
Discurso
feito durante o terceiro encontro anual da Property and Freedom
Society em Bodrum, Turquia, maio de 2008.
Deixem-me começar pela definição do estado. O que um agente deve ser capaz de fazer para
ser classificado como um estado? Esse
agente deve ser capaz de insistir que todos os conflitos entre os habitantes de
um dado território sejam trazidos a ele para que tome a decisão suprema ou para
que dê sua análise final. Em particular,
deve ser capaz de insistir que todos os conflitos envolvendo ele próprio sejam decididos por ele ou
por seu agente. E implícito no poder que
esse agente tem de proibir todos os outros de agirem como juiz supremo está,
como a segunda característica definidora de um estado, o poder de tributar:
para determinar unilateralmente o preço que aqueles que recorrem à justiça
devem pagar por seus serviços.
Baseando-se nessa definição de estado, é
fácil entender por que existe um desejo de se controlar um estado. Pois quem quer que detenha o monopólio da
arbitragem final dentro de um dado território pode fazer as leis. E aquele que
pode legislar pode também tributar. Certamente, essa é uma posição invejável.
Mais difícil de entender, porém, é como
alguém pode ficar impune ao controlar um estado. Por que as outras pessoas toleram tal
instituição?
Quero abordar a resposta a essa questão
indiretamente. Suponha que você e seus
amigos, por alguma casualidade, estivessem no controle dessa extraordinária
instituição. O que vocês fariam para
manter sua posição (considerando-se que vocês não tivessem quaisquer
escrúpulos)? Vocês certamente iriam
utilizar parte da renda que adquiriram via impostos para contratar alguns
valentões. E vocês iriam contratá-los
por dois motivos: (1) para manter a paz entre seus súditos, de modo que eles
possam permanecer produtivos e continuem gerando riqueza que poderá ser
tributada no futuro; mas, ainda mais importante, (2) porque vocês poderão
precisar desses valentões para garantir a sua própria proteção caso os súditos acordem de sua letargia dogmática
e passem a desafiar vocês.
Entretanto, apenas isso não será suficiente,
principalmente caso vocês sejam uma pequena minoria em relação ao número total
de súditos. Pois uma minoria não pode
dominar eternamente uma maioria apenas pelo uso da força bruta. Ela precisa dominar a opinião dessa maioria. A maioria da população deve ser adestrada a
aceitar voluntariamente o seu
domínio. Isso não quer dizer que a maioria
tenha de concordar com cada uma de suas medidas. Na realidade, ela pode muito bem achar que
muitas das suas políticas estão erradas.
Entretanto, ela tem de ser levada a acreditar na legitimidade da
instituição do estado como tal; e
que, por conseguinte, mesmo que uma política em particular esteja errada, tal
erro é um acidente que deve ser tolerado em nome de um bem maior fornecido pelo
estado.
Entretanto, como é possível persuadir a
maioria da população a acreditar nisso?
A resposta: somente com a ajuda dos intelectuais.
E como é possível fazer com que os
intelectuais trabalhem a seu favor? A
resposta a isso também é fácil: a demanda de mercado por serviços intelectuais
não é exatamente alta e estável. Os
intelectuais estariam à mercê dos valores efêmeros das massas; e as massas não
estão interessadas em questões intelecto-filosóficas. O estado, por outro lado, pode acomodar os
egos tipicamente hipertrofiados dos intelectuais e oferecer a eles um cargo
cordial, seguro e permanente em seu aparato.
Porém não é suficiente que vocês empreguem
apenas alguns intelectuais. Vocês precisam empregar essencialmente todos eles, mesmo aqueles que trabalham
em áreas bem distantes daquelas com as quais vocês estão mais preocupados:
filosofia, história, ciências sociais e literatura. Pois mesmo os intelectuais que trabalham com
matemática ou ciências naturais, por exemplo, podem obviamente pensar por conta
própria e se tornar potencialmente perigosos.
Portanto, é importante que vocês também garantam a lealdade deles ao
estado. Colocando de maneira diferente:
é preciso ser um monopolista. E tal condição será melhor atingida se todas
as instituições educacionais, desde o jardim de infância até as universidades,
forem subjugadas ao controle estatal e todo o corpo docente for certificado e
aprovado pelo estado.
Mas e se as pessoas não quiserem ser educadas? Para
evitar isso, a educação deve ser declarada compulsória; e para que todas as
pessoas sejam submetidas a uma educação controlada pelo estado pelo máximo de
tempo possível, todos devem ser declarados igualmente educáveis. É óbvio que os intelectuais sabem que tal
igualitarismo é falso. Entretanto,
afirmar tolices do tipo “todos são Einsteins em potencial desde que recebam uma
suficiente atenção educacional” é algo que agrada às massas e, por sua vez,
gera uma demanda praticamente ilimitada por serviços intelectuais.
É claro que todas essas medidas não garantem que
o almejado pensamento genuinamente estatista torne-se predominante. Entretanto, elas ajudam a alcançar a
conclusão desejada caso o sujeito perceba que, sem o estado, ele poderia estar
sem seu emprego e talvez teria de tentar ganhar a vida como frentista. Isso seria uma tragédia quando se sabe que
ele pode muito bem ganhar um bom salário ocupando-se de assuntos mais prementes
como alienação, igualdade, exploração, a desconstrução do gênero e o papel dos
sexos, ou a cultura dos esquimós, dos hopis e dos zulus.
E mesmo que os intelectuais venham a se
sentir subestimados por vocês, isto é, por uma administração estatal em particular, eles sabem que a ajuda só
poderá vir da próxima administração
estatal, e não de um ataque intelectual à instituição do estado. Portanto, não é surpresa alguma que a
esmagadora maioria dos intelectuais contemporâneos, inclusive os mais
conservadores ou mesmo os “livre-mercadistas”, sejam filosófica e
fundamentalmente estatistas.
A pergunta que fica: será que o trabalho dos
intelectuais surtiu efeito para o estado?
Eu diria que sim. Se perguntadas
se a instituição do estado é necessária, não creio que seria exagerado dizer
que 99% de todas as pessoas iriam resolutamente dizer que sim. E, ainda assim, esse sucesso se apóia em pilastras
muito instáveis, e todo o edifício estatista pode ser demolido caso o trabalho
dos intelectuais seja contestado pelo trabalho de intelectuais anti-intelectuais, como eu gosto de
chamá-los.
A enorme maioria dos defensores do estado não
são estatistas filosóficos, isto é,
eles não pensaram profundamente no assunto. A maioria das pessoas não pensa muito sobre
qualquer questão filosófica. Elas apenas
seguem sua rotina diária, e é isso aí.
Logo, a maior parte do apoio ao estado advém do simples fato de que ele existe e sempre existiu desde há muito
tempo (tempo esse que é tipicamente o tempo de vida da pessoa que pensou no
assunto). Ou seja, a maior conquista dos
intelectuais estatistas foi o fato de que eles cultivaram a preguiça (ou
incapacidade) intelectual natural das massas, e nunca permitiram que o assunto
viesse à tona para uma discussão séria.
O estado passou a ser considerado uma parte inquestionável do tecido
social.
A primeira e mais importante tarefa dos
intelectuais anti-intelectuais, portanto, é atacar essa letargia dogmática das
massas oferecendo uma definição precisa do estado, como fiz na abertura, para
em seguida perguntar se não há nada de verdadeiramente incomum, estranho,
bizarro, tosco, ridículo e de fato burlesco em uma instituição como essa. Estou confiante de que esse simples trabalho
de definição irá produzir algumas sérias dúvidas em relação a uma instituição
que anteriormente vinha sendo tida por natural.
Adiante, saindo dos argumentos pró-estado
menos sofisticados (e, não coincidentemente, mais populares) e indo para os
mais sofisticados: na medida em que os intelectuais passaram a considerar ser
necessário argumentar em favor do
estado, seu argumento mais popular, encontrado já na época do jardim de
infância, funciona da seguinte forma: aponta-se algumas atividades do estado –
como, por exemplo, o fato de que o estado constrói estradas e escolas, entrega
as correspondências e coloca policiais na rua – e em seguida conclui-se que, se
não houvesse estado, então não haveria esses bens. Portanto, o estado é necessário.
Já em nível universitário, uma versão
ligeiramente mais sofisticada do mesmo argumento é apresentada. Funciona da seguinte forma: sim, é verdade
que o mercado é a melhor forma de arranjo para se ofertar muitas ou até mesmo a
maioria das coisas; mas há outros bens que o mercado não pode ofertar ou não é
capaz de ofertar em quantia ou qualidade suficiente. Esses outros bens, também chamados de bens
públicos, são bens que conferem benefícios a outras pessoas além daquelas que
produziram e pagaram por eles. Dentre
tais bens estão principalmente a educação e a pesquisa. Argumenta-se que educação e pesquisa, por
exemplo, são bens extremamente valiosos.
Eles seriam subproduzidos, entretanto, por causa dos “caroneiros”, isto
é, por causa de trapaceiros que se beneficiariam, via efeitos de vizinhança
(falhas de mercado), da educação e da pesquisa sem terem pagado por elas. Portanto, o estado é necessário para fornecer
bens que de outra forma não seriam produzidos ou o seriam de maneira
insuficiente. Dentre esses bens, a
educação e a pesquisa.
Esses argumentos estatistas podem ser
refutados por uma combinação de três constatações fundamentais: primeiro,
quanto ao argumento do jardim de infância, o fato de o estado ofertar ruas e
estradas não significa que apenas o
estado pode ofertar tais bens. As
pessoas têm pouca dificuldade de reconhecer a falácia desse argumento. O fato de que macacos podem andar de
bicicleta não significa que apenas os
macacos podem andar de bicicleta.
Segundo, e que vem de imediato, deve ser lembrado que o estado é uma
instituição que pode legislar e tributar; logo, os agentes do estado têm poucos
incentivos para produzir eficientemente.
Escolas e estradas estatais serão mais custosas e de menor qualidade. Pois entre os agentes do estado sempre haverá
a tendência de se consumir a maior quantia possível de recursos ao se fazer
qualquer tipo de serviço e, ao mesmo tempo, trabalhar o mínimo possível para se
fazê-lo.
Terceiro: em relação ao mais sofisticado
argumento estatista, ele envolve a mesma falácia encontrada no jardim de
infância. Pois mesmo que fosse concedido
o resto do argumento, ainda assim seria uma falácia concluir que, se o estado
fornece bens públicos, então somente
o estado pode fornecê-los.
O que é ainda mais importante, entretanto, é
que toda a argumentação pró-estado demonstra uma total ignorância sobre o fato
mais fundamental da vida humana: a escassez.
É verdade que o mercado não irá ofertar todas as coisas desejáveis. Enquanto não habitarmos o Jardim do Éden, sempre haverá desejos não satisfeitos
.
Mas para que tais bens não produzidos passem a existir, recursos
escassos precisam ser utilizados, os quais consequentemente não mais poderão
ser utilizados para se produzir outros bens igualmente desejáveis. Se os bens públicos existem lado a lado com
os bens privados é algo que não importa; a realidade da escassez permanece
inalterada: mais bens públicos só podem surgir à custa de menos bens privados.
