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Os gastos do governo são o grande inimigo do crescimento econômico

Imagine que você tenha um primo que mora muito
longe, a uns 2 mil quilômetros de distância. No entanto, por algum motivo, ele
consegue se apropriar de 40% de sua renda mensal. Consequentemente, ele é o responsável
por 40% dos gastos totais de sua família.

Vivendo tão longe, e com tão pouco interesse em
melhorar sua qualidade de vida, os resultados esperáveis de tal esquema são fáceis
de serem previstos. Sua família não apenas terá problemas para se manter, como também
estará bastante desmotivada para produzir, pois sabe que terá de sustentar esse
primo folgado que vive às suas custas.

Substitua ‘primo’ por ‘estado’ no relato acima e o raciocínio
se mantém.

O governo toma dinheiro do setor produtivo e gasta
com o suposto intuito de gerar bens públicos. Do ponto de vista keynesiano,
este sistema é benéfico para a economia, pois, segundo tal escola de pensamento
econômico, o gasto do governo estimula a demanda e isso gera crescimento econômico
por meio do famoso “multiplicador
keynesiano
“.

Mas não apenas a teoria do multiplicador keynesiano
é falsa (clique aqui
para entender por quê), como também a realidade é mais parecida com a do nosso
primo.

Para começar, a diferença de um governo para uma
família é que suas receitas são auferidas de maneira coercitiva, sendo
confiscada de todos aqueles trabalhadores assalariados e empreendedores que
atuam no setor produtivo da economia. 

Neste sentido, um aumento dos gastos do governo
significa, de maneira muito simples, que o governo ou aumentará os impostos
para fazer frente a esses novos gastos ou irá se endividar ainda mais — o que
significa que, dado que o governo está tomando mais crédito, sobrará menos
crédito disponível para financiar empreendimentos produtivos. 

Há uma terceira hipótese, que seria a simples
criação de dinheiro pelo Banco Central para financiar diretamente o
governo.  Sempre que essa medida foi utilizada — como no Brasil da década de
1980
 –, o resultado foi a hiperinflação.

Portanto, tendo em mente que o governo só pode
gastar aquilo que ele antes confiscou de alguém, a ideia de que gastos do
governo estimulam a “demanda agregada” e geram crescimento econômico
equivale a dizer que tomar dinheiro de uns para gastar com outros pode
enriquecer a todos. Para se utilizar uma metáfora, tal ideia significa
dizer que tirar água da parte funda da piscina e jogá-la na parte rasa fará o
nível geral de água na piscina aumentar.

Consequentemente, os gastos do governo não apenas
não podem “estimular a demanda”, como também geram uma maior carga
tributária, um maior endividamento do governo e uma maior inflação.

E dado que os gastos do governo são financiados via
impostos e endividamento do governo, eles desestimulam a poupança, a produção e
o investimento.

Mas piora: o gasto do governo é inevitavelmente de
má qualidade. Há três problemas incontornáveis em relação aos gastos do
governo, os quais impedem que ele possa ter efeitos benéficos.

Problemas
de incentivos

A relação negativa entre gasto público e crescimento
econômico (comprovada
empiricamente
) tem várias explicações. A primeira é que o governo enfrenta
o inevitável problema dos incentivos.

Como explicava de maneira bem simples Milton
Friedman, existem quatro maneiras de gastar dinheiro.

1) Gastar o seu dinheiro com você mesmo: neste caso,
você procurará o menor custo e a máxima qualidade.

2) Gastar o seu dinheiro com os outros: você
almejará o menor custo e a mínima qualidade.

3) Gastar o dinheiro dos outros com você: o maior
custo e a máxima qualidade serão seu objetivo.

4) Gastar o dinheiro dos outros com os outros: você não
terá nenhum preocupação com custo e qualidade.

Para Friedman, a maneira mais eficiente de gasto é a
primeira. Ali, você se preocupa com o custo do que compra e também com a
qualidade. Já a última maneira, por sua vez, é a menos eficiente de todas. O comprador
não se preocupa com os recursos, pois não são dele, e também não se preocupa
com a qualidade do que é comprado, pois o receptor também não será ele. O
resultado será uma compra cara e de má qualidade.

