Os títulos emitidos pelo governo sempre foram vistos
como “ativos livres de risco”. A dívida pública, ao menos daqueles países mais
fiscalmente responsáveis, sempre foi tida como um investimento de risco zero.
Consequentemente, no momento de se avaliar qualquer
tipo de investimento, o pilar sobre o qual todos os cálculos se baseavam era a
rentabilidade dos títulos da dívida do governo: “se a dívida pública de um ano
proporciona 7% de rentabilidade sem risco nenhum, outros investimentos
alternativos que de fato são arriscados terão de render muito mais para
compensar sua possibilidade de falência”.
Trata-se de um raciocínio que, à primeira vista, faz
sentido e soa bem, talvez também por causa da necessidade humana de encontrar crenças
firmes nas quais se agarrar, principalmente em momentos de turbulência.
No entanto, o fato é que a dívida pública jamais foi
um ativo livre de risco que nos protegerá contra qualquer perda do nosso
capital: durante anos, em todos os países, ela sempre foi paga parcialmente por
meio da inflação monetária, a qual, ao diluir o valor da moeda, retornava ao proprietário
do título um dinheiro cujo poder de compra é menor do que era quando ele havia
emprestado ao governo.
Mais recentemente, em algumas partes do
planeta, vimos que ela também passou a ser parcialmente repudiada. Já outros países
simplesmente deram o calote direto.
Nestes casos, por ser vendida como algo que não é, já
cabe qualificá-la de fraude. Mas este nem é o ponto.
Quando digo que a dívida pública é uma fraude não me
refiro a estes fenômenos, os quais já são bem conhecidos por todos. Refiro-me,
isto sim, à fraude que ela causa dentro de todo o processo de criação de
riqueza da economia.
A
dívida privada e suas consequências
Já sabemos que o crescimento econômico não advém do consumo, mas
sim da poupança e do investimento. E, precisamente por isso, os “rentistas”
— isto é, aqueles que emprestam seu capital — representam uma engrenagem indispensável dentro
da economia.
Sem rentistas que abram mão do seu dinheiro — ou
seja, do consumo presente — para que outros empreendedores com melhores idéias
sejam capazes de criar novos e melhores planos de negócio, viveríamos em uma
economia de subsistência.
Ao emprestar, o rentista não está apenas abrindo mão
do consumo presente: ele está emprestando seu tempo na forma de capital. Ele está
abrindo mão de prazeres presentes e restringindo seu consumo visando a um maior
ganho futuro.
A remuneração do rentista, portanto, está mais do
que justificada mesmo quando ele não move
um único dedo para tocar o empreendimento: simplesmente pelo fato de ter de
esperar que as boas idéias maturem, simplesmente pelo fato de transferir parte
do seu tempo vital a empreendedores perspicazes, ele merece se apropriar de uma
parte da produção futura, a qual, não fosse o rentista, simplesmente não teria
sido possível de ser produzida.
Entretanto, observe: o pagamento ao rentista deve
advir da produção futura, a qual, sem
ele não seria possível.
Se eu utilizo meu tempo efetuando tarefas improdutivas,
estarei perdendo tempo. Logo, não obterei
nada em retorno. Igualmente, a tarefa mínima que deve efetuar um rentista é a
de avaliar as aptidões e capacidades do empreendedor para quem ele irá
emprestar seu capital, assim como a viabilidade do projeto que ele irá
financiar. Se ambos não se saírem bem, o rentista simplesmente não terá como
cobrar a devolução do seu empréstimo.
Neste sentido, a tarefa do rentista possui uma dimensão
social, na medida em que ele opta por utilizar seu tempo na geração de riqueza para os demais indivíduos da sociedade.
Por isso, quando ele acerta e ganha dinheiro como consequência,
isso significa que as demais
pessoas da economia saíram ganhando. Ele utilizou seu tempo para projetos
que, por serem lucrativos, demonstram estarem satisfazendo as necessidades mais
urgentes dos consumidores. Ele, em suma, criou valor.
