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A teoria explica e a empiria comprova: a inflação leva a um aumento do desemprego

Um dos mais discutidos tópicos da macroeconomia
moderna é o suposto trade-off entre
inflação de preços e desemprego: a ideia é que quando há mais inflação, há uma
queda no desemprego; e quando há uma redução na inflação, há um aumento no
desemprego.

A curva de Phillips se
tornou, de certa maneira, o esteio da política monetária moderna desde a década
de 1960, quando os ganhadores do Nobel Paul Samuelson e Robert Solow apresentaram
a curva como se ela fosse um “cardápio” de escolhas politicamente exploráveis:
ou você tem inflação de preços alta e baixo desemprego, ou você tem inflação de
preços baixa e alto desemprego, ou você fica com uma escolha do meio, entre
esses dois extremos.

Bem assim, à
la carte
.

Os economistas Milton Friedman e Edmund Phelps contestaram
essa interpretação ingênua, de modo que, desde então, essa contestação adquiriu
tração e se estabeleceu firmemente no cenário do debate público.  Friedman e Phelps explicaram que esse dilema
entre inflação e desemprego era apenas um fenômeno de curto prazo: quando
políticas monetárias expansionistas — juros artificialmente baixos e crédito
farto — geram uma inesperada inflação de preços, o emprego pode ser estimulado
apenas se os salários aumentarem mais
lentamente
do que todos os outros preços da economia.

Nesse caso, os custos relativos da mão-de-obra diminuem — enquanto as receitas das
empresas ainda estão aumentando — e mais pessoas podem ser empregadas como
consequência.

No longo prazo, no entanto, à medida que as
expectativas quanto à inflação futura vão se ajustando — fazendo com que
trabalhadores e sindicatos exijam reajustes salariais de acordo com as taxas de
inflação –, o efeito positivo da inflação sobre o desemprego deixa de existir.

A verdade é que Friedman e Phelps, longe de terem
feito uma grande descoberta, simplesmente ressuscitaram uma visão que havia
predominado no debate econômico durante um longo período: a ideia de que o
desemprego é um fenômeno que, em última instância, depende de fatores
econômicos reais, como o ambiente político e institucional, especialmente em
relação ao mercado de trabalho. O próprio Ludwig von Mises também tinha essa
visão, sendo que ele apropriadamente rotulava um aumento prolongado no
desemprego de desemprego institucional

Friedman e Phelps, no entanto, não negavam os
possíveis efeitos positivos de curto prazo da política monetária. Só que essa
concessão deles gerava um inevitável problema fundamental: se pensarmos que o
longo prazo é apenas uma sequência de consecutivos curtos prazos, e se
assumirmos que é possível haver consequências positivas no curto prazo, então
evidentemente temos de concluir que haverá melhorias também no longo prazo.

Mais ainda: dado que ambos diziam que políticas
monetárias expansionistas possuem um efeito neutro no longo prazo — e geram
efeitos positivos no curto prazo –, então, pela lógica, ambos deveriam
concluir que o efeito final de uma política monetária expansionista será
benéfico. Afinal, tem-se um efeito positivo no curto prazo e neutro no longo
prazo.

A questão, portanto, é: será que políticas
monetárias expansionistas realmente são neutras no longo prazo?

Há boas razões para se duvidar disso.

As
consequências da inflação sobre o desemprego no longo prazo

O interessante é que foi o próprio Friedman, em seu
discurso ao receber o Nobel de economia, quem demonstrou algum descontentamento
com suas obras anteriores sobre inflação de preços e desemprego. Ele disse que
as pesquisas sobre a validade da curva de Phillips teriam de entrar em uma
terceira fase, na qual um elo positivo entre inflação e desemprego teria de ser
explorado. Ele também enfatizou que o processo político também teria de ser
incorporado na análise.

Esse projeto de
pesquisa, no entanto, não foi levado adiante.