Quando o governo gasta, ele utiliza uma combinação das
maneiras 3 e 4, gerando ineficiência na economia. O governo gasta o dinheiro
alheio (dos impostos) com os outros (funcionalismo público, subsídios para
grandes empresários amigos do regime, obras públicas feitas por empreiteiras
ligadas a políticos, artistas e eventos culturais etc.) e consigo próprio (salários,
benefícios e mordomias para políticos; ministérios, agências reguladoras, secretarias
e estatais; campanhas eleitorais; contratação de apadrinhados; propagandas etc.).

Nenhum desses gastos está ligado à maximização do
bem-estar social.

Outra consequência não-premeditada dos gastos do
governo são os incentivos adversos que ele gera. De acordo com uma recente
publicação
do britânico Institute of Economic Affairs:

Os
gastos do governo em consumo tendem a diminuir o crescimento. O gasto em
programas sociais mal desenhados pode ser especialmente nefasto, uma vez que
reduz os incentivos ao trabalho e à produção.

O governo simplesmente não possui os incentivos
corretos para gastar de maneira eficaz. E muito menos pode gastar de modo a
maximizar o crescimento econômico. Ademais, seu gasto distorce os incentivos da
sociedade, reduzindo-os.

Problemas
de informação

Um segundo problema é a questão da informação. A maneira
como o setor privado utiliza as informações de mercado disponíveis é diferente
da maneira como o setor estatal as utiliza.

O setor privado é guiado pelo sistema de preços, o
qual permite todo o cálculo econômico. Os preços informam o que está sendo
demandado pelos consumidores, quais produtos estão em falta, quais estão em
excesso, e permitem o cálculo dos lucros e prejuízos.

Acima de tudo, os preços ajudam os empreendedores a
alocar recursos escassos de maneira eficiente. Se o preço de algo está
demasiado alto, isso significa que os consumidores estão necessitando de uma
maior quantidade deste bem, o que estimula os empreendedores a aumentarem a produção.
Sob este arranjo, produz-se aquilo que gera benefício econômico, e este benefício
decorre da melhor satisfação das necessidades dos consumidores.

Já o setor público não tem como produzir seguindo
este critério do benefício econômico. Com efeito, se algum empreendimento
estatal gera perdas financeiras, isso é prontamente justificado pela tese de
que o governo busca “objetivos sociais”. Os gastos do governo até podem almejar
objetivos amorfos, como solidariedade e igualdade, mas o fato é que eles são ineficientes
do ponto de vista econômico e, consequentemente, reduzem o crescimento.

Por exemplo, dado que o governo não se guia pelo
sistema de preços e nem pelo critério de lucros e prejuízos — pois o dinheiro vem
de impostos ou é tomado emprestado (sendo que essa dívida também será paga com
impostos) –, é provável que ele construa uma ponte que ligue o nada a lugar
nenhum, e faça tal obra utilizando materiais caros e pagando preços superfaturados
(os fornecedores, por saberem que o governo não tem preocupação com custos, irão
cobrar o máximo possível por seus materiais).

Neste caso, é óbvio que estes mesmos recursos
poderiam ter sido mais bem utilizados pelo setor privado, o qual tem de se
preocupar com custos e com o sistema de lucros e prejuízos.

Por causa deste problema de informação enfrentado
pelo governo, seu gasto é menos eficiente e faz uma pior alocação dos recursos
escassos da sociedade. Aquilo que é utilizado em um setor será necessariamente
retirado de outro setor. Se os gastos do governo concentraram recursos em um
setor, então outros setores ficaram sem estes mesmos recursos.

A consequência será um menor crescimento econômico. Não
há crescimento econômico genuíno se os gastos são ineficientes e não se
preocupam com o sistema de lucros e prejuízos.

(Para entender com mais detalhes por que até mesmo obras
públicas subtraem riqueza da população, veja este artigo).

