Por que muitos alunos acreditam merecer notas boas por um trabalho (escolar ou acadêmico) em que gastaram muito tempo fazendo? Para eles, o parâmetro não está na qualidade do trabalho, mas sim no total de horas empenhadas em sua consecução.
Essa confusão fundamental sobre o valor do trabalho é o cerne da crítica marxista ao capitalismo.
O centro de tudo
Por milhares de anos, os seres humanos acreditaram que a terra era o centro do universo, e que o sol girava em torno dela. Com o advento das pesquisas sistemáticas, os cientistas passaram a desenvolver explicações crescentemente complexas sobre o porquê de suas observações do universo não baterem com essa hipótese. Quando Copérnico e outros ofereceram uma explicação alternativa que realmente era capaz de explicar os fatos observados, e o fizeram de maneira clara e concisa, o modelo heliocêntrico triunfou. A revolução copernicana mudou a ciência para sempre.
Nas ciências econômicas, há uma história similar. Por centenas de anos, vários economistas acreditaram que o valor de um bem dependia do custo de se produzi-lo. Em particular, vários seguiam a ‘teoria do valor-trabalho’, segundo a qual o valor de um bem era determinado pela “quantidade de trabalho socialmente necessário” para a sua fabricação.
Por exemplo, se a produção de um par de sapatos consumiu quatro horas de trabalho, e se são necessárias duas horas de trabalho para preparar e assar um bolo, então a “taxa de câmbio” justa entre essas duas mercadorias deveria ser a de um par de sapatos por dois bolos. Dessa maneira, esses dois bens seriam trocados a uma taxa que representa quantidades comparáveis do tempo de trabalho gasto para produzi-los.
Assim como a visão geocêntrica do universo, a teoria do valor-trabalho tinha, superficialmente, alguma plausibilidade — afinal, com alguma freqüência, bens que demandam mais trabalho para ser produzidos possuem mais valor.
No entanto, assim como a história da astronomia, a teoria foi se tornando cada vez mais complicada à medida que tentava explicar algumas objeções óbvias. Por exemplo, um homem pode gastar centenas de horas fazendo sorvetes de lama ou cavando buracos, mas se ninguém atribuir qualquer serventia a estes sorvetes de lama ou a estes buracos — e, portanto, não os valorizar o suficiente para pagar alguma coisa por eles –, então tais produtos não têm nenhum valor, não obstante as centenas de horas gastas em sua fabricação.
Começando na década de 1870, a ciência econômica vivenciou a sua própria versão da revolução copernicana, uma vez que a teoria do valor subjetivo se tornou a explicação preferida para o valor dos bens e serviços.
Como será demonstrado mais abaixo, o valor de um bem não deriva da quantidade de trabalho despendida em sua fabricação. O valor de um bem é subjetivo: depende do uso e do grau de importância pessoal (subjetiva) que alguém confere a ele (seja uma mercadoria ou um serviço). Se o bem servir para algum fim ou propósito, então terá valor para ao menos uma pessoa.
Hoje, a teoria do valor-trabalho possui apenas um minúsculo número de seguidores entre os economistas profissionais, mas permanece extremamente popular em outras disciplinas acadêmicas, quando elas resolvem discutir assuntos econômicos. Permanece também bastante popular entre o público em geral. (Entre os estudantes, a teoria do valor-trabalho, como observado acima, é extremamente popular para balizar notas de monografias acadêmicas e trabalhos escolares).
O fantasma de Karl Marx (e de Adam Smith)
Um dos motivos de a teoria do valor-trabalho ainda ser a explicação favorita de várias outras disciplinas se deve ao fato de elas recorrerem ao mais famoso defensor desta teoria para utilizá-lo como base de seus estudos econômicos: Karl Marx.
Mas Marx não foi o único economista a seguir esta teoria. Tampouco a teoria do valor-trabalho era adotada exclusivamente por socialistas. Adam Smith também acreditava em uma versão mais branda desta teoria.
Para Marx, a teoria do valor-trabalho estava no centro de sua visão a respeito dos problemas do capitalismo. O argumento de que o capitalismo explorava os trabalhadores dependia crucialmente da ideia de que o trabalho era a fonte de todo o valor, e que, consequentemente, os lucros dos capitalistas eram “tomados” dos trabalhadores, que mereciam ficar com o valor daquilo que produziram.
Se o trabalho de um operário produziu três pares de sapatos durante uma jornada de trabalho de doze horas, então, para Marx, o trabalhador tem o direito ao valor destes três pares de sapatos produzidos pelo seu trabalho. Contudo, o capitalista que contratou o trabalhador não lhe paga um salário igual ao valor dos três pares de sapatos que este produziu. Isso ocorre, segundo Marx, simplesmente porque o capitalista é o proprietário da fábrica e das máquinas (a fábrica e as máquinas são a propriedade privada que o trabalhador utilizou para produzir esses sapatos).
O empregador paga ao trabalhador um salário somente igual a, digamos, dois pares de sapatos, desta forma “roubando” uma parte do valor do seu trabalho.
Todo esse conceito de ‘alienação’ desenvolvido por Max se baseava no fato de que é o trabalho o que nos torna humanos e de que foi o capitalismo quem destruiu nossa capacidade de ter alegria em nosso trabalho e de controlar as condições nas quais criamos valor.
Sem a teoria do valor-trabalho, não está claro como a crítica de Marx ao capitalismo continuaria válida.
Parte do problema, para Marx e para todos os outros que aceitaram a teoria do valor-trabalho, é que havia tantos furos óbvios nesta teoria do valor-trabalho, que eles tiveram de construir explicações cada vez mais complexas para lidar com cada uma das objeções.
Por exemplo, como a teoria do valor-trabalho explica o valor dos recursos naturais? Como ela explica o valor de um lote de terra? Como ela explica o valor de grandes obras de arte que foram produzidas com uma pequena quantidade de trabalho, mas que alcançavam preços extremamente altos?
E o que dizer das diferenças de habilidade entre os indivíduos, o que significa que cada um deles gastaria tempos distintos para produzir o mesmo bem, com a mesma qualidade?