Mas os dados empíricos também fornecem motivos para
crer que há um elo positivo entre a inflação de preços e o desemprego de longo
prazo. A série temporal suavizada para Alemanha, França, Reino Unido e EUA,
durante a segunda metade do século XX (quando as políticas monetárias destes
países eram “normais”, ao
contrário de hoje
), mostram o mesmo padrão: primeiro a inflação de preços
aumenta; depois, com um atraso, a taxa de desemprego também sobe.

israel1.jpg

________________

Nota
do editor:

No Brasil, o mesmo fenômeno pode ser observado de
maneira ainda mais evidente.

Como os dados para o desemprego da PNAD contínua só
começaram a ser divulgados em janeiro de 2012, temos uma série temporal bem
menor. Mas o suficiente para notar algumas correlações:

ipca2.png

IPCA
acumulado em 12 meses a partir de 2012

desemprego.png

Evolução
da taxa de desemprego mensurada pela PNAD. (Os dados disponíveis começam apenas
em 2012)

A explicação de por que um aumento da inflação acaba
por levar a um aumento do desemprego é direta: quando um empreendedor faz um
investimento voltado para o longo prazo, o mínimo que ele tem de saber é como
será o poder de compra da moeda no futuro. Sem isso, se ele não tem ideia de
quanto valerá a moeda lá no futuro, ele não consegue estimar quais serão são
custos e suas receitas.  Consequentemente, não conseguirá nem sequer
estimar se terá lucro ou prejuízo. 

Planejar para o longo prazo tendo em mente uma
inflação futura de 3% ao ano é totalmente diferente de planejar tendo em mente
uma inflação futura de 10% ao ano.  Os tipos de investimentos que são
lucrativos em cada um desses cenários são totalmente distintos.

Se você prevê uma inflação continuamente alta no
futuro, então você irá se concentrar em projetos de curto prazo; projetos que
visam ao futuro mais imediato.  Você não irá fabricar máquinas e
equipamentos; não irá ampliar suas instalações industriais.  Você irá se
dedicar a fabricar pirulitos e chicletes, que dão retorno mais imediato. 
Com inflação em alta, fazer investimento de longo prazo torna-se extremamente
arriscado. 

No mais, nesse cenário, a maior preocupação de
investidores e empreendedores passa a ser a de se proteger da perda do poder de
compra da moeda.  Torna-se mais sensato dedicar mais tempo especulando no
mercado financeiro e comprando títulos do governo indexados pela
inflação.  Consequentemente, os investimentos caem; e com investimentos em
queda, o desemprego sobe.

Inflação de preços em alta, portanto, inibe
investimentos produtivos e, com isso, afeta o crescimento econômico e,
consequentemente, o emprego.

fbcf.png

Evolução
da formação bruta de capital fixo no Brasil. Os investimentos estão em
contração desde o segundo trimestre de 2013

Acreditar que inflação estimula o emprego é o
equivalente a dizer: “Puxa, ano que vem meu custo de vida estará 10%
maior.  Exatamente por isso vou contratar uma faxineira, uma cozinheira,
um motorista e um professor particular para meus filhos”.

Tem lógica?

Toda a relação entre expansão do crédito, atividade
econômica e desemprego para o Brasil foi explicitada em detalhes neste artigo.

_______________________

As
instituições políticas mudam em decorrência da inflação

No entanto, mesmo que uma alta inflação gerada por
uma política monetária expansionista culmine em um alto desemprego, ainda assim
não é possível deduzir que haja uma conexão inevitável entre inflação alta hoje e um alto desemprego permanente.

Mesmo uma profunda crise econômica irá acabar em um
determinado momento, de modo que o desemprego, em tese, teria de voltar ao
nível anterior. Sendo assim, a pura teoria econômica, embora seja capaz de
explicar a relação entre inflação e desemprego para um determinado período de
tempo, não basta para explicar a permanência de um desemprego alto por um longo período de tempo.

Para isso, é necessário recorrermos a uma teoria
política. Mais especificamente, a uma teoria sobre como as instituições
políticas reagem a um aumento do desemprego.

Quando uma política econômica culmina em um aumento
do desemprego — aumentando, por conseguinte, a disparidade de renda e a
divisão social entre pobres e ricos –, políticos se vêem compelidos a remediar
esse estrago. Logo, as consequências não-previstas de uma expansão monetária
inflacionista — ou seja, o desemprego e a disparidade de renda — criam
incentivos para novas intervenções políticas na economia.

