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Sim, o trabalho assalariado é uma mercadoria – e é isso o que o protege contra abusos

É bastante comum ouvir a afirmação, feita
majoritariamente por políticos e intelectuais, de que o “trabalho não é uma
mercadoria”. Não sendo uma mercadoria, o preço do trabalho (o salário) não pode
ficar ao sabor das flutuações do mercado.

Consequentemente, para garantir um “valor justo”
para a mão-de-obra é imprescindível: a) estipular por lei um valor mínimo para
o salário; b) proibir reduções
salariais
durante recessões econômicas; c) fomentar a atividade sindical,
pois apenas os sindicatos poderiam proteger os trabalhadores e impor um valor
salarial justo para a mão-de-obra.

Poucos se atrevem a questionar essa “verdade”, a
qual parece ser tão evidente que está praticamente arraigada em nossos
profundos sentimentos humanos.

Ademais, a própria história da civilização é a luta
do homem contra essa tão odiosa instituição que foi a escravidão, na qual
vários seres humanos eram comprados, utilizados e vendidos como se fossem
animais. Esse nosso lamentável histórico ajuda ainda mais a propagar a ideia de
que o trabalho humano não pode ser tratado como uma mercadoria.

Mas
é uma mercadoria

No entanto, apesar das considerações anteriores, a
realidade é que os serviços efetuados pelo trabalho humano (e não nos referimos
à pessoa humana em si mesma, a qual é indiscutivelmente inalienável) estão submetidos
às mesmas leis econômicas que valem
para todas as outras mercadorias e fatores de produção.

E as leis econômicas afetam de forma inexorável a
todos os agentes que intervêm no mercado, independentemente de qual seja o
sentimento popular em relação às mesmas.

Em concreto, são duas as leis econômicas mais
importantes relacionadas ao fator trabalho: a lei “da oferta e da demanda”, e a
lei que diz que “o salário será determinado pelo valor presente da esperada
produtividade marginal futura do trabalho”.


Lei: Oferta e demanda

A primeira lei é básica, lógica e perfeitamente compreensível
para qualquer leigo inteligente.

Ela afirma que um aumento da demanda por
determinados serviços efetuados pelo trabalho humano tende a aumentar o preço destes
serviços — isto é, os salários.

Quanto mais demandada for uma mão-de-obra, maior o preço
(salário) que os patrões estarão dispostos a pagar por ela.

Igualmente, um aumento da oferta desta mão-de-obra
— isto é, um aumento da quantidade de pessoas dispostas a trabalhar no mesmo
setor — gerará o efeito oposto: fará reduzir seu preço.


Lei: Paga-se hoje pela produção daquilo que só será vendido no futuro

A segunda lei é de grande transcendência. Ela diz
que o trabalhador recebe hoje o valor
integral daquilo que ele produz e que só será vendido no futuro. Consequentemente, há um inevitável desconto no valor,
pois o valor futuro de algo é trazido ao seu valor presente.

Sempre que o valor futuro de algo é trazido ao seu
valor presente, o valor presente é menor. São os juros intertemporais.

Logo, o valor do salário é calculado no momento em
que ele produz o trabalho e não quando todo o processo de produção é
completado.

Isso é muito importante quando se considera que os
processos produtivos modernos duram um período de tempo muito prolongado. A experiência
prática mostra que são muito poucos os trabalhadores que estão dispostos a
esperar todo esse tempo para receber o valor integral do produto final elaborado
com seu trabalho, o qual só depois de muito tempo estará pronto para ser vendido
no mercado.

Os trabalhadores que os empreendedores e
capitalistas empregam hoje não precisam esperar até que os
bens sejam produzidos e realmente vendidos para receberem seus salários. Os
capitalistas e empreendedores adiantam um bem presente (salário) aos trabalhadores
em troca de receber — somente quando o processo de produção estiver finalizado
— um bem futuro (o retorno do investimento). Existe necessariamente uma
diferença de valor entre o bem presente do qual os capitalistas e
empreendedores abrem mão (seu capital investido na forma de salários e
maquinário) e o bem futuro que eles receberão (se é que receberão).