Os economistas clássicos, inclusive Marx, tentaram oferecer explicações pontuais para cada uma destas exceções, mas, assim com as crescentemente complexas explicações dos geocêntricos, eles abriram mão do cientificismo e, com isso, cederam espaço para outros apresentarem explicações melhores.
A revolução austríaca
Na ciência econômica, essa explicação surgiu quando, como Copérnico, vários economistas perceberam que a explicação antiga estava completamente invertida.
Esse ponto foi deixado cristalino na obra do economista austríaco Carl Menger (1840-1921), cujo livro, Princípios de Economia Política, de 1871, não apenas ofereceu uma nova explicação para a natureza do valor econômico, como também foi o responsável por estabelecer a Escola Austríaca de Economia.
O que Menger e outros argumentaram é que o valor é subjetivo. Ou seja, o valor de um bem não é determinado pela quantidade de trabalho consumida em sua produção. Tampouco é determinado pelos insumos físicos, inclusive mão-de-obra, que ajudaram a produzi-lo. Ao contrário, assim como a beleza, o valor — como diz o velho provérbio — está nos olhos de quem vê. O valor de um bem advém da percepção humana quanto ao seu proveito e quanto à sua função para satisfazer determinados fins aos quais os indivíduos almejam em um determinado momento. Se o bem servir para algum fim ou propósito, então terá valor para ao menos um indivíduo.
O valor não é algo objetivo e transcendente. O valor é subjetivo. O valor é uma função da utilidade que um objeto tem como um meio para se alcançar os objetivos que fazem parte dos planos e propósitos humanos.
Consequentemente, de acordo com os subjetivistas, a terra possui valor não por causa de algum trabalho humano utilizado em seu cultivo, mas sim porque as pessoas acreditavam que ela poderia contribuir para a satisfação de algum desejo ou necessidade (como produzir alimentos para ser consumidos), ou que ela contribuiria indiretamente para outros fins ao ser utilizada para produzir alimentos a serem vendidos no mercado.
Obras de arte tinham valor porque várias pessoas as consideravam belas, não importa a quantidade de trabalho utilizada em sua produção.
Com o valor de um bem sendo determinado pelo julgamento subjetivo de cada ser humano quanto à sua utilidade e função, as variações na qualidade do trabalho utilizado em sua produção não mais representavam um desafio para explicar seu valor.
Com efeito, o valor econômico representa uma categoria completamente separada das outras formas de valor, como o valor científico. É por isso que várias pessoas estão dispostas a pagar alguém para ler seu horóscopo, mesmo que a astrologia não tenha valor científico nenhum.
O que é importante para se compreender o valor econômico de um determinado bem ou serviço é a percepção de que esse bem ou serviço possui utilidade para indivíduos que estão tentando alcançar objetivos e propósitos. E não que esse bem ou serviço possui algum valor “objetivo”.
Virando Marx de cabeça para baixo
Mas a verdadeira revolução copernicana na ciência econômica ocorreu quando se demonstrou como a teoria do valor subjetivo se relacionava com a teoria do valor do trabalho. Em vez de o valor de bens e serviços ser determinado pelo valor dos insumos (como mão-de-obra e matéria prima) utilizados em sua produção, a teoria do valor subjetivo mostrou que a realidade é inversa: o valor dos insumos (mão-de-obra e matéria) é que é determinado pelo valor dos bens e serviços que eles ajudam a produzir.
O alto valor de mercado de uma comida mais elaborada e requintada não decorre do valor do trabalho do chef. Tal comida não é cara porque o salário do chef é alto. Ao contrário: o trabalho do chef é bem remunerado (seu salário é alto) exatamente porque ele é capaz de produzir uma comida que o público consumidor considera especialmente saborosa, bonita e saudável. O chef é bem pago porque ele sabe criar valor para seu público consumidor.
Por essa visão, o trabalho é remunerado de acordo com sua capacidade de produzir bens e serviços que os consumidores voluntariamente compram porque valorizam.
Quando você, então, considera as várias maneiras como a mão-de-obra combinada com bens de capital (ferramentas, máquinas e demais insumos) permite que o trabalho produza bens e serviços que indivíduos consumidores apreciem, o que por sua vez eleva a remuneração da mão-de-obra, toda a visão de mundo de Marx é imediatamente virada de ponta-cabeça. O capital não explora o trabalhador. Ao contrário, ele aumenta o valor da mão-de-obra ao fornecer ao trabalhador as máquinas e ferramentas de que ele necessita para produzir bens e serviços que os indivíduos valorizam.
Não fosse o capital disponibilizado pelos capitalistas (maquinário, ferramentas, matéria prima, insumos, instalações etc.), a mão-de-obra não teria como produzir estes bens de qualidade altamente demandados pelos consumidores. Consequentemente, os trabalhadores nem sequer teriam renda.
Quando corretamente compreendido por meio da teoria do valor subjetivo, o capitalismo passa a ser visto fundamentalmente como um processo de comunicação por meio do qual os seres humanos tentam decidir qual a melhor maneira de utilizar recursos escassos de modo a satisfazer os mais urgentes desejos e necessidades.
Transações comerciais e preços de mercado são a maneira como explicitamos — para os capitalistas, empreendedores e trabalhadores — as nossas percepções subjetivas de valor, de modo que eles possam encontrar a melhor maneira de nos fornecer as coisas que mais valorizamos.
Há muito trabalho a ser feito
Para os economistas, a teoria do valor-trabalho tem a mesma validade da visão geocêntrica do universo. Por essa razão, todo o aparato teórico de Marx, e consequentemente suas críticas ao capitalismo, são igualmente questionáveis.
Infelizmente, muitas pessoas — tanto acadêmicos quanto leigos — estão simplesmente alheios a esta revolução copernicana na economia. Derrubar a teoria do valor-trabalho continua sendo uma tarefa intensiva em mão-de-obra e muito valiosa.
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Leia também:
Os economistas austríacos que refutaram Marx e sua tese de que o trabalho assalariado é exploração
A ideia de que, no capitalismo, os trabalhadores são “explorados” atenta contra a lógica
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A teoria marxista da exploração e a realidade
Por que lixeiros e professores ganham menos que artistas e jogadores de futebol
“Derrubar a teoria do valor-trabalho continua sendo uma tarefa intensiva em mão-de-obra e muito valiosa.”
