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Educação Pública – Um fetiche socialista

[Texto adaptado a partir da exposição inicial apresentada no debate interno do Diretório Paulista do Libertários, realizado em 7 de agosto de 2011]

Muito se fala em educação no Brasil.  Na verdade, parece que dizer que “a educação é a solução para o Brasil” é, ao lado do futebol, do carnaval e da bunda, uma unanimidade nacional.  Pretendo questionar o porquê desse verdadeiro fetiche por educação, mas antes quero questionar o porquê de, existindo este fetiche, as pessoas se voltarem para o pior meio de se realizar esta fantasia, o estado.

Tudo que é fornecido por meio do estado é sempre de pior qualidade e mais caro do que quando fornecido pelo mercado.  Isto porque o estado se guia por pressões políticas, e não pelo sistema de preços.  Não importa o tamanho do fracasso das empreitadas do governo — mais dinheiro sempre estará disponível.  Mas no setor privado, se um empreendedor fracassa e não consegue atender as demandas dos consumidores melhor e mais barato que seus concorrentes, ele vai à falência e tudo que ele investiu do próprio bolso ou do bolso de investidores é perdido — e dificilmente investidores que tiveram prejuízos lhe darão novo dinheiro.

Então, se alguém tem por objetivo educação de mais qualidade e a custos acessíveis para a grande maioria, deve apoiar a total e imediata separação entre estado e educação.

Uma questão que surge é “como os pobres iriam conseguir educação?”  (como se roubar de uns para prover educação para outros fosse uma opção a ser considerada e não imediatamente rejeitada!).  Temos exemplos atuais de lugares muito mais pobres que o Brasil, na África, China e Índia, onde escolas que visam lucros são frequentadas por crianças pobres, como pode ser visto no livro de James Tooley. 

Aqui no Brasil mesmo temos exemplos recentes de lan houses funcionando em favelas e proporcionando acesso à internet para as crianças pobres dali — e ainda, obviamente, lucrando com isso.  E se internet não é educação, eu não sei o que seria.  Assistam ao vídeo abaixo sobre como a ação de um empreendedor mudou a realidade na favela Antares. 

antares.jpg

Um pretexto muito usado para justificar o fornecimento de serviços de educação através da violência estatal é o de “igualdade de oportunidades”, a qual supostamente seria atingida com um “acesso universal à educação”.  De fato, como alguém pode falar em “igualdade de oportunidades com educação universal” sem começar defendendo que todas as crianças tenham um computador e acesso a internet?  Antes que os socialistas tomem isto como mais um dever do estado, Harry Browne já nos fez ver o que seria de nós se o governo assumisse a indústria de computadores

Dito isto, e espero que tenha ficado claro que aqueles que valorizam os serviços de educação devem exigir que o estado tire suas mãos desse setor, vou analisar agora este fetichismo da educação.  O dicionário define fetiche como “objeto a que se atribui poder sobrenatural ou mágico e a que se presta culto” — e é exatamente este comportamento que observo no Brasil perante a educação.  Ela tem mesmo este poder de transformar o Brasil?

Em 1961 foi realizada por Fidel Castro uma campanha nacional de educação e Cuba tornou-se o primeiro país do mundo a erradicar o analfabetismo.  Cuba está completando agora em 2011 50 anos sem analfabetismo.  E Cuba conta hoje com os melhores índices de educação das Américas.  (Vamos confiar aqui nos dados fornecidos pela ditadura castrista)

Como está Cuba hoje?  Nas Américas, os cubanos só não são mais miseráveis que os haitianos.  Uma educação universal e de qualidade veio acompanhada de diminuição da pobreza?  Nestes primeiros 50 anos, parece que não.  No começo dessa semana, uma reportagem sobre Cuba da Agência Estado nos deu um exemplo da situação por lá:

Não há dados oficiais sobre o percentual de desemprego, mas as pessoas se queixam da falta de oportunidades.

Muitos cubanos se oferecem aos turistas como guias informais e até companhias para, em troca, receber pagamentos. A história do médico intensivista Juan Pablo Luis é comum a muitos cubanos. Ele abandonou a profissão para ser taxista. Segundo o médico, a opção, “bastante dolorosa”, foi tomada depois que o filho, de 11 anos, nasceu e ele viu a situação ficar mais difícil. “Sonho todos os dias que estou trabalhando na minha profissão. Não gosto de falar sobre isso”, disse.

Esta história mostra que dar oportunidade para que todos estudem o que quiser (mesmo que o preço seja a miséria de todos) só cria este tipo de distorção bizarra, em que ser taxista, que é um serviço que pode ser desempenhado por alguém que jamais tenha entrado em uma sala de aula, paga mais do que a profissão de médico, que é um serviço altamente especializado que exige muitos anos de estudo universitário.

Sem o sistema de preços para guiar suas decisões, o governo sobreinvestiu em educação, que nada mais é do que um bem, e o investimento resultou em um retumbante prejuízo.  Juan Pablo conseguiu realizar seu sonho de ser médico, mas não o de praticar medicina, já que não há mercado para ele.  Todo o custo de sua faculdade foi arcado pelo governo.[1]  E como o governo não tem dinheiro próprio, ele tirou o dinheiro de toda a população do país.  Se fosse um investimento privado, ele teria desperdiçado seu próprio dinheiro, mas este e muitos outros investimentos em educação sem retorno foram pagos por todos os cubanos.  É fácil perceber porque a miséria impera naquela ilha. 

Portanto, educação estatal não é e nem pode ser eficiente e, além disso, o acesso universal à educação garantido através do estado — e não o resultado de um mercado livre — é algo que vem com um custo altíssimo e indesejável, o qual é jogado nas costas de outros. 

Em 1848 Karl Marx, em seu O Manifesto Comunista proclamou: “É dever do estado garantir a educação pública e gratuita de todas as crianças”.

Vinte e cinco anos antes, em 1823, o libertário Thomas Hodgskin  advertiu: “É melhor não ser educado do que ser educado pelos seus governantes”.

Eu fico com Hodgskin; e você?



