Recentemente, uma amiga queixou-se sobre um surto de arrombamentos que
estavam ocorrendo na vizinhança de sua recém-comprada casa. Uma casa mais à frente da dela havia sido
arrombada há algumas semanas e, não muito tempo depois, foi a vez da casa ao
lado. Nesta, os ladrões levaram uma
enorme televisão de plasma e um laptop, sendo que eles aparentemente saíram
andando da casa com a mercadoria à plena luz do dia.
Minha amiga estava evidentemente indignada com toda essa roubalheira —
exatamente como deveria — e parecia ter dificuldades para entender como os
ladrões tiveram a petulância de arrombar uma casa e levar aquilo que não lhes
pertencia. “Como ousam?!”, disse
ela. “O que os fazem pensar que têm o
direito de fazer isso?”
É uma pergunta justa. O que os fazem pensar que têm o direito
de fazer isso? Bom, talvez eles saibam que não têm o direito de fazer
isso, mas o fazem assim mesmo porque seu desejo de obter o imerecido (aquilo
que não foi ganho pelo trabalho) é maior do que seu respeito pelos direitos de
propriedade de terceiros. Talvez os
ladrões racionalizaram seu crime com base em alguma suposta necessidade;
necessidade essa produzida — sem dúvida — pelo fato de terem sido
“marginalizados” pela sociedade.
Sobre as atitudes desses ladrões em particular, podemos apenas
especular. Porém, em um sentido mais
amplo, podemos perguntar: Por que será que um criminoso sente-se confortável
tomando uma propriedade que ele não adquiriu por merecimento próprio?
Após ouvir o relato de minha amiga, concordei plenamente que os ladrões que
haviam pilhado seus vizinhos (tinha de ser mais de um para poder carregar o
grande aparelho de TV) não tinham nenhum direito de obter essa propriedade que
não lhes pertencia, e que ela tinha toda razão de estar brava. Entretanto, por estar sempre em alerta à
espera de uma oportunidade para disseminar o pensamento libertário, também
aproveitei para informá-la que a conduta dos ladrões em nada diferia
fundamentalmente da conduta da maioria das pessoas da sociedade, as quais
rotineiramente defendem ou aceitam o roubo de propriedade que não é delas.
Ah, mas é claro que não! É claro que
somente um salafrário dos mais torpes poderia achar que tem o direito de roubar
a propriedade dos outros! Nenhum cidadão
“cumpridor das leis” iria aceitar tal coisa!
Iria?
Bem, vejamos: suponha que um indivíduo tenha a grande perspicácia de
perceber que algumas pessoas não têm tanto dinheiro quanto as outras, e que
seria bom se elas tivessem mais dinheiro do que têm atualmente. Para remediar esse problema, o iluminado
propõe que um grupo de generosos benfeitores crie uma agência cuja função seja
tomar forçosamente o dinheiro de terceiros sem a permissão destes (ou seja,
roubá-los), e dar uma parte do roubo para aquelas pessoas que consideram
“necessitadas”. O grupo, então,
utilizaria o que sobrou do roubo para:
1) deturpar a moral dos recebedores, fazendo-os crer que têm um direito
adquirido sobre esse dinheiro roubado;
2) financiar propagandas que mostram a todos o ótimo trabalho que a agência
está fazendo; e
3) gradualmente construir um pequeno e lucrativo império para a equipe de
funcionários no comando da agência, que têm o sucesso dos grandes bandidos —
ganhando muito mais do que ganhariam em outros empregos, ao mesmo tempo em que
são enaltecidos pelo seu “serviço público”.
As pessoas ficam indignadas com esse arranjo? Elas chamam a polícia para denunciar essa
extorsão? Elas formam comitivas para ir aos
gabinetes de seus representantes eleitos e exigir que essa abominável agência
seja abolida? Não, elas não fazem nada
disso. Na realidade, ocorre exatamente o
oposto: as pessoas se aglomeram e se atropelam para dizer o quanto apóiam esse
sistema, tomando o máximo de cuidado para não deixar escapar nenhuma crítica a
qualquer excesso que porventura tal sistema possa cometer, como que para deixar
claro que elas realmente se “importam” com “os pobres”.
Os exemplos da abundância desse tipo de criminalidade e do abundante apoio
aos — ou pelo menos condescendência para com — programas que praticam tais
crimes são extremamente extensos. O fato
é que, nesse ambiente, não é de se surpreender que os ladrões tenham poucos
escrúpulos e não hesitem em tomar propriedade que não lhes pertence. A razão para esse sentimento é provavelmente
muito similar à razão por que a vasta maioria das pessoas em nossa sociedade
acha que tem direito sobre a propriedade dos outros: vivemos em uma sociedade de criminosos.
Mas como assim? A maioria das pessoas
não obedece às leis? Elas não pagam seus
impostos e dirigem apenas quando têm carteira de motorista, como qualquer bom
cidadão “cumpridor da lei”? Elas não
obedecem às regulamentações trabalhistas, às regulamentações ambientais, aos
regulamentos tributários, e a todas as outras coisas que seus representantes
eleitos mandam?
