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Qual o valor “correto” do câmbio? Sim, é possível estimar

André
Perfeito é o economista-chefe da Gradual
Investimentos
.  Como ele constantemente está fornecendo opiniões
a jornais e portais econômicos, ele é relativamente importante no meio
econômico. 

Perfeito
é keynesiano.  E desenvolvimentista.  Dificilmente essa combinação gera idéias
positivas para a humanidade.

Perfeito
é do time que acredita que desvalorizar a moeda — o que significa, por
definição, destruir seu poder de compra — gera crescimento econômico do país.  

Segundo
a
revista Carta Capital
, ainda em agosto de 2015:

[André Perfeito] considera a
desvalorização da moeda brasileira positiva.

“Tem que ter o real
desvalorizado. Na verdade, esse é o passo de ajuste econômico em curso. Não
podemos abrir mão disso agora”, defende Perfeito. “A boa notícia é
que justamente isso vai ajudar o nosso setor interno, porque
o Brasil basicamente puxou parte do mundo nos últimos anos fazendo com
que a nossa demanda vazasse para fora.”

Desnecessário
dizer que essa teoria de que “desvalorizar a moeda gera crescimento econômico”
é completamente insensata.  Como a empiria
comprovou
(e a teoria já previa),
a desvalorização do real não apenas elevou a inflação de preços no país e
reduziu a renda real dos trabalhadores, como ainda destruiu o setor industrial,
sem trazer melhorias para as exportações.

Dado
que tal falácia — desvalorização cambial ajuda e ajusta a economia — já foi abordada
repetidas vezes por este site, ela não será o assunto deste texto. 

O
assunto aqui é outro.

Em
seu perfil no Facebook
, Perfeito escreveu que a “taxa de
câmbio de equilíbrio” para o Brasil seria o dólar a — está sentado? — R$ 6,70.  Sim, segundo Perfeito, o valor “correto” do
dólar seria o de astronômicos R$ 6,70.

Eis
sua explicação (ligeiramente editada para fins de brevidade e de correções
ortográficas e gramaticais):

Muitos têm se perguntado sobre se
há algum indicativo do câmbio de equilíbrio, ou se é possível determinar uma
tendência mais clara.

Nossa opinião é que o Real tende a se desvalorizar até o final do ano e por
diversos motivos […] Neste sentido projetamos a moeda norte-americana em R$
4,00.

Há um outro motivo que passa desapercebido no dia a dia do mercado de câmbio e
que não deveria ser negligenciado tanto assim. Estamos nos referindo à inflação
do período, que não é irrelevante e que deveria ser incorporada à taxa de
câmbio.

Hoje o dólar está em torno de R$
3,55 e a última vez que a moeda norte-americana esteve nesse patamar foi no
início de 2003. O fato óbvio é que R$ 3,55 hoje compra menos mercadorias que
comprava em 2003 e isso não deveria espantar ninguém.

Se ponderarmos o câmbio nominal
pela inflação acumulada entre 2003 – e fazemos isso ponderando o IPCA sobre o
CPI (índice de inflação norte-americana) – e agora, para o Dólar ter o mesmo
poder de compra teríamos que ter um câmbio em torno de R$ 6,70!

[…] ignorar durante tanto tempo
essa correção de preços simplesmente é um desvio reiterado de um dos
fundamentos.

Traduzindo
para os mais leigos: segundo Perfeito, dado que a inflação de preços acumulada
no Brasil entre 2003 e hoje foi muito maior que a americana, um “cálculo
ponderado” das duas inflações de preço no período — ou seja, grosso modo,
pegar toda a inflação de preços acumulada no Brasil e nos EUA de 2003 até hoje,
e então dividir uma pela outra — gerará um valor correto para o câmbio de R$
6,70.

Muito
bem. 

A
base teórica do raciocínio está correta. 
Mas há um erro gravíssimo.

O que define o câmbio

Como
Ludwig von Mises demonstrou ainda em 1912, em sua obra The Theory of Money
and Credit
, o determinante fundamental da taxa de câmbio entre duas
moedas é o poder de compra relativo de cada uma delas. 

Colocando
de outra forma, o que determina a taxa de câmbio entre duas moedas
independentes é a paridade do poder de compra entre elas.  O
equilíbrio de longo prazo — ou a taxa de câmbio “final” entre duas
moedas — sempre será exatamente igual à razão entre o poder de compra das duas
moedas. 

Por
exemplo, se o preço de um mesmo produto é de US$ 500 nos EUA e de R$ 1.000 no
Brasil, então a taxa de câmbio entre as duas moedas teria de ser de 2 reais por
dólar.  A essa taxa, um brasileiro vai
pagar o mesmo valor por esse produto, seja ele comprado aqui no Brasil ou nos
EUA. 

No
entanto, se o câmbio não estiver em R$ 2 por dólar, então o equilíbrio ainda
não foi atingido, o que significa que há oportunidades de lucro para um
especulador por meio de um processo chamado de “arbitragem”.

Funciona
assim: suponha que um mesmo bem A esteja custando R$ 2 no Brasil e US$ 1 nos
EUA. Nesse caso, a julgar pelos preços de A, nota-se que o poder de compra do
real é menor que o do dólar.  No entanto,
suponha também que a taxa de câmbio vigente esteja em R$ 1 = US$ 1.  
Pela taxa de câmbio, o poder de compra de ambas as moedas é igual. 

Logo,
comparando-se os preços com a taxa de câmbio, vemos que o real está
sobrevalorizado e o dólar está subvalorizado. O real está sobrevalorizado
porque seu poder de compra, que é menor que o do dólar, está igual ao do dólar
quando se analisa a taxa de câmbio.  Assim, claramente o câmbio está
errado. 

Um
especulador esperto irá vender A em troca de reais (irá obter R$ 2) e, em
seguida, irá trocar R$ 2 por US$ 2 (pois a taxa de câmbio é de 1:1).  Ato
contínuo, irá recomprar esse bem por US$ 1, que é o seu preço de mercado,
embolsando o dólar extra.  Essa contínua troca de reais por dólares
encarecerá o dólar em relação ao real, finalmente levando a taxa de câmbio para
seu valor correto, de R$ 2 por dólar.

Ou
seja, essas operações — as “arbitragens” — fazem com que a taxa de
câmbio e a razão do poder de compra entre as duas moedas sejam levadas à sua
relação correta.

Perfeito acerta e depois erra feio

Portanto,
e falando mais popularmente, o valor da taxa de câmbio de longo prazo entre duas moedas será determinado pelo poder de compra
de cada uma delas — ou, sendo mais realista, será determinado pela perda do
poder de compra de cada uma delas, ou seja, pela inflação de preços ocorrida
nos dois países.

Se
duas moedas começaram com uma taxa de câmbio de 1 para 1, mas uma moeda
apresentou uma inflação de preços de 100% (com os preços indo de 100 para 200)
e a outra apresentou uma inflação de preços de 60% (com os preços indo de 100
para 160), então a nova taxa de câmbio será de aproximadamente 1,25.

Logo,
para se estimar a “taxa de câmbio correta” entre duas moedas, o que você tem de
fazer é analisar o histórico da inflação de preços de ambas para ver qual foi a
evolução da perda do poder de compra de cada moeda.  Ato contínuo, você simplesmente divide o
atual poder de compra de uma pelo da outra.

