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A luta de classes

Qualquer
filosofia da história deve demonstrar qual é o mecanismo por meio do qual aquela
agência suprema que determina o curso de todas as relações humanas irá induzir
os indivíduos a trilhar exatamente os caminhos destinados a levar a humanidade
até o objetivo determinado.  No sistema
de Marx, a doutrina da luta de classes foi criada para responder a essa
questão.

A
fragilidade inerente a essa doutrina é que ela lida com classes e não com
indivíduos.  O que tem de ser mostrado é
como os indivíduos são induzidos a agir de tal modo que fará a humanidade
finalmente atingir o ponto que as forças produtivas querem que ela atinja.  A resposta de Marx é que o que determina a
conduta dos indivíduos é a consciência dos interesses de sua classe.  Ainda falta ser explicado por que os
indivíduos dão aos interesses de sua classe preferência em relação aos seus
próprios interesses.  Podemos, por
enquanto, nos abster de perguntar como o indivíduo aprende quais são os
genuínos interesses de sua classe. 
Porém, mesmo Marx não pôde deixar de admitir que existe um conflito
entre os interesses de um indivíduo e os interesses da classe a que ele
pertence.[1] Ele
faz um distinção entre aqueles proletários que possuem consciência de classe —
isto é, que colocam as preocupações de sua classe acima de suas preocupações
individuais — e aqueles que não possuem. 
Ele considera ser um dos objetivos de um partido socialista despertar a
consciência de classe daqueles proletários que não possuem espontaneamente uma
consciência de classe.

Marx
obscureceu o problema ao confundir as noções de casta e classe.  Onde prevalecem diferenças de status e casta,
todos os membros de cada casta — exceto a mais privilegiada — possuem um
interesse em comum, a saber: acabar com as limitações legais de sua própria
casta.  Todos os escravos, por exemplo,
estão unidos em seu interesse de abolir a escravidão.  Porém, conflitos desse tipo não estão
presentes em uma sociedade na qual os cidadãos são iguais perante a lei.  Nenhuma objeção lógica pode ser feita contra
o ato de se distinguir várias classes entre os membros de tal sociedade.  Qualquer classificação é logicamente permissível,
por mais arbitrária que seja a marca de distinção escolhida.  Porém, seria algo despropositado classificar
os membros de uma sociedade capitalista de acordo com a posição que cada um
ocupa no arranjo da divisão social do trabalho e, em seguida, identificar essas
classes com as castas de uma sociedade de status.

Em
uma sociedade de status, o indivíduo herda de seus pais sua afiliação em uma
determinada casta.  Ele permanece toda a
sua vida em sua casta, e seus filhos já nascem membros dela.  Somente em casos excepcionais pode a sorte
elevar um homem para uma casta superior. 
Para a imensa maioria da população, o nascimento determina
inalteravelmente a posição social de toda uma vida. 

As
classes que Marx distingue em uma sociedade capitalista são diferentes.  A condição de membro de uma dada classe é
volátil.  A afiliação a uma classe não é
hereditária.  Ela é designada a cada
indivíduo por meio de um plebiscito diariamente repetido — plebiscito esse, de
certo modo, feito por todas as pessoas. 
Ao gastar e comprar, o público determina quem deve ser o proprietário e
o administrador das indústrias, quem deve atuar nas peças de teatro, quem deve
trabalhar nas fábricas e nas minas.  Os
ricos se tornam pobres, e os pobres se tornam ricos.  Os herdeiros, bem como aqueles que adquiriram
riqueza, devem tentar mantê-la defendendo seus ativos contra a concorrência de
empresas já estabelecidas e de ambiciosos recém-chegados.  Em uma economia de mercado livre e desobstruído
não existem privilégios, não há proteção de interesses especiais, não há
barreiras impedindo qualquer pessoa de se esforçar para obter algum
prêmio.  O acesso a qualquer uma das
classes marxistas é livre para todos.  Os
membros de cada classe concorrem entre si; eles não estão unidos por um interesse
de classe comum e eles não se opõem aos membros de outras classes aliando-se à
defesa de um privilégio comum que aqueles vitimados por ele querem ver abolido
ou na tentativa de abolir uma deficiência institucional que aqueles que obtêm
vantagens dela querem preservar.

Os
liberais laissez-faire afirmaram: se as antigas leis estabelecendo privilégios
e desvantagens de casta forem repelidas e nenhuma nova prática do mesmo tipo —
tais como tarifas, subsídios, tributação discriminatória, indulgências concedidas
a agências não-governamentais, como igrejas, sindicatos e afins, para que elas
utilizem coerção e intimidação — for introduzida, haverá igualdade de todos os
cidadãos perante a lei.  Ninguém terá
suas aspirações e ambições tolhidas por quaisquer obstáculos legais.  Qualquer indivíduo estará livre para
concorrer para a função ou posição social para as quais suas habilidades
pessoais o qualifiquem.

Os
comunistas negam que é dessa maneira que opera uma sociedade capitalista
organizada de acordo com o sistema liberal de igualdade perante a lei.  Ao seu modo de ver, a propriedade privada dos
meios de produção confere aos seus proprietários — a burguesia ou os
capitalistas, na terminologia de Marx — um privilégio que, virtualmente, em
nada se difere daqueles concedidos aos senhores feudais.  A “revolução burguesa” não aboliu o
privilégio e a discriminação das massas; o que ela fez, diz o marxista, foi
meramente derrubar a velha e exploradora classe de nobres e substituí-la por
uma nova classe exploradora, a burguesia. 
A classe explorada, os proletários, não lucrou com essa reforma.  Eles mudaram de mestres, mas permaneceram
oprimidos e explorados.  O que se faz
necessário é uma nova e definitiva revolução, a qual, ao abolir a propriedade
privada dos meios de produção, irá estabelecer uma sociedade sem classes.

A
doutrina socialista ou comunista é totalmente incapaz de levar em consideração
a diferença essencial entre as condições de uma sociedade de status ou casta e
as condições de uma sociedade capitalista. 
A propriedade feudal surgia pela conquista ou pela doação feita por seu
conquistador.  E acabava por revogação da
doação ou pela conquista feita por um conquistador mais poderoso.  Era propriedade pela “graça de Deus” porque
sua conquista derivava, em última instância, da vitória militar — algo que a
humildade ou a arrogância dos governantes atribuíam à intervenção especial do
Senhor. 

Os
proprietários da propriedade feudal não dependiam do mercado; eles não serviam
aos consumidores.  Dentro dos limites de
seus direitos de propriedade eles eram verdadeiros senhores.  Porém, as coisas são bastante diferentes para
os capitalistas e empreendedores de uma economia de mercado.  Eles adquirem e aumentam sua propriedade por
meio dos serviços que prestam aos consumidores, e somente podem conservá-la
caso sirvam esses consumidores diariamente da melhor maneira possível.  Essa diferença não é erradicada ao se chamar
metaforicamente um bem sucedido fabricante de spaghetti de “O Rei do
Spaghetti”.

Marx
nunca embarcou na impossível tarefa de refutar a descrição feita pelos
economistas do funcionamento da economia de mercado.  Ao invés disso, sua ânsia era mostrar que o
capitalismo iria, no futuro, levar a condições bastante desagradáveis.  Ele tentou demonstrar que a operação do
capitalismo inevitavelmente iria resultar, de um lado, na concentração de
riqueza nas mãos de um número cada vez menor de capitalistas, e, de outro, no
progressivo empobrecimento de uma imensa maioria. 

Na
execução dessa tarefa, ele iniciou seu raciocínio pela espúria ‘lei de ferro
dos salários’ — de acordo com a qual o salário médio é aquela quantidade
específica dos meios de subsistência absolutamente necessários para permitir,
de maneira escassa, que o trabalhador possa sobreviver e criar sua prole.[2] Essa suposta lei já foi, desde então, inteiramente
desacreditada, e até mesmo os mais fanáticos marxistas já a abandonaram.  Porém, mesmo que alguém estivesse disposto,
pelo bem da argumentação, a dizer que tal lei é correta, é óbvio que ela não
poderia de maneira alguma servir como base para uma demonstração de que a
evolução do capitalismo leva ao empobrecimento progressivo dos assalariados.

Se,
sob o capitalismo, os salários são sempre tão baixos a ponto de, por razões
psicológicas, não poderem cair ainda mais sem que isso extermine toda a classe
de assalariados, é impossível manter a tese apresentada pelo Manifesto Comunista de que o trabalhador
“se afunda mais e mais” com o progresso da indústria.  Como todos os outros argumentos de Marx, essa
demonstração é contraditória e autodestrutiva. 
Marx jactava-se de ter descoberto as leis imanentes da evolução
capitalista.  A mais importante dessas
leis, segundo ele próprio, era a lei do empobrecimento progressivo das massas
assalariadas.  É o funcionamento dessa
lei que ocasionaria o colapso final do capitalismo e a emergência do
socialismo.[3]
Quando essa lei for entendida como totalmente espúria, as bases tanto do
sistema econômico de Marx quanto de sua teoria da evolução capitalista estarão
acabadas.

Incidentalmente,
temos de compreender o fato de que, desde a publicação do Manifesto Comunista e do primeiro volume de O Capital, o padrão de vida dos assalariados, nos países
capitalistas, aumentou de uma forma sem precedentes e até mesmo
inimaginável.  Marx deturpou a operação
do sistema capitalista em todos os aspectos possíveis.

O
corolário do suposto empobrecimento progressivo dos assalariados é a
concentração de todas as riquezas nas mãos de uma classe de exploradores
capitalistas que existem em números continuamente decrescentes.  Ao lidar com essa questão, Marx foi incapaz
de levar em consideração o fato de que a evolução das grandes empresas e suas
unidades comerciais não necessariamente envolve a concentração de riqueza em
poucas mãos.  As grandes empresas são,
quase que sem exceção, corporações — precisamente porque elas são grandes
demais para que poucos indivíduos sejam inteiramente os proprietários
delas.  O crescimento das unidades
comerciais ultrapassou em muito o crescimento das fortunas individuais.  Os ativos de uma corporação não são idênticos
à riqueza de seus acionistas.  Uma parte
considerável desses ativos, o equivalente a ações preferenciais, títulos
corporativos emitidos e empréstimos levantados, pertence virtualmente, senão no
sentido do conceito legal de propriedade, a outras pessoas — a saber, os donos
dos títulos, das ações preferenciais e os credores das dívidas.  Onde essas ações e obrigações são mantidas
por bancos e companhias de seguro, e esses empréstimos foram concedidos por
esses bancos e companhias, os virtuais proprietários são as pessoas clientes
dessas instituições.  Da mesma forma, as
ações ordinárias de uma corporação não estão, via de regra, concentradas nas
mãos de um homem.  Quanto maior a
corporação, mais amplamente distribuídas estão suas ações.

