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O mito de que a crise econômica foi planejada


vários mitos sobre a crise econômica por aí a fora.  Porém, dentre todos os mitos financeiros que
afligem o movimento conservador, este é o mais ilógico: “Os banqueiros
planejaram a crise financeira de 2008.”

À
primeira vista, a teoria parece maluca. 
Como essas pessoas se beneficiariam com a ocorrência de enormes
prejuízos financeiros?  Porém, quando
você examina tudo mais profundamente, a coisa fica ainda mais amalucada.

Por
que os banqueiros criariam uma crise que destruiu alguns dos maiores bancos da
terra?  O Wachovia desapareceu.  Era um dos cinco maiores bancos em volume de
depósitos quando quebrou.  O Royal Bank
of Scotland (RBS) também chegou perto de falir. 
O mesmo ocorreu com o Anglo Irish Bank. 
Somente os pacotes de resgate do governo salvaram estes dois últimos.

Qual
teria sido a motivação dos banqueiros que planejaram a crise?  Se você está no controle da política e do
sistema bancário, por que chamar atenção mundial para a fragilidade do sistema
bancário de reservas fracionárias?  Não
seria uma atitude mais esperta apenas deixar as coisas funcionando suave e
harmoniosamente?  Por que criar uma crise
tão grande a ponto de fazer com que os governos tenham de intervir, provocando
assim uma enorme reação negativa do público?

A
sequência de quebras bancárias em 2008 chamou a atenção do público para o fato
de que os banqueiros eram na verdade idiotas. 
Eles foram totalmente enganados por entidades que vendiam ativos (na
verdade, dívidas hipotecárias) tóxicos.  O
mercado de hipotecas subprime era uma fraude gigantesca.  Os vários contratos altamente alavancados e
transferidores de risco eram igualmente fraudulentos.  Toda a indústria de serviços financeiros revelou-se
um cassino gerenciado por imbecis.

Warren
Buffet foi quem resumiu melhor.  Existem
três estágios de desenvolvimento financeiro. 
O primeiro é criado pelos inovadores. 
O segundo é ampliado pelos imitadores. 
O terceiro é consolidado pelos idiotas. 
Em 2008, vimos o que os idiotas haviam consumado.

Nada
disso é reconhecido pelo crítico conservador, que afirma: “Foi tudo uma
conspiração.  Os banqueiros planejaram
tudo.”

Para
o conspiracionista conservador, mudanças sociais devem ser explicadas como
sendo o resultado de uma conspiração.  Em
seu mundo, um pequeno grupo de poderosos globais — sempre chamados de “eles”
— controlam tudo.  “Eles” dão as
ordens.  “Eles” decidem tudo que deve ser
feito.  Mudanças sociais sempre vêm de
cima.  “Eles” são oniscientes. 

O
conservador adepto de teorias da conspiração compartilha com o socialista e com
o comunista uma enorme confiança no poder do intelecto em dirigir as relações
da sociedade.  Eles atribuem a um comitê
planejador central a capacidade de prever o futuro quase que perfeitamente, de
estruturar as instituições sociais de modo a alterar esse futuro em benefício
próprio, e de implementar seus planos de maneira absurdamente eficaz, sendo
capazes de sobrepujar o interesse próprio de bilhões de agentes econômicos.

Eles
acreditam em Deus.  Esse Deus é a
conspiração.

A
Escola Austríaca da Economia

A
teoria da crise planejada põe em dúvidas a teoria de Ludwig von Mises,
apresentada em 1912, sobre os ciclos econômicos, a qual é chamada de teoria
austríaca dos ciclos econômicos.  Mises
ensinou que a causa dos ciclos econômicos está no sistema bancário de reservas
fracionárias, especialmente nos países que possuem bancos centrais, cuja função
é criar um cartel para proteger o sistema bancário.  Primeiro, o banco central infla a oferta
monetária.  Isso produz um crescimento econômico
artificial.  Mais tarde, ele reduz a taxa
de expansão da oferta monetária por causa do aumento de preços.  Isso provoca a recessão: um reajuste (para
baixo) de preços dos ativos, principalmente de bens de capital.

A
teoria de Mises resolveu o problema teórico central de todas as recessões: por
que os empreendedores cometem os mesmos erros de investimento ao mesmo
tempo.  Normalmente, é de se esperar que
alguns empreendedores sejam bem sucedidos, mas à custa de outros
empreendedores.  Alguns fazem previsões
boas; outros, ruins.  Alguns estão voltados
para o longo prazo.  Outros, para o curto
prazo.  Esses planos se
contrabalançam.  Mas não durante
recessões econômicas.  Por quê?