Especificamente, para tentar remediar o problema do
desemprego e as disparidades sociais criadas por ele, políticos intensificam
programas sociais, como seguro-desemprego e abono salarial, e também aumentam
impostos (majoritariamente para financiar os maiores gastos sociais do
governo).

Adicionalmente, novas e mais intrusivas
regulamentações no mercado de trabalho — visando a proteger os empregos
remanescentes — são implantadas.  Aumento
do salário mínimo
e programas
de proteção ao emprego
são os exemplos mais comuns.

Essas medidas bem-intencionadas geram, obviamente,
múltiplos efeitos. Porém, no que diz respeito ao nível geral do emprego, elas
são danosas. Aumentar os custos (aumento do salário mínimo), as
responsabilidades e as obrigações dos empregadores em relação aos seus
empregados diminui os incentivos para se contratar mais pessoas. Isso é uma
relação óbvia: se algo ficou mais caro (contratar pessoas), então uma menor
quantidade desse algo será demandada.

É impossível criar mais emprego quando se adotam
políticas que visam exatamente a onerar o empregador.

Adicionalmente, mais gastos sociais, especialmente com
seguro-desemprego, podem desestimular pessoas a ativamente procurarem algum
emprego.

Todas essas medidas, em conjunto, acabam por aumentar
a desocupação.

Assim, acrescentando uma análise política à análise
econômica, e seguindo-se a tese de Ludwig von Mises sobre a espiral
intervencionista — o governo recorre a novas intervenções para tentar remediar
os efeitos negativos das intervenções anteriores — , torna-se possível
explicar o elo entre inflação de preços e desemprego de longo prazo.

Conclusão

A expansão monetária e do crédito, estimulada pelo
governo com o intuito de aumentar a atividade econômica, gera inflação de
preços. Inflação de preços causa desarranjos na economia, como redução da
previsibilidade e aumento da desconfiança dos investidores. Tudo isso gera
redução nos investimentos. Redução nos investimentos gera aumento do
desemprego. E aumento do desemprego gera aumentos dos gastos sociais do
governo, bem como novas intervenções no mercado de trabalho, as quais encarecem
artificialmente a mão-de-obra.

Foi a intervenção inicial do governo — redução artificial
dos juros para estimular a expansão do crédito — o que causou a inflação de
preços. E foram as novas intervenções do governo para remediar as consequências
não-previstas da expansão do crédito — o desemprego — o que tornou o mercado
de trabalho menos flexível, levando ao desemprego institucional.

No entanto, a relação entre as duas variáveis —
inflação de preços e aumento do desemprego no longo prazo — não é nem direta e
nem necessária, mas sim historicamente casual. Não se trata de um postulado a
priori da teoria econômica.

Como corretamente sugeriu Milton Friedman, a relação
é dependente das decisões políticas. E cabe à política aboli-la.

 

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55 comentários em “A teoria explica e a empiria comprova: a inflação leva a um aumento do desemprego”

  1. A curva de Phillips se tornou, de certa maneira, o esteio da política monetária moderna desde a década de 1960, quando os ganhadores do Nobel Paul Samuelson e Robert Solow apresentaram a curva como se ela fosse um “cardápio” de escolhas politicamente exploráveis: ou você tem inflação de preços alta e baixo desemprego, ou você tem inflação de preços baixa e alto desemprego, ou você fica com uma escolha do meio, entre esses dois extremos.

    Acreditar que inflação estimula o emprego é o equivalente a dizer: “Puxa, ano que vem meu custo de vida estará 10% maior. Exatamente por isso vou contratar uma faxineira, uma cozinheira, um motorista e um professor particular para meus filhos”.

    Tem lógica?

    É isso mesmo? Uma tese popularizada por dois ganhadores de Nobel pode ser desmentida de tal forma que até um estudante secundarista pode entender?

    Algum economista de verdade poderia me responder estas perguntas?

    Como podem teses tão furadas serem aceitas pelo mainstream econômico? Por acadêmicos que, teoricamente, deveriam ser especialistas nesta área!

    É seguro dizer que a maioria dos economistas atuais não passa de astrólogos, pseudo cientistas, salvo honrosas exceções?

