Na semana passada, mais uma vez a Argentina sofreu
um novo episódio de “crise cambial”. Na quinta e na sexta-feira (4 e 5 de
maio), o peso argentino se depreciou 9% em relação ao dólar, caindo
de 20,50 pesos por dólar para 22,25 pesos por dólar.
Para tentar conter essa desvalorização, o Banco
Central da Argentina aumentou a taxa básica de juros de 30,50%
para 40% ao longo do curso de dois dias consecutivos. Isso ocorreu apenas
uma semana após ele já ter elevado os juros em 3,25 pontos percentuais (de
27,25% para 30,50%), e de ter vendido US$ 7,3 bilhões de suas reservas
internacionais.
O Banco Central argentino também anunciou que
utilizaria “todas as ferramentas disponíveis” para reduzir a inflação de preços
— que, em março, chegou a 25% no acumulado de 12 meses — para a sua meta, que
é de 15% (um valor insanamente alto).
Políticos do governo se uniram ao Ministro da Fazenda
e declararam, em uma coletiva de imprensa, que o governo reduziu sua meta para
o déficit fiscal deste ano, de 3,2% do PIB para 2,7% do PIB.
Já ontem, dia 9 de maio, o governo anunciou que
estava recorrendo ao FMI para negociar um empréstimo
de US$ 30 bilhões (o que equivale à metade das atuais reservas
internacionais do país). O objetivo é usar esses dólares para tentar conter a
desvalorização cambial.
O roteiro é o mesmo de sempre: os investidores
estrangeiros começaram a sair do país, trocando pesos por dólar. Ato contínuo,
o governo anunciou medidas monetárias e fiscais mais “austeras”, mas essas não
foram suficientes para acalmar o mercado financeiro. O movimento de saída continuou.
Isso obrigou o governo a recorrer ao FMI, que empresta sem seguir critérios de
mercado.
Ou seja, dado que os credores dos títulos argentinos
estão perdendo seu encanto com o país, o governo recorreu ao FMI, que faz
empréstimos mais baratos e não mais exige “severos” cortes de gastos, como
fazia antes.
Por ora, o peso parou de se desvalorizar. Após o
dólar bater em 23,15 pesos, ele voltou para os atuais 22,50 pesos. De acordo
com alguns analistas da mídia financeira (ver aqui, aqui e aqui), a crise foi, ao menos temporariamente, resolvida.
O
problema: o mesmo de sempre
Há um fato que deve ser ressaltado: a depreciação do
peso não é, em si mesma, uma crise que requer tratamento paliativo. A
depreciação do peso é meramente uma consequência.
Mais ainda: ela é um alerta salutar, assim como a coluna de mercúrio subindo em
um termômetro.
Sendo assim, vender reservas internacionais e tentar
reverter a saída de capitais por meio de aumento na taxa básica de juros —
tudo para tentar arrefecer o aumento dos preços das moedas estrangeiras —
equivale a submergir o termômetro em uma água gelada, o que não tem serventia
alguma para resolver a doença do paciente.
Eis a verdadeira crise que aflige a Argentina: sua política monetária, a qual sempre foi um
fracasso. Curiosamente, isso nem sequer é comentado pela “mídia
especializada”, que não aborda o assunto ao falar da recente depreciação do
peso.
Muitos imaginavam que, desde que o supostamente
“pró-mercado” Maurício Macri se tornou presidente em dezembro de 2015, a
Argentina entraria no caminho virtuoso da desregulamentação, da
desburocratização, e do maior rigor fiscal e monetário. [N. do E.: este Instituto
sempre alertou que
isso não estava acontecendo]. Mas
esses desejos não se concretizaram.
Por mais que Macri tenha tido algum êxito em algumas políticas pontuais,
a realidade é que, no campo monetário, ele tem se mostrado tão ruim quanto —
se não pior que — sua antecessora, uma populista de esquerda.
Para comprovar isso, basta olhar para apenas três
indicadores que comprovam essa afirmação: a taxa de câmbio peso-dólar e a
evolução da base monetária e da oferta monetária desde que Macri assumiu a
presidência.