Mises
ofereceu uma resposta: por causa da interferência do banco central no livre
mercado.  Ele reduz a taxa de juros ao
expandir a quantidade de dinheiro nas reservas bancárias.  Ele faz isso por meio da compra de títulos da
dívida público em posse dos bancos.  Isso
diminui as taxas de juros de curto prazo. 
Como consequência, as empresas pegam empréstimos para expandir suas
operações, justamente por causa dos juros mais baixos.  E então, quando a inflação de preços começa a
surgir, o banco central reverte sua política expansionista.  Ele reduz a taxa de compra de títulos
públicos em posse dos bancos.  As taxas
de juros de curto prazo aumentam.  As
empresas começam a perder dinheiro.  Elas
reduzem suas expansões.  As falências
aumentam.

Essa
explicação é consistente tanto com a teoria econômica geral quanto com a
história dos pânicos financeiros.  Ela
coloca a culpa no banco central.  Por
essa razão, essa explicação é universalmente rejeitada por economistas
acadêmicos, todos eles defensores da existência de um banco central, não
obstante o fato de que todos os bancos centrais são monopólios criados pelo
governo.  ao defender um banco central,
os economistas acabam servindo como defensores intelectuais de um cartel de
banqueiros.  Eles se recusam a aplicar, para
um sistema bancário controlado por um banco central, sua própria teoria
econômica sobre a ineficiência dos carteis.

Escolha
qualquer livro-texto de economia.  Leia o
capítulo sobre monopólios, oligopólios e carteis.  Os livros dizem que a maioria dos carteis é
criada pelos governos.  O capítulo mostra
como os monopólios restringem o comércio. 
Eles operam de modo a enriquecer os monopolistas à custa dos
consumidores.

Depois
leia o capítulo sobre o banco central. 
Curiosamente, nenhuma parte da análise do capítulo acima é aplicada a
este capítulo.  Isso não é por acaso.  Isso é puro marketing.  Qualquer livro-texto que contenha uma análise
austríaca do banco central não será publicado por uma editora convencional.  Nunca houve uma exceção a essa regra.  Pode procurar.

No
campo da teoria econômica, o apoio dos economistas acadêmicos ao banco central
é o melhor exemplo de como o poder político, o controle sobre o dinheiro, e o
uso desse dinheiro para silenciar a academia — ao se contratar milhares de
economistas como conselheiros do banco central — produziu o efeito de
neutralizar toda a profissão.  

Os
únicos comentaristas acadêmicos que identificaram esse uso sistemático do
dinheiro para corromper a academia são os economistas adeptos da Escola
Austríaca, os marxistas e a Nova Esquerda aliada dos marxistas.  Esses são grupos que estão no limbo da
academia.  Eles têm pouca
influência.  Eles nunca tiveram muita
influência dentro da guilda acadêmica, a qual se filtra a si própria.

Os
conservadores que teorizam que a crise de 2008 foi uma crise planejada entendem
melhor que os economistas do poder do banco central na política.  Porém, os críticos são incapazes de
compreender que os bancos centrais são restringidos pala concorrência do livre
mercado.  Os banqueiros não entendem ou
não aceitam a teoria misesiana dos ciclos econômicos.  Eles não entendem a relação monetária de
causa e efeito.  Eles ou são keynesianos
ou são monetaristas seguidores da Escola de Chicago, e ambas as escolas de
opinião são defensoras do conceito de bancos centrais.  Assim, eles não entendem o que estão fazendo.

De
vez em quando, suas políticas produzem um pânico financeiro e uma subsequente
recessão.  Mas eles não aprendem com essa
experiência.  Eles não saem à procura de
uma nova teoria que explique o fracasso de suas políticas.  Eles estão comprometidos com sua fé no
governo e naquele monopólio concedido pelo governo, o banco central.

Isso
é inconcebível para o teórico da conspiração. 
A conspiração está acima da lei — não apenas da lei civil mas também da
lei econômica.  Para o teórico da
conspiração, não existem leis econômicas. 
Existe apenas o “olho que tudo vê” da conspiração.

Sendo
assim, como foi possível que a Escola Austríaca tenha previsto a recessão de
2008?  Seus membros também fazem parte da
conspiração?  Eles receberam informações
privilegiadas do grupo Rockefeller, sendo alertados de que a recessão estava
sendo planejada pelos mais altos escalões?