Ao
demonstrar saber isso, André Perfeito se destaca de seus pares keynesianos, que
acreditam que o que determina a taxa de câmbio é a balança comercial. O fato de
ele entender que a taxa de câmbio é determinada pelo poder de compra entre as
moedas — e não pela balança comercial — é digno de aplausos. 

Porém,
há um erro gravíssimo na execução do seu raciocínio.

Por
algum motivo que desconheço, Perfeito ignorou o básico do básico: para se fazer
essa análise da evolução da taxa de câmbio e do poder de compra de uma moeda, não é correto pegar um período de tempo
aleatório, calcular a inflação de preços ocorrida apenas durante este período,
e então fazer elucubrações sobre qual seria a taxa de câmbio correta. 

A
literatura sobre isso é bem clara: você não apenas tem de pegar todo o histórico inflacionário de uma moeda, como também tem
de considerar a taxa de câmbio do dia do nascimento desta moeda.

E
então, só então, poderá fazer alguma projeção. 

Dado
que o real foi criado em julho de 1994 (a um câmbio inicial de 1 para 1 em relação
ao dólar), você tem de ver qual foi a sua perda de poder de compra em relação ao
dólar desde julho de 1994, e não desde janeiro de 2003 (a um câmbio inicial de
3,55).  Não faz absolutamente nenhum sentido
começar uma série que envolve perda do poder de compra a partir de janeiro de
2003.  Por que janeiro de 2003?  Por que não janeiro de 2006?  Ou de 2010? 
Ou mesmo de 2015?

Ao
começar sua série em 2003, Perfeito não apenas começou de onde não devia, como também,
e para piorar, escolheu um ponto de partida completamente viciado.  Ele escolheu exatamente um ano em que a
cotação do dólar estava completamente irreal em decorrência da eleição de Lula
e do PT.  Vale lembrar que, à época, o PT
era um partido que até então pregava o rompimento de “tudo que aí
está”, que defendia a adoção de uma economia socialista, o rompimento de
contratos, a estatização dos meios de produção, a reforma agrária na marra, o
calote das dívidas interna e externa, o poder ilimitado dos sindicatos, as
greves etc.  E a eleição deste partido
gerou um clima de total incerteza entre empresários e investidores
estrangeiros, levando a uma grande fuga de capitais e a uma venda maciça do
real, o que levou à sua brutal — porém artificial — desvalorização.

Começando
a série exatamente em um ano em que a moeda estava artificialmente
desvalorizada — o que significa que, dali em diante, ela só poderia se valorizar
–, Perfeito contamina toda a sua análise.

Façamos,
então, da maneira correta.

O “câmbio de equilíbrio”

Quando
o real foi lançado, no dia 1º de julho de 1994, 1 real valia 1 dólar.  Portanto, já temos o “câmbio de nascimento”.

De
julho de 1994 até março de 2016, o
IPCA acumulado
foi de 437,86%.  Isso significa que
algo que custava R$ 100 em 1994 custa hoje R$
537,86
.

Neste
mesmo período, o CPI
(Consumer Price Index) americano acumulado
foi de 60,47%
Isso significa que algo que custava US$ 100 em 1994 custa hoje US$ 160,47.

Dado
que a taxa de câmbio, como explicado, tem de refletir o poder de compra
relativo entre ambas as moedas, então a divisão de um poder de compra pelo outro
fornecerá uma estimativa razoável de qual deve ser o “câmbio correto”. 

Dividindo-se
R$ 537,86 por US$ 160,47 temos um câmbio
de 3,35 reais por dólar
.

Observe
que este valor de livre mercado está bem próximo do atual valor de 3,50, o qual
só se mantém porque o Banco Central vem fazendo seguidas operações
de swap cambial reverso
exatamente para impedir novas quedas.

Observe
também que este valor de 3,35 é exatamente a metade dos 6,70 encontrados por Perfeito, o que significa que ele
errou o câmbio por uma margem de 100%.

Para
que tivéssemos os 6,70 de Perfeito, o IPCA acumulado teria de ter sido de 975%
em vez de 437%.  Nada que mais uns quatro
anos de governo Dilma não conseguissem, é verdade, mas, por enquanto, tal valor
ainda está bem longe.

Porém,
pelo bem do debate e para dar uma mão a Perfeito, utilizemos o mais alto valor
inflacionário encontrado para o real, que é aquele mensurado pelo IGP-M.  De julho de 1994 a março de 2016, o
IGP-M acumulado
foi de 588,75%, o que significa que algo que custava R$ 100 em 1994 custa
hoje R$ 688,75.

Dividindo-se
R$ 688,75 por US$ 160,47 temos um câmbio
de 4,29 reais por dólar
.

Esse
valor mais extremo, embora bem mais alto que os 3,35 encontrados antes, ainda
está muito longe dos 6,70 de Perfeito.

Para
deixar o conjunto estatístico mais completo, podemos pegar uma média simples
entre os dois valores encontrados — 3,35 e 4,29 –, o que daria um câmbio de 3,82.

Portanto,
temos que o valor mínimo do “câmbio correto” seria de 3,35, o máximo seria de
4,29, e o valor médio seria de 3,82. 
Qualquer valor entre 3,35 e 4,29 está dentro da realidade.

Consequentemente
— e tendo-se em mente exclusivamente o cenário atual (os valores aqui
encontrados, por motivos óbvios, não se aplicarão daqui a um ano) –, se o dólar
cair para menos do que 3,35, o real estará sobrevalorizado, o que ajudará
bastante no combate à inflação de preços. 
Caso ele fique acima de 3,82, isso estimulará ainda mais a inflação de preços.  Caso fique acima de 4,29, tem-se inflação galopante.  E caso chegue aos 6,70 de Perfeito, estaremos
próximos da Venezuela.

Conclusão

Por
acaso estaria eu dizendo que um destes três é o valor corretíssimo e acurado
para o câmbio?  Claro que não.  Mas o que posso dizer, e sem sombra de
dúvidas, é que o “câmbio de equilíbrio” não chega nem perto dos 6,70 reais por
dólar de Perfeito. 

E
nem muito menos dos 2.715 reais por dólar defendidos por Bresser-Pereira…
(uma pitada de ironia).

Este
assunto é de crucial importância porque defender a desvalorização da moeda é
uma política que, infelizmente, nunca morre. 
Desvalorizar o câmbio é uma política vista como a solução mágica para todas as
agruras econômicas.  É vista
como estimuladora de exportações, como a solução para a baixa competitividade
de nossas empresas e indústrias, e como a salvadora da balança comercial. 

No
entanto, tudo o que ela realmente consegue alcançar é destruir a renda da população
(principalmente dos mais pobres, que não têm acesso a aplicações bancárias para
se defender da perda do poder de compra da moeda), elevar o custo de vida,
elevar os custos de produção das empresas e das indústrias, e enfraquecer toda
a economia. (Veja todos os detalhes teóricos e empíricos aqui).

Por
tudo isso, sempre que algum economista disser que sabe o valor correto do câmbio
de equilíbrio, faça esse cálculo e veja quão realmente honesto ele está sendo.  Não lhe conceda um passe-livre.  Não permita que ele defenda livremente a destruição
do poder de compra do seu salário, da sua renda, da sua poupança.  

O
poder de compra da nossa moeda é crucial demais para ficar ao sabor dos
devaneios de Perfeitos e Pereiras.