O
capitalismo é essencialmente produção em massa para satisfazer as necessidades
das massas.  Mas Marx sempre trabalhou
com o conceito enganoso de que os trabalhadores labutam arduamente apenas para
o benefício da uma classe superior de parasitas ociosos.  Ele não percebeu que os próprios
trabalhadores consomem, de longe, a maior parte de todos os bens de consumo
produzidos.  Os milionários consomem uma
porção quase que insignificante daquilo que é chamado de produto nacional.  Todas as sucursais das grandes empresas
provêem direta ou indiretamente às necessidades do cidadão comum.  As indústrias de luxo nunca se desenvolvem
além das unidades de pequena ou média escala. 
A evolução das grandes empresas é, por si só, prova do fato de que as
massas, e não os ricaços nababos, são os principais consumidores.  Aqueles que lidam com o fenômeno das grandes
empresas classificando-o de “concentração do poder econômico” não percebem que
o poder econômico pertence ao público consumidor, de cujo consumo depende a
prosperidade das fábricas.  Na sua
capacidade de consumidor, o assalariado é o cliente que “sempre tem
razão”.  Mas Marx declara que a burguesia
“é incompetente em garantir uma existência para seu escravo dentro de sua
escravidão”.

Marx
deduziu a excelência do socialismo do fato de que a força motora da evolução
histórica — as forças materiais produtivas — certamente ocasionará o
socialismo.  Como ele estava absorto
naquele tipo hegeliano de otimismo, não havia qualquer necessidade em sua mente
de demonstrar os méritos do socialismo. 
Era óbvio para ele que o socialismo, sendo a última etapa da história
após o fim do capitalismo, era também uma etapa superior.
Era uma blasfêmia absoluta duvidar de seus méritos.

O
que ainda faltava ser demonstrado era o mecanismo por meio do qual a natureza
produziria a transição do capitalismo para o socialismo.  O instrumento da natureza é a luta de
classes.  À medida que os trabalhadores
vão se afundando cada vez mais em decorrência do progresso do capitalismo, à
medida que sua miséria, opressão, escravidão e degradação aumentam, eles são
induzidos à revolta, e sua rebelião estabelece o socialismo.

Toda
a cadeia desse raciocínio é despedaçada pela observação do fato de que o
progresso do capitalismo não empobrece os assalariados de modo crescente; ao
contrário, melhora seu padrão de vida. 
Por que as massas seriam inevitavelmente induzidas a se revoltarem
quando se sabe que elas estão tendo acesso a mais e melhores alimentos,
habitações e vestuários, carros e geladeiras, rádios e aparelhos de televisão,
nylon e outros produtos sintéticos? 

Mesmo
se, em prol da argumentação, admitíssemos que os trabalhadores são induzidos à
rebelião, por que seu motim revolucionário almejaria apenas o estabelecimento
do socialismo?  O único motivo que
poderia induzi-los a pedir a implementação do socialismo seria a convicção de
que eles próprios estariam melhores sob o socialismo do que sob o
capitalismo.  Porém os marxistas,
ansiosos para evitar lidar com os problemas econômicos inerentes a uma economia
socialista, nada fizeram para demonstrar a superioridade do socialismo em
relação ao capitalismo, exceto apresentar este raciocínio circular: o
socialismo está destinado a surgir como a próxima etapa da evolução
histórica.  Sendo uma etapa histórica
posterior ao capitalismo, ele é necessariamente melhor que o capitalismo.  Por que ele está destinado a surgir?  Porque os trabalhadores, condenados ao
empobrecimento progressivo sob o capitalismo, irão se rebelar e estabelecer o
socialismo.  Porém, qual outro motivo
poderia impeli-los a almejar o estabelecimento do socialismo, além da
convicção de que o socialismo é melhor do que o capitalismo?  Essa superioridade do socialismo é deduzida
por Marx do fato de que a vinda do socialismo é inevitável.  E assim o círculo se fecha.

No
contexto da doutrina marxista, a superioridade do socialismo é comprovada pelo
fato de que os proletários estão visando ao socialismo.  O que os filósofos, os utópicos, pensam não
interessa.  O que interessa são as ideias
do proletariado, a classe a quem a história confiou a tarefa de moldar o
futuro.

A
verdade é que o conceito de socialismo não se originou da “mente
proletária”.  Nenhum proletário ou filho
de proletário contribuiu com qualquer ideia substancial para a ideologia
socialista.  Os pais intelectuais do
socialismo eram membros da intelligentsia, descendentes
da “burguesia”.  O próprio Marx era filho
de um advogado abastado.  Ele estudou no Gymnasium alemão, a
escola que todos os marxistas e outros socialistas denunciavam como sendo o
principal braço do sistema burguês de educação, e sua família o sustentou ao
longo de todos os anos de seus estudos; ele não teve de trabalhar para chegar à
universidade.  Ele se casou com a filha
de um membro da nobreza alemã; seu cunhado era Ministro do Interior prussiano
e, como tal, líder da polícia da Prússia. 
Em sua casa trabalhava uma governanta, Helene Demuth, que nunca se casou
e que seguia a família Marx em todas as suas trocas de residência, o modelo
perfeito da empregada doméstica explorada cuja frustração e atrofiada vida
sexual já foram repetidamente retratadas nas ficções realistas “sociais” da
Alemanha.  Friedrich Engels era filho de
um industrial rico, e ele próprio era um industrial; ele se recusou a se casar
com sua amante Mary porque ela era inculta e de origem “baixa”[4]
ele apreciava as diversões propiciadas pela alta classe britânica, como, por
exemplo, caçar a cavalo junto com cães de caça.

Os
trabalhadores nunca foram entusiastas do socialismo.  Eles apoiavam o movimento sindical cuja luta
por maiores salários Marx desprezava como inútil.[5] Eles pediam por todas aquelas medidas de
interferência do governo nas empresas, medidas essas que Marx rotulava como
tolices pequeno-burguesas.  Eles se
opunham ao progresso tecnológico — nos primórdios, destruindo as novas
máquinas; mais tarde, utilizando os sindicatos para, por meio da coerção, forçar
o empregador a contratar mais operários do que o necessário.

O
sindicalismo — apropriação das empresas pelos trabalhadores que nela trabalham
— é um programa que os trabalhadores desenvolveram espontaneamente.  Porém o socialismo foi trazido para as massas
por intelectuais de procedência burguesa. 
Jantando e tomando vinhos conjuntamente nas luxuosas mansões londrinas e
nas mansões rurais da “sociedade” vitoriana, damas e cavalheiros com trajes
elegantes planejavam esquemas para converter o proletariado britânico ao credo
socialista.

__________________________________________

Notas

[1] E assim lemos no Manifesto Comunista: “A organização do
proletariado em uma classe e, consequentemente, em um partido político, é a
todo instante rompido e demolido pela competição entre os próprios
trabalhadores.”

[2] Obviamente, Marx não gostava do termo alemão “das eherne
Lohngesetz”, pois havia sido criado por seu rival Ferdinand Lassalle.

[3] Marx, Das
Kapital, 1, 728.

[4] Após a morte de Mary, Engels pegou a irmã dela, Lizzy,
para ser sua amante.  Ele s casou com ela
em seu leito de morte “para poder lhe propiciar seu último prazer”.  Gustav Mayer, Frederick Engels (The Hague, Martinus
Nijhoff, 1934), 2, 329.

[5] Marx, Value,
Price and Profit
, ed. E. Marx Aveling (Chicago, Charles H. Kerr & Co.
Cooperative), pp. 125-6.

 

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52 comentários em “A luta de classes”

  1. Mostre este texto a um marxista. Ele verá a verdade em cada linha, porém a negará peremptoriamente logo a seguir. O marxismo é religião na cabeça de seus seguidores. Religião às avessas, mas religião. Os dogmas serão mantidos mesmo diante da mais irrefutável verdade que os destrua.

  2. O problema dos socialistas é a forma como eles medem riqueza. Se todo mundo ter apenas 1 pão velho pra comer eles ficam felizes, pois todos são iguais e “ricos”… agora se em um sistema capitalista o “proletário” ter alcatra e o “burguês” ter picanha é terrível pois o rico está explorando o pobre pra comer uma carne melhor.

    O ideal socialista não é melhorar a qualidade de vida das pessoas, é nivelar por baixo… é um sistema escroto baseado em inveja, onde não importa a qualidade de vida dos indivíduos, o que importa é que não exista ninguém mais rico que eu.

  3. É verdade que o capitalismo me propiciou algumas coisas como o ipad que uso agora, a picanha que como no fds (já acessível pra todo mundo), o carro que dirijo, etc. Mas será que isso é certo? Será que os capitalistas não estão explorando os trabalhadores ao pagarem salários, mas, ao mesmo tempo, oferecerem produtos surpéfluos, puro luxo? Além disso, temos que analisar que as pessoas, sob o capitalismo, devem trabalhar muito para consquistar algo e isso cansa! Enquantos mtos trabalham em casa e ganham mto dinheiro com ações, outros passam o dia todo numa indústria! Não é só pq o nível de toda humanidade melhorou que podemos aceitar o capitalismo. Esses dias virei para meu vizinho proletariado, ele estava indo para o curso de tiro e me comovi com a situação dele, pois ele reclamou não ter condições de comprar uma arma melhor, então juntos nos reunimos no fim de semana, pra comer churrasco e assistir uns filmes com a família na nova TV 3D de 75 polegadas que ele acabou de comprar ( enqto mtos capitalistas tem um cinema em casa), momento em que pudemos discutir e sonhar com as maravilhas de um socialismo que não explora o trabalhador!