Inversamente, se ele erra e perde dinheiro, isso
significa que ele dilapidou seu tempo e seu capital sem ter gerado nada de
valioso em troca. Os prejuízos auferidos pelo empreendimento significam que foram
criados bens e serviços que não são úteis aos consumidores. Recursos escassos
foram imobilizados e destruídos em atividades que não aumentaram o bem-estar
das pessoas. Ele, em suma, destruiu valor.
Até aqui, tudo certo: os interesses individuais e
coletivos estão em sintonia. Porém, o que ocorre com a dívida pública?
Por
que a dívida pública é uma fraude
Com a dívida pública, toda a rede de relações mutuamente
benéficas descrita acima é destruída.
Para começar, o que realmente permite a quitação da
dívida pública? Por acaso, seria a geração de bens futuros valiosos por parte dos
projetos em que o governo investe? Ou seria simplesmente a capacidade do
governo de arrecadar impostos de seus súditos?
É evidente que a resposta é a última.
Nenhum rentista investiria seu capital em uma
empresa cujo plano de negócios fosse cavar buracos para depois tapá-los
novamente. No entanto, quem empresta ao governo está fazendo exatamente isso.
O governo, desta forma, permite aos rentistas
realizar um uso improdutivo do seu tempo e do seu dinheiro sem experimentar perdas em decorrência disso.
E observe: não estou afirmando que o governo não pode
nunca fazer um uso produtivo dos recursos que maneja. O que estou dizendo é
que, primeiro, o governo não seleciona seus investimentos em função da
rentabilidade esperada dos mesmos (basicamente porque não tem
como conhecê-la) e, segundo, que o pagamento da dívida pública não depende do resultado positivo destes
investimentos.
Desta maneira, todo o processo econômico de geração de
riqueza fica completamente invertido: o rentista agora pode imobilizar seu
capital sem qualquer critério e, pior, irá se apropriar de parte da riqueza
produzida por todo o resto da sociedade (por meio dos impostos que o governo confiscará
dos produtivos para honrar os títulos em posse do rentista).
Os incentivos gerados por esse arranjo são claramente
perversos, especialmente para aqueles poupadores que rentabilizam seu capital
de maneira automática. Em momentos de crise, por exemplo, todos desejam
emprestar seu dinheiro para o governo: não porque imaginam que o governo fará
uso sensato e produtivo do mesmo, mas sim porque o governo detém o poder de
tributar os produtivos e, com isso, garantir a quitação deste “investimento”.
A injustiça é clara: os rentistas sem idéias nem
projetos podem agora proteger seu patrimônio — e, inclusive, auferir boas
rentabilidades — à custa daqueles outros rentistas — e trabalhadores e
empreendedores — que seguem se arriscando e contribuindo para manter a
economia funcionando.
Trata-se de um maciço arranjo de subsídio cruzado,
em que os interesses individuais entram em conflito com os interesses
coletivos: os investidores da dívida pública e os políticos gastadores e irresponsáveis
prosperam à custa dos pagadores de impostos presentes e futuros (trabalhadores,
empreendedores e investidores do setor privado).
Culpados
inocentes
Contudo, sejamos claros: mesmo com tudo o que foi
dito, não faz sentido considerar “inimigas da humanidade” aquelas pessoas que
se refugiam de maneira persistente na dívida pública.
A imensa maioria dos rentistas — entre os quais se
encontram, por exemplo, os pequenos poupadores que possuem planos de previdência
e fundos de investimento — desconhece as especificidades do problema, e se
limita a responder a incentivos: “se o governo me pede dinheiro emprestado e me
devolve com juros, então é claro que empresto”.
O que realmente está em questão é a urgência de se perceber
que a organização econômica atual — em que o trilionário volume da dívida
pública é o ativo predileto de bancos, seguradoras, fundos de pensão, fundos de
investimento — gera enormes distorções não apenas no lado financeiro da
economia, como também no lado produtivo: o governo se converte no garantidor de
fundos que ele desperdiça para financiar sua máquina burocrática, fundos estes
que ele só é capaz de amortizar confiscando parte da rentabilidade do capital
corretamente investido por outros cidadãos em investimentos realmente
produtivos e demandados pelos consumidores.