______________________________________________________

Leia também:

O dólar está caro? Até onde vai o câmbio?

O que realmente permitiu o
grande crescimento econômico brasileiro da última década
 

O legado humanitário de
Dilma – seu governo foi um destruidor de mitos que atormentam a humanidade
 

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225 comentários em “Qual o valor “correto” do câmbio? Sim, é possível estimar”

  1. Leandro, gostei da explicação, simples e sucinta. Mas vi um porém, corrija-me se eu estiver errado.

    O dólar como a moeda franca do mundo, não teria um descompasso entre a expansão monetária e a carestia nos EUA? Já que com aceitação mundial, o dólar se dilui pelo mundo em vez de ficar apenas nos EUA, assim reduzindo a razão entre carestia e expansão.

    Além do mais, o cálculo que o FED usa pra inflação faz o nosso parece absurdamente honesto.

  2. Se não me engano o Serra criticou o Henrique Meireles por ele ser a favor da valorização do real perante o dólar.Caso isso seja verdade,temos que manter o Serra longe da presidência da república.

  3. Caro Leandro, parabéns… como de costume.

    Sou Físico, não Economista, mas há 3 anos estudo Econofísica, e faço uma humilde consulta:

    Lendo seu artigo, me ficou claro que seu objetivo era provar que os argumentos de Perfeito, no mínimo eram incompletos. Até aqui, ok, sem problemas.
    Mas tal vez pela minha ignorância, não fiquei satisfeito com seu suposto método de estimação do valor correto do câmbio. De fato, o título do seu artigo promete isso, mas no final do texto você até reconhece que seu método de estimação pode não ser correto.
    Ficou confuso.

    Acontece que como todos sabemos, há em economia fundamentos técnicos racionais (por exemplo como você citou no caso da cotação a partir das inflações acumuladas: R$537,86/US$160,47=R$3,35).

    Mas há também argumentos irracionais (variáveis independentes).
    As vezes esses movimentos são sujeitos a manipulações artificiais da própria Máquina Estatal (seletivas e subjetivas injeções de liquidez, compra venda de Swaps, manipulações taxa de juros etc).
    Outras vezes são sujeitos a picos ou vales nas balanças comerciais dos países, que independente das suas economias podem se ver beneficiadas/prejudicadas (por exemplo pela valorização/desvalorização de determinadas matérias primas no mercado internacional).
    Sem mencionar, que também afetam crises políticas, ou percepções de calote (CDS), ou meras percepções especulativas do mercado sobre o futuro de um país etc.
    Resumindo, esses fatores irracionais também afetam a oferta/demanda de uma determinada moeda, de maneira exógena, independente da economia/inflação de qualquer país. E afetam seu câmbio.

    Concordo que uma estimação é uma probabilidade.
    A estimação do Perfeito é bastante Imperfeita (vale o trocadilho). Isso ficou claro no seu artigo.
    Mas sua estimação Leandro, apoiada apenas em argumentos racionais, não seria fraca também pelo fato de desconsiderar fatores irracionais?

    Sou a favor de trabalharmos com estimações.
    O que investigo é o grau de validade da estimação, a partir de um determinado método.
    Posso perfeitamente aceitar estimações com baixa validade, porém, somente no caso de não ter outros métodos de estimação, ou de ter para comparar estimações com métodos piores.

    Neste caso da estimação do valor correto do câmbio, além da inflação e poder de compra, não deveriam também ser incluídas projeções sobre variáveis independentes/exógenas/argumentos irracionais etc?

    E no caso Brasil, considerando essas variáveis independentes/exógenas, isso não apontaria uma cotação bem acima da atual? De fato, em um hipotético cenário sem Swaps e com balança comercial negativa, ainda com inflação baixa… não teríamos uma disparada da cotação? A mera inflação não seria insuficiente para validar uma estimação?

    Abs!

  4. Ótimo artigo.

    Porém tenho uma pergunta: não seria possível que uma moeda já nasça valorizada/desvalorizada perante a cotação do primeiro dia? Apesar de que a relação Dólar/Real fosse oficialmente 1 no primeiro dia, e se o mercado encontrasse que o valor fosse 1 Dólar = 1,3 Real num curto periodo? Isso faria uma grande diferença nos cálculos.

  5. Como eu trabalho com equipamentos importados, seria melhor ter a moeda valorizada.

    Se um real comprasse 5 dólares, eu poderia aumentar em 10 vezes a quantidade de negócios, além de aumentar a margem de lucro, sem ter que pagar mais para o fornecedor. Se um produto importado é caro, fica difícil aumentar a margem de lucro.

    Como eu não sou lobista, eu acredito que seja melhor um moeda com poder de compra igual ao do dólar.

    Uma pessoa que ganha 3.000 dólares, precisaria ganhar 21.000 reais para ter o mesmo poder de compra, se o dólar fosse 7,00. O que parece um absurdo. Isso só iria gerar pobreza e inflação.

    A questão é simples. O pobre precisa ter o direito de importar e ter o seu dinheiro valorizado. Não adianta ser remunerado com uma coisa que não compra nada.

  6. O Perfeito foi imperfeito e mal intencionado, como é o costume dos marxistas, dos keynesianos e da esquerda em geral. Eles têm que fazer os dados se encaixarem nas suas teorias nem que para isso tenham de estuprá-los. Três meses antes das eleições daquele ano, quando ainda não se desenhava a vitória do Lula, o dólar estava em menos de 2 reais e dentro de uma faixa flutuante relativamente livre. Como a possibilidade da vitória de Lula passava a se tornar uma realidade em poucos dias adiante, depois de mais de 20 anos de campanha eleitoral prometendo o socialismo, os agentes econômicos trataram de se precaver contra a tal intervenção econômica prometida, e a subida do dólar para mais de 4 reais em um curto espaço de tempo, foi uma das consequências. Espertamente, Perfeito escolheu o dólar em um pico fora da realidade naquele momento para se encaixar, agora, em sua teoria furada.

  7. Leandro,

    Gostaria de lançar uma idéia : poderíamos agregar a tua base teórica a um programador e
    Criar um pequeno programa que automatiza a coleta dos dados e o cálculo do câmbio de equilíbrio
    Mês a mês, com os resultados publicados no Mises.org.br.
    O que acha?

  8. Eu ia perguntar como que poderia garantir que 1 pra 1 era a real taxa de cambio para o primeiro ano, mas aí alguém perguntou acima e vc dissr que no primeiro ano o cambio era flutuante.

    Dai fui ler o artigo indicado. Realmente era flutuante, mas a selic era 60%a.a.

    Voce não acha que juros tão altos ibfluenciam pesadamente nas “taxas flutuantes”?

  9. Henrique Zucatelli

    Aplausos grande Leandro! Admirado com esse artigo, de verdade.

    Agora uma pergunta interessante:

    Se na em 94 o Real tivesse sido implantado via Currency Board ortodoxo com paridade no dolar, e supondo que tivesse ficado na época em 1=1, a inflação brasileira teria sido próxima da americana, posto que a dinâmica da base monetária fica atrelada a moeda mãe?

  10. Leandro mata de pau. É sempre uma grande aula. Guardo seus artigos com muito carinho. Embora tenha-me casado com o Direito, sempre tive a Economia como amante. Abraços.