(Com efeito, esta lei evidenciou, há mais de um
século, quão absurda é a teoria
marxista da exploração
: pagar ao trabalhador “hoje” o valor integral
daquilo que só estará completado em um distante “amanhã” significa pagar a este
trabalhador um valor substantivamente maior do que ele próprio produziu hoje).

Esta segunda lei é de fácil demonstração prática: se
aos trabalhadores fosse paga uma quantidade inferior
ao valor presente descontado de sua produtividade marginal esperada, os lucros
do empresário aumentariam caso ele contratasse mais trabalhadores. Só que contratar
mais trabalhadores significa aumentar a demanda por mão-de-obra, o que gera uma
tendência de elevação dos salários.

O contrário acontece no caso em que o salário é maior que a produtividade: o empresário
terá menos lucros e, consequentemente, irá demitir ou deixar de contratar
trabalhadores até que a produtividade aumente ou os salários diminuam. (Porém,
se houver leis trabalhistas rígidas que proíbam reduções salariais ou encareçam
demissões, este reajuste será forçosamente feito pelo mercado, e o desemprego
passará a ser alto e perdurará indefinidamente).

Como
aumentar os salários

Destas duas leis anteriores é possível deduzir que
existe um fenômeno, e somente um fenômeno, capaz de aumentar os salários de
todos os diferentes tipos de trabalho e, por conseguinte, o padrão de vida das pessoas:
a acumulação de capital.

Quanto maior a quantidade de bens de capital
utilizados por um trabalhador, maior será sua produtividade.

Se, por exemplo, um operário norte-americano ganha
quatro vezes mais que o espanhol ou cem vezes mais que o indiano, isso não se
deve ao fato de ele ser mais trabalhador ou mesmo mais capacitado. A explicação
é muito mais simples: o norte-americano utiliza quatro ou cem vezes mais capital
investido pelo mercado (máquinas, ferramentas, instalações industriais, meios
de transporte etc.) que seu colega espanhol ou indiano, respectivamente.

O capital investido é o que aumenta a produtividade,
os salários e, consequentemente, o padrão de vida de uma sociedade. A acumulação
de capital, ao tornar o trabalho humano mais eficiente e produtivo, é o que
permite aumentos salariais para todos. Trabalhar menos e produzir mais é o
resultado direto da acumulação e do uso do capital.

Consequentemente, aqueles sistemas econômicos que
mais favorecem a poupança (é a poupança o que permite os investimentos que
criam bens de capital) e a acumulação de capital são os mais benéficos para as
massas. Acima de tudo, são os mais cruciais a serem colocados em prática nos países
mais subdesenvolvidos.

Consequências
de se ignorar as leis econômicas

Assim como a lei da gravidade continua plenamente em
vigor ainda que você a considere “inaceitável” pelo fato de matar pessoas que
caem de cabeça no chão, o mesmo ocorre com as leis da economia. Não há demagogia
política ou sindical capaz de revogá-las.

Leis estipulando um salário mínimo, leis que proíbem
reduções salariais e encargos sociais e trabalhistas que encarecem o custo
final da mão-de-obra podem até servir para tranquilizar os espíritos
socialmente mais “sensíveis”, mas ainda assim condenarão ao desemprego e ao
desespero todos aqueles trabalhadores que, por produzirem um valor inferior ao
custo total de sua mão-de-obra estipulado pelo governo, não conseguirão emprego.

Se o mercado de trabalho é engessado por regulações trabalhistas e tributos sobre a folha de pagamento — os quais encarecem sobremaneira o preço do trabalho legal –, o governo está simplesmente fazendo com que empreender e gerar empregos legalmente seja proibitivo em termos de custos. Consequentemente, a mão-de-obra de qualidade mais baixa terá dificuldades para encontrar empregos formais, pois não é produtiva ao ponto de gerar mais receitas do que custos para seus empregadores. Seu poder de barganha será nulo, não haverá disputa por sua mão-de-obra e seus salários serão permanentemente baixos.

