A
pergunta é constante nos círculos libertários: para tentar girar o fiel da
balança em direção a uma sociedade mais livre, o indivíduo deve se engajar na
política ou deveria ele se concentrar na educação, na cultura e em outras
formas de mudança?
A
resposta, obviamente, varia de pessoa para pessoa. Eis a minha: engajar-se
politicamente é aceitável. Votar também é aceitável e compreensível. Idem para torcer por um determinado resultado eleitoral.
Mas há uma constante tentação de se ir longe demais no quesito da agitação
partidária. Colocar todas as suas esperanças em partidos políticos e no poder é
frustração garantida: trata-se de um deus que inevitavelmente irá falhar.
A política,
da maneira como é convencionalmente entendida, não é uma maneira efetiva de
mudar o mundo. Suas eventuais vitórias serão pírricas caso
não sejam precedidas de uma profunda mudança ideológica na população.
Na melhor
das hipóteses, de pouco adiantará a ascensão ao poder de um governo
genuinamente comprometido com o liberalismo se a população não estiver
ideologicamente preparada para isso. Na primeira tentativa de reforma ou mudança,
a pressão contrária será enorme. E, sem apoio popular, nada dura.
Já na
mais realista das hipóteses, a política é extenuante. Ela pode esgotar todos os
seus ideais, acabar com suas esperanças e até mesmo lhe corromper moralmente. Para
as pessoas mais jovens genuinamente interessadas em reduzir as injustiças,
construir um arcabouço mais favorável para a liberdade e mudar o cenário para
melhor, há maneiras mais efetivas.
Os cinco
principais problemas com a política
1. A política não é verdadeira
A
maioria dos livros de história, bem como a maioria das aulas de ciência política,
exagera acentuadamente o papel que as lideranças políticas e as instituições tiveram
em moldar a história do mundo.
É fácil e
conveniente demais contar histórias de uma maneira que atribuua crédito ou
culpa a forças pessoais poderosas — como se a liderança política fosse capaz
de desenhar e ditar resultados sociais. Muito mais difícil é contar a história de
maneira verdadeira, isto é, analisando a evolução de idéias, da cultura e da
tecnologia.
Sociedades
podem ser bem-sucedidas sem líderes brilhantes em seu governo. Com efeito, elas
frequentemente prosperam exatamente por causa da ausência dessas pessoas (você já ouviu falar de algum político suíço de
qualquer período da história?).
Mesmo na
história americana, o maior período
de inovação e criação de riqueza ocorreu sob presidentes cujos nomes hoje já
estão praticamente esquecidos.
2. A política é ineficaz
As pessoas
querem recorrer à política e ao processo político para “resolver” todos os
tipos de coisas: criar empregos, aumentar a renda, melhorar a infraestrutura,
aumentar o acesso à cultura, e melhorar a educação, a segurança e a saúde. Esta
é a pior solução possível.
Todas essas
coisas ocorrem apesar do estado, e não
por causa dele. Nenhum político ou
partido político jamais criou algo comparável à Amazon, ao YouTube, à Apple, à
Uber, a todos os aparelhos, máquinas e aplicativos que nos trazem bem-estar, ou
mesmo a milhões de pequenas e médias empresas que nos servem diariamente, efetivamente
melhorando nosso padrão de vida.
A melhor
maneira de um governo promover o bem da sociedade é simplesmente se recusando a
interferir na vida, na liberdade e na propriedade das pessoas. A única coisa realmente
boa que pode advir do ativismo político é limitar o poder do estado ao máximo possível.
O problema é que tudo na política conspira exatamente para quebrar esse limite
Por isso,
e de novo, é necessário haver antes uma grande mudança ideológica para dar sustentação
a este movimento.
3. A política destrói ideais
O idealista
bem intencionado inicia seu ativismo político pensando que esta é a maneira com
que ele irá fazer a diferença. Mas ele rapidamente irá descobrir que tudo é uma
enganação: suas idéias e visões não importam e seu voto não muda nada. Ele está
tentando controlar uma máquina que está totalmente fora do controle dele.
Ato contínuo,
ele tem de fazer uma escolha: ou ele continua jogando o jogo, mesmo sabendo que
jamais alcançará seus ideais; ou ele abandona toda aquela futilidade e vai se
dedicar a um setor no qual ele realmente pode manter seus princípios e efetuar mudanças
genuínas; setores como educação, cultura, tecnologia, fé ou empreendedorismo.