  4. OFF TOPIC- Leandro, gostaria que vc comentasse , se tiver tempo, o artigo que vou colocar o link abaixo… caso não tenha tempo de ler o artigo todo, vou ”colar” aqui um trecho para que vc comente, se possível:

    ”O Banco Central da Suíça criou dinheiro equivalente ao PIB do País inteiro. O Banco Central do Japão criou dinheiro equivalente a duas vezes o PIB nacional. O Banco da Inglaterra comprou todos os Títulos de Estado emitidos pelo governo da Rainha ao longo dos últimos três anos (e devolvendo a seguir os juros ao governo, confirmando que num sistema normal governo e banco central devem trabalhar em conjunto com os mesmos objectivos. Mas vais explicar certas coisas em Bruxelas…).

    Este dinheiro impresso é utilizado para adquirir Títulos de Estado e outras actividades financeiras. É dinheiro com o qual a máquina pública pode funcionar, fazer investimentos, comprar mútuos. Não é dinheiro com o qual são adquiridos televisões ou carros, por isso não há inflação no mercado real, apenas no mercado financeiro.

    Nós não. A Zona Euro, fiel ao lema “tanto pior, quanto melhor”, continua alegremente com a politica da austeridade, coleccionando unicamente péssimos resultados e continuando a afirmar que está tudo bem, que esta é a estrada justa.

    Ninguém se lembra, ou quer saber, que imprimir dinheiro era absolutamente normal em toda Europa até o final da década dos anos ’70. Sempre foi criado dinheiro para compensar os deficit públicos e ainda esta é a técnica nos Países normais. Mas, como afirmado, os Países da Zona Euro perderam a soberania monetária e já não podem imprimir dinheiro.”

    O Link : http://www.world-revolution.com/o-problema-da-divida-publica-as-solucoes-2/?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+World-revolutioncom+%28World-Revolution.com%29

  5. Uma ultima duvida, voce poderia me explicar um pouco melhor esta frase sua:

    ”Pra finalizar, toda essa dinheirama que ele citou que os BCs da Suíça, do Japão e do Reino Unido imprimiram não entrou na economia. O dinheiro foi utilizado majoritariamente para melhor o balancete dos bancos.”

    Isso foi uma espécie de ”socorro” aos bancos, que assim se tornaram devedores dos governos citados destes valores ”imprimidos” ?

  6. April 16, 2013
    Bombing Suspects
    Posted by Thomas DiLorenzo on April 16, 2013 11:39 AM

    CNN, MSNBC, Esquire magazine, and others immediately began speculating wildly that “right wing extremists” or even “libertarians” might be behind the murderous bombing in Boston yesterday. Since the media elite think it is ok to speculate on such things, here’s another speculative hypothesis: The murderer could have been someone upset over the recent news reports a couple of days earlier that Obama only paid 18.4% of his income in taxes last year. After all, Obama has used his presidential pulpit as a socialistic megaphone to advocate that “the rich” pay more of a “fair share” in taxes. How disappointed his supporters must be to learn that he paid less than half the top income tax rate, not much different from Romney’s tax rate.

    http://www.lewrockwell.com/blog/lewrw/archives/135715.html

  7. Um discurso fácil para desconstruir. No entanto, me limito a postar; o pessoal é muito preconceituoso e comete muitos estereótipos. Um exemplo foi minhas últimas postagens.

    De qualquer forma, parabéns pelas narrativas do Mises e revisada pelos editores, sempre muito boa.

    Abraço.

  8. Como início, penso que, para se tentar rejeitar uma hipótese, deve-se de fato exaurir essa hipótese ao limite da sua verdade.

    Essa premissa não foi tentada com muitas das hipoteses que Marx contruiu para tentar explicar o capitalismo, e no Das Kapital ele teve o cuidado de não mencionar o socialismo como saída, justamente por saber(imaginar dedutivamente) que essa saída seria uma superação material e histórica, essa não-afirmação sempre é colocada em alguns argumentos contra a obra do barbudo.

    Mas o pior mesmo é a confusão que foi feita com o cenceito de classe de Marx e a ação do indivíduo na sociedade. Partindo do pressuposto que o indivíduo procura seu bem estar e sua felicidade, por sí, não vejo forma de excluir o fato que ele para conseguir tanto, necessita perceber-se como alguém inserido numa sociedade com outras pessoas como ele, e que ele não é uma ilha – alias Robinson Crusoé deixa seu legado em algumas mentes- logo para mim é necessária a refutação, precisamente, dessa tendência do ser humano a se associar( consciência de classe que Marx afirma existir) com as pessoas que ele percebe estar nas mesmas condições materiais, históricas e sociais que a dele. A luta de classe vem daí, mesmo tomando como hipótese central a individualidade, ela não se sustenta na comprovação empírica; monopólis, revoltas, confrarias, revoluções, ninguém faz isso sozinho, o individuo não se reproduz socialmente sozinho e nem consegue sua superação individual sem ajuda.

    Mas isso poderia ser apenas um choque ontológio ( e na verdade é) de duas linhas de pensamento completamente distintas , mas me deparo com isso;

    “O capitalismo é essencialmente produção em massa para satisfazer as necessidades das massas. Mas Marx sempre trabalhou com o conceito enganoso de que os trabalhadores labutam arduamente apenas para o benefício da uma classe superior de parasitas ociosos. Ele não percebeu que os próprios trabalhadores consomem, de longe, a maior parte de todos os bens de consumo produzidos. Os milionários consomem uma porção quase que insignificante daquilo que é chamado de produto nacional. Todas as sucursais das grandes empresas provêem direta ou indiretamente às necessidades do cidadão comum. As indústrias de luxo nunca se desenvolvem além das unidades de pequena ou média escala. A evolução das grandes empresas é, por si só, prova do fato de que as massas, e não os ricaços nababos, são os principais consumidores. Aqueles que lidam com o fenômeno das grandes empresas classificando-o de “concentração do poder econômico” não percebem que o poder econômico pertence ao público consumidor, de cujo consumo depende a prosperidade das fábricas. Na sua capacidade de consumidor, o assalariado é o cliente que “sempre tem razão”. Mas Marx declara que a burguesia “é incompetente em garantir uma existência para seu escravo dentro de sua escravidão”.

    Bom, erro econômico. Em termos vulgares, os assalariados consomem mercadorias com “pouco valor agregado”, em termos marxista mercadorias com baixa taxa de mais-valia relativa, o fato de o trabalhodor absorver a grande quantidade de mercadorias é óbvia, elas são de preço reduzido( baixo refinamento tecnológico), para fins específicos e com a finalidade de manter essa grande quantidade de pessoas na condição de mão de obra, isso inclui tanto o básico de alimentação quanto pequenas mercadorias mais elaboradas. Do outro lado a classe que atende interesses dominantes e exploradores( categoria Marxianas) existe em número reduzido e acumulando maior quantia monetária, ela capta esse excedente que corresponde ao lucro- na teoria marxista há extração de horas trabalhadas uma vez que se houvesse a renumeração exata a produção do trabalhador o lucro não existiria-, gasta menos em termos agregados e em taxa, já que o que transpassa necessidade essencial, gastos com capital fixo e variável( no caso de uma empresa), é poupança. Tendo em mente isso ,observa-se que um grupo de pessoas reduzido não vai consumir tanto quanto a imensa maioria, nem se comprar uma quantidade absurda de bens de luxo, e mesmo assim eles detêm maior quantidade de moeda que um trabalhor já que sua riqueza é convertida em moeda e fica em bancos não tendo necessidade de consumir tudo que recebe. Ao meu ver não se chega ao núcleo da teoria Marxista, que é a exploração, o texto não refuta nada em Marx.

    Quanto ao poder de econômico ser do consumidor, nesse quadro apresentado eu concordo, mas com 2 ressalvas; 1) Irá o trabalhador passar fome? Necessidade? Como ele pode ser o “grande poderoso” se ele não tem o poder sobre o que produz? 2) O ponto central de não ter o poder reside no fato de as máquinas, insumos que ajudam na produção de mercadorias serem de outrem, daí o embricamento que a classe dominante tem com o estado explica o porque o poder se esvai , pois ao menor movimento de revolta, questionamento ou simples associação crítica de setor “poderoso” , o estado usa as armas que têm; monopólio da força e opressão, aniquilando qualquer insurgência.

    Bom, vou me arrepender profundamente de ter entrado nesse debate, já que os que vão me questionar, farão de forma a atacar a minha pessoa ou usando falácias das mais absurdas, sem ir no ponto econômico da questão, e mesmo eu afirmando que Marx não é deus e nem o capital a bíblia, muitos ignorantes me tratarão como religioso, pois também defendem um ponto de vista com fevor pastoral.

    Dos demais espero um debate centrando no que é refutável da teoria de Marx, no que não se comprova empiricamente, diferentemente disso é pura apologia e a ciência se perde na fé cega.

  9. Melanie Schwartz

    Vim compartilhar um texto interessante do Mario Fortes. Não é exatamente libertário, mas como critica o sociolismo, achei que pudesse interessá-los.

    —–
    A esquerda caviar.

    “Não vi um negro”, escreveu o jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues – talvez a única mente lúcida do Brasil na época – sobre a famosa “passeata dos cem mil” no Rio de Janeiro contra o regime militar, em 1968. O que mais lhe chamou a atenção na maior marcha de protesto daquele ano seminal da esquerda moderna (ou pós-moderna) foi a ausência quase completa de pobres, ou de gente com cara de pobre, em um movimento que se dizia a favor dos pobres e contra os ricos etc. “Não havia ali um único negro, um desdentado, um mísero torcedor do Flamengo”, observou, intrigado. Nenhum operário, nenhum favelado, nem mesmo um morador de subúrbio. Apenas gente bonita e com todos os dentes no lugar, garotões e gatinhas da juventude dourada da zona sul carioca, bem-nascidos, bem-nutridos, de pele alva ou “bronzeados como um havaiano de cinema”, desfilando seus slogans contra a ditadura, no que poderia muito bem, comentou Nelson, ser um comercial de dentifrício.

