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Como a Estônia – sim, a Estônia – se tornou um dos mais ricos países do Leste Europeu

Por que alguns países são ricos e prósperos ao
passo que outros parecem condenados ao flagelo da pobreza? Eis uma questão
econômica que acompanha a humanidade há séculos.

Vários fatores já foram apresentados como
determinantes para a prosperidade: geográficos, culturais, históricos,
religiosos etc.

Entretanto, pelo menos desde a publicação do livro A Riqueza das Nações, em 1776, sabemos
que instituições políticas e econômicas têm um papel decisivo nesta questão. Fatores
como livre comércio, empreendedorismo da população, um arcabouço jurídico
confiável que proteja a propriedade privada e impinja o cumprimento de
contratos, baixa tributação,
facilidade de empreender e uma moeda forte são condições
necessárias para os países prosperarem.

O surgimento e a consolidação de instituições propícias ao
crescimento econômico
demoraram centenas de anos em nações como EUA e Reino
Unido. Entretanto, nas últimas décadas vimos que as políticas adequadas podem
significativamente acelerar o desenvolvimento econômico.

A Estônia é um exemplo paradigmático disso.

A história da Estônia

No dia 20 de agosto de 1991, a Estônia se tornou
independente após 51 anos sob o jugo do comunismo. O país havia sido
inicialmente ocupado pelo Exército Vermelho em junho de 1940 sob o Pacto de
Não-Agressão entre alemães e soviéticos (Pacto Molotov-Ribbentrop),
por meio do qual os dois regimes totalitários dividiram o Leste Europeu em
esferas de influência. Um ano depois, o exército nazista invadiu a União
Soviética, ocupando a Estônia até 1944, quando os soviéticos reconquistaram o
país. A instabilidade política na União Soviética durante o início dos anos
1990 precipitou a secessão e a liberdade política no país báltico.

Desde o primeiro dia, o novo governo se comprometeu
a implantar uma série pré-determinada de reformas
de mercado
, as quais criaram as bases para uma transição bem-sucedida do
socialismo para o capitalismo. A agenda política incluía uma abrangente reforma
monetária, a criação de uma zona de livre comércio, a imposição de uma lei que
proibia déficits orçamentários do governo, a privatização de estatais, e a
introdução de uma alíquota única para o imposto de renda.

O início das reformas econômicas na Estônia foi
similar à experiência dos outros países do Leste Europeu e da Europa Central
(também conhecidos como “economias em transição”), mas em algumas áreas o
início foi pior. Ao passo que as nações da Europa central conseguiram começar
suas reformas mais cedo, 1989-1990, as reformas estonianas só começaram em
1991-1992. Essa perda de tempo foi crucial e fez com que a economia da Estônia
se deteriorasse acentuadamente neste período, entrando em hiperinflação (a
inflação mensal ultrapassou 80%
).

Assim, a primeira reforma real, e mais urgente, foi
a reforma monetária. Sair do rublo e criar uma moeda própria, forte e confiável
foi um enorme e importante desafio para a Estônia. Sem uma moeda forte e
estável, que gere preços estáveis e previsíveis, nenhuma outra reforma
econômica pode funcionar. Assim, em junho de 1992, o país se tornou o primeiro
da ex-União Soviética a introduzir sua própria moeda. Como? Utilizando um Currency Board.

Currency Board

Currency Board é um regime monetário
no qual não há política monetária e nem interferência política. É o
sistema que se adota quando se quer adotar uma genuína “âncora
cambial”, o que faz com que a moeda de um país se torne um mero substituto
de uma moeda estrangeira. Neste sistema, a moeda nacional é totalmente ancorada
a uma moeda estrangeira a uma taxa de câmbio fixa (no caso da Estônia, a coroa
estoniana nasceu ancorada ao marco alemão). A variação da base monetária
nacional se dá de acordo com o saldo do balanço de pagamentos (saldo da
quantidade de moeda estrangeira que entra e sai da economia nacional).

A única função de um Currency Board é trocar moeda
nacional (que ele próprio emite) por moeda estrangeira, e vice versa, a
uma taxa de câmbio fixa

Neste sistema, não há nenhuma política
monetária. Todo o arranjo funciona como se estivesse no piloto
automático. A base monetária do país é igual à quantidade de reservas
internacionais (no caso, a moeda adotada como âncora), e varia de acordo com a
quantidade de moeda estrangeira que entra e sai da economia em decorrência das
transações internacionais do país. Quando há um superávit nas transações
internacionais, a base monetária doméstica aumenta; quando há um déficit,
diminui.