Assim, os produtivos, os corajosos e os dispostos a
assumirem riscos são penalizados para bancar os improdutivos e avessos ao risco.
Conclusão
Obviamente, só existem pessoas que emprestam para o
governo porque permitimos que o governo tenha carta branca para gastar mais do
que arrecada e se endivide em consequência disso. Caso nós cidadãos exigíssemos
que o governo fosse estritamente limitado ao que arrecada, a figura do rentista
desapareceria por completo.
De novo: só há rentistas porque o governo é
populista e gasta mais do que arrecada, pois os políticos querem acomodar as
demandas de todos os grupos de interesse. Quanto maior o escopo do governo,
quanto maior a variedade de áreas em que ele intervém, quanto maiores e mais
diversas as tarefas que os eleitores querem que ele faça, mais irão prosperar
os rentistas.
Logo, criticar rentistas mas não defender uma maciça
redução do papel e do escopo do estado é uma total contradição.
Por isso, para uma economia prosperar sem estas injustiças
cometidas pelo governo seria necessário um arranjo em que há ativos
absolutamente seguros porém nada rentáveis (como o ouro) e todo um conjunto de
projetos empreendedoriais com distintos perfis de duração e de risco, nos
quais, via debêntures, ações, títulos privados ou outros instrumentos, os
rentistas possam imobilizar seu capital, sempre assumindo a possibilidade de não recuperá-lo.
Uma economia cresce quando rentistas só conseguem obter
ganhos ao participarem do processo social de criação de riqueza. Por isso, um
arranjo próspero é aquele em que não há como rentistas auferirem retornos situando-se
à margem do processo de criação de riqueza — ou, principalmente, criando
obstáculos a ele.
Mas, para isso, é necessária uma profunda redução do
estado — o que quase ninguém quer.
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brasileiro realmente gasta com a dívida? Não é o que dizem os demagogos
O que vocês acham da Auditoria da Dívida ?
alguns economistas são contra dizendo que é pretexto pra dar o calote, outros concordam que se deve ter transparência e seria útil fazer uma auditoria.
Qual a opinião do IMB ?
Mais um excepcional texto!!
Aliás estava conversando com um amigo exatamente sobre esse tema.
O governo gasta muito e gasta mais do que arrecada porque seus eleitores assim desejaram.
Foi o povo, por meio do seu voto, quem pediu um estado cuidando de escolas, universidades, saúde, esportes, cultura, filmes nacionais, petróleo, estradas, portos, aeroportos, Correios, eletricidade, aposentadorias, pensões, e subsídios para pequenos agricultores e para megaempresários.
Acima de tudo, foi o povo quem pediu um estado ofertando amplos programas assistencialistas e uma crescente oferta de empregos públicos pagando altos salários.
Como não há imposto que chegue para bancar tudo isso, o governo tem de recorrer a empréstimos. Os rentistas agradecem.
E nêgo xingar rentista mas pedir ainda mais social-democracia mostra bem o nível de confusão mental que predomina.
Acabo de ver uma situação cômica, numa recente notícia entitulada: “Alemanha proíbe pré-venda de jogos sem data de lançamento”. Resolvi ler os comentários em um portal especializado no universo gamer. (Vejam bem, não eram comentários de um portal genérico como UOL ou G1). Resultado: estatismo nível hard, praticamente todos os consumidores saudavam o governo alemão por estar salvando os consumidores de serem enganados por empresários inexcrupulosos.
Ola´, acham que há um risco real de calote da dívida no próximo governo, seja calote aberto ou calote via inflação/monetização?
Mises escreveu sobre isso em Ação Humana:
“O problema assumiu maior importância quando os governos começaram a recorrer a empréstimos em longo prazo, perpétuos, cujo principal não seria nunca reembolsado.
O Estado, essa nova deidade da nascente estatolatria, essa eterna e super-humana instituição imune às fraquezas humanas, oferecia ao cidadão uma oportunidade de colocar sua riqueza a salvo de qualquer vicissitude. Abria o caminho para libertar o indivíduo da necessidade de arriscar e de ter que conseguir sua renda novamente, cada dia, no mercado capitalista.
