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Lula, FHC e as tarifas de importação no Brasil – empatamos com Argentina, Venezuela e Cuba

Nota do editor

Neste último fim de semana, os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luis Inácio Lula da Silva lançaram uma nota conjunta em oposição à proposta de redução tarifária unilateral por parte do Mercosul, defendida pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro da economia Paulo Guedes. 

Tanto Lula quanto FHC abertamente defendem que os brasileiros, em especial os mais pobres, continuem pagando artificialmente caro para ter acessos a bens importados e de qualidade. E defendem que o grande baronato industrial continue usufruindo uma reserva de mercado. Inaceitável.

No entanto, ainda mais bizarra do que esta posição protecionista — dado que o Brasil é um dos países mais fechados do mundo, como será mostrado abaixo — foi a motivação apresentada: em apoio ao presidente argentino Alberto Fernandez, a dupla brasileira afirmou que a redução de tarifas de importação é uma ação que poderia prejudicar as indústrias da Argentina!

Abaixo, um artigo que explica por que a abertura comercial do país é de extrema urgência.

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Uma crítica comum ao processo de abertura comercial diz que isso é coisa de “neoliberal entreguista”, e que todos os países do mundo protegem suas empresas, de forma que não há razão para não fazermos o mesmo. 

Com isso em mente, resolvi dar uma olhada nos dados de tarifas aplicadas à importação de produtos manufaturados que estão disponíveis no Banco Mundial. 

Comecei olhando para América Latina e Caribe. Como de costume, trabalhei com valores médios de cinco anos (2014 a 2018) e países com mais de cinco milhões de habitantes.

Eis os dados:

1.png

Gráfico 1: tarifas de importação aplicadas a produtos manufaturados (média simples). Países da América Latina e Caribe

É isso mesmo: temos a maior tarifa média do grupo. Argentina, Venezuela, Bolívia e mesmo Cuba praticam tarifas menores do que as nossas. 

Será que alguém vai dizer que os irmãos Castro, o kirchnerismo e o bolivarianismo são regimes ultraliberais e entreguistas, ou que nossas empresas enfrentam agruras maiores que as enfrentadas por empresas argentinas ou bolivianas? 

Se considerarmos a média ponderada no lugar da média simples, como na figura abaixo, apenas a Venezuela tem tarifa média maior que a nossa. 

2.png

Gráfico 2: tarifas de importação aplicadas a produtos manufaturados (média ponderada). Países da América Latina e Caribe

Em outro artigo, mostrei que o Peru foi o país da América Latina com o maior crescimento no século XXI. Talvez não seja por acaso que o Peru seja o país da região com menor tarifa média aplicada a produtos manufaturados.

Fiquei inconformado com a ideia de que, com exceção da Venezuela, a depender da medida utilizada, somos o país com maior tarifa média da América Latina e Caribe. Os países da América Latina são todos “neoliberais entreguistas”? Até Cuba? Até Morales? 

Resolvi então olhar outro grupo em que o Brasil se encontra: os países de renda média-alta segundo o Banco Mundial. 

Esses países certamente sabem proteger as indústrias que lá produzem. A figura abaixo mostra o resultado para média simples.

3.png Gráfico 3: tarifas de importação aplicadas a produtos manufaturados (média simples). Países de renda média-alta

De novo, ficamos com a maior tarifa média. Não pode, isso só prova que a média simples não é uma boa medida. 

A figura abaixo mostra a tarifa calculada com médias ponderadas: novamente, só a Venezuela na nossa frente. Seria Maduro o único governante que sabe a importância de proteger a indústria local?

4.pngGráfico 4: tarifas de importação aplicadas a produtos manufaturados (média ponderada). Países de renda média-alta

Não me dei por vencido. 

O leste da Ásia é a região que mais cresce e atrai novas indústrias, logo aqueles países devem ser uma boa referência. A figura abaixo mostra a tarifa média no Brasil e nos países do Leste da Ásia e do Pacífico.

6.png

 Gráfico 5: tarifas de importação aplicadas a produtos manufaturados (média simples). Países do leste da Ásia e Pacífico

Mais uma vez, ficamos em primeiro! Sem países exemplares como Argentina, Venezuela e Bolívia, ficamos sozinhos na lista de países com tarifas médias acima de 10%. 