    Ele sabia do que falava. “Como é marxista a nossa burguesia!”, exclamava, com ponto e tudo, o jornalista e dramaturgo, que tinha o costume, talvez para colher material para suas peças e romances, de frequentar saraus de grã-finos, uma moda na época. Em um deles, escreveu em uma de suas crônicas, chegou a conhecer uma auto-proclamada “amante espiritual de Guevara” (!). Esta iria fazer companhia, no universo rodrigueano, a outras figuras icônicas da sociedade e especialmente da esquerda brasileira, como o “padre de passeata”, a “freira de minissaia” etc. Nessas ocasiões, o autor de O Casamento pôde constatar a ilimitada admiração, que beirava o fanatismo (“só faltavam abanar o rabo como cadelinhas amestradas”), dos habitantes do grand monde pela figura de Marx, a qual somente rivalizava com a total ignorância que demonstravam pelas ideias do “Velho” (era assim que chamavam o fundador do soi-disant “socialismo científico”, com a intimidade de alguém da família).

    Nelson Rodrigues era um dramaturgo, um homem de teatro, mas suas crônicas, reunidas em livros como O Reacionário e A Cabra Vadia, estão longe de ser obra de ficção. Suas observações, escritas em estilo suculento, foram argutas e precisas, valem mais do que muita obra de sociológo que existe por aí. Assim como assistiu bestializado à Proclamação da República em 1889, o povo passou longe da passeata dos cem mil, e passou mais longe ainda da luta armada contra a ditadura militar. O historiador Marcelo Ridenti, em seu livro O Fantasma da Revolução Brasileira (publicado em 1993), apontou esse fenômeno: em um levantamento, ele constatou que entre os membros processados dos grupos terroristas de esquerda nos anos 60 e 70 (ALN, VPR, MR-8, VAR-Palmares etc.), 57,78% eram estudantes de classe média ou alta. Pouquíssimos podem ser considerados “operários” ou “trabalhadores”. Enquanto isso, o povão, entusiasmado com o “milagre” econômico e com os dribles de Pelé e Rivelino na seleção tricampeã mundial de futebol no México, assistia indiferente, ou mesmo com franca hostilidade, às aventuras da esquerda armada (da qual, aliás, frequentemente era vítima). A conclusão de Ridenti, corretíssima, é que os grupos guerrilheiros não eram o oposto da elite, mas uma fração desta, uma espécie de “contra-elite”. Um dos membros dessa elite guerrilheira que pegou em armas contra a ditadura foi Nelsinho, filho de Nelson Rodrigues. Outra foi uma tal de Dilma Vana Rousseff.

    Não se trata de um fenômeno restrito ao Brasil. Sempre houve, em todos os países, um divórcio radical entre a esquerda e as massas populares. Apesar de nomes pomposos escolhidos para batizar os movimentos e partidos esquerdistas ao longo da História – “dos trabalhadores”, “operário”, “popular” etc. –, o povão, ou, para usar o jargão marxista, o “proletariado”, sempre deu as costas à propaganda revolucionária e socialista, brandida quase sempre por membros desgarrados da elite. Basta ver a biografia dos principais líderes revolucionários. Lênin vinha da aristocracia rural russa (seu pai tinha inclusive um título de nobreza). Mao Tsé-tung era filho de proprietários de terras. Fidel Castro também. Sem falar no próprio Karl Marx, de origem burguesíssima, assim como seu amigo Friedrich Engels, rico herdeiro de fábricas de tecidos na Inglaterra. Todos vieram da classe dominante. (Não que ser do povo traga, em si, alguma virtude moral intrínseca: Stálin, por exemplo, era de origem proletária, assim como Lula – aliás, uma invenção da elite.) Mesmo assim, sempre se apresentaram como a “vanguarda” da “classe operária”… E isso em TODOS os movimentos e partidos de esquerda e de extrema-esquerda no mundo nos últimos cento e tantos anos. (Antes mesmo de Lênin e da Revolução Russa de 1917, tornou-se célebre o caso dos jovens anarquistas russos que, abandonando uma vida de luxo e conforto nas cidades, embrenharam-se no campo, tentando sublevar as massas. Foram expulsos a pontapés pelos camponeses. O mesmo aconteceu com Che Guevara na Bolívia, melancolicamente delatado pelos mesmos que dizia querer “libertar”…)

    Por que estou dizendo tudo isso? Porque historicamente a esquerda, no Brasil e alhures, sempre insistiu em falar em nome do “povo”. Desde os antigos comunistas, até os que se apresentam atualmente sob as mais diversas bandeiras, como “direitos humanos”, indigenistas, feministas, ambientalistas, desarmamentistas, maconhistas, cotistas, gayzistas etc., os representantes desses movimentos alegam defender as camadas sociais mais desfavorecidas. Se os pobres concordam ou não com sua agenda política, é outro assunto.

    Nada mais falso do que a ideia da esquerda como “representante do povo”. Um exemplo recente: há alguns dias, em São Paulo, um jovem, Victor Hugo Deppman, foi assassinado a sangue-frio, quando chegava em casa, por um menor de idade, que roubou seu celular. A morte brutal e estúpida foi filmada pelas câmeras do condomínio, que deixaram claro que foi um homicídio covarde e sem sentido, pois a vítima estava rendida e não esboçou qualquer reação, e mesmo assim levou uma bala na cabeça. Imediatamente, elevou-se um clamor nacional em defesa da redução da maioridade penal e de repúdio à lei vigente, que garante a impunidade – o assassino, que completou 18 anos três dias após o crime, só poderá ficar no máximo três anos em uma instituição de amparo ao menor, de onde sairá com a ficha limpa. Quem ficou contra, inclusive com o “argumento” de que toda a comoção com o caso só ocorrera porque o jovem assassinado era “de classe média” etc.? O governo e a esquerda, claro. Já o povo – 93% dos paulistanos, que não moram todos no Morumbi ou em Higienópolis – quer a revisão do Estatuto da Criança e do Adolescente. Rejeita a ideia do tiro na cabeça como forma de justiça social…

    Eis o fato incontestável, que muitos "intelequituais" uspianos não querem encarar: a esquerda não representa o povo coisa nenhuma. Aliás, não representa ninguém, a não ser a si própria. Ela é, acima de tudo, um fenômeno da ELITE. O povo – e falo aqui dos mais pobres dentre os pobres – está simplesmente se lixando para o que dizem os esquerdistas. Mais: na quase totalidade dos casos, o povo é radicalmente contra as propostas da esquerda.

    Façam um teste, se duvidam de mim. Experimentem fazer um plebiscisto sobre a maioridade penal aos 16 anos (ou aos 15, 14 etc.). Ou sobre pena de morte. Ou sobre legalização da maconha. Ou sobre casamento gay. Ou sobre aborto. Aposto o quanto quiserem que a grande maioria da população, sobretudo os mais pobres e que mais sofrem com a criminalidade e outros problemas, daria uma resposta diametralmente oposta ao que defendem o PT ou o PSOL.

    Para ser mais preciso, imaginem uma consulta com a seguinte pergunta: “Você é a favor do casamento gay e da legalização da maconha?”. Ou: “Você é a favor da liberação do aborto?”. Preciso dizer que a resposta seria um NÃO bem redondo? Agora, troquem a pergunta para “Você é a favor da redução da maioridade penal?” Quem duvida que a resposta, nesse caso, seria um retumbante SIM? E quem pode negar que a resposta-padrão da esquerda diante desse fato (“é porque o povo é ignorante” etc.) trai, na verdade, um inegável ranço elitista, no pior sentido da palavra? (A opinião do povo só deve ser ouvida se coincidir com a da esquerda.) Afinal, de que "povo" falam os esquerdistas?

    (A propósito: observem quem participa das marchas feitas pela esquerda, como a “marcha das vadias”, a “marcha da maconha” etc. Notaram algum trabalhador em uma delas?)

    A maioria da população brasileira, que trabalha, anda de ônibus e paga imposto, não tem tempo nem paciência para os delírios e platitudes esquerdistas. E, quanto mais é assim, mais a esquerda se diz a única e legítima representante das causas populares… Trata-se de uma falácia, de um óbvio embuste. Os esquerdistas sabem que o povo não tem nada de “progressista”; pelo contrário, é instintivamente conservador e “de direita”. Por isso, nem falam mais em plebiscitos (como o do desarmamento em 2005, em que sofreram uma derrota humilhante). Em vez disso, resolveram mudar de tática, tentando enfiar suas propostas liberticidas de contrabando, via Congresso ou STF. Para os moradores das favelas e da periferia, rapagões e moçoilas criados na base de sucrilhos e toddyinho falando em seu nome e lhes dizendo o que é melhor para eles só pode ser piada. Para eles, os “oprimidos”, os esquerdistas não passam de playboyzinhos entediados em busca de alguma “causa” para se entreterem e despejarem sua revolta juvenil. A esquerda não os representa.

    Assim como não havia negros na “passeata dos cem mil”, não há nada de “popular” nos slogans “progressistas” dos militantes politicamente corretos de hoje. Desconfio que, se fosse vivo, Nelson Rodrigues ficaria admirado ao ver o espetáculo surrealista da beautiful people do Leblon e de Ipanema falando em nome das massas. O carnavalesco Joãosinho Trinta tinha razão: “Pobre gosta de luxo; quem gosta de miséria é intelectual”. De miséria e de socialismo.
    —–

  10. Acredito em partes dos ideais de Marx, e também acho que a teoria de luta de classes, não está perfeita, mas sim bem direcionada. E usar esse resto “incompleto” da teoria de Marx para justificar ou dar razão as práticas capitalistas é osso! A luta de classes não se dá mais pelo proletário contra o burguês, no ringue está inserida toda a sociedade, a competição desenfreada de estudantes a corporações, traficantes, empregados e desempregados, causa essa desordem que podemos ver diariamente, o homem inimigo do homem. Mas quem seria o 1%? O que mantém os escravos dos 5 dias seguindo á essa ditadura silenciosa, que incita a reação ao invés do perdão, que incita a competição ao invés do compartilhamento, que troca valores da essência do humano, e acima de tudo, dá o poder sob o outro apenas por ter ou possuir mais que outro, que em essência é igual a ele. E assim se faz, não é presciso fazer estudos infinitos para isso, é só sair de casa e ver, a indiferença entre pessoas, o aglomerado de gente em pequenos espaços que são movidos a dinheiro, saem de casa apenas por um salário em troca do seu precioso e único na vida, o tempo. Então deu para entender quem é o 1% né? Se fosse atribuir a algo material viria logo a minha mente o dinheiro, e se fosse atribuir a algo abstrato, pra mim viria a mentalidade capitalista, que infelizmente étão bem colocada por vocês, mas por outro lado é o fruto da luta de classes que Marx teve a coragem de trazer a tona, que bem dito por ele, é o que faz prosseguir a história do homem, só que talvez o homem capitalista esteja indo rápido demais, produzindo demais, querendo demais, não é a toa que já chegamos a duas grandes guerras e crises mundiais.