[1]  Outro exemplo desse tipo de investimento errôneo estimulado pelo estado pode ser visto na bolha educacional que os EUA estão vivendo, mas neste caso, os prejuízos ficam com os estudantes e seus pais.  Veja o artigo de Doug French, The Higher-Education Bubble Has Popped.


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162 comentários em “Educação Pública – Um fetiche socialista”

  1. Caro Fernando Chiocca ,\r
    Filosofismos à parte, a educação estatal pode ser de boa qualidade. aliás já o foi num passado até recente. \r
    Ilustro com uma história familiar aqui do RJ – Capital, minha tia avó ,por volta de 1920 minha tia avó era professora formada e ensinava em casa, ensinava as crianças a ler escrever e fazer contas, o acesso a escola era muito dificil .Meu avô, o irmão caçula dela e 7 anos mais novo , estudou no então renomado Colégio(público) Pedro II e depois na Escola Nacional de Direito (Publica) ,minha mãe estudou no então fortíssimo e renomado Instituto de Educação também Público. Minha avó estudou numa escola particular , o “Arte e Instrução”, particular e considerado fraquinho, proprio para moças, fez apenas o primário.\r
    Eu só estudei em escolas particulares e consideradas “fortes”.Quando me preparava para o vestibular,estudando química orgânica na copa-cozinha de minha avó e enrolada com as fórmulas de carbono e oxigênio minha avó-que só fez o primário- passa , olha, decifra e diz .. isso aí é água pesada, é assim … e fez ! Depois já no primeiro ano da fac. de medicina , chego eu em casa, toda cheia de mim, com meu saco de ossos humanos para estudar anatomia , mostro aos presentes e minha mãe, professora de linguas sai colocando todos os ossos da coluna(os mais difíceis) em ordem e dizendo os nomes … ela havia sido boa aluna em anatomia na Escola Normal … Minha tia avó tinha uma dicção e caligrafia perfeitas ! Meu avô foi delegado de polícia muito respeitado a sua época. \r
    Então,tenho a convicção de que a escola pública pode ser boa , mesmo excelente ! O mal está nas pessoas que ideologizam o ensino. \r
    Tambem tenho convicção que a informática, como qualquer outra ferramenta só tem boa serventia em mãos hábeis ! Que adianta informatizar sem instruir ? Quem não sabe o que procura desconhece o que encontra! Informatizar pras crianças ficarem em redes sociais e em joguinhos RPG e outros é mto burro e idiotizante.\r
    Posso afirmar que o mal da educação hoje é o Construtivismo e os PCNS do MEC , este é o nome da teoria educacional de um velho conhecido de todos , o italiano Gramsci, o brasileiro Paulo Freire e a Argentina Emília Ferrero. A trinca do mal. O problema é a doutrinação marxista leninista sem precedentes, a Seita fundamentalista que isso se tornou. E NÃO se engane tambem em 99% das escolas particulares . Abra os livros de seus filhos ou sobrinhos e estarreça-se com a agenda leninista lá , desde a pré escola ! \r
    Máximas que já escutei em escolas particulares “professor ensina e aluno aprende é burgues e opressor, o professor é um mediador da aquisição de competências”, “escola conteudista é arcaica,o aluno deve construir seu conhecimento a partir das trocas de experiências com seus colegas”,”deve-se respeitar o tempo do aluno para aquisição da competencia escrita”, “alfabetizar e memorizar é arcaico, imerso num meio letrado o aluno aprenderá a escrever e o importante é compreender a matemática “. “o importante é ser feliz,tenha fé que no fim dá certo”, “todas as formas de escrever estão corretas, mas há algumas que são mais usadas que as outras” … juro que quando escutei isso lembrei do Animal Farm de George Orwell e o “todos são iguais perante a lei, só que uns são mais iguais que os outros” … \r
    PISA, Brasil tem resultados pífios .. pior que o Haiti ! \r
    Abs,

  2. Carlos U. Pozzobon

    O fato é que as pessoas não querem reconhecer que a tecnologia já dispensa a escola, a menos para as crianças que precisam de acompanhamento permanente. Para quem estuda, a maior necessidade se chama tutoria e não sala de aula. Concordo que reunir estudantes para debates é algo importante no processo de aprendizado, porque afinal a escola é também um local de socialização ou de criação de amizades que serão importantes para o resto da vida. Mas não acho que isso tenha de ser feito todo o dia. O retumbante fracasso das iniciativas de e-learning, desde sua proposição em 2001-2002 veio do lobby das faculdades tanto privadas quanto públicas. Isso acontece porque no Brasil se confunde educação com diplomação. Para uma sociedade baseada em curriculum vitae e não em biografia pessoal, a diplomação é o que conta. Pois diplomação só se consegue em escolas certificadas pelo Estado. E, evidentemente, o Estado não certifica nada que não seja escrutinado para servir seus propósitos políticos de monopólio. Ora, educação é outra coisa. Educação é um processo permanente, um estilo de vida e não uma meta que se encerra com uma formatura, um baile e muitos abraços e fotos com um chapéu ridículo de bacharel. Mas quando a tecnologia abre espaço para que o mérito do esforço pessoal se sobressaia com a prevalência da essência sobre a aparência, eis que a sociedade envereda raivosamente contra a meritocracia. Não por acaso se criam monstruosidades como as cotas raciais, a supressão da repetência, a nivelação por baixo, a tolerância com a evasão escolar e o baixo nível do professorado. Jogando a educação para a vala comum da indiferença, o sistema está se capacitando para ser incapaz, promovendo incompetentes e premiando os piores. Ao longo do tempo se cria uma geração com valores totalmente distorcidos da realidade e impotentes para qualquer coisa que represente iniciativas intelectuais próprias. E isso também em escolas privadas permanentemente fiscalizadas pelo governo. E talvez exatamente por isso.

  3. Legal Cris, sua mãe sabia a posição dos ossos da coluna. O que isso mudou na vida dela? Essa é a sua definição de “educação de qualidade”? Você receber um conhecimento inútil sem necessidade para a sua vida?

    Educação é um meio para conseguir habilidades que permitam conseguir dinheiro. Se gabar porque perdeu 10 anos da vida decorando ossos e fórmulas químicas que não influenciam em nada sua vida pessoal ou profissional, é mera perda de tempo.