Quanto mais regulada e burocratizada a economia, e quanto maiores os encargos tributários sobre a folha de pagamento, menores as disponibilidades de emprego, menor o poder de barganha dos trabalhadores, menores os salários, maior a insatisfação, e maiores as chances de abuso.

Efeito semelhante sobre o desemprego tem as políticas
sindicais que impõem aumentos de salários por meios coercitivos (como greves). O resultado
sempre é o mesmo: alguns poucos trabalhadores, aqueles que conseguiram manter
seus postos de trabalho, saem favorecidos à custa de todos aqueles outros que
acabam sendo empurrados para a informalidade ou que ficam no desemprego.

A falta de solidariedade entre os próprios trabalhadores
não poderia ser mais patente do que neste caso: aqueles trabalhadores
privilegiados conservam seus postos de trabalho sob condições que não ocorreriam
em um livre mercado, e à custa de todos os outros milhões de desempregados que
gostariam de trabalhar mas que não conseguem empregos porque sindicatos e leis
trabalhistas estipularam um custo mínimo extremamente alto.

Também chama a atenção o fato de que muitos governos
são obstinados em dilapidar o capital existente no país por meio de impostos confiscatórios
(tanto da renda quanto do patrimônio), os quais são impingidos com o intuito de
“redistribuir renda”, mas que logram apenas empobrecer as massas, pois, ao
reduzirem a acumulação de capital disponível por trabalhador, causam uma redução
generalizada dos salários reais. Impossível aumentar salários ou mesmo pagar bons
salários se os impostos confiscam os lucros e impedem empresas de aumentar seus
bens de capital
.

O
lado bom de tudo

Por fim, é crucial ressaltar que é realmente uma
maravilha o fato de o trabalho estar submetido às leis objetivas e impessoais
do mercado: uma distribuição da renda salarial que fosse baseada em outros critérios
diferentes dos do mercado seria inevitavelmente arbitrária, subjetiva e sujeita
aos caprichos de um ditador econômico.

Consequentemente, é fácil constatar que não há melhor
defesa para os direitos das minorais marginalizadas por sua religião, raça, opção
sexual etc. que a possibilidade de poderem vender livremente no mercado produtos altamente
úteis aos consumidores — os quais, por necessitarem deles, não se importam com
a religião, raça ou opção sexual de quem participou de sua eficiente produção.

Por tudo isso, da próxima vez que o leitor escutar a
informação de que “o trabalho não é uma mercadoria”, lembre-se de que é inútil e
prejudicial para as próprias massas trabalhadoras ignorar e lutar contra as
leis da economia. E que, no dia em que o trabalho deixar de ser uma mercadoria
do ponto de vista econômica, cada trabalhador terá perdido sua liberdade e
estará sujeito às decisões puramente subjetivas e arbitrárias do ditador econômico
do momento (tenha sido ele democraticamente eleito ou não).

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85 comentários em “Sim, o trabalho assalariado é uma mercadoria – e é isso o que o protege contra abusos”

  1. Quem adora falar que o trabalho não pode ser tratado como uma mercadoria porque “nosso povo não é bode” é o inefável Ciro Gomes.

    Aliás, já perceberam que aqui no Brasil toda a retórica política se baseia em tratar os pobres como coitados incapazes? E o pior é que quem faz isso sempre faz em benefício próprio. Em qualquer lugar sério isso seria denunciado como uma vergonhosa autopromoção à custa dos desvalidos. Já aqui no Brasil isso é “discurso político sério e maduro”.

  2. Quem dera se algo tão simples fosse amplamente entendido pelo povo. Por aqui ainda estamos na crença de que os salários só são baixos por causa da maldade do empresário, e que todos os salários poderiam aumentar magicamente caso o governo assim impusesse. Nenhuma palavra sobre como a carga tributária e os encargos sociais e trabalhistas afetam exatamente a capacidade de empresas e pessoas pagarem salários maiores. O povo acha que impostos altos, estado de bem-estar, funcionalismo público com salários nababescos e economia burocratizada não têm nenhum efeito sobre os salários baixos do setor privado.