Como Ludwig von Mises já havia explicado ainda no
início do século XX, o mais sensível indicador da inflação de preços de um país
é sua taxa de câmbio. Como podemos ver no gráfico abaixo, o preço do dólar disparou
de aproximadamente 10 pesos ao final de 2015, quando Macri aboliu o cepo cambial,
para os 22 pesos atuais.
Isso significa que o dólar encareceu mais de 100% em
dois anos e meio — ou, o que dá no mesmo, que o peso se desvalorizou 54% neste
período.
Gráfico
1: evolução da taxa de câmbio da
Argentina
A única causa de tamanha depreciação da moeda e de
toda essa inflação de preços cronicamente vivenciada pela Argentina — a
inflação de preços média do país é de 30% — é, como Mises também ensinou,
a expansão da quantidade de dinheiro na economia.
Como mostra o gráfico abaixo, a expansão da base
monetária — uma variável totalmente sob controle do Banco Central argentino —
foi de mais de 65% desde janeiro de 2016.
Gráfico
2: evolução da base monetária argentina
Como consequência, a quantidade de dinheiro em posse
de pessoas físicas e jurídicas continuou crescendo tão ou mais intensamente sob
o governo Macri em relação ao governo Kirchner. O M1 cresceu mais de 70% no
mesmo período, o que equivale a uma inflação monetária média de 24% ao ano.
Gráfico
3: evolução do M1 argentino
Com tamanho descontrole monetário — o qual só perde para a
Venezuela –, não é de se estranhar que a Argentina tenha uma inflação de
preços cronicamente alta e sofra frequentes crises cambiais.
[N. do E.: a título de comparação, essas mesmas
variáveis para o Brasil são incrivelmente módicas. Veja a expansão da nossa base
monetária e do nosso
M1 para o mesmo período. Por isso nossa inflação de preços é menor e nossa
taxa de câmbio oscila muito menos].
Mas por que ocorre todo esse descalabro monetário na
Argentina?
Todos querem ser bancados pelo governo
Como a Argentina possui um longo histórico de
calotes nos investidores estrangeiros (o último ocorreu em 2014),
o governo tem dificuldades para financiar seus déficits orçamentários.
Consequentemente, ele recorre àquela medida que sempre foi uma tradição na
América Latina: utilizar seu Banco Central para imprimir dinheiro e financiar
diretamente o governo. (A Venezuela também faz isso, mas em escala várias vezes
maior).
Consequentemente, a base monetária e a oferta
monetária do país aumentam sem qualquer restrição.
O mais curioso é que o déficit fiscal da Argentina
não foi gerado por uma carga tributária baixa, mas, pelo contrário, por uma
excessiva. O relatório
de competitividade global do Fórum Econômico Mundial 2017-2018 mostra que a
Argentina é a 92ª entre 128 nações analisadas. Ainda mais impressionante: a
carga tributária da Argentina é simplesmente a mais alta das 138 economias.
Entre 2002 e 2017, a carga tributária do país —
federal, províncias e municípios — aumentou mais de 10 pontos percentuais em
relação ao PIB. Ao mesmo tempo, a inflação de preços — o imposto sobre os mais
pobres — também se descontrolou.
Esses dois fatores, inflação e alta carga
tributária, impactam negativamente a competitividade do país e sua facilidade
de atrair capital, investir e criar empregos, relegando um país de enorme
potencial às últimas posições do ranking mundial.
Mas eis o mais impressionante de tudo: segundo o
relatório, os gastos públicos consolidados do país chegaram a 47,9% do PIB em 2016, uma cifra
claramente desproporcional.
E, de acordo com o Ministério do Trabalho, em apenas
duas províncias do país o funcionalismo público representa menos que 30% da
população total empregada. Em sete províncias, a força de trabalho empregada no
setor público é maior que a do setor privado (entre 51% e 69% da força de
trabalho são funcionários públicos). No geral, em 65% das províncias, a fatia
de funcionários públicos excede 40% da força de trabalho empregada.
O Ministério do Trabalho estima que mais de 4
milhões de empregos são bancados por impostos, uma cifra que aumentou 60%
desde 2002. Destes 4 milhões de funcionários públicos, pelo menos 300.000 foram
indicados por critérios políticos pelo governo Kirchner e simplesmente
nem sequer aparecem para trabalhar.