  11. Leandro,

    Só pra fechar o entendimento: o governo pode criar dinheiro do nada através dos BCs, o que ele não pode é jogar esse dinheiro na economia, uma vez que é apenas pelo sistema bancário que ele pode correr. É isso?

  12. Defendendo a evolução histórica a partir da luta de classes

    Muito embora eu concorde com as ideias da escola austríaca em diversos pontos (a maior parte, eu diria) preciso afirmar o meu compromisso com a verdade e defender algumas coisas quando assim for necessário. Na minha visão, Karl Marx foi um tipo de gênio intuitivo. Conseguiu, a partir da sua sensibilidade, perceber a exploração e se fazer notar no campo das ideias, conquistando diversos seguidores. No entanto, foi incapaz de compreender as causas da mesma e disso se seguiram inúmeras interpretações equivocadas dele próprio a respeito da sociedade e por conseguinte o engano dos seus seguidores em relação às suas ideias principais, culminando em alguns erros trágicos no decorrer da história.

    Ao observar a mesma, Karl Marx percebeu que a sua mecânica básica se dava a partir de conflitos. É intuitivo e até mesmo óbvio perceber que entender a história é o mesmo que entender a origem dos conflitos que ocorreram, sendo eles o ponto de partida para a compreensão do restante no tocante a organização social de um povo. Buscamos nos dados a respeito das sociedades a origem dos conflitos e assim se dá o estudo da história, percebe-se a relevância dos mesmos ainda na periodização histórica: Os marcos dos quais nos utilizamos como pontos de partida para sua compreensão são conflitos, eles são os nós que atam o tecido dos acontecimentos históricos. Toda a evolução do pensamento pode ser observada a partir deles, quando houve a transição da monarquia para a república na França a partir da revolução francesa ocorrera antes disso uma profunda mudança no campo das ideias, ou seja, os conflitos são meramente a manifestação da evolução do pensamento materializada (ou plasmada) no campo físico da ação humana.

    Embora Marx tenha se equivocado quanto a origem dos conflitos, culpando a propriedade privada, no estrito sentido do termo, acertou ao afirmar que a evolução histórica se materializa a partir deles. Acertou também quando afirmou que a exploração era o motivo dos conflitos, por isso os explorados se organizam em revoltas para reconquistar a sua autonomia e assim se livrar da coerção imposta pelas classes exploradoras. Mas errou novamente quanto a causa do problema da exploração, atribuindo a culpa ao capitalismo, que nada mais é, em essência, do que a troca voluntária de indivíduos interagindo livremente no mercado. Das origens da exploração, que são de ordem econômica, os austríacos realizaram um excelente trabalho ao demonstrar que o Estado era o cerne da questão, atuando como principal ferramenta das classes exploradoras e o que permite o distorcimento do mercado em prol dos seus interesses e ânsia por poder. É certo que o trabalho de Marx no campo da economia foi um grande desastre, mas no que tange a sua visão social é incrível e até mesmo genial a sua interpretação dos fatos, sendo necessário um olhar um pouco mais aprofundado para a devida compreensão de suas ideias.

    A partir de agora irei me basear no artigo intitulado "A luta de classes" do instituto mises para ponderar a questão, tendo em vista a defesa da teoria marxista da evolução histórica e da luta de classes estritamente no campo social:

    "Qualquer filosofia da história deve demonstrar qual é o mecanismo por meio do qual aquela agência suprema que determina o curso de todas as relações humanas irá induzir os indivíduos a trilhar exatamente os caminhos destinados a levar a humanidade até o objetivo determinado."

    Aqui há o apontamento de uma falha do sistema de ideias marxistas quanto a atribuição de funções ao Estado, proferida em tom jocoso ("agência suprema"). Tudo bem, esse é um erro grave da teoria marxista.

    "No sistema de Marx, a doutrina da luta de classes foi criada para responder a essa questão."

    Na verdade, a questão posta é decorrente da constatação da existência da luta de classes e não o contrário. Mas entendo que aqui o autor deve ter se valido das artimanhas esquerdistas para justificar as suas falcatruas e ânsia por poder, transformando o conceito de luta de classes em ferramenta ideológica, ponto para o redator. Na verdade, a tomada do poder pelo proletariado constitui mero efeito da luta de classes.

    "A fragilidade inerente a essa doutrina é que ela lida com classes e não com indivíduos."

    Indivíduos estão inseridos em classes, das quais só podem existir duas: exploradores ou explorados. O conceito de classe serve meramente para reduzir a teoria e torná-la mais simples. Mas é verdade que isso a fragiliza, criando ambiguidades que promovem erros de interpretação, os quais são muito utilizados em doutrinações ideológicas esquerdistas a seu favor.

    "O que tem de ser mostrado é como os indivíduos são induzidos a agir de tal modo que fará a humanidade finalmente atingir o ponto que as forças produtivas querem que ela atinja. A resposta de Marx é que o que determina a conduta dos indivíduos é a consciência dos interesses de sua classe. Ainda falta ser explicado por que os indivíduos dão aos interesses de sua classe preferência em relação aos seus próprios interesses."

    Solução simples: A consciência advém da experiência social que o indivíduo tem, leve em conta que o conhecimento é assimétrico e está espalhado pela sociedade para entender este conceito. Intuitivamente se percebe a diferença de classes quando você vive aquilo que a sua classe te proporciona. Tanto o trabalhador que pega o seu ônibus para ir ao serviço quanto o patrão que usa um sedan de luxo tem consciência de que são diferentes entre si. A consciência surge do conhecimento que o indivíduo possui da impossibilidade de ascensão social ou possibilidade restringida (restrições estas impostas coercitivamente mediante a máquina estatal), então ele percebe que não é meramente um indivíduo isolado de um contexto, mas sim pertencente de uma classe, seja ela a exploradora ou a explorada. A classe do explorado, por exemplo, tem o interesse de deixar de ser explorada e ele coloca isso à frente dos seus interesses próprios simplesmente porque entende que os seus interesses não serão atingidos enquanto não for satisfeito o interesse de sua classe, que é se livrar da exploração, apenas com a força da união daqueles que compartilham com ele a mesma condição é capaz de causar uma efetiva mudança, nesse contexto surgem problemas quanto a que meios se utilizar, temos os proletários socialistas, conservadores, libertários, liberais… O corpo de ideias não é homogêneo, a única igualdade está no fim: A libertação do sistema que os explora (capitalismo de estado). O que induz os indivíduos a agirem em prol do ponto posto é o desejo da libertação da coercitividade imposta sobre os mesmos.

    "Podemos, por enquanto, nos abster de perguntar como o indivíduo aprende quais são os genuínos interesses de sua classe. Porém, mesmo Marx não pôde deixar de admitir que existe um conflito entre os interesses de um indivíduo e os interesses da classe a que ele pertence. Ele faz uma distinção entre aqueles proletários que possuem consciência de classe — isto é, que colocam as preocupações de sua classe acima de suas preocupações individuais — e aqueles que não possuem. Ele considera ser um dos objetivos de um partido socialista despertar a consciência de classe daqueles proletários que não possuem espontaneamente uma consciência de classe."

    O indivíduo se vale da experiência empírica que ele mesmo vive, se vendo forçado a trabalhar com o que não gosta, por um salário que não está de acordo com as suas necessidades e sem expectativas quanto a melhora em relação a este quadro. E a partir da observação toma consciência da reprodução sistemática de sua condição, observando amigos e familiares, pessoas do seu círculo vivenciando exatamente as mesmas condições impostas, é intuitivo perceber que há algo de errado. O proletário que possui consciência de classe compreende a si mesmo como parte da classe explorada ao perceber que está restringido àquele campo, todos os demais proletários que ainda possuem a possibilidade de migrar para a classe exploradora (a depender do nível de coercitividade) se enxergam meramente enquanto indivíduos deslocados e não pertencentes à sua classe, sequer tomam conhecimento disso, foi vítima da alienação sofrida na sua educação, onde são impostas as ideologias estipuladas pela classe dominante. No nosso caso, o MEC impõe o esquerdismo progressista vendendo a ilusão de que a partir da legitimação do sistema de exploração (capitalismo de estado) é possível atingir os seus fins.

    Exemplo típico de proletário alienado que coloca seus interesses à frente dos interesses de classe: Aluno de universidade pública federal que pretende se tornar um funcionário público estatal. Quanto ao objetivo do partido socialista, este é um erro de cunho metodológico Marxista que pode ser facilmente substituído pela visão austríaca no que tange a solução de problemas sociais, é só mais um equívoco de Marx.

    "Marx obscureceu o problema ao confundir as noções de casta e classe. Onde prevalecem diferenças de status e casta, todos os membros de cada casta — exceto a mais privilegiada — possuem um interesse em comum, a saber: acabar com as limitações legais de sua própria casta. Todos os escravos, por exemplo, estão unidos em seu interesse de abolir a escravidão. Porém, conflitos desse tipo não estão presentes em uma sociedade na qual os cidadãos são iguais perante a lei. Nenhuma objeção lógica pode ser feita contra o ato de se distinguir várias classes entre os membros de tal sociedade. Qualquer classificação é logicamente permissível, por mais arbitrária que seja a marca de distinção escolhida. Porém, seria algo despropositado classificar os membros de uma sociedade capitalista de acordo com a posição que cada um ocupa no arranjo da divisão social do trabalho e, em seguida, identificar essas classes com as castas de uma sociedade de status."