Mais
gasto é mais imposto

Este é o mais óbvio, mas é também amplamente
ignorado.

Maior gasto público significa, a curto ou longo
prazo, maior carga tributária. Tudo o que o governo gasta foi antes retirado da
sociedade. O dinheiro do gasto, como já dito no início, é oriundo ou de
impostos ou de endividamento. Quando é oriundo de impostos, o confisco é
direto. Pessoas e empresas ficam com menos dinheiro para que o governo tenha mais.
Já quando o dinheiro é oriundo de endividamento, isso significa que, em algum
momento futuro, o dinheiro de impostos será utilizado para pagar o serviço desta
dívida.

E isso gera maiores incertezas: se o governo está se
endividando continuamente para gastar, então essa dívida terá de ser futuramente
quitada com mais impostos. Essa mera possibilidade de aumentos de impostos
futuros já serve para inibir investimentos produtivos. Como investir
quando não se sabe como serão os impostos no futuro?

Portanto, os impostos são a contra-partida dos
gastos do governo, e seus efeitos sobre os incentivos a poupar, a investir
produtivamente, a abrir empresas e a produzir são deletérios.

Os impostos são como uma mochila pesada nas costas
dos reais criadores de riqueza da sociedade, e aumentá-los em decorrência de um
maior gasto público é a receita garantida para que a economia fique estagnada.

Conclusão

O gasto
público é o inimigo do crescimento econômico. E tanto
argumentos teóricos quanto empíricos sustentam esta afirmação. Para que uma
economia se reative, o governo tem de seriamente considerar reduzir seus
gastos.

O melhor e mais recente
exemplo é a Irlanda
, que, de 2010 a 2015, reduziu os gastos do governo de incríveis
65% do PIB para “apenas” 29,5% do PIB. Como consequência, isso fez os
investimentos dispararem, e o crescimento econômico foi junto: nada menos que
13,4% em dois anos.

_______________________________________

Leia
também:

Ciclo nefasto: a economia cresce, o governo gasta, e os gastos do governo depredam a economia

O exemplo irlandês – como a
redução dos gastos do governo impulsionou o crescimento da economia

Gastos públicos, lucros privados

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111 comentários em “Os gastos do governo são o grande inimigo do crescimento econômico”

  1. Essa questão dos gastos do governo privilegiarem uns poucos à custa de todos me lembrou de uma frase que vi recentemente:

    “Brasil: país em que a definição de “cidadania” é sair às ruas pra protestar para que políticos corruptos lhe prometam serviços públicos péssimos e “grátis” pagos com o dinheiro roubado de você mesmo.”

  2. Estive em Brasília no Carnaval e fiz uma visita guiada ao Congresso. Obtive a informação de que apenas lá trabalhavam 8 MIL SERVIDORES! É insustentável.

  3. O Estado precisa superar a ideia de impostos, os quais são retirados sem qualquer prestação direta estatal em favor da pessoa. Nesse sentido, realmente, a doutrina jurídica minoritária está correta ao afirmar que contribuições são impostos. Não há uma contraprestação estatal para a pessoa, ela paga por usar um serviço no qual o Estado exige um “pedaço” apenas por ser Estado: é uma transação financeira, entre particulares, mas o Estado usa de força coercitiva para obter uma porção dos valores para si.

    Eu costumo sempre fazer a provocação: se o Estado é realmente o melhor arranjo social, qual o medo dele em eliminar os impostos e somente cobrar por serviços efetivamente prestados para as pessoas, dentro de um regime de concorrência com a iniciativa privada?

    Ora, se o Estado é realmente bom, é óbvio que seu serviço de segurança será melhor do que o serviço de segurança privado; que seu serviço de saúde será melhor prestado do que o da iniciativa privada; seu serviço de educação será melhor do que o da iniciativa privada, e assim sucessivamente: solução de conflitos, etc.

    Dizer que “tem que ser o Estado prestando tais serviços, do contrário não seria possível” é uma afirmação vaga demais.

