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Há 95 anos, a moeda morreu na Alemanha – e, junto com ela, toda a moralidade

A história da destruição do marco alemão durante a
hiperinflação da República de Weimar, de 1919 até o seu auge em novembro de
1923, é normalmente descartada como sendo apenas uma bizarra anomalia ocorrida
em toda a história econômica do século XX.

Mas nenhum episódio ilustra de maneira mais completa
as sinistras consequências do que pode ocorrer quando o dinheiro se torna um
mero papel sem nenhum lastro e passa a ser utilizado livremente pelo
governo. 

Mais ainda: nenhum episódio apresenta um argumento
mais devastador e real contra o papel-moeda fiduciário: quando não há restrição
à maneira como o governo gerencia moeda, ela morrerá.

“O fato de que as causas da inflação ocorrida
na República de Weimar, bem como toda a conjuntura da época, dificilmente irão
se repetir é o de menos”, escreveu o historiador britânico Adam Fergusson
em seu clássico de 1975, Quando o Dinheiro
Morre
. “A pergunta a ser feita — ou perigo a ser reconhecido — é
como a inflação, qualquer que seja a sua causa, afeta uma nação.”

Antes da Primeira Guerra Mundial, o marco alemão, o
xelim britânico, o franco francês e a lira italiana tinham aproximadamente os
mesmos valores — quatro para um dólar.

Ao fim de 1923, a taxa de câmbio do marco já era de
um trilhão de marcos para um dólar — o que significa que a moeda havia perdido
99,9999999996% do seu poder de compra nesse período; ou, em outras palavras,
ela valia um milionésimo de milhão do que valia há apenas dez anos.

Em meados de 1922, uma fatia de pão custava 428
milhões de marcos, e todas as ações da Daimler Corporation compravam o equivalente
a 327 de seus carros. Já em novembro de 1923, uma quantidade de marcos que, dez
anos atrás compraria 500 bilhões de ovos, agora mal conseguia comprar um ovo.

O ex-primeiro ministro britânico David Lloyd George,
escrevendo em 1932, comentou que palavras como “catástrofe”,
“ruína” e “devastação” não eram suficientes para descrever
a situação alemã, dado que seus significados já haviam se tornado banais.
Saques, vandalismo, roubos, ascensão da prostituição, inanição, doenças, e até
mesmo consumo de cães se tornaram banais. Pessoas tinham suas roupas
roubadas nas ruas. Tudo isso eram eventos do cotidiano de uma sociedade
“burguesa” da época.

A constante iminência de uma guerra civil pairava
sobre a Alemanha, como já estava acontecendo com o bolchevismo na Rússia. A Baviera
teve de declarar lei marcial.

A ascensão da moeda de papel após 1910

A inflação na Alemanha começou lentamente.

Em 1871, o marco se tornou a moeda oficial do
Império Alemão (Deutsches Reich). Porém, com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, a
conversibilidade do agora chamado reichsmark em ouro foi suspensa no dia 4 de agosto de
1914. Sendo assim, o reichsmark, que até então era lastreado em ouro (e
que, por isso, também era chamado de goldmark), se transformou no
papiermark, uma moeda de papel puramente fiduciária, sem nenhum lastro. 

Em 1914, a quantidade de papiermark em circulação
era de 5,9 bilhões; já em 1918, era de 32,9 bilhões. De agosto de 1914 a
novembro de 1918, os preços no atacado subiram 115%, o que significa que o
poder de compra do papiermark caiu mais de 50%. Neste mesmo período, a
taxa de câmbio do papiermark se depreciou 84% em relação ao dólar americano.

Inicialmente, o Reich financiou suas despesas de
guerra majoritariamente por meio do endividamento. A dívida pública total
subiu de 5,2 bilhões de papiermark em 1914 para 105,3 bilhões em 1918.[1] 

E aí o governo recorreu cada vez mais à inflação monetária
(impressão de dinheiro).