  11. Reclamam do estado e não batem naqueles que mantém o estado: A CLASSE POLÍTICA.

    Se queremos ficar livres dessa corja temos que aos poucos alertar a todos sobre como é danoso para o bolso das pessoas e para os cofres do país a existência dessa classe parasitária chamada político.

    Em artigos anteriores eu percebi o aumento dos interessados que gostaram da minha ideia de criar um grupo para essa finalidade: A ELIMINAÇÃO DOS POLÍTICOS COMO CLASSE.

    Eu já expus aqui um principio de como iniciaríamos essa empreitada:

    Criaríamos um empreendimento para a função de alerta aos empreendedores. Sejam eles pequenos, médios ou grandes empreendedores.

    Um grupo poderia ser criado, mostrando o nosso cartão de visita, para fazer o trabalho de divulgação entre os empresários. Assim que contratados, de comum acordo com os mesmos (troca voluntária), estabeleceríamos um preço razoável para começar a imprimir cartilhas explicando as pessoas, dentro do estabelecimento do contratante, se assim esse desejar, mais principalmente nas ruas.

    Poderíamos também criar grupos de associados para que cada vez mais a mensagem de anti-políticos ganhasse mais força através de palestras e encontros.

    Mostraríamos aos poucos para as pessoas que pagar impostos é uma falácia. Só serve para sustentar a classe política…e também mostraríamos a existência de moedas digitais, como o bitcoin, por exemplo, para o empresário e para as pessoas comuns.

    Aos poucos vamos tirar essa mentalidade estatal da cabeça das pessoas.

    Como eu sou da CIDADE do Rio de Janeiro, ficaria melhor que pessoas daqui entrassem em contato comigo.

    Trabalharíamos como se fossemos “fantasmas”. O investimento seria feito diretamente com empresários que assim solicitasse nosso serviço.

    É claro que esse grupo crescendo vamos criar e ter contato com pessoas de outros estados e até mesmo em nações estrangeiras.

    Para os interessados meu email NOVO é [email protected]

  12. Perfeito!:-)
    Só tem um detalhe. O Real quando foi criado veio de outra moeda. Ele nasceu de outra moeda já existente. E inclusive a paridade 1/1 à época foi arbitrada por decreto. Então, pra saber qual o câmbio realmente correto, teríamos que voltar mais ainda no tempo, quando, das duas (moeda americana e moeda brasileira), a 2a moeda foi criada. A partir daí faríamos as devidas correções inflacionárias para a moeda brasileira (que teve vários nomes) e para o dólar americano. Que data é esta? 1822? Não sei.
    Ou seja, eu acho que quem escreveu o artigo cometeu o mesmo erro que o andré perfeito..
    Se amanhã criarem um plano chamado “Cruzeiro”, estabelecendo uma paridade 1/1 entre dólar e câmbio, não significa que é a partir daí que começaremos a calcular a taxa de câmbio real? O mesmo se dá pro raciocínio a respeito do Real, em 01/7/94. Então, afinal, qual a taxa de câmbio correta?:-)

  13. Se eu quisesse realizar esse cálculo entre o dollar americano e a libra esterlina, eu teria que utilizar a cotação de ambas desde as datas que essas moedas foram criadas? No caso seriam séculos de dados sobre a inflação, que creio, não devem existir.

  14. Leandro, gostaria de saber se há algum índice de preços nos EUA que tenha uma metodologia no mínimo parecida com o IGP do Brasil. Caso exista não seria esse o melhor indicador pra estimar o “câmbio correto” caso se tome como base o IGP-M?

  15. Leandro, dá uma luz?

    Vou tomar como referências as teses de: Peter Schiff e Helio Beltrão. Ambos concordam que o dólar terá sérios problemas pela frente, mas cada um deles argumenta de forma diferente.

    A tese do Peter Schiff é que o dólar sofrerá de hiperinflação, tendo como base a TACE.
    A tese do Hélio Beltrão é que o dólar sofrerá de deflação, quanto começarem a acontecer os calotes/defaults e as falências. São os tais dos ciclos longos de Kondratiev, quando o BC não deixa as recessões acontecerem. Escrevi tudo de cabeça, na lata. Está certo? Para você, qual das duas teses parece fazer mais sentido?

    Peter Schiff está certo de novo?
    ou
    Os ciclos de Kondratiev também estão corretos, e o Peter Schiff precisa estudar um pouco mais?

    Pra terminar… Você costuma defender, de forma inveterada, Currency Board. Eu gosto da ideia. Mas se o dólar está prestes a entrar em apuros, não seria melhor o câmbio flutuante, mesmo? Não vejo como seria uma boa ideia ancorar o nosso barco num Titanic prestes a afundar – acho que a analogia faz sentido.

  16. Fernando Simões

    Prezado Leandro,

    Volto a questão das commodities. Onde ficam as fortes entradas de capital estrangeiros na sua explicação anterior ao Henrique ? Essa tendência à sobrevalorização cíclica da taxa de câmbio
    nos países em desenvolvimento, segundo a teria neo-desenvolvimentista, não se da apenas por causa da pressão das commodities. Esse é o primeiro motivo.
    O segundo são “as entradas excessivas de capital causadas especialmente pela equivocada política de crescimento com poupança externa, promovida mediante a elevação da taxa de juros para atrair capitais e mediante o aumento irresponsável das despesas do Estado, e também, em razão do uso de âncoras para combater a inflação, da política de elevação da taxa de juros para superar a "repressão financeira", e do populismo cambial, apreciam ainda mais a moeda nacional, levando a taxa de câmbio para baixo do equilíbrio corrente, na área do déficit em conta corrente”.
    Portanto, não tratam tão somente da balança comercial, mas sim da balança de pagamentos. São as crises nos balanços de pagamentos que determinam sobrevalorização cíclica das moedas dos países em desenvolvimento.

    Gostaria que comentasse novamente sobre essa questão, esse é um tema de grande importância atual.

  17. Prezado Leandro, excelente artigo. Não sou da área mas aprendo muito com o site! Gostaria de saber se nessa comparação de poder de compra, como os impostos que aqui são aplicados sobre os bens interferem nessa conta? Ou não interferem? (Minha dúvida é acerca da discrepância de impostos cobrados sobre o valor do bem nos EUA e aqui no Brasil).
    Obrigado.

  18. Analisando o artigo: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1412 , Observa-se a seguite sentença:
    “O IPCA sob o governo Dilma passou agora a obedecer a Lei de Goodhart, a qual diz que uma vez que um indicador social ou econômico adquire status de meta de política econômica, ele perde o conteúdo informativo que outrora o qualificara a servir como meta.”
    Uma vez concordando com tal afirmativa, o meu problema é levar em conta o tal do IPCA como balizador para se estabeler, teoricamente, a paridade de poder de compra das duas moedas.
    Se o CPI americano for tao confiável quanto o IPCA, a análise que este artigo defende estará sim correta, mas os valores usados para o calculo não. Portanto , não consigo aceitar nem os 6,70 nem os 3,35 como valor da taxa de câmbio, de modo que o atual câmbio próximo dos 3,35 pode ser mera coincidência.
    Meu raciocínio está correto?

  19. Leandro, parabéns pelo artigo. Uma pergunta, poderíamos utilizar a cotação do ouro em ambas as moedas como forma de definir o valor do cambio? Se considerarmos o valor do grama de ouro nos EUA de +/- US$ 40,98 e o grama no Brasil de +/- 143,8 teríamos um valor de cambio de +/- 3,51 reais para um dólar. Isso faz sentido ou estou dizendo bobagem?