A principal
(e talvez única) coisa que você realmente é capaz de controlar é você próprio. Logo,
eis as suas principais obrigações: capacitar-se continuamente, adquirir cada
vez mais habilidades, conhecimento, erudição e força de caráter para que, no
final, você tenha um grande domínio sobre sua área escolhida.
4. A política pode lhe tornar um imoral
O setor estatal não produz nada por
conta própria. Ele simplesmente parasita o resto da sociedade, confiscando sua
riqueza e vivendo dela. Quem está no setor estatal vive exclusivamente daquilo
que retira coercivamente das pessoas produtivas. O setor estatal prospera pelo
roubo e pela fraude.
Não há um único estado grande que não seja
culpado de fazer coisas terríveis a seu povo — coisas que, se fizéssemos uns
com os outros, seríamos
tachados de criminosos. Com efeito, todos os que já estiveram lá dentro podem
atestar que não é possível existir algo como “burocracia eficiente”, jogo político “limpo”, e programas criados por
ativistas de “grande espírito público”.
A realidade lá dentro é várias vezes
pior e mais fétida do que qualquer um de nós aqui de fora pode sequer
fantasiar.
Uma vez lá dentro, ao descobrir tudo
isso, o que você fará? Algumas pessoas irão se sentir ainda mais atraídas pelo
arranjo exatamente por causa deste niilismo moral que o estado desencadeia: no mínimo,
toda aquela máquina pode ser usada para esmagar meus inimigos.
Tamanho rebaixamento da moral e do caráter
é repulsivo. Por isso, há quem diga que o estado atrai sociopatas.
5. A política é imune a alterações
A única função do estado é ser um aparato
de coerção e compulsão. Esta é a sua marca distintiva. É isso que torna o
estado o que ele realmente é. Da mesma maneira que o estado responde bem a
argumentos de que ele deveria ser maior e mais poderoso, ele é
institucionalmente hostil a qualquer um que diga que ele deveria ser menos
poderoso e menos coercivo.
Isso não quer dizer que algum trabalho
feito “de dentro” não possa gerar algo de bom, em algum momento. Porém, é muito mais provável o estado
converter o libertário do que o libertário converter o estado.
Todos nós já vimos isso milhares de
vezes. Dificilmente são necessários mais do que alguns poucos meses para que um
intelectual libertário que tenha ido para o governo “amadureça” e se
dê conta de que seus ideais eram ‘muito pueris’ e ‘insuficientemente
realistas’. Um político prometendo tornar o governo mais manso e mais submisso
rapidamente se torna um proeminente especialista em criar novas maneiras de
tornar o estado mais eficiente no confisco da riqueza alheia. Tão logo este
fatídico passo é tomado, não há mais limites.
Aquele indivíduo genuinamente
bem-intencionado, e que entrou para a máquina estatal tentando mudá-la para
melhor, acabou sendo mudado por ela para pior.
Há um caminho melhor, mais ético e moral
Com efeito, há milhões de maneiras
melhores. Você pode perfeitamente continuar sendo um libertário (ou qualquer
outra denominação que você prefira) e fazer coisas efetivas que não envolvam agitação
política. Governos vêm e vão, mas a tecnologia e as idéias duram. E elas também
são mais poderosas que tanques, exércitos e bombas: idéias são à prova de
balas.
Você pode se dedicar às artes, escrever
prosas, compor música, criar empreendimentos produtivos, salvar vidas por meio
da medicina ou da terapia, ou ser um ótimo cônjuge, pai ou amigo. Qualquer uma
destas opções será um uso muito mais eficaz e humano do seu tempo na terra do
que a política. Entender a maneira como a liberdade humana funciona ajudará você
a ver isso. E essas buscas não irão sacrificar seus ideais.
Em definitivo, filiar-se a um partido e buscar
um cargo público não é, nem de longe, a melhor maneira de agir de acordo com o
que você acredita.
Mas por que então as pessoas são tão atraídas
por soluções políticas? F. A. Hayek deu uma dica. Tudo está ligado àquela ânsia
por soluções decisivas, duradouras e universais para os problemas da vida. Elas
estão à procura de um caminho imediato e certeiro para fazer do mundo um lugar
melhor, e vêem no aparato estatal a melhor e mais efetiva maneira de fazer isso.