Começando em 1919, a velocidade da inflação
aumentou, e o índice pulou para 12,6 em janeiro de 1920; 14,4 em janeiro de 1921
e 36,7 em janeiro de 1922. Na segunda metade de 1922, o índice já estava em 101
em julho; e foi para 74.787 em julho de 1923 e 750 bilhões em 15 de novembro de
1923.[2]

A nota de 100 trilhões de marcos foi então emitida e
as impressoras do Reichsbank estavam imprimindo dinheiro ao ritmo recorde de 74
trilhões de cédulas de marcos por semana.  

Em vez de parar com essa loucura, o Reichsbank
continuou a imprimir cada vez mais dinheiro, com a justificativa de que, agindo
assim, estava mantendo o emprego estável, e que o momento de voltar à
normalidade “estava próximo”. 

Enquanto isso, uma atmosfera de caos civil reinava.

A
Primeira Guerra

Antes de 1914, a política do Reichsbank impunha que
pelo menos 1/3 do papel-moeda emitido tinha de estar lastreado em ouro. Porém,
tão logo o dinheiro de papel sem lastro passou a ser de curso forçado na
Alemanha, em 1910, tudo se tornou um experimento imprudente.

Ao explodir a guerra, a maioria do mundo já havia
desistido do padrão-ouro e abraçado com entusiasmo o dinheiro de papel sem
lastro e de curso forçado. O ouro foi retirado de circulação e majoritariamente
estocado nos cofres de alguns poucos bancos centrais, principalmente o dos EUA:
de agosto de 1913 a agosto de 1919 o estoque de ouro monetário em posse do
Banco Central americano — o Federal Reserve — aumentou 65%.

Enquanto isso, na Alemanha, o governo vendia
maciçamente títulos do Tesouro, apelando ao patriotismo de massa para pagar
pela guerra. Fortunas privadas foram transferidas para meros títulos de papel
emitidos pelo estado, enquanto o Reichsbank suspendia a restituição de cédulas
de dinheiro em ouro. Foram criados vários bancos com o objetivo único de
imprimir dinheiro para emprestar, de modo que o crédito se tornou irrestrito
para estimular as compras dos títulos emitidos pelo Tesouro alemão para
financiar a guerra.  

Em contraste, a Grã-Bretanha financiou a guerra com
uma medida bem mais prudente do ponto de vista inflacionário: Londres aumentou
os impostos sobre os grupos e indústrias que lucrariam com a guerra.

Após a guerra, o ouro da Alemanha foi exaurido com o
pagamento das reparações de guerra e também como resultado da invasão francesa
do Ruhr. Ainda assim, o pouco que restou do ouro era o que fornecia algum
alívio ocasional aos cidadãos alemães, quando algumas indústrias conseguiam
pagar seus funcionários com pequenas quantias do metal dourado. A Höchst Dye
Works
, por exemplo, pagava seus funcionários com os 400.000 francos suíços que
ela havia armazenado em bancos suíços.

O
Tratado de Versalhes e a República de Weimar

O tratado de Versalhes não foi o culpado principal;
ele apenas piorou a política monetária que já estava em curso antes da guerra.

A nova República de Weimar enfrentou desafios
econômicos e políticos magnânimos.  Em 1920, a produção industrial havia
despencado para apenas 61% do nível alcançado em 1913, e em 1923 caiu ainda mais,
para 54%. Os terrenos perdidos após a promulgação do Tratado de Versalhes
haviam enfraquecido consideravelmente a capacidade produtiva do Reich: o
Império perdera aproximadamente 13% de suas terras e, em decorrência disso,
aproximadamente 10% da população alemã vivia agora fora das fronteiras. 

Adicionalmente, a Alemanha tinha de fazer vários
pagamentos indenizatórios para os países vencedores da Primeira Guerra. 

Ainda mais importante, no entanto, foi o fato de que
os novos e inexperientes governos democráticos da Alemanha queriam atender ao
máximo possível os desejos de seus eleitores. Dado que as receitas
tributárias eram insuficientes para financiar estas despesas, o Reichsbank teve
de recorrer à impressora de dinheiro.

