Nota do IMB
Alguns consideram que o melhor ensaio de Hayek, que hoje completaria 122 anos de idade, seja O uso do conhecimento na sociedade, no qual ele explica detalhadamente a importância do sistema de preços: são os preços que transmitem todas as informações detalhadas que diferentes pessoas ao redor do mundo possuem sobre aspectos específicos de vários mercados.
Em termos puramente econômicos, realmente aquele é o melhor artigo.
Entretanto, o texto abaixo, um excerto de seu gigantesco livro A Constituição da Liberdade, é definitivamente o seu mais impressionante.
Seu tamanho relativamente curto (para um ensaio) esconde sua grande profundidade e sua incrível sagacidade. Você pode lê-lo várias vezes — a cada releitura, descobrirá algo novo.
Hayek apresenta seu argumento contra os controles e as regulações estatais — e apresenta também sua constatação sobre como o conhecimento é disseminado e utilizado na sociedade — da forma mais completa e profunda possível. Ele apresenta argumentos que fazem você interromper sua leitura, pensar e repensar.
Por exemplo, ele argumenta que, se já soubéssemos antecipadamente todos os resultados que surgiriam em um ambiente de liberdade, não precisaríamos da liberdade: apenas implementaríamos diretamente todos esses resultados.
Ele também explica que todo o propósito da liberdade é exatamente o de descobrir, no futuro, tudo aquilo que ainda não sabemos no presente. Sendo assim, o argumento em prol da liberdade é, em última instância, baseado na humildade e no respeito pela sabedoria e pela experiência humana futura.
Eis um ensaio profundamente brilhante, o qual, sem exageros, fará diferença em como você encara o mundo e como você viverá o resto de sua vida.
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O argumento em prol da liberdade individual fundamenta-se, principalmente, no humilde reconhecimento de que somos ignorantes. A realização dos nossos objetivos e do nosso bem-estar depende de uma série de fatores sobre os quais somos inevitavelmente ignorantes.
Se existissem indivíduos oniscientes, se pudéssemos conhecer não apenas tudo o que influi na realização dos nossos desejos atuais, mas também conhecer nossos desejos e necessidades futuras, não haveria muita razão para defendermos a liberdade.
Por outro lado, a liberdade do indivíduo tornaria, evidentemente, impossível uma previsão perfeita.
A liberdade é essencial para que o imprevisível exista; nós a desejamos porque aprendemos a esperar dela a oportunidade de realizar a maioria dos nossos objetivos. E, justamente porque o indivíduo sabe tão pouco e, mais ainda, como raramente podemos determinar quem de nós conhece mais, confiamos aos esforços independentes e competitivos de muitos a criação daquilo que desejaremos, quando tivermos a oportunidade de apreciá-lo.
Por mais humilhante que seja para o orgulho humano, devemos reconhecer que o progresso e até a preservação da civilização dependem de um máximo de oportunidades para que o imprevisível possa acontecer. Estas casualidades ocorrem graças à combinação de conhecimentos e atitudes, aptidões e hábitos adquiridos pelos indivíduos, e também quando indivíduos treinados se defrontam com problemas específicos que estão preparados para solucionar.
Nosso inevitável desconhecimento de tantas coisas significa que teremos de lidar, em grande parte, com probabilidades e acasos. Naturalmente, tanto na vida social quanto na individual, os acidentes favoráveis não ocorrem simplesmente. Devemos estar preparados para quando acontecerem.
Mas, mesmo assim, ainda são acasos, e não se transformam em certezas. Envolvem riscos deliberadamente aceitos, possíveis reveses de indivíduos e grupos que têm tanto mérito quanto outros que prosperam, possibilidade de fracassos ou de recaídas, até para a maioria, e apenas uma probabilidade de ganhos líquidos no cômputo geral.
O máximo que podemos fazer é aumentar as possibilidades de que certa combinação de dons individuais e de circunstâncias leve à criação de algum novo instrumento ou ao aperfeiçoamento de um instrumento antigo e melhorar a perspectiva de que tais inovações se tornem rapidamente conhecidas por aqueles que podem beneficiar-se delas.
Seres imperfeitos
Todas as teorias políticas pressupõem, evidentemente, que a maioria dos indivíduos é muito ignorante. Aqueles que defendem a liberdade se diferem dos outros porque incluem na categoria de ignorantes eles próprios e também os mais sábios. Comparada com a totalidade do conhecimento que é continuamente utilizado no processo evolutivo de uma civilização dinâmica, a diferença que existe entre o conhecimento dos mais sábios e aquele que pode ser deliberadamente empregado pelos mais ignorantes é insignificante.
Embora não percebamos habitualmente, todas as instituições da liberdade constituem de adaptações a esta fundamental constatação da ignorância, adaptadas para lidar com possibilidades e probabilidades, mas não com a certeza. Não existe certeza na ação humana e é por esta razão que, para fazer o melhor uso do nosso conhecimento individual, devemos seguir as normas indicadas pela experiência como as mais adequadas de um modo geral, embora não saibamos quais serão as conseqüências de sua observância em casos específicos.
