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Os austríacos voltam à Áustria

Em 1905, Eugen von Böhm-Bawerk, então presidente da Akademie der Wissenschaften (Academia de Ciências), foi convidado para testar uma nova tecnologia que permitiria que gerações futuras pudessem ouvir sua voz.  Ele registrou uma bem humorada mensagem dizendo apenas que, infelizmente, o aparelho não poderia fazer o reverso, pois ele teria muito o que perguntar para as gerações futuras.  Semana passada, a voz de Böhm-Bawerk ecoou novamente no maravilhoso salão da academia que ele uma vez presidiu, e foi ouvida pela “geração futura”, formada por pessoas que estavam ali graças ao legado deste grande economista. 

Professores, estudantes, intelectuais e empreendedores de 28 países diferentes se reuniram em Viena no evento que simbolizou o retorno da Escola Austríaca ao seu local de nascimento.  Precisamente no local onde Carl Menger defendeu sua dissertação e onde Böhm-Bawerk e Friedrich von Wiser debateram tantas vezes, assistimos a palestras dos maiores economistas da atualidade.  E o evento contou também com passeios por outros locais da fervilhante Viena, como a Universidade de Viena, a casa onde Ludwig von Mises nasceu e os restaurantes em que Mises almoçava e se reunia após seus seminários privados com seus alunos.  As músicas cantadas nestes encontros, compostas pelo filósofo Felix Kaufman, foram traduzidas para o inglês e cantadas novamente ao final do passeio.  Visitamos a escola em que Mises estudou dos dez aos dezoito anos — a qual estava em horário de aula –, e até entramos em uma sala de aula, na qual alunos estavam aprendendo mandarim. 

As palestras foram brilhantes, começando com exposições sobre as origens escolásticas da Escola Austríaca, passando pelo nascimento da moderna economia na Viena de Menger (ainda dentro de uma muralha), e chegando à análise de problemas atuais sob a luz desta Escola.  Robert Murphy falou sobre o primeiro livro de Mises, The Theory of Money and Credit, para o qual ele escreveu recentemente um guia de estudo.  Joseph Salerno e Guido Hülsmann também falaram sobre a atualidade da obra e da importância dos trabalhos de Mises.  O cronograma completo do evento pode ser visto aqui.  Talvez o terceiro e último dia tenha sido o mais especial.  Ele começou com John Denson contando um pouco sobre a história da fundação do Mises Institute, em 1982.  Graças aos esforços de Lew Rockwell, a obra de Mises foi resgatada do limbo.  E em suas respectivass palestras, Doug French e Jeffrey Tucker contaram como a revolução tecnológica na era da internet fez com que esta obra alcançasse os quatro cantos do mundo.  E isso foi representado pelo quarto painel do dia, que contou com os presidentes de quatro institutos misesianos dentre vários que já surgiram em diversos países: Romênia, República Tcheca, Suécia e Brasil.  O seminário se encerrou com uma palestra do principal nome da Escola Austríaca da atualidade, Hans-Hermann Hoppe, que nos mostrou como Hayek contemporizou com os adversários socialistas e de como Mises jamais fugiu das implicações de sua teoria, sendo ele o grande “cavaleiro do liberalismo”.  Depois, ele sumarizou algumas dessas implicações sobre o sistema monetário, bancário e político, à luz das ideias de Mises e Rothbard, recebendo ao final uma grande ovação do público presente. 

E este público foi uma atração à parte.  Doug French disse uma vez que o movimento austro-libertário mundial é um furacão, e que o Mises Institute estava no centro dele.  E foi assim que me senti lá.  Economistas austríacos e libertários da Austrália, Letônia, Noruega — até mesmo um tcheco, dono de uma pousada em Búzios, eu conheci lá.  Giorgio Fidenato e Leonardo Facco, fundadores do Movimento Libertario da Itália, junto com Marcello Mazzilli, conversaram comigo sobre a ideia de fundar um Instituto Mises Itália.  Os dois são empresários que se recusam a cumprir cada nova regulamentação imposta pelo governo italiano, sendo heróis da desobediência civil.  Leonardo, além de ter uma editora, que foi a primeira a publicar Hoppe na Itália, é jornalista, e morou durante muitos anos na Venezuela, onde, obviamente, escreveu muitas verdades sobre o presidente Chávez, e hoje está proibido de pisar naquele país. 