De abril de 1920 a março de 1921, a proporção de
receitas tributárias em relação aos gastos totais do governo era de apenas
37%. Após isso, a situação melhorou um pouco, de modo que, em junho de
1922, os impostos chegaram a cobrir 75% dos gastos totais. 

Mas então a situação voltou a deteriorar. E de
maneira pavorosa. 

Já no final de 1922, a Alemanha foi acusada de
atrasar seus pagamentos indenizatórios. Para reforçar suas
reivindicações, tropas belgas e francesas invadiram e ocuparam o Vale do Ruhr,
o coração industrial do Reich, em janeiro de 1923. O governo alemão, então
sob o comando do chanceler Wilhelm Kuno, conclamou os trabalhadores do Vale do
Ruhr a resistir a toda e qualquer ordem dos invasores, prometendo que o Reich
continuaria pagando seus salários. 

Para manter todo esse arranjo, o Reichsbank começou
a imprimir ainda mais dinheiro para financiar os gastos do governo (em termos
técnicos, o Reichsbank estava “monetizando as dívidas do
governo”). 

O intuito era utilizar o dinheiro recém-criado para
compensar a queda da arrecadação tributária e pagar os salários, as
transferências sociais e os subsídios. 

De maio de 1923 em diante, a quantidade de
papiermark começou a ficar fora de controle. Subiu de 8,610 bilhões em
maio para 17,340 bilhões em abril, para 669,703 bilhões em agosto até alcançar
400 quintilhões (ou seja, 400 seguido de 18 zeros) em novembro de 1923. 

Os preços no atacado dispararam para níveis
astronômicos, aumentando 18.000.000.000.000% (dezoito trilhões por cento) desde
o final de 1919 até novembro de 1923. 

Apenas naquele mês, o preço do dólar em
termos de papiermark subiu 8,9 trilhão por cento. Em suma, o papiermark
havia afundado e não comprava nem poeira.

O colapso da moeda e da economia

Em seu livro The
Downfall of Money:Germany’s Hyperinflation and the Destruction of the Middle
Class
Frederick Taylor escreve que “pessoas com renda média
e sem nenhum acesso a produtos agrícolas ou a moeda estrangeira foram forçadas
a aprender a caçar e a ficar em filas por comida — tanto porque sua renda
frequentemente não era o suficiente para comprar o que queriam em um
determinado dia, como também porque havia, à medida que a hiperinflação se
intensificava, uma genuína escassez de comida.”

Já os agricultores simplesmente não queriam trocar
seus alimentos por inúteis pedaços de papel que não tinham nenhum valor.
“Naquilo que rapidamente estava regredindo para voltar a ser uma economia
baseada no escambo, os mais espertos, para não dizer desonestos, chegavam
rapidamente ao topo da cadeia darwiniana”, escreveu Taylor. “Nas
áreas rurais, os médicos exigiam pagamento em comida dos fazendeiros que os
procuravam”.

Os trabalhadores começaram a ser pagos diariamente,
e os homens, tão logo recebessem seus salários, iam correndo com suas mulheres
comprar qualquer coisa que conseguissem. O
objetivo era tentar trocar o dinheiro por qualquer quantidade de bens
possível. Caso não fizessem, o dinheiro que em suas mãos iria simplesmente
perder todo o seu poder de compra ao longo do dia, e não lhes permitiria
adquirir nada no dia seguinte.

Após comprar os itens essenciais, eles corriam até
um banco para comprar qualquer moeda forte que ainda restasse. O número de
bancos aumentou substantivamente para lidar com esse novo negócio.  

Em 1921, 67 novos bancos foram abertos. Em 1922,
mais 92. E mais 401 surgiram em 1923-24. 

O número de funcionários de banco quadruplicou nesse
período. O Deutsche Bank tinha 15 filiais em 1913. Dez anos depois, já eram 242.

Não foi a pujança da atividade econômica que criou a
necessidade desses novos bancos. “Os bancos estavam sobrecarregados de
ordens para comprar e vender ações e moedas estrangeiras. E os cidadãos comuns,
em número cada vez maior, se tornavam especuladores da bolsa”.

