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Sobre a crise de 1929 e a Grande Depressão – esclarecendo causa e consequência

Este Instituto é pródigo em artigos detalhados sobre
a Grande Depressão (confira a lista completa ao final deste artigo). Temos
inclusive um livro
extremamente detalhado a respeito
.

No entanto, vários leitores sempre nos pediram para
apresentarmos um artigo sucinto que condensasse os principais aspectos do crash
de 1929 e a subsequente Grande Depressão que teria sido supostamente gerada por
esse crash.

Aqui vai, portanto, um artigo bastante sucinto,
porém completo, sobre o tema.

A depressão já esquecida

No ano de 1921, houve uma profunda depressão na
economia americana
. O desemprego saltou de 5 para quase 12%. A economia se
contraiu em incríveis 17% e os preços desabaram mais de 10%.

O que fez o governo americano à época, liderado pelo
presidente Warren G. Harding?

De um lado, ele permitiu que os salários caíssem
livremente, de modo a acompanharem os preços em queda. Isso fez com que os
custos de produção das empresas rapidamente se estabilizassem. Harding, ao
contrário dos presidentes de hoje, em momento algum disse que a queda dos
salários seria ruim para a economia.

De outro, ele cortou profundamente os
gastos do governo (em incríveis 50%), diminuiu o imposto de renda para todas as
classes sociais e, de quebra, ainda reduziu a dívida do governo americano em
33%.

Por sua vez, o Federal Reserve — o Banco Central
americano — nenhuma
iniciativa tomou para contrabalançar a crise
. Quando ele reduziu os juros de 6% para
5%
, a depressão já havia acabado.

A liberdade de ajuste de preços e salários, em
conjunto com a redução do fardo do estado sobre a economia privada, fez com que
aquela profunda depressão de 1921 estivesse já totalmente superada em 1923.

Hoje, são raros os livros de história que sequer a
mencionam. É como se ela não houvesse existido. O fato de o governo americano
nada ter feito para contrabalançá-la — e por isso mesmo ela ter sido
rapidamente solucionada pelo livre mercado — certamente é algo que abala a
crença dos intervencionistas. Por isso mesmo sua diligência em escondê-la.
Pode-se dizer que a depressão de 1921 foi a última na qual um governo não se
intrometeu. Por isso mesmo, foi também a mais rápida.

Para quebrar esse silêncio, o economista James
Grant, um dos mais respeitados economistas dos EUA e do mundo, escreveu
um livro inteiro dedicado a esse assunto

A robusta recuperação da economia americana em 1923 deu início aquele período
de prosperidade que se tornou conhecido como “os loucos anos 20“.

Mas aí a história foi diferente.

Os “loucos anos 20”

Durante o resto da década 1920, o Banco Central
americano reverteu sua postura até então conservadora e adotou uma política
monetária muito mais expansionista: em 1920, os juros estavam em 6% ao ano. Ao
final de 1927, eles já haviam caído para 3,5%. Uma redução de
42%
.

Essa política monetária expansionista foi a
principal responsável por sustentar a febre especulativa dos “loucos anos 20”.
A contínua criação de dinheiro pelo Federal Reserve permitia que os bancos
concedessem, de forma contínua e aparentemente sem limites, empréstimos fartos
e baratos para especuladores, os quais utilizavam esse dinheiro barato para
comprar ações e, em seguida, revendê-las a preços muito maiores. A expansão
monetária feita pelo Fed garantia que os preços das ações subissem
continuamente. (Tudo isso está documentado em detalhes neste livro).

Vale ressaltar que é impossível preços de ativos
subirem continuamente sem que esteja havendo uma grande expansão monetária, que
dê sustentação a esse processo de alta nos preços. Sem expansão monetária é
impossível preços subirem eternamente. E quem controla o processo de expansão
monetária de um país é o seu Banco Central.

E assim foram os loucos anos 1920.

Até que, em fevereiro de 1928, o Fed, assustado com
toda aquela febre especulativa, reverteu sua postura e, contrariamente às
expectativas, começou a subir os juros. E o fez por três vezes seguidas. Em um
período de 5 meses, ele elevou os juros de 3,50% para 5%. Pode parecer pouco,
mas esse aumento de 43% em 5 meses bastou para interromper toda a farra
especulativa.

Com o crédito mais caro, os especuladores começaram
a ter dificuldades em auferir lucros em suas ações. Pegar dinheiro emprestado
para comprar ações (um processo conhecido como “alavancagem”) tornou-se 43%
mais caro em 5 meses. Com menos empréstimos sendo tomados, a quantidade de
dinheiro na economia parou de aumentar. (De novo, todas essas estatísticas
estão documentadas neste
livro
). Com essa interrupção no crescimento da quantidade de dinheiro na
economia, a própria atividade especulativa perdeu a potência. Os preços das
ações pararam de subir.

Uma correção na bolsa de valores era inevitável.

O
empurrão

E essa correção veio, mas de uma maneira inusitada.

No dia 29 de outubro de 1929, já com praticamente
toda a atividade especulativa paralisada, a bolsa de valores americana desabou
12% em um único dia. Esse fenômeno, que ficou conhecido como a “terça-feira
negra”, é do conhecimento de todos. Mas o que não é muito bem conhecido é o que
realmente precipitou essa correção tão súbita e tão substantiva.

Sim, a política monetária do Fed — que subitamente
reverteu quase uma década de expansão monetária e dinheiro barato — criou as
bases para que essa correção ocorresse, mas houve um outro detalhe: a história
já revelou que, naquele dia 29 de outubro, correu a notícia de que o então
presidente Herbert Hoover iria implantar a Tarifa
Smoot-Hawley
, que elevaria as tarifas de importação de mais de 20 mil
produtos a níveis jamais vistos na história. Alem de encarecer substantivamente
as importações, isso geraria uma guerra comercial e representaria um golpe
fatal ao livre comércio.

Imediatamente os preços das ações das empresas
desabaram.

Sobre essa tarifa, Thomas Lamont, alto executivo do
J.P. Morgan, disse que “Eu quase me
prostrei de joelhos perante Hoover para implorar que ele vetasse a asinina
tarifa Smoot-Hawley”. Já o presidente da GM européia, Graeme
K. Howard
, enviou um telegrama a Washington alertando que a aprovação da
Smoot-Hawley levaria “à mais severa depressão jamais vivenciada pelo mundo”.