Joakim Fagerström e Joakim Kämpe, do Mises Suécia, nos contaram que vão escrever um livro sobre os mitos do socialismo sueco, refutando-os um a um.  Eles sabem que, no mundo todo, a Suécia é utilizada como um exemplo de como o socialismo funciona; mas ambos não se conformam com tamanha inverdade.  Dentre outras maravilhas do socialismo nórdico, Fagerström me contou sobre o bisonho caso de um pai que está preso por educar seu próprio filho.  Vlad Topan, do Mises Romênia, relatou em sua palestra os grandes avanços que as ideias austríacas conseguiram em seu país, e nos bastidores conversou comigo sobre um recente debate ocorrido em seu país, no qual os conservadores levaram o filósofo Olavo de Carvalho para representar suas ideias, na crença de que bastaria apenas o grande filósofo falar, que os libertários ficariam sem respostas.  Vlad, reconhecendo o imenso conhecimento de Olavo, se limitou a expor a ética rothbardiana e o princípio libertário da não agressão, contando em seguida que Olavo não soube refutar estes princípios, admitindo que não conhecia a obra de Rothbard. (Após a publicação deste texto, o professor Olavo veio esclarecer que não houve debate algum, apenas a exposição inicial de Vlad, seguida de uma apresentação dele sobre outro tema.)

Os “austríacos austríacos” do Institut für Wertewirtschaft mostraram que a tradição da escola austríaca continua viva na Áustria.  São intelectuais que dominam não só a área da economia, como também da epistemologia, filosofia, história, sociologia etc.  Enfim, são dignos herdeiros da tradição dos grandes mestres austríacos.  E eles estão cada vez mais presentes na mídia mainstream, dando entrevistas para rádios, escrevendo nos principais jornais e participando de programas de televisão.

Porém, é com certeza da República Tcheca que vem as melhores notícias.  O professor Josef Sima abriu sua palestra relembrando uma declaração do presidente de seu país, Václav Klaus: “Fui muito influenciado por Hayek, mas minha maior influência é mesmo Mises”.  Alguém consegue imaginar Obama ou Lula dizendo algo assim?  Ele me contou que a primeira vez que ouviu falar de Mises foi através das entrevistas de Klaus, e que Klaus fez reformas importantes, principalmente após o fim do comunismo, promovendo diversas privatizações.  Mas que, de lá pra cá, mesmo estando por anos no poder, não fez mais muita coisa pela liberdade — um grande sinal de que a via política realmente não é o melhor caminho para a liberdade.  Aliás, outro grande feito de Klaus foi na via educacional, escrevendo um livro denunciando a farsa do aquecimento global.  Sima é o presidente do Cevro Institut, que é uma faculdade com mais de 600 alunos, em que os livros básicos dos cursos são de Mises, Rothbard e Jesús Huerta de Soto.  O mesmo acontece na University of Economics, uma das maiores universidades de Praga, que é também dominada pelo pensamento austríaco.   Sim, os austríacos dominam a academia lá.  Se ainda não são mainstream, as raízes já estão plantadas.

Sima contou-me que um dos fatores que levou a este estado favorável de coisas foi, por mais irônico que isso seja, o período do comunismo.  Ele disse que quando o comunismo se esfacelou, não havia nenhum livro sobre nada que não fosse comunista no país, e quando, por exemplo, ele traduziu o livro Power & Market de Murray Rothbard, este passou a ser um dos dois ou três únicos livros sobre o tema de intervenções estatais disponíveis no país.  O mesmo é válido para o livro sobre dinheiro e sistema bancário de Huerta de Soto e para tantas outras traduções que ele fez — se alguém quisesse estudar sistema bancário, teria que estudar Jesús Huerta de Soto!  Ele contou que o Instituto Mises Tcheco e Eslovaco foi fundado por ex-alunos dele, e que existem pessoas que estudaram economia austríaca em todas as partes e ofícios da sociedade, inclusive jornalistas.  Que é normal abrir os principais jornais e ver notícias comentadas através de um olhar rothbardiano.  Parece que o próprio professor Sima é uma figura conhecida na mídia tcheca.  Ele contou também que era sempre convidado para participar das colunas “Sim e Não” dos principais jornais de Praga, até que passaram a pedir para ele que escolhesse um assunto e tomasse uma posição que eles iriam procurar alguém para ser a posição contrária. 