Bom, sim — na medida em que é possível cumprir com esse enorme e
frequentemente vago ou contraditório emaranhado de regras, a maioria das
pessoas o faz. Mas isso não é obediência
à lei; isso é obediência à legislação. Trata-se meramente de obedecer aos decretos
dos detentores do poder.
Com efeito, as únicas regras de conduta que podem adequadamente ser chamadas
de “leis” são as regras das leis naturais
— aquelas regras de conduta objetivas que são tidas como moralmente adequadas em
decorrência da natureza do homem.[1] Essas regras consistem essencialmente no
princípio da não agressão e nas regras da apropriação original e da livre troca
de propriedade, que são a base da teoria libertária da justiça. Em sua discussão sobre a lei natural, o
grande teórico jurídico Lysander Spooner apresenta as condições desta lei:
As condições são simplesmente essas: primeiro, que cada homem deve
fazer, em relação a todos os outros, tudo o que a justiça requer que ele faça;
como, por exemplo, que ele deve pagar suas dívidas, que ele deve devolver ao
dono a propriedade que foi roubada deste ou que lhe foi tomada emprestada, e
que ele deve reparar qualquer dano que porventura possa ter causado para a pessoa
ou propriedade de outro. A segunda
condição é que cada homem deve se abster de fazer ao outro qualquer coisa que a
justiça o proíba de fazer; como, por exemplo, que ele deve se abster de praticar
furto, roubo, incêndio criminoso, assassinato ou qualquer outro crime contra a
pessoa ou a propriedade de outro.[2]
Portanto, como as pessoas se saem quando avaliadas em sua conduta em relação
a esta lei — em relação à lei? Nada bem.
Aliás, quando se avalia sob essa perspectiva, a imensa maioria das
pessoas aprova atos criminosos.
As pessoas frequentemente se surpreendem com a mentalidade dos “criminosos
comuns” (ou seja, criminosos da variedade genuinamente reconhecida como
criminosa) porque elas acham que a atitude desses criminosos — de achar que
podem adquirir bens imerecidos, que não foram ganhos por meio do trabalho — é
um defeito relativamente escasso. Mas
não é. Com efeito, a vasta maioria dos
membros do público se sente perfeitamente no direito de arrebatar a propriedade
de terceiros. Eles exigem que as
propriedades de terceiros sejam confiscadas por meio do sistema tributário e de
outras “políticas públicas”, ou que se interfira forçosamente nelas por meio de
“regulamentações” rotineiras.
Mesmo que eles não sejam os beneficiários líquidos nesse sistema, mesmo que
eles entreguem em impostos muito mais do que jamais receberão desse esquema
extorsivo, é provável que eles ainda assim apóiem várias “políticas públicas”
que, na prática, equivalem a um roubo ou a uma violação da pessoa e da
propriedade de terceiros.
E como eles veem aquelas pessoas que discordam dessa mentalidade do direito
adquirido, que discordam dessa avidez por coerção e dessa criminalidade em
massa? Ora, tais pessoas são
evidentemente insensíveis e desapiedadas!
Elas não possuem consciência social!
Elas são ideólogas perigosas e extremistas sem qualquer espírito prático!
Que Deus não permita que elas jamais venham a exercer qualquer tipo de
influência, por mais marginal que seja, sobre as “políticas públicas”. Claro, esses extremistas podem ter alguma
razão em relação a determinados excessos pontuais dos privilégios concedidos
pela máquina estatal. Eles podem nos
ajudar a controlar alguns dos problemas criados por políticos e burocratas mais
descontrolados. Porém na maioria das
vezes eles exageram muito! Nada de
impostos? Nada de regulamentações?
Direitos de propriedade invioláveis? Ora, isso é loucura!
Mas, ao contrário, isso não é loucura alguma. Pois a única diferença entre o ladrão
“reconhecido como criminoso” e o membro da máquina estatal é que o ladrão faz
ele próprio seu trabalho sujo. Ele não
obtém aparelhos de televisão, aparelhos de som e jóias por meio daquela
modalidade de roubo conhecida como “política pública”. Ao invés de recrutar políticos burocratas
para roubar a propriedade alheia em benefício próprio, ele os poupa desse
trabalho e faz o serviço sujo por conta própria.
Ao fazer isso, ele não pode justificar seus crimes recorrendo a
argumentações baseadas em processos democráticos, mandatos políticos e outras
noções estatistas. É claro que ele pode
ter suas próprias explicações racionais, mas estas serão muito mais tíbias do
que aquela fervorosa avidez pelo imerecido que é exibida no âmbito político por
lobistas, políticos e jornalistas estatistas.
Seja como for, não é de se surpreender que ele se sinta no direito de
tomar a propriedade que não lhe pertence.
Essa é a menor das diferenças
entre ele e os membros “comuns” da máquina estatal.