No fundo, é a impaciência das pessoas
com relação à evolução gradual do conhecimento — o que só ocorre por meio de
experimentos iterativos — o que as leva a exigir soluções governamentais.
Mas uma vida extremamente politizada,
baseada naquela esperança de que o presidente, o Congresso e o judiciário irão construir
um futuro para nós, é uma vida sombria e, na melhor das hipóteses, sem nenhum
sentido. Esperar que soluções boas venham do estado sempre será algo, no mínimo,
ingênuo. E querer entrar para o estado para acelerar estas soluções pode ser
algo ainda mais danoso para seu caráter.
Libertários
sempre devem ter isso em mente. A questão da estratégia não é
simples. E o poder sempre será tentador. A esmagadora maioria das
pessoas que entram para o governo é formada por gente que está ali ou porque
quer uma vida fácil, ou porque quer controlar a vida dos outros, ou porque quer
uma vida fácil que ao mesmo tempo permite controlar a vida dos outros.
Sempre
foi e sempre será assim. O estado mastiga as pessoas e, no final, ou ele
engole ou ele cospe aquelas que entraram ali com o nobre intuito de promover a
liberdade.
Esta
é a lição. Em vez de tentar se infiltrar no estado, os defensores da
liberdade devem perseguir seus ideais por meio do comércio, da educação, do
empreendimento, das artes, da divulgação de ideias, do debate etc. Liderem
e exerçam influência por meio do respeito alcançado por suas realizações. Estas
são áreas que oferecem genuínas promessas e altos retornos.
Quando
um libertário diz que está fazendo coisas boas em algum ministério ou em alguma
agência reguladora, não tenho motivos para duvidar de suas palavras. Porém,
quão melhor seria caso ele renunciasse a este emprego e escrevesse um livro
expondo toda a mamata, charlatanice e roubalheira da burocracia? Um golpe
bem colocado contra um órgão do governo pode produzir mais reformas, e gerar
mais benefícios para a sociedade, do que décadas de tentativas de infiltração e
subversão.
Muito
mais importante do que legisladores expressando ideias libertárias é a existência
de educadores, empreendedores, pais e mães, líderes religiosos e empresariais
divulgando as ideias da liberdade. Defensores da genuína liberdade amam o
comércio, a tecnologia e a cultura, e não o estado. Comércio, tecnologia e
cultura são o nosso lar e nossa plataforma de lançamento para as reformas em
prol da liberdade. Apenas a divulgação de ideias sólidas pode nos libertar
em definitivo do jugo opressor do estado.
Fingir
amizade com um inimigo mais poderoso é uma postura que beneficiará
exclusivamente a ele.
É biblico: “comerás o pão com o suor do teu rosto”. A pessoa que entra no serviço publico rompe essa condição existencial do homem, esse fundamento ético primordial.
Isso vai minando o caráter e mesmo a alma. Seja produtivo e isso é recompensador.
Tenho uma dúvida: Por eu ser um amante da liberdade, estarei traindo minhas convicções se eu me tornar um funcionário publico?
Quero trabalhar na área de TI, mas cada vez mais as empresas aumentam o cerco, dificultando a entrada no mercado de trabalho (muito provável por culpa do Estado).
Então, o que fazer?
Concordo com o texto, mas não vejo como fugir disso. Como acabar com esse mau se o tumor só cresce?
“Fingir amizade com um inimigo mais poderoso é uma postura que beneficiará exclusivamente a ele.”
Na Coréia do Norte pode evitar que você seja morto.
Excelente artigo. Eu tenho pensado, como o Hans Herman Hope escreve ” O que deve ser feito”, para guiar a sociedade para o anarco-capitalismo, o IMB poderia fazer a versao brasileira, com economista, sociologos, jurista e outros pensadores, para dizer “O que pode se feito”. Este artigo da uma dica.
Há um ímpeto desesperado da população por soluções governamentais simplesmente porque o povo assim foi ensinado a pensar.
Em vez de termos um povo que aprende desde cedo os princípios do trabalho e do empreendedorismo — e da acumulação de dinheiro gerada pelo trabalho e pelo empreendedorismo, o que liberta da dependência do governo –, temos uma população desesperada que aprendeu apenas a usar o poder do governo para tomar coisas dos outros. Um populacho formado por "justiceiros sociais" que odeiam, por mero princípio, o empreendedorismo e o lucro. Esse ódio encobre sua ignorância, que é alimentada pela inveja.