    Entendo que acadêmicos tendem a defender políticas a favor de planejamento central e controles governamentais, mas por que eles não são ridicularizados na academia por defenderem teorias tão estapafúrdias? A academia é tão ineficiente assim para se livrar das maçãs podres, das ideias erradas?

    Quais os principais obstáculos para a adoção de análises praxeológicas em detrimento de torturas estatísticas?

  2. Com tamanho desemprego, estamos prestes a ver uma correção salarial brutal no mercado de trabalho, com muita disponibilidade de mão de obra qualificada e barata e alguma recuperação econômica, será a vez das empresas surfarem a onda de baixos salários.

  3. Capitalista Keynes

    Tenho ideias contrárias as esses site, mas não se pode negar que o Estado não pode maquiar o que a matemática mostra …não há milagres…estimular crédito é ilusão ,aumenta drasticamente o endividamento das famílias que em um certo ponto não podem mais consumir ,aí o consumo cai,a indústria não produz pois não há mais consumo,e volta tudo como antes…desemprego. Parece cachorro correndo atrás do próprio rabo.

  4. Só existe inflação porque o dinheiro existe.

    Só existe dinheiro porque existe trocas do capital.

    Só existe trocas do capital porque o homem quer trabalhar.

    Só existe emprego porque o capitalismo existe.

    Só existe capitalismo, Porque o homem se deixa escravizar, ao que ele julga troca voluntária.

    Tudo no fundo trata-se de manter o homem viciado em seus prazeres de compra, para que ele ache moral este sistema.

    Mas todos sabemos a troca voluntária é imoral, pois não foi devidamente julgada por seres que sabem mais do nós.

    Em um mundo livre, não existiria dinheiro.

    Em um mundo livre, não existiria emprego.

    Em um mundo livre, não existiria capitalismo.

    Só não existe capitalismo, porque o homem se deixou vencer pelos seus vícios.

    O homem escolheu a garrafa de coca-cola em vez da leitura de um poema.

  5. Silvio Vasconcelos

    A famosa crença na Curva de Phillips clássica: ruim não é ter gente que acredita nisso; ruim é ter entregue a economia a pessoas com essa crença.

  6. A diferença crucial, acredito eu, é que no Brasil o mercado de trabalho já era engessado, bastava uma crise, onde os salários caem e o desemprego pode subir, para termos um desemprego mais persistente. Impingir maiores salários mínimos ou colocar mais leis trabalhistas não teria espaço, já foi ocupado.

    Simplesmente não da pra culpar a ”desregulamentação do trabalho” pelo desemprego.

    Seria interessante ver a velocidade de recuperação do emprego em locais onde a fiscalização é mais forte, e em outros, onde ela é em partes ignorada. Por mais que exista CLT- Carteira assinada, etc.. Acho que só uma parte (que desconheço), no país, segue ela

  7. o trecho “Torna-se mais sensato dedicar mais tempo especulando no mercado financeiro e comprando títulos do governo indexados pela inflação. Consequentemente, os investimentos caem; e com investimentos em queda, o desemprego sobe” me levanta uma dúvida:

    Quando o mercado financeiro é atrativo não dá pra imaginar que 100% dos recursos irão apenas pro governo e especulações. Esse influxo de $$ no setor não seria um investimento tb? Afinal se as empresas e os empresários estão captando recursos eles irão produzir.

  8. Sei que não tem necessariamente a ver com o tópico do artigo(excelente por sinal) e peço desculpas de antemão, mas gostaria de deixar minha sugestão aqui, acho que seria muito legal um artigo explicando, por exemplo, a crise no RJ, eu moro aqui no Rio e não to entendendo nada de porquê o estado não tem dinheiro pra pagar mais nada, se aqui não tem dinheiro porque o resto dos estados ainda tem? Conheço o site há pouco tempo, alguém pode me dar sugestões de leitura pra entender melhor esse momento? Obrigado.

  9. Tem que mudar essa constituição socialista para uma que o estado seja mínimo somente segurança para o estado manter, as demais áreas tudo privatizado!