Quando a quantidade de moeda nacional é idêntica à
quantidade de reservas internacionais, é impossível haver um ataque
especulativo, pois seria impossível exaurir as reservas internacionais (a moeda
nacional teria de ser toda mandada para fora, algo por definição impossível).

O país que adota o Currency Board passa a funcionar
como se fosse um estado do país emissor da moeda utilizada como âncora pelo
Currency Board.  Para que tal sistema funcione plenamente, uma Caixa de
Conversão (o Currency Board) é criada com a única missão de trocar moeda
nacional (que ela própria emite) por moeda estrangeira, e vice versa, a uma
taxa de câmbio estritamente fixa.  (Veja detalhes completos
sobre o funcionamento de Currency Boards aqui.) 

Um arranjo de câmbio fixo, para um país em
desenvolvimento, é bastante superior a um arranjo de câmbio flutuante, pois
gera estabilidade de longo prazo para os investimentos (os investidores sabem
exatamente qual será a definição da moeda nos anos vindouros: ele se comportará
identicamente à moeda-âncora; no caso da Estônia, o sólido marco alemão).
Também acaba com as especulações cambiais e retira completamente das
autoridades políticas do país a capacidade de fazer política monetária — e,
consequentemente, de desvalorizar a moeda, o que afeta sensivelmente a taxa de
retorno dos investidores estrangeiros.

Além de estabilizar a moeda, um Currency Board
impõe forçosamente uma disciplina ao sistema bancário e às políticas fiscais do
governo. Como o governo não pode imprimir moeda, seus gastos têm de ser
financiados exclusivamente via empréstimos e impostos. Impostos não podem subir
muito, pois inviabilizam toda a atividade econômica; e tomar emprestado levaria
a um aumento sensível da taxa de juros.

Por isso, o governo da Estônia foi obrigado a se
auto-restringir, jamais gastando mais do que arrecadava.

Orçamento equilibrado

Como slogan político, “equilibrar o orçamento”
podia até soar popular. Porém, na prática, a medida era altamente impopular.

Ao passo que outros países do Leste Europeu e da
Europa Central iniciaram sua “terapia de choque” liberando preços, a Estônia
começou equilibrando o orçamento do governo em 1992 (em conjunto com a troca de
moeda). A prioridade de eliminar os déficits orçamentários não apenas estava
bem solidificada no pensamento econômico, como também, e de maneira mais
prática, era a única solução para uma situação desesperadora. Os acontecimentos
nos outros países da região, que também haviam saído do socialismo, indicavam
que uma reforma monetária não tem como ser bem-sucedida se o orçamento do
governo não estiver estritamente controlado.

Mas equilibrar o orçamento exigia cortes radicais
em todos os tipos de subsídios e repasses a empresas estatais, bem como reduzir
profundamente o tamanho do estado. Acima de tudo, envolvia a privatização das
estatais.

Cada um destes cortes foi extremamente impopular,
pois mexia com vários e poderosos grupos de interesse (de sindicatos de
estatais a pessoas acostumadas a viver de repasses e ajudas). Porém, graças a
uma coalizão
no parlamento
, os cortes foram feitos, e o estabelecimento de um orçamento
equilibrado se tornou o objetivo mais importante.

Logo em seguida, foi aprovada uma lei estipulando
que apenas orçamentos equilibrados podiam ser apresentados no parlamento da
Estônia. Em outras palavras, foi aprovada uma lei proibindo
o Congresso de apresentar um orçamento deficitário
.

Essa lei permitiu que o governo, dali em diante,
conseguisse aprovar orçamentos equilibrados mais facilmente, e fez com que o
orçamento equilibrado se tornasse uma marca registrada da Estônia.

Sem a capacidade de imprimir dinheiro, o governo da
Estônia só poderia equilibrar seu orçamento cortando gastos. A consequência?
Eis a dívida total do governo da Estônia: apenas 9% do
PIB
, a segunda menor do mundo (só perde para Brunei).

Como consequência, subsídios para empresas estatais
foram cortados. Isso foi crucial para o desenvolvimento de novas empresas
privadas, pois subsídios preservam e protegem antigas e defasadas estruturas de
produção, além de impedir mudanças estruturais modernizantes na economia. O
corte de subsídios enviou uma mensagem simples, clara e direta para os
dinossauros industriais da era soviética: comecem a trabalhar produtivamente ou
morram.