Os mercados nunca precificam o presente; eles sempre
miram o futuro. Os preços presentes são apenas os preços futuros descontados.
Uma legislação criada para reduzir o comércio global inevitavelmente afetaria
os mercados e os preços das ações das empresas. Com um comércio global muito
mais restringido, os lucros das empresas exportadoras e importadoras seriam
severamente afetados. A Bolsa de Valores apenas antecipou essa queda.

Uma
queda na Bolsa gera uma depressão de 15 anos?

Até aqui a narrativa é bastante convencional. Quedas
abruptas e inesperadas na Bolsa de Valores estão longe de ser um fato atípico.
Isso já havia acontecido em 1920. E voltaria a acontecer novamente em 1987 — uma queda, aliás,
muito maior, de 22%
.

Por que nenhuma dessas duas quedas gerou uma grande
depressão? Por que apenas a queda de 1929 teve esse potencial?

Essa é a pergunta que tem de ser respondida.

Para isso, entra em cena Herbert Hoover.

Pesquisas históricas conduzidas sem paixões
ideológicas e sem panfletagens políticas revelam o básico: Herbert
Hoover sempre fora um político incessantemente intervencionista
.

Hoover, um homem bem intencionado e de instintos
apurados, havia sido um bem-sucedido engenheiro de minas antes de entrar para o
setor público. Por ser muito intelectualmente capacitado, ele acreditava que
praticamente tudo podia ser manipulado e controlado como se fosse um projeto de
engenharia. Essa sua filosofia foi trazida à tona durante o crash da bolsa em
1929.

Para começar, Hoover era abertamente contrário ao
livre mercado. E por um motivo: ele sabia, corretamente, que uma livre
concorrência desregulamentada forçaria as empresas a reduzir seus preços. Tendo sido ele próprio um homem da iniciativa
privada, ele via uma queda de preços como algo inerentemente ruim. Pior: ele
acreditava que preços menores levavam a salários menores.

Em novembro de 1929, pouco depois da queda da bolsa,
Hoover convocou uma reunião com os presidentes das principais indústrias
americanas. Henry Ford, da Ford Motor Company; Alfred Sloan, da GM; e Pierre
Dupont, da Dupont Chemicals, lideraram o grupo que se encontrou com Hoover.

O presidente, então, impôs algumas diretivas sem
precedentes: 1) Apesar da economia fraca e abalada pela queda da Bolsa e pelo
fim da atividade especulativa (vale relembrar que especular na bolsa havia se
tornado uma febre entre os americanos de todas as classes durante quase toda a
ultima década), salários não deveriam em hipótese alguma ser reduzidos; 2) As
demissões deveriam ser evitadas ao máximo. Se a empresa realmente tivesse de
reduzir mão-de-obra, que o fizesse por meio da redução da carga horária — ou
seja, dois trabalhadores deveriam, cada um, trabalhar apenas meio expediente,
ou apenas dia sim, dia não.

Em troca da manutenção dos empregos e da não-redução
dos salários, Hoover prometeu aos industriais que ele convenceria trabalhadores
e sindicatos a não fazerem greves e a não exigirem benefícios e pagamentos
adicionais.

E ele cumpriu a promessa. Os trabalhadores não
fizeram greves. E as indústrias não reduziram os salários. Com efeito, Henry
Ford chegou a aumentar os salários como um gesto de solidariedade.

O engenheiro Hoover, ao que tudo indicava, havia
conseguido engenheirar a solução perfeita. Só que ela não funcionou.

Com o Fed tendo subido os juros e parado de expandir
a oferta monetária, pessoas que haviam pedido empréstimos para especular com
ações não mais conseguiam revender suas ações a preços maiores e,
consequentemente, não mais conseguiam quitar suas dívidas. Elas começaram a dar
calotes nos bancos. Os bancos então começaram a restringir empréstimos e a
pedir a quitação de empréstimos pendentes.  As pessoas se assustaram com a
situação e correram para sacar seu dinheiro dos bancos.  

Como os bancos praticam reservas fracionárias, isso
gerou uma série de falências bancárias.  Essas falências bancárias geraram
uma forte contração na oferta monetária — consequentemente, uma recessão.
 

Tal recessão não precisaria durar mais de um ano
caso o governo americano permitisse ampla liberdade de preços e salários —
exatamente como havia feito em 1921 –, de modo que estes se adequassem à nova
realidade da oferta monetária. Mas Hoover não permitiu que isso acontecesse.

Consequentemente, com essa ampla deflação monetária,
foi impossível conter a queda dos preços. Em 1930 e 1931, os preços dos
produtos industriais caíram. As pessoas simplesmente não tinham dinheiro para
comprar bens ou para investir nas empresas.

E, para piorar tudo, a tarifa Smoot-Hawley de fato
foi aprovada em 1930. Com as maiores tarifas de importação da história, não
apenas as empresas e os cidadãos americanos não mais conseguiam importar bens
baratos — uma extrema necessidade em um ambiente em que a quantidade de
dinheiro na economia estava diminuindo –, como também os parceiros comerciais
dos EUA retaliaram impondo pesadas tarifas sobre os produtos americanos.

As economias nacionais se fecharam e comércio global desabou, com profundos efeitos negativos sobre a lucratividade das empresas

Com as exportações americanas reduzidas à metade, os
preços dos produtos industriais americanos desabaram.

Mas os salários — por causa da imposição do governo
— continuaram sem ser reduzidos. Ou seja, receitas em queda e custos
congelados. A consequência? Várias indústrias foram à falência.

À medida que a Depressão foi se aprofundando, a indústria
pediu a Hoover permissão para finalmente reduzir os salários. Mas Hoover se
recusou. “Se reduzirem os salários, os sindicatos farão um inferno”, dizia ele.

Mas ao final de 1931, com a economia em frangalhos,
a indústria rompeu o acordo com Hoover e finalmente reduziu os salários. Porém,
como apenas reduzir os salários não adiantava, ela também começou a demitir em
massa.

Mas já era tarde demais para interromper a queda
livre. Falências geravam mais falências. O desemprego pulou de 3,2% em 1929
para 23,6% em 1932.