O homem aprende pela frustração de suas esperanças. É óbvio que não devemos aumentar a imprevisibilidade dos acontecimentos com a criação de tolas instituições humanas. Na medida do possível, deveríamos ter como objetivo a melhoria das instituições humanas, a fim de aumentar as possibilidades de previsão correta. Todavia, acima de tudo, deveríamos proporcionar o máximo de oportunidades para que indivíduos que não conhecemos aprendessem fatos que nós mesmos ainda desconhecemos e utilizassem este conhecimento em suas ações.
E é graças aos esforços harmônicos de muitas pessoas que se pode utilizar uma quantidade de conhecimento maior do que aquela que um indivíduo isolado pode acumular ou do que seria possível sintetizar intelectualmente. E graças a essa utilização do conhecimento disperso é que se tornam possíveis realizações superiores às que uma mente isolada poderia prever.
É justamente porque liberdade significa renúncia ao controle direto dos esforços individuais que uma sociedade livre pode fazer uso de um volume muito maior de conhecimentos do que aquele que a mente do mais sábio governante poderia abranger.
As chances de erro
A partir destas premissas básicas sobre as quais se fundamenta a justificativa da liberdade, segue-se que não poderemos alcançar suas metas se limitarmos o uso da liberdade apenas àquelas circunstâncias especiais nas quais sabemos que ela será benéfica. Não é liberdade aquela concedida somente quando seus efeitos benéficos são conhecidos de antemão.
Se soubéssemos de que forma a liberdade seria usada, não teríamos necessidade de justificá-la. Nunca conseguiremos os benefícios da liberdade, nunca alcançaremos os avanços imprevisíveis que ela possibilita, se ela não for também concedida nos casos em que sua utilização parecer indesejável.
Portanto, não se pode alegar como argumento contra a liberdade individual que as pessoas frequentemente abusam dessa liberdade. Liberdade significa, necessariamente, que cada um acabará agindo de uma forma que poderá desagradar aos outros.
Nossa fé na liberdade não se baseia nos resultados previsíveis em determinadas circunstâncias, mas na convicção de que ela acabará liberando mais forças para o bem do que para o mal.
Segue-se, também, que a importância de termos liberdade de ação não está de modo algum relacionada com a perspectiva de nós, ou a maioria, estarmos, algum dia, em condições de utilizar tal possibilidade. Conceder apenas o grau de liberdade que todos têm a possibilidade de exercer significaria interpretar sua função de modo totalmente errado.
Por esse raciocínio errôneo, a liberdade utilizada apenas por um homem entre um milhão pode ser mais importante para a sociedade e mais benéfica para a maioria do que qualquer grau de liberdade que todos nós poderíamos desfrutar. Poder-se-ia dizer até que, quanto menor a oportunidade de se fazer uso da liberdade para determinado fim, mais preciosa ela será para a sociedade como um todo. Quanto menor a oportunidade, tanto mais grave será perdê-la quando surgir, pois a experiência que oferece será quase única.
Por outro lado, é provavelmente correto dizer que a maioria não se interessa diretamente senão por uma parcela mínima das coisas importantes que uma pessoa deveria ter liberdade de fazer. A liberdade é tão importante justamente porque não sabemos como os indivíduos a usarão. Se não fosse assim, também seria possível chegar aos resultados da liberdade se a maioria decidisse o que os indivíduos deveriam fazer. Mas a ação da maioria está necessariamente restrita ao que já foi testado e averiguado, a questões que já obtiveram o consenso no processo de análise que deve ser precedido por diferentes experiências e ações de indivíduos diferentes.
Liberdade para o desconhecido
Os benefícios que a liberdade me concede são, assim, em grande parte, o resultado do uso que outros fazem dela e, principalmente, dos usos dos quais eu nunca me poderia valer. Por isso, o mais importante para mim não é necessariamente a liberdade que eu próprio posso exercer. É muito mais importante que alguém possa experimentar tudo do que a possibilidade de todos fazerem as mesmas coisas.
Não é porque gostamos de poder fazer determinadas coisas, nem porque consideramos algum tipo de liberdade essencial à nossa felicidade, que temos direito à liberdade. O instinto que nos faz reagir contra qualquer restrição física, embora seja um aliado útil, nem sempre representa padrão seguro para justificar ou delimitar a liberdade. O importante não é o tipo de liberdade que eu próprio gostaria de exercer e sim o tipo de liberdade de que alguém pode necessitar para beneficiar a sociedade. Só poderemos assegurar essa liberdade a uma pessoa desconhecida se a conferirmos a todos.
Os benefícios da liberdade não são, portanto, limitados aos homens livres — ou, pelo menos, um homem não se beneficia apenas daqueles aspectos da liberdade dos quais ele próprio tira vantagem. Não há dúvida de que, ao longo da história, maiorias não-livres se beneficiaram com a existência de minorias livres, e as sociedades não-livres de hoje se beneficiam daquilo que podem obter e aprender de sociedades livres.
Evidentemente, os benefícios que obtemos com a liberdade de outros tornam-se maiores na medida em que cresce o número daqueles que podem exercer a liberdade.