Esta última frase do artigo é completamente bizarra. E a razão de ela ser bizarra é o fato de que ela é verdadeira. A teoria do valor-trabalho é tão cheia de furos que não deveríamos precisar de mais do que cinco minutos para derrubá-la. Mas mesmo assim, ela é extremamente difundida nos meios acadêmicos, e existem pessoas que a defendem com o mesmo furor que um fanático religioso.
Seria legal propor um desafio a um professor de história que estivesse defendendo o valor-trabalho. Se é a quantidade de trabalho que conta, então ele não pode zerar uma questão se o aluno realmente se dedicou a responde-la. Por exemplo, se a pergunta for: “Em que ano ocorreu a proclamação da República no Brasil”, e eu escrever na prova duas páginas com uma resenha crítica do livro “A República” de Platão, a minha nota precisa ser maior do que a do meu colega que gastou um segundo para escrever “1889”.
Esperando o Capital Imoral.
O capitalista que esta investindo para os trabalhadors produzirem alguma coisa esta trabalhando tambem. E mais do isso, arriscando. Esta funcao tambem deve ter “valor trabalho”.
Excelente!
O estudo da economia pós Mises se torna muito mais conceitual que propriamente ciência exata, pois hoje podemos amar Iphones por serem modernos e da moda, e amanhã odiá-los por estarem ultrapassados, como aconteceu com tecnologias soterradas por outras mais recentes.
Carrego minha experiência com o filósofo Henri Bergson, que estudou um fenômeno chamado dureé (não possui tradução literal para o português) mas basicamente se explica pelo continuum, onde momentos extraídos da história e analisados como fotografias não explicam a essência dos seres.
Por outro lado, podemos traduzir também para o português de boteco: o preço de qualquer produto ou serviço está baseado em oferta, demanda e na vontade do freguês de comprar tal produto.
Muito bom. Fechou o artigo com chave de ouro!
Não sou economista, e portanto peço desculpas por minha ignorância, mas gostaria de saber o seguinte:
Entre um telefone celular do início dos anos 90 e um iPhone de última geração, pode-se dizer que o último é mais caro pq é mais valorizado pelas pessoas (acho que essa é a lógica), mas poderia ser dito que o é porque empreendeu mais tempo (valor-trabalho) a longo prazo para ser produzido, como uma evolução, onde só se chegou a este último pq primeiramente foi feito o primeiro?
O interessante é que se você perguntar o que da valor aos bens, a maioria das pessoas dirá oferta e demanda. Entretanto, no momento que você tentar explicar que baseado na resposta anterior, a teoria da exploração estaria equivocada, muitos ficam confusos e entram em contradição.
Excelente texto!
Esse raciocínio é tão tosco que até eu consigo refutá0-lo.
A mensagem errada que João envia não é para o livre mercado, pois ele está “consumindo” futebol, mas sim para a assistente social, pois João não quer ser visto como um ser politicamente incorreto que opta pelo futebol em detrimento à educação.
O que vale, no fim das contas, não é o discurso pregado ante uma assistente social, mas onde João investe seus escassos recursos. Aí a mensagem é verdadeira e livre de falsidades. Onde João investe seus recursos escassos (dinheiro e tempo) é ali que está sua prioridade.
Essa falácia é tão antiga e tão tosca, que o próprio Jesus Cristo já havia refutado essa falácia quando disse: “Onde está o seu tesouro, aí está o seu coração” (Mt. 6.21). Independente de seu credo, a refutação já existe.
Teoria valor trabalho cabe certinho em cabeças vazia, formular preço é provavelmente a parte mais importante de um empreendimento e depende inerentemente da natureza de seu produto ou serviço:
commodities: não apenas as conhecidas petróleo e etc, mas qualquer produto ou serviço que o mercado ofereça abundantemente já tem uma faixa de preço estreita que o mercado dita o preço, onde a melhor maneira de fazer dinheiro é ter um processo produtivo ou gestão que aumente a produtividade acima da concorrência. A teoria valor trabalho SEMPRE usa como exemplo de como é uma teoria perfeita.
Inovações: estes aqui são os mais complicados, o terror da esquerda, a principal fonte de renda dos marketeiros honestos, a principal motivação do empreendedor e a razão pela qual nascem centenas de milionários neste país todos os dias. É a percepção de preço que o clientes está disposto a pagar, independente do custo, vendia minhas consultorias financeiro-agrárias por R$200/hora e quase não vendia nada, contratei um marketeiro por R$15mil e em 1 semana ele chegou a conclusão que meu trabalho deveria ser vendido por R$4mil a diária + 10% dos ganhos de produtividade em open books por 12 meses após implementação, resultados incríveis, e agora meus clientes fazem comentários EXATAMENTE como faço para o marketeiro “é caro, mas vale muito a pena”.
O que a filosofia libertária fala sobre Clonagem Humana? Alguém poderia me indicar um artigo sobre isso?
Abraços
O estudo da economia pós Mises se torna muito mais conceitual que propriamente ciência exata, pois hoje podemos amar Iphones por serem modernos e da moda, e amanhã odiá-los por estarem ultrapassados, como aconteceu com tecnologias soterradas por outras mais recentes.
Carrego minha experiência com o filósofo Henri Bergson, que estudou um fenômeno chamado dureé (não possui tradução literal para o português) mas basicamente se explica pelo continuum, onde momentos extraídos da história e analisados como fotografias não explicam a essência dos seres.
Por outro lado, podemos traduzir também para o português de boteco: o preço de qualquer produto ou serviço está baseado em oferta, demanda e na vontade do freguês de comprar tal produto.
Leandro deixa eu perguntar, tem um antigo artigo do IMB mostrando que o panama não tem Banco Central todavia eles tem sim https://www.banconal.com.pa/ ou é apenas mais um banco estatal que supervisiona outros bancos como fazia o Banco do Brasil ate os anos 60? Outra também achei que a taxa basica de juros do panama é de 8% portanto sem a existência quem estipula a taxa basica interbancaria?
Falando de trabalho, procurei e não achei muita coisa sobre como funciona o setor do mercado editorial.
