Como os recursos são alocados? Como empreendedores
sabem o que deve ser produzido e em qual quantidade? Como os consumidores fazem
os empreendedores saber quais são suas demandas?
A resposta é uma só: por meio do sistema de preços.
Não sejamos comedidos com as palavras: se o sistema
de preços houvesse sido meticulosamente inventado pelo homem, seria uma das
mais genais criações da mente humana.
Não houvesse um sistema de preços, simplesmente
ainda estaríamos vivendo em condições de subsistência, com um padrão de vida
baixíssimo. Jamais teríamos vivenciado todos os avanços alimentares, tecnológicos,
medicinais e de conforto que usufruímos hoje.
Entender o sistema de preços é entender como bilhões
de indivíduos completamente estranhos uns aos outros, espalhados pelo globo, falando
dezenas de idiomas diferentes, e cada um preocupado apenas com o bem-estar próprio
e o de sua família, fazem escolhas e agem de uma maneira que torna
completamente possível a nossa atual prosperidade — possibilitando desde a existência
diária de todos os tipos de alimentos
frescos nas gôndolas dos supermercados até a incrível oferta de todos os tipos
de bens de consumo e de serviços à nossa disposição.
Os
preços coordenam tudo
O sistema de preços, quando deixado a funcionar
livremente, é um engenhoso método de comunicação
e coordenação capaz de aprimorar
substantivamente as condições de vida dos seres humanos.
Os preços livremente formados nos informam sobre a
abundância ou escassez de cada bem ou serviço específico, e coordenam como cada
bem e serviço será usado em um dado processo de produção.
Para os consumidores, um aumento nos preços de um produto
sugere que este se tornou mais escasso. Consequentemente, os consumidores irão reduzir
o consumo deste produto em decorrência deste aumento do preço e procurar por
substitutos mais baratos.
Para os produtores, os preços maiores deste produto
informam que pode haver maiores oportunidades de lucro para entrar neste mercado
específico. Estes novos concorrentes irão ou produzir mais deste produto,
aumentando sua oferta, ou produzir bens alternativos para concorrer com o produto
em questão.
Este é o processo de descoberta que define a essência
do mercado. E é este processo, quando deixado a ocorrer livremente, que garante
que os preços estejam sempre em níveis que tendam a equilibrar oferta e demanda.
Naquele que talvez seja o seu mais importante artigo
— O Uso do Conhecimento
na Sociedade –, o economista austríaco Friedrich Hayek explicou
detalhadamente a importância dos preços: eles transmitem todas as informações detalhadas
que diferentes pessoas ao redor do mundo possuem sobre aspectos específicos de
vários mercados.
O mercado — ou seja, a interação voluntária e espontânea
de bilhões de pessoas ao redor do globo — é incrivelmente eficiente em
compilar e extrair informações oriundas de um vasto arranjo de fontes ao redor
do globo. Assim, os preços livremente formados no mercado enviam sinais
importantes tanto para os consumidores quanto para os produtores, gerando assim
uma coordenação espontânea ao redor do globo.
Um carpinteiro no Canadá, por exemplo, não precisa
saber que está havendo uma escassez de aço na China para perceber que seus
materiais estão mais escassos e mais caros do que antes. O preço dos pregos e
parafusos já lhe dirá tudo o que ele precisa saber.
Ou imagine um fabricante de rádio. Para
construir seu produto, ele pode utilizar uma miríade de materiais, desde um
simples plástico até a nobre platina. Como a platina é um metal nobre e
relativamente escasso, seu preço é alto. Esse preço alto está enviando um
sinal inequívoco ao fabricante de rádio: se ele quer usar platina, então é bom
que seja para um motivo muito urgente, pois ele estará retirando recursos de
outras indústrias para as quais a platina é um dos poucos materiais que tornam
seu processo de produção lucrativo.
Esse alto preço da platina, que o fabricante de
rádio certamente não pode pagar, é reflexo do fato de que a platina é
necessitada com mais urgência em outros setores da economia, e a lucratividade
que ela gera para esses setores permite que seus usuários elevem o preço da
platina até o ponto em que passa a não ser vantajoso para o fabricante de rádio
competir por esse recurso escasso.
É claro que o fabricante de rádio não
necessariamente sabe por que o preço da platina é tão alto, ou quais são seus
outros possíveis usos. Tudo o que ele sabe é que a platina é cara — e ele
deve reajustar seu processo de produção de acordo com essa realidade. Ele
terá, então, de utilizar um material como o plástico, cuja maior abundância ou
menor urgência em outros setores torna seu uso mais viável e racional.
Milhões de decisões como essa são feitas
diariamente, desde a fabricação de aviões até a produção de pães. As
decisões são racionalizadas exatamente por causa do sistema de preços, e sem
que os produtores envolvidos nesses processos tenham de saber por que
exatamente as condições econômicas do momento fazem os preços serem como
são.
Se houver gerenciamento, haverá ruptura
Esses exemplos nos mostram como o arranjo é intrincado
e instável demais para ser “gerenciado” ou sofrer uma “sintonia fina”.