A tese que justifica a liberdade para alguns aplica-se, portanto, à liberdade para todos. Mas é ainda melhor para todos que alguns sejam livres do que ninguém; e, também, bem melhor que muitos possam gozar de plena liberdade do que todos terem uma liberdade restrita.
O mais significativo é que a importância da liberdade de agir de determinada maneira nada tem com o número de pessoas que querem agir assim: a proporção poderia ser inversa. Uma consequência disto é que uma sociedade pode ser tolhida por controles, embora a grande maioria possa não se dar conta de que a sua liberdade foi restringida de forma considerável. Se agíssemos a partir do pressuposto de que só é importante o uso que a maioria venha a fazer da liberdade, estaríamos criando uma sociedade estagnada com todas as características da falta de liberdade.
A natureza das mudanças
As inovações imprevistas que aparecem constantemente ao longo do processo de adaptação consistirão, primeiramente, em novos arranjos ou modelos, em que se encontram coordenados os esforços de diferentes indivíduos, e em novas organizações para o uso de recursos, por natureza tão passageiras quanto as condições específicas que permitiram seu aparecimento.
Haverá, em segundo lugar, modificações de instrumentos e de instituições, adaptadas às novas circunstâncias. Algumas delas serão também meras adaptações temporárias às condições do momento, enquanto outras constituirão melhoramentos que, por aumentar a versatilidade dos instrumentos e hábitos existentes, serão mantidos.
Estes últimos representarão uma adaptação melhor, não apenas às circunstâncias específicas de tempo e espaço, mas a uma característica permanente do nosso meio. Nestas “formações” espontâneas está incorporada uma percepção das leis gerais que governam a natureza. Esta incorporação cumulativa da experiência em instrumentos e formas de ação permitirá uma evolução do conhecimento explícito, de normas genéricas expressas que podem ser transmitidas pela linguagem de uma pessoa a outra.
Este processo de surgimento do novo pode ser mais bem entendido na esfera intelectual quando seu resultado são idéias novas. Neste campo, a maioria de nós percebe pelo menos alguns estágios individuais do processo; sabe necessariamente o que está ocorrendo e, por esta razão, em geral, reconhece a necessidade de liberdade. A maioria dos cientistas compreende que não podemos planejar o avanço do conhecimento, que na busca rumo ao desconhecido — e é isso que constitui a pesquisa — dependemos, em grande parte, dos caprichos dos gênios e das circunstâncias, e que o avanço científico, assim como uma idéia nova que surge na mente de um indivíduo, será a consequência de uma combinação de conceitos, hábitos e circunstâncias que a sociedade proporciona a um indivíduo, resultando tanto de acasos felizes quanto de um esforço sistemático.
Como percebemos mais facilmente que nossos avanços na esfera intelectual muitas vezes são fruto do imprevisto e do não-planejado, somos levados a exagerar a importância da liberdade de pensamento e a ignorar a importância da liberdade de ação. Mas a liberdade de pesquisa e de opinião e a liberdade de expressão e discussão, cuja importância é plenamente compreendida, são significativas somente no último estágio do processo de descoberta de novas verdades.
Enaltecer o valor da liberdade intelectual, em detrimento do valor da liberdade de ação, equivaleria a tomar o topo de um edifício como o todo. Novas idéias devem ser discutidas, diferentes pontos ajustados, pois estas idéias e pontos de vista surgem dos esforços, em circunstâncias sempre novas, de indivíduos que se valem, em suas tarefas concretas, dos novos instrumentos e formas de ação que eles assimilaram.
A complexidade do progresso
O aspecto não intelectual deste processo — a formação do ambiente material modificado, no qual o novo emerge — exige, para a sua compreensão e apreciação, um esforço de imaginação bem maior do que os fatores destacados pela perspectiva intelectualista.
Embora às vezes possamos identificar os processos intelectuais que conduziram a uma idéia nova, provavelmente nunca poderíamos reconstituir a sequência e a combinação das contribuições que não levaram à aquisição do conhecimento explícito; provavelmente nunca poderíamos reconstituir os hábitos adequados e as aptidões que foram empregadas, os meios e as oportunidades utilizadas e o ambiente peculiar dos atores principais que permitiram aquele resultado.
As nossas tentativas de compreender essa parte do processo não podem ir além de mostrar, em modelos simplificados, as forças que nele operam e de indicar o princípio geral e não o caráter específico das influências que atuam no caso. Os homens sempre se preocupam apenas com o que sabem. Portanto, as características que, durante o processo, não são conhecidas ao nível da consciência costumam ser ignoradas e provavelmente nunca podem ser identificadas em detalhe.
Na realidade, estas características inconscientes, além de geralmente desprezadas, muitas vezes são consideradas um obstáculo e não uma contribuição ou uma condição essencial. Por não serem “racionais”, no sentido de serem utilizadas em nosso raciocínio, frequentemente são consideradas irracionais, contrárias à ação inteligente.