    São os enormes os danos que a sociedade causa a si mesma por desconhecer as leis mais básicas da economia.

  3. Vocês viram o Jornal Hoje? Eles entrevistaram algumas pessoas em São Petersburgo sobre o 100 anos da Revolução Russa e nem o pessoal mostrava simpatia por isso. Um cara lá disse que foi até uma tragédia isso ter ocorrido na Rússia.

  4. economia.estadao.com.br/noticias/geral,parecer-de-senador-do-pmdb-diz-que-nao-existe-deficit-na-previdencia,70002057146

    E agora, qual a desculpa?

  5. Certo que o trabalho é uma mercadoria e que valor deve estar ligado as leis de mercado eu entendi.

    Agora se as Leis de Livre Mercado resolvem tudo então como ela irá impedir que o Coronel Ciro force você a trabalhar como quase um escravo na fazenda dele lá nos grotões de Alagoas?

  6. Cleriston Magalhães

    Infelizmente, conforme o avançar do tempo percebe-se que o Brasil caminha a passos largos para o completo fracasso. Será que tem jeito, já que vivemos em uma sociedade completamente idealizada no controle estatal? Destruir todo esse pensamento implantado na cabeça das pessoas, haja vista o monopólio do pensamento nas escolas, faculdades e na mídia, parece ser impossível.

  7. “Assim como a lei da gravidade continua plenamente em vigor ainda que você a considere “inaceitável” pelo fato de matar pessoas que caem de cabeça no chão, o mesmo ocorre com as leis da economia. Não há demagogia política ou sindical capaz de revogá-las.”

    Fantástico essa frase

  8. Muito boa a correlação entre leis naturais (lei da gravidade) e econômica.

    Além do artigo. er muito bom.

    Após uns 40 anos como empregado, de pai-trão, depois contratado sem carteira, estagiário, empregado de: empresa de economia mista e privadas, tornei-me consultor independente da indústria do petróleo.

    Hoje, após 2,5 anos, não consigo mais me ver como empregado. Mesmo tendo tido perdas monetárias não previstas por mim (por, talvez displicência) como não tenho mais feriadose férias remuneradas, 13º, gratificação de férias e FGTS, auxilio almoço, a. refeição , seguro de vida, INSS (apesar de estar aposentado após 38 anos de contribuição), não troco a liberdade de ganhar por dia efetivamente trabalhado pelo trabaho assalariado.

    E olha que sempre amei minha profissão. Mesmo sendo empregado.

    Acho que o problema de ver algo, para mim hoje, que coisa artificiais como o FGTS que é expoliação de parte do seu salário que será remunerado a juros vis, e não um direito não é fácil. Principalmente com apropaganda associada à criação destes “penduricalhos”.

    Por isto, acho graça de quem critica a CLT mas defende a volta de governos militares.

    Afinal, o FGTS não é CLT, mas um mecanismo criado em 1966, governo Castelo Branco, qu expropia parte do seu salário, paga juros que são metade da poupança e sempre foram utilizados para financiar obras tocadas pelo Clube das Empreiteiras, criado pelo Decreto Lei 64.345, de 10/04/1969 que alijou estrangeiras em contratos do governo.

    Hoje, sou partidário da simplificação total do salário. Você recebe pelo dia trabalhado (ou hora) e pronto.

    Quer previdência, seguro de vida, médico, garantia por possíveis perdas de emprego. Corra atrás.

    “Há, mas a maioria não consegue planejar o futuro assim.” PHODD@AM-SE!

    Na segunda ou terceira geração todos aprendem. Ou então são extintos. Simples lei da evolução

  9. “Esta segunda lei é de fácil demonstração prática: se aos trabalhadores fosse paga uma quantidade inferior ao valor presente descontado de sua produtividade marginal esperada, os lucros do empresário aumentariam caso ele contratasse mais trabalhadores. Só que contratar mais trabalhadores significa aumentar a demanda por mão-de-obra, o que gera uma tendência de elevação dos salários.”