Entretanto, o que deve ser demonstrado é que
um bem é mais importante e valioso do que outro. É isso que significa economizar. Porém, pode o estado ajudar a economizar
recursos escassos? Esta é a questão que deve ser respondida. Com efeito, há uma prova conclusiva de que o
estado não pode e nem é capaz de economizar: pois para
produzir algo, o estado deve recorrer à tributação (ou à legislação), o que
demonstra irrefutavelmente que seus súditos não
querem aquilo que o estado produz, e que preferem alguma outra coisa que lhes pareça mais importante. Ao invés de
economizar, o estado pode apenas redistribuir: ele pode produzir mais daquilo
que ele próprio quer e menos daquilo que as pessoas querem; e, só pra
relembrar, o que quer que o estado venha a produzir, será produzido
ineficientemente.
Finalmente, o mais sofisticado argumento em
favor do estado deve ser brevemente examinado.
Desde Hobbes, este argumento tem sido repetido incessantemente. Funciona assim: no estado natural das coisas,
antes do estabelecimento de um estado, sobejam os conflitos permanentes. Todos alegam ter direito a tudo, o que
resulta em guerras intermináveis. Não há
como sair dessa situação instável por meio de acordos; pois afinal quem iria fazer cumprir esses acordos? Sempre que a situação se mostrasse vantajosa,
um ou ambos os lados iriam quebrar o acordo.
Logo, as pessoas reconheceram que há somente uma solução para o desideratum da paz: o estabelecimento,
por consentimento, de um estado – isto é, de uma entidade externa e independente, que assumiria a função de fiscal e juiz supremo.
Porém, se essa tese está correta, e os
acordos requerem um fiscal externo que os torne vinculantes, então um estado
criado por consentimento nunca poderá existir.
Pois, para fazer cumprir o próprio acordo do qual resultará a formação de
um estado (tornar esse mesmo acordo vinculante), um outro fiscal externo, um
estado anterior, já teria de existir. E
para que esse estado tenha podido existir, um outro estado anterior a ele
deveria ter sido postulado, e assim por diante, em uma regressão infinita.
Por outro lado, se aceitarmos que estados
existem (e é claro que eles existem), então esse próprio fato contradiz a
história hobbesiana. O estado em si
surgiu sem a existência de qualquer
fiscal externo. Presumivelmente, na
época do suposto acordo, nenhum estado anterior existia para arbitrar esse
acordo. Ademais, uma vez que um estado
criado por consentimento passa a existir, a ordem social resultante continua
sendo autoimposta. Sem dúvidas, se A e B
concordam em algo, esse acordo é tornado vinculante por uma entidade
externa. Entretanto, o próprio estado não está vinculado da mesma forma
a um fiscal externo. Não existe
absolutamente nenhuma entidade externa para mediar conflitos entre agentes do
estado e súditos do estado; da mesma forma, não há nenhuma entidade externa
para mediar conflitos entre os próprios agentes do estado ou as próprias agências do estado. Sempre que houver acordos feitos entre o
estado e seus cidadãos, ou entre uma agência do estado e
outra agência, tais acordos serão mediados apenas
pelo próprio estado. O estado não está
vinculado a nada exceto às suas autoimpingidas regras, isto é, às restrições
que ele se impõe a si mesmo. Em relação
a si próprio, o estado ainda está no estado natural de anarquia caracterizada
pela autofiscalização e pelo autocontrole, pois não há na hierarquia um estado
superior que possa vinculá-lo a algo.
Mais ainda: se aceitarmos a ideia hobbesiana
de que a fiscalização de regras mutuamente consentidas requer um agente externo
independente, isso por si só iria descartar a hipótese da criação de um
estado. De fato, tal ideia constitui um
argumento conclusivo contra a
instituição de um estado, isto é, de um monopolista
da arbitração e da decisão suprema. Pois
teria de existir uma entidade independente para arbitrar todos os casos que
envolvessem algum agente do estado e eu (um cidadão privado); da mesma
forma, teria de haver uma entidade independente para todos os casos que
envolvessem conflitos intraestado (e teria de haver uma outra entidade
independente para o caso de conflitos entre várias entidades
independentes). Porém isso significa, é
claro, que tal estado (ou qualquer entidade independente) não seria um estado
no sentido por mim definido lá no princípio, mas simplesmente uma de várias
agências arbitradoras de conflitos, operando em ambiente de livre concorrência.
Portanto, deixem-me concluir: a batalha
intelectual contra o estado parece ser fácil e clara. Mas isso não significa que ela seja fácil do
ponto de vista prático. De fato, quase
todas as pessoas estão convencidas de que o estado é uma instituição
necessária, por todas as razões que indiquei.
Assim, é bastante duvidoso que a batalha contra o estado possa ser
vencida de maneira tão fácil quanto parece ser no nível teórico e intelectual. Porém, mesmo que isso acabe se mostrando impossível,
vamos ao menos nos divertir um pouco à custa de nossos oponentes
estatistas. E para isso eu sugiro que
vocês persistentemente os confrontem com a seguinte charada: imagine um grupo
de pessoas sempre alertas à possibilidade do surgimento de conflitos; e então eis
que alguém propõe, como solução a este eterno problema humano, que ele próprio
se torne o arbitrador supremo de todos os casos de conflito, inclusive daqueles
em que ele mesmo esteja envolvido.
Estou certo de que ele será considerado um
piadista ou alguém mentalmente perturbado.
Entretanto, é exatamente isso que todos os estatistas propõem.
Como sempre HHH expõe as bases falaciosas do estatismo de modo irritantemente (especialmente para os estatistas) cartesiano.
Outro texto sensacional do Hoppe! Ainda melhor que o anterior. Quero ver o que as dondocas vao vim aqui dizer “Ah, mas o Estado é um mal necessário porque, porque, porque…. ah porque a VEJA diz que é!”
Hoppe não é meu autor predileto, mas esse texto é ótimo, os argumentos são irrebatíveis…
Eu tenho que discordar do Rafael, o Hoppe é meu autor predileto. ;)\n\n[]’s
Realmente, artigo sensacional!
E Hoppe é um dos meus preferidos!
🙂
Abraço a todos.
Omnipotent Government – By Ludwig von Mises pag 46 à 51
~. The State
The state is essentially an apparatus of compulsion and coercion.
The characteristic feature of its activities is to compel people
through the application or the threat of force to behave otherwise
than they would like to behave.
But not every apparatus of compulsion and coercion is called a
state. Only one which is powerful enough to maintain its existence,
for some time at least, by its own force is commonly called a state.
A gang of robbers, which because of the comparative weakness of
its forces has no prospect of successfully resisting for any length of
time the forces of another organization, is not entitled to be called
a state. The state will either smash or tolerate a gang. In the first
case the gang is not a state because its independence lasts for a short
time only; in the second case it is not a state because it does not
stand on its own might. The pogrom gangs in imperial Russia were
not a state because they could kill and plunder only thanks to the
connivance of the government.
This restriction of the notion of the state leads directly to the
concepts of state territory and sovereignty. Standing on its own
power implies that there is a space on the earth’s surface where the
operation of the apparatus is not restricted by the intervention of
another organization; this space is the state’s territory. Sovereignty
(suprema potestas, supreme power) signifies that the organization
stands on its own legs. A state without territory is an empty concept.
A state without sovereignty is a contradiction in terms.
The total complex of the rules according to which those at the
helm employ compulsion and coercion is called law. Yet the characteristic
feature of the state is not these rules, as such, but the
application or threat of violence. A state whose chiefs recognize
but one rule, to do whatever seems at the moment to be expedient
in their eyes, is a state without law. It does not make any difference
whether or not these tyrants are “benevolent.”
The term law is used in a second meaning too. We call internationallaw
the complex of agreements which sovereign states have
concluded expressly or tacitly in regard to their mutual relations.
It is not, however, essential to the statehood of an organization that
other states should recognize its existence through the conclusion
of such agreements. It is the fact of sovereignty within a territory
that is essential, not the formalities.
The people handling the state machinery may take over other
. functions, duties, and activities. The government may own and
operate schools, railroads, hospitals, and orphan asylums. Such
activities are only incidental to the conception of a state. Whatever
other functions it may assume, the state is always characterized by
the compulsion and coercion exercised.
With human nature as it is, the state is a necessary and indispensable
institution. The state is, if properly administered, the
foundation of society, of human cooperation and civilization. It is
the most beneficial and most useful instrument in the endeavors of
man to promote human happiness and welfare. But it is a tool and
a means only, not the ultimate goal. It is not God. It is simply compulsion
and coercion; it is the police power.
It has been necessary to dwell upon these truisms because the
mythologies and metaphysics of etatism have succeeded in wrapping
them in mystery. The state is a hUlllan institution, not a
superhuman being. lie who says “state” means coercion and COlll-
·pulsion. He who says: There should be a law concerning this matter,
means: The armed men of the government should force people
to do what they do not want to do, or not to do what they like. He
who says: This law should be better enforced, means: The police
should force people to obey this law. He who says: The state is God,
deifies arms and prisons. The worship of the state is the worship of
force. There is no more dangerous menace to civilization than a
government of incompetent, corrupt, or vile men. The worst evils
which mankind ever had to endure were inflicted by bad governments.
The state can be and has often been in the course of history
the nlain source of mischief and disaster.
The apparatus of compulsion and coercion is always operated by
mortal men. It has happened time and again that rulers have excelled
their contemporaries and fellow citizens both in competence
and in fairness. But there is ample historical evidence to the contrary
too. The thesis of etatism that the members of the government
and its assistants are more intelligent than the people, and
that they know better what is good for the individual than he himself
knows, is pure nonsense. The Fuhrers and the Duces are neifher
God nor God’s vicars.
The essential characteristic features of state and government do
not depend on their particular structure and constitution. They
are present both in despotic and in democratic governments. Democracy
too is not divine. We shall later deal with the benefits that
society derives from democratic government. But great as these
advantages are, it should never be forgotten that majorities are no
less exposed to error and frustration than kings and dictators. That
a fact is deemed true by the majority does not prove its truth. That
a policy is deemed expedient by the majority does not prove its
expediency. The individuals who form the majority are not gods,
and their joint conclusions are not necessarily godlike
3. The Political and Social Doctrines of Liberalism
There is a school of thought which teaches that social cooperation
of men could be achieved without compulsion or coercion.
Anarchism believes that a social order could be established in which
all men would recognize the advantages to be derived from cooperation
and be prepared to do voluntarily everything which the
maintenance of society requires and to renounce voluntarily all
actions detrimental to society. But the anarchists overlook two
facts. There are people whose mental abilities are so limited that
they cannot grasp the full benefits that society brings to them. And
there are people whose flesh is so weak that they cannot resist the
temptation of striving for selfish advantage through actions detrimental
to society. An anarchistic society would be exposed to the’
mercy of every individual. We may grant that every sane adult is
endowed with the faculty of realizing the good of social cooperation
and of acting accordingly. However, it is beyond doubt that there
are infants, the aged, and the insane. We may agree that he who acts
antisocially should be considered mentally sick and in need of cure.
But as long as not all are cured, and as long as there are infants and
the senile, some provision must be taken lest they destroy society.
