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A atual campanha do Banco Central mostra que a instituição desconhece princípios monetários básicos

O Banco Central do Brasil iniciou uma campanha para
encorajar as pessoas a circularem as moedas metálicas, as quais estão “sumidas”
do mercado. Em seu Twitter, a instituição está recorrendo à hashtag #MoedaTemQueCircular.

Para aumentar o apelo, a instituição está recorrendo
a vídeos engraçados estrelados pelo comediante Wellington Muniz, popularmente
conhecido como ‘Ceará’. Sem ironias, vale a pena conferir:

Aos economistas e estudiosos de teoria monetária,
esse episódio é deveras ilustrativo.

Segundo a ótica do Banco, as moedinhas metálicas, em especial a de um real, não
circularem é um problema. Ok, vamos partir do princípio de que tal constatação seja
correta. Isso nos leva, então, ao próximo passo.

Por que elas pararam de circular, ou, mais
corretamente, por que circulam menos? Sem um diagnóstico correto, nenhuma campanha
será eficaz.

E a resposta é simples: porque a contínua perda do poder de
compra da moeda
fez os preços dispararem. O que R$ 1,00 compra hoje em dia?
E 10 centavos então? Usar centavos no comércio já não faz o menor sentido.

De julho de 1994 a agosto de 2017, o IPCA acumulado foi de 466%. Isso significa que os preços dos bens e serviços mais do que quintuplicaram na média. Aquilo que custava um real em 1994 custa hoje R$ 5,66.

Há realmente algum motivo para o espanto com o sumiço da moeda de um real?

E agora vem o principal: quem é o responsável pela corrosão do poder aquisitivo da moeda? Não, não é o empresário. Só quem tem o poder monopolista de emiti-la é capaz de desvalorizá-la. Uma auto-análise faria bem ao Banco Central.

Entretanto, nem tudo está perdido. Se a instituição realmente deseja aumentar a
circulação de moedas, então a solução também é simples: basta buscar uma política monetária forte.

Façam o CMN (Conselho Monetário Nacional)
reduzir a meta de inflação para 0%. A meta deve ser a estabilidade de preços e não
um contínuo aumento de preços de 4,25% ao ano.

(Vale lembrar que 4,25% ao ano são nada menos que 50% em 10 anos. E isso, é claro, se esta
meta de 4,25% for realmente cumprida. Desde que foi criada, em 1999, apenas em três
anos — 2006, 2007 e 2009 — ela foi obedecida.)

Como é que as pobres moedinhas sobrevivem a tamanha desvalorização?

E, caso não queiram inflação zero, ao menos então, quem
sabe, que abram mão da
manipulação de juros
e ancorem o real ao dólar.
Ou, ainda, façam do real uma moeda plenamente conversível.
Revoguem a proibição de pactuar contratos em moeda estrangeira. Liberem a
circulação de qualquer moeda em território nacional.

Em suma, façam do real uma moeda forte, uma moeda a
ser desejada. E aí, e só assim, as suas moedinhas metálicas voltarão a circular
com vigor. Quase como um passe de mágica.

Quero usar moedas, claro, mas #MoedaTemQueSerForte,
caro Banco Central do Brasil.

Essa campanha eu aprovo.

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70 comentários em “A atual campanha do Banco Central mostra que a instituição desconhece princípios monetários básicos”

  1. Um banco que precisa reforçar um comportamento na população pra que ela faça o trabalho que era dele originalmente. Um juiz que é rechaçado por dar liberdade às pessoas de fazerem o que bem entenderem com seus próprios corpos. Esse país é cômico demais. No mais, ótimo artigo.

  2. Presenciei esse fenômeno “in loco” na época da hiperinflação. Trabalhava como operador de caixa e a falta de troco era uma constante, mas começava pelas notas e moedas de menor valor e gradualmente ia migrando para as notas mais altas. Sempre me indagava pq isso ocorria e hj aprendi !

  3. Se a moeda for forte demais, ela atrapalha o câmbio: empresas que vivem do mercado externo vao simplesmente ver seus lucros despencarem, se o dolar e o real tiverem o mesmo valor. Um bom ex? Embraer.

  4. Aí me pergunto, por que os comerciantes ainda insistem um usar preços fracionados? No McDonald’s e Burger King tudo custa xx,90. Nos mercados tudo tem centavos. Que eles façam uma média dos produtos que mais tem saída e arredondem o preço pra cima e os com menos saída arredondem pra baixo, sim eu que pra nós consumidores isto é ruim, mas pelo menos a fila do caixa não fica empacada enquanto a patinadora vem trazer troco.

  5. Muito elucidativo, o serviço mais interessante que obtenho com 1 real atualmente são 30 minutos de estacionamento em zona azul da minha cidade, e produto talvez um puxador de gaveta vendido numa loja tocada por um chinês, nos anos 90 esse real era poderoso e desejado.