Hoover tentou contrabalançar a situação aumentando
vastamente os gastos governamentais, apresentando um programa de nove metas
estatais que incluíam grandes obras públicas, como a Represa Hoover. Ele
aumentou os gastos do governo em quase 50% em termos nominais (e 87% em termos reais,
considerando-se a deflação da época). Não satisfeito, elevou a alíquota máxima
do imposto de renda de 25% para 63%.

Hoover implantou tudo aquilo que ele, como um
engenheiro, imaginou que traria a economia de volta à prosperidade. Ele só não fez
exatamente aquilo que seria o certo: deixar o livre mercado curar a situação,
exatamente como em 1921.

Uma recessão que não deveria durar mais do que dois
anos se transformou em uma depressão que durou 15 anos.

E ainda há quem diga que Herbert Hoover foi um
adepto inflexível do laissez-faire.

Conclusão

Ao contrário do senso comum ensinado nas escolas e
universidades, uma queda no valor das ações na bolsa (que foi o que aconteceu
em 1929) por si só não gera depressão.  Em 1987, por exemplo, a bolsa
americana caiu 22% e não houve depressão. 

O crash da bolsa de Nova York em outubro de 1929
teve suas origens na expansão do crédito feita pelo Federal Reserve em concerto
com o sistema bancário de reservas fracionárias ao longo de toda a década de
1920. Tal expansão gerou um boom sem precedentes no mercado de ações,
levando a uma euforia especulativa generalizada. Quando a expansão do
crédito foi interrompida em decorrência de pressões inflacionárias, a euforia
foi abruptamente interrompida, e deu-se início ao processo de correção.

A Grande Depressão, na verdade, não precisaria durar
mais de um ano caso o governo americano permitisse ampla liberdade de preços e
salários (exatamente como havia feito na depressão de
1921
, que foi ainda mais intensa, mas que durou menos de um ano justamente
porque o governo permitiu que o mercado se ajustasse). 

Porém, o governo fez exatamente o contrário: aumentou impostos, aumentou gastos, implantou políticas de controle de preços, de controle de salários, e, acima de tudo, impôs um inaudito aumento nas tarifas de importação, as quais chegaram ao maior nível da história e se degeneraram em uma profunda guerra comercial em nível mundial. Para piorar: ele
estimulou uma arregimentação sindical de modo a impedir que as empresas
baixassem seus preços. 

Em 1933, entrou em cena Franklin Delano Roosevelt,
que simplesmente deu continuidade às políticas intervencionistas de Hoover, inacreditavelmente
prolongando a Depressão até 1946
.

Um simples crash da bolsa de valores foi amplificado pelas políticas
intervencionistas e totalitárias do governo, gerando uma depressão que durou 15
anos e que só foi resolvida quando o
governo encolheu
, em 1946. 

___________________________________________________

Leituras
complementares e obrigatórias:

What – or
Who – Started the Great Depression?
(Trabalho acadêmico)

New Deal policies
and the persistence of the Great Depression
 (Trabalho acadêmico)

1920
– a última depressão na qual um governo não se intrometeu foi também a mais
rápida
 

Um
conto de duas grandes depressões

Quer saber tudo sobre a
Grande Depressão americana? Leia mais este lançamento do IMB

O
New Deal ridicularizado (novamente)
 

Como
Franklin Roosevelt piorou a Depressão
 

A
Grande Depressão – uma análise das causas e consequências
 

Herbert
Hoover e George W. Bush: intervencionistas que amplificaram recessões (1ª
Parte)
 

A
teoria austríaca dos ciclos econômicos e as causas da Grande Depressão

Um
governo em dieta – quando os gastos realmente foram cortados
  

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185 comentários em “Sobre a crise de 1929 e a Grande Depressão – esclarecendo causa e consequência”

  1. Parabéns a toda equipe do IMB!Interessante!Qual seria então a solução para a atual crise do Brasil?Confesso que não entendo essa pressão da sociedade em geral querendo que o governo haja, quando o que vocês aconselham é justamente o contrário.Sei que libertários não veem o PIB como uma medida real da economia e criticam o crescimento via consumo, mas como sair dessa armadilha, se 60% do PIB é consumo,e até um leigo como eu vai dizer que este é o caminho para crescer?O que de acordo com a realidade brasileira poderíamos fazer para crescermos de forma sustentável?

  2. Historicamente, o país mais próximo do minarquismo puro (estado minimo) foi os Estados Unidos durante o período de 1780 até 1913. Durante este período, os Estados Unidos se transformaram de uma economia rural e primitiva, que possuía menos de 1% do volume da produção global, para o país mais rico e industrializado do mundo, com um terço da produção industrial global. Foi a politica do estado mínimo que transformou os EUA em uma potência econômica e industrializada.

  3. Tem que considerar o “Dust Bowl” como fator de piora na já ruim situação americana.

    Dust Bowl é um fenômeno climático que gerou quebras de safras no meio oeste.

  4. Será que o povo aguenta essas medidas abaixo ?

    – Orçamento base zero

    – Currency board na política monetária

    – Reduzir para 5% o imposto de renda, herança e lucro

    – Imposto indireto único com uma alíquota única para tudo que é consumido

    – Acabar com restrições burocráticas de importação

    – Impor um limite de 6 meses para reclamações trabalhistas

    – Acabar com restrições a terceirização

    – Vender todas as estatais

    A tendência é que os juros sejam reduzidos, as pessoas sejam contratadas como PJ, a inflação vai ser zero, milhares de pessoas irão abrir empresas, milhares de investidores estrangeiros irão investir no país, etc.

    Eu acho que não adianta ir pelo brutalismo contra o estado. A melhor forma é ir criando medidas que causem desinteresse pelo estado.

  5. Bom artigo. Mas fiquei com uma dúvida:

    Nos tempos do colégio um professor disse que o que salvou/recuperou a economia americana foi a segunda guerra mundial. E o artigo disse que a crise se prolongou até 1946. Então a segunda guerra também piorou a economia americana?

  6. Há pouco descobri essa página que foca em desconstruir o pensamento liberal, em especial a Escola Austríaca. Há textos que buscam refutar Rothbard, Mises, Bawerk, Menger, a Praxeologia etc. Os textos são escritos por economistas de cunho marxista que, ao contrário da maioria, são bem elaborados, com dados, fontes e pesquisas como referência. É complicado para um não especialista (como eu) identificar de bate pronto onde estão as incoerências das análises.