  10. O artigo é excelente, mas não podemos esquecer do mundo real.

    A realidade mostra que muitos empresários exigem proteção, o povo quer crédito, os partidos querem doações de lobistas, o povo quer usar o dinheiro do governo, os políticos precisam mentir, a mídia precisa ganhar dinheiro do governo, as pessoas sempre irão defender seu trabalho, as pessoas querem bolsas, os estudantes querem universidades, os policiais querem prender bandidos, etc. A vida em sociedade virou uma disputa de interesses privados, populistas e generalistas.

    A vida real mostra devemos sabotar tudo que está ligado ao governo. O governo é o maior destruidor da igualdade perante as leis, oferecendo todas as tetas e mamatas possíveis, como se fosse a maior máfia do mundo. A vida real criou uma máfia governamental para atender interesses.

    Enfim, não use a moeda do governo !!!!!!!!!!!!

  11. Não acho que sejam totalmente inválidas as constatações no âmbito da curva de Phillips. Ela tem dificuldades, sim, para explicar fenômenos como a estagflação (assim como Keynes também não tem resposta pra isso). Mas e o que dizer das modificações da curva de Phillips? E a Lei de Okun? E a função de demanda agregada que relaciona, ao invés de inflação e desemprego, a taxa de crescimento da moeda com o desvio do desemprego de sua taxa natural? Essas modificações não invalidam totalmente a curva de Phillips, pelo menos em sua relação básica. Não dá pra bater tanto assim na teoria, a ponto de fazê-la parecer uma coisa idiota e inválida. Ela tem seu mérito.

  12. O MESMO de SEMPRE

    Demorei a encontrar uma explicação bem simples para o desemprego quando há INFLAÇÃO de MOEDA com consequente INFLAÇÃO de PREÇOS.

    Primeiramente temos que perceber que a “fabricação” de dinheiro por um agente qualquer tem como consequência o mero CONSUMO sem nenhuma contrapartida. Ou seja, se alguém “fabrica” dinheiro, este alguém irá CONSUMIR sem DAR NADA EM TROCA. Logo, “fabricar” dinheiro é o mesmo que ROUBAR bens e serviços oferecidos no mercado.

    Afinal, o dinheiro não é um bem e tão pouco seu valor é o que esta estampado em sua face. Sim, o único valor do dinheiro é o “serviço” que este presta na FACILITAÇÃO das TROCAS entre bens e serviços úteis. Portanto o dinheiro é mais um serviços do que um bem material. Assim, seu valor não está na sua matéria, mas no serviço que presta diretamente. Ninguém quer dinheiro para comer, morar em baixo ou andar em cima; apenas o deseja para TROCA-LO por bens e serviços que deseja consumir. Percebemos assim que não se consome o dinheiro, mas apenas dele nos valemos para facilitar a troca pelo que EFETIVAMENTE DESEJAMOS CONSUMIR.

    Isso posto, não é dificil perceber que quando o governo “fabrica” dinheiro, o faz para consumir bens e serviços disponibilizados pela sociedade produtiva. Como todo o dinehiro nas mãos dos produtores é decorrente e correspondente àquilo que este produziu – bens e/ou serviços – teremos que haverá um equilibrio entre quantidade de dinheiro e quantidade de bens e serviços disponíveis para as trocas. Se alguém “fabrica” dinheiro estará oferecendo o dinheiro, em seu valor de face, em troca dos bens e serviços que deseja. Ou seja, esta EXPROPRIANDO os produtores através de um característico golpe de ESTELIONATO. Pois está oferecendo um dinheiro SEM LASTRO algum, que não foi obtido em troca de qualquer bem ou serviços disponibilizado, mas sim valendo-se de uma FRAUDE para obter bens e serviços. Como se oferecendo um dinheiro falso ou ilegal em troca de bens e serviços disponíveis para consumo.