O
sistema de preços aloca os recursos de forma que eles sejam utilizados da
maneira mais racional possível, de modo a evitar desperdícios e más
alocações. Qualquer controle de preços, por mais trivial que pareça, irá
inevitavelmente perturbar e descoordenar todo esse complexo arranjo.
Conclusão lógica: qualquer intervenção no sistema de
preços irá gerar irracionalidade na produção, desperdícios de recursos e
escassez de bens. Qualquer intervenção no sistema de preços, inclusive no
preço da mão-de-obra ou no preço do dinheiro (juros), também gerará efeitos
disruptivos.
Para ilustrar todo o maravilhoso funcionamento do
sistema de preços, a espetacular coordenação que ele gera e, acima de tudo, os
resultados surpreendentes e inesperados causados por súbitas alterações nos preços
de determinados produtos, não posso fazer mais do que recomendar efusivamente o
vídeo abaixo (de menos de 5 minutos e com legendas em português).
Quem poderia imaginar que o aumento do preço do petróleo
na década de 1970 levaria a um aumento do consumo de chocolates?
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Leia
também:
Como a Nova Zelândia e o
Chile transformam vacas, ovelhas, uvas e cobre em automóveis de qualidade
No Chile, a produção de cobre concorre com a produção de uvas para obtenção de água, fora a água para consumo humano. E tudo isso no deserto mais seco do mundo. Esse arranjo resultou num dos metros cúbicos de água mais caros do planeta. A consequência? A atração de empresas dessanilizadoras de água do mar, para produzir água potável em busca de lucros altos:
http://www.acciona.com/es/noticias/acciona-agua-construira-y-operara-una-desaladora-en-el-desierto-chileno-de-atacama/
É só deixar o sistema de preços em paz que o mercado corrigirá qualquer escassez de oferta. Antofagasta é a cidade grande (acima de 300 mil hab) com maior renda per capita da América do Sul, US$60 mil dólares, renda per capita da Noruega.
Texto irrefutável!Mas o melhor de tudo é que a Venezuela prova empiricamente que tudo isso que foi escrito é verdade.A única guerra econômica que existe na Venezuela é a guerra do próprio governo chavista contra o setor privado.Nessa semana saiu até uma notícia de que o governo está obrigando os padeiros a usarem 90% do trigo para fazer pães e apenas os outros 10% para fazer bolos,tortas etc.O Maduro controla preços e decide o que será produzido no país,produzindo resultados catastróficos,e ainda tem a cara de pau de dizer que está sendo vítima de uma conspiração dos EUA.A Venezuela precisa urgentemente adotar o currency board,liberar os preços a abrir o setor de petróleo para investimento estrangeiros.É preciso também reverter as expropriações desastrosas feitas nos governos chavistas e fazer uma demissão em massa no setor público,afinal o país vizinho não precisa ter 100 generais e a PDVSA tem 3 vezes mais funcionários do que precisa.
Vídeo espetacular e muito didático. Excelente divulgação!
Ótimo texto e vídeo.
Para mim, a existência de supermercados, mercadinhos, mercearias e qualquer lugar que venda comida está entre as coisas mais fantásticas já criadas. A existência de um Carrefour ou de um Pão de Açúcar, por exemplo, que atende a milhões de pessoas e jamais fica sem produtos é um verdadeiro milagre.
P.S.: não é à toa que os produtos só somem quando há controle de preços
Muito obrigado pela aula, e principalmente, pelo link do vídeo, que me levou ao site da mruniversity. Eles apresentam videos extremamente didáticos, eu aprendi d++++++
O sistema de preços é tão sutil e eficiente, que faz do planejador central um burocrata arrogante; e a partir daí podemos entender como as ditaduras usam a desculpa do comunismo para se auto-proclamaram donos dos povos onde governam
infelizmente não tem como os preços serem livres totalmente pois sempre havera pessoas que irão tentar lucrar controlando ou especulando os preços
Mais uma prova de que o sistema de preços é genial, basta ver a troca de favores, ou seja, todo favor tem um custo mas sua alocação é ineficiente, devido a não haver um sistema de preços regulando-as. Quem presta um favor, logo que tem uma oportunidade quer ser restituído de forma desproporcional e sem razoabilidade. Se houvesse uma precificação dos favores s, tais trocas seriam ajustadas de forma proporcional e razoável diminuindo os conflitos e ressentimentos nestas trocas…
https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaomateria?id=129049
vamos votar sim
Quantas pessoas lêm o Instituto Mises Brasil,em quantas pessoas são liberais/libertarias?Tipo,o canal de rafael hide/ideias radicas indica que pelos 200 mil pessoas lutam por um pais mais liberal.Desse modo,porque não nós organizamos nos projetos de propor leis para serem aprovadas no cogresso,é bem provavel que de 100 uma consiga,além disto só nescessario 20 mil assinaturas.O que acham?
Obs:Desculpem pelos erros ortograficos estou digitando com pressa.
Quem acredita em controle de preços deve achar que o congelamento do “governo” sarney foi uma maravilha, e que os planificadores soviéticos eram seres superiores.
