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Três luzes verdes, duas amarelas e uma vermelha – a Argentina segue balançando (dados atualizados)

Nota do Editor

O dólar está se fortalecendo em todo o mundo, mas na
Argentina a coisa está sendo especificamente mais feia. Desde abril deste ano, o dólar já
subiu 10%. E desde abril do ano passado, já subiu
incríveis 43,5%
.

Para conter essa escalada, o Banco Central da Argentina
acabou de anunciar, nesta sexta-feira, 4, uma elevação da taxa básica de juros para 40% ao ano. Para se ter uma ideia, a taxa estava em 27,25% há apenas uma semana. A instituição já havia aumentado os juros ontem (quinta-feira) e elevou hoje de novo. E, na sexta-feira da semana passada, também já havia elevado. O objetivo é tentar conter a maior demanda por dólares
e a consequente desvalorização do peso. Em uma semana a taxa básica subiu 12,75 pontos
percentuais. 

Desde que Macri foi eleito, este
Instituto vem repetindo em nossos artigos sobre a Argentina: o câmbio é
o segredo da estabilidade (de qualquer governo). Se ele se descontrolar, sua presidência vai ser curta. E o segredo
para não deixar o câmbio descontrolar é restringir a expansão monetária e
controlar o déficit fiscal. O governo Macri, dominado por gradualistas, não fez
nada disso. Se continuar gradualista, corre o risco de não terminar o mandato
— como, aliás, ocorre com todo argentino não-peronista.

O artigo a seguir, publicado originalmente em janeiro de
2018, contém algumas atualizações que explicam a atual situação.

_______________________________________________

O que houve de melhor e de pior na economia
argentina desde a posse
de Maurício Macri, em dezembro de 2015? Quais os avanços? O que ainda pode
melhorar? Houve retrocessos?

A melhor maneira de fazer uma análise abrangente e
ao mesmo tempo concisa é recorrendo à metáfora do semáforo de trânsito, com
cada “luz” indicando o melhor, o mediano e o pior das medidas e políticas
implantadas nestes últimos dois anos.

O balanço geral é que, levando-se em conta a herança
que recebeu, o atual governo argentino está se movendo relativamente bem,
gerando melhores expectativas e condições para o investimento.

Entretanto, é imprescindível destacar um pronunciado
divórcio entre os discursos e as medidas concretas.

Luzes
verdes

Não há dúvidas de que a primeira luz verde da
economia foram as reformas mais liberalizantes do primeiro semestre da administração.
Tudo aquilo que para a grande parte da opinião pública pareceu brutal foi o que
de melhor fez o governo desde seu primeiro momento.

A abolição do cepo cambial[1], a
eliminação das “retenções” (taxação média de 30% das exportações da
indústria
 e dos produtos
agropecuários
exceto
a soja
, cuja tarifa
de exportação foi reduzida de 35 para 30%
), o acordo os credores
estrangeiros
, e a atualização das tarifas dos serviços de
utilidade pública
(congelados durante o governo Kirchner) foram medidas
extremamente necessárias para normalizar a economia.

A Argentina estava afogada em um emaranhado de
controles e intervenções que haviam levado o país ao estancamento econômico. Ainda
há muito a ser desregulamentado, mas, sem dúvidas, o que já foi feito indica um
movimento na direção correta.

Outra luz verde deste período foram os discursos
presidenciais. Desde aquela vez em que Macri disse que o papel do governo era
como o de um zelador
de um campo de futebol
(que tem de aparar a grama e pintar as linhas dos
contornos, mas deixar que o setor privado “jogue a partida”) até os seus mais
recentes, em que destaca a necessidade de reduzir
o gasto público para a economia voltar a crescer
, o presidente parecia
estar marcando um rumo claro e de acordo com os pedidos dos economistas mais
sensatos.

O problema da decadência argentina é o excesso de
estatismo, o qual se transformou em um gasto público impagável, em um emaranhado
de regulações paralisantes, e em um pronunciando isolamento em termos de comércio
internacional
. Em suas declarações mais recentes, Macri reconheceu esses
problemas e afirmou estar disposto a encará-los.