Outra vez, desconfiei do uso de médias simples e joguei minhas esperanças nas médias ponderadas. Como pode ser visto na figura abaixo, no critério de médias ponderadas também estamos na frente dos países do Leste da Ásia e do Pacífico.

5.png

 Gráfico 6: tarifas de importação aplicadas a produtos manufaturados (média ponderada). Países do leste da Ásia e Pacífico

Portanto, é oficial: somos mais fechados que Camboja, China, Vietnã, Indonésia e Laos.

Seria também essa região um antro de governo neoliberais e entreguistas?

Quase sem ânimo algum e pronto para reconhecer, resolvi olhar para todos os países com dados disponíveis e mais de cinco milhões de habitantes. 

Com o critério de média simples, encontrei apenas três países com tarifa maior que a do Brasil: Camarões, Etiópia e Chade. 

Intolerável.

Decidi, então, dar uma conferida no critério de média ponderada. Finalmente! Foi a primeira lista em que o Brasil não estava em primeiro ou segundo lugar. Como é complicado fazer figuras com cerca de cem países ou regiões, vou listar os doze países onde a tarifa média ponderada aplicada a produtos manufaturados é maior do que a nossa: Chade, Camarões, Etiópia, Nepal, Bangladesh, Paquistão, Benim, Venezuela, Togo, Senegal, Quênia e a República Democrática do Congo.

Apenas estes países são menos entreguistas que o Brasil.

É muito sério. E grave

O leitor pode estar pensando que abusei da ironia aqui. Talvez eu tenha mesmo, mas foi uma forma de tentar chamar atenção para a necessidade urgente de discutirmos a abertura da economia e o quão fora da realidade é o discurso de que as empresas instaladas no Brasil não resistirão a tarifas mais baixas. 

Temos nossos problemas, é fato, mas outros países também têm os seus e punem menos seus residentes com tarifas para dificultar a compra de produtos mais baratos ou de melhor qualidade produzidos no exterior.

Para você, consumidor, este excelente site tem uma calculadora que permite você calcular, por estado, quanto irá pagar de tributos ao importar um bem. Por exemplo, se você mora no estado de São Paulo e decidir importar, via Courier, um produto que custa US$ 1.000 (R$ 5.050) mais US$ 50 de frete, você pagará R$ 5.380 só de tributos, o que dá mais de 100% do preço do produto. 

O preço final total será de insanos R$ 10.685. Ou seja, as indústrias nacionais estão sem nenhuma concorrência estrangeira.

Clique no site, faça pesquisas por estados, e teste a resistência do seu estômago. 

O objetivo e as consequências

A ideia por trás do protecionismo é que tarifas de importação elevadas irão proteger as empresas nacionais (tanto os grandes empresários quanto os sindicatos destas empresas) e blindá-las contra os reais desejos dos consumidores, que sempre querem produtos baratos e de qualidade.

Logo, com empresas nacionais protegidas da concorrência estrangeira, nós teremos de comprar exclusivamente delas, o que irá garantir lucros para os grandes empresários e empregos para seus funcionários.

Isso é o que se vê. Mas, ainda mais importante, é o que não se vê.

Tarifas de importação altas, além de afetar os mais pobres — que ficam sem poder aquisitivo para comprar produtos bons e baratos feitos no exterior —, afetam também os pequenos e médios empreendedores, que não conseguem adquirir insumos baratos (e cruciais) para seus negócios.

E isso tem de ser enfatizado: tarifas protecionistas não afetam apenas os consumidores; elas também afetam as empresas domésticas que precisam importar bens de capital e maquinários modernos para incrementar sua produtividade e, com isso, fabricar produtos melhores e mais baratos. Tarifas as obrigam a pagar mais caro por seus insumos ou então a comprar insumos nacionais mais caros e de pior qualidade. 

Isso reduz sua produtividade e aumenta seus custos. Sendo menos produtivas e operando com custos maiores, essas empresas se tornam menos competitivas internacionalmente. 

Consequentemente — e essa é uma das consequências não previstas do protecionismo —, as exportações tendem a ser menores do que seriam sem as tarifas. 

Com o protecionismo, o governo cria uma reserva de mercado para grandes empresários e grandes sindicatos, os quais agora, sem a concorrência externa, se sentem mais livres para, do lado empresarial, cobrar preços mais altos, e do lado sindical, exigir salários maiores, e em troca oferecerem produtos de pior qualidade para os consumidores.