  4. Eu queria saber que educação pensam que estão dando aos seus filhos aqueles que defendem que se roube pessoas pacificas para pagar pela escolas?

  5. Falando em educação, e aquele papo de universidade mises Brasil, com aulas online? Vai deslanchar? Além de isso poder se converter em grana para vocês, vai ser muito bom para a causa.

  6. Ótimo texto, assunto sempre pertinente. Há outros exemplos além de Cuba onde o governo torrou dinheiro em educação e isso não serviu pra nada, como Rússia, onde se encontra prostitutas com phD, ou Tunísia, onde praticamente todo jovem tem educação superior mas não conseguem encontrar emprego, como o médico-taxista cubano. A taxa de desemprego lá é elevada, justamente entre os mais jovens.

    Pequena OBS, talvez só adicionar um “investimento errôneo estimulado pelo estado” na nota 1 para que não fique a impressão de que foram erros individuais em massa.

  7. Eu gosto muito do método Kumon. Conheço inúmeras pessoas que aprenderam Matemática com este método. Hoje é uma franquia de respeito no Brasil.

  8. “Vinte e cinco anos antes, em 1823, o libertário Thomas Hodgskin advertiu: “É melhor não ser educado do que ser educado pelos seus governantes”.

    Eu fico com Hodgskin; e você?”

    Completando:

    “Seria me­lhor para os trabalhadores ficar privados de educação do que sua recebê-la de seus patrões, porque a educação, nesse sentido, não é melhor do que o adestramento dos animais que são subjugados pela canga… Os trabalhadores de Londres devem perseverar, como os de Glasgow, e fundar a nova instituição às suas próprias custas.”.

    Abraços.

  9. Fernando, o Bruno está apenas evocando o direito de propriedade sobre o próprio corpo (que inclui seu cérebro e todo o seu conteúdo) ao escolher ficar com Marx. A argumentação do Raphael foi mais eficaz em explicar o motivo dos argumentos dele não serem tão consistentes quanto parecem. Há necessidade de troca de insultos?\r
    \r
    Enfim, não me daria ao trabalho de comentar só para dizer isso. A única coisa que eu gostaria de registrar é que o argumento do Bruno, apesar de não ser capaz de embasar a tese que ele propõe, explicita uma coisa importante que é a única resistência que ainda existe em minha humilde cabecinha à eliminação total do estado: o descumprimento de acordos.\r
    \r
    Li recentemente um artigo aqui no IMB sobre como seria um sistema de justiça 100% privada, e ele me convenceu de que, se o mundo fosse simples, leia-se: se não existissem organizações monstruosamente poderosas (como o estado e grandes corporações), a argumentação seria perfeita. No entanto, ainda que levada à justiça particular e sentenciada a indenizar um ex-funcionário pelas horas que ele trabalhou a mais do que havia sido acordado inicialmente e não foram pagas, por mais que grandes corporações se preocupem muito com sua imagem, a maioria delas comete atos socialmente condenáveis, e não os remediam até serem obrigadas. Mesmo sendo mal vistas, elas investem em propaganda e ações para melhorar sua imagem. Atos altamente contraditórios em minha visão de administrador, mas é a realidade de muitas grandes empresas.\r
    \r
    Entendo que o que dita toda relação de troca é o poder de barganha, que é inversamente proporcional à percepção de perda no caso de descumprimento de um acordo, e é essa a verdadeira causa da insatisfação do Bruno e de muitos outros: o fato de possuir poder de barganha muito menor que o seu empregador. Ao mesmo tempo, do lado do empresário, o prejuízo para a imagem PERCEBIDO por essas empresas é menor do que o prejuízo financeiro de se arcar com o que elas haviam previamente acordados, e tenho certeza que, em se mantendo essa condição de diferença de poder de barganha, elas jamais cumpririam 100% de seus acordos a menos que forçadas.\r
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    O argumento de que “no longo prazo essas empresas vão falir, e as boas vão ficar” não é necessariamente verdadeiro, e isso pode ser constatado observando que há empresas com “más práticas” que conseguem se manter por muitas décadas no mercado, pois conseguem reter funcionários por tempo suficiente pra desenvolverem e comercializarem produtos de boa qualidade e bom preço, mas simplesmente não cumprem o combinado com todos os funcionários que contratam.\r
    \r
    Além desse aspecto, mesmo que todas elas realmente falissem no longo prazo, eu me questiono até que ponto o prejuízo suportado pelos funcionários prejudicados até a falência da empresa seria menor do que o prejuízo que o estado traz a todos nós. E mais importante, se ele realmente seria menor que o prejuízo que seria suportado caso o estado fosse muito menor, e servisse apenas como mediador de acordos, obrigando todas as partes a cumprirem tudo o que acordaram ou a oferecerem uma compensação que a parte prejudicada considerasse suficiente.\r
    \r
    Por mais que concorde que o estado é daninho, e que quanto menor sua atuação, melhor, ainda não consigo me convencer completamente de que a ausência de um mediador com poder coercivo nesse tipo de situação seja melhor do que a presença de um. Vocês seriam capazes de me ajudariam a vencer essa última resistência sem insultos à minha baixa capacidade de compreensão?\r
    \r
    Grato.

  10. Realmente, a discussão está em um nível “elevado”, ao qual seus participantes chegaram por terem frequentado boas escolas. Seria interessante que cada um dissesse quantos anos estudou e em quais escolas, com seu tipo (pública municipal, estadual, federal ou privada).
    Questão sociológica elementar à parte, seria necessário rediscutir a obra de Montesquieu para poder repensar a natureza do Estado. Além disso, é importante consultar Weber e sua definição fundamental de Poder Legítimo de Coerção. Afinal de contas, por que se deve confiar em uma empresa que cuida da segurança pública? Quem poderia questionar seus excessos? O consumidor, que preferiria outra força? Mas aí poder-se-ia ter uma guerra entre poderes rivais…
    Um país interessante, neste contexto, é a Somália, onde não há Estado Nacional Instituído. Um bom exemplo, concreto e real, para as especulações dos comentadores acima. Interessante notar que se encontra dividida entre senhores de guerra…
    Grato!