Com o colapso da moeda, o desemprego disparou. Desde
o final da Primeira Guerra, o desemprego havia se mantido em níveis
consideravelmente baixos, uma vez que os governos de Weimar mantiveram a
economia artificialmente aditivada por meio de vigorosos déficits e impressão
de dinheiro. Ao final de 1919, a taxa de desemprego estava em 2,9%; em
1920, em 4,1%; em 1921, em 1,6%; e em 1922, em 2,8%. 

Após o colapso, a taxa de
desemprego chegou a 19,1% em outubro, a 23,4% em novembro e a 28,2% em dezembro
de 1923. 

A hiperinflação empobreceu a esmagadora maioria da
população alemã, especialmente a classe média. As pessoas passaram a sofrer com
a escassez de alimentos e com a falta de proteção contra o frio. Elas estavam também literalmente morrendo de fome, pois nenhum agricultor queria abrir mão de seus produtos em
troca de uma moeda que não valia nada. Toda a colheita de 1923 ficou
estocada nos silos dos agricultores; enquanto isso, as prateleiras dos
supermercados estavam vazias. 

O extremismo político passou a ficar em evidência e
se tornou plenamente aceitável.

O
colapso da moral

Tendo gerado escassez no mercado com suas políticas inflacionárias, as autoridades alemãs criaram novas regulações para tentar corrigir a irracionalidade que eles próprios haviam criado. O roteiro é sempre o mesmo, em todos os países: o governo cria intervenções que geram consequências inesperadas, e decide então recorrer a intervenções ainda mais violentas para “sanar” as consequências não previstas das intervenções anteriores.

Mas isso logrou apenas destruir também toda a moralidade.

“O colapso da moeda e o colapso da moralidade
se tornaram idênticos”, escreveu Frederick Taylor. 

Não eram apenas as prostitutas que vendiam seus
corpos. “As recém-desprovidas filhas da classe média educada (em
alguns casos, filhos também), que agora estavam no mercado do sexo pago,
estavam inteiramente disponíveis a qualquer preço — preferivelmente em troca
de cigarros, metais preciosos ou moeda forte em vez de marcos de papel.”

Com a inflação tendo destruído toda a poupança da
classe média, as moças jovens simplesmente não tinham nenhum dote a ser
oferecido a pretensos futuros maridos. “Quando a moeda perde
totalmente seu valor”, escreveu uma mulher, “ela destrói todo o
sistema burguês baseado no matrimônio, de modo que destrói também toda a ideia
de se manter casta até o casamento”.

Taylor cita uma história relatada pelo escritor russo Ilya
Ehrenburg
 sobre uma noite que ele passou com alguns amigos em
Berlim. Segundo Ilya, eles terminaram a noite visitando uma família alemã
em um “apartamento burguês perfeitamente respeitável”.  Foi-lhes
oferecido limonada com um pouco de álcool e

então as duas filhas que estavam na casa
entraram na sala, totalmente nuas, e começaram a dançar. A mãe olhava
esperançosa para as visitas estrangeiras: talvez suas filhas fossem do agrado
das visitas, e talvez as visitas pagassem bem — em dólares, obviamente. “E
é isso o que chamamos de vida”, suspirou a mãe. “Na verdade, é
pura e simplesmente o fim do mundo”.

[Nota do Editor: a hiperinflação vivenciada
pelo Brasil no período 1980-1994
 foi atenuada pelo fato de que, além
do mecanismo da correção monetária (uma invenção brasileira), a classe média e
a classe alta tinham acesso ao sistema bancário e utilizavam suas aplicações
(como as aplicações no overnight) para se proteger da hiperinflação. Essas duas coisas não existiam na Alemanha da década de 1920. Houve muita
escassez e racionamento no Brasil, mas não houve uma completa chacina da classe
média, como houve na Alemanha].