O próprio Macri, ao tomar posse, anunciou aumentos
para os aposentados e para os salários dos professores, e não fez nenhuma
indicação de que privatizaria a Aerolíneas Argentinas, que foi estatizada pelos
Kirchners, e que dá um prejuízo ao Tesouro argentino de 2
milhões de dólares por dia.
Mas não é só o setor estatal o principal causador do
problema. O governo também concede generosos subsídios ao setor privado.
Consequentemente, a Argentina possui um modelo que aumentou
desproporcionalmente a carga tributária sobre os setores mais produtivos para
subsidiar os setores menos produtivos e também para pagar o enorme aumento
ocorrido no funcionalismo público.
Ou seja, trata-se de um modelo que desestimula o
investimento privado em setores não subsidiados e estimula os setores
protegidos pelo governo. Trata-se simplesmente da premiação do rent-seeking.
Sendo assim, não é surpresa nenhuma que a
produtividade argentina seja muito baixa e que as receitas tributárias não sejam
suficientes para cobrir os gastos do governo, mesmo tendo aumentado 10 pontos
percentuais em relação ao PIB. E como o país não possui confiança no mercado de
crédito, restou ao governo — que não quer cortar gastos — apenas imprimir
dinheiro para bancar tudo isso.
E isso gerou toda a atual situação.
Conclusão
Reduções nos déficits e aumentos nas taxas de juros não
impedirão novas crises cambiais caso o governo argentino continue imprimindo
dinheiro para financiar seus gastos, os quais claramente não cabem no
orçamento. Preços continuarão subindo e a moeda continuará se desvalorizando.
Se o governo argentino realmente quiser abolir suas
crises cambiais, a solução tem de ser radical: seu Banco Central tem de ser
proibido de imprimir dinheiro para financiar o Tesouro. Adicionalmente, novas expansões
da base monetária também têm de ser abolidas.
Isso faria com que os juros subissem ainda mais no
curto prazo. Haveria recessão, demissões e vários investimentos seriam
abortados. No entanto, essa política monetária mais restritiva faria com que o peso
se apreciasse no mercado internacional. Neste ponto, com o peso estável, o
Banco Central argentino deveria ser abolido e a economia, dolarizada (o que
seria mais fácil do que parece, dado que vários argentinos já poupam em dólares).
Caso tal medida seja considerada muito radical,
simplesmente abolir todas as barreiras legislatórias que proíbem transações legais
em moeda estrangeira, ou mesmo em ouro ou prata, já traria concorrência ao
Banco Central argentino, que seria obrigado a gerenciar o peso de maneira menos
pródiga.
Fora isso, nada mudará.



Gradualismo sempre dá nisso aí. E o pior é que política populista sempre descamba pra ajuste gradual, o qual não resolve nada, e só aumenta a insatisfação dos eleitores, que irão voltar para os populistas originais.
Hoje em dia 90% das pessoas têm a mentalidade social democrata, incluindo as pessoas mais instruídas (veja que a população argentina é considerada bem instruída, muito mais que a brasileira). Mas elas não são culpadas por esse defeito intelectual. Foram doutrinadas nos últimos 40 anos para pensarem assim. Construíram todo o seu ideário político e econômico em cima de bases falsas.
Agora é muito difícil mudar isso. Qualquer tentativa de questionar a social democracia equivale a destruir os alicerces de um prédio. O cérebro das pessoas reage com mecanismos psicológicos de proteção. Por isso, negação e violência são o padrão contra ideias libertárias. Quase ninguém é capaz de ligar os pontos, e associar o caos atual à falta de liberdade.
Esse negócio de funcionário público fantasma parece ser uma cultura latino-americana.
Segundo o La Nación:
Ñoquis en el Estado: hay 4 millones de empleados públicos, de los cuales entre el 5% y 7% serían “fantasma”
Já o ministro da modernização (sim, tem isso lá), que era o encarregado de fazer o saneamento, simplesmente nomeou a mulher para um cargo público:
argentinatoday.org/2016/02/26/andres-ibarra-que-combate-a-los-noquis-nombro-a-su-mujer-directora-de-canal-7/
Aqui no Brasil, principalmente na esfera estadual, nas assembléias legislativas, o que mais tem é funcionário fantasma (os ñoquis argentinos). Como se esquecer desse inesquecível vídeo?