Não é difícil fazer as pessoas entenderem a essência dessa mensagem. A questão é que apenas os sinceros e de bom caráter conseguirão.
Jeffrey Tucker sempre brilhante nas suas exposições.
Já se deram conta de que o termo Estado sequer figura no vocabulário da maioria das pessoas? Eu mesmo só me familiarizei com o termo no curso de Direto. As pessoas sempre falam em governo, nunca em Estado. Essa diferença é crucial. Se o problema é o governo, não o Estado, então o problema é administrativo, não estrutural. As pessoas repudiam o governo, a administração, então não precisam se levantar e se revoltar contra as estruturas, porque há eleição de 4 em 4 anos. Isso fez da Democracia o sistema de governo que mais prosperou em se difundir pelo mundo e durar. Nela as pessoas estão unidas pela ideologia e pela ilusão do sistema eleitoral, não pela força da bala. São acalmadas pela perspectiva de mudança pelo voto.
A política é um grande embuste. O Estado não pode ser destruído de dentro. Os indivíduos é que podem promover a mudança, com pequenas ações, matando o Estando de fome, de certa forma, ao repudiar o sistema educacional, a moeda nacional, as regulamentações, os tributos etc. A Internet contribuiu muito mais pra isso que qualquer revolução ou guerra civil. Uber e Bitcoin são só o começo. Quando tivermos meios de dar a volta no Estado em todas as instâncias, terá sido consumada a revolução que realmente importa.
Belo texto. Divulgar as ideias e transformar a mentalidade são a bala de prata.
Boa Noite. Trago uma dúvida, aos economistas, ou outros que, assim como eu são leitores de economia.
O Brasil tem um reserva exterior, uma “poupança” de mais de 1 trilhão no exterior, aplicado em títulos e debentures americanos, por exemplo. Enquanto que nossa dívida interna chega a 3 trilhões.
Há quem sugere usar a reserva (nem que seja um pouco) para ajudar as contas públicas.
Quais as explicações para a dívida interna crescente e a grande poupança externa? Quais as consequências de usar essa poupança para aliviar as contas públicas?
Obrigado, e que esse Instituto continue com o trabalho de divulgação das ideias liberais.
Aos poucos, a liberdade vai vencendo e se estabelecendo. Uber e Cabify estão definitivamente liberados em Minas Gerais.
http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2017/08/16/interna_gerais,892470/uber-esta-liberado-em-minas-gerais.shtml
A desregulamentação também faz parte da política.
A melhor estratégia é atacar a esquerda considerada ética. Ficar batendo em corruptos não vai resolver o problema.
O melhor argumento contra os desenvolvimentistas é que eles não priorizam os mais pobres.
No Brasil, os mais pobres não querem cultura, copa do mundo, olimpíada, parques, sindicatos, shows, piscinas, saúde, educação, etc.
Os mais pobres querem apenas uma casa digna para sair das favelas e trabalhar para ter 3 refeições por dia. Isso é o mínimo para recomeçar uma vida. Ninguém vai estudar morando no meio do lixo. Ninguém vai ter saúde tomando água suja ou morando com ratos nas favelas.
De fato, o texto é ótimo. Mas como buscar realizar esses ideais se vivemos dentro de um sistema capitalista? Sonhar é bom, exaltar nossas convicções também são, mas para fazer isso, precisamos admitir que necessitamos de dinheiro. E cabe a mim dizer, por experiência própria, o único retorno que isso nos dá num mundo de hoje, são exclusivamente para enriquecer nossa dignidade enquanto pessoa, não nosso bolso.