A Alemanha se vira para o Rentenmark

No momento de maior crise, a política monetária foi
retirada das mãos do Reichsbank naquilo que foi efetivamente um coup
d’etat 
pelo chanceler Gustav Stresemann.
Todos os empréstimos ao governo foram cancelados. A política monetária foi
descentralizada. O estado foi rigorosamente separado da economia.

Uma estrutura bancária paralela foi
organizada por um proeminente economista rebelde não-ligado ao governo. Ele
criou um novo esquema em que a moeda era lastreada por pão de centeio — a
commodity mais cobiçada na época –, e mais tarde por ouro, quando a commodity
passou ser usada novamente.

As moedas “lastreadas por ouro”, os
Rentenmarks, tinham como garantia financiamentos imobiliários em propriedades
fundiárias e títulos de dívida da indústria alemã na quantia de 3 bilhões de
marcos de ouro.

Mas eis o curioso: praticamente não havia reservas
de ouro. Não havia ouro nos cofres do Rentenbank (o então Banco Central
alemão). Nenhuma cédula de rentenmark era conversível em ouro. Simplesmente
o valor do rentenmark era mantido constante em termos de ouro. Como isso
era feito? O Rentenbank simplesmente expandia e contraía a base monetária
(vendendo e comprando ativos) de modo a manter o valor do rentenmark o mais
estável possível em termos de ouro. O mecanismo era um simples ajuste da
oferta de moeda.

Mesmo não havendo ouro, o incalculável efeito social
e psicológico sobre a população gerado pelo simples anúncio de que a moeda
havia retornado a uma paridade com o ouro, na relação de um para um. Acalmou as
tensões sociais e deu início à estabilização econômica.

Os agricultores aceitaram o rentenmark, desovaram
seus estoques, e a população alemã repentinamente se viu repleta de opções
alimentícia à sua volta. Bastou apenas devolver estabilidade à moeda e
toda a crise acabou e a economia voltou a crescer.

“A genialidade do Rentenmark é que ele livrou o
Reichsbank de ter de financiar o governo,” escreveu Adam Fergusson. Uma
disciplina rigorosa sobre os gastos públicos foi imposta, assim como a
proibição de o Reichsbank emprestar para o governo. Por muitos anos após, era
comum que obrigações de longo prazo contivessem cláusulas de ouro para que os
credores pudessem se garantir contra uma nova e repentina desvalorização da
moeda.

Conclusão

Não é difícil de entender por que os alemães de hoje são tão avessos a qualquer tipo de política monetária que tenha semelhanças com uma política hiperinflacionária. A revista britânica The Economist disse jocosamente que os alemães sofrem de “fobia” em relação à hiperinflação. 

É claro. Quando um alemão se lembra de como a taxa de câmbio do marco pulou de 4,2 marcos por dólar em 1914 para 4,2 trilhões de marcos por dólar em novembro de 1923; quando ele se lembra de que, em meados de 1922, um pão custava 428 milhões de marcos; e que, em novembro de 1923, um ovo custava 500 bilhões de marcos, as memórias obviamente não podem ser boas. 

Tendo conhecimento de algumas dessas histórias, e
olhando a corrupção moral a que foi submetida a Alemanha, não é de todo
incompreensível entender fenômenos como a ascensão de Hitler. E também não
é incompreensível por que os alemães de hoje não são muito tolerantes com seus
vizinhos europeus que defendem políticas inflacionárias.

A Venezuela já passou do
ponto
, mas há outros países, como a Argentina, que estão
em caminhos perigosos no que tange às suas moedas. Eles deveriam ler um
pouco da história da Alemanha.

_________________________________

Leia
também:

A hiperinflação alemã,
1914-1923

Como se deu o milagre
econômico alemão do pós-guerra


[1] Ver
em H. James, “Die Reichbank 1876 bis 1945,” in: Fünfzig Jahre
Deutsche Mark, Notenbank und Währung in Deutschland seit 1948
, Deutsche
Bundesbank, ed. (München:
Verlag C. H. Beck, 1998), pp. 29 – 89, esp. pp. 46 – 54; C.
Bresciani-Turroni, The Economics of Inflation, A Study of Currency
Depreciation in Post-War Germany
 (Northampton: John Dickens & Co.,
1968 [1931]); também F.D. Graham, Exchange, Prices, And Production in
Hyper-Inflation: Germany, 1920 — 1923
 (New York: Russell &
Russell, 1967 [1930]).