    Tem um salto argumentativo aí. Os salários só aumentam se aumentar o número de empregadores. O aumento do número de vagas na mesma empresa não aumenta os salários.

    A vantagem de se abaixar os salários é justamente possibilitar que mais pessoas contratem empregados, o que aí sim aumentaria os salários, pela concorrência para contratar. O artigo não abordou esse importante passo do processo.

  10. Só pra apimentar a discussão.

    Do texto:

    “Logo, o valor do salário é calculado no momento em que ele produz o trabalho e não quando todo o processo de produção é completado”

    Resposta: Falso! O operário José foi empregado hoje em uma indústria de TVs. Ele começa a produzir imediatamente. Cada TV que passa pela sua frente na linha de produção, à velocidade de 2 por minuto, fica pronta no mesmo dia, e vai estar, em menos de 2 semana na loja (sendo que a fábrica já vendeu, senão não iria para a loja). Uma TV sai da fábrica por pouco menos de R$1.000,00 e na loja vai custar quase R$ 2.000,00. Apenas duas TVs já pagariam o salário do José. Mas espera um pouco, ele só vai receber daqui a 30 dias quando a fábrica já vendeu pra mais de 1.000 TVs.

    E aí, como fica esta “lei” econômica neste cenário?

    Até já sei a resposta, mas vamos ver o que os atuais leitores do IMB falam.

  11. Mais uma dos empresários exploradores capitalistas comedores de criancinhas:

    https://www.coindesk.com/call-bitcoin-developers/

    Eis a tragédia que gera uma moeda forte. Esses empresários, que só pensam no próprio lucro, precisam agora oferecer salários milionários para desenvolvedores que já ficaram ricos simplesmente por deter uma moeda forte. Esses exploradores precisam até recrutar programadores de blockchain remotos, de outros países, para suprir a forte demanda, exportando salários altos.

    Já imaginaram o desastre que seria se isso ocorresse na economia inteira? Onde vamos parar, se os trabalhadores tiverem dinheiro no bolso e puderem consumir bem e poupar ao mesmo tempo?

    Certa estava a Dilma, a progressista, desenvolvimentista, pró-trabalho e pró-emprego, com suas políticas de incentivo ao consumo: inflacionou a moeda, destruiu o poder de compra e demonstrou, empiricamente, que essas políticas fazem a economia andar para trás, geram atraso, queda no consumo e desemprego em massa, apesar de todo mundo estar mais disposto a trabalhar, para compensar a queda no poder aquisitivo. Além de ter feito a alegria de especuladores, que fizeram short quando ela falava de estocar vento e long quando ela caiu. Este até que foi o lado bom, se é que vocês me entendem…

  12. E aqueles papos keynesianos/neoclássicos de “salários são rígidos”, o que tem aí de verdadeiro? Imagino que a rigidez de certos preços seja causada pela interferência do governo que impede o ajustamento natural dos preços.

  13. Coitados dos americanos! Vocês acreditam que eles não têm direito adquirido a décimo terceiro, férias remuneradas, FGTS e outros direitos trabalhistas que nós temos?

    É por isso que tantos americanos querem vir morar no Brasil: por causa das conquistas sociais obtidas pelos sindicados através das greves e lobbys políticos!

    * * *

  14. Qual seria a proposta do IMB para o mercado de trabalho brasileiro? Esse será um dos temas mais discutido das eleições por conta do alto índice de desemprego.

    Segundo o site Doing Business, o mercado de trabalho que menos dá benefícios para os trabalhadores é os EUA seguido do Japão. Acham que seria uma boa copiar algum desses modelos trabalhistas no Brasil?

  15. A lei da oferta e da demanda é tão certeira que até nas paqueras ela funciona, pois no meio de muitas gatas nós escolhemos a mais bela e vistosa e quando é o contrário somos preteridos por sermos feio, deselegantes e muitas vezes pobres. Essa lei é irrefutável tanto na economia como muitas vezes em atividades lúdicas igual paquerar.