    Leandro e demais experts que tiverem interesse em avaliar o conteúdo , segue link de um dos textos que tenta desmontar justamente a análise austríaca da cride de 29:

    https://www.facebook.com/CPLBrasil/posts/180858365721287:0

    Eis um trecho do artigo:

    “Pelo lado dos EUA, a atuação diplomática política-econômica para equalização monetária internacional se deu no bojo da recuperação de um breve período de recessão entre janeiro de 1920 a julho de 1921, quando, no âmbito interno lidaram e superaram a recessão com as seguintes medidas: cortes da taxa de desconto por parte do Federal Reserve (indo de 7% em janeiro de 1920 a 4% em junho de 1921) triplicando seu estoque de títulos do governo em operações de compra a mercado aberto; concessão de crédito agrícola, estimulando também assim o mercado internacional; financiamento da exportação por parte da organização estatal War Finance Corporation em 1921, e financiamento de obras públicas via um déficit limitado.

    Desta forma todavia se verifica, ao contrário do que o descaratismo destes liberais apresentam, de 1920 até 1940, a inflação acumulada nos EUA só caía. (ver GRÁFICO 1 e 2 nos comentários)”

  7. República de Curitiba

    Para mim ainda não é claro onde ocorreria o momento de ruptura caso o FED não intervisse.

    Nesse caso de 29, o Ciclo iniciou-se com a própria ação do FED em tentar corrigir o erro que estava cometendo, com o reajuste da meta da taxa de juros.

    Mas, e se o FED não mexesse? Quando a economia daria sinais de estouro da bolha?

    Pelo que entendo até o momento dos Austríacos, ocorreria no momento em que as empresas notassem que seus estoques não seriam consumidos – o que causaria a interrupção da farra até a quebra.

    Entretanto, nesse período, os índices de Inflação se mantiveram estáveis, a economia crescia mas não a níveis absurdos (pib 4,5% a.a, per capita também em crescimento), a dívida pública do governo vinha se reduzindo.

    Então, apesar da queda das taxas de juros e do disparo da Oferta Monetária, a Economia não dava sinais de quebra.

    Então, não fica claro pra mim o “susto” do FED para aumentar a taxa de juros.

  8. República de Curitiba

    Leandro,

    Havia sinais claros e explícitos de que tudo aquilo era um esquema de pirâmide, mantido exclusivamente pela expansão monetária, e que não tinha como durar para sempre. Tudo acabaria tão logo a expansão monetária acabasse.

    Não tenho nenhuma objeção. Ganhar sem produzir o equivalente em troca não tem como dar certo.

    Mas, deixe-me tentar deixar minha ignorância mais explícita: Minha dúvida é em relação ao ponto de quebra. A faísca que faria essa bolha estourar.

    Tentando criar uma sequencia de fatos, entendo que a bolha poderia se dar por dois motivos:

    1. A expansão monetária, aliada a produção robusta da indústria, tornarem os movimentos da economia insustentáveis devido a uma falsa ilusão de não haver escassez, ocasionando a quebra de oferta x demanda devido a erro de alocação de recursos, desencadeando uma freada na produção e a consequente queda no preço de ações;

    2. A grande oferta de recursos, aliada a uma inexistente demanda para estes, jogar os preços para baixo, gerando deflação econômica, falências de empresas que estimaram errado o futuro, recessão econômica e consequente queda no preço das ações;

    Correto?

    PS: Obrigado pela indicação do livro.

  9. Eu tentei ver os nomes dos autores desse excelente artigo mas não consegui. Parabéns a todos, mas… seria possível nominá-los, por gentileza?

  10. O Brasil está quase chegando nos 17% de recessão da crise de1929.

    Essa farra do crédito para comprar coisas supervalorizadas pelo protecionismo é bizarro.

    É engraçado ver gente acreditando em protecionismo e moeda desvalorizada.

    Se existe inflação, o maior problema vai ocorrer na construção civil, máquinas, bens duráveis, etc; porque os juros aumentam e comprometem os financiamentos. Isso ocorre, porque o custo de vida mensal fica mais caro.

    O país só melhora quando o poder de compra aumenta. Isso é o que permite ter financiamentos mais seguros. Pagar caro em despezas diárias como roupas, comida, transporte, energia, não evoluiu país nenhum no mundo.

    Produzir bugigangas não vai desenvolver o país.

    Os financiamentos deveriam ser usados para a construção civil e máquinas, e não para comprar geladeiras, televisão, etc.

    É bizarro ter farra de crédito pra comprar geladeiras, lava roupas, etc.

  11. A explicação está muito boa. Mas Eu tenho uma dúvida e é a seguinte: ao que me consta, os EUA estava presos ao Padrão-Ouro. Foi em 1933 que eles fizeram uma desvalorização, ao subir a cotação da Onça-Troy. Bem, se estavam presos pelo Ouro, segundo a teoria monetária da macroeconomia padrão, supõe-se que a conta de crédito interno estava trancada; logo, a base monetária do país (como um passivo do FED) fora lançada contra o ouro (ou contra os haveres indexados ao preço do ouro). Isso significa que os EUA acumularam suas reservas de ouro durante a década de 20!? Houvera uma “enxurrada” do metal amarela em direção aos EUA por aqueles tempos; do que “inflara” o tamanho da base pelo incremento do lastro e, via multiplicador monetário, a “moeda de alta potência” (agregado monetário M1, M2, etc)!?

    Eu também quero saber se, caso a hipótese acima lançada for correta, por quê o FED não conseguiu “esterilizar” a “enxurrada” de ouro? Ele teria como fazer isso? Desde já, Obrigado.

  12. O autor do artigo, em sua explicação, simplesmente ignora que os Estados Unidos se tornaram credores de alguns dos países que participaram da Primeira Guerra Mundial. Não apenas credores, mas se tornaram fornecedores de bens de consumo. Ignora o impacto da introdução da linha de montagem na produção industrial americana, assim como a implantação do Taylorismo, que permitiu a especialização do trabalho e consequentemente a padronização das funções, o que gerou aumentos de produtividade.

    Sem esses fatores, você perde parte do entendimento sobre a crise de 1929.