A terceira luz verde é a atual recuperação da
economia. Após o inevitável reajuste de 2016, a recuperação subsequente era previsível.
Hoje, a grande maioria dos setores cresce e o setor privado voltou a criar
emprego.

recuperacion.png

Gráfico
1: crescimento econômico acumulado em 12 meses

O mais positivo, ademais, é que desta vez a economia
não está se recuperando em decorrência de políticas fiscais e monetárias ultra-expansionistas,
mas sim com um Banco Central cujo
objetivo
passou a ser realmente o de reduzir
a inflação de preços
e um Ministério da Fazenda que se autoimpôs metas
fiscais mais rígidas
(mais abaixo veremos com que grau de êxito).

Ou seja, atualmente, a economia argentina cresce não
por um estímulo ao consumismo de curto prazo, mas sim porque há maior confiança
e mais liberdade econômica para investir, poupar e produzir.

Luzes
amarelas

A primeira luz amarela destes dois anos é a luta
contra a inflação de preços.

A carestia, de fato, está desacelerando. Com efeito,
terminou o ano de 2017 em seu mais baixo nível desde 2011, sendo quase a
metade do que foi em 2016. Esta, a priori, é uma notícia muito boa.

inflacion.png

Gráfico
2: taxa de inflação de preços acumulada em 12 meses

Não obstante, apesar da queda, o fato é que o Banco
Central não cumpriu suas metas. A inflação de preços foi de 25% em 2017, ou 8 pontos
percentuais acima do teto da meta estabelecida. [N. do E.: como se nota, na
Argentina a tolerância com a inflação é abismal; daí o profundo empobrecimento
vivenciado pelo país nas últimas décadas].

Trata-se de uma diferença importante, a qual afeta a
credibilidade do Banco Central e, consequentemente, de todo o sistema.

Pode até ser que o Banco Central tome medidas para
que isso não volte a acontecer no futuro; porém, dado que as metas não foram
cumpridas, e considerando que o país segue tendo uma das inflações de preços mais altas do
mundo
, o combate à mesma segue sendo uma conta pendente.

Outra luz amarela são as grandes reformas ainda
pendentes. O governo se jacta de estar negociando junto ao parlamento o
pacote de reformas mais ambicioso da história
. No entanto, esse pacote —
anunciado após a vitória de seu partido nas eleições de 2017 e
com um enorme capital político — foi formulado em conjunto com aqueles que são
os responsáveis pelos problemas mais prementes do país.

A reforma trabalhista, por exemplo, está sendo
negociada com os sindicatos, os principais inimigos de um mercado de trabalho
mais livre e flexível, o qual os faria perder privilégios.

A reforma tributária, por sua vez, embora tenha
pontos positivos e reduza impostos para alguns setores, prevê aumento de impostos
para outros setores, com o argumento de que será “neutra” em termos de arrecadação.
A verdade é que, para que a reforma fiscal tenha um efeito verdadeiramente
positivo, ela não deve ser “neutra” em termos de arrecadação, mas sim tem de reduzir a arrecadação em conjunto com o gasto público. O que
se viu neste sentido, até agora, foi pouco e nada.

Estas reformas anunciadas, por enquanto, ficam
apenas na metade do caminho, e é possível (e preocupante) que não cheguem a ter
um efeito real no crescimento econômico de que o país tanto necessita.

Luz
vermelha

A luz vermelha mais brilhante da era Macri é o desequilíbrio
das contas públicas. E ela está afetando tudo.

“Não
é sustentável este déficit orçamentário da Argentina; tem de ser diminuído. Tem
de haver uma atitude do cidadão de exigir austeridade, de que o governo cuide
bem do dinheiro.”

Estas palavras não são minhas, mas
do próprio presidente do país
. Como dito acima, seus discursos são bons,
mas e a prática?

Desde que tomou posse, Macri, para ficar politicamente de
bem com todos, anunciou aumentos
para os aposentados, para os salários dos professores, e aceitou frear o ajuste
tanto das tarifas (congeladas durante todo o governo de Cristina Kirchner)
quanto da reforma do setor público.