bawerk.jpgNo Brasil, infelizmente, estamos muito distantes deste cenário.  Em nossa grande mídia, não existe nenhum defensor consistente da liberdade.  Os poucos que se preocupam com este tema, por não possuírem uma base intelectual sólida na tradição austro-libertária, toleram e até apoiam os mais variados tipos de intrusões socialistas contra os direitos individuais.  No mundo acadêmico, então, o cenário é desolador.  Os estudantes de economia passam quatro anos na faculdade sem ouvir nem uma menção a algum economista austríaco. 

Porém, felizmente, as coisas estão mudando por aqui.  Muitos estudantes de economia já se conscientizaram desta situação e tomaram a iniciativa de criar grupos de estudos dentro de suas universidades.  Começou em São Paulo, depois Brasília, e agora um grupo não só de economia austríaca como de estudos libertários foi criado no Rio de Janeiro.  Mises foi mencionado positivamente no novo best-seller do momento, e seu autor tem planos para escrever algo exclusivo sobre ele.  E cada vez mais os jovens se reúnem em torno das ideias libertárias e da sólida teoria econômica, como acontece no Liber.  O Mises Brasil continua o trabalho de traduções das obras austríacas iniciado pelo Instituto Liberal décadas atrás e planeja se expandir para a área de cursos on-line.  E a audiência do website cresce cada vez mais.  A batalha é dura, e o Brasil é um país bem maior do que a República Tcheca, mas vamos continuar nossa luta de difundir verdades e defender a liberdade individual.  Se eu pudesse usar algum dispositivo para mandar uma mensagem de volta a Böhm-Bawerk, ela seria: “Infelizmente, e por incrível que pareça, as ideias abiloladas de Marx — que você refutou completamente — estão dominando.  Mas aguarde alguns segundos (para nós, algumas décadas), que eu acho que as coisas vão mudar.”

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165 comentários em “Os austríacos voltam à Áustria”

  1. No Brasil, mesmo que de forma precária, estudantes de economia são levados a nomes da escola austríacos por eles de uma forma ou de outra fazerem parte da ementa do curso. Sou geógrafo e estou começando a tentar enqudrar as teorias da economia austríaca ao corpo de teorias geográficas, onde na maioria dos casos, os geógrafos se destacão tão somente por serem marxistas. Que analisar as obras de Milton Santos, Ana Fani, David Harvey, Eduard Soja e tantos outros verá os absursos ditos alí sem a menor reponsabilidade, em um discurso doutrinário e unilateral. Não vemos um só geógrafo no mundo falar sobre a prexologia. Deus me salva em meu projeto de dissertação que propõe analisar a obra do “grande ge[ografo” Milton Santos a partir de vários pontos: Desde a praxeologia de Mises a decadialética do Mário Ferreira dos Santos.
    Aqui fica a dica. Dêem uma olhada na geografia brasileira. Ela corre solta fazendo grandes estragos.

  2. Adorei a idéia dos cursos online. Acho que vou entrar em contato com o pessoal pois tenho experiencia profissional na área, e estou louco para fazer um tabalho voluntário em prol de uma boa causa.

  3. LIVIO LUIZ SOARES DE OLIVEIRA

    “O mesmo acontece na University of Economics, uma das maiores universidades de Praga, que é também dominada pelo pensamento austríaco.”

    Precisamos também de uma iniciativa como esta aqui no BrasiL. Já que os esquerdistas dominam o pensamento mainstream de economia no Brasil, principalmente os keynesianos, o correto seria criar faculdades de economia exclusivamente voltadas para lecionar Economia Austríaca.

  4. Ótima noticia! Bom ver que Mises (e a escola Austríaca) está mais vivo do que nunca!\r
    Estou no ultimo ano de economia e nunca ouvi falar de Mises na UFPE.\r
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    Mas discordo um pouco que no Brasil não há defensores da Liberdade na grande mídia. Temos Rodrigo Constantino e Ponde que dão show nos artigos semanais. São poucos, mas existem!\r
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  5. Fernando e equipe do IMB

    Sinceros agradecimentos por mencionar o grupo de estudos de Brasília. Ainda mais numa data tão especial. Hoje, 29 de setembro, é o 130º aniversário de nascimento de Ludwig von Mises.