Todavia, embora a maior parte dos elementos não-racionais que afetam nossa ação possa ser irracional neste sentido, a maioria dos “meros hábitos” e “instituições sem sentido”, que usamos e pressupomos em nossas ações, representa condições essenciais para a realização de nossos objetivos, constituindo formas de adaptação da sociedade que já demonstraram sua eficácia e utilidade, que estão sendo constantemente aperfeiçoadas e das quais depende a dimensão daquilo que podemos realizar. Embora seja importante descobrir suas falhas, nem por um momento poderíamos ir em frente sem confiar nelas constantemente.
A maneira pela qual aprendemos a organizar nosso dia, a nos vestir, a comer, a arrumar nossas casas, a falar, a escrever e a utilizar outros incontáveis instrumentos e implementos da civilização, sem esquecer a experiência prática (o know-how) da produção e do comércio, dá-nos constantemente os fundamentos nos quais se devem basear nossas próprias contribuições ao processo de civilização.
E, no novo uso e aperfeiçoamento dos instrumentos que nos são oferecidos pela civilização, surgem as novas idéias que serão empregadas finalmente na esfera intelectual.
Embora o uso consciente do pensamento abstrato, uma vez iniciado, tenha até certo ponto uma vida própria, não poderia perdurar e desenvolver-se por muito tempo sem os desafios constantes que se apresentam, pois os indivíduos são capazes de agir de uma maneira nova, de experimentar outras maneiras de fazer as coisas e de mudar toda a estrutura da civilização, na tentativa de se adaptar à mudança.
O processo intelectual é, com efeito, apenas um processo de elaboração, seleção e eliminação de idéias já formadas. E o fluxo de novas idéias nasce, em grande parte, da esfera na qual a ação, muitas vezes não racional, e acontecimentos materiais se influenciam reciprocamente. Este fluxo estancaria se a liberdade fosse confinada à esfera intelectual.
A importância da liberdade, portanto, não depende do caráter elevado das atividades que ela torna possíveis. A liberdade de ação, mesmo nas coisas simples, é tão importante quanto a liberdade de pensamento. Tornou-se um senso comum desmerecer a liberdade de ação apelidando-a de “liberdade econômica”. Mas o conceito de liberdade de ação é muito mais amplo do que o de liberdade econômica (o qual ela engloba).
E, o que é mais importante, é extremamente duvidoso que haja ações que possam ser consideradas meramente “econômicas” e que as restrições à liberdade possam ficar limitadas aos chamados aspectos “econômicos”.
Considerações econômicas são apenas aquelas pelas quais conciliamos e ajustamos nossos diferentes objetivos, nenhum dos quais, em última análise, é econômico (exceto os do avarento ou do homem para o qual ganhar dinheiro se tornou um fim em si mesmo).
Os objetivos são abertos
O que dissemos até agora se aplica, em grande parte, não apenas ao uso dos meios para a realização dos objetivos individuais, mas também a estes mesmos objetivos.
Uma sociedade é livre, entre outras razões, porque as aspirações dos indivíduos não são limitadas, uma vez que o esforço consciente de alguns indivíduos pode gerar novos objetivos, que posteriormente serão adotados pela maioria. Devemos reconhecer que mesmo o que agora consideramos bom ou bonito pode mudar — se não de uma forma perceptível que nos permita adotar uma posição relativista, pelo menos no sentido de que, em muitos aspectos, não sabemos o que será bom ou bonito para outra geração.
Também não sabemos por que consideramos isto ou aquilo bom, nem quem está com a razão quando há divergência acerca do que é bom ou não. Não somente em termos do seu conhecimento, mas também em termos dos seus objetivos e valores, o homem é um produto da civilização; em última análise, é a importância destas aspirações individuais para a perpetuação do grupo ou da espécie que determinará se persistirão ou mudarão.
Evidentemente, é um erro acreditar que podemos tirar conclusões acerca da qualidade dos nossos valores apenas porque compreendemos que são produto da evolução. Mas dificilmente poderíamos duvidar que estes valores são criados e alterados pelas mesmas forças evolutivas que produziram nossa inteligência. Podemos apenas saber que a decisão final a respeito do que é bom ou ruim não caberá à sabedoria de indivíduos, mas à decadência dos grupos que adotaram idéias “erradas”.
Medidas de sucesso
É na busca dos objetivos a que o homem se propõe em determinado momento que podemos comprovar se os instrumentos da civilização são adequados; os ineficazes serão abandonados e os eficientes mantidos. Mas não se trata apenas do fato de que, com a satisfação de necessidades antigas e com o aparecimento de novas oportunidades, surgem constantemente novas finalidades. O sucesso e a perpetuação deste ou daquele indivíduo ou grupo dependem tanto dos objetivos por eles perseguidos, dos valores que governam suas ações, como dos instrumentos e da capacidade de que dispõem.
A prosperidade ou extinção de um grupo dependerá tanto do código de ética ao qual obedece, ou dos ideais de beleza e felicidade a que se atém, como do grau em que aprendeu, ou não, a satisfazer suas necessidades materiais.