    Sendo assim, percebemos que os detentores de moeda adquirida em trocas por bens e/ou serviços oferecidos terão sua capacidade de consumir diminuida por uma fraude: se recebedores de “dinheiro fabricado” fornecem bens e serviços em troca de um dinheiro que não corresponde a qualquer bem ou serviço trocado, É EVIDENTE QUE NÃO HAVERÁ BENS E SERVIÇOS ACRESCIDOS AO MERCADO e, desta forma, esse excedente de moeda irá sobrar no mercado. Ou seja, uma vez que o dinheiro circule vai FALTAR MERCADORIA para a quantidade de dinheiro em excesso. Daí que para não haver demanda sem oferta (mais dinheiro do que bens e serviços disponíveis) a tendência é que os preços subam para equilibrar a quantidade de moeda com a quantidade de consumíveis. Com isso os PRODUTORES que já trocaram seus bens e serviços por dinheiro não conseguirão consumir um valor correspondente à moeda recebia no momento da troca. Ou seja, será como se roubados em parte do montante de moeda recebido.

    Como o dinheiro “fabricado” e trocado faz com que os produtores que o recebem em troca do que produziram possam consumir menos no mercado, isso resulta em obter MENOS INSUMOS para sua produção. Evidentemente que uma menor produção acontecerá em decorrência disso e o ganho em escala será diminuído, podendo assim torna-se desprezível ou mesmo um prejuízo.

    Percebemos então uma contradição:

    – o exesso de dinheiro decorrente da introdução de dinheiro fabricado (falso e excedente) leva a uma demanda maior por bens e serviços de consumo final.

    – ao mesmo tempo reduz a capacidade dos produtores em adquirir bens de consumo e até mesmo insumos para sua produção.

    Tal fato é injusto, pois os consumidores ÚTEIS (que produzem para consumo) consumirão menos – terão sua renda diminuida pela escassez de bens e serviços para consumo – e até mesmo terão menor capacidade de adquirir insumos.

    A pressão no comércio pelo excesso de dinheiro leva a uma deficiência de oferta ou a elevação dos preços para tentar um equilibrio entre quantidade de moeda e de bens e serviços.

    Isso resolve a contradição. Pois esse aumento de preços (exigência de maior quiantidade de dinheiro em troca dos bens e serviços) repõe a capacidade de consumo dos produtores. A elevação de preços só se dá pelo excesso de moeda falsa (sem lastro) que permite consumo sem o fornecimento de uma contrapartida, mas jamais repõe integralmente as perdas dos produtores úteis. O que impede um correspondente aumento de produção não só pela escassez de tempo para investimentos darem seus frutos, mas também pela própria escassez de recursos para a aquisição dos insumos para investimento e produção.

    Ou seja, o excesso de moeda decorrente da fabricação de dinheiro eleva os preços para equilibrar a demanda com a oferta. Contudo, há também uma elevação de preços para a obtenção de recursos com a finalidade de adquirir insumos para investimento e produção.

    Ou seja, uma maior demanda de insumos para atender o aumento da demanda por bens e serviços – decorrente do excesso de moeda – ocorrendo em conjunto com a diminuição da capacidade de consumo dos produtores devido o consumo não oferecer contrapartida (lastro) em bens e serviços.

    O fato é que a fabricação de dinheiro cria consumidores que NADA PRODUZEM de ÚTIL e isso diminui a quantidade de bens disponíveis para os produtores: um empobrecimento da sociedade produtiva.

    Esse empobrecimento dos produtores em benefício de consumidores PARASÍTICOS (Estado/governo) resultará, após algum tempo de “fabricação” de dinheiro, em necessidade de REDUÇÃO da PRODUÇÃO a fim de permitir um aumento de preços capaz de REPOR as perdas dos produtores, então cada vez mais empobrecidos pelo consumo dos parasitas.

    Quanto mais dinheiro falso é fabricado pelo governo (Estado) mais pobres ficam os produtoresde bens e serviços úteis. Esse EMPOBRECIMENTO dos PRODUTORES implica em redução da produção com a finalidade de desvalorizar a moeda falsa em niveis que lhes permita consumir. É o CACHORRO CORRENDO ATRAS do RABO.

    O Estado não admite reduzir seu consumo individual e acaba por oferecer ainda menos bens e serviços à população produtiva. Esta, sociedade produtiva ÚTIL, tendo sido empobrecida em sua capacidade de consumo dos próprios bens e serviços se verá então ainda mais empobrecida pela menor oferta de bens e serviços por parte do estado. Com isso tende a tentar recuperar parte do que foi expropriado – via a fraude do dinheiro sem lastro – aumentando preços do que produz, mas como está demasiado empobrecida não é capaz de consumir e para não ver sobrar seus produtos passa a REDUZIR a PRODUÇÃO compatibilizando-a com a demanda.