Logo, não sobra alternativa para os consumidores e empreendedores senão consumir os produtos destas duas corporações protegidas pelo governo. Nós nos tornamos reféns.

Tendo de pagar mais caro por produtos nacionais de qualidade mais baixa, os consumidores nacionais ficam incapacitados de consumir mais e de investir mais. A capacidade de consumo e de investimento da população fica artificialmente reduzida. 

E sempre que a capacidade de consumo e de investimento da população é artificialmente reduzida, lucros e empregos diminuem por toda a economia. 

Consequentemente, empregos de baixa produtividade nas indústrias protegidas são mantidos à custa de empregos em empresas que tiveram suas vendas reduzidas por causa da queda da capacidade de consumo e de investimento das pessoas. 

Assim, toda a economia se torna mais ineficiente, a produção fica aquém do potencial, os preços médios são maiores do que seriam caso houvesse liberdade, e, como consequência de tudo, os salários reais ficam abaixo do potencial.

E tudo isso não é apenas teoria, mas também empiria. Os fatos comprovam que os países mais abertos ao comércio internacional não apenas não têm problemas de emprego, como também são, em média, 5 vezes mais ricos do que aqueles que decidem impor todos os tipos de travas e barreiras à liberdade de seus cidadãos de importarem bens do exterior.

Para concluir

Temos tarifas de importação, hoje, da ordem de duas vezes a média mundial. Em relação a todos os países comparáveis, somos o mais fechado do mundo.

Isso é inaceitável.

Em tempos de reformas e combates a privilégios, pelo menos nos discursos oficiais, é mais do que necessário discutir o fim do privilégio de não enfrentar a concorrência de produtos vindos de outros países. 

Não faz sentido manter mais de duzentas milhões de pessoas reféns de empresas que alegam não conseguir sobreviver com alíquotas semelhantes às aplicadas na Colômbia, no México ou mesmo em Cuba.

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109 comentários em “Lula, FHC e as tarifas de importação no Brasil – empatamos com Argentina, Venezuela e Cuba”

  1. Lembram de quando o Pulinho GogóGuedes dizia que iria zerar as tarifas e integrar o Brasil ao comércio internacional? Parece que foi em outro século…

  2. Acho que o problema é a carga tributária brasileira. Se você abaixar o imposto de importação mas manter a carga tributária no nível que está toda indústria nacional vai mudar do Brasil e se tonar uma importadora de seus próprios produtos. A redução tributária tem que ser ampla e em todos os setores de produção e consumo não só nas importações.

  3. Sem chance de menores tarifas de importação no Brasil, governo vai alegar que o país está sendo vítima do imperialismo chinês (perceba que sempre tem um “imperialista” nos atacando) tentando destruir a indústria nacional, e o povo brasileiro, que na verdade é um rebanho, apoiará todas as altas tarifas para protegerem seus empregos de classe média para comprar aptos de 44m² e a soberania nacional. Tudo com forte apoio da mídia esquerdista.

  4. Lendo este artigo me lembrei de um publicado em 2010 que fazia uma análise da entrevista do tenebroso Benjamin Steinbruch. Para ele, na época, a moeda deveria estar o "máximo desvalorizada" e o país completamente fechado.

    Empresários como Benjamin Steinbruch, que representam fielmente a mentalidade da FIESP, devem estar se perguntando se os seus sonhos não se tornaram realidade. A atual política cambial caiu do céu para essa gente. Tarifas de importação intactas e moeda no chão.

    Enquanto isso, o povo compra bugiganga da FIESP a preço de ouro.

  5. Recentemente, o governo reduziu tarifas para videogames. Ok, correto e aprovo.

    Mas confesso não entender a lógica.

    O meu ramo, oftalmologia e optometria, é protegido pelo governo para ninguém, pois não tem fabricantes nacional. Mas as tarifas de importação são violentas.

    Precisei comprar um oftalmoscópio Welch Allyn. Nos EUA, 150 dólares; aqui, 2.500 reais.

    E não existe um mísero fabricante nacional. A proteção se dá para os fornecedores de peças de reposição da indústria de ótica.

    Um autorefrator que custa 2.000 dólares nos EUA chega a 30 mil reais no Brasil. Comprei o meu seminovo por 15 mil reais com um ano de uso de um amigo que fechou o consultório.