Liberalism differs radically from anarchism. It has nothing in
common with the absurd illusions of the anarchists. We must emphasize
this point because etatists sometimes try to discover a similarity.
Liberalism is not so foolish as to aim at the abolition of the
state. Liberals fully recognize that no social cooperation and no
civilization could exist without some amount of compulsion and
coercion. It is the task of government to protect the social system
against the attacks of those who plan actions detrimental to its
maintenance and operation.
The essential teaching of liberalism is that social cooperation and
the division of labor can be achieved only in a system of private
ownership of the means of production, i.e., within a market society,
or capitalism. All the other principles of liberalism-democracy,
personal freedom of the individual, freedom of speech and of the
press, religious tolerance, peace among the nations-are consequences
of this basic postulate. They can be realized only within a
society based on private property.
From this point of view liberalism assigns to the state the task of
protecting the lives, health, freedom, and property of its subjects
against violent or fraudulent aggression.
That liberalism aims at private ownership of the means of production
implies that it rejects public ownership of the means of
production. i.e.. socialism. Liberalism therefore objects to the
socialization of the means of production. It is illogical to say, as
many etatists do, that liberalism is hostile to or hates the state, because
it is opposed to the transfer of the ownership of railroads or
cotton mills to the state. If a man says that sulphuric acid does not
make a good hand lotion, he is not expressing hostility to sulphuric
acid as such; he is simply giving his opinion concerning the limitations
of its use.
It is not the task of this study to determine whether the program
of liberalism or that of socialism is more adequate for the realization
of those aims which are common to all political and social endeavors,
i.e., the achievement of human happiness and welfare. We
are only tracing the role played by liberalism and by antiliberalism
-whether socialist or interventionist-in the evolution which resulted
in the establishment of totalitarianism. We can therefore
content ourselves with briefly sketching the outlines of the social
and political program of liberalism and its working.
In an economic order based on private ownership of the means
of production the market is the focal point of the system. The
working of the market mechanism forces capitalists and entrepreneurs
to produce so as to satisfy the consumers’ needs as well
and cheaply as the quantity and quality of material resources and
of man power available and the state of technological knowledge
allow. If they are not equal to this task, if they produce poor goods,
or at too great cost, or not the commodities that the consumers demand
most urgently, they suffer losses. Unless they change their
methods to satisfy the consumers’ needs better, they will finally
be thrown out of their positions as capitalists and entrepreneurs.
Other people who know better how to serve the consumer will
replace them. Within the market society the working of the
price mechanism makes the consumers supreme. They determine
through the prices they pay and through the amount of their purchases
both the quantity and quality of production. They determine
directly the prices of consumers’ goods, and thereby indirectly
the prices of all material factors of production and the wages of all
hands employed.
Within the market society each serves all his fellow citizens and
each is served by them. It is a system of mutual exchange of services
and commodities, a mutual giving and receiving. In that endless
rotating mechanism the entrepreneurs and capitalists are the servants
of the consumers. The consumers are the masters, to whose
whims the entrepreneurs and the capitalists must adjust their investments
and methods of production. The market chooses the prove failures. The market is a democracy in which every penny
gives a right to vote and where voting is repeated every day.
Outside of the market stands the social apparatus of compulsion
and coercion, and its steersmen, the government. To state and
government the duty is assigned of maintaining peace both at home
and abroad. For only in peace can the economic system achieve its
ends, the fullest satisfaction of human needs and wants.
But who should command the apparatus of compulsion and
coercion? In other words, who should rule? It is one of the fundamental
insights of liberal thought that government is based on
opinion, and that therefore in the long run it cannot subsist if the
men who form it and the methods they apply are not accepted by
the majority of those ruled. If the conduct of political affairs does
not suit them, the citizens will finally succeed in overthrowing the
government by violent action and in replacing the rulers by men
deemed more competent. The rulers are always a minority. They
cannot stay in office if the majority is determined to turn them
out. Revolution and civil war are the ultimate remedy for unpopular
rule. For the sake of domestic peace, liberalism aims at democratic
government. Democracy is therefore not a revolutionary institution.
On the contrary, it is the very means of preventing
revolutions. Democracy is a system providing for the peaceful adjustment
of government to the will of the majority. When the men
in office and their methods no longer please the majority of the nation,
they will-in the next election-be eliminated, and replaced
by other men and another system. Democracy aims at safeguarding
peace within the country and among the citizens.
The goal of liberalism is the peaceful cooperation of all men. It
aims at peace among nations too. When there is private ownership
of the means of production everywhere and when the laws, the
tribunals, and the administration treat foreigners and citizens on
equal terms, it is of little importance where a country’s frontiers are
drawn. Nobody can derive any profit from conquest, but many
can suffer losses from fighting. War no longer pays; there is no motive
for aggression. The population of every territory is free to
determine to which state it wishes to belong, or whether it prefers
to establish a state of its own. All nations can coexist peacefully, because
no nation is concerned about the size of its state.
This is, of course, a very cool and dispassionate plea for peace
and democracy. It is the outcome of a utilitarian philosophy. It is
as far from the mystical mythology of the divine right of kings as it
is from the metaphysics of natural law or the natural and imprescriptible
rights of man. It is founded upon considerations of com mon utility. Freedom, democracy, peace, and private property are
deemed good because they are the best means for promoting human
happiness and welfare. Liberalism wants to secure to man a life
free from fear and want. That is all.
About the middle of the nineteenth century liberals were convinced
that they were on the eve of the realization of their plans. It
was an illusion.
Hoppe é o melhor.
Sou minarquista por pragmatismo. Considero o anarcocapitalismo algo um tanto inviável e até mesmo um sonho pueril.
Mas confesso que não tenho nenhum argumento para rebater esse artigo. Dou a mão à palmatória.
Uma historiazinha -muito triste- que aconteceu comigo e ilustra qual ideia as criaças tem do Estado, muito bem colocada pelo Hoppe.\r
\r
Essa semana estava eu assistindo um telejornal com meu sobrinho de 9 anos. Quando deu uma reportagem sobre Lula eu propositadamente critiquei o Lula, falei algumas coisas contra o governo e meu sobrinho, espantado, arregalou os olhos e me pediu se o governo era mau. Aí eu expliquei a natureza dos impostos que o governo toma de forma coercitiva de quem trabalha e produz (nem quis falar em corrupção e coisas do tipo), e meu sobrinho, me perguntou: sim, mas ele não cobra impostos para ajudar a humanidade e para comprar coisas para o Brasil?\r
\r
Eu respondi, profundamente perturbado, não João Antonio, não…
Ok, vou aproveitar esse artigo para tentar tirar uma dúvida que tenho em relação ao anarco-capitalismo, e que me torna resistente à esse ideal:\r
\r
Nós concordamos sobre os direitos naturais, e sobre a não iniciação de agressão, mas como isso se tornaria regra em um anarco-capitalismo? Se não há uma entidade que diz: “Vejam, as regras são essas”, o que faria com que agentes fiscalizadores privados às seguissem? O que os impediria de seguirem outros princípios, que talvez fossem contra os direitos individuais? Como as pessoas saberiam que direitos têm?
Sonho pueril? Acho que essa é uma afirmação digna do “Estado dos 5 Macacos”, descrito no artigo anterior.
Filipe, como acho bastante ineficiente repetir com as minhas palavras o que outros já pensaram, e acho que a resposta para a sua pergunta não cabe em uma seção de comentários como essa, sugiro que busque a resposta direto com os grandes pensadores anarco-capitalistas. Lamento não poder contribuir mais com você. A resposta para a sua pergunta exige estudo, dedicação e uso da Razão. Um bom início seria a seção de referências de en.wikipedia.org/wiki/Anarcho-capitalism . Boa sorte!
No texto acima e que está em Inglês, pertence a Ludwig von Mises. Em certo momento ele diz que
“The state is, if properly administered, the
foundation of society, of human cooperation and civilization. It is
the most beneficial and most useful instrument in the endeavors of
man to promote human happiness and welfare. But it is a tool and
a means only, not the ultimate goal. It is not God. It is simply compulsion
and coercion; it is the police power.
It has been necessary to dwell upon these truisms because the
mythologies and metaphysics of etatism have succeeded in wrapping
them in mystery. The state is a human institution, not a
superhuman being.”(
O conceito de estado tem realmente sido envolvido por um certo mistério, de forma que quando não é endeusado por uns, é negado por outros. É Mises que explica.
“Government as such is not only not an evil, but the most
necessary and beneficial institution, as without it no lasting social
cooperation and no civilization could be developed and preserved.”(Mises, Ultimate Foundation of Economics Science, pg.98)
Este modo de ver o estado vem desde Rothbard que, infelizmente, ao negligenciar Mises, conduz a falhas como as que expõe HHH entre outros que pertencem a Escola Austríaca.Faz parecer que o estado é uma instituição que adquire vida propria e passa a se rebelar contra seus criadores. O estado é um instrumento mental que só existe através da ação human.
“Quem interpreta o poder como sendo o poder físico ou “real” de se impor, e
considera a ação violenta como a própria origem do governo, vê as coisas do ângulo estreito de um oficial subalterno no comando de uma unidade do exército ou da polícia”(Mises, Ação Humana.tradução de Donald Stewart,jr,pg.265)
Quem interpreta desmo modo, diz Mises, “hipostasia” ou atribui caráter antromorfíco” à ideologia pois o poder não está no estado, mas no homen ou no conjunto deles que tem capacidade de dirigir a ação dos outros homens. Mises lembra (Hume) que o governo é a minoria que governa com o consentimento da maioria. E isto implica ideologia. O poder de uma ideologia consiste precisamente no fato de que as pessoas a ela se submetem sem hesitação e sem escrúpulos.(Idem,pg265)
Quem vê no estado a falha, está mirando a coisa errada, esta dando um tiro no pé, pois se precisa do estado, mesmo atrofiado como anda nos dias de hoje, o que não implica em aceitá-lo desta maneira. Se a sua casa tocar fogo, seu automóvel for roubado, são às instância do estado que se recorre.
“Not the state is an evil, but the shortcomings of the human mind and character
that imperatively require the operation of a police power. Government
and state can never be perfect because they owe their raison d’etre to the imperfection of man and can attain their end,the elimination of man’s innate impulse to violence, only by recourse to violence, the very thing they are called upon to prevent.”(Mises,The Ultimate Foundation of Economic Science,pg.98)
Talvez seja o fato de associar o estado à violencia, sem refletir sobre o papel que cumpre que dá origem a todo este ressentimento. Mas é uma falha, pois ao querer evitá-lo, por reconhecer neste fator um mal, que é um julgamente de valor e arbitrário, ir ao seu extremo de negá-lo, fecha os olhos para o problema que ao lado da sociedade não é perfeita e por isso mesmo, o estado é um uma arma de dois gumes.
“It is a double-edged makeshift to entrust an individual or a
group of individuals with the authority to resort to violence.
The enticement implied is too tempting for a human being. The
men who are to protect the community against violent aggression
easily turn into the most dangerous aggressors. They transgress
their mandate. They misuse their power for the oppression of
those whom they were expected to defend against oppression.
The main political problem is how to prevent the police power
from becoming tyrannical. This is the meaning of all the struggles
for liberty.”(Idem,pg.98)
Quem ignora estas coisas, diz Mises, cai no outro extremo, no anaquismo.