Mas qual é a melhor maneira de se implantar o libertarianismo? Sinceramente ainda não me intitulo libertário ainda por falta de leitura (mas me considero cético a qualquer aparato estatal). Eu ainda quero viver em uma sociedade genuinamente livre, mas o gradualismo é lento demais. Acredito que o liberalismo vem ganhando força, mas de forma bem moderada. Precisamos de um brutalismo libertário assim como maravilhoso artigo propondo um plano de governo para o próximo presidente:
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=285
Gostaria de saber a opinião de vocês… Eu sou libertário, porém sou policial federal (funcionário público). Consegui me tornar especialista em desvios de recursos públicos e corrupção de políticos em geral. Não participo de operações policiais em outras esferas que atentam contra a liberdade (drogas, contrabando e descaminho, sonegação fiscal, etc ). Enxergo minha especialidade como parte de um “controle”estatal, pois punimos políticos corruptos e ainda recuperamos dinheiro roubado. Por mais que esse controle seja singelo, serve para pelo menos para limitar um pouco as atitudes dos entes dos estados. Vcs acham que mesmo assim estou traindo as concepções libertárias? Pois se não existisse a pf com essa especialidade, creio que o estado estaria ainda maior e com rombos ainda mais bilionários.
“Ainnnnn seus Marxistas”
Parabéns, encerrou o assunto
@fernando, sobre
“Pobre paulista, só uma dica, quando nos engajamos demais em uma causa…”
Só pra não perder o costume, você errou feio de novo: Eu só fui conhecer a tal “causa” em 2012, portanto 6 anos depois do ocorrido. A única decisão racional que me guiou foi a de não trabalhar para uma instituição que não julguei honrosa o suficiente de merecer meu valioso tempo.
Hoje tenho um emprego e uma empresa, portanto eu produzo para a sociedade. Você faz o quê, exatamente, para a sociedade? É, nada. Quando você faz tudo direitinho, quem ganha é o estado, apenas.
O único com uma “causa” aqui é você, e a causa é tentar achar um suporte moral para teu salário exorbitante a fim de te prover algum conforto psicológico. Já te disse antes: NÃO TEM, desista. Se você estivesse realmente preocupado com isso, já teria se exonerado há tempos e não estaria de mimimi por aqui. Só citei meu caso como um exemplo prático de que isso é possível.
Please, não fiquem copiando e colando comentários de outros posts. Reflita e produza seus próprios argumentos.
Caros, tenho acompanhado essas discussões depois que comecei a ler e ficar encantado com o livro “As seis lições”. No entanto, o desencanto veio rápido ao ler as discussões que apenas tentam defender pontos de vista e não “a Causa”. Se é que ela existe.
Logo aqui em cima, antes que o sujeito possa comentar, já está escrito um pedido solene do blog: “Envie-nos seu comentário inteligente e educado”. Talvez haja nessas discussões uns 10 a 20% de comentários legítimos, construtivos e que dão sentido e continuidade ao propósito do instituto e dessa maravilhosa causa que seria eliminar o estado, da forma que é hoje. Entendo que uma sociedade organizada, precisa de alguns controles ou, ao menos acordos entre os participantes e vejo (em princípio) no libertarianismo uma solução possível; mas há um caminho a ser trilhado.. e certamente não será o da crítica maldosa e do fundamentalismo.
É como aquela estória de planejamento estratégico na empresas (Missão-Visão-Valores) – os valores não podem mudar. Quais são os valores dessa causa? Porque não exploram mais isso? Quando se consegue adesão aos valores (que costumam ser eternos), dá-se mais consistência à Missão (ou causa..). A maior parte das discussões acima assemelha-se às do congresso – apenas defesas de pontos de vista, e não do objetivo final.
Se vocês querem construir algo, sugiro aos veteranos que respondam com bom nível aos curiosos, possíveis aliados, estejam onde estiverem. Talvez uma boa imagem de liderança seria a de Gandhi, Luter King Roosevelt e vários outros que não perderam suas causas de vista apenas para manterem sua opinião invicta. Eles faziam amigos e influenciavam até mesmo os inimigos e dissidentes com sua persistência e absoluta crença na CAUSA, não em sua opinião.
Não fui, não serei nesta vida, um servidor de uma causa que não acredite, seja do estado ou de um instituto que ainda não se decidiu pelos próprios rumos, mas vou continuar acompanhando e eventualmente servindo a quaisquer iniciativas originariamente libertárias, tendo em mente a imagem de um sistema de liberdade sem anarquia e com respeito; que tenha como principal proposta a construção muito sólida de uma sociedade sem política, mas cujos idealizadores estejam dispostos a pagar o preço da persistência e cordialidade nas relações, tão necessários para construir qualquer instituição sólida.