Como mostraram os acontecimentos subsequentes, a
maioria optou por começar a trabalhar.

Simultaneamente, várias estatais foram privatizadas:
ou elas foram retornadas para seus proprietários originais (que as tiveram confiscadas
durante o socialismo), ou foram vendidas para investidores estrangeiros ou
foram privatizadas por meio do sistema
de vouchers
(as ações majoritárias eram vendidas em leilão para um único proprietário,
e as ações minoritárias eram adquiridas via vouchers por vários pequenos
investidores).

Digno de nota é o fato de que todos os bancos
estatais foram privatizados
. E os bancos privados recém-surgidos que
apresentaram dificuldades financeiras não foram socorridos. Como resultado, a
Estônia tem hoje o sistema bancário mais eficaz dos bálticos e menos protegido
e corrupto do que o dos países da União Europeia.

Livre comércio

Pelo mesmo critério, a Estônia reduziu as
tarifas de importação
, bem como as barreiras não-tarifárias, além de
efetivamente abolir todas as restrições às exportações. Isso, na prática,
tornou o país uma zona de livre comércio.

O objetivo principal de se criar uma zona de livre
comércio — além de permitir acesso fácil e barato a produtos que aumentam o
padrão de vida da população — foi a constatação,
segundo Mart Laar, o
primeiro-ministro da época, de que tarifas protecionistas favoreciam exclusivamente os setores
mais politicamente organizados
, e pioravam a vida de toda a
população
, exatamente quem mais carecia de acesso a produtos bons e
baratos.

Essa política de abertura comercial se comprovou
altamente bem-sucedida, estimulando a concorrência, obrigando a um aumento da
eficiência das empresas estonianas, e impulsionando o crescimento econômico e a
reconstrução do país. A abertura comercial — em conjunto com a
desregulamentação econômica, com a moeda estável e com um governo restringido
— fez com que várias novas empresas estrangeiras se estabelecessem na Estônia,
as quais abriram novas fábricas voltadas para a exportação.

Obviamente, a abertura às importações e a chegada
de empresas estrangeiras geraram vários
protestos
contra, os quais sempre invocavam a “soberania nacional”. Entretanto,
tão logo os primeiros resultados positivos dessa abertura foram sentidos, a
reversão dessas reformas se tornou muito mais difícil. Abertura comercial
sempre será politicamente impopular, mas ninguém irá alterar um sistema que
esteja funcionando.

Investimentos estrangeiros

Para uma economia em transição, como a Estônia,
atrair investimentos estrangeiros era uma alternativa muito superior a pedir
empréstimos para instituições internacionais, como Banco Mundial e FMI. Ajuda
internacional sempre gera o risco de perpetuar o atraso de um país, pois ela normalmente
consiste de tecnologia obsoleta e conselhos arcaicos, os quais não têm
utilidade para ajudar países modernos. Ao recorrer a ajudas internacionais, países
em desenvolvimento perdem a oportunidade de usar seu relativo atraso como mola
propulsora para o desenvolvimento.

Como disse o
primeiro-ministro da época
, “não queremos ajuda, mas sim livre comércio”.

Ato contínuo, foi aprovada uma lei sobre a venda de
terras, a qual garantiu segurança jurídica para todos os investidores
estrangeiros, pois agora sua propriedade estaria protegida por lei. Ao mesmo
tempo, todos os privilégios especiais concedidos a alguns poucos e específicos
investidores estrangeiros foram abolidos. O fim desse favorecimento explícito
estimulou todos os tipos de investimentos. Rapidamente, já entre 1993 e 1994, a
Estônia deixou de ser um lugar praticamente desconhecido no mundo e se
transformou em uma meca para os investidores estrangeiros. A partir dali, os
investimentos estrangeiros no país — os quais traziam capital e tecnologia
extremamente necessários — só fizeram crescer anualmente.

Como resultado, a Estônia recebeu mais
investimento estrangeiro per capita na segunda metade da década de 1990
que
qualquer outro país do Leste Europeu e da Europa Central. Esse amplo influxo de
investimento estrangeiro criou novas oportunidades de empreendimento, novos
empregos, reconstruiu novas fábricas, trouxe novo conhecimento e novas
tecnologias, e tornou a Estônia mais moderna e mais competitiva.

As consequências

Moeda forte, abertura comercial, governo
restringido e com orçamento equilibrado, baixos impostos, e liberdade de
empreendimento. Não é necessário
mais do que isso
para elevar um país da pobreza à pujança.