    O que eu vejo é uma ausência de reflexões das pessoas sobre esses temas.

    Não se pode, p.ex., proteger uma empresa de refrigerante sob o argumento de que permitir que outras forneçam o mesmo produto “não daria certo”: ora, se não der certo é evidente que a concorrente irá “fechar as portas”, quebrar e vida que segue!

    Não faz sentido nenhum, em minha visão sobre um sistema da qualidade de vida para as pessoas, dizer-se que somente o Estado pode prestar serviços de solução de conflitos para todas as causas. Dirão: “empresas de solução de conflitos decidirão de forma corrupta.” Não faz sentido. Se a empresa decidir de forma corrupta todos irão notar que o Estado é o único que presta o melhor serviço de solução de conflitos e ninguém irá contratar uma empresa privada para esse serviço.

    Os ocupantes do Estado não possuem o conhecimento necessário para implantar essas reformas:

    Quantos mais setores diversos de empreendimento uma sociedade tiver, sempre, eu repito, sempre essa sociedade terá mais opções para encontrar os produtos e serviços que precisa para o cotidiano.

    Elevar impostos em vez de reformar o sistema, permitindo ingresso de empresas privadas nos serviços atualmente prestados pelo Estado é uma agressão brutal à sociedade. Se o Estado não tem dinheiro, permita que o capital privado, em regime de livre concorrência, preste os mesmos serviços: será um serviço a mais, um empreendimento a mais na sociedade.

    Deixai fazer, deixai ir, deixai passar! Pois, tendo liberdade, nenhuma atividade mal prestada se manterá.

  4. A mudança de sistema não vai vir pela democracia porque o nosso sistema burocrático e nacional-desenvolvimentista não veio pela democracia.

  5. Prezados,

    Assunto fora do tópico:

    Existe algum artigo no mises sobre a origem e desenvolvimento da escrita?

    Entendo que se originou organicamente, no entanto foi necessário o Estado (Egito, China, etc) para unificá-la. Quais foram os prós e contras desta unificação?

    Sugestões sobre artigos ou livros sobre o assunto?

    Agradeço desde já.

  6. Dalton C. Rocha

    ” Não falta quem se esforce para destruir minhas esperanças no país

    05/07/2017 02h00

    Em artigo para lá de interessante, Caio Farah Rodriguez defende que uma das consequências da Lava Jato seria a imposição do capitalismo ao empresariado nacional por força dos acordos de leniência, que criariam uma governança severa para as empresas, supostamente as impedindo de continuar com as práticas expostas ao público de 2014 para cá.

    É um argumento bem formulado, e, juro, bem que queria acreditar, mas não estou convencido de sua validade.

    Não é de hoje que o capitalismo brasileiro vai mal das pernas. Louvada em verso e prosa em alguns círculos, a industrialização do país se deu sob o manto protetor do governo, à base de subsídios, crédito artificialmente barato, proteção desmedida e outras formas de intervenção.

    Com raras exceções, a indústria nacional se mostrou incapaz de competir na arena global, e —a despeito dos protestos de neodesenvolvimentistas, novo-desenvolvimentistas, velho-desenvolvimentistas e o diabo— não há taxa de câmbio que compense a baixa produtividade.

    E que não se diga que esse problema se deve à presumida concentração em setores pouco produtivos.

    Trabalho recente da FGV (“O Brasil em Comparações Internacionais de Produtividade: Uma Análise Setorial” ) revela que esse fenômeno explica fração modesta do hiato entre o país e a fronteira tecnológica; a maior parcela se deve à distância existente em todos os setores da economia nacional com relação aos países desenvolvidos.

    Em outras palavras, não jogamos mal porque nossos atletas estão na posição errada; o plantel é que é ruim mesmo…

    Parte disso reflete a qualidade lamentável da educação nacional, visível em qualquer comparação internacional, como os resultados do Pisa. Outra parte resulta da nossa má organização institucional.

    Como chamei a atenção há alguns meses, sob o arranjo institucional brasileiro, o empresário, como regra, não vai ficar rico pela inovação, mas pela sua capacidade de cultivar as ligações corretas com os donos do poder.