  13. O mais triste de tudo é saber que nas escolas ensinam algo totalmente diferente. Uma rápida pesquisa na internet ja demostra isso, como por exemplo esse site http://www.infoescola.com/historia/crise-de-1929-grande-depressao

    A menos de um ano não me passava pela cabeça qualquer que fosse o motivo das crises economicas senão as ensinadas no meu ensino medio. IMB me fez abrir a cabeça e enxergar que realmente nós apenas aprendemos historia se formos atras da verdade ao inves de apenas aceitarmos o que nos impoem

  14. O azar do Brasil foi não ter adotado em 1994, o currency board no lugar do plano real.Caso tivesse feito,as crises asiática e russa não teriam surtido efeito no fim da década de 90.O governo FHC teria sido mais popular,pois os juros e o desemprego certamente não teriam disparado.Os investidores internacionais e nacionais teriam confiança no Brasil.E por fim o Lula não teria sido eleito em 2002.As privatizações teriam seguido em frente e o Brasil teria crescido bem mais do que cresceu no governo Lula.E o pior de tudo é que o currency board já foi uma vez adotado no Brasil no início do século xx,o que prova que isso não é utopia ou quimera.Como o poder de compra do brasileiro é 27% do poder de compra dos americanos,o certo seria adotar um currency board com 1 dólar valendo 3,70 reais,afinal como todos sabemos é o poder de compra que define o preço da moeda.

  15. Não entendo como os governos criam e fazem medidas expansionistas se na época não era moeda sem lastro?

    Alguem poderia me falar o mecanismo na epoca e se isso teve alugm efeito rebota na inflação?

  16. Realmente interessante o artigo. As causas de um evento tão importante como esse são bastante complexas e todo o cenário deve ser considerado antes de definir uma resposta concreta.

    Quando estudamos este acontecimento na escola, os aspectos econômicos não nos são mostrados com clareza (e creio que alunos de colégio não compreenderiam as informações em sua totalidade). O ensinamento básico faz parecer que o problema foi a falta de noção de quais seriam os melhores investimentos da época. Contudo, o que vemos é que o momento foi marcado por uma série de fatores econômicos, políticos e sociais bastante complexos e muito mais profundos.

  17. Artigo essencial e serve como ponto de partida pra entender a crise de 1929.

    Além de resumir o básico das causas e consequências, indica uma lista generosa de bibliografia.

    Parabéns mais uma vez ao IMB.

    Contem com minha contribuição mensal para manter o instituto.

    E que em 2017 o IMB continue publicando, divulgando e ensinando a escola austriaca.

  18. O presidente Warren G. Harding devia ter sido seguidor de Lao Tsé, fundador do taoísmo. Ele ensinou que um dos princípios da sabedoria é o “agir pelo não agir”, ou seja, a minimizar as ações e (principalmente) a deixar de agir em desarmonia com as leis naturais.

    “O taoismo é uma tradição que, dialogando com seu tradicional contraste, o confucionismo, modelou a vida chinesa por mais de 2 000 anos. O taoismo enfatiza a espontaneidade ou liberdade da manipulação sociocultural pelas instituições, linguagem e práticas culturais. Manifesta o anarquismo – defendendo essencialmente a ideia de que não precisamos de nenhuma orientação centralizada. Espécies naturais seguem caminhos apropriados a elas e os seres humanos são uma espécie natural. Seguimos todos por processos de aquisição de diferentes normas e orientações da sociedade, mas poderíamos viver em paz mesmo se não procurássemos unificar todas estas formas naturais de ser.”

    Ok, eu sei que provavelmente Harding nunca estudou taoísmo. Mas que lembra, lembra.

    * * *

  19. Achei o artigo interessante, porém algo me chama atenção. Nenhum comentário ao nível de dívida privada no sistema na época. Segundo alguns gráficos que já vi (exemplo o gráfico nessa matéria: https://www.forbes.com/sites/stevekeen/2016/11/09/to-make-america-great-again-write-off-the-private-debt/#3ff920aa73f8 – não tenho expertise para concordar com o autor quanto ao write off the dívida privada, me interessa o gráfico de Dívida/PIB apenas) o nível de dívida/PIB na época não tem paralelos a não ser hoje. Dessa forma a crise de 1921 teria ocorrido também com um nível de divida/PIB bem menor. Note que se trata de dívida privada (segundo um artigo entitulado “The Great Leveraging” do NBER a dívida privada é um indicador antecedente de crise melhor do que dívida pública).

    Nessa linha a explicação de Irving Fisher em seu artigo “The Debt-Deflation Theory of Great Depressions” – 1933 me parece das melhores e a maneira como os neoclássicos ignoram essa explicação está entre as coisas que mais desprezo no universo da ciência (exemplo o Bernanke nos “essays from the great depression”).

    Pelo que entendo, nosso sistema monetário, através das reservas fraccionais, cria o principal de uma nova dívida do nada, porém não cria o juros para pagar essa dívida. Esse juros teria que vir de duas formas, ou um aumento contínuo e provavelmente insustentável na velocidade do dinheiro (até meio fantasiosa essa opção me parece) ou uma expansão contínua das dívidas para o que principal criado do nada das dívidas novas sejam os juros das dívidas velhas. Esse sistema não tem estado de equilíbrio, ou cresce de maneira exponencial ou colapsa de maneira desordenada.

    Dito isso me parece que sempre que o nível de dívida privada atinge patamares que não se sustentam nem com juros a zero o mercado vem abaixo e inúmeras falências de empresas e reciclagem na força de trabalho é inevitável, com ou sem a intervenção do governo. O que o autor teria a dizer quanto a essa questão da tendência natural da dívida crescer mais que o PIB até o ponto de ser necessário um ano do jubileu (de perdão de dívidas) que segundo o Ray Dalio, gestor do Bridge Water, consta até no velho testamento?

  20. Leandro, lendo um artigo de uma página pró-intervencionismo, me deparo com os “reais” motivos (segundo eles) para a rápida recuperação após a recessão de 1920:

    “1) cortes da taxa de desconto [8] por parte do Federal Reserve (indo de 7% em janeiro de 1920 a 4% em junho de 1921);

    2) triplicação do estoque de títulos do governo por parte do FED em operações de compra a mercado aberto;

    3) concessão de crédito agrícola [9], estimulando assim o mercado internacional;

    4) financiamento da exportação por parte da organização estatal War Finance Corporation em 1921;

    5) financiamento de obras públicas por meio de um déficit limitado.”

    O que acha de tais informações?