    Somos um grupo relativamente pequeno, mas coeso no entendimento de como é desastroso o caminho do intervencionismo. Na medida das nossas limitações, é uma honra contribuir com a divulgação, em âmbito local, do liberalismo segundo a tradição da Escola Austríaca de Economia.

    Saudações

    Daniel Marchi
    escolaaustriacadf.blogspot.com/

  6. Fernando
    Que bom que você tenha tido a oportunidade de representar a Família Mises Brasil neste evento.
    Seu artigo nos faz vivenciar os bons momentos,o conhecimento e experiência adquirida que você tão bem nos transmite, ao mesmo tempo que desperta a vontade de conhecer mais e participar deste movimento de liberdade que estão trabalhando para implantar no Brasil.
    Muito Obrigado

  7. Se hoje eu estudo e conheço Von Mises, foi através das indicações de Olavo de Carvalho.\r
    Também concordo que um curso online seria ótimo!

  8. Ótimo! Aliás, queria saber o seguinte: alguém já foi p/ alguma dessas universidades? Acho que vou passar em alguma.. sugestões?
    wiki.mises.org/wiki/Where_to_study_Austrian_Economics

  9. Gostaria de saber se alguém que frequenta o site ou faz parte dele já comprou o “Home Study Course in Austrian Economics” do Robert P. Murphy e se ele é uma boa fonte para iniciar os esudos em economia austiaca de forma mais sitemática?

  10. Olavo de Carvalho já citou Rothbard algumas vezes. Acho estranho esse tal de Vlad dizer que o Olavo tenha admitido desconhecer a obra de Rothbard. \r

  11. Só pra melhorar a estatística do crescimento deste pensamento farei um auto-testemunho..

    Sou estudante de economia em uma universidade estadual do interior da Bahia (4º sem), e dês do 1º semestre eu já tinha uma ligação com a escola austríaca quando conheci a teoria de Mises sobre a impossibilidade de cálculo em uma economia planificada ou algo assim. O mais interessante é que até uns três meses atrás pensava que só tinha eu de austríaco em minha universidade, até que através de sites de relacionamentos conheci mais dois, e são dois alunos brilhantes que já estão se formando. Isso pode parecer pouco, mas se considerar que há uns dois anos atrás poucos sabiam desta escola no Brasil, hoje em dia pode até ter poucos adeptos (fato que está mudando vertiginosamente), mas uma grande parte dos alunos já está ouvindo ecoar nomes como Mises e Hayek pelos corredores universitários, e se está ocorrendo em minha universidade é porque o fenômeno está ocorrendo em grande parte das universidades do país, liderado por alunos que prezam pela pesquisa e não ficam presos a um mero conteúdo exposto em sala de aula.

    Poderíamos até estabelecer uma forma de mensurar este crescimento analisando a quantidade de postagens por artigo, ou seja, a cada dia que passa o número de comentários nos artigos do IBM vem aumentando, isso mostra que além de influenciar a teoria austríaca também vem incomodando muita gente..

  12. Eu conhecí a escola austríaca esse ano. Sempre me questionei do crescimento artificial brasileiro, serviço público e da social democracia. Felizmente encontrei, aqui no Mises, bons argumentos que refutam essa praga de fabricação de moeda falsa e políticas educacionais que destroem a capacidade e criatividade das pessoas. Para mim foi um alívio conhecer tais ideias, pois não aguentava mais as falácias marxistas.

  13. Pessoal, considerar o Olavo de Carvalho um grande filósofo é forçar a barra…

    Quando li no artigo que a República Tcheca adotou muitas idéias austríacas meu primeiro impulso foi ir no sítio da Standard & poors para ver o rating dela. Fiquei muito surpreso de ver como se saiu o país que até duas décadas atrás era um país comunista pobre.

    E pensar que nós temos “O espetáculo do crescimento”.

    http://www.standardandpoors.com/ratings/sovereigns/ratings-list/pt/la?sectorName=null&subSectorCode=39&filter=C

    Existe algum grupo de estudo aqui no Rio Grande do Sul?