  20. Parabéns Leandro,excelente artigo!O interessante é que todos os economistas falam em taxa de equilíbrio,mas apoiam a desvalorização da moeda.Acho um contra-censo,pois taxa de equilíbrio viria da paridade do poder de compra das moedas.
    Aqui também abrirá um espaço para especuladores:Se você acredita que a inflação aqui continuará alta e lá nos states continuará baixa,compre dólares.O inverso também é verdadeiro.
    Abraços!

  21. José R.C.Monteiro

    Leandro, grato, pelo artigo, muito claro.
    Quer dizer, se o (des)governo não metesse a colher com essa nova sobretaxação da conversão de reais para dólar, a população poderia enxugar a moeda circulante abundada no mercado que provoca a inflação, ou seja, desfazendo-se da moeda ruim teríamos a desinflação.

    Leandro, fora a piada acima, tem algum plano do governo em curso?

    Abraços e sorte.

  22. Giordanno Rocco

    Ótimo texto Leandro!
    Fico ressabiado em utilizar puramente os índices sem aplicar nenhum fator de correção para ajustar as diferenças de metodologia para a construção de cada índice, bem como as alterações nas próprias metodologias individuais (como o que ocorreu com o IPCA em 2012, por exemplo). Não seria mais justo arbitrar um fator de correção? (Não conheço as especificidades de cada índice, mas acho q um ajuste possível e não muito complicado seria adicionar uma incerteza em toda a série histórica até chegar no período de interesse).
    Sem sombra de dúvidas ainda sou muito mais os valores propostos neste artigo do que os “devaneios de Perfeitos e Pereiras”. Beleza, todo o conhecimento da humanidade está fundamentado em modelos.. e todos os modelos tem um erro em relação ao objeto de estudo… Agora, sair utilizando modelo e divulgando bobagens por aí é no mínimo vergonhoso.. Eu teria vergonha… E tem gente que “aposta” o dinheiro do trabalho na opinião de falastrões.. assustador!
    Como sempre, Mises trazendo ótimas discussões. Ainda não encontrei outro site brasileiro mais interessante sobre o tema!! Faço de tudo para conseguir tempo para ler mais os materiais e discussões por aqui…
    Quem sabe um dia eu até consiga cursar economia… rsrs Seria bem legal.
    Parabéns mais uma vez pelo artigo e pelas respostas que tenho lido! Esta prioridade mostra o respeito que vocês têm em relação aos leitores. Por estas e outras que me cativam.

  23. Leandro,

    não sou a favor de protecionismo, acredito no liberalismo, sou empresário da indústria metalúrgica, economista… Eu acredito no livre mercado, concorrência… Dito isso, discordo que o governo não deva agir de para proteger a indústria nacional, não para valorizar o produto brasileiro ou o mercado interno, mas simplesmente pelo fato de que nem toda a concorrência é leal. Temos na indústria metalúrgica um belo exemplo, os custos de produção em países asiáticos, como a china, são baixíssimos, devido as suas leis trabalhistas abusivas, beirando a escravidão. Com as atuais medidas protecionistas já é difícil conseguir competir com o produto chinês, imagina se liberar geral rs. Gostaria de saber sua opinião! Grande abraço!

  24. Leandro, e como os impostos entram na equação? eles influenciam no preço, mas não alteram o poder de compra em si da moeda, correto? Caso não haja inflação monetária no mesmo período, obviamente.

  25. Não tiver tempo de ler todo os comentários, então talvez eu seja repetitivo.

    O texto está brilhante, mas obviamente é uma simplificação para que o assunto fique mais palatável ao público em geral.

    Outros fatores também teriam que ser considerados no modelo econométrico para se encontrar o “câmbio de equilíbrio”, tais como:
    – A livre movimentação do capital e dos bens.
    – Impostos de importação e importação
    – Política fiscal e monetária

    Só para deixar claro, eu entendi que o ponto era demonstrar o erro do Perfeito (e não concluir qual seria o “câmbio de equilíbrio”.

  26. Caro Leandro , dei uma olhada no “The Big Mac Index” e o valor para conversão de Reais em Dollar seria de aproximadamente R$2,70 por Dollar . Você acha esta metodologia valida ?

    Abraços.

  27. Pilates-Perdizes

    A desvalorização do real não apenas elevou a inflação de preços no país e reduziu a renda real dos trabalhadores, como ainda destruiu o setor industrial, sem trazer melhorias para as exportações.

  28. Leandro, se se deve considerar todo o histórico inflacionário da moeda por que você não considerou a inflação acumuldada do dólar desde a sua criação, mas sim desde a criação do real? Se, por hipótese, o dólar tivesse sido criado em julho de 2000, far-se-ia o cálculo do câmbio a partir desta data, sabendo que o real foi criado em 1994? Devemos fazer o cálculo do câmbio a partir da data da moeda criada em último?

    Quero lhe pedir um favor muito grande: será que podem fazer um artigo a falar da crise económico-financeira de Angola (que se confronta atualmente com problemas de balança de pagamentos), sua causa e consequências e sugestões de solução?

  29. pilatesvilamadalena

    É preciso que seja cotejado a relação de custo-benefício da desvalorização do câmbio. Pode ser uma solução ou uma ação que causará mais problemas. Desvalolizar o câmbio é vista como uma solução pois aumenta consideravelmente a competitividade das empresas o país. No entanto, aumenta a inflação penalizando os mais pobres.

  30. Boa dia leandro,

    Quando vc diz que se por exemplo um produto custa 500 dolares nos eua e 1000 aqui no brasil, logo a conversao seeria de 1 para 2. Mas isso levando em conta somente o preço do produto, ou contando tds os impostos que sobre ele incidem?

    por exemplo em alguns estados americanos em que nao ha imposto sobre produtos, esses preços tenderiam a ser menores, isso daria ao dolar um maior poder de compra? Logo um dolar vale mais em Oregon do que em vermont por exemplo? logo um real vale menos em oregon do que em vermont(supondo que o msm produto custe 550 em vermont e 450 em oregon)?

    nao sei se ficou clara minha pergunta, estou meio confuso.

    Obrigado

  31. E o que fazer com várias pessoas que irão perder o emprego caso a moeda se valorize? Empresas irão fechar, menos renda, empobrecimento e tudo mais. Como encontrar força política para botar em prática a ideia de moeda forte, se a consequência imediata é de falências e demissões?

    Existem exemplos de protecionismo estratégico, como na Coréia do Sul e no Japão no século passado, que permitiu o desenvolvimento industrial desses países, para enfim competirem com os EUA. Se eles permitissem livre comércio em todos os setores, obviamente seriam países sem força industrial hoje.

    Abrir a economia completamente e fortalecer a moeda, num país desindustrializado como o nosso me parece loucura.

    Se o nosso governo não fosse tão imundo, e investisse em infraestrutura, com certeza o país iria encontrar condições de se desenvolver e futuramente competir no mercado internacional.

    No mundo real, é mais importante acabar com a corrupção e diminuir o tamanho do estado, do que abrir as portas pra tudo quanto é porcaria, inclusive produtos chineses de baixíssimo preço produzidos por trabalho escravo. É um tanto quanto imoral financiar esse tipo de coisa não concordam?