Eu
previ a recessão e tenho meus arquivos para provar.  O mesmo vale para Peter Schiff.  Como nós sabíamos?  Porque nós lemos Mises e Rothbard.  Porque nós acreditamos neles.  E, no meu caso, porque eu sempre prevejo que
haverá uma recessão quando a curva de rendimento dos juros torna-se invertida.  O que é isso?  Sempre que os juros dos títulos de curto
prazo (90 dias) ficam maiores do que os juros dos títulos de longo prazo (30
anos), a curva fica
invertida
.  Uma recessão sempre se
segue.  Outros prognosticadores
não-austríacos também sabem dessa relação, mas por causa de sua enorme fé no
poder dos bancos centrais, eles concluem que “dessa vez vai ser
diferente”.  Mas nunca é.

A Lei
de Pareto

A
lei de Pareto foi descoberta pelo economista-sociólogo Vilfredo Pareto no final
do século XIX.  Ele estudou a
distribuição de riqueza em várias nações europeias.  Ele descobriu que essa distribuição
centraliza a riqueza.  Aproximadamente
20% da população detinha 80% do valor do capital de uma nação.  E ele aplicou esse raciocínio até o topo da
pirâmide.

Se
20% da população detém 80% do valor do capital de uma nação, então 4% (20% de
20%) detém 64% (80% de 80%) do valor do capital.  Isso de fato se mostrou verdadeiro.  Portanto, aproximadamente 1% da população
deteria um pouco mais da metade da riqueza de uma nação.  E isso também se comprovou verdadeiro.

Um
grande número de estudos subsequentes indica que essa mesma distribuição se
aplica para todas as sociedades estudadas. 
Não importa se os países eram nações pré-social-democratas (antes de
1900), nem a localização geográfica ou o quão socialistas eles são.  A mesma distribuição existe.  Até hoje, nenhuma pessoa foi capaz de
oferecer uma explicação convincente para tudo aquilo que não corresponde à
teoria econômica ou social que ela defende.

Os
socialistas atacam o capitalismo por causa de sua desigual distribuição de
riqueza.  Porém, todas as vezes que os
socialistas chegaram ao poder, essa distribuição não foi alterada.  Portanto, eles se recusam a discutir
Pareto.  Em contraste, os defensores do
livre mercado insistem em dizer que o capitalismo tende à equiparação de
riqueza.  Até hoje, isso ainda não
aconteceu.  Portanto, eles também não
falam sobre Pareto.

Trata-se
de uma omissão deliberada.  A
apresentação matemática de Pareto, conhecida como o grau de ótimo de Pareto, é
adorada por economistas defensores do estado assistencialista.  Toda a sua apresentação é conceitualmente
falha, pois ela assume que a sua escala de valores econômicos é igual à minha e
igual à de todos os outros cidadãos.  Murray Rothbard refutou essa ideia
ainda em 1956
, mas até hoje o teorema de Pareto é discutido com grande
relevância.

Sempre
que você ler algum relatório sobre a perversidade da distribuição de riqueza no
capitalismo, e esse relatório citar algum recente estudo sobre essa
desigualdade, pode estar certo de que ele não vai citar nenhum estudo sobre
alguma nação socialista ou de alta carga tributária.  O autor provavelmente não imagina que a
distribuição de riqueza é Pareto-normal, independente da estrutura econômica do
país.  Ele quer apenas persuadir os
eleitores a apoiar as reformas que ele defende.

O
que é realmente perturbador é que a regra 20–80 de Pareto se aplica a todos os
tipos de estatística institucional que pouco têm a ver com distribuição de
riqueza.  Aproximadamente 20% do efetivo
de uma força policial faz 80% das prisões. 
Aproximadamente 20% daqueles que assinaram uma revista renovam a
assinatura ao final do primeiro ano (como nós editores gostaríamos que fossem
80%!).  Aproximadamente 20% dos
recebedores de uma e-letter gratuita de fato a lêem (por que não 80%?).  E por aí vai.

Eu
gostaria de saber o porquê de ser assim. 
Se eu soubesse o motivo, talvez pudesse descobrir uma maneira de ter os
80% ao meu lado… pelo menos até que começassem a me imitar.

Não
perturbe o equilíbrio!

Isso
significa que a distribuição de riqueza e influência favorece a hierarquia
existente.  A distribuição não se
altera.  A posição de um indivíduo na
hierarquia pode mudar — normalmente para pior. 
Afinal, é sempre mais fácil deslizar para baixo do que continuar
subindo. 

Se
você estivesse no topo dessa pirâmide — entre aquele 1% ou talvez mesmo
naquele 0,2% –, você iria querer planejar e gerar intencionalmente uma
crise? 

Pense
nisso.  Se o sistema lhe transformou no
líder, por que você iria querer se arriscar abalando suas fundações?  Por que você iria querer perturbar esse
equilíbrio?  Por que você iria querer
envolver os governos em pacotes de resgate para as maiores instituições
financeiras?