  11. Então, João, fica a pergunta: qual empresa vai tomar conta da segurança?

    No Brasil, o Estado sustenta duas estruturas nacionais autorizadas a utilizar a força de coerção: o exército e a polícia federal. As UF têm as polícias civil e militar, e os municípios as guardas municipais.

    O que os vocês sabem a respeito dessas organizações? Quais as suas mazelas e os seus feitos?

    A sugestão de uma empresa privada monopolista de segurança pública é curiosa. O que ela faria, em tempos de crise? Forjaria a violência, para valorizar suas ações, aumentando a demanda por seus serviços? Ou não, pois o mercado livre é perfeito e os seres humanos são “paz e amor”?

    O instituto poderia, além de discutir economia, discutir também política, direito e sociologia.

  12. “Durante o período de um ano qualquer, é improvável que mais do que quatro ou cinco pessoas, nesse universo de mil, necessitem de proteção policial.”

    Esta suposição é importante para o desenvolvimento de um dos artigos citados. Mas, de onde vem a estimativa? Parece frouxa e pouco fundamentada. Uma ideia interessante, mas que não se sustentaria diante de conhecedores mais aprofundados do sistema policial e prisional no país…

  13. Luis, a maior parte da criminalidade violenta nas grandes cidades do Brasil se concentra em regiões de alta vulnerabilidade social.

    Você pode buscar alguns centros de estudo de Criminalidade e Segurança Pública a esse respeito. As estatísticas, evolução dos números. Não se trata de gosto, meu caro. Na discussão ideológica, o paladar vai bem. Mas aqui se trata de indicadores mensuráveis…

    Indico o CRISP, da UFMG.

    Aproveito para sugerir um link para que vocês pensem sobre liberalismo, Estado e economia:

    g1.globo.com/economia/noticia/2011/08/warren-buffett-pede-aumento-de-impostos-dos-mais-ricos-como-ele.html

  14. Eu não sei, Luis…

    Até considero que esta aproximação entre o mega bilionário americano e o Obama tenha algum objetivo político (afinal de contas, todos negociam em busca de interesses condizentes com sua posição: um presidente e um mega investidor têm muitos interesses relativos a suas posições…)

    De todo modo, é impossível acreditar que, sem os impostos, há reinvestimento e aumento de salários. Aliás, veja o Brasil: os melhores salários são pagos pelo governo. Conheço funcionários de bancos “personalité” que dizem que seus clientes, ou são empresários, ou funcionários públicos. Os funcionários privados não possuem contas lá…

    É certo que há os executivos top, que recebem salários na casa das centenas de milhares, às vezes milhões de reais. Mas são centenas de pessoas num país de 200 milhões. Funcionários públicos, por sua vez, são milhões, com salários bons, acima da média, mas que não beiram as várias centenas de milhares dos executivos. Bons salários movimentam a economia e permitem, inclusive, arriscar em negócios próprios, com a pequena acumulação que geram.

    Não vejo o estado como este monstro. Aliás, quando ele arrecada, ele paga, movimentando a economia. É um ator econômico extremamente relevante. Por ser tratado com tanto desdém, muitas vezes paga caro, e é dominado por interesses escusos. A causa do problema é a escassa cultura política do brasileiro, e não o fato do estado existir. Se fosse tratado como uma empresa, com seu negócio específico e metas a cumprir, o estado poderia se tornar um agente econômico muito interessante. Funcionamento racionalizado a partir de simples objetivos: fornecer serviços de qualidade e promover o bem comum. É esse profissionalismo o que falta. Mas vejo na política atual de contratação de pessoal para o funcionalismo este objetivo de atrair os melhores profissionais, com salários acima da média, para ter à disposição uma excelente equipe, capaz de levar este “negócio público” da melhor forma possível.

    Os impostos podem ser reinvestidos em benefícios coletivos, enquanto que as margens de lucro nem sempre geram isso. Ora, quem acumula, acumula por acumular. Qual meu interesse em reivestir capital, a não ser para gerar mais capital para mim? Se eu fosse grande capitalista, pouco me importaria com bem público. Falo de coração. Leis, ordenamentos: se estivessem me prejudicando, atuaria de modo a tentar desestabiliza-las. Direitos de trabalhadores, minorias? Que diferença fazem, para mim? Eu não sou desse time. Neste particular, a história do Estado de Bem Estar Social europeu é interessante: o processo de evolução social que levou os trabalhadores a ganharem direitos. Pois o capitalismo se iniciou dando privilégios irrestritos a donos de capital, com ativa participação do estado no processo. A revolução industrial inglesa marca o início do capitalismo, e deve sempre ser lembrada.

    Neste contexto ideológico, a reação simétrica e inversa é a revolta social, a luta armada, a dissolução da propriedade privada e coletivização dos meios de produção. Vejo, portanto, nesta defesa irrestrita dos interesses individuais e neste neo-liberalismo dos textos que acompanhei aqui uma postura extremista. Isso aqui é a extrema direita, com suas fantasias fantasmagóricas, raciocínios apriorísticos, mesmo quando o problema é empírico. Para lidar com problemas econômicos e sociais concretos, como acumulação de capital, distribuição de renda e riquezas, violência, o método mais adequado é sempre o método científico: a produção de dados, o trabalho de formiguinha de pesquisador, contra elocubrações vazias.

    Creio que a tendência da política nacional e internacional é um processo de sedimentação da esquerda no poder, e processos mais intensos de redistribuição de capital. É totalmente irreal dizer que beneficiários de programas sociais são vagabundos. Mega empresários certamente não trabalham (conheço empresários nem tão grandes e que já não trabalham), e toda a acumulação de capital advém da exploração de trabalho alheio. Olha, a despeito das tentativas, é impossível superar as análises econômicas de Marx. Não há nada melhor no mercado…

    Não há espaço, no meu entender, para revoluções sociais, mesmo porque o estado as contém com seus programas sociais. Agora, se coisas como as que vocês falam passam a valer, certamente inúmeros problemas de ordem social ocorreriam. E, contra isso, não há nenhum argumento ou mesmo idealização aqui, pelo menos pelo que vi até agora.