Quem investisse seus recursos em títulos emitidos pelo governo ou por entidades paraestatais ficava liberado das inevitáveis leis do mercado e da soberania dos consumidores. Deixava de ter necessidade de investir recursos para melhor servir os desejos e necessidades dos consumidores.
Passava a ter segurança, protegido dos perigos da competição no mercado onde os prejuízos são a punição pela ineficiência; o Estado eterno o acolhia sob sua asa e lhe garantia o desfrute tranquilo de seus recursos.
Desde então, sua renda não mais decorria do processo de atender os desejos, mas dos impostos arrecadados pelo aparato de compulsão e coerção. Em vez de servir os seus concidadãos, submisso à sua soberania, passava a ser um sócio do governo que arrecadava impostos do povo.
O que o governo pagava como juros era menos do que o mercado oferecia. Mas esta diferença era fartamente compensada pela indiscutível solvência do devedor, o Estado, cuja receita não dependia de satisfazer o público, mas da cobrança inflexível do pagamento dos impostos.”
http://www.mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=301
Estou me sentindo mal de ter parte dos meus investimentos no tesouro. Vou ter que pensar melhor em que fazer. Mas no Brasil é complicado investir em algo seguro e rentavel com o estado e a justiça toda hora criando empecilhos para isso.
Um assunto próximo ao artigo.
As taxas de Juros de 2 anos e 10 anos dos títulos americanos estão prestes a se inverter
http://www.marketwatch.com/story/morgan-stanley-expects-the-inverted-yield-curve-harbinger-of-recession-in-2019-2018-07-12
fred.stlouisfed.org/series/T10Y2Y
Será que ela perdeu a capacidade de previsão das recessões ou podemos ficar mais atentos aos movimentos da economia americana? Digo isso, pois, também existe uma diferença substancial em como os juros foram manipulados nesse ciclo econômico
O objetivo dos capitalistas é o lucro e não as necessidades da população.
Li o artigo sobre o câmbio. Muito interessante. Fiquei, no entanto com uma dúvida. Quem garante que, na criação do Real, a relação 1 para 1 refletia corretamente os preços das mercadorias nas 2 moedas? Se não, esse erro vem se propagando desde então.
Tem um vídeo bem didático que cita a dívida do governo e o sistema financeiro como uma fraude, apesar de o vídeo ter outro foco.
A lógica do vídeo está correta?
The monetary system visually explained
youtu.be/lN657jMoASI
Não existe lucro sem risco.
Mas vamos imaginar a situacao hipotetica, na qual ninguem mais empresata dinheiro ao governo, nao importando quao altos os juros que eles oferecam. Nesse cenario, o governo ainda teria que se financiar, logo teria que aumentar impostos, o que tambem consiste em tirar do setor produtivo. Entao estou um pouco confuso com o que o IMB acha que seria o cenario ideal (assumindo obviamente que o governo queira mantero nivel de gastos). Poderiam esclarecer por favor?
Então posso inferir que os editores do site não possuem títulos públicos?
Soube que os EUA teve, por um breve período, “zero” dívida estatal. O que aconteceu com o país durante e após este período?
O carrapato está ficando maior do que o boi…
* * *
A questão fundamental é:
Eu posso fazer uma dívida hoje e deixar ela para meus filhos pagarem? Este contrato seria válido?
Se eu não posso fazer isso, o governo também não.
Logo dívida pública é um contrato inválido.
Mudando de assunto, não temos que admitir que as medidas de austeridade fracassaram na Europa?
Dívida pública não existe apenas para o Governo pegar dinheiro e gastar mais do que arrecada.
Ela também é ferramenta de Politica Monetária.
Meu povo, me tirem uma dúvida. Aquela frase dita sobre a dívida pública “…ela sempre foi paga parcialmente por meio da inflação monetária, a qual, ao diluir o valor da moeda, retornava ao proprietário do título um dinheiro cujo poder de compra é menor do que era quando ele havia emprestado ao governo”, isso serve para o Brasil? Vejam, se eu tenho um papel protegido pela inflação (IPCA + juros), como eu poderia ser prejudicado pela inflação? Temos artigos sobre isso?