  21. Mais triste que Intervencionismo é a maioria absoluta da esquerda moderna aplaudir com tesão o Intervencionismo.

    Para quem não sabe, historicamente, o Intervencionismo era considerado pelos marxistas como uma tentativa do estado burguês para o Capitalismo não colapsar.

    Mesmo o Intervencionismo, assim como o Nazifascismo, sendo tido como Terceira-Via, os marxistas de forma desonesta consideravam e propagandeavam o Intervencionismo e o Nazifascismo como “extrema-direita”.

  22. Se a crise foi um ciclo econômico motivado pela expansão da base monetária, porque os norte-americanos não sofreram com inflação antes da crise.

  23. Uma das maiores lições da história de que a cura do Estado é sempre pior que a doença (que ele costumeiramente inoculou ele mesmo).

  24. Keynes o terror dos austriacos

    Que tinham dois especuladores graúdos, um colocando dinheiro na firma do outro e este outro usando o mesmo dinheiro pra comprar ações da firma do primeiro, depois o inverso, repetindo esse ciclo ao infinito. Os preços das ações das empresas deles dispararam. Isso foi o que motivou o bolha, uma falha clássica de mercado. Isso vocês não contam, isso vocês não contam.

  25. Cesar Oleskovicz

    Uma dúvida que não consegui resolver: Como o FED conseguiu realizar uma expansão monetária nos loucos anos 20 se ainda praticavam o LASTRO OURO? Houve alguma manobra contábil? Títulos? Gostaria que alguém se manifestasse.

    Muito obrigado.

  26. E de onde saiu essa ideia de que a crise de 1929 houve pelo inchaço dos EUA pós enriquecimento com a 1º Grande Guerra onde toda a Europa estava falida e destruída e os estadunidenses cheios da grana porque a guerra não tinha ocorrido em seu território, e emprestou dinheiro para todo mundo. E pela Revolução Russa de 1917 que agora tinha outra forma de pensar. E a Crise de 2008 que afetou o mundo todo e quebrou os EUA ao meio, não foi oque ocasionou a crise no Brasil ou Crise do Pt. Os gráficos como PIB e Reservas internacionais não mostram um país muito melhor com medidas de maior fortalecimento do Estado. PIB antes do PT 3. Em 2010 o PIB era 8. Final do governo FHC reservas internacionais era de 53 milhões de dólares , quando a Dilma Saiu era 370 milhões de dólares.

    Tem sentido esse argumento?

  27. João da Silva Souza

    Enquanto o Rafael Lima do Canal do YouTube Idéias Radicais não posta seu vídeo especial sobre a crise de 1929 vou me informando neste incrível site que é o Mises Brasil.

  28. Prezados amigos,

    continuo meu aprendizado nesta ilha de conhecimento que é o IMB!

    Fiquei com duas dúvidas:

    1ª) “Mas aí a história foi diferente.

    Durante o resto da década 1920, o Banco Central americano reverteu sua postura até então conservadora e adotou uma política monetária muito mais expansionista: em 1920, os juros estavam em 6% ao ano. Ao final de 1927, eles já haviam caído para 3,5%. Uma redução de 42%.”

    Qual a relação entre redução de juros e expansionismo? São proporcionais, inversamente proporcionais ou uma coisa não tem a ver com a outra? Essa parte do texto me causou MUITA DÚVIDA!!

    2ª) Neste artigo fala-se em gastos nominais e reais do governo no sentido de que numa deflação os gastos reais são maiores. Vejam o recorte:

    “Hoover tentou contrabalançar a situação aumentando vastamente os gastos governamentais, apresentando um programa de nove metas estatais que incluíam grandes obras públicas, como a Represa Hoover. Ele aumentou os gastos do governo em quase 50% em termos nominais (e 87% em termos reais, considerando-se a deflação da época). Não satisfeito, elevou a alíquota máxima do imposto de renda de 25% para 63%.”

    No entanto, no artigo que refuta o falso milagre econômico de Portugal, afirma-se, s.m.j., o contrário. Veja:

    “Para começar, os gastos públicos do governo português encolheram nada menos que 9% sob o governo de Passos Coelho, de 2010 ao final de 2015. Em 2016, já sob António Costa, mantiveram-se absolutamente estáveis (e isso em termos nominais; mas dado que a inflação de preços foi de 2%, então houve uma redução de gastos em termos reais).”

    Por favor, sem insultos dos que melhor entendem sobre economia! Estou aqui para aprender e amo este espaço!

  29. João de Alexandria

    Macacada,

    Eu tenho uma indicação de leitura sobre a crise de 1929 que só indico porque este excepcional artigo fez os esclarecimentos pertinentes para uma devida apreciação da leitura.

    É o livro “1929”, de Ivan Sant´Anna.

    Ele é um excepcional retrato humano do crash, contando com prólogo, desenvolvimento e desfecho eletrizantes. Mas reitero: só indico pra quem já compreendeu as circunstâncias que levaram a quebra da Bolsa, pois apesar de ser uma narrador competente, percebi vieses e omissões contextuais típicos de narrativa de esquerda, o que não diminui os méritos do livro pra quem tem conhecimento do período. Recomendo.

  30. Alexandre Nascentes Schmitt

    Ola, eu andei lendo sobre a crise de 29 e me gerou uma duvida. Como houve expansão da oferta monetaria se o padrão era o ouro? É possivel expandir o M2 com uma moeda lastreada em ouro?

  31. “Os mercados nunca precificam o presente; eles sempre miram o futuro. Os preços presentes são apenas os preços futuros descontados. Uma legislação criada para reduzir o comércio global inevitavelmente afetaria os mercados e os preços das ações das empresas. Com um comércio global muito mais restringido, os lucros das empresas exportadoras e importadoras seriam severamente afetados. A Bolsa de Valores apenas antecipou essa queda.”

    O governo Trump está procurando reduzir o comércio global, só que as ações das empresas subiram desde que ele ganhou as eleições, como fica essa questão?

  32. Boa noite Leandro! Mais uma vez parabéns pela clareza nas explicações, excelente texto!

    No entanto, não entendi a parte que fala dos aumentos dos gastos do governo. Nossa experiência intervencionista mais recente no Brasil (Lula e a marolinha), apesar de ter se mostrado catastrófica no longo prazo, teve bons resultados no curto prazo, certo? Não ficou claro para mim no texto em que momento esse aumento de gastos trouxe problemas. Entendo que eram crises diferentes, já que aqui no Brasil esse aumento de gastos veio junto com o aumento na oferta de crédito barato, enquanto lá a população já estava endividada e os juros tinham subido. É por isso a diferença? Desde já agradeço pela costumeira atenção!