  15. Dizer que Cuba só não é mais pobre do que o Haiti é uma inversão total. Pois até 2005, segundos dados da ONU, Cuba apresentava uma expectativa de vida superior aos EUA e à Dinamarca, e ainda hoje, Cuba apresenta uma taxa de mortalidade infantil inferior aos EUA….

    Outro dia apontaram como exemplo de saúde pública o El Salvador, agora apontam com

  16. Primeiro Cuba só não seria pior do que o Haiti, agora mudaram o discurso: Cuba apresentava bons indicadores e assim os manteve, e hoje se justifica porque tem indicadores melhor do que os outros países…

    Se as fontes do governo cubano são manipuladas, as suas fontes manipulam até os números da ONU, ou você simplesmente copiou uma afirmação de um blog ou um site de direita vazia, sem números. O mal das fraudes é essa, não duram muito quando o olhar é mais apurado. É verdade que Cuba (junto com a Argentina, Uruguai, Bahamas, Barbados, Trinidad Tobago todos países capitalistas – um deles é um paraiso fiscal – e que hoje Cuba os deixa comendo poeira, tratando-se de melhores indicadores sociais…) apresentava indicadores melhores do que a média latino-americana, mas segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano da ONU de 1990, Cuba apresentava taxas de mortalidade infantil muito maior que França, Bélgica, Alemanha Ocidental, Israel, Japão, Áustria, Itália, Espanha e para não dizer que você está completamente enganado, Cuba apresentava taxa de mortalidade de menores de cinco anos menor do que Portugal (que apresentava a maior taxa de mortalidade infantil da Europa Ocidental, maior que 100 por 1000) em 1960, um ano depois da Revolução Cubana. Veja com os seus próprios olhos:

    hdr.undp.org/en/media/hdr_1990_es_indicadores1.pdf

    Infelizmente vou parar por aqui, até porque eu sei que este debate não vai durar, pois duvido que o IMB publique este comentário, já que os fatos e os números não se ajustam às idéias deste Instituto…

  17. Quando eu comparei os índices de 1960, eu estava me referindo a TODOS os países citados pelo leitor Luis Almeida. Ele disse: “E de acordo com essas mesmas estatísticas da ONU, em 1958 (o ano anterior à gloriosa revolução) Cuba tinha a 13ª menor taxa de mortalidade infantil do mundo (hoje está em 44º lugar). Isso colocava o país não apenas no topo da América Latina, mas também acima de grande parte da Europa Ocidental, à frente da França, Bélgica, Alemanha Ocidental, Israel, Japão, Áustria, Itália, Espanha e Portugal. Hoje, todos esses países deixam a Cuba comunista comendo poeira, com taxas de mortalidade infantil muito menores.” Segundo o Relatorio de Desenvolvimento Humano da ONU de 1990, em 1960, um ano depois da Revolução Cubana, Cuba apresentava uma taxa de mortalidade infantil muito maior do que os países citados pelo Luis Almeida, exceto Portugal, que naquele apresentava uma taxa de mortalidade infantil muito maior do que Cuba. Veja: (pag. 19 e 20)

    hdr.undp.org/en/media/hdr_1990_es_indicadores1.pdf

    Taxa de mortalidade de menores de cinco anos (por 1.000) 1960
    Cuba: 87
    França: 34
    Bélgica: 35
    Alemanha Rep. Fed.: 40
    Israel: 40
    Japão: 40
    Áustria: 43
    Itália: 50
    Espanha: 56
    Portugal: 112

    Entendeu?

  18. Erik Frederico Alves Cenaqui

    Prezado Fernando Chiocca\r
    \r
    Na Página 72 do livro GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DA AMÉRICA LATINA da Editora Leya e dos autores Leandro Narloch e Duda Teixeira existe uma citação positiva das palestras que Ludwig Von Mises proferiu na Argentina e que originaram o livro as AS SEIS LIÇÕES.\r
    \r
    O autor do livro entende que Che Guevara deveria ter ficado em Buenos Aires e visto as palestras.\r
    \r
    Não sei se você já sabia disso.\r
    \r
    Abraços\r
    \r

  19. Um dos principais defeitos do sistema público de ensino é que ele é obrigado a aceitar qualquer indivíduo que queira se matricular, não importando se a pessoa quer ou não estudar ou se ela preenche os requisitos mínimos para ocupar uma vaga na escola. Os governos torram bilhões de reais com pessoas que não querem estudar ou são incapazes de aprender as coisas mais elementares de qualquer matéria. É um desperdício criminoso de recursos públicos. Outro problema grave da educação pública são os privilégios de que desfruta a classe dos professores. Por mais incompetente, fraco, inapto e picareta que seja o professor concursado, ele tem o emprego garantido pela lei da estabilidade do servidor público. Só será demitido se cometer um crime tipificado no código penal e mesmo assim depois de um longo processo administrativo. Falo isto porque sou professor da rede pública e constato a picaretagem que reina nesse meio. O que a maioria dos professores de escola pública mais quer é ter reajustes salariais muito acima da inflação, trabalhar o mínimo possível, não ser cobrado quanto a produtividade do seu trabalho e se aposentar o mais rápido possível. No estado onde moro, o Pará, os professores da rede estadual estão pensando iniciar mais uma greve no próximo mês (houve duas greves nos últimos dois anos). Detalhe: o salário do professor com nível superior na rede estadual do Pará é um dos mais altos do Brasil, mais de duas vezes o que se paga a um professor no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Ceará, Pernambuco e vários outros estados do Brasil.

  20. Não há solução perfeita, sem efeitos indesejáveis, em nenhuma proposta. Nem o Estado deve obrigatoriamente assumir toda a educação como tampouco deve, obrigatoriamente, não participar dela.

    Um mundo onde o Estado não participe da educação é uma utopia tão infantil quanto à da educação universal. O melhor modelo é o Estado ter uma participação específica e reduzida, deixando o grosso para a iniciativa privada. Mas mantendo o Estado o seu papel de definir uma regulação mínima e promover a fiscalização da mesma.