[2] Para
mais detalhes ver Bresciani-Turroni, Economics of Inflation, chap.
IX, pp. 334–358.

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76 comentários em “Há 95 anos, a moeda morreu na Alemanha – e, junto com ela, toda a moralidade”

  1. Eu ia dizer que o artigo é sensacional, mas aí percebi que tal adjetivo fica deslocado perante tudo o que foi relatado, e mais ainda quando me lembro que isso tudo está acontecendo exatamente agora no vizinho ali de cima…

  2. Acho que esse modelo alemão pode e deve ser copiado por nós, mas desde que esteja sob meu controle.

    Vejam como toda essa criação de dinheiro gerou uma enorme demanda agregada! Ao ser estimulada, a demanda criou vários bancos!

    E a indústria de papel e de tinta também foram estimuladas – afinal, as notas tinham que ser impressas.

    E os trabalhadores tinham aumentos salariais diários!

    Vocês neoliberais fascistas não sabem do que estão falando.

  3. A prostituição na orla de Copacabana explodiu justamente na década de 80 e início da de 90, quando a moeda nacional era uma piada, e a demanda por moeda estrangeira (fornecida por turistas e executivos estrangeiros) explodiu.

  4. “O colapso da moeda e o colapso da moralidade se tornaram idênticos”, escreveu Frederick Taylor.

    Não eram apenas as prostitutas que vendiam seus corpos. “As recém-desprovidas filhas da classe média educada (em alguns casos, filhos também), que agora estavam no mercado do sexo pago, estavam inteiramente disponíveis a qualquer preço — preferivelmente em troca de cigarros, metais preciosos ou moeda forte em vez de marcos de papel.”

    Interessante que esse mesmo tipo de degradação sempre aconteceu também em Cuba, só que, ao invés de marcos, temos pesos cubanos (que nada compram).

  5. Cristiane de Lira Silva

    (…)

    “Com a inflação tendo destruído toda a poupança da classe média, as moças jovens simplesmente não tinham nenhum dote a ser oferecido a pretensos futuros maridos. “Quando a moeda perde totalmente seu valor”, escreveu uma mulher, “ela destrói todo o sistema burguês baseado no matrimônio, de modo que destrói também toda a ideia de se manter casta até o casamento”.

    (…)

    “então as duas filhas que estavam na casa entraram na sala, totalmente nuas, e começaram a dançar. A mãe olhava esperançosa para as visitas estrangeiras: talvez suas filhas fossem do agrado das visitas, e talvez as visitas pagassem bem — em dólares, obviamente. “E é isso o que chamamos de vida”, suspirou a mãe. “Na verdade, é pura e simplesmente o fim do mundo”.

    (…)

    So tenho uma coisa a dizer sobre o isso: feliz é a nação onde existe progresso e as mulheres trabalham, votam e tem liberdade sexual. Feliz é a nação em que as mulheres são gente!

    No primeiro caso as mulheres eram mercadorias cujo valor estava em uma b***** com hímen que aliás valia pouco pois ainda precisava do dote pra ser comprada. No segundo caso as mulheres eram mercadorias que precisavam mostrar seus “dotes” porque não tinham o dote em dinheiro. Em ambos os casos não passavam de mercadorias vendidas pelas suas famílias. Em ambos os casos não tinham dignidade e liberdade nenhuma. Obrigada feminismo por tudo que eu tenho hoje! Vocês agora me deixaram em dúvida se eu devo agradecer ou não também ao estado pelo fim da prática da venda de mulheres com dote em casamento arranjado. Será que esse “digno” costume acabou depois da crise?

  6. Cristiane de Lira Silva

    Pessoas, se o digníssimo costume da venda de b. com himens e dotes na Alemanha acabou por causa da crise então desculpem mas eu vou ter que agradecer a impressora!!! O capitalismo foi um inútil nessa situação.