    De fato, concordo plenamente, mas por razões metodológicas ainda utilizo "classe" no lugar de "casta" para me referir a este significante do qual estamos tratando. Há um erro em pensar que há igualdade perante a lei, o processo de abertura de empresas ou qualquer outro empreendimento por parte do proletário é impossibilitado por razões puramente legais, o próprio instituto já salientou isso aqui. Na prática apenas aqueles que já possuem algum capital, seja ele proveniente de tradição familiar ou algo assim, consegue montar um negócio de sucesso. Sejamos razoáveis, todos os empreendimentos dos proletários funcionam sob o medo do Estado, um bom exemplo são aqueles vendedores de rua que vemos em muitas cidades, eles não possuem alvará, pois este é de exclusiva obtenção de uns poucos privilegiados que conseguem bancar toda aquela burocracia. Há ainda os impostos abusivos que só tornam as atividades empreendedoras compensatórias quando há produção de maior escala, já excluindo novamente o proletário, uma vez que este não consegue arcar com tais custos logo no início da sua carreira empreendedora, o Estado o transforma em um contrabandista automaticamente, impossibilitando ainda que se regularize e expanda a sua atuação no mercado. Deixemos de hipocrisia, as pessoas não deixam de empreender por mera falta de virtudes, tais como coragem, iniciativa e etc, em sua maioria são estranguladas por esse capitalismo de estado corrupto, em uma sociedade assim a igualdade perante a lei gera a real desigualdade de direitos, sendo os verdadeiros direitos aqueles pautados em propriedade privada, qualquer austríaco deveria compreender isso, esse juspositivismo do qual são feitas as nossas leis não passa de um instrumento de exploração manuseado por poucos. Nesse post, parte-se do pressuposto que vivemos em uma sociedade capitalista de fato, daí decorrem esses erros genéricos. Não há igualdade de direitos, apenas igualdade em relação a obrigações e normatizações. Pode-se argumentar dizendo que o texto não trata de uma sociedade específica, mas sim de uma abstração baseada nas ideias marxistas explorando-as a partir de uma lógica austríaca apropriada a um contexto de capitalismo de livre mercado, mas se esquece que as conclusões a respeito da luta de classes vieram de um homem que viveu a realidade de um capitalismo de estado, uma vez que nunca houve um real capitalismo de livre mercado, logo as afirmações a respeito da luta de classes são válidas nos dias atuais assim como eram antes e não são aplicáveis a uma abstração genérica da realidade levando-se em conta uma sociedade onde haja livre comércio. Repito, Marx teve equívocos terríveis no campo econômico, mas há validade nas suas constatações a respeito da sociedade, que podemos nos utilizar.

    "Em uma sociedade de status, o indivíduo herda de seus pais sua afiliação em uma determinada casta. Ele permanece toda a sua vida em sua casta, e seus filhos já nascem membros dela. Somente em casos excepcionais pode a sorte elevar um homem para uma casta superior. Para a imensa maioria da população, o nascimento determina inalteravelmente a posição social de toda uma vida."

    Ótimo, descreveu perfeitamente todas as sociedades do mundo até então, esse absolutismo dicotômico em dizer: "se é possível a ascensão, então não existem classes" não passa de uma negação falaciosa. A possibilidade de ascensão varia conforme o nível de liberdade o qual uma sociedade vive, assumindo diversos gradientes de possibilidade de ascensão por assim dizer, mas não exclui a existência de classes (ou castas, como preferir) que a depender do nível de liberdade são mais ou menos desiguais no que diz respeito aos direitos de exercer a sua liberdade sobre a sua propriedade. Sendo assim, quanto mais próximo de um capitalismo de livre mercado maior é a liberdade e possibilidade de ascensão, o que reduz a quantidade de indivíduos inseridos estritamente em suas respectivas classes, e quanto mais próximo de um capitalismo de estado menor é essa possibilidade e mais aparente se torna a divisão de classes, pois maior se torna a quantidade dos seus membros oprimidos. A realidade para muitos, a respeito da inalterabilidade de suas condições por conta do seu nascimento, é justamente essa e pode ser observada no nosso dia-a-dia, sendo mais comum e facilmente identificável em Estados mais interventores e o oposto em Estados menos interventores.

    "As classes que Marx distingue em uma sociedade capitalista são diferentes. A condição de membro de uma dada classe é volátil. A afiliação a uma classe não é hereditária. Ela é designada a cada indivíduo por meio de um plebiscito diariamente repetido — plebiscito esse, de certo modo, feito por todas as pessoas. Ao gastar e comprar, o público determina quem deve ser o proprietário e o administrador das indústrias, quem deve atuar nas peças de teatro, quem deve trabalhar nas fábricas e nas minas. Os ricos se tornam pobres, e os pobres se tornam ricos. Os herdeiros, bem como aqueles que adquiriram riqueza, devem tentar mantê-la defendendo seus ativos contra a concorrência de empresas já estabelecidas e de ambiciosos recém-chegados. Em uma economia de mercado livre e desobstruído não existem privilégios, não há proteção de interesses especiais, não há barreiras impedindo qualquer pessoa de se esforçar para obter algum prêmio. O acesso a qualquer uma das classes marxistas é livre para todos. Os membros de cada classe concorrem entre si; eles não estão unidos por um interesse de classe comum e eles não se opõem aos membros de outras classes aliando-se à defesa de um privilégio comum que aqueles vitimados por ele querem ver abolido ou na tentativa de abolir uma deficiência institucional que aqueles que obtêm vantagens dela querem preservar."

    De fato, isso se trata de mais um erro Marxista no campo econômico das ideias, as quais, como mencionado por mim anteriormente, podem e devem ser substituídas pelas teorias econômicas austríacas. Mas, novamente, não exclui a existência de classes e varia conforme o grau de liberdade econômica.

    "Os liberais laissez-faire afirmaram: se as antigas leis estabelecendo privilégios e desvantagens de casta forem repelidas e nenhuma nova prática do mesmo tipo — tais como tarifas, subsídios, tributação discriminatória, indulgências concedidas a agências não-governamentais, como igrejas, sindicatos e afins, para que elas utilizem coerção e intimidação — for introduzida, haverá igualdade de todos os cidadãos perante a lei. Ninguém terá suas aspirações e ambições tolhidas por quaisquer obstáculos legais. Qualquer indivíduo estará livre para concorrer para a função ou posição social para as quais suas habilidades pessoais o qualifiquem."

    Veja, se os liberais clássicos laissez-faire afirmam que quando implementadas tais medidas haveria então verdadeira igualdade de direitos isso significa que, como mencionei anteriormente, não há igualdade de direitos. confirmando o que eu disse. Concordo plenamente com os liberais e volto a afirmar aqui: a luta de classes existe, uma vez que há os exploradores lutando pelo seu domínio e manutenção desses meios e o explorado lutando por se livrar dessas amarras.

    "Os comunistas negam que é dessa maneira que opera uma sociedade capitalista organizada de acordo com o sistema liberal de igualdade perante a lei. Ao seu modo de ver, a propriedade privada dos meios de produção confere aos seus proprietários — a burguesia ou os capitalistas, na terminologia de Marx — um privilégio que, virtualmente, em nada se difere daqueles concedidos aos senhores feudais. A “revolução burguesa” não aboliu o privilégio e a discriminação das massas; o que ela fez, diz o marxista, foi meramente derrubar a velha e exploradora classe de nobres e substituí-la por uma nova classe exploradora, a burguesia. A classe explorada, os proletários, não lucrou com essa reforma. Eles mudaram de mestres, mas permaneceram oprimidos e explorados. O que se faz necessário é uma nova e definitiva revolução, a qual, ao abolir a propriedade privada dos meios de produção, irá estabelecer uma sociedade sem classes."

    Os comunistas não sabem nada de economia, assim como Marx não sabia. Mas é verdade que substituiu por uma nova classe exploradora, veja a loucura dos bancos centrais ou mesmo os monopólios das commodities e coisas do tipo. De fato não aboliu o privilégio e a discriminação, eles ainda existem, mas em níveis variados a depender da quantidade de livre mercado, vale salientar, menos liberdade, maior exploração. O proletário teve sim melhoras inquestionáveis na qualidade de vida, dizer que não houve não passa de argumentação persuasiva esquerdista. Sim, permanecem oprimidos e trocaram de mestres, temos George Soros aí para provar e diversos empresários e banqueiros corruptos que utilizam o Estado como ferramenta de poder ilimitado para as suas falcatruas e manutenção do sistema de exploração escravagista do capitalismo de estado. Novo erro econômico da teoria Marxista, o que se faz necessário é uma grande redução do Estado e uma transição natural e gradual para um sistema anarcocapitalista.

    "A doutrina socialista ou comunista é totalmente incapaz de levar em consideração a diferença essencial entre as condições de uma sociedade de status ou casta e as condições de uma sociedade capitalista. A propriedade feudal surgia pela conquista ou pela doação feita por seu conquistador. E acabava por revogação da doação ou pela conquista feita por um conquistador mais poderoso. Era propriedade pela “graça de Deus” porque sua conquista derivava, em última instância, da vitória militar — algo que a humildade ou a arrogância dos governantes atribuíam à intervenção especial do Senhor."

    Concordo, mas o fato é que as análises sociológicas comunistas e socialistas sobre a exploração surgiram de observações de um capitalismo de estado e não de um capitalismo puro de livre mercado, não confunda as coisas. Há semelhanças berrantes entre um sistema feudal e um sistema capitalista de estado, sendo possível notar a diferença apenas em alguns aspectos da melhora considerável no padrão de vida e o resultado disso na vida proletária, onde mesmo as esmolas dos mais ricos para os mais pobres são superiores ao requinte luxuoso de um senhor feudal. Mas a exploração é ainda mais acentuada do que no sistema feudal, uma vez que a distância entre a vida de um explorador de hoje em dia e a de um explorado é astronomicamente maior dadas as incríveis proporções alcançadas pelos novos processos industriais e demais tecnologias desenvolvidas a partir do capitalismo, não houvesse o Estado a interferir sobremaneira criando toda essa desigualdade todos poderiam ser livres para ascender socialmente e gerarem ainda mais riqueza, tornando a qualidade de vida ainda maior e mais satisfatória para todos. Nos dias de hoje o capitalismo de estado realiza privatizações no lugar de concessões de terras, tem países inteiros como seu feudo e explora um número muito maior de indivíduos que vivem sem direito a defesa sobre a coercitividade cada vez mais acentuada graças a novos sistemas de vigilância, tecnologias de guerra e controle, etc…

    "Os proprietários da propriedade feudal não dependiam do mercado; eles não serviam aos consumidores. Dentro dos limites de seus direitos de propriedade eles eram verdadeiros senhores. Porém, as coisas são bastante diferentes para os capitalistas e empreendedores de uma economia de mercado. Eles adquirem e aumentam sua propriedade por meio dos serviços que prestam aos consumidores, e somente podem conservá-la caso sirvam esses consumidores diariamente da melhor maneira possível. Essa diferença não é erradicada ao se chamar metaforicamente um bem sucedido fabricante de spaghetti de “O Rei do Spaghetti”."