Eu mesmo conheço uma pessoa que ganha a vida assim. Está há mais de 35 anos fantasma na assembléia legislativa. Não acontece nada. Os sindicatos dos funças simplesmente não permitem demissões. E nenhum governo tem coragem de mexer com eles.
Na Argentina certamente é a mesma coisa.
Novidade nenhuma. Sem uma mudança cultural, não há qualquer chance de um país adotar alguma racionalidade econômica. (Só seria possível sob uma ditadura, a qual também não tem garantia nenhuma de que será economicamente racional).
Lula é como Nelson mandela no exílio
Completou um mês desde a prisão do homem mais honesto que já passou por este país, lula, o pai dos pobres. Durante a história dos homens sempre houve pessoas com coragem para lutar contra a ideologia burguesa, e de certa forma, essas pessoas carregam semelhanças ideológicas (ser de esquerda) e uma profunda bondade para com os mais pobres; é como se a pessoa fosse um santo não ordenado pela Igreja católica; vemos claramente essa semelhança entre Lula e Nelson mandela.
O apartheid foi um exemplo desta semelhança entre o passado e presente. Assim como acontece hoje, a direita atrapalhava o desenvolvimento social e humano das minorias e pobres, e isso ficou representado através do apartheid na áfrica do Sul.Para quem não sabe, o apartheid foi um regime de segregação racial adotado entre 1948 e 1994 pelo governo Nacional (de direita) no qual os direitos da maioria dos habitantes foram cerceados pelo governo formado pela minoria branca e cristã; Nelson mandela foi perseguido por lutar a favor dessas minorias pobres, isso significa que, assim com Lula, ele foi um preso político e não um político preso como gostam de afirmar os neoliberais. Por isso sua principal bandeira política foi a resistência não-violenta, pois ele sabia que a próprio discurso de ódio e violência que é natural do livre mercado iria acabar em mais miséria humana.
Por ter lutado pelos pobres e contra a burguesia, Nelson mandela acabou como réu em um infame julgamento, assim como Lula, no qual o sistema de escravidão conhecido como capitalismo começou a persegui-lo{1}. Mandela passou 27 anos na prisão por essa perseguição ideológica.
O que há em comum entre Nelson mandela e Lula?
Mal sabia a direita delirante que Nelson mandela viria a se tornar o prisioneiro político mais famoso do mundo, e posteriormente, o homem responsável pela refundação de seu país. Sim, ele ficou 27 anos em profundo exílio até que houvesse uma mudança, mas não pense você que ele estava morto, ele estava apenas se preparando para o retorno triunfal que cedo ou tarde iria acontecer. Podemos pensar que o mesmo está acontecendo com Lula. Você realmente acha que Lula está morto? Lula vive no coração da maioria dos brasileiros. Ele até pode passar 30 anos na cadeia, não importa, ele irá retornar e vencer essa guerra; porque o bem sempre vence o mal. Vocês podem continuar com sua ideologia nojenta; quando ele retornar, a história do Brasil será refeita do zero. E tomara que seja banida a ideologia neoliberal deste país.
{1} Em dezembro de 2013, foi revelado pelo The New York Times que a CIA americana foi a força decisiva para a prisão de Mandela em 1962, logicamente, havia uma perseguição ideológica por parte da política americana. goo.gl/M926Ky
Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.
“Se o governo argentino realmente quiser abolir suas crises cambiais, a solução tem de ser radical: seu Banco Central tem de ser proibido de imprimir dinheiro para financiar o Tesouro. Adicionalmente, novas expansões da base monetária também têm de ser abolidas.”
Ou seja, colocar lá uma LRF ou melhor, abolir o Banco Central e adotar o CV.
Leandro, uma pancada na taxa de juros lá não poderia ter o mesmo efeito do que aqui no Brasil quando a equipe econômica do primeiro governo Lula fez tal medida, que fez a confiança dos investidores subir?