A explicação mais comum para aqueles crimes cometidos sob o manto das
“políticas públicas” é que essas políticas são a “vontade do povo”, expressada
por meio de seus representantes eleitos.
Porém, ainda que esse processo pudesse realmente determinar alguma
expressão agregada de desejo popular — e
isso é extremamente duvidoso –, não pode haver algo como um grupo de pessoas
com a capacidade de mudar o conteúdo da lei ou de retirar por meio do voto os
direitos das pessoas. Aqui podemos
novamente recorrer a Spooner, que observa que
Se a justiça é um princípio natural, então ela é necessariamente um
princípio imutável; e, assim como a lei da gravidade, as leis da ótica, os
princípios da matemática ou qualquer outra lei natural ou princípio qualquer, a
justiça não pode ser alterada por qualquer poder inferior àquele que a
estabeleceu. E todas as tentativas ou
pretensões, da parte de qualquer homem ou conjunto de homens — estejam eles
chamando a si próprios de governo ou de qualquer outro nome –, de estabelecer suas
próprias ordens, vontades, prazeres ou critérios, no lugar da justiça, como uma
regra de conduta para todos os seres humanos, representaria um absurdo, uma
usurpação e uma tirana tão grandes quanto seriam suas tentativas de estabelecer
suas próprias ordens, vontades, prazeres ou critérios no lugar de todas e
quaisquer leis físicas, mentais e morais do universo.[3]
O que então quero dizer quando afirmo que vivemos em uma sociedade de
criminosos? Simplesmente estou querendo
dizer que a vasta maioria das pessoas em nossa sociedade apóia atos criminosos
cometidos contra terceiros. Esses
supostos cidadãos cumpridores da lei apóiam o roubo, a agressão, a transgressão
e, algumas vezes, até o assassinato quando esses crimes são camuflados sob o
respeitável manto das “políticas públicas”.
O desprezo com que eles veem os criminosos comuns é genuinamente risível
quando se examina a criminalidade em massa que eles apóiam.
É claro que isso não quer dizer que todos os membros do público são
moralmente equivalentes a ladrões ou outros criminosos. Sua culpabilidade moral pode ser em certa
medida descontada quando se sabe que eles estão rotineiramente submetidos a essa
verdadeira enxurrada de propaganda estatista que nos cerca, algo que os ilude e
confunde, e os estimula a acreditarem que têm o direito de decidir como os
outros devem usar suas propriedades.
De fato podem existir alguns membros do público que ainda não perceberam a
conexão entre coerção e “política pública”, e que estão completamente alheios
ao fato de que há um paralelo entre essas políticas e as ações dos “criminosos
comuns”. Se esse é um erro honesto,
então trata-se de um erro de conhecimento, e não de moralidade. Entretanto, dificilmente pode-se afirmar que
esse erro de conhecimento é amplamente disperso — na maioria dos casos, os
membros do público estão bem cientes da natureza coerciva das políticas que
defendem. Ademais, o fato de não serem
eles que “vão a campo” e fazem a pilhagem por conta própria, como faz um
criminoso comum, não pode ser utilizado como desculpa para suavizar a natureza
do delito — como se o fato de que o roubo lhes foi “dado” por seus senhores
benevolentes abrandasse a transgressão.
Pois é exatamente essa grande massa do público que apóia o intenso e
constante processo de “redistribuição” que ocorre na sociedade.
A atitude do público em relação ao “criminoso comum” gera uma óbvia
pergunta. Qual seria a possível razão
que você teria para reclamar das ações desses criminosos quando você próprio
apóia ou mesmo defende ações criminosas em escala muito maior?
Há uma lição em tudo isso para os libertários. Se quisermos ter êxito ao apresentar nossas
ideias para um grande público, precisamos ter em mente o fato de que as pessoas
comuns rotineiramente apóiam o roubo e outros crimes cometidos pelo estado, mas
ficam perplexas quando veem o mesmo crime sendo cometido por “criminosos
comuns” (que na realidade são o tipo mais incomum dos bandidos). Os defensores de uma sociedade genuinamente
baseada na lei devem se esforçar para chamar a atenção para a contradição
inerente a essa atitude.
Devemos alertar para os paralelos entre as “políticas públicas” do estado e
os atos dos “criminosos comuns”. Devemos
aprender a apresentar ao público as políticas estatistas do jeito que elas são
— criminalidade em larga escala. E
devemos aprender a convencer as pessoas de que o apoio delas a essas políticas
é o equivalente a apoiar o crime.
Ao fazer isso, não basta apenas falar sobre livre mercado,
desregulamentação, não intervencionismo etc. — isso seria o equivalente a combater
os estatistas em seu próprio território, apresentando a questão como um mero
confronto entre “políticas públicas” concorrentes. O real combate, a verdadeira questão que está na raiz dos debates políticos, não envolve
escolher entre uma política ou outra — é sobre escolher entre cometer crimes e
não cometer crimes.