    Parece que o objetivo é lascar quem tem problemas de visão porque não vejo razão minimamente racional pra fazerem isso.

  6. E em questão de carros, estamos também entre os piores do mundo em tarifas de importação.

    Em 2018 foi constatado de que as tarifas (médias) no Brasil sobre (ou mesmo contra) os veículos ficaram em 33,9%. Acha baixas? Na “socialista” União Europeia, essas tarifas são de 3,22%. Nos Estados Unidos, 1,57%. Canadá, 3,64%. Coreia do Sul, 5,01%.

    Comparação injusta? Que tal dizer que estamos piores que Bolívia (9,6%), Colômbia (29,7%), China (22,8%), Peru (5,22%), Chile (3,54%), Argentina (19,2%) e México (25%)? O Brasil só ganha dos seguintes países: Afeganistão (38,9%), Egito (49,7%), Paquistão (70,7%), Tailândia (71,1%), Irã (90%), Índia (106%) e Ilhas Maldivas (111%).

    Essa frase do Leandro Roque sobre o Brasil é perfeita:

    “Aqui no Brasil, além de o cara não ter poder de compra nenhum, ele não consegue comprar bens estrangeiros porque o governo, para proteger a FIESP, impõe tarifas de importação norte-coreanas. “

    Respondendo ao comentário acima, o Bolsonaro chegou a zerar tarifas de importação para vários bens de capital, isso no ano passado. O problema é que esses benefícios quase sumiram, já que de 2019 para cá, o real desvalorizou absurdamente.

  7. O mais triste de tudo isso é que o brasileiro médio, que não tem oportunidade de sair do país, seja por condição financeira ou falta de estudo, ficará refém desse protecionismo a vida toda. É incalculável o prejuízo humano que isso irá trazer. É como negar o direito das pessoas serem melhores. Creio que não é uma questão politica; é uma questão de poder. Os grupos de interesse e o deep state brasileiro são mais forte do qualquer maioria politica. A cada dia creio mais que a solução do Brasil passa, inevitavelmente, pela derrubada de republica. O estado brasileiro tem dono e está perpetuado na republica.

  8. Em uma simples importação feita pela internet pagamos 60% do valor da mercadoria + frete e o ICMS (que varia por estado).

    Só que esses 60% de imposto de importação é o regime simplificado de tributação, um bom negócio para padrões brasileiros. Fora dele, itens de consumo podem somar até 102% de tributação total.

    Já sobre máquinas e equipamentos o governo é mais “manso” e a tributação total fica nuns 78%.

    Segundo o próprio site da receita, as importações têm uma alíquota multiplicadora de impostos.

    Ou seja, os impostos sobre importados podem ser multiplicados por até 7,6 vezes.

    É uma pedalada na OMC!

    www4.receita.fazenda.gov.br/simulador/

    Eis o que está escrito (grifo meu):

    “Na quase totalidade das importações, a alíquota aplicável do PIS é de 1,65% e a da Cofins é de 7,6%. A base de cálculo para ambas as contribuições é o valor aduaneiro das mercadorias importadas, acrescido do valor do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), incidente sobre a importação, e do valor das próprias contribuições, pois elas são incluídas no preço final das mercadorias (cálculo “por dentro"). Assim as contribuições devidas são iguais a:

    PIS = Alíquota PIS x (VA + ICMS + PIS + Cofins)

    Cofins = Alíquota Cofins x (VA + ICMS + PIS + Cofins)”

    Ou seja, é um imposto incidindo sobre outro imposto que por sua vez também já incidiu sobre outro imposto. Uma maravilha.

  9. O problema do protecionismo não é apenas econômico e sim político. Se a economia for aberta de uma hora pra outra muitas empresas vão quebrar e o desemprego que já é alto (por causa da legislação trabalhista) vai disparar mais ainda. Isso têm um custo político enorme para quem comanda o país. Nenhum político vai querer enfrentar esse desafio. É só lembrar do plano real quando começou e as importações foram liberadas e causou desemprego, revoltando os sindicatos e barões da indústria. O Gustavo Franco foi bombardeado pelo baronato brasileiro por manter a âncora cambial. Mas sem dúvidas seria maravilhoso ver a pressão internacional que obrigaria o Brasil a baixar os impostos. Seria maravilhoso ver as empresas brasileiras sendo retaliadas pelo protecionismo como o Brasil faz. Mas a dúvida que fica é que o protecionismo beneficia as empresas americanas já instaladas aqui também. Como a GM e a Coca-Cola.