  7. Qualquer semelhança não é mera coincidencia.

    SE a moeda não queimar na fogueira da inflação devido as travas que o BC colocou, vai queimar na fogueira do juros, que mesmo na canetada da selic, não impede os juros de mercado explodirem, leiam TD, ou no cambio.

    O tal tripé macroeconomico não foi uma invenção dalgum economista cruel, mas tão e simplesmente uma leitura da realidade como ela é.

    Se vc bambeia uma perna, as outras precisam se mexer pra manter o equilibrio, um dado da natureza, assim como os ciclos lunares ou das marés, mais hora menos hora o “mercado” compensa, jogando no lixo toda a bravata populista que a negou, que a distorceu, que tentou manipulá-la

  8. Zézão Cianureto

    Estranho é o povo alemão. Ficaram com horror a hiperinflação mas logo em seguida voltaram a eleger um Estado Grande e controlador. Que acabou levando-os a outra guerra e mais hiperinflação.

  9. Eu tenho algumas dúvidas com relação à moeda.

    Como funciona a emissão de moeda na prática ? É sempre por via dos bancos ? Como é ?

    Como o governo sabe quanto de moeda tem em circulação ?

    A casa da moeda fabrica todo dia moeda e joga na economia ou existe algum intervalo ? Como funciona isso ? Todo dia a casa moeda ta imprimindo mais dinheiro ou Existe algum tipo de controle ?

    Pra impedir a inflação o governo tem formas de retirar o excesso de moeda em circulação ?

    Existe alguma forma do governo aumentar o poder de compra de uma moeda sem torná-la escassa ?

  10. Olá! Apesar de conhecer o site a algum tempo, eu costumo ler poucos artigos. Confesso que tenho vontade de conhecer mais sobre a escola austríaca e tudo mais, porém eu fico em dúvida: quais consequências práticas (e psicológicas) que esse conhecimento terá na minha vida?

    Tendo em vista que me considero (quase) totalmente descrente em um Brasil ” do futuro” que aplicasse os princípios e ideias que esse conhecimento carrega.

    Então a pergunta que resta: porque aprender sobre esses assuntos se não tenho perspectiva nenhuma de ver isso em prática?

    Quais as mudanças práticas que ocorreram em suas vidas? Levando em conta o período “antes” e “após” Mises ?

  11. Lendo esse artigo e alguns relacionados (em especial “A tragédia da inflação brasileira – e se tivéssemos ouvido Mises?” ) fiquei com uma dúvida.

    Como faço para encontrar as seguintes informações:

    1. Quanto o governo brasileiro está aumentando a base monetária nesse momento?

    2. Por quais meios ele está realizando esse aumento? Para quem ele está emprestando dinheiro? Quais setores da economia estão recebendo esse dinheiro?

  12. E se o Brasil/Argentina/Venezuela/Alemanha da República de Weimar adotasse a taxa de cambio fixa através de um currency board como li uma vez aqui no Mises?

  13. Uruguay e Equador, o que dizer sobre esses países que crescem tanto?

    Até onde eu sei, tão crescendo pra caramba mesmo tendo um ambiente não muito hostil pra negócios.

    Queria um artigo do mises sobre ele, parecem ser que nem o Peru, ninguém liga e parece ter coisas interessantes

    Abraços

  14. Por onde anda aquele pessoal que critica Bitcoin por ser volátil? E o pessoal que se sente seguro em NTN-B ou imóveis no Brasil? E aqueles que valorizam a segurança de um bom emprego público, que acabaram de ter uma redução drástica de seu salário em dólar em poucos dias (sendo que vários estão até recebendo seus proventos parcelados)?

  15. Rodrigo Wettstein

    Gostaria de provocar os demais em alguns pontos.