Em qualquer sociedade, certos grupos podem ascender ou declinar de acordo com as metas que perseguem e os padrões de conduta que observam. E as metas do grupo que teve êxito tenderão a ser adotadas pelos demais membros da sociedade.
Na melhor das hipóteses, podemos entender somente em parte a razão pela qual os valores que defendemos ou as normas éticas que observamos contribuem para a perpetuação da nossa sociedade. E nem podemos ter certeza de que, em condições de mudança constante, todas as normas que, comprovadamente, contribuem para a consecução de um determinado fim continuarão desempenhando esta função.
Embora se costume supor que todo padrão social estabelecido contribui, de certa forma, para preservar a civilização, o único meio de confirmá-lo será averiguar se, concorrendo com os padrões adotados por outros grupos ou indivíduos, ele continua a se mostrar adequado.
A concorrência permite alternativas
A concorrência, na qual se baseia o processo de seleção, deve ser entendida no seu mais amplo sentido. Ela implica não apenas a concorrência entre indivíduos como também a concorrência entre grupos organizados e não organizados. Encará-la como algo que se contrapõe a cooperação ou a organização seria interpretar incorretamente sua natureza.
O esforço para conseguir certos resultados mediante a cooperação e a organização é tão inerente à concorrência quanto os esforços individuais. A distinção relevante não está entre a ação individual e a ação de grupo mas, por um lado, entre as condições em que seja possível experimentar alternativas, baseadas em diferentes pontos de vista ou métodos, e, por outro lado, as condições nas quais um organismo detém o direito exclusivo e o poder de impedir que outros participem.
Somente quando tais direitos exclusivos são conferidos na pressuposição de que certos indivíduos ou grupos possuem conhecimento superior, o processo deixa de ser experimental e as convicções que prevalecem em dado momento podem tornar-se um obstáculo ao progresso do conhecimento.
Defender a liberdade não significa opor-se à organização — que constitui um dos meios mais poderosos que a razão humana pode empregar –, mas opor-se a toda organização exclusivista, privilegiada ou monopolística, ao emprego da coerção para impedir que outros tentem apresentar melhores soluções.
Toda organização baseia-se em certos conhecimentos; organização significa dedicação a um objetivo específico e a métodos específicos, mas até a organização destinada a aumentar o conhecimento só será eficiente na medida em que o conhecimento e as convicções nas quais seu plano se baseia forem verdadeiros.
E, se qualquer fato vier a contradizer as convicções nas quais está alicerçada a estrutura da organização, isto só se tornará evidente se ela fracassar e for suplantada por outro tipo de organização. A organização, por este motivo, poderá ser benéfica e eficiente enquanto for voluntária e se der em uma esfera livre, e terá de se ajustar a circunstâncias que não foram consideradas em sua concepção, ou então fracassar.
Transformar toda a sociedade em uma única organização, criada e dirigida conforme um único plano, equivaleria a extinguir as próprias forças que formaram as mentes humanas que a planejaram.
Vale a pena parar por um momento e analisar o que aconteceria se fosse empregado em todas as ações somente aquilo que o consenso geral considerasse o conhecimento mais avançado. Se fossem proibidas todas as tentativas que parecessem supérfluas à luz do conhecimento aceito pela maioria, e se se indagasse apenas a respeito das coisas consideradas significativas pela opinião dominante ou se realizassem apenas as experiências ditadas por esta opinião, a humanidade chegaria talvez a um ponto em que seu conhecimento permitiria prever as consequências de todas as ações comuns e evitar todas as desilusões ou fracassos.
Então, aparentemente, o homem teria sujeitado seu ambiente à sua razão, pois somente empreenderia aquelas tarefas cujos resultados fossem totalmente previsíveis. Poderíamos imaginar que a civilização teria deixado de evoluir, não por se terem esgotado as possibilidades de um crescimento futuro, mas porque o homem teria conseguido sujeitar tão completamente todas as suas ações e o meio ambiente imediato ao seu nível de conhecimento, que novos conhecimentos não teriam qualquer oportunidade de surgir.
O racionalista que deseja sujeitar tudo à razão humana encontra-se, assim, diante de um verdadeiro dilema. O uso da razão visa ao controle e à possibilidade de previsão. Mas o processo evolutivo da razão baseia-se na liberdade e na imprevisibilidade da ação humana.
Aqueles que exaltam os poderes da razão humana normalmente veem apenas um lado da interação do pensamento e da conduta, na qual a razão atua na prática e, ao mesmo tempo, é modificada por esta prática. Eles não percebem que, para haver progresso, o processo social que possibilita a evolução da razão deve permanecer livre do seu controle.
Congelando o processo
Resta pouca dúvida de que o homem deve parte de seus maiores sucessos ao fato de não ter sido capaz de controlar a vida social. Seu avanço contínuo provavelmente dependerá de sua renúncia deliberada aos controles que agora estão em seu poder.
No passado, as forças evolutivas espontâneas, embora muito limitadas pela coerção organizada do estado, ainda podiam afirmar-se contra este poder. Dados os meios tecnológicos de controle hoje à disposição do governo, talvez já não seja possível afirmar isso; de qualquer forma, em breve poderá tornar-se impossível.