Um dos arquitetos desta agenda pró-mercado foi Mart Laar, o
primeiro-ministro da Estônia durante dois períodos: 1992-1994 e 1999-2002. Laar
afirmou que se inspirou
no bestseller de Milton Friedman, Free to Choose, para implantar seu ambicioso plano de reformas de livre mercado.

Essas reformas pavimentaram o caminho para o incrível
aumento no padrão de vida vivenciado pela Estônia desde sua independência. Hoje,
a Estônia é considerada um país de alta renda pelo Banco Mundial, sendo membro
da União Europeia e da zona do euro (a Estônia saiu do Currency Board e adotou
diretamente o euro em 2011). O poder
de compra dos estonianos aumentou
400%
desde as últimas décadas, não obstante o severo impacto que a crise
financeira de 2008 teve sobre as economias bálticas
.

Evolução do PIB per capita da Estônia, em termos de paridade do poder de
compra

A Estônia está hoje no topo da lista dos países com
maior liberdade
econômica
. As finanças do governo demonstram uma invejável saúde, como
mostra o fato de que a dívida pública é de apenas 9,5% do PIB. Em
termos de mercado de trabalho, a taxa
de desemprego
da Estônia é de 5,3%, bem abaixo da média da União Européia. Finalmente,
seu eficiente
e atrativo sistema tributário
(alíquota única de
20% sobre o lucro das empresas
[no Brasil,
essa alíquota
chega a 34%
], sendo que os lucros não distribuídos não são tributados)
colocou a Estônia como centro mundial das empresas de alta tecnologia,
impulsionando o investimento estrangeiro e o crescimento econômico.

Adicionalmente, a expectativa de vida subiu de 66
anos em 1994 para 77 anos em 2016.

Quando comparada às outras ex-repúblicas
soviéticas, o progresso da Estônia é ainda mais surpreendente. Em
termos de paridade do poder de compra
, a Estônia está à frente de países como
Rússia e Letônia, e bem acima da renda média. A figura é similar quando se
recorre a outros indicadores, como expectativa
de vida
ou taxa
de mortalidade infantil
, em que a Estônia mostra que o progresso econômico tem
um impacto real sobre o padrão de vida das pessoas.

Comparativo do PIB
per capita da Estônia com outros países, em termos de paridade do poder de
compra

A Estônia é o exemplo vivo de que o progresso
humano está intrinsecamente ligado à liberdade econômica. Entretanto, há muitos
outros. Países que há não muito tempo eram extremamente pobres estão abandonando
o atoleiro do subdesenvolvimento
e abraçando a prosperidade graças ao capitalismo
. A receita para o
crescimento econômico e para o progresso é bem conhecida.

A única coisa que podemos fazer é difundir as idéias
de modo que todos os países ainda atrasados tenham a oportunidade de melhorar
seu padrão de vida, assim como fez a Estônia no inicio da década de 1990.

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Leia
também:

Os países bálticos e seu
exemplo de recuperação robusta

Como a Nova Zelândia
reduziu o estado, enriqueceu e virou a terceira economia mais livre do mundo

O crescimento econômico é
fácil e natural – basta o governo permitir

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124 comentários em “Como a Estônia – sim, a Estônia – se tornou um dos mais ricos países do Leste Europeu”

  1. Esse fenômeno é tão amplamente conhecido que chega a ser incompreensível que os países mais pobres ainda não o tenham adotado. Vide a América Latina.

  2. Grande artigo e ótima leitura sobre a Estônia. Estive lá em 2016 e achei o país sensacional. O povo foi surpreendentemente receptivo (esperava uma frieza russa). Tallinn é limpa, organizada e muito civilizada. E segura. E pujante (bem mais que eu imaginava).

  3. Estive na Estonia em setembro de 2014. Foi um período curto (6 dias) na capital, mas que pude perceber algumas coisas bem interessantes neste país báltico:

    – Achei a capital um local seguro, a ponto de eu ver muitas crianças da capital (Tallin) pegar transporte público desacompanhadas.

    – Supermercados que não devem em nada a um supermercado alemão, canadense ou até mesmo a um americano. Estranhamente o biscoito OREO não caiu no gosto dos estonianos.

    – Nos supermercados, o próprio cliente é que pega o tipo de pão, embrulha, pesa e precifica. Achei isto o máximo. 🙂

    – Facilidade em abrir uma empresa, principalmente uma consultoria ou uma start-up de TI.