Quando se diz que há uma bolha nos títulos da dívida pública nos EUA e na Zona do Euro isso quer dizer que, em outras palavras, esses ativos tiveram seus preços distorcidos devido aos programas de Quantative Easing adotados por ambos e – na próxima crise financeira mundial que está próxima – os dealers vão reavaliar a capacidade do governo de efetivamente pagar esses títulos, levando a uma desvalorização massiva e abrupta?
"Logo, criticar rentistas mas não defender uma maciça redução do papel e do escopo do estado é uma total contradição." O contrário também é verdade. São hipócritas as pessoas que investem em títulos do governo e não exigem redução do Estado. Aliás, se o governo focasse seus investimentos em melhorias de infraestrutura, poderia efetivamente trabalhar com o conceito de PPP. É possível realizar um arranjo econômico, de tal maneira que os investidores dessas obras pudessem explorar seus direitos econômicos durante um período ao invés de receber juros diretamente do governo. Isso sim ajudaria no crescimento econômico. Assim, se eu financio melhorias em um porto, por exemplo, tenho direito a receber um percentual sobre as tarifas e tributações de atividades desenvolvidas lá. Isso criaria uma enorme pressão sobre o governo para que cronogramas e orçamentos de projetos sejam cumpridos.
A dívida pública – qualquer que seja, é duplamente imoral -, pois se paga ela com impostos obrigatórios introduzidos pelos políticos – que já é imoral.
Uma parte o orçamento público vai para pagar juros e outra pequena parte para amortizações. Os políticos tem uma visão econômica de que a dívida é necessária para manter estabilidade em alguns investimentos no país e até de outros países.
Veja o site t.co/1f82xNTBzw é bem interessante e desmente muitas coisas que o MisesBrasil e outros sites capitalistas falam.
Eu nasci em 1970 e neste tempo todo, eu vi caírem de podres, vários regimes ou esquemas de poder. Regime Militar, Sarney, Collor, FHC e PT. Todos caíram basicamente, pelos mesmos motivos:
1- Colocaram os juros e o desemprego lá em cima. Ao mesmo tempo, colocaram o crescimento e o desenvolvimento lá embaixo.
2- Colocaram os interesses da especulação e da corrupção, acima dos interesses do povo brasileiro.
Tanto faz, a fachada. Tanto faz se sob o general-presidente Figueiredo ou da ex-terrorista marxista Dilma. Estas duas coisas, fazer uma crise econômica e os interesses da especulação e da corrupção, acima de tudo, foram seguidas, com fé fanática, por todos os governos de 1980 até hoje, 2018.
Tanto o Regime Militar, como Collor, como o PT, apenas cavaram suas próprias sepulturas políticas, fazendo estas coisas. Dilma, FHCannabis, Figueiredo, etc. tinham fachadas diferentes, mas fizeram a mesma crise econômica, ao povo brasileiro. Quem acabou com Regime Militar foi, o general Figueiredo. E quem tirou o PT do poder foi a Dilma.
Aí está, mais um governante, para o Brasil. O Bolsonaro. Se ele seguir estes dois passos acima, Bolsonaro estará cavando sua própria sepultura política também.
“Sim, a dívida pública é uma fraude” não não é!
Ora, como um instituto que se diz defensor do capitalismo pode ser contra dívidas e juros? Estamos voltando a moralidade da idade média na qual a igreja condenava tais práticas?
Dívidas e juros são a base do sistema capitalista. A dívida pública é um acordo entre a sociedade e os rentistas sem qualquer coerção. Impedir o estado de se endividar em um mundo capitalista é como defender que a empresa produtora de armas não possa se endividar pelo simples fato de os efeitos secundários não ser satisfatório. O estado é livre, viva a república!
Acho difícil um calote, pode até haver mas nesse caso toda a fundamentação do estado termina aí, o estado simplesmente acaba, e isso seria até bom. Mas é difícil, numa extremo ele imprime dinheiro, e quem pega esse dinheiro primeiro são os que emprestam ao tesouro (a remuneração da selic é diária).