  16. Quando nasceu o trabalho assalariado?

    Quando será que foi?? Oriente Médio? Grécia e Roma*? Feudalismo? Velho mundo? ou Apenas com a Primeira Revolução Industrial**?

    O trabalho assalariado é a relação de trabalho caracterizada pela troca da força de trabalho por salário. Difere-se das demais relações de trabalho por prescindir de relações de dependência extra econômicas (na escravidão, por exemplo, o trabalhador é propriedade do senhor de escravos, enquanto na servidão o trabalhador está ligado à terra e é dependente do senhor de terra). Transformado em forma principal das relações de trabalho com o advindo do capitalismo industrial, caracteriza também a transformação da força de trabalho em mercadoria.

    Pré-História

    No chamado Período Paleolítico, os seres humanos viviam em pequenos grupos nômades, cuja organização é pouco hierarquizada.

    O sistema de salário nesta época não existia nem tampouco o dinheiro. No interior da tribo não havia trocas mercantis, mas o escambo era praticado nas relações entre diferentes grupos nômades.

    Com o sedentarismo, ocorreu uma crescente hierarquização das sociedades, um sistema de castas (sacerdotes, guerreiros, artesãos e camponeses) se formou com base no trabalho escravo. Ainda há um amplo debate entre os estudiosos sobre o que causou essa hierarquização.

    Idade Antiga

    A Idade antiga surge com base no trabalho escravo, pois assim surgiram as primeiras civilizações. Desta forma, os escravos eram grande parte da sociedade. Porém, o trabalho assalariado passou então a ser comum nas relações de pequeno porte, como a contratação de alguém por um artesão, ou por um político. Por mais que estes últimos contratassem trabalhadores assalariados, eles raramente tinham chances de enriquecer-se apenas através deles, pois a riqueza era medida, sobretudo, pela posse de terra e de escravos.

    Idade Média

    Na Idade Média (feudalismo), a sociedade é totalmente transformada, e a servidão substitui em grande parte a escravidão, mas pode-se dizer que o trabalho assalariado continue o mesmo: acordos entre pequenos empresários com pessoas comuns; riqueza medida pela posse da terra; e dificuldade de mobilidade social.

    Idade Moderna

    No início da Idade Moderna, o capitalismo comercial se desenvolveu em escala mundial com as descobertas marítimas e o trabalho escravo tornou-se novamente comum, principalmente nas colônias. No entanto, pelos países europeus, cada vez é mais difícil encontrar escravos trabalhando nas cidades, embora no campo a servidão ainda predomine. Nas cidades europeias predomina o serviço livre e algumas vezes o assalariado. Movimentos filosóficos como Renascentismo e Iluminismo, apoiavam a facilidade de mobilidade social, e tendiam a abominar a escravidão.

    Neste Período, basicamente dois fatores vão finalizar a escravidão e a servidão e tornar o trabalho assalariado o protagonista das relações de produção:

    1. Revolução Industrial:

    Com base na mão de obra livre decorrente do cerceamento dos campos ingleses e a acumulação de capital nas mãos da nascente burguesia daquele país, criou a chamada classe operária (ou proletariado) e aumentou a produção. Expandiu-se no século XIX a outros países e fez com que países industrializados, como a Inglaterra, incentivassem a abolição da escravidão para a ampliação dos mercados consumidores e de mão de obra;

    2. revoluções burguesas:

    Revoluções como a Americana e a Francesa foram impulsionadas pelo iluminismo, que era contrário á escravidão.

    *O trabalho assalariado nasceu na antiga Roma, onde os soldados eram pagos com sacos de sal, a quantia recebida era chamada de salarium, foi dai que surgiu o salário.

    **O ano é incerto, já que o trabalho assalariado surgiu de mãos dadas com o capitalismo e revolução industrial, cujo país pioneiro era a Inglaterra, notável por sua luta contra o sistema escravocrata, não porque ela era boazinha, mas porque era mais barato manter um trabalhador e pagá-lo só quando ele produzisse, uma vez que o dono do escravo deveria pagar um alto preço pela sua aquisição, como também por sua manutenção, ele produzindo ou não.