    Se restasse alguma dúvida (a mim, não, há muito tempo), esta teria se dissipado com a revelação das conversas entre o presidente Temer e o inefável Joesley.

    Uma empresa de proteína animal foi elevada às maiores do país não por qualquer coisa que cheirasse a competência empresarial, mas porque teve acesso a toda sorte de favores governamentais. E, como fica claro pelo acordo de leniência, tais favores não foram obtidos gratuitamente, muito pelo contrário…

    Iremos mudar esse estado de coisas?

    Não, a depender de políticos como a senadora Vanessa Grazziotin, que aqui mesmo na Folha cometeu um artigo defendendo a Zona Franca de Manaus, mamata que apenas em renúncias fiscais consumiu algo como R$ 28 bilhões/ano entre 2012 e 2016 (pouco mais que o Bolsa Família) e foi prorrogada para 2073, na expectativa de que nos próximos 56 anos consiga atingir o que não obteve nos últimos 50.

    Se quem se pretende defensor dos desvalidos promove mecanismos tão óbvios de captura e concentração de renda, com efeitos nefastos sobre a produtividade e crescimento, o que esperar do mundo político?

    Ando pessimista com o país há mais do que gostaria, mas não falta quem se esforce para confirmar meus piores temores e destruir as poucas esperanças que me restam.” > Autor: Alexandre Schwartsman > Artigo da Folha de São Paulo de 5 de julho de 2017 > www1.folha.uol.com.br/colunas/alexandreschwartsman/2017/07/1898376-nao-falta-quem-se-esforce-para-destruir-minhas-esperancas-no-pais.shtml

  7. Qual seria exatamente a diferença, em termos econômicos gerais, de uma obra feita pelo estado e de outra feita voluntariamente pela iniciativa privada?

  8. Não concordo que todo e qualquer gastos tenham os mesmos prejuízos sobre a sociedade. Alguns são piores que os outros.. Se é pra torrar meu dinheiro, o seu, acho que ainda é mais racional um setor publico que tente imitar minimamente o setor privado, do que um que se comporte irracionalmente erguendo piramides e pontes para todos os lados..

    Um exemplo muito claro de gasto pior que os outros gastos (tipo em educação, ciência) é as guerras, já que destrói o setor produtivo, literalmente.

    Então mesmo que eu concorde com essa incerteza, não acho que de pra falar que todos os gastos são igualmente ruins..

    Um governo que gasta em escolas e pesquisas cientificas ainda é melhor que um que faz pontes e piramides ou entra em guerras ..

    Fora que ele pode ”imitar” o comportamento do setor privado, olhando como ele faz, e tentar emular a coisa. Isso talvez também ajude a reduzir a ineficiência. Governos que não fazem isso creio que tenham gastos piores que os que fazem..

    Se vc levar em consideração isso, talvez explique pq algumas economias aguentam uma expansão de gastos publícos maiores que as outras..

    O Brasil é o pior tipo, gastou com lobbysta, BNDES, Consumismo em crédito barato, obras superfaturadas, funcionalismo e salários fora da realidade. Mas o orçamento em ciência é um gota no oceano.

  9. Leandro, existe uma pesquisa de 2011 falando sobre isso também. Foi publicado no Journal Of Economic Surveys, os economistas suecos Andreas Bergh e Magnus Henrekson(ambos do Research Institute Of Industrial Economics at Lund University) encontraram uma “correlação negativa” significativa entre o tamanho do governo e o crescimento econômico. Especificamente, eles disseram que um aumento no tamanho do governo em 10 pontos percentuais está associada a uma taxa de crescimento anual de 0,5% a 1% menor.

    Existe uma outra pesquisa – The Impact Of High And Growing Government Debt on Economic Growth: An Empirical Investigation for the Euro Area – feita pelo BCE em 2010, Cristina Checherita e Philipp Rother argumentaram que a dívida pública aumentando, o crescimento econômico será menor a longo prazo.