    1) Em relação ao cálculo em um dos comentários do Leandro a respeito da direção do câmbio, sem objetivo de se ter o valor do câmbio, se austríacos calculam taxa de expansão monetária com a taxa de crescimento da atividade econômica, eles estariam esquecendo que dinheiro mantidos em bancos a longo prazo (seja em reservas internacionais ou em investimentos em bancos nacionais) não causam impacto a curto e médio prazo na economia e, portanto, não impacta na inflação ou no câmbio? Neste caso, não seria melhor calcular a taxa de crescimento do M0, que é a economia ativa?

    Obs1: Lembro da lição da crise de 2008 que o Leandro nos deu na questão expansão monetária dos EUA restrito apenas aos bancos, sem desaguar completamente na economia e pensei nisso.

    2) O IPCA é definido, queiram ou não, politicamente. E, se houvessem menos críticas por parte dos economistas, que já é mínima, seria composto pelo preço da luz do Sol, do vento e da chuva. Acredito que, exatamente por isso, não podemos alcançar o valor condizente do câmbio. Porque o balizador da inflação é irreal. Porque tenho certeza de que existe inflação não contabilizada, não oficial. E estoura de tempos em tempos quando alguma parte da cadeia econômica trava. Senão, como explicar surtos cambiais tão voláteis? O mercado só especula no que está amadurecendo ou apodrecendo. Pode ser ignorância minha, da qual tenho grande cota, mas não seria mais proveitoso calcular pela taxa de crescimento do M0 dos dois países respectivos às suas moedas ao invés de usar o IPCA? Será que, assim calculado, o governo brasileiro pararia de ser atropelado por crises? Pois tenho certeza que, de tanto mentir, eles agora creem piamente que o IPCA é a verdade econômica definitiva que os leva às reeleições.

    Obs2: Lembro agora, para colorir o debate, da Inglaterra na época de Margaret Tatcher, grande mulher, mas pecou no câmbio, segundo dizem, sendo obrigada a ouvir que a Rainha estava nua. disso, concluo que o câmbio desvalorizado é a saia levantada (não querendo ser machista, vejam bem) de todos os Governos que tentam iludir a economia do país com dados irreais em algum momento. Não desmerecendo todo o trabalho anterior da inesquecível Mulher de Ferro.

    Com a sabedoria menor que a de um sabugo de milho, deixo aquelas duas provocações de forma torta, esperando flechas ou flores, mas igualmente por mim bem recebidas.

    E parabenizo o Leandro pelo artigo. Esperava por mais daqueles fantásticos gráficos comparativos de outros artigos, mas vindo do Leandro, tudo vale a pena se a alma não é de esquerda.

  16. A estatal do Chile é um sucesso, a gasolina é barata e tão boa quanto a dos EUA(qualidade), e uma estatal é responsavel por 80% do combustivel la

    en.wikipedia.org/wiki/Empresa_Nacional_del_Petr%C3%B3leo

    rankings.americaeconomia.com/las-500-mayores-empresas-de-chile-2014/sectores-chile/petroleogas/

    Engraçado, as coisas estatais boas la que poderiamos copiar vocês não falam…

    Porque só imitar os modelos privados que deram certo?

    Temos que imitar os modelos privados e estatais que deram certo oras…

  17. Ótimo artigo, como sempre. O padrão das informações divulgadas neste site é tão alto que absolutamente não existe competição com outros sites brasileiros.

    Falando sobre moeda, tenho uma pergunta ao Leandro. Quais seriam as consequências para o Franco suíço e para os sistemas bancários se o referendo suíço for aprovado pela população?

  18. Eu estou esperando a queda da moeda Americana. Veja o nivel de divida que este pais tem. A inflação esta bem mais alta do que o governo nos diz. Eu fiquei mais pobre devido ao Obama, que fez com os EUA o mesmo que o Lula fez no Brasil. Eu so espero que o Obama tambem seja preso nao so por corrupção mas tambem por traição.

  19. Então, estou torcendo para a inflação aumentar… A putaria vai ser geral 🙂

    Vou correndo comprar ouro para no futuro próximo pegar as filhas da classe média.

    CIRO GOMES NA VEIA! LULA TAMBÉM SERVE.

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