O plano do Leandro, por exemplo ( http://www.mises.org.br/BlogPost.aspx?id=285 ) é algo prático, e com o devido arranjo didático, de forma menos inflamada, poderá atrair milhares de simpatizantes e até colaboradores. Pelo menos, mostra uma ideia pratica de como fazer certo, da maneira errada (difícil explicar aqui..), o fato é que será necessária muita AÇÃO e menos falácia, menos debates, mais união prática, que dá resultados.
Seria preciso colaboradores de alto nível (grandes empresários, grandes mestres das artes, grandes filósofos), mas esses, não se sujeitariam a “participar de um blog, do jeito que está”. As grandes causas exigem paciência, organização e sabedoria.
De qualquer forma, parabenizo o Instituto Mises por ter começado algo – talvez seja necessário corrigir o rumo, mas isso é normal em qualquer navegação. Fica minha sugestão de criar “valores” também para as discussões nos blogs, obviamente sem ofender à liberdade de expressão, mas tão somente para que se produzam resultados práticos das ideias e principalmente mais adesões, e menos dissidências. Já chega a política.
Abraços a todos.
Os brasileiros em geral sofreram muito por causa desses governos socialistas e ainda sofrerão por um bom tempo, mesmo que parem de agir de modo a piorar a situação.
A questão é: será que a maioria aprendeu a lição e passou a valorizar a liberdade e a responsabilidade individuais? Ou a maioria continua suscetível a demagogos?
Não vejo muita base para otimismo quanto ao curto prazo. Espero estar errado.
* * *
Eu faço uma pergunta ao IMB: A JUSTIÇA acontece sem os homens ou ela só acontece com a ação humana ?
Eu acho essa pergunta fundamental…
Percebam… as ideias Marxistas só existem pq as pessoas acham injusto o Mercado…
se a justiça existe só com a ação humana então o ESTADO (a interferência dos homens) é inevitável.
A minha visão é de que o mercado é AMORAL. A lei da oferta e demanda não produz Justiça.
Aquele que não tem nada a oferecer em troca, aquele que não tem dinheiro, aquele que não é produtivo (seja por alguma enfermidade ou outro motivo) não terá voz no MERCADO.
Todas as ideias “esquerdistas” são tentativas de romper com estruturas de poder do mais forte para o mais fraco( o patrão e o trabalhador, o branco e o negro, o homem e a mulher, e assim por diante…) Já notaram isso ? É a busca por uma JUSTIÇA.
Mas se chegarmos a conclusão de que a “Justiça” não existe, então talvez a direita esteja correta. Mas se a “Justiça” só se faz presente quando os humanos a produzem(ou seja ela não existe sem nossa ação, mas só existe pq agimos) então a interferência, a luta(a revolução), a intromissão humana , o Estado é inevitável.
Saudações Leandro. Estive lendo alguns de seus textos que tratam de currency board, particularmente os que falam do problema argentino. Gostaria de saber se você indica alguma bibliografia sobre currency board, e se haveria alguma possibilidade de trabalhar com o tema em um projeto de pesquisa, tipo mestrado, em alguma instituição brasileira ou no exterior.
Leandro,
Alguns países como a Coreia e Taiwan começaram produzindo porcarias e depois evoluíram para produtos de alto valor agregado.
Outros países, como é o caso do México, criaram parques industriais de respeito, mas pararam por aí sem perfazer o mesmo caminho daqueles.
Voce tem alguma possível explicação para isso?
Abraço!
Leandro,
Muito obrigado pela resposta.
Vou abusar um pouco da sua boa vontade e tentar aprofundar em uma situação específica.
Imagine uma grande montadora americana, como Ford ou GM. Eles instalam uma montadora no México (que não é um nenhum modelo em termos de câmbio e inflação, mas também não é nenhum Zimbabwe).
O P&D é feito nos EUA, os equipamentos são comprados dos EUA (ou de outro lugar, mas em dólar) e o produto fabricado também é vendido (pelo menos de forma prioritária) para clientes nos EUA.
Neste caso específico, você entende que a robustez da moeda local teria uma importância secundária?
Abraço!
Esse artigo foi uma crítica ao Bruno Garschgen?
Assunto off-topic, porém… mais uma da esquerdalha do UOL. Não poderia ser diferente, né?
Empresa privatizada pode ser tão ruim quanto estatal, diz professor inglês
Perfeito!
Ótimo artigo! Parabéns aos envolvidos!