  14. …”Mas que, de lá pra cá, mesmo estando por anos no poder, não fez mais muita coisa pela liberdade – um grande sinal de que a via política realmente não é o melhor caminho para a liberdade.”

    Chiocca, não entendi.Porquê não é o melhor caminho, e qual será a alternativa?

    Abs.

  15. José,não compreendi muito bem a tua colocação sobre “Governo Mundial”. Seria algo no estilo admiravel mundo novo ou 1984?

    O que pensa o pessoal do Mises sobre a a republica tcheca ser AA em tão pouco tempo depois de sair do comunismo?

  16. Distinto,\r
    \r
    não consigo entender a referência a Olavo. Qual o sentido da insinuação? Olavo divulga a obra de Mises, mas não concorda totalmente com ele. É proibido? Você já ouviu falar de conhecimento “genuinamente incerto”? Você acha que esse espírito de seita fundamentalista ajuda a ler alguma coisa? \r
    Bem, parabéns pelo excelente trabalho. Fico torcendo pelo curso on line, já que vivo em Sergipe. E, para finalizar, tenha muito cuidado quando se referir a Olavo. Rodrigo Constantino “cutucou a onça com vara curta” e saiu bem arranhado.\r
    Abraços.\r
    Rodorval Ramalho \r

  17. Olavo de Carvalho

    Isso é mentira da grossa. Não houve debate nenhum. Fiz uma breve palestra para um grupo de libertarians e saí imediatamente, pois tinha outro compromisso em seguida. Anca Cernea e Marius Bustan, dois conhecidos militantes conservadores romenos estavam comigo e podem comprovar o que digo. Eu teria tido o máximo prazer em ouvir os argumentos dos meus amigos libertarians e respondê-los, mas infelizmente não houve tempo. Certas pessoas sentem uma necessidade compulsiva de me rebaixar, mas não encontrando motivos reais para justificá-lo, têm de inventar.

  18. Pelo que entendi alguém está argumentando que nao se pode fundar uma ciencia sobre a sociedade baseada em principios éticos. As ciencias naturais são fundadas em principios metafísicos, e conseguem ser bons instrumentos para nós. Não há nada de errado com os princípios éticos.

  19. Momento Lula do Olavo: “Era tudo bravata!”\r
    \r
    Olavo, é chegada a hora de parar de se prostituir para os neocons e de deixar de ser um idiota útil dos esquerdistas e da Nova Ordem Mundial.\r
    \r
    Leia profundamente o pensamento libertário antes de ficar pontificando sobre o libertarianismo. Não pague outro mico como aquele de escrever aquele artigo mequetrefe “Liberdade e Ordem”, em que você criou uma espantalho, deu-lhe umas pauladas, e saiu cantando vitória. O pensamento libertário contemporâneo é de uma diversidade e riqueza que você não pode imaginar. \r
    \r
    O libertarianismo não precisa ser uma filosofia política perfeita, tampouco uma ciência; só precisa ser melhor do que as alternativas. \r
    \r
    E largue desse negócio de querer construir uma sociedade “bíblica”. A filosofia política mais próxima do que nos é apresentado na Bíblia é a libertária. \r
    \r
    Aguardemos 2012, então.\r

  20. Eduardo Rodrigues, Rio

    Recomendação de Bruno Garschagen (com a qual eu concordo):
    […] E não estranhe a presença de Bastiat, Mises, Hayek e Nock. Conservadores bebem (ou deveriam beber) nas melhores fontes liberais e liberais bebem (ou deveriam beber) nas melhores fontes do pensamento conservador. Não significa que liberais precisam ser conservadores nem que conservadores sejam também liberais, mas que aproveitem o legado intelectual uns dos outros de forma a enriquecer e testar os valores e princípios que lhes são mais caros.
    http://www.brunogarschagen.com/2011/09/os-livros-que-influenciaram-o.html

    Klauber Cristofen Pires também sugerira união entre liberais e conservadores.
    Vamos trabalhar juntos?
    libertatum.blogspot.com/2010/02/vamos-trabalhar-juntos.html

  21. Lendo os comentários do Olavo e as trocas de idéias por aqui, só posso lamentar que tenhamos de votar em Aécio, Serra, Marina, Dilma. Ô tristeza!