    O argumento é simples, mas vocês não conseguem refutar, pois é verdadeiro: Se a abertura econômica num país como nosso causaria quebradeira e desemprego, de que adianta termos preços mais baixos?? Quem irá consumir esses produtos se a população estará desempregada e consequentemente sem poder de compra????

    Tem que ser mais responsável nessas horas e levar em consideração TODOS os fatores teóricos e práticos, afinal de contas estamos falando da vida de pessoas. Ninguém pode esperar anos até o nosso mercado se desenvolver sozinho (isso SE ele se desenvolver sozinho…), todos temos contas para pagar no final do mês.

    Menos pensamento bitolado e unilateral, por favor.

    saudações a todos.

  32. “Por exemplo, se o preço de um mesmo produto é de US$ 500 nos EUA e de R$ 1.000 no Brasil, então a taxa de câmbio entre as duas moedas terá de ser de 2 reais por dólar. A essa taxa, um brasileiro vai pagar o mesmo valor por esse produto, seja ele comprado aqui no Brasil ou nos EUA.”

    Isso incluíria impostos?

  33. pilates-vila-romana

    O tripé macroeconômico propõe câmbio livre, sem manipulação. O preço da moeda será dado pelo mercado, sem interferências governamentais.

  34. De barco pra Miami

    Pelo que eu sei, o recorde de exportações do Brasil não chegou à 15% do PIB. Ou seja, alguém quer priorizar uma coisa que não é a maior fonte de renda.

    Claro que entrar dólar no Brasil é importante, mas forçar a desvalorização do real é loucura. Ainda mais pra exportar pó de ferro e soja.

  35. Cada vez mais que visito este site, mais eu me surpreendo com o ótimo conteúdo do mesmo. As informações trazidas neste artigo com certeza aumentaram um pouco mais meu mínimo conhecimento sobre economia, ao qual tenho ensejo de aumentá-lo através desta fonte de conhecimento que é o Instituto Mises.

    O que me intriga, é a insistência no mesmo discurso de que a “chave para o sucesso” é a desvalorização cambial. Benefícios próprios aos governantes? Pra mim, com certeza. Um conluio com grandes exportadores através de leis que os beneficiem via financiamento de campanha política talvez…

    Mais uma vez, parabéns Leandro!

  36. O artigo comete o mesmo erro do artigo que se propõe a criticar: estabeleceu um data única para comparação, qual seja, o “dia do nascimento do real”. E quem garante que, nessa data, o valor era o correto ou justo? Até sabemos que, em 1999, após anos determinando uma faixa de flutuação, o governo jogou a toalha e liberou o câmbio que, em seguida, sofreu forte desvalorização. Episódio conhecido como a maxidesvalorização do real perante o dólar americano.

    Outro erro foi dizer que o real deveria estar mais forte, caso o BC não tivesse intervindo com swaps reversos. O erro está em não lembrar todos os meses que o mesmo BC usou swaps tradicionais. Em outras palavras, se o dólar tivesse antes batido em 5 reais, sem intervenções, quem garante que, antes do impeachment, ele teria caído até uns 3.20?

    O fato é que, embora, no longo prazo (e aqui deveríamos falar em décadas, se é que o real vai conseguir décadas de existência), o poder de compra tende a ser uma boa referência, talvez como média, mas dificilmente seria o valor mais comum, uma moda.

    Tantos são os fatores que concorrem para o valor de câmbio que, em tese, só em um mundo com todos os países deixando suas moedas flutuarem livremente (algo muito distante da realidade hoje) e com a movimentação de valores sendo livre e fácil (também não é realidade hoje), poderíamos confiar nesse valor.

    Outra crítica é que, por melhor que seja a definição da cesta de produtos e serviços na análise do poder de paridade de compra, há de se levar em consideração o nível de renda e desenvolvimento dos países.

    Em locais pobres, o dinheiro tende a comprar mais. Isso porque a mão-de-obra deve ser mais barata, uma vez que, como regra, a produtividade é mais baixa. Preços como aluguéis também devem ser mais baratos, uma vez que há mais renda circulando, mais e melhor infra, etc. Em outras palavras, câmbio mais barato pode sim ser um fator temporário de competitividade de países mais pobres. Isso pode ser encarado como um “prêmio” cobrado pelo investidor para ir para um local menos competitivo (piores infra, educação, instituições, produtividade, etc.).

    Por isso, a The Economist criou, após o Big Mag Index, o índice ajustado por pib per capita.

    Finalmente, levando em consideração os inúmeros fatores (só alguns comentei aqui) que concorrem para o estabelecimento de um valor corrente para o câmbio, e sabendo-se que é um dos principais variáveis econômicas, a discussão se o dólar está barato ou não no país está longe de ser simples.

    Último comentário: quando se analisa exemplos pelo mundo, não dá para somente escolher aqueles que convém para sustentar os argumentos, como vi em alguns links do texto acima. Haverá sempre um contraexemplo esquecido. Quer um? Alguns meses após a maxidesvalorização do real em 1999, houve uma forte recuperação econômica no país. Isso quer dizer que o mesmo poderia ocorrer hoje? Claro que não. O passado nem sempre se repete.

  37. Caríssimo Leandro,
    O Banco Mundial tem um critério de medir o pib per capita de um país pelo poder de compra da moeda. Tenho a intuição de que há um erro nisso. Por exemplo, interior da Bahia, onde tive propriedade, no vilarejo onde situado o imóvel, pagava-se ao barbeiro $1.50, enquanto na maior e mais rica cidade da região, distante uns 80 km desse vilrejo, fazer a barba, em barbeiro, custava $5.00. O que o Banco Mundial quer dizer é que um determinado país, de pib percapita baixo, quando apreciado pelo poder de compra e, na verdade, maior do que parece ser. Não sei qual o critério do banco, mas deve haver algo errado porque, salvo o custo da mão-de-obra, tudo mais no vilarejo era mais caro do que na cidade maior e mais rica. Minha pergunta é se há algum estudo no Instituo de que examine criticamene esse método do banco?

  38. Leandro,

    Parabéns pelo ótimo artigo e também por todos as suas respostas muito lúcidas nos comentários.

    Gostaria de saber como fazer o mesmo cálculo para descobrir o valor correto do câmbio na Argentina (USDxARS) a Dezembro de 2015 ou atualmente.

    Deveria utilizar a serie histórica desde 01 de Janeiro de 1992?

    Também tive problemas ao utilizar o IPC Argentino que é bastante desconfiável; utilizando a expansão do M2 Argentino e dos EUA é possível chegar ao valor “correto”?

    Desde já, grato pela atenção,

    Felipe

  39. Caro Taxidermista,

    Eu havia lido ontem esse artigo que sugeriu no Mises USA, tendo inclusive ficado um tanto intrigado c/ a seguinte frase:

    And what came with a declining US-Japan spot rate? Skyrocketing US exports of goods to Japan, of course:“.

    Afinal, ela não estaria claramente admitindo que a as exportações afetam sim a taxa cambial ?
    Isto seria apenas no curto prazo ? Ou válido entre países mais semelhantes ?

  40. Belo artigo, Leandro.

    Sobre a seguinte passagem:

    Um especulador esperto irá vender A em troca de reais (irá obter R$ 2) e, em seguida, irá trocar R$ 2 por US$ 2 (pois a taxa de câmbio é de 1:1). Ato contínuo, irá recomprar esse bem por US$ 1, que é o seu preço de mercado, embolsando o dólar extra. Essa contínua troca de reais por dólares encarecerá o dólar em relação ao real, finalmente levando a taxa de câmbio para seu valor correto, de R$ 2 por dólar.

    Seria possível (e talvez até mesmo mais provável) que o novo “valor correto” de equilíbrio fosse mais intermediário, digamos R$1,414213…/USD ? Afinal, não ocorre uma pressão altista (compradora) no preço do dólar em reais, e ao mesmo tempo também uma pressão baixista (vendedora) no preço de A em R$ ?
    Neste caso, tal fato não seria uma constatação de que os mercados de bens e serviços (onde o poder de compra da moeda é estabelecido) e o de ForEx\câmbio (outro local onde essa mesma característica é aferida) se auto\retro-alimentam simultaneamente ?
    O correto portanto não seria afirmar que a paridade do poder de compra entre duas moedas (mercado no qual o item “A” é comercializado) na verdade reflete – ao invés de “determina” (operando num único sentido) – a taxa cambial (formada em seu mercado específico\bolsa) ?
    O efeito (alegadamente) de curto prazo do balanço de pagamentos (mormente comércio exterior) reconhecido nos comentários como um fator de alguma influência no câmbio (ainda que de forma efêmera) não equivale precisamente à existência dessa via de mão-dupla (i.e. mercado físico causando mudanças no mercado de moedas, mas este também alterando aquele concomitantemente) ?

    Sobre o câmbio “Perfeito” (p/ nosso armaggedon definitivo !) de R$6,70/USD, não seria aproximadamente este nº a que chegaria no Brasil um Currency Board digno desse nome, ou seja, um que se auto-proibisse terminantemente de praticar algum tipo de reserva fracionária por qualquer período que fosse (mantendo a paridade realmente inelástica entre as moedas a partir da entrada em operação da caixa de conversão) ? Em outras palavras, este CB não teria de prover cobertura em dólares (na taxa inicialmente encontrada) a qualquer real que eventualmente fosse apresentado p/ troca (incluindo papel-moeda emitido (202 bi) + reservas bancárias (40 bi) + todos os compulsórios (334 bi) + conta única do Tesouro no BC (970 bi) + (?) equalização cambial (98 bi) + vendas compromissadas de títulos do Tesouro pelo BaCen (1.034 bi) + etc + …, somando atualmente por volta de R$2,6 trilhões, face a reservas externas de uns USD370 bi, perfazendo a relação de R$6,97) ? ps: o governo poderia antes esterilizar quase toda sua conta no BC, recomprando deste o que desse em títulos do Tesouro, já as compromissadas configurariam sempre um potencial monetário na mão dos bancos, certo ?

    Obrigado.

  41. Pois Zé !

    Mas e quando o próprio Salerno escreve um artigo fazendo concessão à ideia de se substituir o famigerado e imoral poder do governo de se endividar em nome de seus súditos, digo, “cidadãos”, mas pondo em lugar desse absurdo exclusivamente a emissão monetária p/ cobrir déficits estatais a ser decidida unicamente pelos parlamentares ? Mesmo lá nos EUA isso me parece extremamente perigoso (ainda mais do que o “arranjo” atual, bastante inflacionário em termos monetários), agora imagine algo assim por aqui, c/ o nosso “ilustre” congresso e todas as demandas populistas por gastos públicos sempre crescentes ? Talvez a “emerda” saísse pior do que o “soneto” macabro da conta-movimento no BB durante a década de 80, quem sabe fazendo até mesmo a dupla Tombini c/ Manteiga parecerem austeros defensores do real ! 🙁

    A propósito, qual a tua opinião sobre o texto linkado acima (mises.org/library/modest-proposal-end-fed-independence) ?

    Att.

  42. Leandro
    Não achei nenhum outro artigo relacionado a pergunta por isso vou perguntar aqui
    Gostaria da sua opinião sobre o lado econômico na época da ditadura, teria como fazer um resumo do que foi e as medidas que foram feitas, ruins ou boas? se tiver um artigo aqui no site que fale sobre essa época pode me recomendar também, obrigado desde já.

  43. Em um primeiro momento eu pensei que “André Perfeito” fosse um personagem fictício e cômico inventado pelo Leandro para ilustrar tolices do keynesianismo. Fiquei surpreso em saber que ele realmente existe. Definitivamente somos o país das piadas prontas.

    * * *

  44. “Ter uma taxa de câmbio flutuante faz com que se consiga equilibrar internamente e externamente a economia brasileira", disse Ilan Goldfjn. Leandro, concorda? dá pra se ter uma ideia do que vem por aí com o BC sob o comando do Ilan?

  45. Douglas Rodrigues

    g1.globo.com/economia/mercados/noticia/2016/06/dolar-cai-mais-de-2-e-fecha-abaixo-de-r-340-pela-1-vez-em-quase-1-ano.html

    O que acha dessa notícia Leandro? Acha que o Ilan irá tomar boas medidas (dentro do possível, é claro)? E qual sua previsão tendo em vista o atual cenário e a equipe do Meirelles, será que teremos uma leve melhorada?

  46. Vi o seguinte hoje no G1, quando falavam sobre câmbio:
    “[…] pode haver pressão inflacionária, já que o BC eventualmente precisa emitir uma quantidade maior de moeda nacional para "defender" a taxa de câmbio que ele mesmo estipulou. Com mais dinheiro em circulação, ele perde o valor e daí surge o efeito da inflação”.

    É assim mesmo que o dólar causa inflação? não é porque os produtos são negociados em dólar? não tô entendendo direito. Enfim, estaria isso subentendido no texto do Leandro e eu não soube extrair?

  47. Eu não entendi o trecho abaixo:

    “Funciona assim: suponha que um mesmo bem A esteja custando R$ 2 no Brasil e US$ 1 nos EUA. Nesse caso, a julgar pelos preços de A, nota-se que o poder de compra do real é menor que o do dólar. No entanto, suponha também que a taxa de câmbio vigente esteja em R$ 1 = US$ 1. Pela taxa de câmbio, o poder de compra de ambas as moedas é igual. “

    Até então, estava sendo considerada uma taxa de câmbio de 2R$ = 1US$. Então porque que, a julgar pelos preços de A, o poder de compra do real estava menor? Não deveria ser o mesmo poder de compra?

  48. Excelente Artigo !!!

    Encontre várias informações interessantes, estou aprendendo bastante aqui neste site, eu encontrei um artigo sobre este tema, veja aqui : cursodeteologiaonline.com/2016/08/07/resultado-do-rio-de-premios/

  49. Boa Noite Leandro,

    Sobre o artigo eu tenho uma dúvida.

    Igual a todos os leitores deste site, compartilho a ideia da valorização do real em relação ao dólar.

    Mas peguei uns dados de um site de conversão de moedas.

    Segundo o site apresentarei as seguintes conversões.

    “Converter EUA – Dólar para Austrália – Dólar australiano

    $ 1 = $ 1.3133″

    “Converter EUA – Dólar para Canadá – Dólar canadense

    $ 1 = $ 1.3334″

    “Converter EUA – Dólar para Cingapura – Dólar de Cingapura

    $ 1 = $ 1.3939″

    “Converter EUA – Dólar para Nova Zelândia – Dólar Neozelandês

    $ 1 = $ 1.3962″

    “Converter EUA – Dólar para Suíça – Franco suíço

    $ 1 = CHF 0.9936″

    Depois de coletado essas conversões, eu pergunto.

    O câmbio ideal para uma economia brasileira forte é entre R$0,99 a R$1,30?

    Digo isso exatamente porque o câmbio entre R$3,35 a R$4,29 ainda que fosse o correto o valor do câmbio se tornaria super desvalorizado em relação ao dólar.

    Quando o real estava a R$1,60 tivemos uma indústria extremamente competitiva e a capacidade dela estava a 1000/h, como mostrado neste artigo – O que realmente permitiu o grande crescimento econômico brasileiro da última década – mas ao que tudo indica, o câmbio nessa paridade com o dólar é o certo, porém a valorização ainda mais do real perante o dólar ainda é viável, como o franco suíço é atualmente com o dólar?

    E no melhor das hipóteses, o câmbio abaixo de R$1,00? É uma taxa supervalorizada, mas praticável?

    Abraço

  50. LUCIANO RIBEIRO LEAL

    Como um banco determina a sua taxa de câmbio?

    Obviamente é seguindo a lei da oferta e demanda, já que a moeda (usando o dolar como exemplo) é uma mercadoria que pode ser transacionada livremente pelos Dealers de Câmbio regularmente cadastrados junto ao Bacen.

    Mas, como se dá a medição desta oferta/demanda, para se chegar a taxa que será cobrada naquele dia pelo câmbio?

    Em que momento o banco ou a casa de câmbio fala assim: temos uma demanda muito grande por dolares hoje, vamos subir o preço do dolar de 3,20 para 3,25.

    Não consigo enxergar essa “operacionalização”. Se alguém puder ajudar ….

  51. O fluxo cambial em 2015 foi positivo. Ou seja, entraram mais dólares no Brasil do que saíram. No entanto, o dólar subiu de R$ 2,40 para R$ 4.

    Em 2016, o fluxo cambial foi negativo. Ou seja, saíram mais dólares do Brasil do que entraram. No entanto, o dólar caiu de R$ 4 para R$ 3,20.

    A pergunta é: como ainda pode haver economistas que dizem que o que define câmbio é balança comercial?

    Em tempo: Leandro, neste artigo você disse que se o dólar caísse abaixo de R$ 3,35 isso significaria que o real estaria apreciado é que com isso a inflação de preços diminuiria. Parece que foi isso mesmo que aconteceu. Parabéns pela análise.

  52. •Foreign equities were mostly down this week.

    •Brazil has again started to slide, after a few good weeks. A rising dollar has clearly had a negative impact. This fall may only prove to be a bump on the road to a higher valuation. The index is still undervalued compared to its peers, while the government's market-friendly reforms should provide a good dose of confidence to investors.

    •For the rolling month, Russia was the worst performer, falling 6.53%.

    •Germany is the best performer this week, rising 1.54%. The nation's equities act as a safe haven in continental Europe as investors nervously await elections in the Netherlands and France. If Le Pen wins the French presidency, outflows from France will continue, with most of the money potentially landing in Germany.

    (Fonte: etfdb.com/news/2017/03/03/etf-scorecard-march-03-2017-edition/)

    Um cenário econômico no exterior traz indícios que poderiam ser favoráveis ao Brasil, no caminho pra sair dessa depressão atraindo investimentos e voltar a enriquecer, mas a política pra variar travando o país.

  53. Parabéns por mais um ótimo texto, Leandro!

    Ainda fico meio confuso com certos aspectos de transações monetárias. Como ocorre exatamente esta “venda de reais” que você mencionou ter ocorrido em 2003? Compreendo que a escassez de um bem gera um aumento em seu custo de compra, mas não entendo exatamente como esse comércio se dá no caso de moedas. Por exemplo, não entendo muito bem porque a política do Bacen em comprar dólares na década de 80/90 desvalorizava o real. De quem exatamente ele comprava? Dos Bancos comerciais brasileiros? E se sim, por isso que o dólar encarecia, porque diminuía sua quantidade disponível para compra?

    Abraços!

  54. Alexandre Tadeu

    Leandro, vc saberia explicar como era o mecanismo denominado “Crawling Peg”, adotado pelo governo da ditadura? Pelo o que eu li, foi uma política de pequenas desvalorizações cambiais feitas paulatinamente no intuito de incentivar as exportações no final dos anos 60. Simonsen chamava isso de realismo cambial e o Delfim Netto explicava que se usava as taxas de inflação dos EUA e do Brasil para se chegar ao equilíbrio. Eu realmente não encontrei explicações satisfatórias sobre isso.

  55. Olá Leandro,

    Acabei de refazer o cálculo até julho/2017 e cheguei em 4,23 para o dólar.

    Podemos dizer que o real está sobrevalorizado? Ou o dólar que desvalorizou muito?

    No longo prazo, a taxa de câmbio tende a buscar estes 4,23, correto?

    Obrigado e grande abraço!

  56. uma duvida. quando vocês falam que a taxa de cambio é definida pela paridade do poder de compra delas, ou seja se uma aqui custa 1000 reais e nos eua 500 a taxa final é de 2 reais para um dolar,mas isso não considera os impostos sobre um produto?o preço de um remedio aqui e mais caro por conta dos impostos e esse imposto varia de produto a produto então como é possivel determinar a taxa final sendo que grande parte dos preços é formado por impostos que variam?/

  57. Quase 3 anos depois e o artigo continua interessante, apesar de achar incoerente algumas partes.

    Como um ex-exportador de serviços (em TI, entre 2004 e 2010), passei por uma verdadeira montanha russa neste período. É ficou muito claro pra mim – da mesma forma entendida por L.V. Mises – que o valor de uma moeda deve refletir o poder de contra daquele país , BEM COMO a eficiência e produtividade.

    Ora, o Brasil se blinda contra a alta eficiência e produtividade de outros países através elevada taxação sobre os produtos importados (taxas de importação, IPI e ICMS, PIS, Cofins, etc.). Assim o produto que custa US$ 500 no varejo lá fora chega aqui custando no mínimo US$ 2000, (4:1). Na outra ponta, o produtor local não tem margem financeira para investir em eficiência, pois a renda mal dá pra manter a empresa de portas abertas. O nosso trabalhador, mal formado, analfabeto funcional em sua grande maioria, é tão caro ao empregador quanto um bem formado trabalhador alemão ou americano, apesar de ser “10 vezes” menos produtivo e capaz.

    Hoje (Setembro/2018) temos dólar a R$ 4,20. Tem espaço pra mais.

  58. Leandro,

    Qual a interpretação a ser feita do câmbio atual quando comparada ao que seria o “câmbio de equilíbrio”? Em tese, pelo que calculei, teríamos um dólar na faixa de 3,60, considerados os índices de inflação acumulada.

    Entretanto, temos um câmbio totalmente “descolado” do que seria esse equilíbrio?

    Vejo duas formas de interpretar:

    1) Teremos um salto gigantesco de inflação em algum momento que vai levar o câmbio de equilíbrio a um valor próximo do câmbio real;

    2) O câmbio tenderá a retornar a um patamar menor uma vez que as tensões globais se esgotem.

    Faz sentido isso?

    Abraços,

    Ronimar

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