    Gostaria de acreditar na possibilidade de uma educação sem o Estado.

    Gostaria mais ainda em acreditar na possibilidade da não existência do Estado…

  21. Vejo uma certa visão reducionista no comentário de alguns: o conhecimento adquirido pela educação só é válido caso gere resultados positivos na economia? Então, se o conhecimento objetivo é irrelevante e não for aplicado na economia gerando lucros, pensadores escolásticos e gregos que ao contrário de Marx, Smith, Ricardo, instituíram uma filosofia não economicista, são, portanto, “piores” que estes? Ao meu ver, na maioria dos casos, a educação, mesmo que seja gerida pelo Estado, não estou aqui analisando isto, produtora de conhecimento, libertária das causas remotas, das alienações de sofismas anteriormente tidas como axiomas, é muito mais importante do que qualquer lucro econômico. Não cabe, portanto, nos igualarmos a Marx, e produzir uma visão reducionista-econômica à respeito da educação e do conhecimento.

  22. Não me lembro de ter lido na Internet teoria mais absurda do que a publicada neste artigo.
    Eu diria que é comparável ao Flat Earth Theory (theflatearthsociety.org/cms/).

    Existem certamente muitos tipos de educação, e responder a um comentário que discorda da opinião apresentada pelo autor de forma agressiva e desrespeitosa demonstra claramente a falta de um desses tipos.

    Mas quero aqui apresentar algumas questões que devem ser consideradas também nesta calorosa discussão.

    A primeira questão é em relação a utilização da situação social de Cuba como comprovação de uma teoria. Cuba não pode ser

    usada como objeto de comparação porque possui muitas diferenças com relação ao Brasil, diferenças fundamentais em todos os aspectos. Dizer que a situação social atual de Cuba é consequência exclusiva do modelo educacional adotado é no mínimo ingênuo. Não há como não se considerar que o Embargo Econômico imposto pelos USA, que já dura mais de meio século e foi recentemente (13/09/2011) extendido por Barack Obama até pelo menos 14/11/2012, teve e ainda tem uma consequência nefasta sobre a situação social de Cuba.

    Proponho fazermos uma comparação com economias e sistemas políticos similares ao brasileiro e tentar inferir, observando estes outros exemplos, se a educação estatal é realmente maléfica como tenta demonstrar o autor.

    O Japão, por exemplo, possui um sistema educacional estatal forte, principalmente no ensino básico. Este sistema educacional

    teve um papel fundamental na recuperação e no rápido crescimento econômico do país após o final da Segunda Guerra Mundial.

    A Alemanha é outro exemplo interessante, onde a educação pública amparava 94% dos estudantes matriculados segundo dados de

    2006.

    Interessante notar que, tanto a Alemanha como o Japão, partiram da miséria total no final da Segunda Gerra e hoje são

    grandes potências mundiais. Importante observar também a capacidade de gerar “dinheiro” que esses dois paises apresentam,

    com uma indústria forte e mundialmente reconhecida (Audi, Basf, Mercedez, Sony, Honda, Toyota, etc…), baseada em um

    avançado desenvolvimento tecnológico e científico.

    Que tal a Finlândia, considerada como a dententora do melhor nível de ensino no mundo. Lá, até nas poucas instituições de

    ensino privadas que existem, o governo paga pela educação de todos, nenhuma escola tem permissão (nem mesmo as privadas) de

    cobrar mensalidades dos alunos. A Finlândia, que tem escassos recursos naturais, é a principal fornecedora de papel para a

    Europa e possui forte presença no mercado mundial de tecnologia (Nokia, Kone, etc.).

    Eu moro atualmente na Austrália. Aqui o ensino púplico é de ótima qualidade e afirmo com propriedade que o nível de ensino

    que meus filhos têm agora é superior ao que tinham em escolas particulares no Brasil. Além de todas as matérias comuns

    (matemática, inglês, ciências, etc.) eles têm aulas de esportes, música, artes e filosofia. E tudo de forma muito séria e

    organizada, oferecido integralmente pelo estado. Eu não pago nem um centavo por isso. Até uniforme o governo do estado onde

    eu moro subsidia.
    A Austrália possui pelo menos três das dez melhores cidades para se viver no mundo.

    E poderíamos sugerir também a França e Canadá como bons exemplos para comparação.

    Mas vamos olhar de novo para o Brasil.

    Que o ensino público no Brasil é ruim ninguém discorda. Da mesma forma que a saúde pública e a previdência. E é fácil dizer

    que isso é por causa da incompetência do governo. Mas o que ninguém diz é que essa falência do sistema público no Brasil é

    proposital. O lobby que organizações privadas desses setores veem exercendo sobre a classe política brasileira nas cinco

    últimas décadas é enorme. Muita gente está ganhando muito dinheiro com essa famosa “incompetência” do governo.

    E o lobby funciona muito fácil em um congresso/câmara onde slogans como “Rouba mas faz”, “Pior do que tá não fica” e “Estupra mas não mata” ecoam livremente.

    A última notícia que tive do lobby do setor educacional foi a “reforma universitária” onde as exigências legais para uma

    instituição de ensino se caracterizar como “Universidade” foram reduzidas drasticamente, principalmente no números de

    professores doutores necessários para uma instituição funcionar. Muito claramente, essa medida visava beneficiar o setor privado da educação, reduzindo custos, o que imediatamente causou uma demissão em massa de professores doutores nas escolas particulares. Eu pessoalmente conhecí pessoas com doutorado no Brasil que escondiam seu título da instituição em que trabalhavam com medo de serem demitidos.
    Óbviamente a consequência disso foi um sucateamento do ensino no Brasil. O que já não era bom, ficou muito pior.

    Vale a pena dar uma lida: carosamigos.terra.com.br/index/index.php/artigos-e-debates/2015-tramitacao-da-reforma-universitaria-por-que-o-sigilo

    e também: http://www.sbf1.sbfisica.org.br/boletim1/msg184.htm

    e também: http://www.revistaforum.com.br/dennisdeoliveira/2011/06/29/paulo-renato-descanse-em-paz-para-que-a-educacao-

    tenha-paz/

    A constituição da maioria dos países ocidentais que conheço determina que a educação básica é obrigatória. Pra ser

    honesto, não conheço nenhum país que não tenha essa premissa na Constituição, mas não conheço a constituição de todos os

    países pra afirmar que não existe.