Na boa mesmo… Ficar procurando hipocrisia na vida dos outros é um tanto quanto incoerente. A pessoa pode sim idealizar um estado menor, mas estar aproveitando uma possibilidade de lucrar algo com o atual sistema. Vai julgar os outros por isso? Então certifique-se que você é um ultra libertário que não usa o estado para nada. Nem você, nem sua família.
Eu tenho uma pergunta com relação aos patrimônios históricos. Se algum milionário comprar a Muralha da China, por exemplo e por meio de uma pesquisa perceber que traria muito mais lucro construir um shopping no lugar, ele poderia apagar uma parte importante da história e cultura de um povo em nome desse lucro? Já que a propriedade é dele??
Algo que me intriga no caso russo é a dívida, que não chega nem a 13%. Mais assustador que isso, é que já foi quase 100% há quase 20 anos! O que se deve a isso? Será que fizeram cortes massivos de gastos.
Que escreve nosso amigo Juan!!
Que sabe de economia?
Onde estudou?
Favor, lhe avisem para entrar em contato com Luis Caputo da Argentina!!
http://www.clarin.com/economia/luis-caputo-deuda-problema-importante-cumplir-metas-fiscales_0_S1xgZGjqcZ.html
(mensagem irónica, obvio)
há anos nao compro titulow do tesouro… hipocrisia criticar um governo que só gasta desenfreadamente mas ir lá e comprar os títulos que esse mesmo governo emite para ter uma “renda segura”… é como ser um terapeuta dos alcoolicos anonimos e ao mesmo tempo ser dono de um boteco…
Inversamente, se ele erra e perde dinheiro, isso significa que ele dilapidou seu tempo e seu capital sem ter gerado nada de valioso em troca. Os prejuízos auferidos pelo empreendimento significam que foram criados bens e serviços que não são úteis aos consumidores. Recursos escassos foram imobilizados e destruídos em atividades que não aumentaram o bem-estar das pessoas. Ele, em suma, destruiu valor.
Isso aqui não se aplica ao caso de empréstimos pra consumo e aí não há o que falar em projeto ou criação e destruição de valor, mesmo que o devedor pague ou não de volta o empréstimo.
E mesmo no caso de empréstimo para empresas, a empresa ter um retornonsuperior aos juros, se não o dinheiro só serve pra pagar o empréstimo de volta e não vai nada pro acionista.
Ou seja, um empréstimo para pequenas empresas que hoje giram em torno de 20% ao ano, se a pequena empresa tem lucro de 15%, o acionista, que eh um pequeno produtor, terá prejuízo.
Isso que acho injusto!
Vc pode falar que eh assim o sistema, não dá pra remar contra maré etc etc, mas injusto me parece. O pequeno empreendedor mesmo com retorno alto do seu negócio não consegue se manter e perde seu negócio pro banco
“Sem rentistas que abram mão do seu dinheiro — ou seja, do consumo presente — para que outros empreendedores com melhores idéias sejam capazes de criar novos e melhores planos de negócio, viveríamos em uma economia de subsistência.
Ao emprestar, o rentista não está apenas abrindo mão do consumo presente: ele está emprestando seu tempo na forma de capital. Ele está abrindo mão de prazeres presentes e restringindo seu consumo visando a um maior ganho futuro.”
Pois bem. Suponhamos que um determinado jovem, acabando de sair da faculdade onde fora um bom aluno nas ciencias economicas, venha a perder seu pai – um empreendedor – e receba de herança um indústria com valor de 1 bilhão de reais. Ele resolve vender, com algum agil e descontados os impostos pega o mesmo 1 bilhão em pagamento e investe tudo em títulos do governo que rendam 6 a 7% ao ano. Estamos falando portanto num rendimento de 200 mil reais ao dia em media.
Ora, não me parece que 200 mil reais ao dia seja quantia insuficiente para este jovem investidor “abrir mão de consumo” e “abrir mão de prazeres no presente”. Para qualquer padrão de consumo razoavelmente racional que contemple até algumas pequenas extravagancias, a maioria dos seres humanos consegue viver muito bem, obrigado, com um ganho de 200 mil reais ao dia.