Há muito imposto sobre essa área? Porque não escuto muito se falar sobre intervenção do governo nessa área.
Simples e objetivo. De fato, é impressionante o número de pessoas que defendem isso. Meu professor de história econômica é um deles, e obviamente ele tenta a todo custo enviar isso nas cabeças dos alunos.
Quando você, então, considera as várias maneiras como a mão-de-obra combinada com bens de capital (ferramentas, máquinas e demais insumos) permite que o trabalho produza bens e serviços que indivíduos consumidores apreciem, o que por sua vez eleva a remuneração da mão-de-obra, toda a visão de mundo de Marx é imediatamente virada de ponta-cabeça.
É minha opinião que a teoria de valor trabalho de Marx caiu por terra há muito tempo, quando o primeiro par de chinelos foi produzido de forma mecanizada/automatizada. Se alguém sabe de algum trabalho em que ele sequer considerou que o avanço tecnológico chegaria aos níveis atuais, por favor me aponte para tal.
O capital não explora o trabalhador. Ao contrário, ele aumenta o valor da mão-de-obra ao fornecer ao trabalhador as máquinas e ferramentas de que ele necessita para produzir bens e serviços que os indivíduos valorizam.
Na prática – ao menos nos dia de hoje – vejo uma outra realidade.
Primeiro pelo fato de que nunca se produziu tanto neste planeta com tão pouca mão-de-obra (devido a automatização em massa), de forma que a migração para novas ocupações já é uma realidade tida como certa para muitos, devido a extinção das ocupações antigas. Mesmo considerando que as pessoas sejam capazes economicamente de se adaptar, já que isto não envolve somente tempo e esforço, a velocidade da robotização já superou em muito a capacidade do sistema em gerar novas ocupações. Há artigos sobre isso. Seria a área de serviços capaz de absorver toda essa massa?
Segundo, o valor subjetivo que as pessoas têm em relação a um certo bem nem sempre reflete no valor da mão-de-obra ou nas máquinas e ferramentas para produzí-lo. Se assim fosse, não existiriam sweatshops na Malásia ou Bangladesh onde coitados trabalham por quase nada para produzir uma camisa de marca ou bolsas de mulher, muitas vezes em condições de trabalho precárias e com máquinas e ferramentas sucateadas. Me refiro a exploração de outros seres humanos tendo como único objetivo o lucro. Em países onde a qualidade de vida de seus cidadãos e seus recursos naturais são vendidos a preço de banana, e suas autoridades cedem a interesses imperialistas (não necessariamente essencialmente capitalistas), não se pode esperar concorrência leal ou qualquer tipo de justiça social. Há investigações que apontam que até mesmo o passaporte destes pobres coitados são confiscados pelo empregador, de forma que eles não têm qualquer direito respeitado e sequer podem voltar para onde vieram. Desculpem o desabafo, mas não vejo como estas pessoas podem sequer sonhar em algum dia deixarem um mundo melhor aos seus filhos e netos. É bastante revoltante. Há um estudo que concluiu que no mundo existem hoje mais escravos (na definição de ser humano explorado para vantagem alheia) do que em toda a história.
Já um serviço que é valorizado pela comunidade e provido por um profissional altamente qualificado, precisa e deve ser bem remunerado, já que é pouco provável que tal profissional se prestaria a oferecer seus serviços por quase nada através de coerção. Este sim tem maior chances de trabalhar para quem quiser, por quanto achar justo, que é o que o capitalismo essencialmente prega. Em alguns casos migram para outro país em busca de algo melhor para suas vidas e suas famílias, e estão certos.
Não fosse o capital disponibilizado pelos capitalistas (maquinário, ferramentas, matéria prima, insumos, instalações etc.), a mão-de-obra não teria como produzir estes bens de qualidade altamente demandados pelos consumidores. Consequentemente, os trabalhadores nem sequer teriam renda.
Verdade. Há investimento em países (pobres) como os que citei acima, onde bens de qualidade e de alta demanda são produzidos, mas seus cidadãos não vêm nem a cor desse dinheiro em termos de salário e elevação da qualidade de vida em geral (menos violência, mais educação, boa infra-estrutura de transporte, etc). Estes coitados acabam sim, virtualmente “sem renda”. Precisaríamos de mecanismos para que este tipo de exploração não ocorra. No entanto, as práticas de hoje apontam para o contrário. Basta assistir algumas reportagens sobre os documentos vazados sobre tratados internacionais como o TPP para entender como essencialmente corporações têm o poder de impunemente subtrair direitos, explorar mão-de-obra barata e os recursos naturais destes países pobres.
Artigo muito bom e direto nos exemplos utilizados que são lugares-comuns dos estudantes iludidos em salas de aula.
Mas sugeriria que o título está um pouco deslocado do texto. Como sinônimo do termo ‘assombra’ nós temos a ideia de algo ao qual fugimos por ser assustador, assombroso. O principal viés do artigo não é demonstrar o posicionamento da Escola Austríaca quanto à falácia marxista….isto já está explícito. Mas sim de relatar o que se passa na sociedade (humanidade) e em salas de aula, onde continuam acatando a ilusória teoria apesar de ela já ter sido refutada à anos, falta apenas a refutação chegar até os incautos para que seja compreendida….e daí sim ser vista como algo assombroso, tal como a vemos.
Assim, talvez um título mais próximo do texto, seria “A teoria do valor-trabalho ainda seduz a humanidade…”
Realmente o valor é subjetivo…nisso o artigo está correto.
MAS ele está intimamente ligado a quem tem o PODER numa relação e isso vocês não abordaram no artigo.
Quem tem o PODER ? o comprador ou o vendedor ? o dono da fábrica ou os trabalhadores ?
Quem detém o monopólio, detém o poder sobre um determinado produto ou capital.
Todas as vezes que esse site tenta defender o Capitalismo ele sempre apresenta uma visão míope dos fatos… se esquecendo de falar do PODER.
O PODER está em toda parte e em todas as relações.
Marx pode ter errado bastante ao tentar falar de economia quando na verdade o objeto de estudo (e do qual ele não conseguiu traduzir para o “economiquês”) era na verdade o PODER nas relações de trabalho.