    – Apesar de lá ter um dos salários mais baixos da Europa, o custo de vida é baixo, ou seja, um sujeito que consegue ganhar 800 euros por mês (descontados dos impostos), consegue muito bem pagar aluguel, pagar contas básicas, comprar comida, e ainda fazer uma poupança.

    – A demanda de oferta de trabalho especializado é alta, e algumas empresas auxiliam o trâmite de imigração, e também a burocracia para aluguel.

    – A Estonia possui uma ótima rede 4G (depoimento da recepcionista do hotel, me confirmando a cobertura de quase 100% e a qualidade), pois tem a livre concorrência de 3 empresas de Telecom (EMT, Tele2, Elisa).

    – O país apesar de pequeno em tamanho e população, tem vastas florestas e muito área verde para os habitantes locais. E o ar é mais limpo que muita cidade do Brasil.

    – A Torre Tallin, construção soviética para os jogos de 1980, hoje é privatizada, e uma das atrações do turismo local. O seu defeito ao meu ver, é estar distante do centro da cidade.

    – Os estonianos se orgulham de ser um país conectado, não só por conta do Skype, mas também porque muitas serviços públicos e particulares podem ser solicitados via internet (inclusive o voto) e unificados em um só documento de identidade.

    Gostei muito do país, e recomendo como uma das possibilidades de viver e trabalhar na Europa.

  4. Terra de Arvo Pärt, um dos maiores compositores eruditos (música clássica) do século XX. Viveu sob regime soviético, mas continuou firme, sendo inovador e compondo grandiosas músicas e sinfonias. Gênio.

    pt.wikipedia.org/wiki/Arvo_P%C3%A4rt

  5. Estranho, ainda não apareceu nenhum sábio falando que “no Brasil isso não funcionaria, pq o território é grande, pq a cultura do povo é isso ou aquilo, pq o editor do Mises uma vez atravessou a rua fora da faixa, pq o pobre paulista peida no elevador e pede fim da corrupção” ou qualquer outra pérola.

  6. Cristiane de Lira Silva

    “E os bancos privados recém-surgidos que apresentaram dificuldades financeiras não foram socorridos.”

    Sério? E eu pensando que só a Islândia fazia isso.

  7. Olha aí o Mises Brasil indicando mais um país para imigrar, escolham rápido seus destinos, chegaremos em breve na mesma condição da Venezuela.

  8. Morei na Estônia por 6 anos, de 2011 a 2017 e gostaria de acrescentar alguns dados sobre o país: é um dos países menos religiosos do mundo; o aborto é permitido; a criminalidade é irrisória (chega a passar mais de mês sem homicídios); em Talin, a capital, o sistema de transporte público é gratuito para todos os residentes, mas os estacionamentos públicos ou privados são todos pagos – ou seja, quem quiser usar ônibus não paga, mas quem quiser usar carro, paga; a coleta de lixo é um serviço terceirizado e pago, mas todo supermercado aceita latas e garrafas plásticas para reciclagem e dá um voucher por elas – o que faz com que todo mundo leve suas garrafas pra reciclar, já que diminui a quantidade de lixo cuja coleta será cobrada e ainda diminui a conta do supermercado; a licença ao ter filhos lá não é licença maternidade, é licença parental – o casal decide quem vai tirar, e como dura 18 meses, podem até se revezar; os partos são quase sempre normais, cesárea é a exceção; as gestantes são acompanhadas por profissionais da área médica (Ämmaemand) específicos para cuidar de gravidez, parto e amamentação – não são médicos nem enfermeiros, é uma classe profissional específica e de formação mais curta e mais barata para o país, porém mais focada, que a de um obstetra; o sistema de saúde público é eficiente e barato – não existem hospitais particulares, porque os públicos são bons, porém existem clínicas particulares, em geral com vagas para o mesmo dia; existem médicos de família, e cada residente tem o seu e sabe seu telefone; também não existem escolas particulares (exceto as escolas internacionais) porque o sistema público é excelente; quase todo estoniano fala ao menos outras duas línguas, que aprendeu na escola pública – alguns chegam a falar 4 línguas estrangeiras, pois a escola se adequa às capacidades dos alunos; por fim, a carteira de identidade tem um chip que serve para quase tudo: tem todos os dados que o cidadão vai precisar, então ninguém precisa preencher formulário nem qualquer burocracia: basta passar o chip e todos os dados necessários são coletados, sejam no médico, que tem acesso a todo o histórico clínico do indivíduo via carteira de identidade, seja ao abrir uma conta em um banco ou ao registrar um filho, casamento, etc. Nenhuma burocracia na estônia leva mais de um minuto e o preenchimento do imposto de renda é automático e feito pelo(s) banco(s) onde o indivíduo tem conta(s).