    No “Public Debt Overhangs: Advanced-Economy Episodes Since 1800” por Carmen M. Reinhart, Vincent R. Reinhart, Kenneth S. Rogoff publicado em 2012 – Journal of Economic Perspectives, os autores analisaram 26 casos diferentes. Apesar das muitas diferenças entre os casos, o crescimento econômico caiu em todos, exceto em três dos 26 casos. Todos os casos, que duraram uma média de 23 anos, estão incluídos no documento. Eles descobriram que o crescimento anual médio é 1,2% menor para os países com uma subida da dívida do que para os países sem.

    Em um outro artigo eu tinha te perguntado, mas eu acho que você não respondeu.

    A minha pergunta foi referente a relação entre a dívida pública e privada? Se são correlacionadas, até que ponto chega essa relação?

    Um país como os EUA, com uma dívida privada em 273% do PIB, e a dívida pública em 101% do PIB, no total gerando uma dívida total de 374% do PIB, alguma ação governamental deve ter para chegarem a esse absurdo de dívida.

  10. No Brasil, anualmente, mais de 50% do orçamento do governo federal fica a cargo exclusivamente da previdência e dos juros e amortizações da dívida. Inclusive em alguns anos é mais de 60%. É impossível cortar estes gastos, desestatizar a previdência é algo que demoraria décadas para ser feito, e não pagar os juros e amortizações da dívida seria um calote que geraria caos econômico. Infelizmente não há o que ser feito, cortes realmente significativos de gastos são impossíveis de ocorrerem. O que vai ocorrer é que, graças à PEC do Teto, o governo vai ser obrigado a cortar os gastos em outros setores quando os inevitáveis déficits da previdência ocorrerem. A estrutura do governo será enfraquecida mas o nível de gastos sempre permanecerá o mesmo.

    http://www.novascartaspersas.files.wordpress.com/2014/01/carga-tributc3a1ria-6-torta-auditoria-cidadc3a3o-da-dc3advida-pc3bablica.jpg

  11. Bruno Feliciano

    A Suíça pode ser liberal, mas sabiam que o automobilismo é proibido por la?

    Sim meus caros, você vê que os Suíços são livres porem se for um fã da velocidade a liberdade é muito limitada.

    m dia, porém, as corridas eram permitidas. Inclusive, o Grande Prêmio da Suíça de F1 chegou a ser realizado dentro de seu território de 1934 até 1954, na cidade de Berna. Mas em 1955 foi iniciado o veto. Neste ano, ocorreu um grande acidente nas 24 Horas de Le Mans, tradicional prova francesa. O acidente, em que dois carros colidiram e um atingiu a área em que se localizava o público, matou mais de 80 espectadores , além do piloto francês Pierre Levegh.

    Então, o governo suíço, por considerar o automobilismo muito perigoso, o baniu do país. Esse veto chegou a ser retirado em 2007, porém, em 2009, o senado do país retornou a proibir eventos do tipo.

    Mesmo assim, o país já teve 25 pilotos na Fórmula 1.

  12. Richard Stallman

    Sugiro que o mises faça um matéria intitulada: “Entenda o que é deflação e por que ela é BOA para a economia”:

    g1.globo.com/economia/noticia/entenda-o-que-e-deflacao-e-por-que-ela-e-um-problema-para-a-economia.ghtml

    Espero que os preços continue caindo.

  13. Alguém pode me indicar matérias sobre o desenvolvimento das economias desenvolvidas, com dados, nunca teria imaginado que no mundo desenvolvido deflação era a norma até a 2°Guerra Mundial.

  14. “…dado que o governo não se guia pelo sistema de preços e nem pelo critério de lucros e prejuízos…, é provável que construa uma ponte que ligue o nada a lugar nenhum, … utilizando materiais caros e pagando preços superfaturados (os fornecedores, por saberem que o governo não tem preocupação com custos, irão cobrar o máximo possível).”