A
teoria da crise planejada não faz sentido, quando se considera que a teoria diz
que a conspiração foi feita de cima para baixo. 
Se aqueles que estão no topo realmente estão no controle, mas correm o
risco de perder esse controle, por que eles iriam querer mudar alguma
coisa?  A mudança é a inimiga daqueles
que estão no topo.

Os
teóricos da conspiração dizem que “eles” fizeram isso.  “Eles estão atrás da riqueza do povo!” Porém,
“o povo” não tem riqueza o bastante a ponto de estimular sua tomada.  Os 80 % que estão na extremidade inferior da
pirâmide possuem apenas 20% da riqueza.

Os
teóricos da conspiração superestimam sua própria importância — politicamente,
economicamente e socialmente.  Eles pensam
que podem tomar o controle da situação caso exponham os conspiradores.  Porém, os custos de se fazer tal coisa são
astronômicos.  Ademais, o efeito de tal
revolução seria apenas o de mudar as pessoas no topo.  As massas não se beneficiariam.

O
que realmente funciona?  Crescimento
econômico.  Uma maré ascendente que
levante todos os barcos.  E só a
liberdade propicia crescimento econômico.

O
que as pessoas precisam — “pessoas” aqui definidas como aquelas representando
os 80% da extremidade inferior — é de liberdade.  A distribuição de riqueza não vai mudar.  A ética do enriquecimento deveria, portanto,
ser essa: “Não roubarás!” — ao invés de ser “não roubarás, exceto pelo voto da
maioria”.

Conclusão

Os
globalistas não planejaram e deliberadamente provocaram essa crise econômica,
exceto na medida em que eles utilizaram os bancos centrais para elevar suas
posições hierárquicas.

Um
sistema monetário gerido por bancos centrais inevitavelmente padecerá de crises
financeiras recorrentes.  Os bancos
centrais tentam evitar crises econômicas inflacionando, depois estabilizando,
depois inflacionando de novo, e assim por diante — e, ao procederem assim,
eles geram crises.  Esse foi o
ensinamento de Mises.  Uma intervenção
leva a outras.

Os
globalistas planejaram a crise de 2008 no sentido de que foram eles que criaram
esse sistema monetário em 1914, com a criação do Banco Central americano, o
Fed.  Eles estão encurralados.  Nós também.

A
máquina monetária vai quebrar.  A ordem
política vai mudar quando a máquina monetária quebrar.  Haverá pessoas diferentes no topo após a
máquina monetária ter sido substituída. 
Cabe a nós não deixarmos que a nova máquina monetária seja colocada sob
o controle de alguma agência governamental. 

Que
o livre mercado escolha a unidade monetária. 
Que os correntistas determinem livremente quais bancos devem sobreviver e
quais bancos devem perecer.  Em suma, que
o governo seja completamente retirado do negócio de fabricar dinheiro.

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33 comentários em “O mito de que a crise econômica foi planejada”

  1. .
    E desde quando os idiotas banqueiros detêm o “poder do intelecto” e participam de um “comitê planejador central”?
    .
    Se os banqueiros imbecis até hoje não entenderam a teoria miseana dos ciclos econômicos, é até crueldade pretender que eles compreendam uma operação de engenharia social bem mais vasta para aumentar o controle do estado não só sobre a economia, mas sobre todas as áreas da vida humana.
    .
    O problema é que o autor vê tudo somente pelo prisma econômico. Ele não entende que existem pessoas que estão pouco se lixando se um banqueiro imbecil vai perder rios de dinheiro.
    .
    Veio a crise e o que aconteceu? O poder do estado aumentou ou diminuiu? Aumentou, não foi? Então os “conspiradores” conseguiram o que queriam. Quem pensa que eles estão interessados em papel pintado é, no mínimo, um boboca.
    .
    Confundir peças do jogo, os banqueiros, com os jogadores, os “conspiradores” é um erro brutal.
    .
    .
    Carlos Santos, se o Olavo de Carvalho ler esse artigo, vai se acabar de tanto rir.

  2. Prezados, a discussão foi desviada. O foco do artigo é um só: atacar a noção de que a crise econômica foi planejada. Apenas isso.

    Não se está negando, de modo algum, que haja vários grupos poderosos no âmbito global com a intenção de criar um governo mundial. A existência da ONU, do FMI, do Banco Mundial, da Comissão Trilateral, do CFR, dos Rothschild, dos Rockefeller, do Grupo Bilderberg ou do Greenpeace já falam por si.