  33. O mito de que a Crise de 29 foi causada pelo livre-mercado ainda é popular porque ocorreu nos Estado Unidos, assim como a Crise de 2008. Mas precisa contextualizar a situação para ser honesto em suas declarações.

    Desde de 1913 o fornecimento do dólar era feito exclusivamente pela Reserva Federal (Banco Central) e como foi mostrado nos dados, o aumento da oferta monetária e os juros estavam sendo muito elevados desde a época.

    Se quer ver como um livre-mercado lida com uma crise, é só ver o que o governo americano fez na crise de 1921.

  34. Leandro não sei se vc assitiu a um debate ocorrido numa rádio gaúcha entre o senador Roberto Requião (socialista intervencionista doente) e um vereador Kim Kataguiri. Bem o debate em si não é de grande valia o que me chamou a atenção foi uma versão dada sobre a história americana pós crise de 29 em que segundo Requião fora o Henry Ford quem procurou o presidente americano com a “solução” para a crise alegando que ele aumentaria os salários dos funcionário de suas fabricas. Achei uma história muito descabida e totalmente contrario ao que esse artigo menciona que o presidente americano que obrigou as empresas a não demitir nem baixar salários.

    Gostaria que você comentasse o que este velho senador esquerdoso falou. Se existe alguma fonte sobre a história verdadeira.

    Falei o nome do Leandro porque é um dos mais ativos e sabio nos comentário, mas quem quiser comentar eu agradeço.

  35. O que os senhores tem a dizer sobre este trecho desse site? Sobre como o padrão ouro alimentou a grande depressão…

    http://www.thebalance.com/what-is-the-history-of-the-gold-standard-3306136

    “Uma vez que a Grande Depressão atingiu com toda a força, os países mais uma vez tiveram que abandonar o padrão-ouro. Quando o mercado de ações caiu em 1929 , os investidores começaram a negociar em moedas e commodities . À medida que o preço do ouro aumentava, as pessoas trocavam seus dólares em ouro. Piorou quando os bancos começaram a falhar. As pessoas começaram a acumular ouro porque não confiaram em nenhuma instituição financeira .

    O Federal Reserve manteve o aumento das taxas de juros . Estava tentando tornar os dólares mais valiosos e dissuadir as pessoas de esgotar as reservas de ouro dos EUA. Estas taxas mais elevadas pioraram a Depressão , tornando o custo de fazer negócios mais caro. Muitas empresas faliram, criando níveis recordes de desemprego .

    Em março de 1933, o recém-eleito presidente Roosevelt fechou os bancos. Ele estava respondendo a uma corrida nas reservas de ouro no Federal Reserve Bank de Nova York. Quando os bancos reabriram no dia 13 de março, eles entregaram todo o ouro para a Reserva Federal. Eles não podiam mais resgatar dólares em ouro. Além disso, ninguém poderia exportar ouro.

    Em 5 de abril, o FDR ordenou que os americanos transformassem seu ouro em troca de dólares. Ele fez isso para proibir o acúmulo de ouro e a redenção de ouro por outros países. Isso criou as reservas de ouro no Fort Knox . Os Estados Unidos logo mantiveram a maior oferta de ouro do mundo. (Fonte: ” The Rise and Fall of the Gold Standard nos Estados Unidos , Instituto Cato, 20 de junho de 2013.)

    Em 30 de janeiro de 1934, a Lei da Reserva do Ouro proibia a propriedade privada do ouro, exceto sob licença.

    Permitiu que o governo pague suas dívidas em dólares e não em ouro. Ele autorizou o FDR a desvalorizar o dólar do ouro em 40%. Ele fez isso aumentando o preço do ouro, que foi de US $ 20,67 por onça por 100 anos, para US $ 35 por onça. As reservas de ouro do governo aumentaram em valor de US $ 4,033 bilhões para US $ 7,348 bilhões. Isso efetivamente desvalorizou o dólar em 60%. (Fontes: “Como Franklin Roosevelt terminou secretamente o padrão de ouro”, Bloomberg, 21 de março de 2013. ” Política de ouro na década de 1930 ,” FEE.org .)

    A Depressão terminou em 1939. Isso permitiu que os países voltassem para um padrão ouro modificado.

    O Acordo de Bretton Woods de 1944 estabeleceu o valor de troca para todas as moedas em termos de ouro. Ele obrigou os países membros a converter as participações oficiais estrangeiras de suas moedas em ouro nesses valores par . O ouro foi ajustado em US $ 35 por onça. Para mais informações, veja Gold Price History .

    Os Estados Unidos detém a maior parte do ouro mundial. Como resultado, a maioria dos países simplesmente fixou o valor de sua moeda ao dólar em vez do ouro. Os bancos centrais mantêm taxas de câmbio fixas entre suas moedas e o dólar. Eles fizeram isso comprando a moeda do próprio país em mercados de câmbio se sua moeda se tornasse muito baixa em relação ao dólar. Se fosse muito alto, eles imprimiriam mais de sua moeda e venderiam. Para mais informações sobre como isso funciona, veja Peg to the Dollar .

    Como resultado, a maioria dos países já não precisava trocar sua moeda pelo ouro. O dólar a substituiu. Como resultado, o valor do dólar aumentou mesmo que o valor em ouro permaneceu o mesmo. Isso fez com que o dólar dos EUA fosse a moeda mundial de fato . (Fonte: “História do ouro”, Associação Nacional de Minas).”

  36. Um pergunta. O artigo diz que durante do Governo Coolidge houve uma expansão árdua de um crédito farto e barato. A consequência disso poderia ser inflação de preços. Mas pelo o que diz o Trading economics, a inflação não passou de 5%. A deflação posterior poderia ser explicada por falta de consumo em consequência da crise e aumento dos preços…qual foi o efeito da expansão monetária já que não foi inflação? Já que inflação é o ponto principal levantada pela Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos.

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/united-states-inflation-cpi.png?s=cpi+yoy&v=201802141403v&lang=all&d1=19250226&d2=19350226

  37. O que tirou os EUA da depressão? Se disser Segunda Guerra, só estará legitimando a demanda agregada de Keynes. A redução de gastos de Truman teve algo a ver?