    Existe uma norma de se pedir orçamentos a pelo menos três possíveis fornecedores e optar pelo mais barato. Parece bom, mas também pode ser burlado de várias formas e (mesmo que tudo seja feito honestissimamente) induz a erros.

    Como diz o ditado: “o barato sai caro”. É comum, p/ex, repartições públicas que atendem diretamente a população receberem canetas de péssima qualidade que logo começam a falhar mesmo com carga cheia e que foram compradas por serem as mais baratas.

    * * *

  15. “3) Gastar o dinheiro dos outros com você: o maior custo e a máxima qualidade serão seu objetivo.

    4) Gastar o dinheiro dos outros com os outros: você não terá nenhum preocupação com custo e qualidade.”

    E o instituto da LICITAÇÃO? A lei 8.666 está aí pra tentar barrar os itens acima!

  16. Esse ano a movimentação financeira que o carnaval conseguiu arrecadar, foi MUITO maior que os investimento feito pelo governo. Ou seja, ele investiu um montante, e teve um retorno muito maior. Eu li que isso é bom, pois gera maior receita ao governo, que por sua vez poderá fazer investimentos em saúde, educação, etc. Mas eu também li que essa tese está errada, pois seguindo tal lógica, se tivéssemos carnaval todos os dias no ano, seria bom para nossa economia. Desconsiderando sobre a saúde, educação ou qualquer investimento estatal ser um mal negócio , poderiam me dizer o motivo de tal argumento do retorno que o Estado conseguiu ser falacioso?

  17. Esse ano a movimentação financeira que o carnaval conseguiu arrecadar, foi MUITO maior que os investimento feito pelo governo. Ou seja, ele investiu um montante, e teve um retorno muito maior. Eu li que isso é bom, pois gera maior receita ao governo, que por sua vez poderá fazer investimentos em saúde, educação, etc. Mas eu também li que essa tese está errada, pois seguindo tal lógica, se tivéssemos carnaval todos os dias no ano, seria bom para nossa economia. Desconsiderando sobre a saúde, educação ou qualquer investimento estatal ser um mal negócio , poderiam me dizer o motivo de tal argumento do retorno que o Estado conseguiu ser falacioso?

  18. Uma dúvida, e se afirmarem que tomar dinheiro de uns para gastar com outros pode sim enriquecer a todos? Digo, no sentido de que esses outros que receberam os gastos terem mais dinheiro, consumirem mais, fazendo com que os produtores aumentem a produção, contratem mais gente, aumentando a o nível geral da renda, emprego, etc? Vou apresentar uma monografia falando mal dos gastos públicos brasileiros, mas a banca é keynesiana roxa, são muito fanáticos. Já ouvi esse argumento. Alguém saberia refutar? Ou qual livro posso ler para entender melhor esse assunto contra Keynes?

  19. Olha veja bem, se o governo aumentar os gastos, dependendo do gasto, como auxilio emergencial, isso sim pode aumentar a nossa renda, e demanda agregada.. Então não é correto a analogia da piscina, uma vez que isso é verdadeiro.

  20. O maior problema é cultural.

    Aqui em Banania, o brasileiro “estudado” (aquele que tem diploma) quer mais estado e mais impostos o tempo todo. Seja ele esquerdista ou direitista. Não importa o time que ele torce, ele quer isso para ele e para as próximas gerações.

    Por incrível que pareça, é mais fácil você conversar e tentar convencer uma pessoa mais humilde (sem estudos) de que estado grande é o caminho da desgraça e imposto é roubo, do que os pseudo-intelectuais que ostentam a porcaria de um diploma que nada mais é do que um status social.

    Saiu um novo escândalo (toda semana tem um) sobre a farra de gastos alimentares cometidos pelo executivo federal. E observando ao menos em dois grupos no whatsapp as discussões a respeito disso, ninguém, absolutamente ninguém levantou a simples questão: “Caramba, os caras gastam esses absurdos revelados porque é dinheiro vindo de impostos, ou seja, não ta saindo do bolso deles. Temos que acabar com essa farra, temos que tirar esse poder deles”.