Não estamos longe do momento em que as forças deliberadamente organizadas da sociedade poderão destruir as forças espontâneas que tornaram possível o progresso.
Artigo profundo e completo. E diria até irrefutável. Dos melhores deste site. Pena que será pouco lido, pois é um artigo mais filosófico.
O livro The Constitution of Liberty, em português.
“A Ética da Liberdade”, de Murray Rothbard, foi um dos livros mais instigantes e interessantes que já li. Partindo de princípios básicos e estruturado na lógica, constrói-se todo um arcabouço ético e moral para nossas ações e decisões em sociedade. Em muitos momentos Rothbard é extremamente radical, mas de uma radicalidade que provoca e estimula nossa reflexão. E esta extrema radicalidade deságua em pacifismo e compreensão, e não em violência ou intolerância.
Este artigo de Hayek reforça esta concepção libertária, agora em um plano mais político de ação.
Parabéns ao Instituto Mises por fornecer tanta luz, em momentos de tanto obscurantismo.
Excelente artigo do IMB.
O economista da escola austríaca Steven Horwitz tem um ensaio em que ele aborda a perspectiva de Hayek relativamente ao liberalismo:
http://www.gmu.edu/depts/rae/archives/VOL13_1_2000/horwitz.pdf
E o mesmo Horwitz acaba de lançar um livro sobre as instituições sociais (especialmente a família) na perspectiva hayekiana:
http://www.amazon.com/Hayeks-Modern-Family-Liberalism-Institutions/dp/1137448229/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1447791614&sr=1-1
Parece que o velho Hayek, com o passar da vida (ou desde sempre, não sei), foi abandonando o idealismo kantiano e a vaidade inflada do racionalismo iluminista. bom pra ele.
ainda que a razão humana seja intrinsecamente limitada e precária, como ele reconhece, ainda assim ela é capaz de maravilhas, de coisas inesperadas, tanto mais encontre uma circunstância favorável. a liberdade é o reconhecimento de que há algo excepcional, inabarcável, inexpugnável na criatura humana, que lhe faz engenhosa e imprevisível (no sentido do bem, sobretudo. a razão não é auto-suficiente, mas também não se esgota nas coisas. não interessa defini-la (há uma aproximação com a concepção tomista? será?). basta perceber que essa força se desdobra com mais intensidade quando encontra campo livre.
não obstante, o ser humano é um ser social inserido num contexto. a ordem política-cultural importa. ela se configura num esquema de possibilidades que traduz a melhor (mais adequada) compreensão da vida daquele grupo social, esquema que pode e deve evoluir/ampliar-se pelo esforço conjunto e livre da razão inspirada. novas intuições sugerem novos modos de vida que pedem, por sua vez, novas instituições. é a dialética da existência.
bom, Hayek. muito bom.
Saudações, interessante que no artigo F.Hayek usa as palavras: fé, esperança, humildade, etc., todas essas coisas giram em uma clave acima da racionalidade, algo parecido com a necessidade de espiritualidade, quiçá religiosidade.
O senso de moralidade, diretamente atrelado à religiosidade, uma vez restituído volta o livre comércio à sua condição normal de sempre, ou seja, a liberdade, assim como fomos pensados por DEUS, a boa ideia que somos.
Tenho comigo que o sistema econômico abstraído dos valores morais é antagonismo per se, quer dizer, o antagonismo gerado por uma impossibilidade.
Pensando um pouco no maior exemplo mundial de capitalismo e livre comércio, os U.S.A., esse povo foi construído em base religiosa, foi nos Estados Unidos da América que nasceu o termo estado laico, imprescindível juridicamente à época.
Acompanho os amigos, excelente texto.
CHEGA DE IMPOSTO!
Lendo Hayek neste artigo , mais uma vez me deparo com uma conclusão que creio ser verdadeira, que Hayek ao menos em certa medida é um conservador, porém, como o termo é um pouco estranho tanto para ele quanto para Mises, creio que “tradicionalista” seria melhor.
Já que neste artigo e em outros artigos ele nota que a formação das instituições sociais ao nosso redor é resultado não intencional (ordem espontânea), e que pelo teste do tempo, sobreviveram e merecem ser mantidos pois são uma garantia de ordem e liberdade.
verdade sobre tragedia mariana, não as doacoes, sim a justiça.Multinacional tem que arcar com prejuizo, limpar o local e indenizar as vitimas.
https://www.youtube.com/watch?v=zjqLpVUuVvA
Obrigado por compartilhar essa pérola!
Um dos melhores artigos em defesa da liberdade que eu já vi. Praticamente irrefutável.
Embora preguem a igualdade, os socialistas partem do pressuposto oculto de que existem pessoas especiais que são sobrenaturalmente superiores aos seres humanos comuns (tanto em capacidade intelectual quanto em compreensão moral) e que essa elite deve dominar a maioria para o bem geral e o avanço da Marcha da História. Esses seres superiores que os socialistas acreditam existir seriam eles próprios.