    O fato de os bancos terem sido socorridos pelo estado, em detrimento de todo o resto do setor produtivo, apenas confirma o que diz o artigo: quem está lá em cima, no 1%, não sairá de lá, a menos que o sistema monetário seja mudado. Essa é a principal questão.

    Peço que, por favor, não desviem o conteúdo para agressões.

  3. Rodrigo Constantino

    “O conservador adepto de teorias da conspiração compartilha com o socialista e com o comunista uma enorme confiança no poder do intelecto em dirigir as relações da sociedade.”\r
    \r
    Acho que o alerta vale para certos “libertários” também, que adoram uma teoria conspiratória contra o estado, “eles”, como se fosse um grupo monolítico, organizado, coeso, e não uma entidade sobre inúmeras influências conflitantes. Sim, vamos bater no estado, que pode ser uma grande ameaça para a liberdade! Mas vamos evitar a visão simplista (maniqueísta) de “nós contra eles”, a moderna “luta de classes”, que ignora a enorme complexidade da vida em sociedade.

  4. Bom dia à todos, \r
    \r
    Nem seria necessàrio de lembrar que esse artigo começa mal (pra não dizer mesmo hilariamente) e termina com reivindicações que não são sérias, pois absurdas não somente para o atual momento e realidade economica que vivemos, mas irrealisàveis à longo prazo. \r
    \r
    “A sequência de quebras bancárias em 2008 chamou a atenção do público para o fato de que os banqueiros eram na verdade idiotas. Eles foram totalmente enganados por entidades que vendiam ativos”.\r
    \r
    Realmente motivo de risadas.\r
    \r
    “Que o livre mercado escolha a unidade monetária. Que os correntistas determinem livremente quais bancos devem sobreviver e quais bancos devem perecer. Em suma, que o governo seja completamente retirado do negócio de fabricar dinheiro”\r
    \r
    Todos sabemos que, mesmo se a théoria austriaca (Hayek- moedas paralelas) nos permite de envisajar uma maneira interessante de sair do impasse de existencia da Instituição Banco Central, ela não é réalisàvel e cai em contradição com suas proprias hipoteses de funcionamento. Ela cai também na peça do construtivismo.\r
    \r
    Esperamos que outras proposições mais sérias, e não somente repetição da literatura monetaria austriaca como esta feita no artigo, sejam feitas para que possamos envisajar uma saida para o impasse da existencia do Banco Central.

  5. Prezado Bernardino, dar risadinhas afetando superioridade está longe de ser uma argumentação, quiçá um debate sério. Nem sei por que o senhor perdeu seu tempo. Por gentileza, volte quando tiver algo concreto, nem que seja uma crítica. Dispensamos bazófias nesse espaço.

  6. Se a folha de realizações criminosas dos movimentos revolucionários nas democracias não pode, por definição, concorrer com o desempenho deles nas áreas que dominam, nem por isso ela deixa de ser a causa principal de distúrbios e sofrimentos, seja no Terceiro Mundo, seja nas nações desenvolvidas. Não há crise, não há fome, não há violência, não há fracasso para o qual a proposta revolucionária, nua e crua ou numa de suas inumeráveis versões camufladas, não tenha dado sua contribuição essencial. Talvez o exemplo mais evidente esteja em nosso próprio país, onde as gangues de criminosos jamais teriam chegado a derramar o sangue de 40 mil brasileiros por ano se não fosse pela ajuda, indireta e direta, que receberam dos revolucionários, primeiro mediante a instrução em técnicas de organização e guerrilha, recebida dos terroristas presos na Ilha Grande na década de 70, segundo pela sucessão de leis que esses mesmos terroristas, anistiados e transfigurados em políticos, criaram para proteger os criminosos e dificultar a ação da polícia, terceiro pela assistência técnica e treinamento militar que as Farc hoje dão às quadrilhas nacionais.

    Mas outro exemplo, não menos significativo, é o da crise econômica americana. Especulações quanto às causas desse fenômeno pululam por toda a mídia internacional, mas é um erro metodológico monstruoso buscar explicação em supostas tendências gerais da economia e da sociedade quando se pode pôr à mostra a seqüência precisa e determinada de ações individuais e grupais que produziram o efeito. Muito da pretensa “ciência social” contemporânea consiste em camuflar as causas concretas sob universais abstratos. Não espanta que, na totalidade dos casos, os explicadores sejam ou os próprios agentes posando de observadores externos, ou suas vítimas idiotizadas, empenhadas em anestesiar-se mediante auto-injeções de pseudociência para não ter de enxergar a verdadeira identidade de seus opressores.