  6. Há aí um erro de cálculo. Inflação de 50% não reduz o poder de compra pela metade, mas em 25%. Se um produto custava R$1,00 e subiu para R$1,50, ele subiu 50%, mas o poder de compra não caiu ao meio.

  7. Tem um problema nessa análise… Inflação zero é impossível num país como Brasil!além de que no momento contraria completamente os rumos da política monetária adotada para o processo de desenvestimentos que o Brasil está enfrentando por conta da crise, pois para atingir 0 de inflação os juros teriam que ser elevados, e com isso você perigosamente pode endividar mais ainda o setor privado… Além disso o Bacen está subordinado ao CMN e não o contrário… Outro ponto: 4.25% de juros ao ano dá muito mais do que 50% em dez anos porque a dinâmica é exponencial(juros compostos)

  8. Fiquei na dúvida quanto aos argumentos deste artigo. Tudo bem que 10 centavos não compra nada, mas ainda temos preços quebrados como 2,90… 3,90… 4,90.

    Tudo bem que nos últimos anos o poder de compra diminuiu, mas será que a baixa circulação do papel moeda não tem a ver com o fato de que a população está cada vez mais usando cartões?!

    Aliás, ainda me pergunto como em pleno século XXI o povo ainda carrega papel e metal no bolso, são hábitos seculares que já deveriam ter acabado.

    Abraço!

  9. As moedas são minhas e faço o que bem entender deles, se guardo, se vendo, se troco, se compro, ou a puta que o pariu. O governo toma mais 40% do meu dinheiro(suado) e não tributado todo mês e ninguém explica-me o que ele faz com tanto dinheiro, assim o dinheiro é meu e pronto e enfio as moedas onde eu bem entendo.

    Parabéns pelo artigo, as moedas perdem o valor e pronto, igual ao tempo da inflação cada vez mais alta.

  10. Só esqueceu que moedas também servem para complementar o uso de notas em compras de valores mais altos. Numa compra de 11,50 por exemplo vc usa as moedas e uma nota de 10.

    Portanto esse argumento sobre a inflação inutilizar o uso de moedas é pífio. Quem é comerciante percebe o quão importante é essa campanha do BC.

  11. A inflação é o maior roubo que um soberano/despota/ditador/burocrata faz com sua própria população.

    A tendência natural dos preços é CAIR, se a quantidade de moeda fosse a mesma, uma economia mais rica com aumento de bens e serviços teria uma constante QUEDA de preço. Nosso poder de compra aumentaria sempre, reflexo natural do capitalismo, especialização e aumento da população.

    No entanto, o monopólio da moeda por meio dos brutos violentos causa toda esta distorção. Nos contentamos quando vemos um índice de preços (tchamado pelos leigos de “inflação”) ser próximo a 0%, quando ele deveria por natureza ser negativo.

    Vejo aqui alguns se dizendo “sábios” por estarem aplicando em títulos do governo ou demais títulos que pagam mais que este “índice de preços” (reitero, que os picaretas do mainstream chamam erroneamente de “inflação”) quando continuam PERDENDO PODER DE COMPRA DO MESMO JEITO!

    Por isso que a saída é ouro, metais ou outros ativos escassos (inclusive bitcoin e afins). Não confiem no sistema financeiro, em nenhum aspecto, pois quem tem o monopólio da moeda irá SIM continuar lhe roubando enquanto você fica sorrindo como um pateta achando que está enriquecendo com uma LTN.

  12. Acredito que falta maior comprometimento por parte do Banco Central para criar politicas financeiras, que atenda melhor pequenos comerciante e população em geral, onde se preocupa muito somente com o controle dos juros do mercado, enquanto muitos não resiste e fecham as portas, por que e vemos são facilidade de empréstimos as grandes empresas, e dificuldades para as pequenas e micros empresas, ainda mais nesse período de crise que muitas permanece com as portas abertas somente através de cortes de funcionários, reduzindo mais os postos de trabalho no pais. no próximo mês começa a vigora a Nova Reforma Trabalhista, vamos como será que mercado vai reagir com geração de novos empregos como esta esperando A equipe Econômica Atual… vejam a Baixo.

    br.blastingnews.com/sociedade-opiniao/2017/09/o-impacto-da-nova-reforma-trabalhista-no-brasil-002013419.html

  13. Eduardo Lauschner Nascimento

    Os gastos para essa campanha para a circulação da moeda geraram mais malefícios do que benefícios, além da circulação das moedas não ajudarem em quase nada ainda fizeram mais uma lambança com o dinheiro público.