Com efeito, aquilo que é chamado de “livre mercado” é simplesmente o arranjo
em que não há roubos, agressões, esbulhos etc. socialmente sancionados. Aquilo que é chamado de “desregulamentação” é
na realidade apenas a remoção de políticas que autorizam — isto é, que
sancionam socialmente — que a pessoa e a propriedade sejam transgredidas. Aquilo que é chamado de “descentralização do
poder” é na realidade simplesmente a quebra de uma grande agência criminosa e
sua consequente redução em várias pequenas agências criminosas concorrenciais,
com o objetivo último de torná-las suficientemente diminutas e concorrentes
(entre si) de modo a nos permitir escapar totalmente de suas garras.
Em suas raízes, a posição libertária é bastante simples e deve ser
comunicada dessa forma. Ela afirma que
não se deve permitir que as pessoas cometam crimes contra as outras. Toda a disputa acerca de livre mercado versus
intervencionismo, capitalismo versus socialismo, regulamentação versus
desregulamentação, e assim por diante, é apenas uma forma mascarada de
apresentar a dicotomia básica entre uma sociedade
de criminosos e uma sociedade de leis. Esta é a essência da batalha.
Uma batalha entre o livre mercado e seus antípodas, quando apresentada com a
roupagem da filosofia política, é uma batalha esotérica. É uma batalha que pode ser distorcida e
adulterada. Já uma batalha objetiva e
clara entre criminalidade e lei é mais fácil de ser entendida e muito mais poderosa. Os libertários não deveriam se esquivar de
apresentar as “questões políticas” como elas verdadeiramente são: um confronto
direto e claro entre criminalidade e leis.
Muitos foram intimidados a evitar essa abordagem, doutrinados que foram pela
ideia de que essa “linguagem forte” iria assustar as pessoas, ou fazer com que
os libertários parecessem exagerados e irracionais. Mas é exatamente essa confrontação com o fato
elementar — a saber, que o libertarianismo apóia uma sociedade de leis –, que é
a mais poderosa arma para seus defensores.
Não há nada de errado em dizer às pessoas que tributação é roubo, que
regulamentação é transgressão, que leis antidrogas são agressão e roubo, que
políticos são criminosos, e que o estado é uma monstruosa agência criminosa.
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Notas
[1] Uma boa
definição da lei natural é apresentada por Edwin Patterson, que a define como
Princípios da conduta humana que são descobertos pela “razão” e que advêm
das mais básicas inclinações da natureza humana, e que são absolutos, imutáveis
e de validade universal para todas as épocas e lugares. Essa é a concepção básica da lei natural
escolástica… e da maioria dos filósofos da lei natural. (Patterson, E.W. (1953) Jurisprudence: Men
and Ideas of the Law. Foundation Press: Brooklyn, p. 333.)
Este autor não vê a necessidade de colocar aspas na palavra “razão” na
definição acima, mas, mesmo assim, se a razão é em si entendida como um
conceito objetivo, então essa definição captura a essência da lei natural. A ideia de lei natural é oposta à doutrina do positivismo jurídico. Esta
última doutrina afirma que as leis são feitas por seres humanos e que a
validade das leis não tem necessariamente nenhuma conexão com a ética. Leitores interessados podem encontrar uma
extensa discussão sobre lei natural e a base deontológica para a teoria
libertária em Rothbard, Murray N. A Ética da Liberdade.
[2] Spooner,
L. (1992) The Lysander Spooner Reader. Fox and Wilkes: San Franc isco,
p. 11.
[3] Ibid.,
Spooner (1992) p. 16.
Melhor artigo de 2010. Quiçá do site todo…
Saudações, sem defeito.
Brilhante !
Existem 4 maneiras de conseguir dinheiro:
1: Trabalhando
2: Ganhando(Prêmios, heranças…)
3: Roubando(Assaltante, Ladrão, Político…)
4: Trabalhando para ladrões(Funcionário Público)
Acho fácil convencer as pessoas de que a atividade estatal é criminosa, que qualquer imposto é, em sua própria essência, um roubo. O difícil é fazer com que essas pessoas entendam que é possível viver sem esse crime. A maioria diz que é impossível uma sociedade sem estado, como se fosse um mal necessário. Portanto acredito que nós libertários ainda falhamos ao mostrar que o mundo não seria um caos sem o governo, que haveria melhor segurança, educação, infra-estrutura, saúde etc numa sociedade livre. Cansei de ouvir que minhas idéias fazem sentido, mas são utópicas…
Fernando,
Talvez meu pessimismo seja fruto do local onde moro: Brasília. Somos 3 milhões de pessoas que direta ou indiretamente são sustentadas pelo governo, ou melhor, pelas vítimas do setor público. Eliminar o estado significa eliminar todo o DF e seu entorno. Até mesmo o comércio e as pouquíssimas indústrias de Brasília só existem para vender ao setor público ou aos servidores públicos.