  10. Vale lembrar que com um ambiente de negócios sufocado por um Estado intervencionista, regulador e tributador, o empresariado brasileiro desenvolve habilidades para lidar com o sócio compulsório em vez de desenvolver habilidades para entregar produtos melhores e mais baratos.

    No Brasil, se você tem uma empresa, seja qual for o segmento, faz muito mais sentido você contratar advogados e contadores em vez de profissionais de software, engenharia e etc

  11. Notícia de novembro de 2018. O que foi feito de lá pra cá? Exato, nada.

    Equipe de Bolsonaro quer passar a tesoura nas tarifas de importação e indústria não reage bem

    Ideia é que as tarifas de todos os bens importados sejam reduzidas em quatro anos, com valores proporcionais às taxas atuais; CNI pede que abertura seja feita por acordos comerciais

    Além da decisão de acabar com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, o governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), pode contrariar o setor industrial em outro ponto: a abertura comercial. A equipe de transição trabalha hoje com três propostas nessa área, que têm como ponto comum a redução, voluntária e unilateral (ou seja, sem exigência de contrapartidas) das tarifas de importação para diversos produtos.

    […]

    A ideia é que as tarifas de todos os bens importados sejam reduzidas em quatro anos. Os produtos que atualmente são taxados de 20% a 35%, como eletrodomésticos, automóveis e confecções, passariam para 15%. Os com tarifa de 15% a 20%, como alguns bens de capital, para 10%. Tarifas de 5% a 15%, que atinge produtos siderúrgicos, por exemplo, cairiam para 5% e, as abaixo de 5%, como matérias-primas, para zero.

    […]

    Outro trabalho, elaborado por professores da Fundação Getúlio Vargas (FGV), propõe iniciar o corte nas tarifas pelos bens de capital e informática, o que poderia ser feito dentro das regras do Mercosul. Prevê também a redução das tarifas sobre produtos siderúrgicos.

    As tarifas seriam cortadas gradualmente até chegar a 4% em 2021, em linha com a média mundial. Hoje, vão de 8% a 35% para bens de capital, de 6% a 25% para informática e de 8% a 14% para o setor siderúrgico. O objetivo, nesse caso, seria melhorar a competitividade.

  12. É também crucial ressaltar como as importações geram empregos.

    Uma palhinha: os EUA não produzem cacau. 100% do cacau consumido no país é importado. No entanto, é exatamente por causa da importação deste cacau que há fábricas pujantes nos EUA, como Hershey’s, Mars, Ghirardelli e Ferrara.

    Essas fábricas (que só existem porque utilizam um insumo importado) empregam milhões de pessoas. Se o governo tributasse ou mesmo proibisse a importação de cacau, simplesmente não existiriam esses empregos.

  13. O artigo explicitamente não considera valores de 2018-2020, ou seja o novo governo. TUDO que ele trata é da pré eleição de 2018, pois não leva em conta as trocentas vezes qeu o goevrno atual zerou o reduziu IIs.

  14. Eu comprei um Android tv Box importado da China, que nada mais é do que um celular para plugar na TV, e quando chegou no Brasil ele foi devolvido ao remetente porque o aparelho é proibido no Brasil, a alegação é que ele pode ver canais de TV chegada de graça. Eu fiquei tipo, WTF? Qualquer celular faz isso, para que proibir essa merda?

    Enfim, lobby das operadoras de TV que deu certo.

    O problema principal de um país é que sempre tem I lobby de alguma coisa para influenciar as decisões políticas, a sociedade que page o preço.

  15. “Governo zera tarifas de importação de milho e soja”

    “Em uma contraofensiva à alta de preços no mercado interno, o governo decidiu reduzir a zero, temporariamente, as alíquotas de importação de milho, soja, farelo de soja e óleo de soja. A decisão foi tomada, nesta sexta-feira, pela Câmara de Comércio Exterior (Camex).

    A medida deve vigorar até o primeiro trimestre do ano que vem, quando a safra de grãos já terá sido colhida e o mercado estiver, então, plenamente abastecido. Segundo fontes do governo, há duas propostas sobre a mesa para o fim da suspensão temporária das tarifas: fevereiro e março de 2021.

