuna em um projeto Linux amigável para usuários comuns (e também em viagem espacial como tursta). O Linux é um sistema operacional (SO) de código aberto e gratuito, baseado em Unix, que gerencia o hardware e o software de computadores e dispositivos. Criado em 1991 por Linus Torvalds, é a base da maioria dos sistemas que conectam hardware e software no mundo, sendo amplamente utilizado por servidores e desenvolvedores.

Por ser aberto e livre, o Linux não vem “empacotado” como sistemas comerciais, a exemplo do Windows. O obstáculo que sempre encontrei foi a compatibilidade. Fosse pela interface, pelos comandos ou pela ausência de softwares equivalentes, acabei adiando a migração por anos.

Contudo, na semana passada, após o estresse com sucessivos travamentos, fiz uma nova tentativa. A diferença fundamental foi o uso da Inteligência Artificial para criar um roteiro profundo, garantindo uma migração sem transtornos para Linux Mint. Mesmo com esse suporte, dediquei uma semana ao planejamento e todo o meu final de semana à execução.

É aqui que estabeleço a associação: o comodismo que nos impede de enfrentar situações desconfortáveis é o mesmo, tanto para computadores quanto para governos. A dificuldade em buscarmos uma sociedade mais livre segue a mesma lógica. Recebemos algo pronto, “bonitinho” e que não exige esforço imediato. Por que discutir a forma como as estradas são construídas ou como decidimos a estrutura dos governos? Não se trata de uma crítica, mas de uma constatação: sem esforço, dedicação e resiliência, jamais teremos — ou mereceremos — a liberdade. Uma postura libertária é a chave!

O paralelo entre o libertarianismo e o movimento de software livre reside, primordialmente, na defesa da propriedade e da autodeterminação. Enquanto o libertarianismo propõe uma ordem social baseada na cooperação voluntária e na rejeição de monopólios coercitivos estatais, o software livre aplica esses mesmos princípios ao código: ele rejeita a “tirania” do software proprietário, onde o usuário é submetido a termos obscuros e restrições arbitrárias. Em ambos os casos, o valor supremo é a autonomia; assim como um indivíduo busca se desvencilhar das dependências do Estado para gerir sua própria vida, o usuário de Linux busca a independência tecnológica, garantindo que a ferramenta que utiliza para produzir e se comunicar seja transparente, auditável e, acima de tudo, incapaz de exercer poder injusto sobre seu proprietário.

Em última análise, tanto a soberania digital quanto a política exigem a coragem de abandonar a zona de conforto. Optar pelo Linux ou defender uma sociedade menos dependente do Estado requer o reconhecimento de que a verdadeira liberdade nunca será um produto de prateleira entregue por terceiros. Ela é, e sempre será, o resultado de uma escolha consciente por assumir as rédeas da própria existência, independentemente da complexidade que isso possa exigir.

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