Meu único ponto contra algo neste artigo é a comparação com a Teoria Geocêntrica (TG). E por um motivo simples, ao contrário do valor-trabalho (VT), se você está usando a Terra como referencial inercial, a TG tem alguma utilidade e pode ser usada.
Na verdade, o Heliocentrismo não é mais considerado “correto”, já que nenhum referencial inercial tem preferência sobre o outro. Ao jogar a TG no mesmo pote do VT, dá-se ao último uma utilidade muito superior ao que ele merece.
Libertar o povo dos poderes econômicos, políticos, militares e religiosos.
Libertar o povo do regime fascista e socialista.
Isentar todas as empresas do pagamento e administração de todos os tributos.
Tributar com base no consumo anual da pessoa física.
Desvincular todos os tributos do preço de venda dos produtos e serviços.
Creditar Cooperativa do Trabalho Regional e particular com auditoria internacional.
Por que pagar tributo trabalhista, aposentadoria, saúde e educação ao Governo?
Cooperativa Regional do Trabalho
Impressiona ver como a realidade sistematicamente mostra que funciona de forma inversa ao que Marx descreveu. Parece que ele fala de um universo alternativo em que tudo é invertido em relação ao nosso.
Uma dúvida:
“Se o trabalho de um operário produziu três pares de sapatos durante uma jornada de trabalho de doze horas, então, para Marx, o trabalhador tem o direito ao valor destes três pares de sapatos produzidos pelo seu trabalho. “
Marx quis dizer é que o empresário deveria entregar TODO o dinheiro obtido com a venda desses três sapatos e ficar sem nada? Nada para pagar a matéria prima e outros insumos, para pagar os investimentos feitos e nem sequer para sua própria renda pessoal (pró-labore)? Ele quis dizer que o empresário deve trabalhar de graça e ainda pagar por isso, ficando no prejuízo? Eu devo estar entendendo mal, é absurdo demais.
* * *
“O alto valor de mercado de uma comida mais elaborada e requintada não decorre do valor do trabalho do chef. Tal comida não é cara porque o salário do chef é alto. Ao contrário: o trabalho do chef é bem remunerado (seu salário é alto) exatamente porque ele é capaz de produzir uma comida que o público consumidor considera especialmente saborosa, bonita e saudável. O chef é bem pago porque ele sabe criar valor para seu público consumidor.
Por essa visão, o trabalho é remunerado de acordo com sua capacidade de produzir bens e serviços que os consumidores voluntariamente compram porque valorizam”
Imaginemos dois funcionários da Honda que produzem dois modelos de motos diferentes: um produz a Biz, o outro, CBR1000, por exemplo. Segundo essa teoria, o que produz a CBR1000 deveria ganhar mais, tendo em vista que este modelo tem um valor subjetivo maior para os consumidores do que a Biz, mas, pela minha experiência nas fábricas, esse não é o caso.
É por isso que na administração pública tem tanta reunião.
Ninguém aceitaria tal desperdício se entendesse que valor não é simplesmente resultado de fazer alguma coisa.
A maioria das pessoas não percebe a diferença entre custo e valor ou resultado e processo.
É tão problemático que se alguém for agora procurar os indicadores de resultado de saúde não vão encontrar nenhum.
No lugar vai ver coisas como: taxa de cobertura, número de profissionais treinados, número de consultadas agendadas, número de unidades construídas.
Dá pra acreditar?
É como se ao contratar um serviço de construção de uma casa, para acompanhar o andamento do processo te enviassem um índice de marretadas por minuto, taxa de pedreiros escolarizados ou o número de visitas que o mestre de obras fez.
Para Marx a teoria do valor trabalho só se aplica em relação ao valor de troca. A teoria austríaca aborda o valor de uso, que para Marx era subjetivo. É só ler o primeiro capítulo do livro o Capital que isso fica claro.
Mas como que o governo irá controlar as coisas, como a política econômica, se ela está depende de coisas subjetivas, que são ,essencialmente, incontroláveis?
O artigo está coberto de razão, o governo sabe disso, mas essa razão não tem utilidade para ele!
A mente governista gosta de controlar e gosta de controlar por causa da segurança (qualquer coisa boa que ocorre fora dos planos é sorte)
O site, geralmente, propõe que “a água potável nunca irá se esgotar porque o homem irá inovar…basta deixarmos o capitalismo trabalhar!”…. mesmo sendo empiricamente comprovado que isso ocorrerá, como sempre ocorre, temos alguma garantia de que surgirá um ‘gênio aquático inovador”? Podemos controlar a vinda certeira desse sujeito? (exemplo apenas ilustrativo…o sistema de preços faz isso… só para ilustrar que o governo pensa no controle)…a questão do governo é o controle! O livre mercado aumenta a quantidade de empregos? Sim? Mas está no meu controle? Não? Então é sorte!
A teoria do valor-trabalho é muito interessante e neste final de semana (até domingo, dia 26) vou fazer aqui neste forum uma série de considerações sobre ela. Todo economista que se preze deve conhecer todas as teorias econômicas, independentemente do conteúdo ideológico ou político que essas teorias estão associadas. O website Von Mises tem uma característica muito positiva, pois permite que pessoas interessadas em economia e finanças opinem de maneira inteligente e educada, sobre temas das diversas escolas de pensamento econômico. Como dizia o grande Nelson Rodrigues, “toda unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade, não precisa pensar”.
Pessoal, há um bom tempo já venho vendo por aí aquele papo de que uma grande crise econômica se aproxima e que ela vai começar nos EUA. Qual é a opinião de vocês sobre isso? Vai rolar ou é só alarmismo barato?
Marx com a Teoria do Valor queria “cientifizar” a economia.
Os austríacos tupiniquins aqui do site não acreditam na “cientifização” da economia… Seja no modelo antigo(Marx) e nem no modelo atual ( Econometria)… Eles acreditam que o comportamento humano não pode ser estudado/padronizado. No entanto, esses austríacos tupiniquins se baseiam na praxeologia e já “padronizaram” de antemão o comportamento humano por meio dos axiomas, que pra eles , são irrefutáveis.