  38. É muito importante que exista um artigo bem fundamentado como este. Nas escolas a gente escuta uma história completamente diferente dessa, com fatos distorcidos. Essa distorção claramente passa a falsa imagem de que o estado necessariamente precisa ser o pai de tudo e de todos na sociedade, e que apenas o estado pode resolver todos os problemas, o que é mentira. Parabéns por este artigo e por este site que mostra uma visão totalmente diferente de mundo. Algum dia o Brasil também irá reduzir o peso do estado, e irá adotar políticas mais liberais. Grande abraço

  39. Leigo em Macroeconomia

    Se a expansão do crédito (por causa dos juros baixos do FED) aumentou, por que a inflação não aumentou também? Poderiam me explicar essa dúvida?

  40. Alguém poderia me explicar claramente como crises de superprodução estão equivocadas refutando argumento? segue a logica

    “A crise é gerada Porque os produtos se acumulam sem compradores, posteriormente os preços baixam para os produtos venderem, porém são vendidos a preços muito pouco rentáveis para os produtores, já que o preço de venda foi menor que o custo de produção,isso gera a crise .os produtores têm de parar de produzir porque já há muita oferta e os mesmos não recebem o suficiente pela venda dos seus produtos logo falindo”

  41. Leandro. Os juros baixos do período em questão geraram inflação no preço dos ativos apenas ou também nos preços ao consumidor?

    E outra… caso o fed recorresse ao quantitative easing a bolha especulativa teria durado quanto tempo mais.

    Pelo amor de DEus, não me deixa sem resposta.

  42. Oiii

    parabéns, ótima explicação, eu só queria saber:

    Enquanto nas áreas urbanas o New Deal buscava gerar empregos, por meio das grandes obras de infraestrutura,qual foi a estratégia do governo Roosevelt para a população rural?

    OBRIGADA!

  43. Libertários sequestram o Brasil Escola

    m.brasilescola.uol.com.br/o-que-e/historia/o-que-foi-a-crise-1929.htm

    Rothbard citado… Expansão de crédito como causa aceita…

    Não dou meio ano pros economistas das uniesquinas tirarem o site do ar

  44. é uma pena que nenhum comunista leia este artigo.

    Falam da crise como se entendessem alguma coisa, mas não fazem menos do que a falácia do espantalho.

    A intervenção na economia gera os distúrbios que tanto vemos.

    Com medo do remédio, a doença se torna cada vez mais grave.

  45. Jairdeladomelhorqptras

    Pessoal,

    O trabalho do Leandro é fantástico. Nem dá para imaginar o trabalhão que teve para escrever este artigo. Por outro lado, de forma indireta, conduz a alguma descrença no sistema eleitoral democrático. Roosevelt , que prolongou a depressão com suas intervenções, foi eleito e depois reeleito por mais tres vezes. O sistema demorou até 1946 para uma correção. Bem tardia, estragos já feitos .

    Recordar que a grande depressão foi o gatilho que levou os alemães a escolherem um “grande salvador” . Antes de 1930 o partido nazista era insignificante. Provável que sem a depressão Hitler não fosse eleito chanceler. Sem ele, talvez, a vida de milhoes fosse poupada. Não foi apenas uma depressão econômica mundial. A crise de 1929 e a prolongada depressão, transformou a decada de 1930 na década dos ditadores. E levou a II Guerra Mundial em 1939.

    Abraços

  46. Pessoal,

    Estava observando a explicação neoclássica-ortodoxa para a crise de 1929.

    Eles também discordam da abordagem de superprodução. Em alguns pontos concordam com a abordagem austríaca (condenam as tarifas de importação, o New Deal, e a rigidez dos preços e salários), mas discordam que somente a expansão monetária tenha sido suficiente para gerar todos os investimentos insustentáveis (mallinvestiments.)

    Defendem que o maior problema foi a inação do Fed em permitir encolhimento da base monetária que gerou as falências bancárias (corrida bancária provoca encolhimento da base, que provoca deflação, deflação tornam as dívidas mais pesadas (em termos reais) incentivando a quebradeira. Isso agrava a crise no sistema financeiro, levando mais bancos à falência. As falências minam a confiança e aumentam a própria corrida bancária. Repete-se o ciclo.)

    Ficaria grato se alguém pudesse dar uma olhada e comentar.

    No podcast as críticas a explicação da escola austríaca estão no minuto 11 ao 17).

    open.spotify.com/episode/46iQdQx9bQYrUnhNsyWtKF?si=zLG6N37vQbWSgIXUZzSgOg&utm_source=copy-link

    Artigo:

    economiamainstream.com.br/artigo/a-explicacao-ortodoxa-da-grande-depressao/

  47. Muito obrigado pela explicação.

    Como vc disse, a solução proposta por eles envolve sempre a manipulação da moeda, enquanto o ideal seria medidas suply side.

    Mas se houvesse o socorro aos bancos (como eles demandam abaixo) a situação teria ficado menos pior?

    “Era uma recessão como várias outras na história americana. O problema começou a ficar sério depois que se iniciou um ciclo de falência bancária, quando o Bank of United States decretou falência, em 1930. Era um dos maiores bancos comerciais do país, e isso teve um efeito enorme na confiança em relação ao sistema, baseado em reservas fracionárias.

    A forma de resolver o problema é garantir os depósitos privados nos bancos. Bastava o FED ter socorrido o Bank of United States com uma linha de crédito e anunciado publicamente que faria o mesmo com qualquer outro banco que precisasse de liquidez. Na verdade o Banco Central americano foi criado justamente para esta finalidade, mas ficou de braços cruzados”

  48. Diego Nogueira Rocco

    Estou fazendo um trabalho para a faculdade e me bateu uma dúvida: durante o estouro da bolha (1929) e nos anos seguintes houve deflação de preços. Se a depressão foi causada por uma expansão de crédito, não era para tudo estar mais caro?

  49. Leandro, nas aulas de História o meu professor insiste que a crise foi gerada única e exclusivamente pela “gradativa superprodução de mercadoria” e ao mesmo tempo pela falta de demanda. O artigo deixa claro que existiram outros diversos fatores que colaboraram com o evento, minha duvida é se realmente existiu uma enorme produção de produtos em relação aos consumidores, tem algum artigo que trate sobre esses dados ?

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