Quero dizer que é muito mais fácil convencer da imoralidade dos impostos as suas vítimas do que seus beneficiários. Dizer para um Brasiliense que a atividade estatal é crime é o mesmo que dizer que ele, sua família, seus vizinhos e seus amigos são todos criminosos! Quando me dei conta disso, fiquei indignado comigo mesmo e permaneço num grande dilema moral (sou economista da Gosplan – Min. Planejamento). Mas a grande maioria se coloca na defensiva.
Independente de toda dificuldade, estamos batalhando e nosso grupo aqui tem crescido consideravelmente. Quanto a isso agradecemos muito ao IMB.
Saudações!
Todos meus colegas de trabalho são apoiadores do Estado e das políticas públicas,
e todos ganham bem,
todos são tungados em boa parte de sua renda.
Não acho que eles concordem naturalmente com o arranjo, apenas foram treinados durante a vida toda a crer nisso e desconhecem uma outra forma da coisa funcionar melhor.
As pessoas não são naturalmente malvadas, apenas crêem nas coisas erradas. Um dia fomos assim também…
Quando uma pessoa é programada com uma ideia desde que nasceu, tirar essa idéia da cabeça dela é difícil e doloroso.
Mais um artigo fantástico trazido por um dos melhores sites em língua portuguesa. Não canso de pensar que o Instituto Ludwig von Mises é definitivamente uma luz no fim do túnel.
Fui convencido a pouquíssimo tempo pelo libertarianismo graças a vocês, mas sou pessimista em relação à humanidade, acho que o anarco-capitalismo muito dificilmente vai ser aceito pela maioria.Mas se pelo menos o estado perder força já vai valer muito a pena, por isso eu não vou desistir de espalhar essa ideia.
Vou ser bem sincero. Desde criança eu odeio político, exatamente porque eles falam de dinheiro como se tudo fosse fácil e tivesse caído do céu.
Porém, recentemente tive contato com a questão da Nova Ordem Mundial e com o professor Olavo, em que os países sofrem ataques velados, em forma de cultura, ideologia e etc.
Será que a ideologia libertária não poderia estar sendo usada como uma forma de enfraquecer os países?
Mas este é o esquema da sociedade atual, e é apoiada por igrejas e demais elementos formadores de opinião.\r
\r
Tirar a sua memória, propriedade, raça, Status, e revolucionar. \r
\r
A sociedade brasileira é altamente revolucionária, a tradição ofende o a grande maioria do povo. \r
\r
Seu Status, poder, dinheiro e tudo mais é retirado com políticas de juros, incentivos, inflação,subsídio e demais ferramentas financeiras.\r
\r
As pessoas se sentem pessoalmente ofendidas quando a questão do roubo é apresentada de forma nua e crua. Mesmo funcionarios publicos nao acreditam que são pagos com fruto de roubo. Acreditam ser algum tipo de entidade celestial porque passaram num concurso e “servem à sociedade”. É muito difícil discutir algo básico: o que é roubo. A batalha pela liberdade é enorme, pois vivemos numa sociedade que mal reconhece o que é roubo.
Realmente, muito bom o artigo.
Só uma observação em relação ao último parágrafo, talvez nem sempre seja prudente utilizar essa “linguagem forte” para defender o libertarianismo, porque pode ser que isto acabe afastando alguns da idéia, como no seguinte caso:
bleedingheartlibertarians.com/2011/09/the-libertarian-three-step-program/
Acho que em muitos casos é mais importante enfatizar o fato que é o próprio estado que cria os problemas para os quais a maioria das pessoas apoia soluções que envolvem mais intervenção estatal (e explicar como essa intervenção só vai piorar a situação), ao invés de simplesmente denunciar as pessoas como criminosas.
Sou servidor público há seis anos e militante libertário já faz muito mais tempo.
Contudo, nenhuma doutrina até pouco tempo atrás se “encaixava” com minha ideologia de liberdade total: socialismo nem pensar, comunismo talvez chegasse perto, anarquismo era próximo mas suas vertentes eram confusas. Foi quando eu conheci o anarcocapitalismo e pouco tempo depois o IMB. Passei a estudar muito as teorias economicas e filosóficas dessa escola austrolibertária (se é que o termo é esse) e achei suas bases morais e práticas completamente de acordo com tudo que acreditei até hoje.
Ontem assisti a palestra do Hélio no Mises Institute e ele colocou algo que achei muito interessante: devemos ter objetivos tangíveis.
Abolir o estado não é um objetivo tangível para dez anos ou talvez para uma vida mas, por exemplo, fazer com que no prazo de dez anos, a escola austríaca seja amplamente estudada nas faculdades pode ser um objetivo alcançado. Outro objetivo que pode ser alcançado é de que seja implementado o padrão ouro no Brasil em 30 anos; sei lá, algo prático.
Tenho como objetivo fundar um grupo de estudos na Universidade de Caxias do Sul, por exemplo.