Eu acho isso aqui uma grande contradição.
Adam Smith em The Wealth of Nations, Livro I, cap VI – Of the component parts of the price of commodities – inicia sua explicação com a seguinte frase: “In that early and rude state of society which precedes both the accumulation of stocks and the appropriation of land, the proportion between the quantities of labour necessary for acquiring different objects seems to be the only circumstance which can afford any rule for exchanging them for one another”.
Ou seja, naquele período longínquo em que as pessoas, sobretudo agricultores e artesãos, se reuniam em feiras para trocar seus produtos, a quantidade direta de trabalho incorporado na mercadoria era o denominador comum para realizar a troca.
Na realidade, nessa época prevalecia o sistema de escambo (barter), isto é, um sistema de trocas de compra e venda de mercadorias sem o uso da moeda. Claro, a moeda clássica já existia há séculos. Foi criada no século VII antes de Cristo, durante a idade do Ferro (Iron Age) na antiga Anatolia (Lídia), na Ásia Menor, atual Turquia. A moeda era feita de uma liga de ouro e prata e com a estampa de um leão.
De modo rudimentar algumas transações eram feitas com a interferência da moeda que não era de uso geral, de curso forçado, tal como a conhecemos.
Podemos expressar isso de uma maneira bem simples, usando a notação matricial
vA + L = vB
v = vetor linha do valores-trabalho incorporado (v1, v2, …,vn) de cada mercadoria
A = matriz quadrada de ordem n representando a quantidade física dos meios de produção;
L = vetor linha das quantidades de trabalho direto (L1, L2, …,Ln) associadas a cada mercadoria;
B = matrix diagonal de ordem n representando as quantidades produzidas de cada uma das mercadorias
Temos,portanto, n equações independentes e apenas uma incógnita, o vetor-linha v
v(B – A) = L
v = L(B – A)-1
Com o progresso humano, população em expansão e o desenvolvimento da divisão do trabalho, um número crescente de pessoas deixou de produzir o suficiente para si e depender cada vez mais uns dos outros na produção de bens e serviços. Além disso, aquela feira do lugarejo em que as pessoas trocavam seus produtos se expandiu, ocupando diversos locais e funcionando de maneira independente. A especialização de cada agente econômico e a necessidade de que esses locais funcionassem com maior racionalidade, novas locais de troca (compra e venda) foram sendo criados, como lojas de rua, supermercados, shopping centers etc. Isso recebeu o nome genérico de mercado.
Como fruto dessa especialização de tarefas ou da divisão do trabalho, naturalmente surgiu a necessidade de um equivalente geral, denominado moeda, que não só facilitasse a aquisição de bens, como também permitisse a pessoa comprar quando na data ou momento que lhe fosse mais conveniente. Ou seja, a moeda passou a ter três propriedades: meio de troca, unidade de conta e reserva de valor. A moeda de metal foi largamente substituída por papel-moeda e sua emissão passou a ser exclusiva de governos por razões imperativas: credibilidade, padronização, controle dos meios de pagamento, confiabilidade nas estatísticas e aferição da renda nacional e de outros indicadores econômicos. Imagine se um indivíduo pudesse criar sua própria moeda e surgisse com um maço dessa moeda e comprasse bens no mercado. As consequências seriam desastrosas. Se sua moeda fosse aceita, esse indivíduo estaria subtraindo a produção de outro sem ter participado do processo produtivo, não ter agregado valor ao PIB ou Renda Nacional. Seu único gasto foi com a produção dessa moeda.
Diante da evolução da divisão do trabalho, surgiram as classes sociais, os que recebem uma remuneração pelo seu trabalho, denominada salário e os empresários dos setores produtivos, do agronegócio e do setor financeiro (banqueiros) que recebem lucros, uma fração da renda nacional que remunera não só o trabalho intelectual, mas principalmente o uso de seus ativos (capital).
Aquele sistema de equações acima passou por uma grande transformação. Os valores-trabalho não eram observáveis no mundo real. O valor de uma mercadoria era conhecido somente pelo seu produtor que no processo de troca por outra dizia que ela continha x horas de trabalho. Se ele dizia ao possível comprador que foram necessárias 10 horas e havia um concorrente que dizia ter dispendido oito horas de trabalho, possivelmente o comprador iria optar pelo concorrente, cujo valor é 20% menor .
Os valores-trabalho incorporado foram substituídos por preços e para incluir o salário e o lucro sobre o capital, o sistema de equações passou a ter a seguinte configuração:
pA(d + r) + wL = pB
sendo
p = vetor-linha dos preços de produção
w = taxa de salário(escalar)
r = taxa de lucro (escalar)
d = taxa de depreciação dos ativos ou meios de produção
Quando d = 1, os meios de produção são consumidos inteiramente no período e quando d = 0, sua duração é infinita.
No nosso exemplo vamos adotar d = 1 e o sistema de equações passa a ser
pA(1 + r) + wL = pB
É importante salientar que o sistema de preço acima é uma simplificação da realidade. Cada empresa ou ramo de produção produz apenas um tipo de mercadoria, não há produção conjunta. Supõe-se concorrência perfeita entre os capitais, isto é, que a taxa de lucro final é uniforme e ajustada pelo prêmio de risco.
A taxa de salário é uma fração da Renda Nacional (entre 0 e 1, inclusive) e pago no final do período de produção.
Temos agora n equações independentes e n+2 incógnitas.
Necessitamos de mais duas equações independentes para soluciona o sistema de equações.
Uma das duas variáveis pode ser fixada exogenamente.
Se a taxa de lucro for parametrizada pela taxa básica de juro (i), teremos = r = f(i).
Por outro lado, se tivermos um postulado de invariância objetivo, não-circular, o sistema de equações fica solucionado.
Esse problema atormentou Marx e seus seguidores e ficou conhecido como o Problema da Transformação dos Valores-trabalho incorporado em Preços de Produção.
As dificuldades de Marx para fazer a passagem dos valores-trabalho para os preços de produção eram não só de natureza algébrica como de natureza filosófica. De natureza algébrica devido à falta de maior conhecimento matemático e por ele usar grandes agregados nas suas notações matemáticas as quais camuflavam os detalhes. De natureza filosófica porque ele e seus seguidores não conseguiram encontrar um postulado de invariância crível e objetivo.