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Parabéns pela divulgação em português do trecho do livro The Constitution of Liberty! Conhecer um pouco mais do contexto filosófico, histórico e social vivido pelo professor Hayek ilumina ainda mais minhas convicções e meu aprendizado sobre economia. Abraços!
O texto afirma que o povo é ignorante e que o mais sábio dos governantes não deveria governar, mas uma sabedoria difusa no meio social baseada na lógica de cada escolha. Obviamente, o libertarianismo confunde as escolhas mais lógicas com as melhores escolhas. Sem um padrão de moralidade, não há liberalismo que funcione. Infelizmente, os libertários insistem em substituir a base moral valorativa pela base lógico-econômica como sustentáculo da sociedade, o que pode levar o homem a fazer maus negócios, afinal, o bem é um valor moral e não lógico. Não é à toa que o relativismo moral leva, necessariamente, ao comunismo. Se todas as opiniões são iguais, somente o grupo mais coeso e mais forte se sustentará, e essa coesão terá bases imorais, necessariamente. Libertarianismo e comunismo é o caminho dos maus homens.
Pessoas que se sentem confortáveis sendo tuteladas pelo Estado jamais compreenderão este ensaio.
Trata-se de uma OBRA PRIMA.
Perfeito, bem elaborado e completo.
OFF TOPIC:
Dada a natureza controversa do PIB(subtrair importações e considerar gastos governamentais como positivos), a diminuição do PIB australiano de 2013 pra cá pode na verdade significar algo bom? (Essa diminuição inclusive é usada por alguns sujeitos da CPL, como Rian Lobato, para argumentar sobre supostas falhas do liberalismo).
Este artigo é o ensaio inteiro do Hayek ou é um resumo?
(PS: Tomara que traduzam logo os livros de Hayek, Mises, etc.
ainda não publicados em português!)
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Ola, estou pesquisando assuntos referentes a violencia e como combate-la, e no momento preciso de informaçoes sobre a policia de modo geral, e nao achei conteudos a respeito de quem cuida dos proprios policiais, o apoio psicologico, treinamento por exemplo, e onde entra a contribuiçao dos municipios, quando começa a interferencia do Estado, no combate a violencia…o que mais achei, foi jornais criticando a policia e querendo a desmilitarizaçao dela…ficarei grata se puderem me responder. Obrigada pelo tempo.
OFF
e ai? privatizar a previdencia talvez nao seja uma boa ideia ne
https://economia.uol.com.br/noticias/bbc/2017/05/16/como-e-se-aposentar-no-chile-o-1-pais-a-privatizar-sua-previdencia.htm?cmpid=fb-uolnot
O intelecto agradece…
o artigo do cara é totalmente loco ao contrário. meiobit.com/401319/tesla-alerta-para-escassez-de-metais-para-futuros-carros-eletricos/
Me surgiu um questionamento que eu gostaria de contar com a observação de vocês.
Quando observamos situações em que a liberdade em geral é tolhida, esta é feita por um pequeno grupo de pessoas que impõem um regime sobre uma grande maioria, e normalmente por essa minoria deter o monopólio da força.
Mas a chegada dessa minoria nessa condição de dominação não se deu na origem por um processo de liberdade da maioria que acaba por abrir mão da sua autodeterminação buscando beneficios indiviuais, contidos nas promessas?
Resumindo: não seria a falta de liberdade um efeito colateral e resultado da própria liberdade? Ou seja, será q em um ambiente totalmente liberal, eventualmente não surgiriam cenários em que as pessoas optem pela ausência de liberdade?
O Erro sobre Liberdade
A economia pretende ser, como a física que ela macaqueira, "livre de valores", mas há na verdade uma coisa que todos os economistas destas escolas valorizam: liberdade. De fato, a liberdade nestas teorias desloca tanto toda a ordem moral como todo o âmbito teleológico para se tornar o Santo Graal, aquilo pelo que devemos constantemente buscar e em cujo nome devemos sacrificar tudo.
O problema é que eles nunca definem efetivamente a liberdade. E a razão pela qual eles não o fazem é óbvia: tal discussão acarretaria questões filosóficas, políticas, sociais e éticas indesejadas que comprometeriam a natureza "desprovida de valores" da ciência. Melhor que seja adotada como um pressuposto implícito, um que opera mais no nível emocional do que no nível racional. Mas sem defini-la explicitamente, como saber que você a encontrou?
Apesar de eles não darem uma definição explícita, eles de fato dão uma implícita: Liberdade é tudo que ocorre na ausência de coerção. Mas isso só desloca o problema, da definição de liberdade para a definição de coerção. Novamente, a definição é implícita ao invés de explícita, o que é metodologicamente suspeito. E a definição implícita que eles parecem estar usando envolve violência aberta e regulação governamental. Em outras palavras, regras comprometem a liberdade. Daí que o neoclassicismo tem suspeitado de regulação e o austrianismo em particular tem sido claramente hostil.
Mas isso é simplesmente incorreto; liberdade e regras não são opostos, mas complementos. Liberdade irrestrita, ou licenciosidade, não é liberdade em qualquer sentido substantivo, e logo leva à perda de liberdade. O que causa isso é confundir liberdade com escolha livre. Mas liberdade irrestrita de escolha não é o mesmo que liberdade, e é na verdade seu oposto.