Tudo isso gerou um déficit de
quase 5% do PIB

desequilibrio.png

Gráfico
3: déficit fiscal do governo federal em relação ao PIB

E, para cobrir esse déficit, o governo Macri recorreu às
duas magias tipicamente argentinas: endividamento e inflação monetária. Mas, mesmo
com a Argentina sendo novamente aceita no mercado internacional de crédito, o
governo não conseguiu abrir mão de sua outra forma de financiamento, que sempre foi a principal: criando
dinheiro.

Como mostra o gráfico abaixo, a expansão da base monetária
— uma variável totalmente sob controle do Banco Central argentino — foi de
mais de 65% desde janeiro de 2016.

argentina-money-supply-m0.png

Gráfico 4: evolução da base monetária argentina

Como consequência, a oferta monetária segue crescendo
intensamente sob o governo Macri. O M1 cresceu mais de 70% no mesmo período.

argentina-money-supply-m1.png

Gráfico 5: evolução do M1 argentino

Essa mistura de frouxidão fiscal coberta por expansão
monetária está sendo fatal para o câmbio. O dólar já encareceu mais de 100%
desde o final de 2015.

historical.png

Gráfico 6: evolução da taxa de câmbio da Argentina

Tudo isso, obviamente, começa pelo déficit fiscal coberto com emissão
monetária.

O governo federal da Argentina teve, por três anos seguidos,
um déficit fiscal superior a 5% do PIB. Não há muitos países no mundo em
condições similares [excetuando-se os países da África e aqueles em
guerra, apenas
Brasil, Bolívia e Venezuela estão piores
], e até o próprio Ministro da
Fazendo disse
que
 “se não reduzirmos o déficit fiscal iremos nos expor a uma
crise macroeconômica”.

Sendo assim, o que o governo está esperando para reduzi-lo?

Conclusão

Os dois anos e meio do atual governo Macri merecem uma avaliação
positiva em termos gerais, mas também apresentam algumas contas pendentes e,
pior, luzes vermelhas que merecem atenção imediata — as quais, se não forem domadas, colocarão tudo a perder.


[1] Implantado
pelos Kirchner, o cepo cambial consistia no controle do mercado de dólares pelo
governo, que dificultava a compra de dólares para importações e obrigava os
exportadores a converter os dólares de suas exportações em pesos a uma taxa
artificialmente valorizada, o que diminuía as receitas em peso; o Banco Central
pagava aos exportadores somente 63% do valor de seus produtos vendidos para o
exterior. A inevitável consequência dessa medida foi estimular os produtores a
estocar sua produção e vendê-la no mercado paralelo.

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79 comentários em “Três luzes verdes, duas amarelas e uma vermelha – a Argentina segue balançando (dados atualizados)”

  1. “Os argentinos querem que empresas emblemáticas como Aerolíneas Argentinas e YPF continuem nas mãos do estado, que os subsídios tarifários continuem generosos e que os gastos com salários e pensões não parem de subir. Mas, ao mesmo tempo, querem menos impostos, inflação de preços baixa e sob controle, e serviços de qualidade. É a quadratura do círculo.

    Houve mudança de governo, mas não houve mudança na opinião pública. Sem isso, será muito difícil que a Argentina implante as reformas de que tanto necessita. Friedrich Hayek já havia chamado a atenção para isso há mais de meio século: a única maneira de mudar o curso de uma sociedade é mudando primeiro suas idéias.”

    Juan Carlos Hidalgo

  2. Na América Latina, muitos falam do exemplo do Chile, mas poucos se lembram de outro caso de sucesso que foi o Fujishock no Peru. Feito em 1990, foi um raro exemplo de bom senso econômico neste continente.

    Com uma inflação de 7.000%, com uma economia toda fechada e engessada, com déficits orçamentários gigantescos e com todos os gastos indo para o funcionalismo público e subsídios, o governo (utilizando um plano elaborado pelo grande economista Hernando de Soto) reverteu tudo isso de uma vez só: zerou o déficit, acabou com os subsídios, acabou com a inflação monetária, passou a tesoura no funcionalismo público e abriu a economia para as importações.