  22. Muito legal, o pessoal do Mises, Helio Beltrão e o professor Olavo aqui no debate. Chamei de professor pois é isso mesmo, o cara é muito fera.

  23. LIVIO LUIZ SOARES DE OLIVEIRA

    Senhores, gostaria de proferir um pequeno testemunho aqui.
    Cheguei a conhecer o site do Instituto Von Mises por meio do site do Olavo. Pasmem, mas antes do Olavo, mesmo tendo feito doutorado em Economia, eu nunca havia ouvido falar de Ação Humana, por exemplo. Muito menos de Rothbard, Leo Rockwell, Joseph Salerno, Hans Herman Hoppe e tantos outros luminares da Escola Austríaca. Na graduação, em uma das cadeiras de História do Pensamento Econômico, li algo introdutório sobre as origens do pensamento econômico, começando dos filósofos gregos (Aristóteles). Depois veio uma forte dose sobre os mercantilistas, para ficar bêbado, como não poderia deixar de ser. Como é que vocês acham que os economistas, em sua maioria, aprendem a amar os superávits na balança comercial, a odiar as importações e ainda mais os déficits comerciais? Nada sobre os pensadores de economia da Escola de Salamanca (não me lembro dos livros textos falarem nada sobre eles. Luis Molina, Martin de Azpilcueta? Ilustres desconhecidos), os clássicos (Smith, Ricardo, Say), algo sobre a Escola Historicista Alemã, e superficialmente sobre o pensamento de Carl Menger e de Bohm Bawerk. Nada sobre Mises. Na maior parte da História do Pensamento Econômico, li apenas sobre Marx e Keynes, naturalmente, os dois grandes medalhões do pensamento econômico de esquerda. Por outro lado, na pós-graduação, no máximo, no Brasil, em geral, como foi o meu caso, se estuda os pensadores da Escola da Escolha Pública (James Buchanan, Gordon Tullock, etc). E sei muito bem que o meu caso não é algo isolado. Antes de começar a conhecer o pensamento libertário, por indicações do Prof. Olavo, eu pensava que o máximo, em termos de filosofia anti-estatizante era justamente a Escola da Escolha Pública. E ainda tem pessoas aqui que ficam atacando gratuitamente o Prof. Olavo, acusando-o, dentre outras inverdades, de ser favorável aos neocons, de promover o pensamento estatista e à Nova Ordem Mundial, de ser isto ou aquilo, quando é justamente o contrário. Isso foi dito pessoalmente por alguém que escreveu o seguinte: “Olavo, é chegada a hora de parar de se prostituir para os neocons e de deixar de ser um idiota útil dos esquerdistas e da Nova Ordem Mundial.” Quem acompanhou, por exemplo, pelo menos uma parte do seu debate com aquele que é considerado o maior intelectual russo do momento, o filósofo Alexander Duguin, guru de Vladimir Putin, sabe do que estou falando (A íntegra do debate pode ser conferida no site do Olavo). Sinceramente, isso é um desrespeito, um falso testemunho e uma atitude de desonestidade intelectual. Se muitas pessoas como eu conhecem o trabalho do Instituto Von Mises e tantos nomes da Escola Austríaca atualmente, no Brasil, isso se deve ao trabalho do Prof. Olavo. Está dito no seu site que ninguém menos do que Von Mises é um dos seus gurus. Olavo, para quem conhece um pouco do seu pensamento, é adepto da filosofia que promove a consciência individual contra a tirania do pensamento coletivo. Se isso não é algo libertário, eu não sei mais o que é. Parabéns aos ilustrados membros do Instituto, Fernando Chioca e Hélio Beltrão, os quais, apesar de possuírem divergências de pensamento em relação ao Prof. Olavo, sabem reconhecer o seu valor e a contribuição do seu trabalho para, mesmo que de uma forma indireta, promover o pensamento libertário no Brasil. Ter divergências de pensamento com alguém não significa que este alguém não possa ter o seu valor e o seu mérito reconhecidos, só porque não comunga totalmente com aquilo que pensamos. E isso é o que pessoas sensatas como o Fernando Chioca e o Hélio Beltrão deram mostras aqui. Sabem separar o que é acessório do que é essencial. No essencial, Olavo oncorda plenamente com o pensamento libertário, embora isso não o impeça de ter ressalvas a um ou outro aspecto específico deste pensamento, o que não compromete de fazer contribuições à causa libertária, mesmo que por vias indiretas.