    Isso me parece bastante razoável, pois caso contrário os índices de analfabetismo tenderiam a aumentar e esse é um fator considerado no cálculo do grau de desenvolvimento de um país.

    Pois bem, digamos que então, com o estado fora do setor de educação, como cumpriríamos a constituição? Dizer que algumas crianças pobres conseguem frequentar escolas que visam lucro é fácil, mas a questão que coloco é se as instituições particulares existentes no Brasil teriam condições de assumir a educação de todos os jovens no Brasil? Mesmo a grande maioria que mal tem condições para comprar comida para sobreviver? E mesmo aqueles alunos de áreas remotas, longe dos grandes centros e em locais considerados não lucrativos? Pode o autor responder a todas estas perguntas?

    Se o estado forçar as instituições particulares de ensino a cumprir a constituição e admitir em seu corpo de alunos uma maioria pobre, também me parece um ato violência. Ou então teríamos que mudar a Constituição e regredirmos mais de um século , para um tempo onde o ensino era apenas um privilégio de poucos. Eu diria então que isso seria um pioneirismo do sistema educacional brasileiro.

    O uso que o governo brasileiro faz com o dinheiro arrecadado com impostos é desolador. Entretanto, isso não torna o imposto necessariamente uma coisa ruim. São duas coisas completamente distintas, embora intimamente ligadas, o imposto e o mau uso do dinheiro público (corrupção, gastos excessivos do governo, regalias de políticos, etc.). O segundo deve ser brutalmente combatido por toda a sociedade, não o primeiro.

    Aqui na Austrália as pessoas pagam altos impostos, mas ninguém vê isso como uma coisa ruim, porque o governo devolve para a sociedade de uma forma muito clara e positiva. O governo aqui funciona muito bem, seja na educação, saúde, infraestrutura, políticas ambientais, segurança, assistência social, tudo.
    Os australianos ficam indignados e realmente não aceitam quem sonega imposto, seja da forma que for. E corrupção aqui é punida de verdade. Tive a feliz oportunidade de também morar na Finlândia e o sentimento das pessoas é exatamente o mesmo.

    Imposto não é ruim, corrupção sim.

    Achei muito infeliz a observação do autor na frase sobre Internet: “E se internet não é educação, eu não sei o que seria.”
    Pois bem, caro autor, lamento informar que Internet e educação não são sinônimos. Nem de longe. Em nenhum lugar.
    Ou podemos considerar então que os problemas de educação da favela Antares estão resolvidos, certo?

    Sucatear a educação no Brasil é o pior erro que a sociedade brasileira estaria cometendo desde o descobrimento.
    Porque isto é um ciclo. Cada vez mais, tiriricas, pagodeiros e patetas de auditório estarão representando a sociedade brasileira e definindo o futuro do país, inclusive da educação.

    Outra pergunta que eu coloco é em relação aos resultados apresentados pelo setor privado da educação no Brasil.
    Qual o volume de pesquisas e desenvolvimento científico proporcionado por essas instituições?
    Qual a capacidade de gerar dinheiro que essas instuições tem trazido para o país? Você, autor, saberia citar qual tecnologia de ponta foi desenvolvida exclusivamente pelo setor privado de educação?
    O Brasil está ficando para trás. A India, por exemplo, está adquirindo reconhecimento mundial (e muito dinheiro) com a indústria de software, resultado direto da educação. O que o Brasil tem feito?

    Você seria capaz de citar um país desenvolvido, que exporte tecnologia e desenvolvimento científico, e que o estado não interfira na educação?

    Por fim, eu pergunto, se a educação não é a solução para o Brasil, então qual seria? Faltou essa informação no artigo. Seria o Domingão do Faustão, o Programa do Gugu? A Internet? Por favor, autor, diga-nos qual é a solução, estamos todos curiosos.

  23. “A solução é a liberdade” 2\r
    \r
    apesar da limitação imposta pelo governo o próprio ENEM, através de seus resultados, comprova o nível superior das Escolas de Ensino Médio.\r
    O ensino superior Público só possui notas melhores por causa do sistema de seleção, no entanto se verificar bem, perceberá que na maioria das instituições aqueles professores que dão aula na “Federal” também atuam na “Privada”. Ou seja, processo seletivo é que realizou o crivo dos “melhores” segundo a metodologia do MEC.

  24. É Carlos, você tem razão. É uma piada.

    Mas o que deve ser combatido fortemente é o gigantismo do Estado, não a educação.
    O governo brasileiro gasta o dinheiro arrecadado muito mal.

    Só que a solução para esse gigantismo não é simples.
    Principalmente porque a maior fatia desse gigantismo é o funcionalismo.
    O governo brasileiro é o grande empregador do país e eu fico indignado com aquelas pessoas que pensam em estudar pra caramba, passar num concurso qualquer do governo e amarrar o burro na sombra. Isso é uma moda no Brasil e na minha opinião as pessoas deviam se envergonhar de pensar assim.

    Só que na hora de discutir a estabilidade do funcionalismo público, não tem discussão. Ninguém aceita discutir.

    O problema acaba sendo o orçamento. Pra investir na educação, tem que tirar de algum outro lugar.
    Tirar de onde?

    Você sabe o que eu acho. A população deveria se mobilizar (abaixo-assinados, meios de comunicação, todo tipo de pressão política) e fazer os políticos aprovarem a seguinte lei:

    “Todos os funcionários públicos de cargos eletivos, e seus familiares imediatos (esposas, maridos e filhos) são obrigados a usar exclusivamente os serviços públicos de educação, saúde e previdência.”

    Nada de filho de deputado estudando em escola particular caríssima enquanto o pai sucateia a educação pública.
    Talvez isso trouxesse um impulso para esses setores da sociedade.

  25. Fernando. Como libertários justificam trabalhar numa universidade pública? Alguns artigos aqui do Mises são escritos por professores de UF’s. Eles também não estariam participando e se aproveitando da coerção do estado?