    O negócio foi tão radical que até o ministro da economia da época pediu a ajuda de Deus em cadeia nacional, e apesar de todo o peso do ajuste, a população aceitou e anos mais tarde referendou a atual constituição liberal que rege o Peru.

    Mas, desde então, foi o país que mais cresceu na América Latina, e o que mais reduziu a pobreza. Hoje o Peru é o maior caso de sucesso do continente. Um país que era paupérrimo hoje compete de igual para igual no mercado internacional. Deixou os bolivarianos de lado e hoje é aliado de Chile e Colômbia (os dois países mais sérios da América do Sul) no mercado do Pacífico.

    Mas como é um país pequeno, poucos dão a devida atenção.

  3. Precisamos aprender a valorizar o que é público.

    O grande problema da sociedade atual, e isso inclui ignorância ideológica sobre os serviços públicos, é que ninguém sabe explorar corretamente sua cidade. No artigos de hoje vamos conhecer os serviços públicos que todo mundo ama, utiliza, mas que mesmo assim preferem falar mal.

    Se você é libertário muito provavelmente você já deve ter visto um daqueles vídeos em que mostra a empresa privada como a melhor coisa do mundo, que todo mundo ama, e o serviço público seria o “inferno na terra” no qual todos queremos fugir o mais rápido possível, tendo como grande exemplo, no vídeo, uma fila enorme e muita burocracia. Mas será que isso é inteiramente verdadeiro? Neste artigo irei te mostrar coisas que você ama e que são públicas.

    Escolas e Bibliotecas Municipais

    Temos uma visão muito negativa sobre às escolas atuais, associamos ao crime organizado, violência, e doutrinação. Mas o que está escondido em todas escolas municipais é um grande centro do saber, mesmo que você discorde ideologicamente de um professor, você nunca poderá dizer que o saber não está acessível. Pois vemos um esforço tanto dos professores quanto da prefeitura para disponibilizar livros, palestras, e até mesmo teatro; praticamente todo município tem uma Biblioteca Municipal, e vou te contar um segredo: É inteiramente de graça. Sim! é isso mesmo! você não precisa mais bancar burguesinho indo na Saraiva ou Cultura, basta visitar a biblioteca do seu Município e levar o livro inteiramente de graça.

    Esporte e o Ginásio Municipal

    Pagar 90 reais para usar academia cheia de gente escrota? que tal utilizar o Ginásio Municipal da sua cidade e aprender a praticar novos esportes? Neste espaço público haverá um professor para te ensinar futebol, volei, basquete; mas se você só curte levantar um peso, para parecer burguesinho padrão, no problem, sempre haverá equipamentos nesses espaços para que você pratique seu esporte. Isso sem contar os parques para caminhada e lazer, sempre haverá um espaço para você caminhar entre as árvores e agradecer a Deus por esse mundo ainda haver bastante verde. E adivinha só? Tudo isso é um serviço público e de manutenção pública.

    Cultura e Museus

    O Brasileiro é um povo tão ignorante sobre o que o Estado faz, que os museu acabou se tornando um espaço frequentado somente por professores de história e alunos que são obrigados por esse professor de história, a fazerem visitas. É muito triste saber que em diversos municípios existem museus que contam a história da cidade ou de uma cultura, mas que é porcamente frequentada. (O que é muito frequentado é Mcdonalds, imundos).

    Outra coisa que está relacionada à cultura, são os eventos promovidos pelo ministério da cultura da sua cidade. Acredite, todos os anos essas pessoas trabalham duro para trazer mais cultura para sua cidade, e você não dá a mínima para tudo isso. Lembro-me que no ano passado trouxeram para minha cidade um lindo teatro, com bonecos e gente linda, promovido pelo Sesc Sp. É uma pena que houveram poucas pessoas para prestigiar.