Claro, que se ele tiver um padrão de consumo exótico (excessivamente gastador), ele abrirá mão de muitos PRAZERES EXÓTICOS, quando ele abre mão de GASTRAR o principal (1 bilhão) para gastar “apenas” os juros deste montante aplicado. Mas neste caso, penso eu, q se ele sucumbisse à extravagancia estaria atentando contra si próprio ja que gastaria todo o seu capital e ficaria pobre – ainda que neste meio tempo tivesse tido muito prazer. Em outras palavras, ser um retista não é ser um nobre que abre mão do que é bom para si, para ser bom para os outros. Ser rentista é ser bom, aliás, é ser muito bom principalmente para si mesmo.
“Sem rentistas que abram mão do seu dinheiro — … viveríamos em uma economia de subsistência.”
Isto não é verdade. O rentismo (não todo ele, mas a maior parte dele), cria verdadeiros desajustes sociais e econômicos quando usurpa pela via da agiotagem ao Estado, boa parte da renda estatal auferida dos impostos do contribuinte. Chega a ser surreal avaliar q de cada 1 real pago em impostos, 50 centavos servem apenas para pagar juros a rentistas (não é amortizar o debito principal, é amortizar juros de rolagem de dívida).
Aí, realmente, como é que poderemos ter serviços públicos equivalentes ao que pagamos em impostos se tais impostos não se revertem em serviços públicos ja q metade vai para pagar um dividida que o cidadão diretamente nunca fez. Por isso é tão discrepante a comparação entre serviços prestados pelo Estado e serviços prestados pela iniciativa privada mediante a valores de financiamento equivalente. Na iniciativa privada um percentual muito maior do que é pago pelo serviço se reverte em serviço, na iniciativa pública, uma fração apenas – pois, parte disso se reverteu a pagar os “200 mil por dia do jovem rentista q resolveu aplicar a sua herança”.
Ora, não é difícil projetar que um governo endividado e precisando de capital para existir endividado aumentará a sua sanha de dinheiro e buscará obtê-lo por meio do aumento de impostos ao cidadão que trabalha e produz. O efeito natural deveria ser a insurgência. Mas não é. O cidadão sequencialmente abre mão de seu consumo para pagar mais impostos, que pelo desvio de finalidade para que são usados, passam a se configura roubos. Dia após dia – submetidos a estratagemas do sistema financeiro – o cidadão frequentemente impelido a consumir, se endivida. Recorre ao banco… Bingo, se expõe a ser duplamente explorado: 1 pelo estado pela via dos impostos, 2 pelo sistema financeiro que financia os rentistas. …. Uma verdadeira escravidão moderana institucionalizada. Projete esta situação para alguns anos, decadas talvez eu não sei qual o resultado – o colapso? a estagnação?
Neste ponto, tais rentistas deveriam saber que dinheiro parado não gera renda. E uma sociedade miserável não aufere bons serviços para serem consumidos. Sequer, oferta boa segurança.
“Obviamente, só existem pessoas que emprestam para o governo porque permitimos que o governo tenha carta branca para gastar mais do que arrecada e se endivide em consequência disso. Caso nós cidadãos exigíssemos que o governo fosse estritamente limitado ao que arrecada, a figura do rentista desapareceria por completo.”
Isto normalmente não é verdade. Se um governo (brasileiro) arrecada 1 tri em impostos num determinado ano, e tem 500 bi para pagar em rolagem de juros, sobram 500 bi para a folha, pros amigos do chefe, e para os gastos com politicas publicas. Se, neste mesmo ano os compromissos assumidos custarem 1,1 tri, mas, so tem 1 tri, este déficit normalmente é compensado em precarização do serviço publico. É uma obra que não termina, uma reposição de pessoal que não ocorre, um plano de investimento q não sai do papel. Pelo menos é assim que se propõe o estado após a sanção da lei de responsabilidade fiscal. Existem sim, os casos onde o governo gasta mais do que arrecada, e isto geralmente ocorre como forma de honrar os pagamentos de juros – pois, de alguma forma – honrar esta despesa deve ser crucial para manutenção do modelo de governança atual.
“Uma economia cresce quando rentistas só conseguem obter ganhos ao participarem do processo social de criação de riqueza. Por isso, um arranjo próspero é aquele em que não há como rentistas auferirem retornos situando-se à margem do processo de criação de riqueza”
Isto é verdade e eu sempre digo isso.