    Que nada! O máximo que conseguiram concluir é que esse governo precisa sair do poder. Ou, em outras palavras, esses caras que estão agora no poder não podem cometer essa farra, mas outros mais “carismáticos” que entrarem lá poderão sim. É triste. Eles condenam essas pessoas e não o sistema que é o responsável por isso.

    Discussão formada por engenheiros, delegado, professor, médico….só gente estudada e “preparada” para “construir” uma sociedade melhor.

    Eu não vejo solução para esse país enquanto a cultura básica do brasileiro seja apenas louvar estado e políticos de estimação. Sei que isso faz parte de um processo de + 100 anos de doutrinação pelas escolas, tv, radio e etc. Mas essas pessoas tem preguiça de pensar por conta própria. Aí não tem como. Vai sair o bolsonaro, seja em 2022 ou 2026 e vai surgir um novo ídolo para manter o status quo. E se esse for aceito pela maioria, pronto, ta feito a merda. Ele vai aumentar ainda mais o estado e será aplaudido.

  21. ***OFF-TOPIC***

    Estava assistindo uns vídeos de alguns comunistas, e eles falam do problema que é posto a eles “Socialismo não funciona”, dizendo que houveram embargos, e os países se fecharam economicamente (houve uma seletividade pelo ‘imperialismo’) e davam exemplos de sabotagens na economia da União Soviética.

    Porque, eu até entendo nos refutarmos ele por meio de lógica-dedutiva, onde existem falhas na economia socialista…

    Mas minha dúvida central, é no saber de; se realmente houve uma perseguição ideológica nas economias socialistas e embargos para as mesmas, que validariam esse argumento que a economia socialista teve impedimentos.

    Desde já agradeço!

  22. Brasileiro Medroso

    Porque o dolar não abaixa? Democratas em maioria nas casas, no executivo, gastos e impressão de dolar na veia. E nada do dolar cair, sera que biden é progressista de garganta só?

  23. Boa noite!

    Pessoal, sei que não tem nada a ver com o artigo, que é ótimo por sinal, mas o que tá acontecendo entre WallStreet e GME?

    Vi que WS tá desesperada com o que tá acontecendo! Expliquem ai fazendo favor, incluindo as consequências.

  24. O Estado só deve existir se estiver a serviço da sociedade e pautar pela eficiência, isto é, fazer o máximo com o mínimo, e pela moralidade e probidade. Isto é exatamente ao contrário do que existe no Brasil e na maioria dos países, exceto em Cingapura (República de Cingapura), que dizem ter a melhor gestão pública do mundo. Tenho um parente, brasileiro, que se formou em Ciências Políticas em Cingapura e contou que os funcionários públicos não têm estabilidade de emprego. Ganham bem e nção trabalhou direito, está despedido. Cingapura possui a 4a maior renda per capita do planeta.

  25. ” Rio Grande, São Paulo e Minas assediam o governo com insistentes pedidos de recursos de numerário, para atender a pagamentos urgentes, externos e internos, que montam mais de 300 mil contos. (…) A União não tem dinheiros. Continuo evitando despesas, mas isso não basta. A arrecadação desce a menos da metade relativamente ao ano anterior(…)”

    (VARGAS, Getúlio: Diário vol. 1 1930-1936 / apresentação de Celina Vargas do Amaral Peixoto; edição de Leda Soares – São Paulo: Siciliano; Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas 1995. p. 31)

  26. Caros.

    Mais um aumento dos custos pro povo pagar:

    g1.globo.com/pa/santarem-regiao/noticia/2021/11/18/estado-de-tapajos-entenda-o-processo-de-criacao-e-o-plebiscito.ghtml

    jovempan.com.br/noticias/brasil/entenda-o-projeto-que-visa-separar-o-para-e-criar-o-estado-de-tapajos.html

    revistaoeste.com/revista/edicao-91/tapajos-outro-estado-que-vai-gastar-mal-o-seu-dinheiro/

    Houve um plebiscito em 2011 onde a população paraense rejeitou o desmembramento do estado em mais 2 novos estados.

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