    Conclusão

    Eu poderia ficar o dia inteiro falando sobre serviços públicos que você ama, e muitas vezes utiliza, mas não dá o minimo valor. Poderia falar sobre a Câmara Municipal, sobre o Mercado Municipal, sobre radios e canais de TV públicos, sobre universidades e centros de aprendizado. Eu poderia falar que talvez você odeias ficar em uma fila de espera para obter uma permissão estatal, mas você ficaria de joelhos para entrar em uma USP. Essa que é a verdade. Realmente, talvez você não goste da burocracia presente no Estado, mas adora usufruir dos principais produtos e serviços públicos da sua cidade, inteiramente de graça. Não sejamos hipócritas. Talvez o principal problema do Brasil atual esteja na ignorância ou na falta de informação sobre os serviços que são oferecidos pelo Estado. Precisamos aprender a utilizar a cidade e seus serviços antes de sair por aí falando mal.

    Nota: O Estado malvadão da minha cidade está promovendo uma grande caminhada pela saúde. A verdade é que poucas pessoas vão comparecer, mas ao mesmo tempo, não faltará gente para reclamar da falta de saúde na cidade. Hipócritas.

    Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.

  4. Há uma significativa recuperação econômica na Argentina, mas os empregos melhor pagados só se recuperarão na indústria, que está muito sucateada e depende de importações brasileiras para reativar. Mas acompanhando as condições fiscais do governo brasileiro podendo criar uma nova crise econômica, parece que a Argentina não poderá contar com ajuda do Brasil para seu crescimento.

  5. Cortar gastos não é tanto um problema econômico, é político. Há privilégios, e se você se voltar contra eles será atacado. A questão aqui é saber quais guerras você deve lutar, quando lutar e qual estratégia usar. É um jogo de xadrez.

  6. Eis o que vai acontecer: a duras penas a economia vai acertar, os investimentos voltarão e a estabilidade retornará. Aí, no futuro, o povo colocará outro populista na presidência para dividir o que foi conquistado durante anos de trabalho. Passadas algumas gerações, ninguém lembrará do passado ou procurará saber. E assim o círculo vicioso irá se repetir…

    Sempre foi assim na América Latina (com as aparentes exceções, ao menos por enquanto, de Peru e Colômbia) e sempre será.

  7. Já há décadas finados, meu avô e dois irmãos dele, eram militares brasileiros da ativa, durante toda a Segunda Guerra Mundial.

    Eu tinha um agora finado tio-avô, José Belém Rocha, um finado oficial da Marinha do Brasil, que lutou contra os submarinos da Alemanha e Itália, em toda a Segunda Guerra Mundial e lutou contra Intentona Comunista, em 1935. Desde de que eu era criança, ele me contava umas coisas.

    Primeiro, que na época e lugar onde ele havia nascido, a decisão de se tornar militar, que ele tomou foi altamente acertada, pelo bem que ele fez ao Brasil e ao mundo. A segunda é que ele se orgulhava de não ter nenhum descendente militar pois, segundo ele, há quase 30 anos atrás, a perspectiva real para nossos militares, se resume a bater continência a mafiosos.

    Este mesmo tio-avô finado, me contava muitas coisas da Argentina maravilhosa, que ele viu ainda nos anos 1920 e, o desgosto de ver no que a Argentina havia se tornado de Perón(1946), para cá. Tanto era o desgosto dele com o destino da Argentina, que já no final dos anos 1970, ele decidiu nunca mais ir para aquele país. Que a Argentina maravilhosa que ele conhecera, vivesse só na lembrança. Na Argentina de 1976 a 1983, não foi o mesmo, que no Brasil do Regime Militar. Foi bem pior.

    Tornar um país pobre, num país rico é raridade, mas a Coréia do Sul conseguiu tal feito, graças aos governos de dois generais desde 1961 a 1988. Peço a você, que veja a palestra que começa aos seis minutos e vários segundos do site http://www.youtube.com/watch?v=axuxt2Dwe0A

  8. Problema é cultural. A mentalidade do brasileiro é de dependência do Estado, é da crença no almoço grátis. Eu praticamente não vejo saída pra nós, nas próximas eleições, o único não-esquerda forte no páreo é Jair Bolsonaro… até desanima, acho que ele nem entenderia este texto; quem dera tivéssemos um Macri (que não é o melhor possível, mas já é algo).