    A diminuição do Imposto de Importação, que varia de 8% a 10%, dependendo do produto, vale para os países que não fazem parte do Mercosul. Isto porque o comércio dentro do bloco — com poucas exceções, como açúcar e automóveis — é isento de tributos. Principais concorrentes do Brasil na venda de produtos agrícolas em terceiros países, os Estados Unidos serão os principais beneficiados com a queda das tarifas.”

    Muito bom isso. Pena que vai ser temporário. Deveria ser permanente. Não tem lógica eles colocarem tarifas para commodities, a não ser que eles realmente queiram praticar protecionismo.

    Atualmente as tarifas de importação médias para soja são de 3,83% para o Brasil, ao passo que no milho as tarifas são de 5,11%.

  16. Filipe Araujo Carrilho

    Prezados, acredito que antes de diminuir as tarifas de importação, precisamos arrumar a casa, ou seja, fazer nossa reforma tributária para diminuir os impostos para quem produz aqui dentro primeiro. Um segundo passo, seria reduzir os impostos para produtos importados. Outra idéia que defendo e gostaria que fosse comentada em algum artigo seria a criação de imposto de exportação de itens primários que o mundo não vive sem a produção brasileira (minério de ferro, carne, couro, café, algodão e etc) Acredito que isso elevaria o preço mundial, e que os produtores nacionais não seriam afetados em termos de lucro e faria o governo arrecadar mais, o que daria uma folga pra realizar nossa reforma tributária.

  17. Olhando as tarifas dos EUA, Inglaterra, no passado, todos eles tinham tarifas elevadas (especialmente os EUA em 1800 adiante)..

    Como retrucar quem diz que eles só tiveram industria forte porque protegeram suas industrias?

  18. "Não existe um só país ocidental, capitalista, no qual as condições das massas não tenham melhorado de forma sem precedentes."

    Mises

    * * *

  19. “Construção pede redução da tarifa de importação do aço”

    As tarifas de importação de aço são de 12 %. Eles querem que sejam reduzidas para 1 % (infelizmente é de maneira temporária).

    Em média simples de tarifas de importação, o Brasil está entre os países que mais tributam, com 10 %. Segundo esse site, o Brasil exporta mais minério de ferro e aço do que importa minério de ferro e aço (não sei se eles possuem dados separados). Estaríamos vivendo agora, também, uma subida nas exportações de aço e minério de ferro, por causa da desvalorização do real?

    EUA têm tarifa de 0,18 %, Canadá 0 % e até a socialista da UE tem tarifas baixas, de 0,007 %. A vizinha Colômbia possui tarifas de 1,4 % e o Equador, 5,17 %. (todos esses dados são médias simples) Como não lembrarmos desse artigo de 2009?

    Falando em Equador, o futuro ministro da Economia de Guillermo Lasso (que ainda não assumiu), está falando a necessidade de reformas trabalhista, previdenciária, tributária e alfandegária. Pelo menos eles não vão ter que se preocupar com política monetária (e principalmente os cidadãos equatorianos, que há 10 meses convivem com deflação de preços).

  20. A indústria argentina está ficando em frangalhos, o que impressiona é que ainda haja indústrias funcionando ali (principalmente a automotiva; notem que o principal destino das exportações de carros argentinos é o Brasil). Essa inflação de preços argentina (que está em um patamar bastante vergonhoso, pior do que quase todos os países africanos) é mais destrutiva para a indústria do que qualquer tipo de medida que abra o mercado para as importações.

    Por mim o Brasil deveria sair do Mercosul e copiar o que é feito, por exemplo, em países como Chile e Colômbia. Já estão nessa novela há quase dois anos e pelo jeito nada será feito para mudar.

  21. o estado brasileiro mantém uma relação de senhor de escravos com o empresariado… o escravo que faz as tarefas domésticas (representado pelos empresários amigos do governo) recebem tratamento melhor, os que trabalham no campo (todos os demais) ralam mais para receber menos.

    No final do dia é um seletíssimo grupo que se beneficia das elevadas taxas de importação aplicadas, enquanto todo resto do país se ferra…

    Entendo que um extremo de zerar alíquotas para importar tudo do dia para noite, destruiria a indústria brasileira, pois este mesmo governo que a protege, a castiga também (a relaçao senhor de escravos que mencionei) com dificuldades de acesso ao crédito e altas taxas de impostos e encargos.