  24. Lívio, é isso mesmo. É importante aceitarmos as diferenças com pessoas que discutem civilizadamente e são construtivas como o professor Olavo de Carvalho, que todavia conheço pouco (espero remediar essa falha). Sua reputação é sólida, em particular entre alguns fundadores e membros do Instituto.

    O objetivo de um debate não é superar eventuais diferenças, ou convencer alguém, mas sim mutuamente aprendermos mais. Nunca devemos perder este foco. Crescemos quando aprendemos. Estou certo de que o Professor Olavo tem muito a ensinar.

    Em contraste, ultimamente tem havido, por parte de um neoconservador ex-libertário que já tentou manchar o professor Olavo no passado, campanha contra os libertários em geral, contra o Liber, MisesBrasil, etc. É uma postura lamentável. Seu objetivo declarado é fazer “guerra a essas ideias e instituições que estão convencendo cada vez mais jovens”. Os cães ladram e a caravana passa.

  25. O Olavo de Carvalho não concorda com o princípio de não agressão, ponto final. O fato de ele vir aqui e dizer o contrário é assustador. Basta que alguém leia dois ou três artigos de sua autoria para que se verifique que ele está, a todo momento, clamando pela agressão contra partes pacíficas.

    Quando ele diz que “Se o princípio de não-agressão é certo e justo na esfera moral, como julgo que o seja, ele não me parece suficiente para fundamentar toda uma filosofia política.” Ora, não resta dúvidas aqui: ele tem uma visão para sociedade que só pode ser atingida se partes inocentes forem violentadas, caso contrário não seria necessário violar o PNA para fundamentar a filosofia política que levaria a esse modelo de sociedade que ele tem como ideal.

    Alguém notou algum semelhança com outras filosofias políticas? Sim, comunismo, esquerdismo e todas essas outras ideologias anticivilizatórias.

    Um desses professores comunistas da USP poderia igualmente dizer: “Se o princípio de não-agressão é certo e justo na esfera moral, como julgo que o seja, ele não me parece suficiente para fundamentar toda uma filosofia política.” e poderia até soar razoável, como o Olavo de Carvalho parece soar aqui. Mas, essencialmente, eles partem do mesmo princípio: O indivíduo deve ser submetido às diretrizes impostas pela nossa filosofia política para que o objetivo final de nossa filosofia política seja atingido. Ou seja, por serem essencialmente a mesma coisa eles só podem ter discordâncias pontuais, nunca discordâncias por razões fundamentais. Se um esquerdista acha que drogas devem ser liberadas ele só o faz porque acha que isso encurta o caminha para o objetivo final de sua filosofia política, se o Olavo do Carvalho acha que drogas devem ser proibidas ele só o faz porque acha que isso encurta o caminha para o objetivo final de sua filosofia política.

    Enquanto isso o indivíduo fica esquecido, tratado como um objeto desprovido de direito até sobre o próprio corpo. Tudo isso em nome da praticidade de filosofias políticas.

    Por isso quem quer que ache o PNA justo e moral deve rejeitar, enfaticamente, filosofias políticas cuja praticidade só é possível com a agressão de partes pacíficas como ponto fundamental. Como é o comunismo e seja lá qual for a filosofia política que o Olavo de Carvalho adota.

    É por isso que ele propõe trazer exemplos “da realidade” para discutir a viabilidade ou não do PNA. É muito fácil confundir e falsificar as coisas dessa maneira. Da mesma forma que um esquerdista mostra uma foto de uma criança africana desnutrida para supostamente mostrar que a liberdade econômica é algo negativo, o Olavo de Carvalho trará alguma situação extraordinária (que será o equivalente da criança africana desnutrida) para supostamente demonstrar que alguma característica derivada do PNA resulta em algo inerentemente negativo e que deve ser combatido pela sua filosofia política.