  9. PABLO VINICIUS OLIVEIRA SILVA

    Além da Estônia poderiam falar também sobre o modelo econômico da Geórgia, Letônia e Lithuânia que assim como a Estônia também são ex repúblicas soviéticas e apostaram numa economia mais livre.

  10. Cristiane de Lira Silva

    E por falar em Islândia, se tem um país que é realmente uma utopia feminista é ele! As donas de casa participam das greves pelos direitos das mulheres e há muita igualdade de gênero nos costumes. Empresas devem pagar o mesmo salário para homens e mulheres na mesma função ou são punidas pelo governo. Que pena que a gente não escolhe em que país nascer. Eu teria escolhido nascer lá e lá viveria para sempre. É um país gelado ( essa parte é um saco), mas diante de tantas vantagens e de ser um paraíso feminista vale muito a pena!

    E ainda se recuperou super rápido da crise de 2008!!!

  11. Leandro, agora que o FED está subindo continuamente os juros, será que eles estão finalmente no fim do ciclo econômico e a bolha estoura de vez? Que cenário econômico você esperaria para o Brasil diante disso? Sabe-se que o dólar está a quase 4 reais.

  12. Ao se implementar o currency board, extinguem-se as reservas fracionárias? Caso positivo, imagino que os bancos que estão por cima da carbe seca façam lobby para evitar que este tipo de idéia seja aventada, não?

  13. Caros:

    O argumento principal do texto é que a liberdade econômica é a causa a riqueza das pessoas. Fiz sobre isso um exercício interessante: baixei a planilha de dados do heritage.org de 2017 – que mede justamente a liberdade econômica dos países do mundo.

    Correlacionei a coluna de GdpPPP (Pib Per Capita em Paridade de Poder de Compra) com diversas variáveis da mesma planilha, como tamanho do pib, crescimento, etc…

    A variável que obteve maior correlação com o GdpPPP foi a pontuação de liberdade econômica: 60% positiva.

    Notem que correlação varia de -100% a +100%.

    Nenhum outro fator chegou nem perto da correlação positiva que foi obtido com o score de liberdade. E notem que as demais colunas são: população, pib total, crescimento do pib, crescimento do pib nos últimos 5 anos, desemprego, inflação, investimentos estrangeiros diretos e dívida pública. Nenhum desses fatores se correlacionou de forma significativa com o GdpPPP, nem negativamente, nem positivamente.

    Sei que correlação não significa necessariamente causa e efeito. A relação pode muito bem ser inversa, ou os dois fatores podem ser consequência de um terceiro, ou ainda: pode ser apenas coincidência.

    Mas essa forte correlação é, no mínimo, um grande indício de que liberdade econômica enriquece as pessoas.

    E porque a correlação não foi ainda maior? Há uns poucos países em que o petróleo gerou muita riqueza para uma população pequena. Apesar da maioria desses países ser bastante livre, eles pulam algumas posições para a frente por causa do petróleo…

    []s

  14. pedro frederico caldas

    Vale notar que a Estônio é o único país do mundo cuja energia é toda gerada a partir do shale (xisto betuminoso) de que o país é rico. Isso dá uma grande vantagem comparativa. Além de ter um custo de energia menor, não dispende divisas com a importação de petróleo.

  15. Os países bálticos são os países mais livres da Europa., enquanto o Ocidente se prende ao socialismo e o Oriente se prende a burocracia.

    O único problema é fazerem parte da União Européia, e terem como moeda o Euro.

    Mais cedo ou tarde os países bálticos cederão as pressões da UE pelo socialismo.

  16. Leandro, uma pergunta sobre Currency Board:

    “Quando há um superávit nas transações internacionais, a base monetária doméstica aumenta; quando há um déficit, diminui.”

    Essa característica do CB não gera o pensamento mercantilista “importar é ruim, exportar é bom”?

    * * *

  17. Alyson Lima Vasconcelos

    No caso do Currency Board, se a moeda ancora, o Marco Alemão aqui no caso, sofresse de Ciro Gomismo, os alemães passassem a imprimir dinheiro a rodo e a economia fosse para o ralo. Como teria ficado os Estonianos?