O problema da transformação dos valores em preços só foi resolvido 1960 pelo economista italiano Piero Sraffa.
Embora Sraffa não tenha tido a preocupação de solucionar esse problema específico, seu método de reduzir o preço de uma mercadoria em quantidades datadas de trabalho, processo algébrico que teve origem no século XIX com o economista e matemático russo, Valdimir Karpovich Dmitriev.
Sraffa também encontrou um postulado de invariância, isto é, um padrão de valor que não sofresse alteração com as mudanças nos salários e que permitiu determinar os preços de produção.
Pessoas da rede, seria possível criar um índice DXY, só que no lugar do dólar, colocar o real brasileiro perante as principais moedas do mundo? Eu já vi algo feito pelo Fernando Ulrich, mas é de anos atrás. E hoje, como poderia ser feito? Que cálculos são feitos? Como é elaborado o índice DXY?
Pessoas, por que mesmo com tantos riscos de desabamento com chuvas, tantas pessoas moram nessas áreas de risco? Regulações? Falta de direitos de propriedade? Pobreza? Há uma explicação econômica?
Ao moderador do site eu gostaria de sugerir que comentários que nada têm haver com o tema principal do artigo fossem direcionados para uma página geral. Observe, por exemplo, os comentários de Felipe L. (4h34 123h52) e de Eduardo (14h05) que falam de outras coisas, de mercado imobiliário, etc e nada haver com a teoria do valor-trabalho. Não podemos perder o foco.
Excelente artigo.
O valor é sempre subjetivo e depende dos olhos de quem vê.
Serve para vários liberais que pensam que a conduta pode ser avaliada pelo seu resultado objetivo e não pelo seu aspecto subjetivo.
Assim a tributação não é roubo pois, embora o resultado objetivo “expropriação” seja o mesmo, a finalidade é bem outra.
O latrocínio produz uma morte e o policial que defende a vítima também produz uma morte.
Isto é, embora o resultado seja o mesmo, a intenção diferencia tudo. É o aspecto subjetivo que faz a grande diferença.
Pelo que eu entendi da groselha toda (vou tirar um texto bem claro do marxists.org, o único site esquedista que é honesto) eles chegam na tese: o valor (vamos por valor-trabalho e não valor-marginal)…o valor-trabalho das coisas é quem norteia os PREÇOS, ou seja, o valor real dos pares de meia é de 15,40$ e os preços rodeiam esse valor. É essa a objetividade do “valor-trabalho” (parece ser uma ideia metafísica, como os antigos alquimistas que falavam que o ouro valia porque ele era “nobre”…os pitagóricos, provavelmente, tinham um número belo relacionado ao ouro que justificava o valor do ouro)….MUITOS POR AQUI FALAM QUE É MEDIDO EM FUNÇÃO DO TEMPO, ESTÁ ERRADO, É EM FUNÇÃO DO TEMPO DO TRABALHO SOCIALMENTE NECESSÁRIO
Eis o exemplo:
Vejamos o que vale este argumento. Uma tecedeira confecciona um par de meias em seis horas, enquanto outra confecciona o mesmo par em quatro horas, e uma terceira em duas horas. Depende, por um lado, da máquina e dos materiais da trabalhadora e, por outro lado, da sua habilidade e da intensidade do seu trabalho.
Com as meias prontas, as tecedeiras vão vendê-las no mercado. Calculando a hora de trabalho a 4$, conseguirá uma tecedeira vender as suas meias por 24$, enquanto a outra as venderá por 16$ e a terceira por 8$? Pode ser que a primeira tente obter pelas suas meias um preço correspondente ao gasto de tempo, ou seja, 24$. Mas se o conseguir, as outras que produzem mais barato não deixariam de pedir um preço tão vantajoso. Então a maior parte das tecedeiras venderiam as suas mercadorias por valor superior ao valor intrínseco. A produção de meias aumentaria, o equilíbrio perdia-se e o preço das meias acabaria por cair. Em consequência disto, é evidente que, nas condições de equilíbrio social, a procura corresponde à oferta (e só neste caso é que a nossa hipótese da venda das meias pelo seu valor intrínseco é correcta), e o valor de um par de meias no mercado tem de se estabelecer abaixo de 24$. Quererá isto dizer que as meias vão ser vendidas pelo preço correspondente ao menor gasto de trabalho, quer dizer, duas horas (8$)? Não, porque a procura corresponde à oferta, e não é possível satisfazer o mercado com as meias produzidas em duas horas. O preço das meias será então superior a 8$. Portanto, o valor das meias não se estabelecerá nem pelo trabalho da melhor tecedeira nem pelo trabalho da pior. Dum modo geral, o valor da mercadoria não pode determinar-se pelo trabalho individual, ou pelo de certas empresas, mas sim pelo trabalho médio, sob o ponto de vista da sociedade em geral, necessário à produção de meias, trabalho médio socialmente necessário.
Este trabalho socialmente necessário para a produção das meias depende da quantidade das tecedeiras existentes na sociedade, do rendimento do seu trabalho e da quantidade de mercadorias que lançam no mercado.
Admitamos que actualmente há cento e dez tecedeiras que vendem meias. Vinte delas vendem vinte pares cada uma, gastando duas horas para produzir um par. Trinta vendem dez pares, nos quais gastaram quatro horas por par. As outras sessenta vendem cinco pares cada uma, aos quais dedicaram seis horas de trabalho por par.