    Deixar-nos iludir por essa camuflagem é ainda mais inaceitável quando os agentes do processo daninho não têm sequer de ser investigados a posteriori porque eles mesmos legaram ao historiador a exposição escrita de seus planos e métodos. No caso em questão, a derrubada da previdência social americana e do sistema bancário que a sustenta não foi o efeito de uma confluência involuntária de fatores anônimos, não foi nem mesmo o resultado de uma longa colaboração de inépcias, mas foi a simples realização de um plano traçado desde a década de 60 por estrategistas de esquerda inspirados por Saul Alinksy, mais tarde o mentor de um jovem estudante de Direito, Barack Hussein Obama.

    O documento que o atesta acima de qualquer possibilidade de dúvida nada tem de secreto. Foi publicado em 1966 na prestigiosa revista The Nation e até hoje consta da lista dos dez artigos mais lidos da publicação desde sua fundação em 1886 (v. Richard A. Cloward e Frances Fox Piven, “The Weight of the Poor: A Strategy to End Poverty”, The Nation, 2 de maio de 1966; uma cópia do artigo em PDF pode ser obtida por três dólares na página de arquivos da revista; um excelente resumo comentado encontra-se no artigo de James Simpson, “Barack Obama e a estratégra da crise orquestrada”, traduzido para o português em cavaleirodotemplo.blogspot.com/2009/01/barack-obama-e-estratgia-da-crise.html).

    Os autores, Cloward e Piven, buscavam aí colocar em ação a regra ensinada por Saul Alinsky, que ele mais tarde enunciaria por escrito em seu livro Rules for Radicals, de 1971 (Vintage Books): “Faça o inimigo pôr em prática seu própria manual.” A regra antecipa uma das táticas mais notórias da “guerra assimétrica”. David Horowitz assim a interpreta:

    “Quando pressionada a honrar cada palavra de cada lei e estatuto, cada princípio moral judaico-cristão e cada promessa implícita do contrato social liberal, a ação humana é inevitavelmente deficiente. O fracasso do sistema em ‘pôr em prática’ o seu manual de regras pode então ser usado para desacreditá-lo completamente e para substituir um manual capitalista por um socialista.” (V. http://www.discoverthenetworks.org.)

    A estratégia proposta por Cloward e Piven consistia, segundo Horowitz, em “forçar uma mudança política através da crise orquestrada, … procurava acelerar a queda do capitalismo ao sobrecarregar a burocracia governamental com uma enchente de demandas impossíveis, arrastando então a sociedade para uma crise e um colapso econômico”. Mas não pensem que isso é interpretação proposta por Horowitz. O texto original de Cloward e Piven é de uma clareza absolutamente cínica:

    “É nosso propósito pôr em ação uma estratégia que forneça a base para uma convergência de organizações… Se essa estratégia for implementada, o resultado será uma crise política que poderá levar a uma legislação que garanta uma renda anual e portanto acabe com a pobreza.”

    Cloward e Piven prosseguiam explicando que havia “um abismo de diferença entre os direitos nominais assegurados pela previdência social e o número de pessoas que desfrutavam efetivamente desses direitos. Se fosse possível localizar e organizar esses beneficiários inatendidos e usá-los para pressionar os institutos de previdência, estes não teriam dinheiro para atender à demanda e entrariam fatalmente em colapso.” A proposta de uma legislação socialista surgiria então, com aparente espontaneidade, como natural solução do problema. Nas décadas que se seguiram, a estratégia foi aplicada à risca, arregimentando milhões de beneficiários potenciais para que exigissem seus direitos em massa e produzissem a crise. Na liderança desse movimento estava o grupo de ativistas formado por Alinsky, entre os quais Barack Hussein Obama. A pletora de créditos imobiliários fornecidos pelos bancos, sob pressão dos ativistas, a solicitantes desprovidos das mínimas condições de pagar os empréstimos, foi a causa direta da crise bancária eclodida em setembro de 2008.

    Dois pontos essenciais do plano Cloward-Piven chamam imediatamente a atenção do observador externo. De uma lado, a diferença entre duas concepções da previdência social. No sistema capitalista, a previdência social é, por natureza, um último recurso a que os cidadãos só devem recorrer em casos de extrema necessidade. A prosperidade geral do sistema, esperava-se, deveria prover por si o sustento das famílias, reduzindo a um mínimo as filas nos guichês da previdência. Cloward e Piven reconhecem essa obviedade em teoria mas adotam como estratégia ignorá-la na prática, forçando o direito virtual expresso em lei a tornar-se uma garantia de atendimento imediato a todos os pretendentes reais e potenciais, necessitados ou não. Entravam instantaneamente na fila, portanto, desde os miseráveis genuínos (um número insignificante) até pessoas de classe média baixa meramente insatisfeitas com a sua situação modesta:

    “Para cada pessoa nas listas da previdência, há pelo menos mais uma que preenche os critérios de legibilidade mas não está recebendo assistência. Essa discrepância não é um acidente que emerga da ineficiência burocrática. É um traço inerente do sistema previdenciário, o qual, se desafiado, precipitará uma profunda crise financeira e política. A força para esse desafio, e a estratégia que propomos, é um esforço maciço para recrutar os pobres e colocá-los nas listas da previdência.”