Argentina quer ser a Grécia bananeira pelo jeito.
Nova Zelândia não cresceu com falsas-reformas gradualistas e cheias de concessões. Aprenda Macri.
Só corrigindo meu comentário, é CB (currency board) não CV.
“Isso faria com que os juros subissem ainda mais no curto prazo. Haveria recessão, demissões e vários investimentos seriam abortados.”
Haveria caos social com a falência de serviços básicos ofertados pelo Poder Pùblico. E com pessoas invadindo supermercados e se matando por aí.
Acho que salvar a economia é muito importante, mas nós temos que salvar o “barco” com os passageiros e não apenas com o barco.
Isso torna muito mais difícil as coisas. Eu não vejo nenhuma preocupação na fala desse site com as pessoas.
Já há décadas finados, meu avô e dois irmãos dele, eram militares brasileiros da ativa, durante toda a Segunda Guerra Mundial.
Eu tinha um agora finado tio-avô, José Belém Rocha, um finado oficial da Marinha do Brasil, que lutou contra os submarinos da Alemanha e Itália, em toda a Segunda Guerra Mundial e lutou contra Intentona Comunista, em 1935. Desde de que eu era criança, ele me contava umas coisas.
Primeiro, que na época e lugar onde ele havia nascido, a decisão de se tornar militar, que ele tomou foi altamente acertada, pelo bem que ele fez ao Brasil e ao mundo. A segunda é que ele se orgulhava de não ter nenhum descendente militar pois, segundo ele, já quase 30 anos atrás, a perspectiva real para o futuro de nossos militares, se resumiria, a bater continência a mafiosos.
Este mesmo finado tio-avô, já quando eu era uma criança, me contava muitas coisas da Argentina maravilhosa, que ele viu ainda nos anos 1920 e, o desgosto de ver no que a Argentina havia se tornado de Perón(1946), para cá. Tanto era o desgosto dele com o destino da Argentina, que já no final dos anos 1970, ele decidiu nunca mais ir para aquele país. Que a Argentina maravilhosa que ele conhecera, vivesse só na lembrança. Na Argentina de 1976 a 1983, não foi o mesmo, que no Brasil do Regime Militar. Foi bem pior.
Tornar um país pobre, num país rico é raridade, mas a Coréia do Sul conseguiu tal feito, graças aos governos de dois generais desde 1961 a 1988. Peço a você, que veja a palestra que começa aos seis minutos e vários segundos do site http://www.youtube.com/watch?v=axuxt2Dwe0A
Você pode fazer textão também dizendo como nasceu o capitalismo e também também como nasceu a propriedade privada.
A propriedade privada deve ter nascido assim: no começo os humanos eram nômades e faziam caça e coleta. Depois inventaram a agricultura e aprimoraram armas. Deve ter sido aí que algum humano primitivo resolveu dizer que algo material era seu e a moda se espalhou até que os recursos eram pouco eles resolveram brigar uns com outros e matar uns aos outros para tomar as propriedades uns dos outros. Então alguns poucos indivíduos se tornaram donos de tudo, até de outros indivíduos. Daí evoluíram um pouco mais e criaram leis para declarar que é errado tomar a propriedade dos outros e que a propriedade deve passar para os descendentes. E claro que também criaram leis pra dificultar que outros adquiram propriedade. Fim da selvageria. Uns ficaram com muitas propriedades e outros só com o próprio corpo.
Viver na Argentina é ótimo, se estiver em posição favorável e ganhar em moeda forte crise nenhuma te abala, sendo desenvolvedor de softwares aufiro minha renda do exterior e posso usufruir de um padrão e qualidade de vida que jamais conseguiria em qualquer cidade do Bostil, essa crise vai fortalecer ainda mais a cena de TI de B.A. atraindo profissionais em busca de melhores condições para ser nômade digital, ainda mais para os que não dominam inglês como eu.
Crises cambiais e econômicas afetam a economia velha e carcomida das fábricas, da construção e dos serviços tradicionais, a nova economia, a digital só se fortalece.
É possível você ter um país quebrado/dando calote, mas sem inflação? Acho que bastaria o Macri atacar a forma como os bancos financiam o deficit do governo (principalmente o banco central) e ele passaria a resolver o problema inflacionário e do câmbio.