Como é que se determina, neste caso, o tempo de trabalho socialmente necessário à produção de um par de meias? Para que todas as meias se vendam devemos supor que a sociedade está em equilíbrio, ou seja, a oferta corresponde à procura:
20 tecedeiras oferecem 20 pares de meias, num total de 400 pares
30 tecedeiras oferecem 10 pares de meias, num total de 300 pares
60 tecedeiras oferecem 5 pares de meias, num total de 300 pares
Total 1.000 pares (notem que eles determinaram, anteriormente, que haveria demanda)
(vamos “livrar a demada”, portanto, as duas primeiras tecedeiras trabalharão por 6 horas, como a terceira
1200 pares + 450 pares + 300 pares = 1950 pares)
Há mil pares de meias no mercado. Descontemos o tempo de trabalho que a sua produção custou ao conjunto das tecedeiras:
400 pares a 2 horas o par, isto é: 800 horas
300 pares a 4 horas o par, isto é: 1.200 horas
300 pares a 6 horas o par, isto é: 1.800 horas
Total 3.800 horas (ou 5400)
Portanto, a produção dos mil pares de meias necessárias à sociedade exigiu três mil e oitocentas horas de trabalho, o que dá, como termo médio, por cada par 3.800 : 1.000 = 3,8 horas (ou no caso que eu escrevi, 5400/3950 = 1,42) . Este tempo 3,8 horas (ou 3 horas e 48 minutos), será o tempo socialmente necessário para produzir um par de meias, e o valor de um par de meias será 7,60 escudos (ou 2,84)), se se paga 2$ por hora /// e 15,20$ se a pagarmos 4$ pela hora (ou 5,68$)
Determinar o tempo de trabalho socialmente necessário pelo termo médio aritmético entre o trabalho individual da empresa que tem o maior rendimento e o da empresa que tem o rendimento menor seria um erro: se tivéssemos somado seis horas e duas horas e depois dividíssemos por dois, o termo médio dava-nos quatro horas. O valor social de um par de meias determina-se pela média dos valores individuais (de gastos individuais de trabalho) de todos aqueles que produzem meias na sociedade. Se as meias produzidas em seis horas fossem duas vezes mais numerosas, o tempo de trabalho socialmente necessário teria sido maior. Neste caso é fácil fazer o cálculo: tínhamos no mercado mil e trezentos pares de meias produzidas em cinco mil e seiscentas horas, e o trabalho socialmente necessário à produção de um par tinha sido 5.600 : 1.300, isto é, 4,3 horas.
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Tese que comprova que o valor trabalho norteia os perços:
Quando medimos a riqueza, estamos medindo, de fato, a quantidade de trabalho que foi necessária para criá-la.
Claro, todo o mundo não produz a mesma quantidade num determinado período de tempo. Se eu tentasse, por exemplo, fazer uma mesa, levar-me-ia cinco ou seis vezes mais tempo do que um carpinteiro. Mas ninguém são da cabeça iria me pagar cinco ou seis vezes o preço de uma feita polo carpinteiro. Avaliará-se o seu valor dependendo da quantidade de trabalho fornecido polo carpinteiro e não por mim.
Suponhamos que leva uma hora o carpinteiro para fazer a mesa, o valor da mesa será considerado como o equivalente a uma hora de trabalho. Este será o tempo de trabalho socialmente necessário para fazer a mesa, considerado o nível médio de tecnologia e habilidade na sociedade.
Por essa razão, Marx insistia em que o valor de algo não era simplesmente o tempo que levou um indivíduo para fazê-la, mas o tempo que levaria um indivíduo para trabalhar dentro do nível médio de tecnologia e habilidade — ele chamou esse nível médio de trabalho necessário "o tempo de trabalho socialmente necessário". Este ponto é crucial porque sob o capitalismo os avanços tecnológicos estão ocorrendo constantemente, o que significa que leva cada vez menos tempo produzir.
Por exemplo, quando os rádios eram feitos com válvulas térmicas, eles eram muito caros, porque havia grande quantidade de trabalho na fabricação das válvulas, para conectá-las, etc. Em seguida o transistor foi inventado, e este podia ser fabricado e montado em menos tempo. De repente, os trabalhadores das fábricas de rádio que ainda utilizavam válvulas, descobriram que o preço do que eles produziam tinha desabado, pois o valor dos rádios já não era mais determinado polo tempo de trabalho necessário para fabricar com válvulas, mas polo tempo necessário para fabricá-los com transistores.
Um último ponto. Os preços de certas cousas flutuam muito — dia por dia e semana por semana. Estas mudanças podem vir de muitas outras razões que a diminuição do tempo necessário para produzi-las.
Quando a geada mata todas as plantas de café no Brasil, o preço do café dispara, porque acontece uma escassez no mundo e as pessoas estão dispostas a pagar mais. Se amanhã uma catástrofe qualquer chega a destruir todas as televisões na França, não tenha perda de que o preço dos televisores irá disparar do mesmo jeito. O que os economistas chamam de "oferta e procura" explica tais flutuações no preço.
Por esta razão, muitos economistas pró-capitalistas defendem que a teoria do valor é uma insensatez. Dizem que só a oferta e a procura é o que importa. Mas isso é que é insensato. Esquecem-se que quando os preços variam, variam em torno de um nível médio. O mar avança e recua com as marés, mas isso não significa que não possamos falar sobre um ponto fixo em torno do qual se move, ao qual chamamos nível do mar.
Da mesma forma, o fato de que os preços subam e desçam todos os dias não significa que não existam valores fixos em torno dos quais flutuem. Assim, se todos os televisores fossem destruídos, os primeiros a serem fabricados seriam muito procurados e seriam muito caros. Mas não demoraria muito para que mais e mais aparelhos chegassem ao mercado, competindo uns com os outros, o que inevitavelmente baixaria os preços até atingir o seu valor em termos de trabalho necessário para produzi-los.
“um homem pode gastar centenas de horas fazendo sorvetes de lama ou cavando buracos, mas se ninguém atribuir qualquer serventia a estes sorvetes de lama ou a estes buracos , então tais produtos não têm nenhum valor”
Explicar isso NUNCA foi um problema para a teoria do valor-trabalho. Desde que se diferencia valor de uso e valor de troca. Se algo não tem valor de uso, é inútil, não há mercado possível para isso. Portanto, não vai ter valor de troca nenhum. Já para as teorias subjetivas de valor, como a marginalista, você tem o grande problema que é explicar como é que algo completamente subjetivo se manifesta e chega em um valor objetivo que são os preços. As pessoas em conjunto, socialmente, chegam a uma valoração objetiva de que X coisa A vale tanto quanto Y coisa B. Mesmo sem ter dinheiro, como no caso dos Incas. O quê dá origem a tal valor objetivo?