    Sob esse aspecto, a mera entrada em ação da campanha Alinsky-Cloward-Piven já modificava radicalmente a natureza do sistema, transformando o Estado liberal-capitalista num Estado previdenciário pré-socialista – e a falência deste último seria então denunciada como crise do anterior.

    De outro lado, o objetivo último proclamado – garantir uma renda anual estatal a todos os pobres – se autodesmascarava imediatamente como farsa, pelo enunciado mesmo do plano: se a previdência não tinha dinheiro nem para atender os direitos já existentes no papel, como poderia tê-lo para arcar com um gasto imensamente maior? “Acabar com a pobreza” não era o objetivo do plano: era apenas o pretexto moral para gerar a crise. Esta era o único objetivo real, e não resta a menor dúvida de que foi alcançado. Neste caso, como em muitos outros, o discurso revolucionário apela a um objetivo utópico inatingível para viabilizar o esforço por um objetivo prático perfeitamente atingível, só que propositadamente desastroso. Se olharmos para a situação atual da economia americana, com o sistema bancário agonizante e o desemprego crescendo dia após dia, e notarmos que tudo isto foi feito sob a desculpa de “acabar com a pobreza”, é impossível deixar de perceber que os autores da idéia jamais acreditaram nessa desculpa, assim como os propugnadores de leis criminais mais brandas não acreditavam em diminuir a criminalidade e os defensores da educação sexual nas escolas não acreditavam em diminuir os casos de gravidez adolescente. Todas essas medidas e muitas outras similares visam tão-somente a destruir o sistema capitalista por meio de políticas assistenciais socialistas, calculadamente formuladas sob a lógica do prejuízo. Não há nenhum motivo razoável para supor que os danos resultantes fossem o puro efeito da inépcia ou da má administração. Foram resultados calculados, alcançados mediante uma engenharia social notavelmente eficaz. Trata-se, sempre e invariavelmente, de fazer o “sistema” pagar pelas culpas de seus agressores.

  7. Prezado Leandro, \r
    \r
    Garanto que não tenho a intenção de mostrar qualquer superioridade que seja. Se sua interpretação foi essa, eu peço desculpas. Mas acho que o senhor deva aceitar a critica, pois correta. Não é por que feita contra alguém deste instituto que não seja fundada. \r
    \r
    \r
    Se me faz rir é por que creio haver imediatamente percebido a intenção do escritor ao reivindicar que os Bancos “desconheciam” dos mecanismos dos subprimes e de como esses produtos financeiros ofereciam risco. \r
    \r
    Minha argumentação não pretende de forma alguma superioridade, mas legitimidade.\r
    Garanto também que não conhecemos a resolução para o impasse da existência da Banca Central. Se posso colaborar com algo concreto seria justamente denunciando informações irregulares ou que não passem de “interpretações inexatas” de uma realidade complexa. \r
    \r
    Aliàs jà comentei mais precisamente por quê à teoria de moedas paralelas não é realisavel num outro artigo. \r
    \r
    Boa semana \r

  8. Com base na matéria abaixo fica claro que o presidente do FED ignora (ou finge ignorar) os ensinamentos da escola austríaca de economia.

    BERNANKE READY TO COMBAT DEFLATION
    Federal Reserve chairman Ben Bernanke said Friday the U.S. central bank will consider printing more money if signs of deflation become evident.

    http://www.cbc.ca/money/story/2010/08/27/bernanke-deflation.html

    http://www.msnbc.msn.com/id/38879485/ns/business-eye_on_the_economy/

    abç

  9. Nunca comprei essa teoria de conspiração, por um único motivo: a realidade é muito complexa para que um indivíduo ou grupo de indivíduos tenham qualquer controle a médio e longo prazo. Indivíduos não enxergarão muito além de seus próprios narizes (incluindo os gênios), portanto não podem ter essa capacidade de controlar. Claro que alguns tentam, mas conseguir são outros quinhentos. Como diria o Sr. Jobs, só é possível conectar os pontos olhando para o passado; olhando para o futuro é impossível. O controle da vida está fora do alcance de qualquer um!

    Bastiat: “…for liberty is an acknowledgment of faith in God and His works.”