    Portanto, o ano é indiferente, desde que seja num contexto de revolução industrial e/ou subsequente.

    Assim você vai entender melhor. Não dava para, só responder este ou aquele. O salário surgiu com as primeiras sociedades, na Mesopotâmia e no antigo Egito, na “Idade Antiga”.

    Valeu!!!!!……:)

  17. Em realidade somos mercenarios ou mercadoria.

    Assim como um produto precisamos saber nos vender.

    Milho em espiga existe aos milhares e é barato,

    Se vier em uma latinha já lavado o preço sobe.

    Se vier em restaurante por kilo sobe mais ainda

    Em um restaurante Chick com termos em inglês gourmet etc. o valor chega a ser 100 vezes o valor original

  18. Os escritores Paul e Ronald Wonnacott dizem: “A taxa de salários é o preço do trabalho; e o mercado de trabalho é semelhante ao mercado de um bem como o trigo. Está, entretanto, muito longe de ser igual ao mercado de trigo. O trabalho não é apenas um bem; o trabalho envolve pessoas. Assim, questões maiores de política, que surgem nos mercados de trabalho, não aparecem nos mercados de outros insumos ou de produtos finais (INTRODUÇÃO À ECONOMIA. SÃO PAULO: MAKRON BOOKS DO BRASIL, 2004 p. 727).

    O trabalho não é mercadoria. O trabalho é um bem, juridicamente protegido, no sistema constitucional brasileiro.

  19. Senhor Juliano, dentro do sistema legal, ao prestar serviços e não recolher os tributos e depositá-los nas contas do Estado, existe a violação à Lei Federal n. 8.137/90.

    E mais.

    Na situação de V. Sa., ficar enfermo, terá a proteção do Estado que tanto critica, apesar de não cumprir com as suas obrigações.

    Lembro, ainda, que os defensores da ausência de Estado, como senhor Mikhail Bakunin e os “puros” defensores de Von Mises, ainda que em polos opostos, esquerda e direta, se esquecem das lições do jurista e filósofo inglês, Thomas Hobbes.

    Não adote a sua situação pessoal como aquela que deva ser aplicada a todos. Lembro que, na Democracia, interesses divergentes constituem a tônica. É da sua essência.

  20. Tem razão, Intruso.

    Acho que o Senhor Juliano mandou-me visitar a “mama”.

    Mas, ela está muito longe.

    Gasta o dinheiro de meu pai em viagem com as amigas para Roma. E eu, no momento, não tenho dinheiro para realizar uma viagem tão longa, porque o meu pai, apesar de ser um “empedernido neoliberal”, prefere não deixar herança aos filhos.

  21. “O capital investido é o que aumenta a produtividade, os salários e, consequentemente, o padrão de vida de uma sociedade. A acumulação de capital, ao tornar o trabalho humano mais eficiente e produtivo, é o que permite aumentos salariais para todos.”

    Entendo que fornecer ao trabalhador de uma maior quantidade de máquinas/equipamentos irá aumentar sua produtividade, o que irá propiciar um melhor salário a ele.

    Entretanto, a automação gerará uma menor necessidade da mão de obra naquela empresa, podendo ocasionar extinção de outras vagas.

    O(s) trabalhador(es) que ficar(em) terá/terão melhores salários, à custa da extinção dos postos de trabalho dos outros.

  22. “O capital investido é o que aumenta a produtividade, os salários e, consequentemente, o padrão de vida de uma sociedade. A acumulação de capital, ao tornar o trabalho humano mais eficiente e produtivo, é o que permite aumentos salariais para todos.”

    Mas o que faz o empregador aumentar o salário? Ele não pode simplesmente, devido ao trabalho mais eficiente e produtivo, manter os salários e lucrar mais?

    Se alguém me ajudar a entender ou até me indicar alguns artigos agradeço.

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