    A maior parte das empresas já não tem mais tanta dependência do consumidor, isso se vê em produtos e serviços de péssima qualidade que são consumidos meramente por não existir algo melhor e por normalmente serem essenciais, tais como alimentos transgênicos e coisas do tipo. Novamente se vê o uso dessa dicotomia extremada, veja, não há pleno estatismo nem mesmo pleno capitalismo de livre mercado. Existindo diversos gradientes de liberdade ocasionam-se diversos gradientes de concorrência e consequentemente diversos níveis de dependência do consumidor, logo o "absolutismo senhorial", por assim dizer, continua existindo e em graus diferentes a depender do país em questão, no Brasil se vê isso muito presente, por exemplo. Volto a dizer, as conclusões SOCIOLÓGICAS de Marx condizem sim com a realidade e a associação do capitalismo de estado por ele observado, erroneamente interpretado como livre mercado, ao feudalismo é válida de diversos pontos de vista.

    "Marx nunca embarcou na impossível tarefa de refutar a descrição feita pelos economistas do funcionamento da economia de mercado. Ao invés disso, sua ânsia era mostrar que o capitalismo iria, no futuro, levar a condições bastante desagradáveis. Ele tentou demonstrar que a operação do capitalismo inevitavelmente iria resultar, de um lado, na concentração de riqueza nas mãos de um número cada vez menor de capitalistas, e, de outro, no progressivo empobrecimento de uma imensa maioria."

    Marx não sabia nada de economia, infelizmente, mas acertou que aquilo que ele chamava de capitalismo (capitalismo de estado) levaria a consequências extremamente desagradáveis. E essa conclusão sociológica é verdadeira, a cada dia observamos a desigualdade aumentar esplendorosamente, não que a igualdade seja um fim, mas francamente ter pessoas em iates e crianças passando fome simplesmente porque o Estado manipulado pela classe exploradora impede os seus conterrâneos a realizar qualquer empreendimento é mesmo algo deplorável de se ver, esse capitalismo de estado é virulento e repulsivo. Não me espanta que Marx tenha cometido os equívocos que cometeu, na ânsia de propagar as suas pesquisas sociológicas deixou escapar o campo econômico e acabou criando uma teoria repleta de contradições das quais uns poucos se utilizam para manipular pessoas (todas no campo econômico).

    "Na execução dessa tarefa, ele iniciou seu raciocínio pela espúria ‘lei de ferro dos salários’ — de acordo com a qual o salário médio é aquela quantidade específica dos meios de subsistência absolutamente necessários para permitir, de maneira escassa, que o trabalhador possa sobreviver e criar sua prole.[2] Essa suposta lei já foi, desde então, inteiramente desacreditada, e até mesmo os mais fanáticos marxistas já a abandonaram. Porém, mesmo que alguém estivesse disposto, pelo bem da argumentação, a dizer que tal lei é correta, é óbvio que ela não poderia de maneira alguma servir como base para uma demonstração de que a evolução do capitalismo leva ao empobrecimento progressivo dos assalariados."

    Novos erros de Marx no campo econômico. Sobre isso só digo que Marx muito provavelmente não aliou suas pesquisas no campo sociológico a algum economista laissez-faire por conta de convicções pessoais quanto a desonestidade dos mesmos, o que culminou no aumento no encargo próprio de desenvolver sua teoria econômica e acabou criando ideias absurdas. Lastimavelmente, uma pena mesmo. E sobre o "bem da argumentação", ninguém que se preze por uma boa argumentação tentará validar uma ideia absurda apenas para não abrir novos contestamentos contra a totalidade da teoria.

    "Se, sob o capitalismo, os salários são sempre tão baixos a ponto de, por razões psicológicas, não poderem cair ainda mais sem que isso extermine toda a classe de assalariados, é impossível manter a tese apresentada pelo Manifesto Comunista de que o trabalhador “se afunda mais e mais” com o progresso da indústria. Como todos os outros argumentos de Marx, essa demonstração é contraditória e autodestrutiva. Marx jactava-se de ter descoberto as leis imanentes da evolução capitalista. A mais importante dessas leis, segundo ele próprio, era a lei do empobrecimento progressivo das massas assalariadas. É o funcionamento dessa lei que ocasionaria o colapso final do capitalismo e a emergência do socialismo.Quando essa lei for entendida como totalmente espúria, as bases tanto do sistema econômico de Marx quanto de sua teoria da evolução capitalista estarão acabadas.''

    A teoria econômica Marxista já nasce acabada, quanto a isso não há nenhuma surpresa. Não discordo de nada deste trecho.

    "Incidentalmente, temos de compreender o fato de que, desde a publicação do Manifesto Comunista e do primeiro volume de O Capital, o padrão de vida dos assalariados, nos países capitalistas, aumentou de uma forma sem precedentes e até mesmo inimaginável. Marx deturpou a operação do sistema capitalista em todos os aspectos possíveis."

    Marx deturpou ao máximo conceitos econômicos para encaixá-los nas constatações dos seus estudos sociológicos( que estavam corretos), eliminando quase que completamente a realidade do Estado interventor e o desenvolvimento do capitalismo de estado, o real cerne da exploração. Quanto a isso também está correto, Marx é uma grande decepção naquilo que se refere à economia.

    "O corolário do suposto empobrecimento progressivo dos assalariados é a concentração de todas as riquezas nas mãos de uma classe de exploradores capitalistas que existem em números continuamente decrescentes. Ao lidar com essa questão, Marx foi incapaz de levar em consideração o fato de que a evolução das grandes empresas e suas unidades comerciais não necessariamente envolve a concentração de riqueza em poucas mãos. As grandes empresas são, quase que sem exceção, corporações — precisamente porque elas são grandes demais para que poucos indivíduos sejam inteiramente os proprietários delas. O crescimento das unidades comerciais ultrapassou em muito o crescimento das fortunas individuais. Os ativos de uma corporação não são idênticos à riqueza de seus acionistas. Uma parte considerável desses ativos, o equivalente a ações preferenciais, títulos corporativos emitidos e empréstimos levantados, pertence virtualmente, senão no sentido do conceito legal de propriedade, a outras pessoas — a saber, os donos dos títulos, das ações preferenciais e os credores das dívidas. Onde essas ações e obrigações são mantidas por bancos e companhias de seguro, e esses empréstimos foram concedidos por esses bancos e companhias, os virtuais proprietários são as pessoas clientes dessas instituições. Da mesma forma, as ações ordinárias de uma corporação não estão, via de regra, concentradas nas mãos de um homem. Quanto maior a corporação, mais amplamente distribuídas estão suas ações."

    Sem mais, corretíssimo.

    "O capitalismo é essencialmente produção em massa para satisfazer as necessidades das massas. Mas Marx sempre trabalhou com o conceito enganoso de que os trabalhadores labutam arduamente apenas para o benefício da uma classe superior de parasitas ociosos. Ele não percebeu que os próprios trabalhadores consomem, de longe, a maior parte de todos os bens de consumo produzidos. Os milionários consomem uma porção quase que insignificante daquilo que é chamado de produto nacional. Todas as sucursais das grandes empresas provêem direta ou indiretamente às necessidades do cidadão comum. As indústrias de luxo nunca se desenvolvem além das unidades de pequena ou média escala. A evolução das grandes empresas é, por si só, prova do fato de que as massas, e não os ricaços nababos, são os principais consumidores. Aqueles que lidam com o fenômeno das grandes empresas classificando-o de “concentração do poder econômico” não percebem que o poder econômico pertence ao público consumidor, de cujo consumo depende a prosperidade das fábricas. Na sua capacidade de consumidor, o assalariado é o cliente que “sempre tem razão”. Mas Marx declara que a burguesia “é incompetente em garantir uma existência para seu escravo dentro de sua escravidão”."

    Sim, não fosse o capitalismo de estado seria ainda melhor. No entanto, volto a repetir que a exploração existe, só é menos perceptível em casos bem específicos de boa liberdade econômica, como em países mais livres: Nova Zelândia, Canadá, Suiça… Onde a vontade do consumidor se faz valer e a concorrência permite mais a ascensão e queda de pessoas no mercado, mas ainda há exploradores, não há Estado que não seja corrupto e não oferte privilégios aos exploradores, nesses países isso existe, mas os privilégios ofertados são muito menores graças ao Estado reduzido deles.

    Marx deduziu a excelência do socialismo do fato de que a força motora da evolução histórica — as forças materiais produtivas — certamente ocasionará o socialismo. Como ele estava absorto naquele tipo hegeliano de otimismo, não havia qualquer necessidade em sua mente de demonstrar os méritos do socialismo. Era óbvio para ele que o socialismo, sendo a última etapa da história após o fim do capitalismo, era também uma etapa superior. Era uma blasfêmia absoluta duvidar de seus méritos.

    O socialismo advém da interpretação econômica marxista puramente equivocada, de fato; Marx errou MUITO feio nessa aí. Sua intuição poderia estar certa quanto aos méritos de uma sociedade que não se utiliza daquilo que ele chamou de capitalismo (capitalismo de estado) e sobre ser a última etapa da história, pelo menos a última etapa do conflito de classes sim. Concordo, a teoria econômica marxista é um erro de proporções inimagináveis.