Infelizmente, filosofia de vida não enche barriga. Temos vários palestrantes do IMB que são professores em universidades públicas ou que já fizeram isso. O próprio Mises lecionou na universidade de Viena.
Então não podemos colocar todos os gatos no mesmo saco. Sim, meu rendimento vem do roub. Sei disso, trabalho no judiciário. Mas, espero que um dia toda a casa caia.
Artigo muito bom, ainda mais quando tomamos por exemplo o Brasil.\r
Porém talvez se o estado democrático funcionasse de forma correta, ou melhor, utópica, a totalidade do dinheiro público seria utilizada da forma que realmente deveria. Dessa forma, os funcionários públicos não precisariam ser encarados como “coniventes” com o roubo, e caso o roubo acontecesse, poderia ser obviamente tratado de forma pontual.
Eduardo, o estado democrático é uma ditadura da maioria. Sempre será. Eu que tenho 30 anos hoje, não votei nos constituintes. Logo, sou escravo desta constituição que esta vigendo. Não fiz estas leis. A proibição de consumir determinados tipos de drogas e o que fazer com o meu próprio corpo foi feita por outras pessoas e é a escravização que outros me impuseram. Isso é que é a democracia. Escravização da maioria sobre a minoria. Servidores públicos como eu são coniventes (cientes ou não) de que seus proventos são fruto da expoliação mediante coerção do uso da força (tributaçao).
O roubo feito pelo ladrão comum é o menor dos males das sociedades modernas. Pelo menos o ladrão comum é honesto ao sujar as mãos ele mesmo.
O ideal de estado, em nada se aproxima do que está descrito. O estado, concebido sob o ideário liberal deve prover a sociedade com a segurança possível e administrar a justiça até onde se consiga atingí-la. O estado não foi criado para roubar das pessoas, mas sim para protegê-las e permitir que vivam em liberdade, cumprindo seus contratos e convivendo em paz. O estado como tal, vem perdendo sua função ideal e transformando-se em meio, através do qual pessoas com mau-caráter ou equivocadas filosoficamente, se apoderam de suas estruturas e passam a agir como organizações criminosas. É premente que aqueles defensores do direito à liberdade, à propriedade e à vida, lutem como for possível para restaurar o estado como a instituição libertária que deveria ser. Organismo fundado para proteger os homens de bem contra os que iniciam o uso da violência ou da fraude, desprezando a escolha dos outros de não fazerem o que não quiserem. Custear a justiça e a segurança, através do organismo do estado, é a questão fundamental a ser equacionada, o resto, é balela ideológica.
Muito interessante o artigo. Minha pergunta aos que ficam na mesma tecla de estado ladrao. Nao eh de se surpreender que brasileiros ficam realmente indgnados e emotivos em relacao ao governo jah que esse eh muito ladrao e nao oferece nenhum retorno aos cidadaos a nao ser as familias e amigos de politicos. \r
\r
Os Professores das Escolas e das Universidades financiadas pelo governo Australiano sao ladroes por consequencia de serem funcionarios publicos? E os medicos e enfermeiros do eficiente sistema de saude australiano?\r
\r
Concordo e muito que os meios democraticos que representam em sua maioria a oligarquia economica do mundo, quer dizer os que tem mais; pagam mais (sao roubados mais) aos governos e tem mais chances de serem ouvidos.\r
\r
Esse texto me fez refletir sobre um outro assunto que muito me interessa. A industria da pesca eh hoje regulado por acordos internacionais. Esse mesma industria gasta uma grana forte para (subornar e comprar votos nesses encontros politicos internacionais) pescar acima do permitido pelo grupo academico. \r
\r
Olha a loucura, o governo gasta dinheiro (milhoes) em pesquisa para compreender a pesca predatoria. Importante compreender os oceanos. Essas pesquisas chegam a conclusoes que devemos pescar em menor quantidade e que alguns peixes nao devem ser pescados de modo algum por que estao praticamente extintos. Ate hoje nenhuma decisao internacional protegeu os peixes de modo eficiente. Eles convocam os cientistas que mostram e provam o por que dessas decisoes ai eles votam para entrar em acordo?? Como assim? Gasta dinheiro com a pesquisa, com o evento e a industria continua fazendo a mesma coisa! \r
\r
O problema de um Pais sem Estado eh o que aconteceria sobre esse fato se nao houvesse Estado? Quem gastaria dinheiro para compreender o impacto da industria pesqueira? Acho ate que a industria pesqueira gastaria dinheiro apra compreender o impacto, mas em beneficio proprio e para aumentar seus lucros, nao acho que o impacto ecologico seria levado em consideracao. O que acontece hoje a maior dona da industria da pesca eh a Mitsubishi no Japao. Os peixes ameacados de extincao estao sendo autamente pescados e vendidos nos restaurantes mesmo sendo ilegal. Eles custam muito mais caro por serem raros e em ameaca de extincao.\r
\r
Minha pergunta: Concordo que o Estado nao eh eficiente que ele rouba daqui e dali. Qual seria uma solucao para esse impasse. Um cara que eh bom empresario faz dinheiro e nao pensa em ecologia. Claro que nao todos, alguns pensam e tem projetos lindos de fazer dinheiro com pouco impacto ambiental, mas se houver um e grande que pesque muito nao adiantara nada.\r
\r
Organismo (ESTADO LIBERAL) fundado para proteger os homens de bem contra os que iniciam o uso da violência ou da fraude, desprezando a escolha dos outros, de não fazerem o que não quiserem (NÃO ENTENDESTE ESTE PRINCÍPIO ÓBVIO?).\r
\r
\r
???\r
\r
Não há estado , organismo, na ideologia Liberal.
Em primeiro lugar gostaria de dizer que este site é muito educativo em todos os aspectos. \r
Na minha humilde opnião, a maior dificuldade das pessoas em aceitar a ausência do Estado está intimamente ligada impossibilidade de estabelecer comparações. Seria como imaginar uma realidade diferente daquela percebida por nossa capacidade sensorial. Dessas considerações poderiam surgir indagações de ordem prática inquietantes, exemplo: Como seriam contornados os conflitos entre os direitos individuais? De que forma os direitos a liberdade seriam garantidos contra possíveis atos de violência? E por ai vai. Imagino que estas dúvidas são o maior obstáculo para uma adesão aos ensinamentos libertários e não o simples reconhecimento da apropriação indevida da propriedade individual pelo Estado. Tenho absoluta certeza que feita qualquer pesquisa para perguntar às pessoas se elas gostariam de não pagar impostos, 99,99% delas iriam afirmar que sim. O problema não está na preocupação das pessoas com a manutenção de políticas públicas sociais, financiadas por meio dos tributos pagos; mas sim, na insegurança gerada pela incapacidade de imaginar uma convivência em sociedade sem a existência do Estado.\r
Saudações.
putz…pensei q seria um artigo breve…..
qndo vi fiquei meia-hora lendo e relendo trechos e racionalizando a respeito…muito bom!
Parabens!
Fernando, as pessoas não conseguem mais argumentar e acabam atacando o seu jeito de debater.
O texto é muito bom!
Me desculpem pela possível ignorância, pois sou apenas um estudante de Ciências da Computação e entusiasta em assuntos de economia. Certo dia me deparei com este site, no qual encontrei idéias bem diferentes do mainstream despejado pela mídia. Venho acompanhando cada artigo do site há praticamente meio ano. Ainda não li Ação Humana, mas concordo com a abordagem praxeológica da economia a longo prazo, ao invés da análize puramente matemática de curto prazo. Porém ainda não consigo enxergar o anarcocapitalismo como sendo uma melhor alternativa ao minimalismo. Eu compreendo que o capitalismo poderia nos oferecer serviços de segurança e justiça a custos muito mais baixos do que o estado atualmente(assim como qualquer outro serviço), mas, supondo que amanhã vivessemos em uma sociedade anarcocapitalista, as pessoas ainda demandariam estes serviços, agora, supondo que alguém me roubasse algo, ou matasse um ente querido, o conceito de justiça é muito subjetivo, e poderia divergir de empresa para empresa que pudesse oferecer estes serviços. Baseando-me nas atrocidades que vemos hoje, não seria muito absurdo supor que algumas empresas oferecessem coisas do tipo: “Alguém matou seu ente querido? Nós prendemos ele pelo resto da vida por apenas R$10.000, a ainda vamos fazer ele trabalhar para se sustentar”, ou pior, talvez pagando R$100.000 eu conseguisse prender alguém sem nem ter um motivo, ou talvez alguma empresa ofereça o serviço de pena de morte para crimes mais graves. Quem faria os julgamentos? E se duas empresas fizessem julgamentos paralelos e chegassem a veredictos diferentes? O serviço de segurança, saúde, educação, etc. eu até vejo como sendo algo factível, como é hoje, mas não consigo ver como isso funcionaria com a justiça sem se tornar um caos. Por favor, estou totalmente aberto a argumentos e sugestões. Obrigado!
Uma pergunta de leigo.
Foi um bom artigo devo admitir. Mas a proteção da propriedade? Foi algo não resolvido. Essa foi queixa da amiga anônima. Fora que eu reconheço a as questões sociais. Qual a solução para nossa amiga anônima não ser roubada?
Entendo que o ser humano tende para o bem, como para o mal. O outor foi ao extremo, o que não é correto.
Eu entendo que o que devemos defender é o princípio da subsidiariedade, há limites para a ação humana no campo privado, a justiça, a defesa nacional, a tributação e tantas outras ações cabem ao Estado, pois ele passa a deter de forma legítima, dentro do estado de direito, a defesa da liberdade do cidaão e capacidade de coerção para assegurá-la.
Entondo como válidada a afirmativa de que Estado não deve, de forma alguma, fazer aquilo que os cidadãos também não possam fazer. Isso é autoritarismo puro. Ao contrário, só se pode atribuir ao Estado tarefas que os próprios cidadãos possam cumprir, mas que não é desejável que as cumpram sozinhos (seja porque isso sairia muito caro, seja porque não teriam forças para executá-las, como a tributação por exemplo). O Estado nada mais é do que o resultado da transferência de poder dos indivíduos para uma entidade que os represente em suas próprias ações. E ninguém pode transferir o que não tem.
E como foi bem mencionado por Karol Józef Wojtyla – Johannes Paulus II: "Além disso, o homem, criado para a liberdade, leva em si a ferida do pecado original, que continuamente o atrai para o mal e o torna necessitado de redenção. Esta doutrina é não só parte integrante da Revelação cristã, mas tem também um grande valor hermenêutico, enquanto ajuda a compreender a realidade humana. O homem tende para o bem, mas é igualmente capaz do mal; pode transcender o seu interesse imediato, e contudo permanecer ligado a ele. A ordem social
será tanto mais sólida, quanto mais tiver em conta este fato e não contrapuser o interesse pessoal ao da sociedade no seu todo, mas procurar modos para a sua coordenação frutuosa. Com efeito, onde o interesse individual é
violentamente suprimido, acaba substituído por um pesado sistema de controle burocrático, que esteriliza as fontes da iniciativa e criatividade. Quando os homens julgam possuir o segredo de uma organização social perfeita que torne o mal impossível, consideram também poder usar todos os meios, inclusive a violência e a mentira, para a realizar. A política torna-se então uma «religião secular», que se ilude de poder construir o Paraíso neste mundo. Mas qualquer sociedade política, que possui a sua própria autonomia e as suas próprias leis , nunca poderá ser confundida com o Reino de Deus. A parábola evangélica da boa semente e do joio (cf. Mt 13, 24-30. 36-43) ensina que apenas a Deus compete separar os filhos do Reino e os filhos do Maligno, e que o julgamento terá lugar no fim dos tempos. Pretendendo antecipar o juízo para agora, o homem substitui-se a Deus e opõe-se à sua paciência".
O texto é muito interessante. No entanto discordo, de forma geral, da ideia para qual ele converge. Entendo que tal “liberdade”, apontada pelo texto, só seria coerente, ao meu ver, numa humanidade onde os indivíduos se pautem pelos princípios do respeito mutuo, de fazer aos outros o que gostaria que fizessem consigo; onde há consciência de espírito de grupo, onde as pessoas se ajudem sem qualquer interesse, a não ser o bem comum. Não é algo utópico; temos exemplos e vislumbres de tal realidade! Quando, por exemplo, o Japão sofreu por terremotos, tsunamis etc. num primeiro momento, as pessoas se ajudaram dessa forma. Repare que não é algo comum, mas que em alguns momentos, o ser humano revela sua natureza (ajudando, socorrendo, auxiliando).
No entanto, no estágio de evolução da humanidade atual, onde impera o egoísmo – seja ele sustentado pelas leis do Estado, que privilegia certos grupos em detrimento de outros, seja pelo egoísmo capitalista do lucro, camuflado em ideais liberalistas, como os do texto – o Estado é necessário. Onde ainda há “doença”, precisa-se do “médico”. E a “doença” da humanidade que conhecemos é o egoismo. Em qualquer tipo de sociedade que se possa vislumbrar, onde imperar o egoismo, esta estará corroída; haverá sobretudo desigualdade, e todos os problemas dela decorrentes.
Entendo que neste contexto, como em muitos outros, não nos devemos apoiar em posições extremas. O autor do texto cometeu este pecado, ao meu ver. O Estado, é imperfeito; os homens que o compõem o são. Sempre podemos encontrar um defeito relacionado à Administração Pública. O fato é que na sociedade egoísta e mesquinha como a que vivemos, é preciso que o Estado limite a atuação dos indivíduos, em benefício do bem da coletividade. Não é porque A CASA É MINHA, que eu tenho o direito de ligar o som alto durante a madrugada, pois assim os demais (em suas casas) não conseguirão dormir. Enquanto as pessoas não agirem corretamente por si mesmas, é preciso que haja o Estado para colocá-la no seu devido lugar, na busca do bem da coletividade.
O que atrapalha que o Estado funcione come deveria funcionar, é a corrupção; o egoismo e degradação moral dos que detêm o poder, atuando geralmente para grandes detentores de poder econômico (os mesmos que defendem a liberdade, e o não intervencionismo estatal; os mesmos que conspiram politicamente para a degradação dos serviços públicos, para que sejam privatizados, por conta de uma suposta incapacidade do Estado prestá-lo com qualidade; os que financiam campanhas milionárias dos políticos, para colherem benefícios etc. Se não houvesse o Estado mínimo, seria muito pior.
O Estado é (na melhor das hipóteses) um mal necessário.
Na pior das hipóteses é um mal desnecessário.
De qualquer forma ele tem que ser minimizado até onde for possível.
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