Excelente Texto, mas uma dúvida pro Leandro:
Neste vídeo ele explica perfeitamente o sistema de preços. Mas o petróleo na década de 70 não ficou exatamente “escasso”. Foi o dólar que perdeu força, após ser desatrelado do ouro.
Então esse “sinal” enviado pelo preço do petróleo foi errôneamente interpretado por todo o mundo?
Não gostei dos exemplos do texto, por tratar de elementos dispensáveis, como a platina para a produção do rádio. Caso descobrisse que a platina servisse como um componente de um remédio extremamente eficaz para uma doença comum mas sem cura, mas o preço dela fosse elevado por um motivo banal, como para a produção de jóias, que inviabilizasse a produção deste remédio. Por quê não deveríamos intervir nessa situação?
Agradeço profundamente se alguém legendar.
* * *
O que acontece aqui no Brasil de se reduzir o peso ou mesmo a qualidade dos insumos usados para produzir um produto, por causa da inflação de preços, é um fenômeno conhecido como shrinkflation. Nos EUA parece que recentemente eles estão vivenciando isso, sendo um dos efeitos colaterais a redução do tamanho da folha do papel higiênico…
Eu percebi isso num cereal em flocos que experimentei de uma marca barata no Brasil. Do nada eles pioraram os ingredientes e ficou com gosto puro de açúcar.
Nos anos 1980, esse fenômeno existia no Brasil? Afinal os custos de produção subiam absurdamente. E quanto aos salários pagos? Nesse caso os salários reais caem e então não há esse aumento de custos na folha de pagamento?
Fico pensando se isso acontece em países como Suíça e Japão, com baixíssima inflação de preços (ou mesmo deflação).
Gostei do vídeo sugerido. A década de 1970 também ajudou a consolidar as marcas asiáticas no mercado americano de carros, embora as marcas americanas permaneçam líderes nos utilitários.
Por que o preço da gasolina está em R$ 7,00?
Mais um daqueles excelentes artigos do IMB que se aplica a qualquer lugar e a qualquer momento, reforçando a ideia de que o governo, sob o pretexto de ajudar, acaba por distorcer e piorar as coisas.
Caros, uma dúvida :
Sobre os anos 1970/80, por que havia tantos bancos no Brasil ?
Pessoal, o Leandro fez esse comentário (falando sobre questões monetárias) e ainda fiquei com algumas dúvidas (qualquer pessoa pode responder, não tem problema).
“Repare que a minha frase acima está em um contexto de desaceleração da oferta monetária. Isso é importante.
Se a oferta monetária desacelera, a demanda também desacelera.”
Essa desaceleração na taxa de expansão monetária de, supomos, 20 para 10 % ao ano, faz com que os preços subam a um ritmo menor apenas pela questão da demanda dos agentes econômicos? Se sim, parece uma ferramenta mais dolorosa, afinal ela pode gerar recessões (não sei se existe algum artigo detalhado sobre esses efeitos, ou algum livro). Eu posso estar confundindo as coisas, afinal essa política de diretamente controlar os agregados monetários existiu nos primeiros anos de Volcker no Federal Reserve System (e ela foi muito mais eficaz em controlar a carestia). No Brasil é algo diferente, mas a SELIC também afeta a oferta monetária, afinal é para isso que ela serve. Atacar a carestia pela oferta é algo mais eficaz: por exemplo um banco central imitando o Bundesbank e utilizando os preços do ouro (mais perto da teoria supply-side, embora não austríaca, afinal banco central não combina com Escola Austríaca) ou o de Singapura, que apenas controla a taxa cambial. Até o da Bolívia parece funcionar melhor, com um câmbio fixo.
O cenário pandêmico em interferir na taxa de câmbio, você estaria se referindo ao cenário mundial ou ao brasileiro? Aqui no Brasil tivemos uma forte desvalorização cambial por causa das mortes por coronavírus nesse começo de ano (a coisa está feia…). No mundo, parece que a variante Delta faz com que a procura pelo dólar americano aumente, além de outros fatores. Assim, o índice DXY sobe. A aversão maior ao risco faz a procura por dólar ficar mais atrativa.
Agradeço pela atenção!
ele salvador cada vez mais sério a respeito dos bitcoin. nova holanda
criptonizando.com/el-salvador-compra-150-bitcoins-em-queda-do-mercado/?fbclid=IwAR1K4mMReNJSUzI3ReA_iLT0YUgD3240NZu9SluLywPE7eBelgdCKCGQoyk
dolynho segue estável a 5.53 desde ontem. parece que com a Selic a 9.25 chega se a um patamar que estanca a subida, mas não e suficiente pra descer, pois os juros ainda estão negativos.
Com esse índice de preços em disparada para os americanos, os democratas devem ter mais uma nova derrota em 2024, a não ser que o Fed arrume a bomba antes (o que é bem possível). O que ajuda a segurar a disparada é o DXY que está alto. Se estivesse nos valores do governo Bush, aí estaria ainda maior.
Tem que chamar de novo o Bill Clinton e o Robert Rubin.
Leandro, dólar em real subiu , mas o índice dxy caiu hoje.
isso quer dizer que o real tá indo pras cucuias?