  26. O que vocês acham deste artigo sobre o impacto (negativo/positivo) da intervenção do governo na educação em casa:

    Suécia tem dificuldades em lidar com criancas mimadas
    exame.abril.com.br/mundo/noticias/suecia-tem-dificuldades-em-lidar-com-criancas-mimadas?page=1

  27. Típico Filósofo

    Material reacionário. Sempre ansioso para tirar conclusões falaciosas. O “solo e água contaminados” são propositais para que os alunos de ciências médicas e geologia tenham material de estudo sempre próximo, uma das características que mais favorece a USP. Aqueles que cursam filosofia, por exemplo, têm sempre à disposição todo um material panfletário esquerdista à disposição para que ele adentre os movimentos sociais e possua uma carreira possível na política logo após.

    Trata-se de puro método acadêmico e não descaso para com os receptores do serviço cuja aprovação nada significa ao prestador, já que não está sujeito à mecânica do lucro e prejuízo; tendo seus clientes como uma mera pedra no sapato. A USP será eternamente um argumento de que o socialismo é o sistema econômico ideal e nenhuma notícia abalará esta convicção. Diferentemente das universidades burguesas, ela verdadeiramente aproxima seus alunos da realidade de seu país.

  28. O Colunista fez uma análise histórica da educação em Cuba, uma análise muito ruim pois deixou de lado todas as dificuldades que Cuba passa por causa do embargo que sofre a mais de 40 anos(o que creio muito mais determinante par ao empobrecimento da ilha do que o investimento em educação pública). Mas faltou a análise histórica brasileira. No Brasil os primeiros colégios visando uma educação laica eram públicos, as primeiras faculdades eram públicas, as melhores condições de trabalho foram garantidas pelo Estado e não pela consciência dos empresários ou pelo auto-ajuste do mercado. Aqui tivemos que ter greves anarquistas, instabilidade política, Estado de Sítio por 5 anos, para finalmente chegar ao poder alguém com um projeto que atendesse minimamente(MINIMAMENTE) as demandas da população trabalhadora urbana(ainda assim esquecendo camponeses e outros setores).
    A análise do colunista pode estar certa em outros lugares do mundo(ainda que nos EUA o ensino fundamental seja gratuito, assim como nos países Sociais Democratas da Europa), mas no Brasil ela não se configura. Aqui as melhores universidades são públicas, os melhores centro de pesquisas são públicos. O empresário brasileiro é medroso. Se ele já estiver ganhando, para que arriscar só para ganhar mais? Por isso a maior parte do investimento de infra-estrutura no Brasil parte do Estado, e não de seus empresários. E não adianta dizer que é o próprio Estado que causa essa situação porque 1- ela é anterior ao momento do Estado brasileiro como um gigante burocrata. Até quando o Estado era insípido aqui, a burguesia(agrária, visto que a burguesia industrial brasileira provém da elite agrária que era quem tinha os meios para investir em máquinas)não investia em infra-estrutura. 2- O domínio do Estado por parte dos empresários continua. É só olhar os ganhadores das últimas eleições Estaduais e municipais. A maioria dos eleitos, seja do legislativo ou do executivo, foi financiada por empresários dos mais diversos ramos. Aqui no interior do Rio, quem coloca e tira prefeitos de suas cadeiras são os empresários(ou melhor, os mafiosos) do ramo do transporte. No próprio caso da educação superior podemos ver isso. Ao mesmo tempo que o PT criou diversas universidades públicas, ele também investiu pesado na criação de vagas na rede privada, tendo o ensino superior privado no Brasil crescido 700% de 2000 a 2010. E o pior, com dinheiro público através de programas como Pro-Uni e o FIES. Hoje o Brasil tem um dos maiores conglomerados de empresas de educação privada no mundo. O Grupo Kroton se fundiu com a Anhanguera formando a maior empresa de educação do país. Entra no site dessa empresa que lá você vai ver o que é prioridade para eles. Se é a qualidade do ensino ou se são os lucros. Duvido você preferir que teu filho se forme na Anhanguera(que tem cursos deformação de pedagogia a administração à distância) do que na UFRJ ou USP.
    Portanto, a questão dos esquerdistas(e de grande parte dos Brasileiros) com a questão da educação pública não se dá por meio de um fetiche. Se dá sim por meio de uma análise histórica que mostra claramente que quem realmente sempre investiu em educação no Brasil foi o Estado.

  29. Os melhores colegios do Brasil, os miltares.
    Sao administrados pelo Governo Federal.
    Se voce afirma, todos os peixes sao capazes de nadar, e existe um que nao eh capaz.
    Sua regra nao vale.

    Sou simpatico a causa de uma sociedade com menos influencia governamental.
    Mas tambem sei, que tudo aquilo que eh extremo, nao eh correto.

  30. Vote no Partido Novo

    Peço ajuda dos libertários para ensinar o povo nessa notícia abaixo da Globo, lembrando que a globo tem prazo para comentar!
    Ajudem a explicar a causa libertária!
    Abs!
    g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2016/05/estudantes-ocupam-mais-uma-escola-contra-projeto-de-ppp-na-educacao.html

  31. VOTE NO PARTIDO NOVO

    “Menina ‘defende’ capitalismo em questão de prova, leva nota zero e mãe questiona: ‘Escola sem partido?’

    Leia mais: extra.globo.com/noticias/viral/menina-defende-capitalismo-em-questao-de-prova-leva-nota-zero-mae-questiona-escola-sem-partido-19380565.html#ixzz49nRogWsS”

    Vamos agir moçada! Vamos agir!!! Vamos pelo menos enviar emails aos congressistas para aprovarem a lei contra a doutrinação nas escolas! AO MENOS ISSO PRECISAMOS FAZER! É UM AVANÇO SIM NA CAUSA LIBERTÁRIA!

  32. Concordo com o autor: educação pública pode até apresentar alguma qualidade (coisa difícil de se ver), mas o custo final é sempre descompensador ! E diploma de curso superior é LUXO, logo, quem quiser que pague do próprio bolso ! O Ensino fundamental é mais que suficiente para o individuo se auto-conhecer e progredir na vida.

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