    E após a adoção do Euro, o que me parece uma péssima ideia. Como está a economia na Estonia?

  18. “Entretanto, pelo menos desde a publicação do livro A Riqueza das Nações, em 1776, sabemos que instituições políticas e econômicas têm um papel decisivo nesta questão. Fatores como livre comércio, empreendedorismo da população, um arcabouço jurídico confiável que proteja a propriedade privada e impinja o cumprimento de contratos, baixa tributação, facilidade de empreender e uma moeda forte são condições necessárias para os países prosperarem.”

    Porque não dizer também:”Uma mão pesada do estado e um controle autoritário, tão forte, mas tão forte quanto uma prensa hidráulica com ponta de diamante para garantir eleições DEMOCRÁTICAS livres de dois ou mais partidos?

  19. Uma dúvida que surgiu: Se um governo adota Currency Board, os bancos continuam operando normalmente com reservas fracionárias? Em caso positivo, ainda dá para firmar, que ” a quantidade de moeda nacional é idêntica à quantidade de reservas internacionais”?

  20. Sabe quando isso vai acontecer na república SOCIAL DEMOCRATA das bananas do brasil ? Nunca.

    O país é formado por gente atrasada e políticos profissionais jurássicos que vivem na década de 60 tentando implantar o socialismo/comunismo ou a social democracia ( socialismo democrático ). Daqui 1000 anos este país estará pior do que hoje.

  21. Painel de promessas

    Ciro Gomes – Tirar 60 milhões de pessoas do SPC;

    Alckmin – Zerar o déficit fiscal em 2 anos (Dado o histórico do homem é coisa de ficção científica);

    Bolsonaro – Zerar o déficit fiscal em 1 ano;

    Hadad – Diminuir o spread bancário.

    Pelo andar da carruagem eleitoral os candidatos estão armando estelionato eleitoral e governos inviáveis já em fevereiro de 2019, preparem-se para o caos econômico.

  22. Painel de promessas o Ciro Gomes explicou como vai tirar os 60 milhoes do SPC, o governo vai comprar a divida dos endividados,então esses irão ficar devendo ao Estado que vai cobra a divida a juros menores, entendeu kkkk

  23. Excelente leitura para complementar o artigo:

    jornalhoraextra.com.br/coluna/sera-que-o-educador-brasileiro-quer-mesmo-o-sistema-educacional-da-finlandia-e-da-estonia/

  24. Curioso que baseado no Milton Friedman tenham criado um sistema de Currency Board. Milton Friedman não era um forte defensor das taxas de câmbio flutuantes?

  25. Marcos Rodrigues Bio

    Você tem plena razão: eleições são decididas por maiorias e maiorias são geralmente , imbecis. Exemplos recentes, Jãnio Quadros (este um doido), Collor, Lula (2X) e Dilma incompetentes e corruptos. Getúlio Vargas foi uma personalidade polêmica e após 15 anos de ditadura (1930 a 1945) foi eleito em 1950 (teve a coragem e vergonha ao cometer suicídio). A democracia permite que pessoas abomináveis assumam o poder, mas como atribuído a Churchill: “é o pior dos regimes, excetuados todos os demais”.

  26. Excelente artigo!

    Talvez o Brasil tenha algo a aprender do pequeno país baltico. Pelo menos entenderia que mudanças fazer. Eu gostaria muito que o próximo presidente apresentasse a proposta de rever os benefícios do funcionalismo público. Não vejo problema nenhum em reajuste ZERO ou corte de benefícios. Mas tem que ser para todas as esferas do funcionalismo: deixar o Judiciário e os militares de fora não me parece justo.

  27. Leandro,

    o que explica a alta inflação da Estônia atualmente?

    Está menor que a brasileira, mas ainda assim muito alta considerando que usa o euro (uma moeda mais forte), é um país mais responsável fiscalmente e bem mais livre economicamente que aqui, só que atualmente é a maior inflação da zona do euro.

    Olhei algumas notícias e os (poucos) comentaristas estão dizendo que isso é por conta da alavancagem do sistema bancário.

    Estaria a Estônia tomando o mesmo rumo da Espanha (liberdade de mercado + keynesianismo)? Será que logo podemos esperar uma reprise do que ocorreu em 2008 lá?

    Desde já agradeço!

    off: estou comentando aqui para não poluir os comentários dos artigos recentes sobre o tópico.

  28. E sobre Luxemburgo ?

    Sempre que vejo listas de países mais produtivos,Luxemburgo está ali.Na saúde é a mesma coisa.Na renda per capita também.

    O que se passa por lá ?

  29. Antonio Reinaldo Fiscarelli

    Historia linda, povo magnifico, parabéns Estônia. Brasil, Brasil- tem muito que aprender, quem sabe agora, a economia é tudo!

  30. Salvo engano, a Estônia foi o primeiro pais a a lançar uma moeda virtual, a Estcoin, e não foi abordado na reportagem. Embora não tenha feito como o Japão, que preferiu privilegiar o Bitcoin, a iniciativa foi arrojada. Só que não deu certo exatamente porque é contra o princípio de desvinculação de governos das moedas virtuais.

  31. Vai ae minha duvida, qual o benefício pra um estado emissor de moeda , ter sua moeda utilizada por um estado em current board, ppr exemplo, os eua com o dolar e um pais atrela sua moeda ao dolar. Qual o beneficio ou prejuizo para os eua, e no caso da estonia, o que a alemanha gamhou por ter um estado a mais, como dito no exemplo, Leandro?

  32. Incrível como no Leste Europeu o liberalismo ganha campo com mais rapidez que o Brasil, que historicamente sempre fez parte do “bloco capitalista do mundo livre”.

    Há extaos 30 anos, este país era parte da ex-URSS, já ávido por separar-se dessa confederação e hoje cresce para valer.

    30 anos atrás, exatamente, a Romênia era regida por um casal de psicopatas impondo ao romeno comum racionamento de qualquer bem ou alimento. Hoje, possui uma das melhroes internets do mundo, fazendo que nossa rede consiga ser inferior até a do Iraque (destruído numa guera) e o Cazaquistão (que só agora, após 25 anos, tem um presidente novo).

    Torço para que os liberais estejam próximos de Bolsonaro enquanto este presidir o Brasil, para que vivamos a ameaça que rondeia a Argentina com a volta da Kirchner.

  33. Muito facil fazer isso em um pais com 1,3 milhao de habitantes, populaçao parecida com a cidade de Brasilia. Uma área infima para se administrar, população com raizes uniformes, sem tanta mistureba como nosso pais.

    Ficar falando que o brasil tem que seguir isso e muito facil, agora quero ver colocar internet la no meio do semi-árido nordestino ou lá naquelas ilhas no meio da amazonia onde o povo vive largado as moscas e mandar essa turma empreender. Realidades totalmente diferentes, administrar uma cidade e administrar um continente, nao tem como comparar.

  34. Ressuscitando o texto graças a esse artigo da Revista Oeste: E-stônia, o país na nuvem

    Segundo dados de 2019 divulgados pelo Banco Mundial, a Nova Zelândia é o país com a maior facilidade para fazer negócios. Os Estados Unidos estão em sexto lugar nesse ranking. A Rússia em 28º, a China em 31º. E o Brasil? Em 124º.

    Nossa voraz máquina estatal oferece a quem quer investir aqui mais dificuldades do que países como Ruanda, Mongólia, Botswana, Paquistão e Egito. Até os palestinos da Faixa de Gaza enfrentam menos burocracia que nós. Segundo a organização Endeavor, uma empresa demora em média 117 dias para ser aberta no Brasil. A média mundial é 79,5 dias. Na Estônia, você abre sua firma em três. Horas.

    Sim, você. E eu. Qualquer pessoa no mundo pode abrir uma empresa na Estônia.

    Posição 124º? E ainda perdendo para as “potências” Ruanda, Paquistão, Mongólia… De todas as frases de Nelson Rodrigues uma guardo com carinho: “subdesenvolvimento não se improvisa; é obra de séculos.”

  35. Vergonha na cara dá certo.

    Dificilmente veremos isso no Brasil, entretanto. Basta ver o que o governo está propondo no quesito da “reforma tributária” e que o Paulo Guedes abertamente defende moeda fraca. Nesse ano vários ministérios pediram (mais) dinheiro por meio do crédito suplementar, o que é um total absurdo. Ao passo que o setor privado é obrigado a restringir seus gastos em cenário caótico, o setor estatal faz o contrário.

    No ano passado, em matéria de controle do orçamento, o México e a Alemanha estiveram entre os únicos países do mundo que não deixaram a situação sair do controle.

    Para amenizar, pelo menos o governo congelou vários concursos públicos. Mas continuamos tendo vários ministérios, secretarias, agências reguladoras, etc…

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