“Mas, para isso, é necessária uma profunda redução do estado — o que quase ninguém quer.”
Eu diria que sim. Mas não apenas isso.
Veja bem, a redução do Estado inicialmente teria um grande impacto redutor sobre o rentismo. Mas esta redução do Estado não garantiria que o sistema bancado pelo rentismo não desenvolvesse outras formas de cooptar os ganhos dos trabalhadores/empreendedores. O fato é que a maioria das pessoas ignorantes (economicamente), não se ressabiam nem um pouco de pagarem juros ao sistema mesmo quando elas não precisam fazer isso. Nossa sociedade se endivida para tomar cerveja e comprar abadá de carnaval. A ausência do Estado não me parece ser fator, em longo prazo, capaz de barrar uma investida de todo aparato de marketing feito para transformar cidadãos trabalhadores/investidores em pagadores de juros. Penso que acima da redução do Estado precise haver algum modelo de educação das pessoas para que estas aprendam mecanismos que barrem a alimentação do rentista. Cada cidadão deveria ter fissura em não pagar 1 centavo sequer de imposto ao sistema financeiro, nem que para isso o custo fosse a estagnação (o que não seria, pois o sistema precisa do cara produzindo). Infelizmente, tem ocorrido o contrario, cada cidadão tem buscado se educar no sentido de ser um micro-rentista, mas, isso não tem como ser bom para o todo da sociedade pois, o modelo é de um ganhar e alguns pagarem (perderem).
A minha desesperança so não é completa porque como o contingente de ignorantes é muito grande, pode ser que um dia, recebendo algum conhecimento, possam massivamente se insurgir contra a escravidão insituicionalizada no qual o Estado, mas principalmente o renstismo, transformou o nosso modo de vida.
Tem uma informação que queria achar no IMB e nada até o momento.
De como a dívida externa com o FMI teria sido sanada, bradada pela esquerda, em meados dos anos 2000?
Foi de fato, uma ”troca” ou seja, se pagou os compromissos daquela (de juros menores) por outra que seria a emissão de títulos públicos a juros bem mais altos?
No aguardo de uma elucidação nisso.
Desde já grato pela atenção, e que o Brasil siga se endireitando em outubro de 2020.
Off Topic:
Não nos esqueçamos, também: o rapaz que atualmente preside o Banco Central implementou o tabelamento de juros do cheque especial.
Simplória visão a médio prazo:
– Selic na casa dos dois dígitos
– Câmbio, com muita força, estaciona nos 5 reais
– Brasil completará dez anos sem lograr um magro déficit primário
—————————————-
Faço uma pergunta aos colegas leitores do Instituto:
Como contornar as travas existentes para o corte dos gastos governamentais?
As travas a que me refiro são:
– a diminuição dos salários com correspondente diminuição da carga horária do funcionalismo público, nas três esferas, são vedadas pela Constituição e referendadas por decisão do STF
– a diminuição ou até a abolicao da carteira de investimentos do BNDES já foi veementemente refutada pelos funcionários de carreira da instituição, uma verdadeira ilha
– mesmo o teto, uma medida magistral que promove a sobrevida do real, prevê o endividamento indefinido através de crédito suplementar, bastando o aval do Congresso
E agora? Nos Estados a situacao é ainda mais absurda, vide o Rio de Janeiro: mais de 70% da arrecadação advinda dos royalties são gastos com o pagamento de aposentadorias do funcionalismo público. Exatamente isso: aquele dinheiro que vem de ,aproximadamente, 5000m abaixo do nível do mar, uma verdadeira dádiva, é torrado desta forma, sem pudor nenhum.
Senhores, até quando pagaremos o preço das políticas econômicas fascistas implementadas no nosso país no primeiro quartel deste século? Aliás, não nos esqueçamos, estamos com uma transição demográfica instalada no modo turbo, precisaremos garantir a dignidade dos milhares de senis logo, logo.
Como me referi em outro comentário, é apenas um desabafo. Vamos acompanhar Buenos Aires?