    Diga-se de passagem, grande parte dos problemas que o Brasil tem hoje, é culpa dos militares que ele tanto ama (foram criados ou mantidos e fortalecidos pelos governantes); vide Petrobrás e empresas públicas, CLT e a bagunça da JT, agências reguladoras, problemas habitacionais, etc.

    Enfim, são muitos anos de intervenção estatal na vida do brasileiro; o buraco é muito fundo.

  9. Amante do Capitalismo

    O ponto principal é que as pessoas precisam amar o capitalismo.

    Amar o capitalismo é ter paixão pela liberdade.

    Nossa liberdade é que nos faz acordar todos os dias.

    A igualdade é uma ex-namorada que nos prejudicou. O socialismo é um romance que não deu certo, que nos fez pagar pensão, repartir nossos bens e duvidar da boa vontade.

    Amar o capitalismo é como um casamento até o último dia de vida. Nós viveremos juntos até a morte, com a certeza de que seremos felizes pelo resto da vida.

  10. Off Topic: O que vocês acham da Miriam Leitão? Hoje me surpreendi que até ela admitiu que o sistema bancário é um monopólio de 4 grandes Bancos.

  11. Como todo repórter a Miriam Leitão fala de tudo sem entender de nada.

    Em áreas como é esporte isso é logo percebido e o carinha que fala besteira é colocado pra escanteio rapidinho (literalmente). Mas com economia, em todos os veículos de comunicação, esse povo se cria.

    Como ela fala de tudo, defende tudo e ataca tudo, às vezes ao mesmo tempo, ela acaba acertando algumas vezes. Eu também acerto às vezes 🙂

    Mas não se iluda, é apenas um efeito estatístico. Dali não se aproveita quase nada e, mesmo acertando, ela não tem a mínima ideia do que falou ou fala. Provavelmente amanhã ela vai lançar uma matéria na CBN dizendo tudo ao contrário, e, talvez, nem se a perceba disso.

  12. Lu%C3%83%C2%ADs Henrique

    “Sendo assim, o que o governo está esperando para reduzi-lo?”

    Vai ser difícil sem reduzir os juros, e vai ser difícil reduzir os juros sem repique inflacionário.

    O cobertor é curto.

  13. Não se pode esperar muito, visto que os argentinos são um povo profundamente estatista. Macri ter sido eleito e estar tentando implementar essas reformas já foi uma surpresa.

    Como diz a Wikipédia sobre Macri: “Em 23 de novembro de 2015 foi eleito, por 52% dos votos, para ser o 56º presidente da República Argentina, pondo fim a doze anos de kirchnerismo. Foi a primeira vez, em cem anos desde a instituição do voto no país, que é eleito um candidato civil não peronista nem radical socialdemocrata.”

    Se Macri completar esse mandato em 2019 mantendo essa política reformista e sem ser derrubado antes, será outra surpresa; reeleger-se, um verdadeiro fenômeno; terminar o segundo mandato ainda reformando e fazer seu sucessor, quase um milagre!

    * * *

  14. %C3%83%C2%B3rf%C3%83%C2%A3o

    A continuação uma serie de notas relacionadas ao governo de Macri.

    Algumas pessoas querem ele fora do governo.

    http://www.infobae.com/politica/2018/01/23/mauricio-macri-zaffaroni-deberia-ser-el-primero-en-defender-los-valores-de-la-democracia/

    http://www.infobae.com/politica/2018/01/19/eugenio-zaffaroni-sobre-el-gobierno-quisiera-que-se-fuera-lo-antes-posible/

    http://www.infobae.com/politica/2017/12/01/las-32-razones-por-las-que-zaffaroni-piensa-que-el-gobierno-de-macri-es-el-peor-de-los-ultimos-34-anos/

    Na última nota, quero ressaltar o ponto 31: “endeudar astronómicamente a la Nación”.

    Aqui

    brasil.elpais.com/brasil/2018/01/01/internacional/1514832832_626904.html

    encontramos:

    – O Observatório Fiscal Federal estima que a relação dívida/PIB já é de 60%.

    – O ministro das Finanças negou que a relação dívida/PIB atual seja perigosa para a economia argentina, situando-a em torno de 28,5% se não forem considerados os juros.

    Porque tanta diferença entre ambos valores (60% contra 28.5%)?

    A moeda argentina já está em movimento:

    http://www.infobae.com/economia/2018/01/22/dolar-estable-a-la-espera-de-una-rebaja-marginal-de-tasas/

    Gostaria de entender este aumento da dívida.

    Estará Argentina frente a outra devaluação?

  15. O problema da Argentina é que todo presidente eleito também é argentino, aí não tem como mudar pra melhor. O ideal seria eleger um britânico, aliás, essa seria a solução para qualquer país latrino-americano.

  16. A América Latrina já é dos russos e chineses.

    Caia fora daqui enquanto há tempo, pois quando estourar a guerra estaremos do lado errado.

  17. A cultura é a chave para a mudança. E a cultura britânica é a do livre comércio, isso está no sangue deles. Politicamente eles tem se inclinado para a social democracia, mas os princípios básicos de mercado são fortemente liberais, e isso não muda pra eles. Quando a política chega a um ponto que precisa mudar a cultura free trade deles, aí eles recuam. Foi o caso do Brecht, e mais ainda da libra esterlina, que eles nunca abriram mão. O livre comércio para eles está acima de qualquer outra decisão, por isso a cultura britânica mais favorecer o capitalismo de verdade.

  18. Existem grandes instituições detentoras de quantidades elevadas de títulos de divida argentina? de que forma um colapso da economia deles pode afetar o resto do mundo?

  19. Leandro, qual sua opinião sobre este artigo do Adolfo Sachisda? Ele descreveu muito sobre a conhecida e desastrosa situação fiscal e liberdade econômica que o país se encontra, mas é possível que exista ainda mais esqueletos no armário? Como a Grécia de 2009, ou este crescimento morno quase frio que vivemos é só resultado do balde de água fria que o governo jogou em 2017 quando subiu os impostos dos combustíveis e de nossa incerteza política digna de países da Africa Subsaariana?

    bdadolfo.blogspot.com.br/2018/04/tem-algo-de-muito-errado-escondido-no.html

    Parabéns pelo excelente trabalho e mais pela impressionante precisão do instituto com relação ao artigo sobre a Argentina.

  20. Leandro,

    Assisti sua palestra “Economia Brasileira: Águia ou Galinha” que mais uma vez foi brilhante.

    Entretanto, você saberia explicar o porquê que, nesse momento, está acontecendo exatamente o que você disse na sua palestra (queda da Selic) mas o Saldo em Conta Corrente não extá expandindo? Estou analisando o M1.

    A hipotese que eu teria seria a da retração dos bancos estatais, agindo um pouco mais conforme leis de mercado. Mas não sei se procede.

  21. O peso continua em queda livre, e a inflação já começa a adquirir contornos sombrios. Se Macri não instalar um Currency Board vai rodar rapidinho.

  22. O Brasil tem alguma possibilidade elevada de virar uma argentina caso os gastos não sejam controlados?

    E por que não estamos tendo inflação elevada com esses deficits?

  23. Déficit público elevado + acesso restrito ao mercado de crédito + "soberania" monetária (Banco Central livre pra imprimir) = inflação + crise cambial + corrida ao FMI com o chapéu na mão.

    A Argentina de hoje é igual à de ontem.

  24. Em um cenário como a Argentina como vocês “explorariam” essas ineficiencias geradas no mercado para lucrar? Eu trabalho com especulação no mercado brasileiro mas estarei me mudando para Argentina, eu trabalho de casa então não pretendo arrumar nenhum emprego lá, mas gostaria de explorar situações, e possíveis investimentos que um país como a argentina pode gerar.

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