    Uma vez trabalhados estes 02 pontos, simultaneamente deveriam baixar os impostos de importação à zero ao longo de de 4 anos. Isto concederia tempo para que nossos empresários (que não são amiguinhos do governo) saíssem do atraso que o governo os colocou ao longo de décadas e pudessem competir de maneira eficiente pela preferencia do consumidor.

  22. Serrana prova o sucesso da CoronaVac. Foi honesto o estudo?

    tab.uol.com.br/noticias/redacao/2021/06/07/o-que-o-experimento-de-serrana-sp-provou-e-o-que-falta-ainda-provar.htm

  23. ELCIO ROBERTO FERREIRA MAIOLINI

    Enquanto que do lado da exportação os envios de tabaco para a UE caminham para alíquota zero por um acordo firmado em 2019. O Brasil é o terceiro maior produtor e o tabaco brasileiro que é de excelente qualidade. A população pobre brasileira não tem acesso a ele fazendo uso dos péssimos cigarros contrabandeados do Paraguai. Agora vocês entendem o porque das campanhas antitabagistas no país. A UE quer ser verde!

  24. weberth mustapha

    LULA presidente 2022.

    O que de fato poderia ocorrer na nossa economia, considerando o histórico do PT e o atual congresso, onde o PT não é maioria.

    P.S:Não acharam curioso a esquerda voltando ao poder sempre ganhando de 51 x 49 %??

  25. Maroto dos numeros

    Vejamos, somente diminuindo a carga tributária teremos um país melhor. os empresários se associaram com os políticos para nos tornarmos assim fechados. Políticos precisam de empresários para sobreviver e empresários precisam de políticos para se blindarem de concorrência externa. O povo só se lasca nesta historia. Portanto é necessário diminuir o estado, para diminuir a carga sobre os empresários que poderão diminuir o preço dos produtos e assim se tornar competitivo, mas, nossa máquina publica devora os altos impostos recolhidos. Sem reformas continuaremos cativos deste sistema de castas brasileiro ( políticos/empresários). Ou quebramos os grilhões ou seremos escravos para sempre.

  26. Resumidamente.

    O Brasil está no meio-termo entre o Crony Capitalism (capitalismo de estado) e literalmente, uma economia planificada socialista, faltando para ”saltar” para o (fosso) último estágio, abolir a propriedade privada, por exemplo (se ligue nas eleições de 2022).

    Breve check-list, das características da economia do Brasil. E depois, suas posições temporais..

    – Impostos e regulações excessivamente altos (mais de 100%). HOJE.

    – Política direta de ‘campeões nacionais’. RECENTE (não fosse o ”golpe” de 2016, se estaria pagando por isso ainda hoje).

    – Política indireta de proteção dos filiados aos sistemas de Estado no comércio e indústria, vulgo sistema ”S”. HOJE.

    – Mercado literalmente FECHADO ás importações. NÃO (mas EXISTIU sim, no país, foi até 1990).

    – Faltas de programas de privatizações. RECENTE (até 2019, quando então, se voltou a pauta no novo governo).

    – Faltas de reformas de base, como tributária e fiscal. HOJE (tem uma peça que o GF entregou ao legislativo, mas o mesmo está entretido com uma ”cpi”).

    – Incertezas jurídicas sobre a propriedade (que além dos estorsivos Iptu e Iptr e taxas do CBM, se tem de coexistir com a figura constitucional de ”função social” da propriedade). HOJE.

    De resto, só coaduna com o texto desse (ótimo) artigo, onde só destrincha, em gráficos e referências a cada parágrafo, como o Brasil, seja pelo Fraser seja pelo Heritage, está mais perto de uma economia socialista do que mesmo uma capitalista de Estado, e ainda mais longe, de uma economia de livre mercado.

  27. Esse padrão vem se repetindo realmente.

    ”51-52% x 49-48%” nas urnas. E sempre a favor do mesmo lado, sempre.

    Foi no Brasil em 2014, na Argentina em 2019, nos Eua e Peru em 2020.

    Notável.

    O voto auditável é mais que uma pauta necessária, é a condição para uma real democracia no país ainda ser possível.

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