  10. Tenho uma pergunta acerca da lei de Pareto:
    Gary North diz que os defensores do livre mercado insistem que há equiparação de riquezas no sistema capitalista mas que ainda não aconteceu, portanto, não podem refutar essa disparidade de renda que acontece.
    Pareto não pode ser contestado pelos adeptos do livre mercado por nunca ter existido, de fato, um mercado genuinamente livre?

    Grande abraço.

  11. É um bom ponto, Angelo, embora mesmo que o mercado fosse 100% livre seria impossível haver equiparação de riquezas. Não somos iguais (ainda bem!) e algumas pessoas sempre possuirão mais aptidões que outras. E elas enriquecerão mais.

    Agora, se vai continuar havendo essa divisão 20-80, aí eu já não tenho a menor ideia. Porém, dados os outros exemplos não-econômicos fornecidos por North, tudo indica que sim. A diferença é que os 80% serão mais ricos que antes.

    Grande abraço.

  12. Olá, Angelo,\r
    \r
    Concordo com o que o Leandro falou e acrescentaria que o fato de haver concentração de riqueza não é o fato mais importante e sim o fato que o livre mercado elimina a pobreza com maior eficiência. Se a renda está mais concentrada mais em algumas camadas do que em outras o que importa é que as condições gerais de vida estão melhores quando se compara um período a outro. Não podemos confundir concentração de renda com pobreza.\r
    \r
    abraços,

  13. Erik Frederico Alves Cenaqui

    Maurício\r
    \r
    Você tem toda razão no seu comentário.\r
    \r
    A concentração de riqueza no capitalismo é solução, pois as condições gerais da vida melhoram se pessoas possuem propriedade privada.\r
    \r
    Nem todos precisam ser um Bill Gates para que exista a Microsoft.\r
    \r
    A propriedade privada exercida corretamente por uma pessoa beneficia as demais.\r
    \r
    Abraços

  14. Até onde sei, conservadores denunciam sim a formação a galope de um governo mundial. Que este governo mundial crie um banco central mundial, juntamente com a moeda mundial, tudo seria muito lógico, e não tão fora de cogitação assim. Sempre li aqui, porém, que os bancos, por estarem na primeira linha dos que têm acesso ao novo dinheiro impresso, sofrem menos impacto inflacionário do que os tomadores de crédito, ou estou errado? Claro que, com a crise perdem todos, inclusive os bancos, mas já não estariam vacinados contra o baque da crise quando esta veio? Vacina esta não disponível a outros entes do mercado. Ops, há os amigos do rei, para estes tem vacina. E vi muitos liberais também denunciarem a mesma crise como formulada pelos bancos, segurando a placa “Eu já sabia” na arquibancada. Aliás, esta placa é ótima saída: disfarça posições tanto otimistas quanto pessimistas, liberais ou conservadoras, morais e imorais, sem que seja necessário a seu portador dizer a que veio antes e depois dos fatos, somente segurar a placa com cara de paisagem. Ah, não quero ter ódio por banqueiros, mas não me peçam pena. Aí já é demais. Quando estão voando lá em cima, todos são águias astutas; quando caem fazem aquela cara de pintinho extraviado que não sabia de nada. Mentira ofende e cansa.

  15. Leandro e Maurício,

    Obrigado pela resposta!
    Eu tinha desconsiderado o fato de que não só as camadas mais baixas teriam um aumento em sua renda, mas as mais altas também evoluiriam de forma semelhante e a proporção 20-80 continuaria praticamente inabalada.

    Grande abraço.

  16. Direto leio e vejo varias teorias de conspirações,nom,e o diabo a quatro.Mais esse povo se esquece de uns detalhes.
    1)Só alguns países participam da ONU.
    2)De todos que participam da ONU,poucos seguem 100% do que a mesma determina.(Vejam o caso do Estados Unidos e do roubo da estatal de gás do Brasil na Bolivia)
    3)Para um governo mundial ser implantado precisa de um estado muito grande e forte,graças a deus ainda estamos longe disso.
    4)A China esta ignorando td isso.
    5)Qeum esta no topo não quer sair.

  17. Eu tenho as minhas dúvidas… A estratégia Cloward-Piven se encaixa muito bem no cenário da pré-crise nos EUA. Basta substituir, na estratégia, o termo “previdência social” por “mercado imobiliário” e verá então uma harmonia evidente entre a estratégia de sabotagem do Capitalismo atual e a prática.

  18. Emerson Luis, um Psicologo

    Que a crise foi causada pelas pessoas na liderança, ela foi. Mas acreditar que foi algo que nasceu da inteligência e não da estupidez deles é superestimá-los!

    * * *

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