    Mas como eu disse antes, essencialmente eles são a mesma coisa, então isso é algo natural e inevitável.

  26. Exatamente.. não adianta querer tirar por menos, Olavo não concorda com o PNA.
    Mas ele deve ter os motivos dele cara. Eu por exemplo, por muitas e muitas vezes pensei que o Mises internacional era uma estratégia globalista… e pode ser, sei lá.

    Como ele mesmo disse o que importa é a realidade.

  27. pelo que eu estive pesquisando, parece que esse Vaclav Klaus nem é tão “austríaco” assim, está mais para um conservador neo-liberal, como Reagan e Tatcher…

  28. Interessante que os defensores do “país policial do mundo” nunca indagam sobre quem iria policiar este policial.

    Cat,

    bom, se tiver que existir um policial para o mundo, eu prefiro que seja aquele que trouxe ao mundo, tecnologias como automóveis, aviões, computadores, rádio, televisão, foguetes espaciais etc… Do que aqueles que trouxeram ignorância e miséria, e que como Estado tem uma natureza agressiva tão real quanto aquela do policial do mundo. Para que haja paz em um mundo cheio de agressores por todos os cantos do planeta, é preciso que exista um equilíbrio de forças entre o policial do mundo e o resto dos Estados agressores, esse equilíbrio na prática policia o policial do mundo, se esse equilíbrio for rompido, a própria existência da humanidade estará em risco. O policial do mundo, é claro, cobra pelos seus serviços, e se aproveita de sua condição em determinadas situações, mas o quanto ele pode abusar é limitado pelo o equilíbrio de forças com o resto dos Estados agressores.

    Estados possuem uma natureza agressiva porque pessoas possuem uma natureza agressiva, a existência do Estado ou sua natureza somente irá mudar quando a existência das pessoas ou sua natureza mudarem.

    O problema não é a natureza do Estado, o problema é a natureza das pessoas.

    O que vemos como um problema (se ele for um problema, e não um estado da realidade necessário para o desenvolvimento da consciência), é a ação humana, pessoas agem para saírem de uma situação menos satisfatória para outra situação mais satisfatória, e fazem isso na natureza de um mundo de recursos escassos, e portanto precisam competir por esses recursos, essa competição pode se dar por meio da troca voluntária, respeito a propriedade privada e livre mercado (que indica uma consciência mais evoluída), ou não (que indica uma consciência menos evoluída), e enquanto houver na realidade a possibilidade de não haver competição pela forma mais evoluída, haverão agressões, é o ser humano que não gosta da troca voluntária, respeito à propriedade privada e livre mercado, pois é o ser humano que é preguiçoso, vagabundo, ladrão, assassino, chantagista, corrupto, imoral, e como ser humano ele se associa em diferentes níveis de organizações criminosas,tais como bandos, PCC, máfias, FARC, ESTADOS, etc… Enquanto a natureza agressiva do ser humano não for domada pelo desenvolvimento de sua consciência, continuarão a existir organizações criminosas em todos os níveis, e essas organizações imorais (menos evoluídas) serão uma ameaça constante para as organizações morais (mais evoluídas).

  29. E o que impede do estado policial se tornar um estado que só gera ignorância e miséria?

    Absolutamente nada! Esse não é o ponto!

    Ps. Quem cria tais tecnologias não é o estado, mas sim a iniciativa privada. No máximo o estado propicia que tais tecnologias apareçam, quando deixa de se intrometer na economia e permite o acúmulo de poupança da população. Já ignorância e miséria sim, são produtos genuínos de qualquer atividade estatal atualmente.

    Absolutamente certo! Mas esse não é o ponto!


    Já leu estes livros?

    http://www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=69

    http://www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=17

    Só o primeiro.

    Uma ética moralmente superior é um guia para a humanidade, só isso.
    A dificuldade está em consumar essa ética na realidade, esse é o ponto.

  30. Quando esse artigo foi escrito eu jamais tinha ouvido falar de Mises&CIA, pensava que FHC e o PSDB eram “de direita” e que Lula era sincero e honesto, estando apenas “equivocado”. Milhões de outros brasileiros podem dizer o mesmo. Houve muitas melhoras nesses anos, frutos do trabalho do IMB e outros.

    * * *

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