    "O que ainda faltava ser demonstrado era o mecanismo por meio do qual a natureza produziria a transição do capitalismo para o socialismo. O instrumento da natureza é a luta de classes. À medida que os trabalhadores vão se afundando cada vez mais em decorrência do progresso do capitalismo, à medida que sua miséria, opressão, escravidão e degradação aumentam, eles são induzidos à revolta, e sua rebelião estabelece o socialismo."

    Bom, veja por si só, a história das revoluções prova que tal revolta possa sim substituir um sistema por outro diferente, mas o socialismo é inadequado, utópico e parte de pressupostos errados. Na realidade, continuaremos nessa série de teses e antíteses até que cheguemos a um sistema puro de livre mercado, algo que Marx conseguiu compreender socialmente, mas não fazia ideia do que significava no campo econômico e portanto atribuiu as características sociais deste fenômeno ao que chamou de socialismo científico (baseado na sua falha teoria econômica).

    "Toda a cadeia desse raciocínio é despedaçada pela observação do fato de que o progresso do capitalismo não empobrece os assalariados de modo crescente; ao contrário, melhora seu padrão de vida. Por que as massas seriam inevitavelmente induzidas a se revoltarem quando se sabe que elas estão tendo acesso a mais e melhores alimentos, habitações e vestuários, carros e geladeiras, rádios e aparelhos de televisão, nylon e outros produtos sintéticos?"

    Oras, a revolução ocorre quando o capitalismo (capitalismo de estado) atinge o seu ápice e a revolta dos explorados também, Marx acertou a respeito disso também. As pessoas são muito tolerantes graças a propagação da ideologia da classe dominante (progressismo hoje em dia), aí ocorre que apenas com um altíssimo grau de desenvolvimento do capitalismo (de estado) que elas se revoltam.

    "Mesmo se, em prol da argumentação, admitíssemos que os trabalhadores são induzidos à rebelião, por que seu motim revolucionário almejaria apenas o estabelecimento do socialismo? O único motivo que poderia induzi-los a pedir a implementação do socialismo seria a convicção de que eles próprios estariam melhores sob o socialismo do que sob o capitalismo. Porém os marxistas, ansiosos para evitar lidar com os problemas econômicos inerentes a uma economia socialista, nada fizeram para demonstrar a superioridade do socialismo em relação ao capitalismo, exceto apresentar este raciocínio circular: o socialismo está destinado a surgir como a próxima etapa da evolução histórica. Sendo uma etapa histórica posterior ao capitalismo, ele é necessariamente melhor que o capitalismo. Por que ele está destinado a surgir? Porque os trabalhadores, condenados ao empobrecimento progressivo sob o capitalismo, irão se rebelar e estabelecer o socialismo. Porém, qual outro motivo poderia impeli-los a almejar o estabelecimento do socialismo, além da convicção de que o socialismo é melhor do que o capitalismo? Essa superioridade do socialismo é deduzida por Marx do fato de que a vinda do socialismo é inevitável. E assim o círculo se fecha."

    Isso já se trata de uma loucura da deliberação econômica socialista, essa é a contradição intrínseca do Marxismo, acabar com os efeitos fomentando a causa (capitalismo de estado), claramente todos esses erros remontam a um desleixo desmedido em relação a economia e estudos sérios mais aprofundados. Eles entendiam o problema socialmente, seus efeitos e até mesmo a solução vindoura do fim do sistema, mas não compreendiam o sistema e atribuíram a culpa ao capitalismo (livre, no sentido clássico) quando queriam culpar o capitalismo de estado (este sim nocivo), os fins eram os mesmos que os nossos, mas não compreendiam a natureza das causas econômicas e, portanto, seus meios foram não apenas contraditórios, mas também equivocados e portanto causavam o efeito contrário do pretendido, o socialismo leva o capitalismo de estado ao limite e cria o problema marxista da "lógica da intervenção", precisamos intervir para sanar o problema, quanto mais intervimos mais o problema se agrava, logo precisamos intervir mais. Isso sendo fruto do engano de fomentar a causa (equivocadamente tratada como meio)-capitalismo de estado- para acabar com o efeito (adequadamente tratado como problema)-me refiro aqui aos efeitos sociais de um capitalismo de estado. A má dissociação entre capitalismo e capitalismo de estado, oriunda de uma porca análise econômica perverte a teoria sociológica marxista.

    "No contexto da doutrina marxista, a superioridade do socialismo é comprovada pelo fato de que os proletários estão visando ao socialismo. O que os filósofos, os utópicos, pensam não interessa. O que interessa são as ideias do proletariado, a classe a quem a história confiou a tarefa de moldar o futuro."

    Os proletários desejam intrinsecamente a liberdade, mas o equívoco marxista no campo econômico os leva a supostamente querer o socialismo. Isso vem do fato de as teorias sociais estarem corretas e serem de fácil compreensão pelo grosso da população, mas as ideias econômicas serem enganosas, extremamente complexas e não possuírem qualquer fundamento, aceita-se a tese marxista e o socialismo (visão econômica) puramente por extensão à aceitação da crítica e teoria social marxista, que por sua vez está correta e as pessoas conseguem entender. Assim se deram diversas revoluções socialistas em diversos países, ideais corretos, pessoas honestas, mas com uma grande falha na teoria que resultou em desastres econômicos de proporções inimagináveis. fomentar a causa para curar o efeito.

    Aqui, percebemos que estão todos almejando os mesmos fins, mas a realidade é que a ignorância não permite que se observe o que há de real em cada ideia ou teoria, levando as pessoas a ponderarem pouco e a descartarem de vez algo que contém uma boa ideia ou a abraçarem com toda paixão outra que possui diversas falhas, mas por conseguir compreendê-la em parte.

    "A verdade é que o conceito de socialismo não se originou da “mente proletária”. Nenhum proletário ou filho de proletário contribuiu com qualquer ideia substancial para a ideologia socialista. Os pais intelectuais do socialismo eram membros daintelligentsia, descendentes da “burguesia”. O próprio Marx era filho de um advogado abastado. Ele estudou no Gymnasium alemão, a escola que todos os marxistas e outros socialistas denunciavam como sendo o principal braço do sistema burguês de educação, e sua família o sustentou ao longo de todos os anos de seus estudos; ele não teve de trabalhar para chegar à universidade. Ele se casou com a filha de um membro da nobreza alemã; seu cunhado era Ministro do Interior prussiano e, como tal, líder da polícia da Prússia. Em sua casa trabalhava uma governanta, Helene Demuth, que nunca se casou e que seguia a família Marx em todas as suas trocas de residência, o modelo perfeito da empregada doméstica explorada cuja frustração e atrofiada vida sexual já foram repetidamente retratadas nas ficções realistas “sociais” da Alemanha. Friedrich Engels era filho de um industrial rico, e ele próprio era um industrial; ele se recusou a se casar com sua amante Mary porque ela era inculta e de origem “baixa” ele apreciava as diversões propiciadas pela alta classe britânica, como, por exemplo, caçar a cavalo junto com cães de caça."

    Bom, sobre isso nada tenho a dizer, afinal de contas não diz respeito diretamente às ideias.

    "Os trabalhadores nunca foram entusiastas do socialismo. Eles apoiavam o movimento sindical cuja luta por maiores salários Marx desprezava como inútil.Eles pediam por todas aquelas medidas de interferência do governo nas empresas, medidas essas que Marx rotulava como tolices pequeno-burguesas. Eles se opunham ao progresso tecnológico — nos primórdios, destruindo as novas máquinas; mais tarde, utilizando os sindicatos para, por meio da coerção, forçar o empregador a contratar mais operários do que o necessário."

    Pressupostos errados, resultados ruins, problema real de exploração…E de fato, lutar por mais interferência governamental constitui um ato inútil, pois não resolve a exploração, apenas atenua e deixa as pessoas mais conformadas para com a sua situação, não buscando a liberdade de que necessitam.

    "O sindicalismo — apropriação das empresas pelos trabalhadores que nela trabalham — é um programa que os trabalhadores desenvolveram espontaneamente. Porém o socialismo foi trazido para as massas por intelectuais de procedência burguesa. Jantando e tomando vinhos conjuntamente nas luxuosas mansões londrinas e nas mansões rurais da “sociedade” vitoriana, damas e cavalheiros com trajes elegantes planejavam esquemas para converter o proletariado britânico ao credo socialista."

    Isso prova a natureza aristocrática do capitalismo de estado, concordo plenamente.

    Então pessoal, me desculpe o tamanho, eu só queria mostrar a minha visão sobre a confusão marxista e propor que sejamos mais tolerantes com aqueles que ainda não compreenderam a visão austríaca, até um tempo atrás eu ainda era um Comunista, mas depois de conhecer o instituto aprendi muito e por fim venho trazer aqui para vocês essa reflexão de um ex-comunista que leu tanto Marx quanto Mises e volto a salientar que a nossa luta é contra a ignorância e não contra pessoas, agradeço imensamente ao redator deste artigo por proporcionar este objeto de reflexão que constitui uma tese e cujo sem ele eu não conseguiria expôr o meu ponto de vista (antítese) espero que haja uma excelente síntese nos comentários, abraços!

  13. edmundo cerqueira da silva junior

    Estou lendo os comentários e achando muito interessante o debate, uma coisa que parece não ser notada por muitos quando se debate os modos de produção, e da forma que é exposto da até para achar que modos de produção sã0 heterogênios, mas será que são?

    Veja um exemplo, será que um carro fabricado no Brasil é igual a um fabricado na europa ? Não enchergo esse capitalismo dessa forma uniforme que tentam apresentar e nem acredito que o marxixismo tem a resposta, o que realmente gostaria é que deixassemos de ser essa eterna colonia onde se joga o que o resto do primeiro mundo não aceitaria nem por coação, porque indenpendente da corrente ideologica somos explorados e acabamos discutindo no final que tem o direto de nos explorar, o libral ou o social, não levo paixão de time de futebol para essa analize como está exposta no artigo, precisamos sim de entender onde irá parar tudo isso , duas grandes guerras, fora uma ifinidade de guerrilhas ao longo da história e afinal o preço vale isso, comércio a qualque custo, revolução a qualquer preço?

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