    Parece contraditório, mas decorre do fato que o empobrecimento dos produtores pela expropriação via dinheiro falso não é diferente da expropriação via tributos.

    Tanto os IMPOSTOS como a “FABRICAÇÃO” de DINHEIRO EMPOBRECEM os PRODUTORES de BENS e SERVIÇOS ÚTEIS.

    A RECESSÃO decorre da ELEVAÇÃO dos CUSTOS de PRODUÇÃO. Num primeiro momento os produtores assimilam PREJUIZO ao serem expropriados num montante maior que seus lucros. Isso diminui sua capacidade de consumir e são forçados a produzir menos, uma vez que O AUMENTO dos PREÇOS para COBRIR a ELEVAÇÃO de CUSTO NÃO ENCONTRA CONSUMIDORES DENTRE OS PRODUTORES, devendo então haver uma REDUÇÃO da PRODUÇÃO a fim de não haver sobras.

    INFLAÇÃO de PREÇOS decorre do excesso de moeda sem lastro (não obtida em troca de bens e/ou serviços).

    Como visto anteriormente essa corrida do cachorre atras do próprio rabo leva a que o governo (Estado) reduza os porcos e raros serviços que presta à sociedade, EMPOBRECENDO-A AINDA MAIS. Ao mesmo tempo que tenta mais expropria-la e assim elevando os custos de produção (como na recessão).

    Ou seja, a INFLAÇÃO de MOEDA sempre se fará acompanhar da RECESSÃO que nada é senão uma INFLAÇÃO de CUSTOS. Seja custos pela propria pressão da moeda que eleva preços ou seja pela necessidade de redução da produção que permite maior elevação de preços.

    …e eu tentei ser breve e acabei nem sendo breve, nem tão claro quanto pretendia.

    Em resumo o que ocorre é que INFLAÇÃO de moeda sempre implica em subsequente RECESSÃO por aumento de custos. Custos se elevam pelo empobrecimento dos produtores que ficam impedidos de consumir e de investir no aumento da produção e não apenas na elevação dos preços dos insumos. Alguns produtos nao serão consumido devido o empobrecimento e isso alimentará desemprego.

    Ou seja, enquanto alguns ligados à CÚPULA ESTATAL consumirão à vontade, todo o resto da sociedade, sobretudo a sociedade que VIVE do TRABALHO e NÃO DO PODER, se verá empobrecida pois rnecend bens e serviços úteis em troca de dinheiro falso (não decorrente da produção).

    Conordo que tenho que tentar melhorar a didática . :-((

  13. Nos gráficos é a desinflação que coincide com o aumento no desemprego.

    O jeito garantido de curar uma inflação alta sem ter desemprego é por reforma monetária. É como tratar alcoolismo com transfusões de sangue.

  14. Acusador Intolerante

    gostaria de saber dos articulistas e dos participantes o que acham da nova lei de Parceria que será aplicada aos salões de beleza, no lugar de contratar funcionário, o dono do salão faz o contrato de parceria e evita uma relação trabalhista, metade do ganho fica com o dono do salão e metade fica com o profissional

  15. Primeiramente, eu adoro ver uma boa teoria comprovada pela empiria. ?

    Mas falando em longo-prazo, Milton Friedman, etc., não tem aqui no site algum artigo que conte a história de como foi o surgimento do keynesianismo em forma de medidas políticas de curto prazo para corrigir essas “distorções do livre mercado e do capitalismo”, passando por sua morte no início da década de 70 (causado principalmente pela crise e a alta dos preços do petróleo) até o surgimento neoliberalismo de Friedman?