Só que isso poderia levar o país a uma moratória, correto?
Argentina me lembra muito os governos no Brasil em hiperinflação, alguns até tentaram cortar gastos, privatizaram, tipo o Collor. Mas falharam na política monetária. O que praticamente destruiu seus governos, que até poderiam ser chamados de liberais não fosse isso. (Collor abriu o mercado para importação, fechou estatais, etc)
Alguém poderia me explicar a comparação que foi feita com a economia brasileira? Ali onde mostra os dois gráficos, não entendi a comparação
Por isso que austríacos são inúteis pra lidar com a realidade. Totalmente inviável politicamente frear a expansão da base monetária de uma hora pra outra. O governo já corre o risco de não terminar o mandato e, com essa medida, seria certeza de não terminar. Chamem os ortodoxos, que resolve.
O texto é bom, mas a conclusão…
O governo acabou. Todas as medidas sugeridas deveriam ser adotadas no início do mandato. Agora, é impossivel reverter a situação. Ano que vem tem eleição e o estrago político já foi consumado. Não adianta saber o que fazer se vc não tem uma boa estratégia. Até pode vencer uma ou outra batalha até lá, mas já perdeu a guerra.
Nesse texto, muito bem exposto, chamo a atenção para o número de funcionários públicos mantidos pelos diferentes níveis de governos argentinos. Contagem aos milhões, para nenhuma produção! Aqui é diferente???
Tempos atrás fiz um levantamento com base em dados oficiais. No Brasil eram nessa época, coisa de mais ou menos um ano atrás, cerca de 15 milhões de funcionários públicos, divididos entre federais, estaduais e municipais. Quantos deles de fato produzem algum tipo de serviço? Uns 10% ??
Deixo sugestão à editoria para que seja montado algum texto abordando exatamente esta questão e quantos bilhões de reais são gastos anualmente com os tais funcionários…
Off-topic
Já ouviram falar da editora marxista Boitempo?
Está há 20 anos ativa no mercado promovendo um conteúdo predominante de ideias socialistas.
Como explicar uma empresa capitalista com um viés desse?
Será que ainda há tantas pessoas iludidas assim no Brasil?
Há os que defendem, alegando que ela somente se dedica ao estudo do marxismo, mas isso é falso pela omissão de praticamente todo estudo contrário a essa corrente de pensamento, de dados históricos, os gulags por exemplo, e ao enaltecimento de Karl Marx e da Revolução Russa.
O que acham disso?
A solução para a Argentina mora ao lado: Brasil. Fechem o BC urgentemente é adotem uma cesta de moedas, com Real, dólar e euro. Ponto final. Serviços públicos pagos diretamente pela população e redução de tributos seria outra medida que ajudaria. Fora desestatização, que era pra ontem. Me ouça, Macri.
Exímia conclusão.
Mudei de idéia sobre Hyek, os comentários indicaram um livro sobre a família que eu ainda não tinha visto. Parece interessante. Que eu não me decepcione… O chato é que tá em inglês. Eu prefiro em português. Eu não sou tão rápida pra ler em inglês quanto sou pra ler em português. Será que ele fala das famílias diferentes desse modelo moderno e ocidental com um homem, uma mulher e n filhos?
“Muitos imaginavam que, desde que o supostamente “pró-mercado” Maurício Macri se tornou presidente em dezembro de 2015, a Argentina entraria no caminho virtuoso da desregulamentação, da desburocratização, e do maior rigor fiscal e monetário. ”
Pois é, o capitalismo real continua sendo tentado. E continua sendo um desastre.
A Petrobras não é o problema, o problema são os impostos
A petrobras nem sequer tem o monopolio, o mercado é aberto a outras empresas.
E os nossos preços(sem impostos) são praticamente igual dos EUA, Alemanha e etc..
Não são as estatais que deixam o Brasil e a Argentina inviavel
Leandro, dado que o M0 e M1 o Brasil não está expandindo muito, menos que nos EUA, a tendência do dólar é cair no longo prazo?