“A shallow-minded school of social philosophers, the anarchists,
chose to ignore the matter by suggesting a stateless organizationof mankind. They simply passed over the fact that men are not
angels. They were too dull to realize that in the short run an
individual or a group of individuals can certainly further their
own interests at the expense of their own and all other peoples’
long-run interests. A society that is not prepared to thwart the
attacks of such asocial and short-sighted aggressors is helpless
and at the mercy of its least intelligent and most brutal members.
While Plato founded his Utopia on the hope that a small group
of perfectly wise and morally impeccable philosophers will be
available for the supreme conduct of affairs, anarchists implied
that all men without any exception will be endowed with perfect
wisdom and moral impeccability. They failed to conceive that
no system of social cooperation can remove the dilemma between
a man’s or a group’s interests in the short run and those in the
long run.”(idem.pg.98-99)
Se o homem fôsse perfeito, não existiria necessidade do estado, do aparato da violencia.E pelo fato do homem ser imperfeito, nenhum sistema de governo funcionará satisfatoriamaente. Requererá sempre a “eterna vigilancia” dos governados em fazer com que instrumento estado permaneça na sua função básica de grantidor da segurança dos seus individuos e do livre funcionamento do mercado; repudiar qualquer tentativa de os integrantes responsáveis por sua administração, o governo,ultrapasse este limite. Pois foi por ultrapassar este limite que chegamos aonde estamos. E isto deve-se às ideias. Unicamente às ideias.Mude as ideias e mudaras a natureza do estado.
Van, dizer que Rothbard e Hoppe negligenciaram, de qualquer forma que seja, Mises, é mostrar um desconhecimento ímpar sobre a vida e obra destes dois autores.
O que, sem dúvida, aconteceu foi o contrário. Não exatamente da mesma forma, devido aos diferentes períodos de vida de cada um. Mas além de não poder ter tido acesso a todos os insights de Rothbard e Hoppe, Mises jamais considerou o tipo de abordagem que eles tiveram, conforme Hoppe mostra aqui:
O anarquismo de Rothbard não era do tipo de anarquismo que seu professor e mentor Mises havia rejeitado por ser extremamente ingênuo, claro. “Os anarquistas,” escreveu Mises,
afirmam que uma ordem social na qual ninguém tivesse privilégios às custas de seus concidadãos poderia existir sem necessidade de qualquer compulsão ou coerção para impedir ações prejudiciais à sociedade. . . . Os anarquistas deixam de perceber o fato inegável de que algumas pessoas são ou muito limitadas intelectualmente ou muito fracas para se ajustar espontaneamente às condições da vida social. . . . Uma sociedade anarquista estaria à mercê de qualquer indivíduo. A sociedade não pode existir sem que a maioria das pessoas esteja disposta a impedir, pela ameaça ou pela ação violenta, que minorias venham a destruir a ordem social.[10]
De fato, Rothbard concordou sinceramente com Mises que sem recorrer à compulsão, a existência da sociedade estaria ameaçada e que por trás de regras de conduta, cujas observâncias são necessárias para assegurar a cooperação pacífica entre os homens, deve haver a ameaça da força, caso contrário toda a estrutura da sociedade fica à mercê de qualquer um de seus membros. Deve-se estar na posição de compelir uma pessoa que não respeite as vidas, saúde, liberdade pessoal ou propriedade privada dos outros a se sujeitar às regras da vida em sociedade.
http://www.mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=36
Portanto, parece que você se encontra um tanto quanto defasado em seus estudos sobre o assunto em questão.
Felipe
Nós concordamos sobre os direitos naturais, e sobre a não iniciação de agressão, mas como isso se tornaria regra em um anarco-capitalismo?
Isso seria regra no anarco-capitalismo por definição. Se não, não seria um anarco-capitalismo.. É preciso ter em mente que anacap não é apenas o fim do estado, e sim o respeito ao livre mercado. Acontece que o foco principal do ataque é o maior inimigo do livre mercado que existe hoje, o estado.
Se não há uma entidade que diz: “Vejam, as regras são essas”, o que faria com que agentes fiscalizadores privados às seguissem?
Existiria essa entidade num anacap. Diversas delas.
O que os impediria de seguirem outros princípios, que talvez fossem contra os direitos individuais?
Como disse, se estivessem seguindo princípios que vão contra os direitos individuias, não estaríamos num anarcocapitalismo. Mas, assim como hoje, nada impede as agressões aos direitos individuais, a não ser que uma maioria rejeite este tipo de agressão.
Como as pessoas saberiam que direitos têm?
Direitos exstem independente de as pessoas saberem ou de serem respeitados, cabendo a razão humana descobrí-los. Um sistema judicial privado e competitivo de livre mercado seria capaz de descobrir e uma sociedade bem educada em relação a eles seria capaz de impô-los.
Nos comentários do texto do discurso de Helio Beltrão, quando recebeu o Premio Libertas, onde eu deveria congratulá-lo pelo premio, acabei apresentando minhas discordâncias em momento errado.\r
Peço aqui minhas desculpas.\r
Acho que em relação ao presente artigo de HHH, apesar de muito bem escrito e com excelentes argumentos, continuo sendo contra uma sociedade anarco-capitalista, tendo em vista as condições de relação internacional que se apresentam agora e que serão por muito tempo.\r
Imagina se um país como os Estados Unidos, unilateralmente, acabasse com seu Estado, não havendo mais a manutenção de forças armadas regulares. Todo o território, que um dia foi os Estados Unidos, poderá ser invadido a qualquer momento e, os cidadãos americanos não teriam como se defender com eficácia. Milícias privadas, como idealizou Rothbard, não teriam como enfrentar FAs estrangeiras muito maiores e equipadas; acho que nem tentariam. Haveria uma debandada! Os americanos estariam a mercê de um invasor estrangeiro, que disporia de suas propriedades como bem lhes aprovesse. Em resumo: concordo com o que Hans-Hermann disse sobre o Estado, mas abolí-lo causaria um mal maior.\r
Então minha base de argumento é essa: sem um Estado Nacional para manter forças armadas regulares, haveria sempre o risco real de um ataque estrangeiro, com poucas chances de defesa. Seria o fim da sociedade anarco-capistalista e a submissão a um Estado estrangeiro. Se antes com um Estado Nacional era ruim, agora com Estado estrangerio invasor…\r
Feito essa consideração, acredito sim, em um Estado Minarquico, federalista, e enxuto, prestando serviços básicos como FAs, polícia e justiça, e com isso, a carga de tributos seja inferior a 15% do PIB. Condição boa para a sociedade gerar riqueza e mantê-la consigo, sem que tudo vá parar na mãos de políticos/burocratas. \r
Caro Fernando.
estranho raciocínio. Mises morreu em 1973, e tinha se retirado em 1969 por razões de saúde.Rothbard viveu até 1993, e Hoppe até hoje. Por não ter vivido até hoje, Mises falhou porque então não teve acesso aos insights dos dois, que desta forma escaparam das suas críticas. Sorte que não teve Hayek por ocasião da fundação da Sociedade Mont Pelerin, por sua dubiedade. Margit diz que ele ficava zangado e deixada até de falar com as pessoas, e só a muito custo retrocedia, como fez com Machlup.
Corrija-me se entendi errado.Mesmo que Mises tenha dado o diagnóstico completo,que se pode ter se considerarmos apenas um livro, Ação Humana, mesmo assim errou por não ter conhecido a opinião dos dois?
Anarquismo, como socialismo e capitalismo são inconfundiveis, estejam ou não com outros nomes.
Com relação ao conceito de estado,dentro dos “Austríacos”, é Carl Menger que primeiro joga luz na questão (Princípios de Economia Política, cap.II,§.3-A origem da Economia humana e os bens econômicos)Partindo da constatação do fato que a demanda é sempre superior a oferta, no geral,se chega a conclusão que é impossível a satisfação de todos. Uns ficarão satisfeito, outros nem tanto. Com isso surge a necessidade de uma providência que assegure a proteção legal dos que já tem a posse, contra o ataque daqueles que não tem. Esta é, segundo Carl Menger, a origem economica da ordem juridica que tem como função a proteção da propriedade. Ou em outras palavras, sem o estado a propriedade fica sem garantia e seu eventual dono não terá certeza quanto a colher os frutos de seus trabalho, e qualquer hum pode lançar mão dela sem impedimento. A ética não tem força o suficiente para frustrar o ataque do mais forte.
Mises parte daí e a põe em pratos limpos. O estado é o aparelho da compulsão e da violencia cuja função é fazer as pessoas agirem de uma maneira que de outra não agiriam. É extremamente importante porque sem ele não se garantirá a cooperação pacífica e tudo tornará para o caos.A função fundamental e única do estado é a proteção da propriedade e a garantia do livre funcionamento do mercado. Esta possibilidade se tornava real sob a inspiração do liberalismo no secs. 16-19, mesmo que de forma incomple e restrita a poucos países. Mas teve vida curta, sendo suplantado pelo estatismo que se apresentam sob duas formas, o socialismo e o intervencionismo.
Como disse bem claro Mises, ficar preso à ideia de que o estado é a origem de todo o mal moderno e desconhecer esta trama histórica,passando ao largo sobre como foi evoluindo em sua forma, desconhectando-o desta “evolução” histórica, não só retirar o sentido original do estado mas se semeia confusão onde deveria ter clareza. Pois como um meio que o homem conta para atingir o seus objetivos, que de um certo modo,e devido a questões exclusivamente ideológica, vai lentamente perdendo a sua função orginal, se convertendo no elemento destruidor, não é por isso que devfe descartá-lo. Um diagnóstico equivocado deste tema levará inevitávelmente a uma terapeutica equivocada que terminará agravando ainda mais o mal, ao se receitar, por exemplo, a eliminação do estado, e não o seu resgate, o resgate para a sua função original. A palavra de ordem que alguns proclamam em diminuir o tamanho do estado, tanbém merece esclarecimento. Da maneira como é posta trás igualmente confusão. Estado não tem tamanho. No máximo a sua eficácia e soberania esta restrito ao espaço geográfico. Limita-lo à lei também não esclarece muita coisa. O que esclarece é dizer que a função do estado é limitada a segurança dos seus indivíduos e a garantia do livre funcionamento do mercado, sendo vedade qualquer atividade economica por não ser a sua natureza, da mesma maneira que o estado é separado da igreja. Só então deste ponto é que a lei pode tomar forma, Antes é colocar o boi atrás da carroça. Mises deixa claro isto por toda sua obra. Não foi em nenhum livro especial. Foram em todos.
2- Uma outra falha que Rothbard trás para esta discussão está em “Anatomia do estado”. Baseia-se em que ele se apoia em Franz Oppenheimer. Embora em linhas muito gerais, Mises abordou esta questão também. Ela está muito rapidamente em “Nation, State and Economy” pg.68 e seg., Ele faz notar que as condições que as pessoas vivem sobre a face da terra são diferentes. Se fôssem iguais não haveria incentivos para as pessoas mudarem de lugar. Assim foi antes e ainda é hoje. Por ser as condições da vida desiguais e as pessoas perseguirem as suas melhoras, elas são forçadas a se mudarem de onde acham que está insatifatório, para outro lugar onde acham que a situação é menos insatisfatória. A história do mundo é a história das migrações, e de nações inteiras. E elas se deram de dois modos: na forma pacífica e na forma militar. E ambas predomiram. Mas o pouco obsrvador costuma ver mais as que ocorreram por via militar. Em consequencia deste fato sugiu duas classes de diferntes nacionalidade em um único território que se confrontavam em tudo. Com o tempos as nacionalidade se misturaram. A hist´ria destes ultimos 10mil anos está repleto deste exemplo. Só com advento do capitalismo e seguindo a sua ideologia, o liberalismo, os diferentes povos foram tendo consciencia das vantagens da cooperação pacífica e parecia que estes tempo ficariam pro passado. Outras ideias anularam este ansêio e sob novas condições, o homem voltau a viver em condições de conflito similar aos velhos tempos. Oppenheimer negligencia este fator e induz a erros seus seguidores.
Realmente Van, é impossível eu proteger minha propriedade sem antes atacar a dos outros (sic). E precisamos de um ente magnânimo, com uma ética superior a dos homens(sic) para forçar os homens a respeitar as propriedades alheias.. Resta saber que seres que formaram esta entidade e de onde virá a força dela.
E o que tem de estranho meu raciocínio? Mostre onde Mises teceu considerações sobre o realmente livre mercado considerado por estes autores. O trecho que destquei de Hoppe, que por sua vez cita o Ação Humana, mostra que o tipo de anarquismo rejeitado por Mises era bem diferente.
Van,
Eu acho que você está confundindo a definição de anarquia. Anarquia na definição de Hoppe é o fim do monopólio da justiça.
Anarquia não é o fim da justiça como provavelmente definiu Mises.
Putz!!! O HHH é muito chato! Em suas análises não há nada que fale de situações concretas – nada de real! Apenas “análises lógicas rigorosas”. Todos os exemplos deles são algo do tipo “imaginem A e B…”. \r
\r
Está certo, avaliar a viabilidade teórica de uma idéia é importantíssimo. Mas ficar só nisso para “nos divertir um pouco à custa de nossos oponentes estatistas” é um absurdo. Digo isso ciente de que ele já escreveu textos sobre problemas concretos, como o da saúde pública. Mas também nesse caso ele fica só na teoria. Por exemplo: para resolver o problema da saúde, ele indica a medida de liberar qualquer controle sobre os medicamentos. Ok. Menos regulação, mais concorrência, melhor qualidade, menores preços. Perfeito. Mas enquanto o processo de mercado se desenvolve selecionando produtores, certificadores e tal, quantas pessoas irão morrer por produtos de picaretas que quase sempre ficam impunes(bem, isso pode não ocorrer nos EUA, mas no Brasil com certeza). Não há uma dificuldade real enorme aqui? Dizer que cabe a cada um cuidar de sua saúde é verdadeiro, mas tem de ser “insensível” para não reconhecer o drama social causado. Ou seja, sair do socialismo, que é a cada dia mais nossa situação real, é muito mais complicado do que o tudo ou nada e seja o que deus quiser.\r
\r
Além disso, mesmo no campo do rigor lógico, HHH não vai tão bem:\r
\r
“Com efeito, há uma prova conclusiva de que o estado não pode e nem é capaz de economizar: pois para produzir algo, o estado deve recorrer à tributação (ou à legislação), o que demonstra irrefutavelmente que seus súditos não querem aquilo que o estado produz, e que preferem alguma outra coisa que lhes pareça mais importante. Ao invés de economizar, o estado pode apenas redistribuir: ele pode produzir mais daquilo que ele próprio quer e menos daquilo que as pessoas querem; e, só pra relembrar, o que quer que o estado venha a produzir, será produzido ineficientemente.”\r
\r
Não há aí demonstração irrefutável alguma de que os súditos não querem aquilo que o estado quer, pois os súditos podem querer que algo seja prestado pelo estado, que é o que este quer – seja por pequenez espiritual, seja por doutrinação pelos intelectuais, seja por verem nisso um fator de maior segurança. \r
\r
Estou me apegando a uma nuance, poder-se-ia dizer. Mas é justamente este o modo de argumentar lógico do HHH, como se verifica no seu apego pelo “apenas” no texto. \r
\r
Bem, é só minha opinião. No mais, acho a economia austríaca insuperável, o Seminário estava maravilhoso, e nos seus campos Mises e Hayek são imbatíveis – especialmente frente aos anarquistas posteriores. \r
Caro Fernando e também Breno
O que coloquei e está neste comentário desde de o primeiro post, não é minha opinião pessoal sobre o tema. São parte do texto do Mises que transcrevi para que vocês pudessem prestar a atenção e consultar, para comparar com o do autor em tela.Dei o nome dos livros e páginas, facilitando o trabalho. Vocês deveriam ir lá e conferir. Se vocês não concordarem, é só dizer que Mises está erradoe não eu, pois não sou dona das ideias aqui expostas, e sim Mises. Minha intervenção foi só para lembrar que, remetendo ao texto das obras de Mises,e de acordo com que entendi, que assim o pensamento de Rothbard e seus seguidores parecem estar em desacordo com o exposto por Mises. Claro, cada um fará sua interpretação, porém Mises deixou sem nenhuma dúvida, entre outras coisas, bem claro a sua diferença cquanto ao anarquismo. ´Leia com atenção.
“The anarchist, rightly enough, does not deny
that every form of human cooperation in a society based on the
division of labor demands the observance of some rules of
conduct that are not always agreeable to the individual, since
they impose on him a sacrifice, only temporary, it is true, but,
for all that, at least for the moment, painful. But the anarchist
is mistaken in assuming that everyone, without exception, will
be willing to observe these rules voluntarily. There are dyspeptics
who, though they know very well that indulgence in a certain
food will, after a short time, cause them severe, even scarcely
bearable pains, are nevertheless unable to forgo the enjoyment
of the delectable dish. Now the interrelationships of life in
society are not as easy to trace as the physiological effects of
a food, nor do the consequences follow so quickly and, above
all, so palpably for the evildoer. Can it, then, be assumed,
without falling completely into absurdity, that, in spite of all
this, every individual in an anarchist society will have greater
foresight and will power than a gluttonous dyspeptic? In an
anarchist society is the possibility entirely to be excluded that
someone may negligently throw away a lighted match and
start a fire or, in a fit of anger, jealousy, or revenge, inflict
injury on his fellow man? Anarchism misunderstands the realnature of man. It would be practicable only in a world of angels
and saints.
Liberalism is not anarchism, nor has it anything whatsoever
to do with anarchism. The liberal understands quite clearly
that without resort to compulsion, the existence of society would
be endangered and that behind the rules of conduct whose
observance is necessary to assure peaceful human cooperation
must stand the threat of force if the whole edifice of society
is not to be continually at the mercy of any one of its members.
One must be in a position to compel the person who will not
respect the lives, health, personal freedom, or private property
of others to acquiesce in the rules of life in society. This is
the function that the liberal doctrine assigns to the state: the
protection of property, liberty, and peace.(Ludwig von Mises.Liberalism:A Soci economic Exposition.Cap1.§7.pg.36-37)
Há outros livros em que ele também volta ao tema. Veja o que ele diz no Ação Humana que se pode encontrar no Ordemlivre.org. Na edição traduzida para o portugês por Donal Stewart, na pg.208. Não estás satisfeito? Então consulte as outras obras que já assinalei nos postes anteriores.
Repito. Não é a minha opinião que estou convicando vocês a discutir. Mas os textos de Mises que devem ser confrontados com os dos outros, entre eles Rothbard e HHH. Lembrando que poderemos considerar Mises como fonte primária e não o contrário.
R
Leandro F,
Tem outros textos do HHH no mises.org (sem br) onde ele detalha bem melhor a questão do anarco-capitalismo. Que alias não é bixo de 7 cabeças, mas um modelo de governo Confederado que existiu na Europa se não me engano de 1.200 até 1.800. Hoje a Bélgica e a Suiçã, já tem um sistema descentralizado ainda falta eliminar os impostos e quebrar o monopólio da justiça, mas a descentralização do poder já coloca no caminho para a anarco-capitalismo.
“Não há aí demonstração irrefutável alguma de que os súditos não querem aquilo que o estado quer, pois os súditos podem querer que algo seja prestado pelo estado, que é o que este quer – seja por pequenez espiritual, seja por doutrinação pelos intelectuais, seja por verem nisso um fator de maior segurança. “
Falta então você explicar porque o estado precisa tributar? Se os súditos querem realmente os serviços, então porque o estado não vende esses serviços? Afinal os doutrinados não veriam problema em comprar de forma voluntária.
Breno
Pouco importa qual seja a definição de anarquia de HHH. O certo é que está em desacordo com o de Mises. Procure ler o Mises nas páginas e obras que indiquei. Se você procura uma discussão acadêmica, terá que ler nas fontes.
É isso aó Van, Mises errou. E vc erra ao se basear em erros de um autor, já devidamente e extensamente refutados.
Leandro F falou: “…Não há aí demonstração irrefutável alguma de que os súditos não querem aquilo que o estado quer…”
Ora, qualquer livro de lógica básica prova o Teorema Contra-recíproco, que diz que “se A então B” é equivalente a “se não-B então não-A”. Por exemplo, se é verdade que “se É MEL então É DOCE” então é uma verdade irrefutável que “se NÃO É DOCE então NÃO É MEL”. O que você pode questionar é a validade da primeira afirmação “se É MEL então É DOCE” por um motivo qualquer (talvez porque você pense conhecer um mel que não é doce), mas isso são outros quinhentos…
Supondo que o HHH esteja partindo da verdade “se ALGUÉM QUER ALGUMA COISA então NÃO É PRECISO OBRIGAR ALGUÉM A TAL COISA” então é irrefutável a inferência de que “se É PRECISO OBRIGAR ALGUÉM A ALGUMA COISA então ESSE ALGUÉM NÃO QUER TAL COISA”.
Não é à toa que não ensinam lógica básica nas escolas. Imaginem um aluno de 7ª série provando irrefutavelmente em sala de aula que os súditos não querem aquilo que o estado quer…
E quanto ao que o Marcelo Boz falou? O que vocês acham? Para mim o pensamento dele faz muito sentido.
A teoria de Hoppe é apenas uma constatação normativa da incapacidade de defesa argumentativa do estado. Mais nada.
Vários comentadres confundem a impossibilidade normativa de defesa do estado com a (im)possibilidade prática de sua (in)existência. No mundo concreto existem considerações ideológicas, culturais e econômicas que guiam as ações para algo mais próximo ou mais longe de uma situação sem estado. Por isso o trabalho de consequencialistas como D. Friedman ou P. Leeson também tem valor – ao não se preocuparem com justificativas éticas da anarquia eles examinam sua possibilidade prática, que é o objeto de preocupação de vários por aqui. E, para constar, esses e outros autores mostram como uma organização sem monopólios sobre o judiciário, legislativo e executivo podem ser estáveis, independente de teorias éticas.
Portanto aqueles que atacam a teoria de Hoppe como sendo irrelevante para a compreensão da realidade estão equivocados. Querem algo dela que ela não se propõe a dar.
Caro mcmoraes,\r
\r
Sua inferência foi muito boa, mas o termo “coisa” na sua premissa tem significados diferentes dentro daquele contexto do HHH, isto é, sua proposição simplesmente não é a do HHH que critiquei. O que o súdito poderia querer é o produto do estado(coisa’), sendo obrigado a pagar uma quantia – tributo – (coisa”) por isso. Então ficaria assim a premissa do HHH: “Se o súdito quer certo produto do estado então não é preciso obrigar esse súdito a entregar dinheiro ao estado” ou “Se é preciso obrigar o súdito a entregar dinheiro ao estado então o súdito não quer certo produto do estado”. Parece-me, a ausência de necessidade aí é manifesta. \r
\r
De fato, o súdito pode querer o serviço do estado, mas pode não querer pagá-lo por meio de tributo – o súdito poderia preferir pagar o preço específico do serviço ao invés de um tributo genérico, como disse o Breno; pode o súdito, ainda, querer que o produto seja pago por outros – como diria Bastiat, o estado é a grande ilusão por meio da qual todos querem viver a custa de todos (mais ou menos assim, eu acho) – , etc.\r
A propósito, que aquele serviço com preço específico possa ser prestado por particular e de forma potencialmente mais eficiente é algo com o que não tenho como discordar, mas aí são outros quinhentos…\r
\r
Lembrando, Breno, que em nenhum momento tratei da possibilidade ou impossibilidade lógica do anarquismo ou de sua inferioridade, mas que nossos problemas reais me parecem muito mais importantes e difíceis de resolver – e por isso mesmo sob minha perspectiva mais dignos de atenção intelectual – do que as construções lógicas do HHH. \r
\r
Além disso, o federalismo é sem dúvida o ideal político liberal/libertário fundamental para qualquer iniciativa política concreta. \r
\r
Valeu,
A minha opinião é que estes debates sobre anarquismo são muito divisivos entre a gente, e contém pouca fundamentação histórica. Bom, ao menos Hoppe admite que estados existam, já é um começo… 😀
Vamos, ao contrário de Hoppe, partir de um exemplo histórico, e por favor me apontem como se resolveria de acordo com o conhecimento de vocês.
Há uma tribo de fazendeiros, que respeita um código de não-agressão, com base religiosa. E uma outra tribo de bandidos sem nenhuma religião e vivendo sob um ‘código de ladrões’. Esta tribo ganha a vida roubando esporadicamente os fazendeiros vizinhos.
A administração de justiça em cada uma destas comunidades isoladamente não é problema. Cada um com suas regras, com seus chefes locais respeitados como árbitros.
Mas, analisadas como um grupo, vemos que, ao contrário da situação de Hobbes, que é o que Hoppe atacou, jamais chegaremos a um acordo sobre ‘regras mutuamente consentidas’. Os fazendeiros jamais vão se submeter ao código de ladrões nem os bandidos ao código religioso. Podem até chegar eventualmente a um consenso, mas não antes de um longo e caro conflito.
O roubo e a destruição, pela natureza do ato violento, causa muito mais perdas para as vítimas do que o ganhos para os ladrões. Como se o ladrão matasse 2 vacas para conseguir roubar uma.
Logo, existe um incentivo econômico em resgatar parte desta riqueza destruída no ato de força. E isso pode ser analisado por ambas as partes.
Não vejo nenhuma solução possível para este conflito que não envolva:
– as vítimas se organizam e escravizam, clientelizam, ou – mais provável, já que o custo em ‘domar’ os bandidos deve ser alto – exterminam a tribo de ladrões. Outra solução historicamente usada era pagar um resgate para estes ladrões irem predar em outro lugar. No território de inimigos comuns, por exemplo. Mas confiar em bandidos não é fácil.
– os ladrões, agindo como um pastor de ovelhas, decidem instalar uma ordem política sobre as vítimas que garanta fluxo constante e ordenado de recursos com menos destruição. Aí conseguem tomar 2 vacas e o fazendeiro ainda fica com uma viva. Esta é a hipótese de formação de estado por coação.
Se os ladrões forem generosos, os fazendeiros no final podem até se resignar com esta situação. Especialmente se forem predados também por outras tribos e os ladrões assumirem o natural papel de protetores de rebanho.
– Um terceiro grupo se instala na região e clienteliza tanto os fazendeiros quanto os ladrões, impondo sua lei. Pense ‘império romano’. Este terceiro grupo vai acabar com as agressões, resgatar esta perda, cobrar impostos dos dois, usar os ladrões como soldados, por exemplo. Ou, poderia ser uma fé comum, que agora é respeitada como árbitro pelas duas tribos.
Nestes exemplos vemos também como é possível resolver o paradoxo do ‘estado gerando riqueza’. Não é que o estado tenha gerado riqueza. Mas o estado pode ter evitado uma perda maior causada no ato violento.
Um abraço
Juliano Camargo,
Não divide. Você pode ser um anarco-capitalista cético ou pessimista basta reconhecer que a anarquia é pelo ponto de vista moral superior a um estado.
Os fazendeiros honestos tem o direito de defender sua propriedade e matar qualquer ladrão de vaca que a invada.
A solução para o seu problema é simples, os fazendeiros usando a mente e o trabalho impedem que os ladrões levem as vacas mesmo que para isso seja necessário matar os ladrões.
A primeira delegacia de polícia do Brasil foi criada em 1831 (além de uma guarda em MG de 1775) anterior a esse período a propriedade era defendida no princípio da legítima defesa.
Se você olhar a história dos os homens livres vivendo no Brasil de 1.500 até a chega da família real, vai encontrar uma sociedade com características de um anarco-capitalismo.
Van,
Eu insisto Mises define anarquia de modo diferente que o HHH.
Mises se refere aos anarquistas utópicos aqueles que acreditavam que uma sociedade poderia existir sem o uso da força para fazer valer as leis.
Observe que o texto de Mises que você postou é de 1927 período onde nem se quer existia a teoria do anarco-capitalismo. A crítica de Mises é provavelmente a Bakunin e outros anarquistas utópicos. Ação humana é de 1949 perceba que o anarco-capitalismo como teoria só passou a ser relevante depois de 1970.
HHH é bem claro em definir que o estado é o monopólio da lei e da força. Ele não fala de ausência de lei ou fim do uso da força.
Mises disse:
Haverá sempre, naturalmente, indivíduos ou grupos de indivíduos de inteligência tão
curta, que não conseguem perceber os benefícios que a cooperação social lhes proporciona.
Há outros cuja solidez moral e força de vontade são tão fracas, que não conseguem resistir à tentação de obter uma vantagem efêmera através de ações prejudiciais ao funcionamento natural do sistema social. Isto porque o ajustamento dos indivíduos às exigências da cooperação social requer sacrifícios. Em verdade são sacrifícios apenas temporários e aparentes, uma vez que são mais do que compensados pelas vantagens incomparavelmente maiores que a vida em sociedade proporciona. Mas, no instante mesmo em que renunciamos a uma satisfação desejada, sentimos um certo desconforto, e não é qualquer pessoa que percebe benefícios posteriores e se comporta em função disso. O anarquismo sustenta que a educação poderia fazer com que todos compreendessem qual seria o comportamento mais condizente com os seus interesses; devidamente instruídos, todos se conformariam com as regras de
conduta indispensáveis à preservação da sociedade. Os anarquistas afirmam que uma ordem social na qual ninguém tivesse privilégios às custas de seus concidadãos poderia existir sem necessidade de qualquer compulsão ou coerção para impedir ações prejudiciais à sociedade Uma tal sociedade ideal poderia prescindir do Estado e do governo, isto é, poderia prescindir do poder de polícia que é o aparato social de coerção e compulsão.
Os anarquistas deixam de perceber o fato inegável de que algumas pessoas são ou
muito limitadas intelectualmente ou muito fracas para se ajustar espontaneamente às
condições da vida social. Mesmo se admitirmos que todos os adultos sadios sejam dotados da faculdade de compreender as vantagens da cooperação social e de agir conseqüentemente, ainda assim restaria o problema das crianças, dos velhos e dos loucos. Podemos concordar com a afirmação de que pessoas que agem de maneira anti-social devem ser consideradas como doentes mentais e receber cuidados médicos. Mas, enquanto não forem curados e, enquanto existirem crianças e velhos, algo precisa ser feito para que não se coloque em risco a sociedade. Uma sociedade anarquista estaria à mercê de qualquer indivíduo. A sociedade não pode existir sem que a maioria das pessoas esteja disposta a impedir, pela ameaça ou pela
ação violenta, que minorias venham a destruir a ordem social. Este poder é atribuído ao Estado ou ao governo.
O Estado ou o governo é o aparato social de compulsão e coerção. Tem o monopólio
da ação violenta. Nenhum indivíduo tem o direito de usar violência ou ameaça de violência se o governo não o investir neste direito. O Estado é essencialmente uma instituição para a preservação de relações pacíficas entre os homens. Não obstante, para preservar a paz, deve estar preparado para reprimir as tentativas de violação da paz.
A doutrina social liberal, baseada nos ensinamentos da ética utilitarista e da
economia, vê o problema da relação entre governo e governados de um ângulo diferente
daquele do universalismo e do coletivismo. O liberalismo entende que os governantes, que
são sempre uma minoria, não podem permanecer indefinidamente no poder sem o apoio
consentido da maioria dos governados. Qualquer que seja o sistema de governo, a base sobre
a qual é construído e que o sustenta é sempre o entendimento dos governados de que obedecer
e ser leal a este governo serve melhor os seus próprios interesses do que a insurreição e o
estabelecimento de um novo regime. A maioria tem o poder de rejeitar um governo impopular
e usa este poder quando se convence de que o seu bem-estar assim o exige. A longo prazo,
não pode haver governo impopular. A guerra civil e a revolução são os meios pelos quais as
maiorias descontentes derrubam governantes e métodos de governo que não lhes convêm.
Para preservar a paz social, o liberalismo é favorável ao governo democrático. A democracia,portanto, não é uma instituição revolucionária. Ao contrário, é precisamente o modo de evitar revoluções e guerras civis, porque possibilita o ajustamento pacífico do governo à vontade da maioria. Quando os homens no poder, e suas políticas, desagradam à maioria, na primeira eleição são substituídos por outros que defendem outras políticas.
O conceito de governo majoritário ou governo pelo povo como recomenda o
liberalismo não visa à supremacia do medíocre, do inculto ou dos bárbaros. Os liberais também acham que uma nação deve ser governada pelos mais aptos a esta tarefa. Mas
acreditam que a aptidão para governar é melhor demonstrada pela capacidade de convencer os
seus cidadãos do que pelo uso da força. Nada garante, evidentemente, que os eleitores
confiarão o poder ao candidato mais competente. Mas nenhum outro sistema poderia oferecer
tal garantia. Se a maioria da nação está dominada por princípios falsos e prefere candidatos
indignos, não há outro remédio a não ser tentar mudar suas idéias, explicando princípios mais
consistentes e recomendando homens melhores. Nenhuma minoria conseguirá êxitos
duradouros ao recorrer a outros métodos.
Ludwig von Mises-Ação Humana pg.207/210
Breno, claro que concordo que esta seria a melhor solução, e a que preservaria ao máximo a liberdade dos fazendeiros, mas esta é apenas uma das possibilidades.
Mas o que mais existe na história justamente são fazendeiros honestos sendo derrotados por tribos nômades bem mais fortes que eles. O que aconteceria se os bandidos fossem mais fortes?
Existem exemplos na história de povos que amaram tão fortemente a liberdade que preferiram uma luta até a morte do que se sujeitar. Estes, infelizmente, nunca ficam para contar estória.
E você vai encontrar muitos outros exemplos na história ou até mesmo na Bíblia em que eles vão implorar para algum soberano local aceitá-los como súditos e protegê-los contra os ladrões. Vão agir dentro de suas possibilidades.
No final, a ação deste soberano, que torna fazendeiros e bandidos menos livres, poderia até possibilitar a coexistência pacífica entre eles e uma transição da relação predatória para uma cooperação mútua. Vai drenar tributos, por um lado, mas por outro lado vai evitar destruição e possibilitar outros modos de cooperação. Aí é uma questão de analisar o que sai mais em conta.
A indústria de segurança trabalha dentro desses mesmos princípios. Você precisa gastar para proteger sua propriedade, com armas, treinamento, vigias, cercas, câmeras e sistemas…
Breno
Pouco importa o nome, anarquismo é sempre anarquismo. O anarquismo é uma corrente político filosófica cujo traço característico é opor-se a qualquer tipo de governo por ser desnecessário e até pernicioso. Acreditam que possa haver ordem sem governo apoiada apenas na moralidade dos homens. O anarquismo moderno nasce com William Godwin na segunda metade do século 18. Desde lá não parou de se ramificar havendo várias vertentes com diferença de métodos, ações, objetivos, análises etc. Isso deve-se basicamente ao capitalismo, ou melhor, a sua ideologia, o liberalismo, pois à medida que ai conquistando seu espaço e a sociedade refletia experimentando elevados níveis de bem estar, os principios basicos do anarquismo foi igualmente se modificando. HHH reflete a mudança de conceito por obra do avanço da moderna ciencia econômica fundada a partir de Carl Menger. As outras anteriores refletiam as falhas da velha economia classica.
Van,
“O anarquismo sustenta que a educação poderia fazer com que todos compreendessem qual seria o comportamento mais condizente com os seus interesses;devidamente instruídos, todos se conformariam com as regras de conduta indispensáveis à preservação da sociedade.”
Clara referência ao anarquismo utópico dos comunistas, nenhum anarco-capitalista pensa assim. Nada haver com o que disse HHH, alias HHH não definiu o estado no começo por acaso.
“Os anarquistas afirmam que uma ordem social na qual ninguém tivesse privilégios às custas de seus concidadãos poderia existir sem necessidade de qualquer compulsão ou coerção para impedir ações prejudiciais à sociedade Uma tal sociedade ideal poderia prescindir do Estado e do governo, isto é, poderia prescindir do poder de polícia que é o aparato social de coerção e compulsão.”
No anarco-capitalismo de HHH, existe leis, polícia, tribunais, juízes, hierarquia, coerção, compulsão e até governo.
Existe uma diferença entre o anarquismo comunista utópico e o anarco-capitalismo.
Van você está claramente fazendo essa confusão e argumentando sem entender o que HHH quer dizer.
Juliano Camargo,
Ótimo, então você é anarco-capitalista bem vindo ao fronte. Agora basta que você compreenda que o anarco-capitalismo na prática é superior a social democracia e passe então a trabalhar em uma estratégia para revolucionar a sociedade.
Caso você encontre um grupo mais forte, você se rende ao grupo e depois tenta mudar a ideologia desse grupo. O domínio não é estabelecido pela força mas através de idéias.
No anarco-capitalismo como em qualquer sistema social você vai precisar trabalhar para ter acesso a justiça, polícia e segurança nacional.
O que existe de diferente no anarco-capitalismo é que a policia, justiça e a segurança nacional são vistas como um serviço como outro qualquer. Não um direito fundamental de uma sociedade civilizada e que por isso precisa ser financiado através do roubo e monopolizado por uma instituição.
Afinal os capitalista sabem que roubo e monopólio são prejudiciais.
Do mesmo modo que permitir um livre mercado de saúde e educação é benéfico, permitir um livre mercado de polícia, justiça e segurança nacional também será benéfico.
Marcelo Boz,
“Imagina se um país como os Estados Unidos, unilateralmente, acabasse com seu Estado, não havendo mais a manutenção de forças armadas regulares.”
o problema é assumir que sem o estado não haveria demanda por serviços de defesa.
o estado não é uma entidade magica que consegue criar esse serviço chamado forças armadas, ao qual nenhuma outra empresa teria interesse em oferecer. o que acontece é o contrário. o estado é a entidade que impede a concorrencia neste e em vários outros setores, impossibilitando os empresários (que respeitam a lei) de participar deste mercado.
Milícias privadas, como idealizou Rothbard, não teriam como enfrentar FAs estrangeiras muito maiores e equipadas;
e dizer que o exercito do governo é mais eficiente que um possivel mercado de exercitos particulares, pagos diretamente pelos clientes ou por seguradoras só demonstra falta de conhecimento da teoria economica.
como todo o resto de seu argumento parte destas premissas erradas, acredito que não seja necessário comentar o resto.
[]’s
Van,
William Godwin era considerado por Murray Rothbard o pai da anarquismo comunista utópico.
O trabalho de Murray Rothbard ou HHH não é uma utopia de uma sociedade estabelecida com contratos que não são compridos com o uso de força ou sem polícia.
Ele simplesmente leva o conceito de livre mercado para a segurança e justiça quebrando o monopólio da virtude, afinal o Gilmar Mendes ou qualquer outro ministro do supremo não é santo para ter o direito de dar a palavra final em tudo.
E isso deveria ser óbvio para qualquer pessoa.
Breno e Fernando
Realmente eu estou errado. Fui atraido a este site pelo nome que ostenta:Ludwig von Mises. Pois para mim o seu nome está indissoluvelmente ligado ao Liberalismo do qual ele é a maior autoridade. Mas, repito, eu me enganei pois pensei que pelo nome seria aqui que teria uma amplo exposição deste tema e com quem discutir dirimindo minhas dúvidas, e não do anarquismo do qual ele sempre repudiou tanto quanto ao socialismo. Mas disso tudo me nasceu uma pergunta: porque o nome Luduwig von Mises, um liberal, em lugar em que se trata do anarquismo?
Pelo que sei, e foi reforçado por Bettina Bien Graeves na introdução do livro Liberalismo, Mises nunca deixou de ser um Liberal e, apesar do nome ter sido apropriado pelos socialistas,ele recomendava que os defensores da liberdade não deveriam se deixar por vencido e resgatar este nome das mãos de seus inimigos. Pois, dizia ele,”…there is simply no other term available to signify the great political and intellectual movement” that ushered in modern civilization by fostering the free market economy, limited government and individual freedom.”
Mas como Fernando sentenciou “Mises errou”, este de ter outro erro de Mises.
Prezado Van, sua discordância é plenamente compreensível. Embora os membros desse site sejam iminentemente anarcocapitalistas, vale lembrar que também temos artigos defendendo o liberalismo clássico à la Mises. Eis aqui dois exemplos proeminentes:
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=34
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=667
Por fim, o objetivo do IMB não é o de divulgar exclusivamente as ideias de Mises, sendo que o Mises Institute americano também segue esse mesma linha nossa. Veja a seção ‘Sobre Nós’ para maiores esclarecimentos.
Cordial abraço,
Leandro
O nome do site ostenta Ludwig von Mises, mas o brasão também carrega a efígie de Rothbard.
É Van, não somos fanáticos religiosos e o Ação Humana não é nossa bíblia. Tudo que está escrito lá não são verdades absolustas, que não podem ser contestadas. Podem, devem e são.
Outra falha de Mises que foi devidamente reparada por seu maior discípulo foi sua abordagem em relação ao monopólio e preços monopolísticos, presente no Ação Humana e reparada por Rothbard em Man, Economy and State.
Rothbard, por sua vez, já teve sua equivocada abordagem em relação copyrights devidamente desenvolvida por Kinsella, em Against IP, que é inclusive mencionado na introdução da schoolar edition do mesmo.
Estes são exemplos que mostram o que é uma Escola de Pensamento. É algo vivo, em constante evolução, e não palavras mortas, incontestáveis.
O seu comportamento aqui foi um exemplo perfeito de fanatismo religioso avesso ao crivo da razão. Você postou trechos de Mises, eu rebati mostrando o ponto que eles eram falhos. Qual foi sua reação? Mostrar novamente o mesmo trecho, não fazer nenhuma menção ao argumento usado para refutar o ponto e repetir: “Ele disse isso”
Fernando
Não sei porque você razão da defensa “não Somos fanáticos religiosos e a ação Humana não é nossa Biblia”. Eu não falei qualquer coisa que tenha chega perto desta expressão.A Meu intuito era apenas fazer uma comparação entre dois pontos de vista que me parece contraditório deste autor em tela e seus mentores, com as obras de Mises e não só a Ação Humana. Agindo desta maneira você se revela um tanto intolerante; usa um velho argumento, de modo sutil, que os marxistas gostam de empregar. Desviam-se da discussão teórica e o exame lógico desclaasificando seu oponente. No caso foi sutil você ao dizer que não é fanático querendo dizer de forma obliqua que eu sou.
O ponto em que me refiro na questão do artigo em tela, que por sua vez reflete uma série de equivocos ainda não esclarecidos, pode ser remetido ao proprio título: Anarcocapitalismo.
Ele é uma contradição em termos. Quem já se dispôs a refletir sobre isto? O anarquismo por ser contra o governo etc e tal, desde sua origem sempre se portou contrário ao capitalismo e seu corolário político. Quem se lembra de Proudhon que diz que a propriedade é um roubo? O Anarcocapitalista só inova ao reconhecer a validade da economia de mercado mas não seu corolário político e filosofico. É uma tentativa de dar credibilidade auma corrente do pensamento que ficou completamente desacreditado no século passado.
Quem quer que preste atençaõ nos fatos do cotidiano verá que a defesa do anarquismo, pouco iimporta o nome que ostente, não se suatenta. Não é para menos que o nome está vinculado à desorde e caos. Se um catlaclisma, como o que ocorreu no Haiti, faz desaparecer mesmo que momentaneamente o governo, o caos ganha espaço e a sociedade corre o risto de destruição. Se uma guerra, como do Iraque, faz desaparecer, mesmo que também momentaneamente o governo, o caos logo se estabelecem e seus cida~daos enquanto não contam com govern, terão que fazer uso da arma, da violencia portanto, para garntirem a sua integridade até que possam contar com a garantia de um governo. Quanto mais exemplo temos na história? Mas o mesmo que ocorre com os socialistas que não aprendem com a história, talvez a razão econômica funcione. Se os anarquistas já chegaram a reconhecer o mercado como uma realidade inegável, é sinal que a realidade não é tão dificil assim de ser entendida. Um dia eles chegam lá. Mas no momento vivem em uma contradição.