    Eu tenho algumas anotações de um vídeo que vi no Youtube há algum tempo atrás (a criatura vai e anota qualquer coisa, menos o título do vídeo) e que diz que as políticas keynesianas para equilibrar esses trade-offs entre inflação de preços e desemprego, através do controle da demanda agregada ou global (D = C + I + G + Ex) era mais ou menos assim:

    A) Em caso de inflação de preços alta, o governo deveria intervir na economia para diminuir a demanda agregada (D): 1) diminuindo-se a disposição das famílias para consumir (C), através do aumento de impostos diretos; 2) diminuindo-se a propensão dos empreendedores para investir (I), através do aumento da taxa de juros; 3) diminuindo-se os gastos públicos (G); 4) e valorizando-se o câmbio para diminuir as exportações (Ex).

    B) Em caso de desemprego alto, o governo deveria intervir na economia para aumentar a demanda agregada (D): 1) aumentando-se a disposição das famílias para consumir (C), através da diminuição de impostos diretos; 2) aumentando-se a propensão dos empreendedores para investir (I), através da diminuição da taxa de juros; 3) aumentando-se os gastos públicos (G); 4) e desvalorizando-se o câmbio, para aumentar as exportações (Ex).

    Aí então, no início da década de 70, os dois problemas (inflação e desemprego) começaram a permanecer simultaneamente — dando origem então ao termo estagflação — as políticas keynesianas não tinham mais como serem aplicadas, e a teoria de Keynes morre em 1973.

    Surge então a reforma neoliberal de Friedman (monetarista e neoquantitaviva de Chicago), estabelecendo o “livre mercado”. E por aí vai…

    Não sei se foi assim que aconteceu, por isso gostaria de confirmar se a história contada assim tem algo de verdadeiro. Ou se tem algum artigo aqui sobre isto.

  16. Essa exposição procede?

    Lição 1: Em um sistema econômico, o que se gasta é exatamente o que se ganha

    Para simplificar ao máximo o argumento, vamos desconsiderar o setor externo, as transferências do governo, bem como supor que todo o gasto público consiste em consumo e que não há variações de estoques. Ressaltamos que o argumento é valido mesmo sem essas simplificações.

    Temos então que o produto (PIB) (Y), pela ótica da renda, é igual à soma da massa salarial, deduzidos os impostos (W), da massa de lucros, também deduzidos os impostos (P), e do total de impostos arrecadados (T). Pela ótica da demanda, o produto é igual à soma do consumo das famílias (C), do investimento (I) e do consumo do governo (G) . Por definição, essas duas somas tem de ser iguais. Temos então:

    Y = W + P + T = C + I + G

    Produto = Renda = Demanda

    O que o setor privado "ganha", no caso, é a soma dos salários e lucros (W+P), e o que o governo "ganha" é o montante de impostos (T). O que o setor privado gasta, por sua vez, corresponde ao consumo mais o investimento (C+I), enquanto que o gasto do governo é o próprio G. Fazendo poucas passagens algébricas a partir da equação acima, chegamos à seguinte expressão para o superávit do setor privado:

    (W + P) – (C + I) = G – T

    Como (G – T) é o próprio déficit público, isso pode ser escrito, alternativamente:

    Superávit do setor privado = déficit público

    Isso significa que quando o orçamento do governo é superavitário, o setor privado ganha menos do que gasta, e quando o orçamento do governo é deficitário, o setor privado ganha mais do que gasta. Assim, para que seja possível que o setor privado (o conjunto de empresas e famílias em um sistema econômico) ganhe mais do que gasta, é necessário que o governo gaste mais do que ganha.

    A possibilidade de ganhar mais do que se gasta só existe para o indivíduo na suposição de que a sua renda está dada e o indivíduo escolhe o quanto gasta. Entretanto, no agregado, a renda e o gasto são iguais. Sendo assim, num sistema econômico considerado como um todo, não é possível que todos os agentes ganhem mais do que gastam, simplesmente porque, no agregado, o que se ganha é exatamente igual ao que se gasta. Com isso, vemos que é impossível que o setor privado e o setor público sejam superavitários ao mesmo tempo.

  17. Há um livro de um austríaco – Adrián Ravier – sobre “curva de Phillips”:

    unioneditorial.net/nueva-biblioteca-de-la-libertad?page=shop.product_details&flypage=flypage.tpl&product_id=68&category_id=7&manufacturer_id=155

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