“Eis a verdadeira crise que aflige a Argentina: sua política monetária, a qual sempre foi um fracasso. Curiosamente, isso nem sequer é comentado pela “mídia especializada”, que não aborda o assunto ao falar da recente depreciação do peso.”
A tal “mídia especializada” foi a mesma que pintou Macri como um ultra-neoliberal (quando estava na cara já nas eleições que era apenas um social-democrata fiscalmente sensato) e agora é a mesma que nem ao menos sabe porque a moeda argentina possui inflação historicamente absurda, mas já joga a culpa é do liberalismo.
A mídia brasileira e internacional é louquinha pra eleger candidatos de esquerda e fazem de tudo para defendê-los mesmo que pareça o contrário. Veja se algum veículo de imprensa defende que retirem o Maduro do poder, mesmo com as atrocidades que ele e Chavéz fizeram desde a década passada.
O problema argentino é o mesmo de toda AL: comunofascimo.
Leandro, será que haverá outra bolha imobiliária no Brasil? Pergunto isso porque minha família está tentando vender uma casa e a situação está complicada, apesar de que Mococa é ruim mesmo em épocas melhores.
Um país que tem pouca indústria e muito funcionário público mamando nas tetas realmente está fadado ao fracasso! Hoje o empresário Laerte Codonho proprietário da empresa Dolly foi preso por fraude fiscal de R$ 4 bilhões vejam que o governo socialista Brasileiro está perseguindo os empresários se eu fosse empresário não investiria no Brasil e sim nos EUA assim não alimentaria essa máfia da política esquerdista e essa população conivente que insiste em dar poder a esses pulhas.
Eis o problema de se apoiar pequenas reformas de mercado: propaganda.
Esquerdistas estão usando os dados do desemprego como prova de que as reformas trabalhistas extremamente tímidas do Temer (que não mudaram praticamente nada) foram apenas para “retirar direitos dos trabalhadores”.
Mas o problema não é esquerdista falar borracha, afinal isso é normal, o problema é a mentalidade extremamente estatista do brasileiro médio ouvir esse tipo de coisa.
g1.globo.com/economia/concursos-e-emprego/noticia/desemprego-fica-em-131-em-marco-e-atinge-137-milhoes-de-pessoas.ghtml
Quando o país está mergulhado na maior crise da história e com desemprego em níveis recordes, o que o governo faz? Abre mais 15 mil vagas para concursos até agora nesse ano. Estão fechando empregos da iniciativa privada, mas o governo acha que é uma boa ideia abrir empregos na burocracia.
Do que adianta reduzir 1 papelzinho que você precisa para abrir seu negócio, se mantém a absurda lei marxista de indenização por tempo de trabalho? Do que adianta permitir terceirização mais facilmente, mas aumentar os impostos?
Quando toda a economia é estatizada e apenas uma pequena parte é livre, não há milagre que crie empregos produtivos e aumente a renda da população.
Não será possível mudar a realidade do país como foi feito na década de 90, se não for feito de forma radical, privatizando tudo, abolindo 100% a CLT (não ficar fazendo reforminhas nessa joça), destruindo agências reguladoras e reduzindo a carga tributária bruscamente principalmente de pessoas jurídicas.
Ficar apoiando pequenas reforminhas de mercado não vai nem aumentar nossa liberdade e nem melhorar a economia. Além, claro, de ser uma anti-propaganda do capitalismo.
Ou é 8 ou 80. Qualquer coisa no meio disso é ajudar esquerdistas e prejudicar a liberdade, já que eles são bagres ensaboados em adaptar o discurso à realidade.
Boa noite.
Estou refazendo as perguntas que já fiz em 10/05/2018 14:24
– que significa ortodoxo neste contexto?
– se estes senhores estudaram em MIT (Federico Sturzenegger ) e Stanford (Nicolás Dujovne), que tipo de economia ensinam estas intituições?
e agregando mais uma:
– que significa ir a pedir dinheiro (dólares USD) ao FMI quando o M0 ou M1 (pesos argentinos ARS) continuam a crescer?
Obrigado.