  14. Além dessa perda de valor, temos um fator cultural também. Os comerciantes usam a tática de”ficar devendo” cinco centavos. Um centavo, nem se dão ao trabalho. Custa 14,99, você paga com 15 e nem te dão satisfação.

    Em países desenvolvidos não existe isso. Um centavo é dinheiro da mesma forma.

  15. Acho que faltou o “outro lado da moeda nessa análise”. Ainda que o BRL tenha perdido muito do seu valor desde a criação, os valores quebrados ainda existem, e poderiam ser pagos com notas e moedas metálicas.

    Creio que esse outro lado seja o grande avanço dos MEPs – meios eletrônicos de pagamento. Eles saíram de menos de 10% na década de 90 para mais de 40% nos dias atuais. E se olhar apenas para o varejo, cartões já chegam a mais de 2/3 das transações (dados BaCen e ABECS).

    Ou seja, a evolução tecnológica também influenciou muito no abandono das moedinhas, nmo.

    Abraços.

  16. Acabei de reparar que só tem pessoas do sexo masculino nesses comentários.

    Creio que precisamos atrair nossas ‘evas’ para partilhar destes conhecimentos, afinal compõem uma expressiva parte da população, não acham?

  17. Sábio austríaco

    Privatizem o Banco Central,transformar-lo em uma cooperativa de bancos seria a melhor solução,os bancos privados compartilhariam os lucros e prejuízos da atividade de emissão e controle do meio-circulante da economia,o tesouro deve cuidar do dinheiro dos impostos e parar de enganar a população com esse papo de cuidar da emissão e controle da moeda em nome do bem-comum.

  18. Viram essa lindeza?

    Proposta no Senado quer colocar prazo de validade em dinheiro

    Para autor da proposta, ideia é evitar o “entesouramento” de dinheiro e estimular a sua circulação, a fim de dinamizar a economia

    Começou a tramitar no Senado uma proposta que visa restringir o período de tempo que cada brasileiro pode guardar notas de dinheiro. Caso seja aprovado, o Projeto de Lei n° 435, de 2017, irá definir datas de validade para as cédulas de papel-moeda, que será definido pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).

    Segundo o autor da proposta, o senador Sérgio Petecão (PSD-AC), o projeto se justifica porque “a aprovação do presente Projeto de lei evitará que a moeda guardada impeça um maior dinamismo da economia”. Para ele, a ideia é evitar o “entesouramento” de dinheiro e estimular a sua circulação, a fim de dinamizar a economia.

    Pelo texto, assim como ocorre com alguns elementos das notas, como a figura da República, a tarja contendo a palavra “REAIS” e os números indicativos do valor das cédulas, o prazo de validade também seja incorporado em alto-relevo.

    A proposta está disponível no portal E-cidadania para que a população possa dar sua opinião e até a noite desta quarta-feira (8), eram cerca de 3.500 votos contrários e apenas 56 favoráveis.

    http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/7066969/proposta-senado-quer-colocar-prazo-validade-dinheiro

  19. Quase três anos depois… uma brutal desvalorização na nossa moeda. Daqui a pouco vai virar padrão de peso argentino, com notas de 200, 500 e 1000 reais.

    Falando nisso, quem que usa moedinhas de peso argentino lá na Argentina? Nos bons tempos de Currency Board heterodoxo, havia também moedinhas de 1, 5, 10 e 50 centavos. Hoje ninguém usa mais. No Brasil a única coisa boa das moedinhas é de ajudar os comerciantes. Esses valores fracionados realmente trazem uma boa impressão psicológica, mas vem a dor de cabeça de troco (que pode deixar também o cliente mal-humorado). Então não sei se ainda faz sentido esses preços fracionados para quem paga em dinheiro. Em cidades interioranas eu sei que o uso de cartão ainda não é tão comum (em Muzambinho, interior de MG, tem lugar que só aceita dinheiro).

    Diante dessa corrosão do poder de compra, será que aqueles cofrinhos de moedinhas desaparecerão de vez?

    O padrão-ouro puro realmente hoje é só um sonho.

    PS: Será que existe quem venda moedinhas de ouro? Capaz de ser proibido…

  20. Em uma reportagem do JN vi o senhor P.GUEDES dizer que o dólar só bateria 5 reais se ele fizesse muita besteiras (5 de março 2020).

    http://www.google.com/amp/s/valor.globo.com/google/amp/brasil/noticia/2020/03/05/com-dolar-acima-de-r-460-guedes-diz-que-cambio-flutua-em-nivel-mais-alto.ghtml

    Falando em senário atual o que é pior que muitas besteiras?

    Creio que é acreditar que vai dá certo. Que não vai, é uma força gravitacional “dupla”(ricos ficando mais ricos e pobres forçados a ficar cada vez mais sem renda)

    Amei o artigo e o comentário de todos, vamos comprar ouro pois em qualquer nação tem valor

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