Leandro
Entendi a parte da divulgação. Só quero entender porque o tratamento diferenciado. Mises é expôsto de forma incompleto, seus artigos quase sempre só versa sobre economia -o ciclo econômico, inflação- enquanto outros autores, seus sequidores, como HHH, tem ido além deste campo e mesmo espaço não é oferecido a Mises. Por exemplo sobre a democracia, que HHH diz que é um deus que já morreu. O artigo teve ampla repercussão e Mises não teve espaço. Se destacasee as considerações de Mises sobre este tema, colocado em cena pelo proprio HHH, com certeza enriqueceria o debate, mesmo virtual.Basta destacar trecho em que ele trata deste tema retirado de seus livros como Liberalismo, Socialism, Nação Estado e economia, Governo Onipotente e ação Humana, para ficar nestes,para uma breve e instrutiva comparação,pois particularmente a mim,a posição de HHH, entre outros, está em pleno desacordo com que Mises expõe nos livros citado e com certeza outros seriam convidados a procurar ver se há alguma diferença de conceito. Nestes livros ele deixa bem claro a sua compreensão sobre democracia, só para ficazr neste tema, que a julgar pelos que aqui comentam, não refletem conhecê-lo, pelo menos na necessaria medida. Há outros assuntos também que são ventilados pelos vários articulistas e não se traz a posição de Mises por sua propria letra, mas atraves de pretensos e no caso, dispensáveis explicadores, tal como ética que ele refuta o tratamento cientifico, a sua critica ao Direito Natural etc
Cordial abraço
Fernando disse: “eu rebati mostrando o ponto que eles eram falhos.”
Eu não vi o Fernando rebatendo nada. Só afirmando que as ideias de determinados autores que ele concorda estão certas e a Van errada. Só isso.
Van,
Acho que seu exemplo do Haiti não procede. Um desastre natural daquela proporção transformaria um país num caos sendo ele anarcocapitalista ou totalitário. Não é válido dizer que o país está um caos porque o governo não tem força de ação ou porque poderia desaparecer.
Outro ponto errado é sobre Proudhon. Na verdade o que ele disse sobre “propriedade” não é o mesmo que Mises ou Rothbard disseram.
Bezerra, veja se consegue acompanhar a linha de raciocínio:
O Van disse que Mises rejeitava o anarquismo por bláblá blá.
Eu disse que o anarquismo que ele rejeitava não era o do tipo exposto no artigo do Hoppe e copiei um trecho do próprio Hoppe onde ele dizia isso e mostrava com um trecho do próprio Mises que confirmava que o tipo de anarquismo que ele rejeitava era um completamente diferente do exposto.
Essas exposições foram acompanhadas de explicações, que foram ignoradas pelo Van que seguiu com as mesmas aformações já devidamente contestadas.
Que parte você não viu ou não entendeu?
Anarquia é um termo tão vilipendiado (veja pt.wikipedia.org/wiki/Anarquia_%28DC_Comics%29) que as pessoas em geral tem uma opinião totalmente negativa a seu respeito, mesmo quando usado com significado completamente distinto do preconceituosamente esperado. É tipo o nome-proprio a priori desmoralizador: Juca. Pô, você não conhece o Juca, nem nunca ouviu falar nada a seu respeito, mas já que ele usa esse nome, deve ser no mínimo um imbecil, certo?
Anarcocapitalismo.
Ele é uma contradição em termos. Quem já se dispôs a refletir sobre isto? O anarquismo por ser contra o governo etc e tal, desde sua origem sempre se portou contrário ao capitalismo e seu corolário político
Good enough for Rothbard, good enough for me.
The movement that I’m in favor of is a movement of libertarians who do not substitute whim for reason. Now some of them do, obviously, and I’m against that. I’m in favor of reason over whim. As far as I’m concerned, and I think the rest of the movement, too, we are anarcho-capitalists. In other words, we believe that capitalism is the fullest expression of anarchism, and anarchism is the fullest expression of capitalism. Not only are they compatible, but you can’t really have one without the other. True anarchism will be capitalism, and true capitalism will be anarchism.
[linl]www.stephankinsella.com/2010/05/07/rothbard-true-anarchism-will-be-capitalism-and-true-capitalism-will-be-anarchism/[/link]
Van, antes de tentar apontar autocontradição nos outros (coisa que definitivamente você não conseguiu), deveria primeiro resolver as suas próprias auto-contradições:
Capitalismo é livre-mercado, mas você defende um monopólio nos serviços de justiça e segurança.
Acredita nas leis economicas de que um mercado totalmente livre é capaz de oferecer serviços melhores e mais baratos, mas esta lei economica universal, estranhamente não se aplica a serviços de justiça e segurança!
Defende ou não defende um governo mundial, uma vez que os países encontram-se no seu terrível e temível estado de anarquia entre si.
Enfim.. é no mínimo engraçado uma autocontradição ambulante acusar pessoas com ideias claras e lógicas de autocontraditórias..
Opa, Fernando, não seja espertinho.
Sabes muito bem que não falei sobre a definição de anarquismo e etc. E sim sobre você falando que Mises estava errado e Rothbard também nos pontos que concordas.
Isso, obviamente, não implica que a Van (acho que se trata de uma mulher) esteja correta.
Thiago
O caso Haiti procede sim. é uma questão de entender o que é o governo e seu objetivo. O governo ou estado é um instrumentos mental, um produto da razão humana que funciona como meio para que o homem alcançe seus objetivos que é seu bem estar que inclui também a sua integridade física. Lembre que isto faz parte da explicação que se encontra também no Livro Ação Humana. Pela razão acima citada, o governo só existe atravez da ação dos homens que agem propositadamente, que por sua vez são guiados pelas ideias, por uma ideologia. Só existe atravez da ação consciente do homem e se esta consciencia tem alguma mudança,se deixam guiar por estranhas flosofias, seu caracter e essência também muda. Não é algo sólido e imutável como um pedra, muito menos algo envolta em mistério. É humana mesmo. Dependendo, também é muito frágil. Na ausência dele, por qualquer motivo, o homem fica apreensivo e teme as consequencias. Não é só no exemplo do Haiti, Lembre-se do apagão. O que acontece neste caso? as pessoas procuram segurança, a polícia toma providencia para evitar o crime que vai aproveitar a sombra e a escuridão, o governo se assusta. É um pequeno momento apenas em que um acidente pode trazer o caos pelo fato de que o aparelho da violencia e da compulsão fica paralizado, ou quase. Não falo da ausencia por tempo indeterminado de governo, apenas um breve periodo, minutos até. Mas como se comportam as pessoas na ausência do governo se pode deduzir daí. E quando em decorrencia de uma disputa séria seinstala uma guerra civil?
Há coisas que existem independencte da mente humana, como as pedras, as estrelas, a montanha etc. Há outras que só exitem por força da mente humana, como carro, a geladeira que o homem concebe com o auxilio da razão e o torna possivel usando os meios que encontra na natureza. Há outras que, concebida pela razão humana, só se manifesta pela ação propositada do homem. E neste incluimos democracia, estadao, governo, religião enfim, os conceitos que são instrumentos com que o homem se utiliza para conseguir o seu objetivo que, em ultima analise, é ele mesmo. Estas podem mudar de caráter e ate desaparecer dependendo que comportamento o homem esteja seguindo, que ideologia ou ideia. Se seu meio ambiente ajudar com uma catastrófe, um acidente,ou um empreendimento mal calculado, e impor uma espéctativa de uma situação de “salve-se quem puder”, de pronto se estabelece o caos, caracterizado pela falçencia do governo. A derrubada da Russia Czarista e a tomada do poder pelos soviéticos se estabeledceu igualmente um caos com graves consqeuqncia até que os bolcheviks tomasse controle da situação. No Chile a polícia e o exercito foi para a rua combater o saque. São apenas alguns exemplos de ligeira ausencia de governo. Sem governo ativo não há como proteger a propriedade. estes momentos de caos provocada pela ausencia de governo, também é propício para fazer surgir grandes ditadores. Lembra a revolução francesa que produziu um Napoleão, entre outros. Os anarquistas exercitam o mimetismo político mudando ao longo do tempo sua linha de pensamento. O liberal da tradição classica os repudia. Não é contra porém a sua existencia e a sua pregação. Pois como disse Carl Menger, só há um metodo para o triunfo de uma ideia: permitir que qualquer ideia contrária siga o seu curso.
A transformação conceitual dos anarquistas ocorrer, da mesma maneira que se observa com os socialistas. Hoje eles proclamam o tal do socialismo de mercado. Sempre foram inimigos do capitalismo e na procura do evangelho socialista aprenderam que sem o mercado a destruição completa é o que colherão. Os anarquistas também aprenderam. Nos séculos anteriores, eles negavam toda validade ao capitalismo e seu alicerce. Hoje se renderam também ao mercado e o adotaram em seu programa. Da mesma maneira que o socialismo se erigiu teoricamente sobre os “buracos” teoricos da economia classica, como a teoria do valor trabalho e do conceito de produção e distribuição, deixados respectivamente por Adm Smith e Ricardo e Mils, os anarquistas se aproveitam da deixa de Hayek que ,com a sua tese de ordem espontânea, que mal entendida, dá a impressão que corrobora com seus principios, porque acham que a ordem espontânea se dá no vácuo passando em silencio sobre a necessidade do aparelho da violencia,o estado.
Para mim esse (ou essa) Van está fomentando polêmicas de maneira suspeita. Em alguns momentos se identifica como mulher, por exemplo no trecho do seu comentário: “pois não sou dona das ideias aqui expostas, e sim Mises” e em outros parece homem como no trecho: “Fui atraido a este site pelo nome que ostenta:Ludwig von Mises”
Essa atitude pode ser um engano, mas possivelmente é uma tentativa frustrada de se passar por alguém que não é. Portanto acho que não vale a pena seguir com a polêmica com essa pessoa.
Hoppe disse: “…O estado passou a ser considerado uma parte inquestionável do tecido social.”
Vejam essa notícia de ontem:
The small southern California city of Maywood has hit on a unique solution to its budget crisis. Crushed by the recession and falling tax revenues, the city is disbanding its police force and firing all public sector employees. Maywood has opted for an extreme solution, by contracting out all public services, including the most basic, to save cash. But it is not alone.
…
Local government activities, such as funding police, school buildings, fire departments, parks and social programmes, are in the line of fire.
“We are where the rubber meets the road,” said Sam Olivito, of the California Contract Cities Association, which represents cities that outsource public services. “Local government is the fabric of our nation – it’s what keeps everything working properly.”
Sem dúvida, esse tal de Sam Olivito comete o erro básico de confundir o verme com o hospedeiro, mas acho que ele está certo ao dizer que estamos em um “ponto de descoberta” (are where the rubber meets the road)
Em certo ponto está escrito “estadas” ao invés de “estradas”.
Fora isso, obrigado pelas traduções e por favor continuem o ótimo trabalho.
O princípio da subsidiariedade, a autonomia e a descentralização devem estar entre nossos os ideais.
* * *
Olá, tenho interesse em adquirir o livro, mas o link disponibilizado para compra não está abrindo. Também não consigo encontra-lo na amazon e afins. Teria alguma indicação de como consigo?
Oito anos se passaram e esse texto está ainda é fascinante.