1,4 trilhões é o M1 ou estou enganado ?
olha so isso http://www.youtube.com/watch?v=RVSWM4bfhmg
Graciela afirma achar difícil que Macri consiga convencer os investidores a deixarem seu dinheiro no país, já que membros do próprio governo mantêm recursos fora. Segundo dados da Receita argentina, do patrimônio total do alto escalão do governo, 43% estão no exterior. "Que segurança tem um país onde os ministros mantêm seu dinheiro fora?", questiona a aposentada. Ela e o marido também estão entre a grande parte dos argentinos que não acredita no sistema bancário nem na moeda do país: a poupança do casal é em dólares, escondida dentro de casa.
economia.estadao.com.br/noticias/geral,colapso-de-2001-volta-a-assombrar-os-argentinos,70002305954
Só dolarização total ou Currency Board ortodoxo podem salvar a Argentina.
Encíclica de Leão XIII: “Há hoje, sem dúvida, um certo número de homens que, fiéis ecos dos pagãos de outrora, chegam a fazer, mesmo dessa caridade tão maravilhosa, uma arma para atacar a Igreja; e viu-se uma beneficência estabelecida pelas leis civis substituir-se à caridade cristã; mas esta caridade, que se dedica toda e sem pensamento reservado à utilidade do próximo, não pode ser suprida por nenhuma invenção humana. Só a Igreja possui essa virtude, porque não se pode haurir senão no Sagrado Coração de Jesus Cristo, e é errar longe de Jesus Cristo estar afastado da Sua Igreja.”
No ano, o dólar já encareceu 30% e a inflação acumulada até agora já se aproxima de 12% na Argentina. Economistas vêem um cenário recessivo.
Lindo cenário para se analisar as "desvalorizações cambiais competitivas", como defende Ciro Gomes e sua equipe econômica (que inclui Luiz Gonzaga Belluzzo).
Quem defende desvalorização da moeda como forma de "estimular a economia" só pode ser jumento. Não tem outra explicação.
“O Banco Central argentino também anunciou que utilizaria “todas as ferramentas disponíveis” para reduzir a inflação de preço”
“Todas”, exceto parar de emitir dinheiro sem lastro.
* * *
Alguem coleciona moedas?
http://www.iprofesional.com/actualidad/275720-banco-central-banco-pesos-Comenzaron-a-circular-las-monedas-de-5-y-se-viene-el-lanzamiento-de-la-de-10
Se alguem está interessado em cretinices:
http://www.bcra.gob.ar/Pdfs/PublicacionesEstadisticas/Letras%20Historial.xls
http://www.bcra.gob.ar/Pdfs/PublicacionesEstadisticas/infoLEBAC.pdf
economiaparatodos.net/el-populismo-nos-lleva-de-crisis-financiera-en-crisis-financiera/
http://www.cronista.com/finanzasmercados/Se-disparan-los-seguros-contra-Default-de-bonos-argentinos-20180813-0046.html
http://www.cartafinanciera.com/renta-fija/huyamos-de-los-bonos-argentinos
http://www.ft.com/content/7d7cad6a-9f1e-11e8-85da-eeb7a9ce36e4
Sinceramente, gosto muito esta novela chamada “Argentina”.
economiaparatodos.net/el-plan-fue-el-no-plan-y-fracaso/
A Argentina acabou de subir a taxa básica de juros para 60%. O peso está indo pra privada. Sem Currency Board, Macri não chega ao fim do ano.
Um alento a argentina : )
http://www.telesurtv.net/news/eeuu-dolarizar-economia-argentina–20180914-0012.html
Agora veremos se o Macri esta errando por oposição política ou por culpa própria
## POR CULPA PROPRIA E DA SUA EQUIPE ##
Default à vista:
http://www.cartafinanciera.com/tendencia-actual/tres-motivos-por-los-que-argentina-se-encamina-al-default
http://www.eleconomista.com.ar/2018-11-argentina-esta-yendo-derechito-al-default/
http://www.pagina12.com.ar/153317-crece-sin-freno-la-deuda-y-ya-es-record
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Dolarizar num país de keynesianos?
Vão culpar USA, el FMI, Bolsonaro,….
Mas NUNCA vão admitir que a culpa está em “Reconquista 266, C1003 ABF, Buenos Aires, Argentina”: