Em seu livro O Caminho da Servidão, Friedrich Hayek
aniquila a ideia de que é possível o estado controlar a economia sem que isso
gere tirania e perda das liberdades individuais.
Em parte, seus argumentos são
extremamente convincentes porque Hayek ressalta o indiscutível fato de que tudo
em nossas vidas está ligado à economia. Se a economia se deteriora, nosso
padrão de vida vai junto. E, com ele, nossas mais básicas liberdades civis.
O controle dos especialistas
O impacto que a área econômica
tem sobre nossas vidas diárias não é facilmente reconhecido pela maioria das
pessoas. Preocupadas com suas necessidades mais imediatas e com suas tarefas
diárias, indicadores econômicos não apenas parecem desconectado de nossas
vidas, como também aparentam ser quase que completamente irrelevantes para os
cidadãos comuns.
E, dado que algo tão complexo
quanto a economia nacional é geralmente deixado sob o controle de
“especialistas”, muitas pessoas também supõem que se trata de uma questão
completamente fora do controle delas. E essa pressuposição é essencial para os
planejadores econômicos, pois é assim que eles reforçam sua autoridade.
Só que a economia está
intrinsecamente conectada a todos os aspectos de nossas vidas. Das roupas que
vestimos à comida que comemos, dos nossos empregos à nossa educação: a economia
está em todas as coisas. E, sem liberdade econômica, não é possível haver
liberdade. Ponto.
E qualquer pessoa que ainda
tenha alguma dúvida de que o controle da economia pelo governo irá
necessariamente levar à tirania e à opressão pode simplesmente olhar para a
Venezuela.
Por que detestar a liberdade comercial?
É impossível ver alguma lógica
em quem diz defender o socialismo e a liberdade. Pitorescos são aqueles
socialistas que dizem acreditar fervorosamente nas liberdades sociais e ao
mesmo tempo desprezam a liberdade econômica.
É por isso que vários proponentes
do socialismo e de outras formas de controle estatal defendem vários tipos de
restrições econômicas sem qualquer preocupação com as consequências sobre as
liberdades civis. Eles genuinamente acreditam que ambas as coisas são entidades
completamente distintas e separadas, cada uma existindo sem exercer nenhum
impacto na outra.
No entanto, tão logo a economia
é colocada sob total controle do estado, a abolição dos direitos individuais se
torna inevitável. Isso sempre ocorreu em todos os países que tentaram o
socialismo ao longo da história. Atualmente, temos a infelicidade de
testemunhar ao vivo isso ocorrendo em um país que já teve a quarta
população mais rica do planeta e que hoje está em total estado de
desintegração civil graças à tragédia de ter colocado sua economia sob total
controle do governo.
A situação na Venezuela se
tornou tão pavorosa, que caberia perfeitamente no roteiro de uma novela
distópica. O que começou como uma crise econômica se transformou em um pesadelo
humanitário sem qualquer perspectiva de fim.
A mistura de hiperinflação (gerada
pela impressão desmedida de dinheiro), controle de preços, estatização
de fábricas e de lojas e redistribuição de riqueza
bagunçaram completamente a economia. Elas não apenas não conseguiram gerar
oferta abundante de nenhum bem (como prometiam os socialistas), como, ao
contrário, geraram desabastecimento generalizado, com racionamento de papel
higiênico, comida, cerveja, eletricidade, água e remédios.
Até mesmo os hospitais ficaram
sem papel higiênico e sem remédios. A
taxa de mortalidade de recém-nascidos disparou. As pessoas de classe
média que antes tinham emprego estão hoje esfomeadas, tendo de literalmente revirar latas de lixo e
matar gatos e pombos
nas ruas para ter o que comer. A população está desnutrida. (Recentemente, para aplacar a fome, os venezuelanos passaram a
matar vacas a pedradas. Este vídeo publicado
pelo jornal britânico The Daily Mail mostra pessoas apedrejando uma vaca aos gritos de “estamos com fome” e “estamos
sofrendo”.)
Particularmente curioso foi o
que ocorreu no setor petrolífero. A Venezuela já foi o país com as mais
abundantes reservas de petróleo do mundo, das quais sua economia dependia
fortemente. Com efeito, essas reservas eram responsáveis por 95% de toda a
exportação. Em seu ápice, o país era capaz de produzir 3,4
milhões de barris de petróleo por dia. No entanto, após a chegada de Hugo
Chávez ao poder e uma subsequente greve de petroleiros, o líder decidiu demitir
todos os grevistas e substituí-los por pessoas leais ao seu governo.
Essa tomada pelo governo da
fonte primária de riqueza do país significou que aquelas pessoas com mais
experiência no setor foram expulsas e substituídas por trabalhadores
inexperientes mas com lealdade política. E, após anos de malversações e
decisões ruins tomadas pelo estado, a produção de petróleo começou a cair
significativamente.
Segundo dados recentes, a
produção de petróleo já havia caído para 2,1
milhão de barris por dia, uma queda de quase 40%. E a tendência é de mais
queda.
De acordo com a lógica seguida
por aqueles que se recusam a reconhecer a conexão direta entre liberdade
econômica e liberdades civis, nenhum desses fenômenos citados deveria ter
qualquer efeito sobre a vida cotidiana dos venezuelanos. Obviamente, isso não é
o caso.
Como Hayek já havia alertado:
O planejamento econômico centralizado não afeta apenas
aquelas necessidades que consideramos marginais e secundárias quando falamos
com desdém sobre aquilo que é puramente econômico. O planejamento centralizado,
com efeito, significa que os indivíduos não mais podem nem sequer decidir o que
é secundário.A autoridade que está dirigindo a atividade econômica irá
controlar não somente aquele lado de nossas vidas voltado para as coisas
secundárias; irá controlar também a alocação de todos os recursos escassos,
afetando a satisfação de todas as nossas necessidades primárias. Quem estiver
no controle de todas as atividades econômicas irá controlar os meios para a
consecução de todos os nossos desejos, e consequentemente terá o poder de
decidir quais devem ser satisfeitos e quais não. Esse é realmente o cerne da
questão.
E é exatamente isso o que está
acontecendo na Venezuela.
À medida que a situação
econômica foi piorando, os cidadãos foram perdendo o controle de suas vidas. Como a eletricidade se
tornou escassa no país — devido ao controle de preços e às estatizações
ocorridas no setor –, o governo assumiu a função de determinar quem pode e
quem não pode usar energia elétrica, e por quanto tempo. Mas isso não significa
apenas que os cidadãos desafortunados ficam em casa no escuro e sem uma
geladeira funcionando; significa também que vários estabelecimentos comerciais
irão à falência.
Um comerciante relatou sua
frustração quando estava tentando passar um cartão de débito em sua máquina.
Como todo o país está sujeito blecautes repentinos sempre que o governo
considera necessário, a eletricidade acabou exatamente quando ele estava
tentando processar o pagamento.
Obviamente, ele não conseguiu finalizar a transação e a venda não foi
realizada. Ele ficou sem o dinheiro e o consumidor não conseguiu comprar o que
queria. Ambos
ficaram em pior situação.
Se a economia não tem liberdade
para funcionar, não há como obter ganhos com transações comerciais e,
consequentemente, não há como ter prosperidade econômica.
Mas isso ainda nem de perto
representa o pior.
Estatização da economia é humilhação
Alimentos e itens essenciais,
como papel higiênico e remédios, não apenas estão escassos, como também estão
completamente sob controle estatal. O estado passou a ser o responsável por sua
distribuição. Consequentemente, aqueles que querem adquirir esses itens têm de
acordar cedo, muito antes do nascer do sol, e ir para a fila dos centros de
distribuição (a maioria dos supermercados foi estatizada e toda a distribuição
de alimentos foi colocada sob
supervisão militar desde 2015).
Só que há um detalhe: enquanto
esperam nas longas filas que se formam fora dos supermercados (um venezuelano
gasta, em média, 8 horas
por semana na fila de um supermercado para conseguir itens essenciais), os
“consumidores” — se é que podem ser chamados assim — se tornam um alvo fácil
para os ladrões.
Tornou-se corriqueiro
assaltantes violentos apontarem armas para pessoas que estão na fila e roubá-las
de absolutamente todas as eventuais riquezas que ainda possuem. Houve um caso
escabroso: um homem
foi assassinado na fila por tentar proteger seu telefone celular. E,
enquanto ele estava no chão, agonizando, ninguém se ofereceu para socorrê-lo e a
fila continuou intacta, pois, quem quer que fosse ajudar o homem perderia seu
lugar na fila, e consequentemente tal pessoa não conseguiria obter os itens
essenciais para sua família.
É comum os venezuelanos
passarem um dia inteiro na fila apenas para descobrirem que o estabelecimento
está completamente vazio e sem suprimentos.
Obviamente, cidadãos frustrados
que querem mudar a situação ou ao menos protestar abertamente também não podem
fazer isso, pois a liberdade de expressão foi abolida pelo governo. Qualquer oposição
vocal ao estado pode colocar você na cadeia, de onde você não conseguirá ajudar
ninguém.
Essa catástrofe também se espalhou para os
hospitais. Dado que água e eletricidade se tornaram escassas, os hospitais não mais
conseguem esterilizar os equipamentos e nem mesmo lavar as manchas de sangue
das camas cirúrgicas. A mortalidade infantil disparou, pois as crianças nascidas
sob tais condições insalubres e sem acesso a alimentos têm poucas chances de sobrevivência.
Segundo
dados divulgados pelo próprio governo, houve um aumento de 30% nos óbitos de crianças e um salto de pelo menos
65% nos falecimentos de gestantes em partos.
Mas o mais doloroso de tudo é a desnutrição infantil. As cenas de crianças esqueléticas e bebês se desmanchando em ossos, em conjunto
com famílias inteiras revirando latas de lixo nas ruas das cidades, são um espetáculo
dantesco demais para ser ignorado. (ATENÇÃO: CENAS FORTES).
Enquanto isso, Nicolás
Maduro continua louvando o socialismo e demonizando o capitalismo. Ele próprio chegou
a dizer
que “a Venezuela deve aprofundar o socialismo para melhorar a economia”. Até mesmo
ajuda humanitária internacional foi recusada pelo governo de Caracas, pois o
auxílio era oriundo de “países capitalistas”.
O livre mercado é a libertação
Aqueles que defendem a
economia planificada acreditam que ela irá libertar os indivíduos da mundana
tarefa de ter de fazer escolhas. Apenas se esquecem de que é exatamente o
direito de escolher o que nos torna livres acima de tudo.
“Nossa liberdade de
escolha em uma sociedade competitiva jaz no fato de que, se uma pessoa se
recusa a satisfazer nossos desejos, podemos recorrer a outra. […] E se uma
determinada maneira de alcançar nossos fins se mostra cara demais para nós,
somos livres para tentar outras maneiras”, disse Hayek. E ele está certo. Na Venezuela,
os cidadãos não podem optar por comprar papel higiênico de vendedores
diferentes. Eles simplesmente têm de esperar na fila até conseguir um (na
melhor das hipóteses, depois de várias horas).
Quando o governo assumiu
o controle da economia, o poder de escolher foi inteiramente dado ao estado. E ao
estado não interessa qual marca de papel higiênico você usa ou qual preço você está
disposto a pagar. A ele não importa qual remédio é crucial para que você continue
vivo. Ele apenas determina uma lista de itens que serão disponibilizados, a
qual será elaborada totalmente de acordo com os critérios arbitrários e
subjetivos dos controladores. Sob este arranjo, todos são iguais porque todos
se tornam igualmente insatisfeitos.
E, como o governo está
no completo controle da situação (acima de tudo, ele possui o monopólio das
armas), não há nada que as pessoas possam fazer quanto a isso, o que torna a situação
ainda pior. Como Hayek explicou: “Nada torna as condições mais desesperadoras e
intoleráveis do que o fato de você saber que nenhum esforço seu poderá mudar a situação”.
O que é pior, os
defensores do socialismo glorificam esse arranjo dizendo que essa ausência da
necessidade de fazer escolhas é libertadora. Agora que o estado decidiu quando,
onde e a que custo algo pode ser adquirido, os venezuelanos foram finalmente libertados
deste pesado fardo. Eis aí algo realmente inspirador…
Conclusão
Para aqueles que ainda
querem acreditar que fatores econômicos podem ser perfeitamente separados da
liberdade individual, Hayek dá o recado:
Para nós, cidadãos comuns, valores econômicos aparentam ser menos
importantes do que as outras coisas da vida exatamente porque nas questões econômicas
somos livres para decidir o que é mais importante e o que é menos importante
para nós.
Mas tão logo o governo
assume o controle da economia, esses valores econômicos deixam de ser um dado meramente
trivial de nossa vida e assumem uma importância suprema, capaz de decidir vida
e morte.
A Venezuela está logo
ali para nos lembrar diariamente disso.
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Leia também:
É impossível negar que a
Venezuela é uma calamidade gerada pelo socialismo
A causa do colapso da Venezuela
não é o preço do petróleo; é o socialismo
Um breve histórico da
Venezuela: da quarta população mais rica do mundo à atual mendicância
Quer matar as pessoas de
fome em pleno século XXI? Adote o socialismo
O socialismo venezuelano:
pessoas comendo cachorros, saqueando supermercados e morrendo de inanição
Junto com a destruição da economia, a mentira socialista é de longe a mais assassina de todas.
Um exemplo dessa tirania é o desarmamento da população, como podemos constatar na comparação entre Brasil e Suíça.
O número de homicídios no Brasil, onde a população foi ilegalmente DESARMADA, gira em torno de 148 por dia: 25,7 por 100 mil habitantes.
Na Suíça, onde todo cidadão é convocado pelo Estado a portar uma ARMA, o número de homicídios por ANO é menor do que 50: 0,60 por 100 mil habitantes.
Em suma: no Brasil mata-se, por dia, 03 X mais do que em um ano inteiro na Suíça.
O povo venezuelano tem sua parcela grande de culpa, votou no chavismo mesmo depois de 2007 quanto este assumiu definitivamente o discurso socialista. Maioria manifestou seu livre direito de escolha.
Muito esclarecedor o texto, gostaria se possível de um auxílio, como eu poderia, dado um certo país, analisar sua economia, Brasil por exemplo, sei que vivemos em um corporativismo, mas como analisar isso? se um país é rico porque ele é rico? se ele é pobre porque ele é pobre?
Sei que quanto mais liberdade de mercado tivermos mais riquezas vamos gerar, mas como determinar que temos mais liberdade de mercado?
obrigado.
Deturmaram Marx S/A
Quando vejo na internet jovens universitários bananenses dançando e cantando comemorando o governo de Nicolas Maduro (“Sou do levante, tô com Maduro”), imediatamente me torno seguidor ardoroso de Hans-Hermman Hoppe:
“Não pode haver tolerância para com comunistas em uma ordem social libertária. Eles terão de ser fisicamente removidos e expulsos da sociedade.”
Mas pelo menos a Venezuela é uma nação igualitária.
Sempre lembrando que os defensores deste modelo aqui no Brasil podem voltar ao poder em janeiro de 2019. Aliás, o mais fervoroso defensor, o senhor Guilherme Boulos, já é o candidato oficial do PSOL.
Jamais se esqueçam desta que tem tudo para ser a maior pérola da história da internet brasileira, quiçá mundial:
Venezuela: o socialismo que deu certo
“E, como o governo está no completo controle da situação (acima de tudo, ele possui o monopólio das armas), não há nada que as pessoas possam fazer quanto a isso, o que torna a situação ainda pior.”
Eis aí o principal motivo do desarmamento tão defendido pela esquerda. Nunca teve nada a ver com segurança pública, mas sim com o controla da população. A esquerda não é contra armas. Ela é contra os civis terem armas. Mas totalmente a favor de o governo (controlado por ela) ter todas as armas existentes.
Uma população desarmada jamais conseguirá organizar um levante contra esses vagabundos vermelhos.
A Venezuela já superou Cuba, Congo e Zimbábue e Eritréia em termos de socialismo:
http://www.heritage.org/index/ranking
Agora no pódio ela está em segundo lugar, atrás apenas da Coreia do Norte.
Eis o pódio, em ordem crescente de socialismo:
Cuba
Venezuela
Coreia do Norte
Cansado de ter problemas capitalistas? Vá para um desses três países e esse problemas não lhe incomodarão mais. E aproveita que a Venezuela é pertinho.
Parabéns pelo texto!
Eu fico particularmente feliz pelas citações ao livro de F. Hayek, pois foi justamente sua obra “O Caminho da Servidão” que abriu os meus olhos para o tanto de doutrinação e manipulação a que eu estava sendo submetido, sem perceber. Se antes eu era simpático ao socialismo e à utopia do comunismo, e mesmo alguma coisa no meu íntimo me incomodando, tentando me dizer que havia algo errado com aquilo mas que eu não sabia o que era, somente após a leitura desse livro (que só tomei conhecimento de sua existência acidentalmente, via Internet, pois era praticamente impossível tal tipo de obra ter qualquer divulgação em meu ambiente de convivência) pude realmente vislumbrar a realidade e a verdade dos fatos. E aquilo foi um choque para mim!
Hoje comparo o ato de ler a obra de F. Hayek, e o livro “As 6 lições” de Mises, e alguns trabalhos de Milton Friedman, como o ato de tomar a pílula vermelha de Matrix! A sensação de retomar a minha liberdade de escolha é algo por demais precioso, do qual não mais abrirei mão.
Continuem com o bom trabalho!
Em seu ímpeto reacionário, os neoliberais fascistas apressam-se em narrar a situação do povo venezuelano e a conspiração da CIA contra a felicidade advinda dos programas sociais de Maduro. Como sempre defensor do povo, sacrifico-me ao ousar refutar as críticas maliciosas dos autores, que ostentaram neste artigo o absurdo de afirmar que é o povo que sofre com a escassez gerada pelos controles de preço ao invés do grande capital e das oligarquias internacionais.
– Explicando a infame questão do papel higiênico: O ato de ‘defecar’ é essencial para a manutenção da conjuntura capitalista sob uma perspectiva marxista-polilógica, pois aliena o trabalhador da condição de exploração em que vive ao expô-lo a um trono produzido industrialmente (visando a burguesia prendê-lo às condições de produção, como explicado genialmente pela Escola de Frankfurt), onde ele é torturado pelos alimentos que consumiu, incapaz de refletir e lutar pela justiça social.
O fim da luta de classes trará alterações inevitáveis não só no psicológico do proletariado como também em seu corpo. Enquanto no sistema capitalista o proletariado é forçado a eliminar grande parte dos alimentos consumidos, de modo a demandar mais alimentos (e gerar mais lucros à burguesia agrária e à do mercado de produtos higiênicos), no sistema socialista será mera questão de tempo para que os velhos hábitos impostos pela burguesia sejam exclusivamente contemplados pelos livros de biologia.
Como explicado por Trotsky e Marx, o fim da luta de classes com a ascensão do proletariado inevitavelmente tornará ilimitada a capacidade física e intelectual do proletário, fazendo-o não mais protestar pelas futilidades antes impostas pela sociedade burguesa, como o ‘papel higiênico’, retomando a sociedade ao belo passado bucólico quando não era necessário sentir-se oprimido por seus desejos orgânicos e bastava jogá-los pela janela. A Venezuela enfrenta um processo de mudança necessário e em breve, o proletariado esquecerá do hábito imposto pela burguesia neoliberal a seu povo.
– O “gás verde”: Sendo a Venezuela uma produtora de petróleo, é mister que Maduro esteja preocupado em limpar sua imagem perante a vanguarda revolucionária fabiana ambientalista, utilizando de gás verde para apaziguar as multidões pagas pela CIA para oporem-se ao regime, criado de uma belíssima forma simbólica, uma ‘paz verde’ (Greenpeace).
– Os “saques” aos supermercados: Trata-se de pura restituição de mais-valia não consolidada. Quando as elites contratam trabalhadores para aumentarem seu lucro, os neoliberais reacionários maliciosamente se omitem; porém quando estes vão às suas lojas, quebram as vidraças e trazem os bens produzidos para casa ao ponto de que não mais haverá contratações (ou seja, fim da exploração do povo venezuelano), os neoliberais reacionários chamam de “saque”. Trata-se de apenas um exemplo da luta de classes em ação, impedindo os autores burgueses de enxergar a libertação do povo.
– A “inflação galopante” venezuelana: O senhor Maduro está mais do que correto: se os índices de preço estão fixos, é simplesmente impossível que esteja ocorrendo uma inflação (aumento de preços). Na verdade, o que está a ocorrer na Venezuela é uma deflação, pois a burguesia unida à CIA deseja entesourar sua riqueza, abdicando no curto prazo de sua própria alimentação, energia e sustento para que o proletariado não triunfe na Venezuela; daí o aumento de mais de 1.000 vezes na quantidade de dinheiro em circulação no país, trata-se de uma imprescindível ação do estado para manter de pé a demanda agregada perante uma armadilha de liquidez da burguesia e uma conspiração do capital internacional.
– “Apagões” na Venezuela: Trata-se de mais um exemplo do paradoxo da luta de classes em ação: apenas os reacionários sentem os apagões enquanto os trabalhadores estão nas ruas a festejar as conquistas sociais do país por ordem do Ministério da Suprema Felicidade Social, eventualmente entrando em conflito com os agentes da CIA a enfrentar a revolução.
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O autor verdadeiramente extrapolou em suas “acusações” contra o Bolivarianismo neste artigo, chegando, data venia, ao ridículo. Recomendo que venha à Unicamp como estudante e tome um curso de ciências sociais para que aprenda como de fato funciona o mundo.
Os socialistas querem a liberdade para entrar na nossa casa, sentar no nosso sofá e tomar a nossa cerveja.
Essa é a liberdade que eles querem.
O interessante é que os socialistas em seus argumentos nunca confrontam o capitalismo ou, melhor dizendo, o liberalismo de verdade, como o apresentado no artigo.
O inimigo é sempre o neoliberalismo, ou o imperialismo yankee, ou o capital internacional.
Eu penso que a primeira regra para se acreditar no socialismo seja saber enganar a si mesmo. Depois de tantos fracassos, essa é a única explicação plausível.
Leandro, você pode me explicar o que causou a crise asiática de 1997?
Leandro, vou te encher o saco de novo, é que eu gostaria de refutar esses trechos que peguei de uma apostila de cursinho minha (sobre a situação econômica do Japão):
“[…]Em 2001, ocorreu queda nas exportações e consumo interno, além do aumento do desemprego. O período é marcado pela deflação, ou seja, queda generalizada de preços causada pela redução do consumo. A economia começa a se recuperar a partir de 2002, quando se implanta políticas de desregulação econômica, cortes nos gastos públicos e privatizações.
Em 2006, o Japão sai do período de quase dez anos de deflação.
Em 2008, com a crise mundial, o Japão é um dos mais afetados por depender basicamente de suas exportações, principalmente para os EUA.
Em 2010, o governo japonês intervém na cotação do iene, favorecendo as exportações.
O Japão é empurrado para outra recessão, em 2011, agravando a dívida pública, devido a um grande terremoto, seguido de um tsunami, que destruíram indústrias, afetando setores vitais como o automobilismo e o eletroeletrônico. Para reconstruir as áreas afetadas pelo terremoto, aumenta a dívida japonesa que ultrapassa 230% do PIB do Japão.
Em 2011, a redução do fornecimento de eletricidade, após a desativação temporária das usinas nucleares empurra a economia para recessão.
Em 2012, o gasto extra com importação de petróleo e gás para substituir a geração de energia nuclear e a redução do comércio com a China, por causa das disputas pelas ilhas SENKAKU afetam a economia do Japão. O acirramento, em 2012, pela disputa das ilhas SENKAKU deve-se à presença de petróleo e gás. O Japão disputa, em 2012, com a Coreia do Sul DOKDO e TAKESHIMA.”
Se puder me ajudar eu agradeço.
Leandro,
Já li nos seus artigos do IMB que o câmbio atrelado leva a um descasamento entre política monetária e cambial e que isso leva o arranjo a um colapso no longo prazo.
Mas é possível manter essa política no longo prazo de alguma forma? Como Cingapura conseguiu? Lá opera um regime de cambio atrelado em relação a uma cesta de moedas, não?
Infelizmente, nossos amigos anarcomiguxos não perceberam que nós temos que expropriar o estado das mãos dos socialistas.
O capitalismo já existe. A nossa missão é combater o mal, os bandidos, os assassinos, os expropriadores, etc.
Se o estado está sendo usados pelos socialistas, pelos bandidos e por pessoas ruins, por que o estado não pode ser usado para defender o capitalismo, a paz e a liberdade ?
O estado pode ser dominado por qualquer grupo, até mesmo pelas pessoas honestas, capitalistas, pacíficas, etc.
O bem não fez nada, por isso o mal dominou o estado.
“Em seu livro O Caminho da Servidão, Friedrich Hayek aniquila a ideia de que é possível o estado controlar a economia sem que isso gere tirania e perda das liberdades individuais.”
É como eu sempre digo que o brasileiro têm mentalidade de escravo, que sonha em liberdade. O pensamento escravista brasileiro é baseado na onipotência e onipresença do estado para regular tudo e todos no território nacional, mas ao mesmo tempo sonha em ter liberdade. Ora isso é totalmente nonsense, ou você defende a liberdade ou a onipresença do estado.
Fato é que o brasileiro não sabe o que é liberdade. Assim como nunca tiveram.
A esquerda brasileira acha que está em 1917. Tem muita gente que não entende que o muro caiu.
A esquerda brasileira é marxista, estatizante, igualitária, etc. Eles defendem tudo que deu errado e causou mais de 100 milhões de mortes.
O socialismo e o comunismo são motivos de piada em muitos países, mas aqui conseguiu um monte de apoiadores.
O marxismo ainda existe em muitos países, mas de forma manipulada, obscura, com fake news, etc. Aqui os caras tem orgulho em dizer que são marxistas.
O debate se tornou impossível, porque não tem como discutir com que quer destruir o sistema capitalista. É perda de tempo discutir com petistas, psolistas, comunistas, etc.
Enquanto a esquerda de muitos países aceitou o capitalismo, nossa esquerda parece que gosta de destruir o capitalismo.
Nessas horas dá saudade do Pablo Escobar. Já pensou, ele invadindo a Venezuela com seus capangas para sentar o chumbo nos guardas estatais venezuelanos, e depois transformar a Venezuela num próspero produtor de cocaína enquanto compra o apoio da população com suas caridades costumeiras?
Seria lindo.
A Venezuela viveu poucos ou nem um momento de estabilidade econômica, não sei como seria esse país se o estado não fosse socialista, mas não vejo, caso fosse qualquer um dos governos anteriores, uma situação melhor. Estamos falando de uma completa especulação histórica e que deve ser evitada.
O artigo é bom, mas não foi escrito por um especialista em marxismo.
O artigo parou exatamente na realidade, onde os ditadores socialistas nunca largam o osso.
Os socialistas acabam gostando do dinheiro e do poder, e nunca entram no comunismo.
No final das contas, os socialistas só querem que os capitalistas comam as sobras dos pratos deles.
A liberdade nunca vem pelo socialismo, porque os “camaradas” só querem mandar, doutrinar, expropriar, etc. A maioria dos socialistas só quer mandar nas pessoas e a “liberdade” do comunismo nunca chega.
“É impossível haver socialismo e liberdade – como nos mostra a Venezuela. Esqueça os slogans descolados. Socialismo é escravidão”
Ok, mas temos que concordar que também é impossível haver capitalismo e liberdade. Logo, chegamos a conclusão que o termo liberdade é apenas uma palavra cunhada que está vinculada ao raciocínio humano da argumentacão e não tem qualquer relação com as escolhas práticas do dia a dia.
Se dependesse da mídia “tradicional”, não faríamos nem ideia do que passa na Venezuela.
Só uma ressalva:
“proponentes do socialismo … defendem … restrições econômicas sem qualquer preocupação com as consequências sobre as liberdades civis. Eles genuinamente acreditam que ambas as coisas são entidades completamente distintas e separadas, cada uma existindo sem exercer nenhum impacto na outra.”
Os soldados rasos podem até acreditar nisso, mas as altas lideranças apenas fingem acreditar, eles sabem perfeitamente o que estão fazendo (promovendo mortes, miséria, violência, destruição, etc.) e que suas narrativas são mentirosas.
* * *
Adorei o texto, sucinto e explicativo!
Creio que este texto deixou claro que é necessário o livre mercado, etc. Mas, parando para refletir, como fica a questão do monopólio, oligopólio? Mesmo num mercado livre e competitivo, é possível uma empresa adquirir outras e assim dominar o mercado, estabelecendo preços. Sou favorável ao livre mercado, no sentido competitivo; mas, é evidente, que todos os setores precisam de uma regulação mínima.
Gostaria de ouvir o IMB sobre um modelo eficiente de agência reguladora, pois o modelo brasileiro é mais um cabide de emprego.
Um exemplo: na cidade de São Paulo, nossos estúpidos vereadores, aprovaram uma lei que disciplina o transporte por aplicativo. Resultado: com a nova regulamentação, mais de 50 mil motoristas estão fora do mercado. Uma agência reguladora deveria ter precedência sobre o legislativo em questões técnicas – a mesma coisa aconteceu com a pílula do câncer, pois a ANVISA não autorizou o uso e o Senado, em sua sapiência, fez uma lei autorizando, que logo foi suspensa por um ADIN.
Como regular o mercado sem burocratiza-lo?
Não dou nem 15 anos para os esquerdistas forçarem a narrativa que a culpa foi do capitalismo.
Venezuelanos famintos recorrem ao "trabalho em troca de comida"
MARACAIBO, VENEZUELA — Leonard Altamar, um encanador de 41 anos, carrega sua caixa de ferramentas — e um pacote com um quilograma de macarrão — ao entrar em um restaurante em Maracaibo.
Este pai de dois filhos não vai utilizar a comida empacotada para consertar o vazamento em um dos banheiros encharcados do estabelecimento, mas ele não deixaria o pacote de macarrão em sua bicicleta por nada neste mundo. Trata-se de um tesouro que ele acabou de ganhar.
"Acabei de consertar uma lava-louças e fui pago com esse spaghetti. Recebi também um pouco de carne e 200 mil bolívares (aproximadamente US$ 1,20). Comecei a aceitar esse tipo de pagamento em setembro. Assim, pelo menos minha família pode comer", disse Altamar. […]
A fome é algo rotineiro na casa de Altamar. Em outubro, ele perdeu 8 quilos em apenas algumas semanas. Seus filhos já se acostumaram a ir dormir passando fome, admitiu ele.
Altamar faz parte de uma crescente massa de trabalhadores venezuelanos disposta a receber alimentos em troca de serviços. Seu pai e seus dois irmãos, que são eletricistas e carpinteiros, também trabalham em troca de comida.
"Tenho de me ajustar à situação. Pergunto aos meus clientes 'O que você tem na sua despensa?' quando estamos discutindo o preço dos serviços. Nos dias atuais, essa é a única solução", diz ele.
Farinha, arroz, óleo vegetal, açúcar, maionese, refrigerantes e itens de cuidado pessoal são fortes moedas de troca para ele.
Empregadas domésticas, motoristas de táxi e de ônibus, carpinteiros, sapateiros, enfermeiras, empregados de lava-jatos, comerciantes e até mesmo profissionais estão dispostos a participar deste arranjo "trabalho por comida" para não morrer de fome.
Na última sexta-feira, Leonard recebeu de um cliente, em troca de seus serviços, aproximadamente dois quilos de farinho de milho, dois quilos de arroz e um litro de óleo vegetal.
O telefone toca e a entrevista é interrompida. Um cliente lhe pede para consertar sua lavadora que está vazando. O encanador marca o serviço para o dia seguinte. Seu preço?
"Você tem alguma manteiga? Isso vai servir", diz ele ao cliente.
[…]
Fernando Aristiguieta, 34 anos e dono de uma empresa de contabilidade, tem dois tipos de clientes: os que pagam com dinheiro e os que pagam com comida.
Ele começou a aceitar pagamento em comida — quilos de carne, frango, manteiga, desodorantes ou outros produtos difíceis de conseguir — quando a crise passou a demolir o orçamento de sua família em 2017.
"Ao menos assim eu não tenho de passar longas horas na fila de um supermercado e tendo de pagar preços excessivos", diz ele.
Até mesmo seu cabeleireiro aceita comida em troca de cortes de cabelo. Recentemente, diz ele, o estilista saiu no braço com um cliente que queria pagar por dois cortes de cabelo com apenas um quilo de farinha. O cabeleireiro queria dois quilos.
Os clientes acertam suas contas com Aristiguieta permitindo que ele pegue produtos de suas lojas.
"Nunca pensei que teria de fazer isso em minha carreira profissional. É uma necessidade e não um desejo. Temos de nos adaptar à crise", diz ele.
http://www.miamiherald.com/news/nation-world/world/americas/venezuela/article194511929.html
Há uma contradição aqui.Em primeiro lugar o site leva o nome de Mises.Em segundo o site foda-seoestado.com explica que toda forma de estado é socialismo(foda-seoestado.com/por-que-toda-forma-de-estado-e-socialismo/).Em terceiro Mises defendia o seguinte:"A fim de estabelecer e preservar a cooperação social e a civilização são necessárias medidas para impedir que indivíduos antissociais cometam atos que poderiam desfazer tudo o que o homem realizou desde que saiu das cavernas. Para preservar um estado de coisas onde haja proteção do indivíduo contra a ilimitada tirania dos mais fortes e mais hábeis, é necessária uma instituição que reprima a atividade antissocial. A paz — ausência de luta permanente de todos contra todos — só pode ser alcançada pelo estabelecimento de um sistema no qual o poder de recorrer à ação violenta é monopolizado por um aparato social de compulsão e coerção, e a aplicação deste poder em qualquer caso individual é regulada por um conjunto de regras — as leis feitas pelo homem, distintas tanto das leis da natureza como das leis da praxeologia. O que caracteriza um sistema social é a existência desse aparato, comumente chamado de governo." Ludwig von Mises, Ação Humana, capítulo XV.
Além disso, em Ação Humana Mises deixa claro a necessidade da existência de impostos:
"A manutenção de um aparato governamental de tribunais, polícias, prisões e forças armadas requer despesas consideráveis. Cobrar impostos para pagar estas despesas é inteiramente compatível com a liberdade que um indivíduo desfruta numa economia de livre mercado." (Ludwig von Mises, Ação Humana, XV. 6).Se socialismo e liberdade são incompatíveis,então é melhor mudar o nome do site para Instituto Hoppe Brasil,pois tentar provar que imposto não é roubo e não fere a liberdade é impossível.É claro que respeitamos Mises e Milton Friedman por terem divulgado a liberalismo,mas temos de ser coerentes com nossas posições.
Eu nunca vou te abandonar, sempre que precisar de um produto inviável pelos meios legais lá estarei para ofertá-lo sem nenhum questionamento, seremos abastecido pelo meu irmão Contrabando,para mim, servir a você e sua família é um fim em si mesmo.
E em caso de desastre econômico invocaremos nosso pai Escambo para te dar tanto poder de compra quanto for possível, eu nunca vou te abandonar porque você nunca faria isso comigo.
Olhe o que acontece na Bolivia. PERSEGUIÇÃO RELIGIOSA. http://www.youtube.com/watch?v=gzvhuhAhnMo
noticias.gospelprime.com.br/na-bolivia-lideres-cristaos-protestam-contra-evo-so-teremos-paz-nos-cemiterios/
noticias.gospelprime.com.br/maduro-exige-punicao-para-lideres-religiosos-que-oraram-contra-corrupcao-de-seu-governo/
Os socialistas acreditam que na pré-história os humanos viviam em um “comunismo primitivo” e que, após a revolução comunista e ditadura do proletariado globais, a Humanidade retornará ao “comunismo primordial”.
Aliás, a palavra “revolução” originalmente se refere a um astro completar uma órbita em torno do outro. É referência ao “do paraíso perdido ao paraíso recuperado” judaico-cristão. Pior: é mais uma “apropriação cultural” dos comunistas em relação ao cristianismo.
E aprendemos que no Paleolítico os caçadores usavam pedras e paus. Vendo essa cena horrível de pessoas matando uma vaca a pedradas (além de cruel, provavelmente era propriedade de outra pessoa e foi “socializada”), percebemos que o comunismo é eficiente para destruir toda civilidade e devolver as pessoas à pré-história.
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Querem ver um show de ignorância econômica? Vejam esse vídeo sobre a Venezuela.
o que se passa na Venezuela hoje e cruel, não desejo isso para nenhum país nem nenhum cidadão, eu falo um pouco sore socialismo no meu blog também faz uma visita lá depois para trocarmos experiencias esteticamentefalando.com ou Ebook: Tudo Que Não Te Contaram Sobre o Socialismo