Pensemos assim: Ao escolher seu método preferido de ingerir cocaína, você é livre para escolher entre as formas de pó e de crack. Você pode comparar o preço e a utilidade relativos de cada um, e tomar uma decisão racional e informada. Mas enquanto esta obviamente representa uma escolha livre, ela não pode ser uma escolha de liberdade, já que qualquer das escolhas leva à escravidão. A liberdade humana, para ser verdadeiramente livre, necessita de limites, necessita de regras.
Da mesma maneira, os mercados não podem existir sem regras. Nós podemos comparar os mercados a um jogo. Pense em um jogo de futebol sem regras. Ele simplesmente não poderia existir. E as regras demandam árbitros. Se não houvesse homens em listras para jogar a bandeira amarela, soprar o apito e parar o jogo quando alguém agarra uma máscara facial, poucos ousariam entrar em campo; as taxas de mortalidade simplesmente seriam muito altas. Regulações não acabam com o jogo, elas tornam o jogo possível. O mesmo é verdadeiro com mercados: ninguém vai entrar em um mercado caótico.
Isso não impede que a regulação possa ser problemática. De fato, há dois erros que são muito comuns: um é a captura regulatória, pela qual os atores mais fortes determinam as regras para a exclusão de todos os outros, e a outra é a regulação por desconfiança, pela qual todas as ações de um negócio são reguladas ao ponto de elevar os custos de transação a níveis ineficientes e até mesmo inaceitáveis e impossíveis. Mas a questão adequada sobre regulação não é quão muita ou quão pouca, mas se todas as partes interessadas estão devidamente representadas no processo de tomada de decisão. Produtores, consumidores, fornecedores, distribuidores, e o público geral deve ter um assento na mesa e voz no resultado.
Deve ser notado que enfraquecer a autoridade pública legítima não resulta em mercados "desregulados"; tal coisa simplesmente inexiste, mais do que um jogo de futebol não poderia existir sem um livro de regras. Ao contrário, o que ocorre é que os atores mais fortes em um mercado, os atores com mais poder ou mais informação, determinam as regras para todas as outras partes, sejam produtores, consumidores, fornecedores, o público, etc. Deve haver regras; quem deve estabelece-las sempre será uma questão política e prudencial. Ausente um processo inclusive, as regras serão determinadas pelos poderosos para que as partes mais fracas possam ser exploradas.
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John Medaille é ótimo para refutar Mises.
Excelente artigo, abordou facetas que nunca tinha pensado antes sobre o alcance da liberdade. Me fez pensar, numa comparação grosseira, dos primeiros filósofos gregos. De todos os povos do passado, os gregos eram os únicos que não possuíam um “livro sagrado”, como a Torá dos judeus (ou hoje em dia a Bíblia cristã ou o Alcorão), os Vedas da Índia ou o Tao te King Chinês. Isso permitiu aos gregos divagarem em seus pensamentos e encontrarem os profundos ensinamentos com base na razão que nos legaram, e que influenciam nossa existência até hoje. Assim, tal só foi possível justamente porque eles tinham a liberdade no pensar, sem os limites impostos pelo “sagrado religioso”, coisa que os outros povos não tinham pois qualquer ensaio do raciocínio tinha de estar em conformidade com as “sagradas escrituras”. O texto aqui, em linhas gerais, diz isso, que sem a liberdade as estimulantes descobertas tornam-se impossíveis de serem reveladas. Muito obrigado a todos.
“Ausente um processo inclusive, as regras serão determinadas pelos poderosos para que as partes mais fracas possam ser exploradas.”
E já não é assim?
Leia mais sobre ética libertária, isso pode ampliar seus horizontes.
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=237
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1624
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2278
Que história é essa de “trocar liberdade por segurança” que eu já ouvi (inclusive por um leitor daqui)? Liberdade é segurança e vice versa, segurança é liberdade! Eu não acredito que a liberdade seja apenas mais um “ideal imaginário” como a igualdade dos marxistas (que para ser concretizada, depende da liberdade), a honra dos cavaleiros, o patriotismo ou qualquer outra coisa (inclusive o “melhor desempenho econômico” dos utilitaristas ingênuos). Eu só penso em liberdade para salvar a minha pele das arbitrariedades de terceiros, já que eu não posso garantir que sempre serão favoráveis a mim.
Veja um teatro da minha visão de liberdade, talvez o nome correto seja autonomia, mas, para mim essa é a coisa mais importante:
Imaginem que a Terra foi criada por uma Divindade (não vou usar o Santo Nome em vão).Suponhamos que a história seja verdadeira (como pode ser).
Essa Divindade, por vontade própria, criou a Terra, o homem e os outros seres vivos. Da mesma espontaneidade que essa Divindade teve para criar, beneficiar, ajudar, igualar e dar ela tem para destruir, castigar, oprimir, desigualar, tirar; e inclusive, por livre e espontânea vontade, já anunciou a extinção de todas as criaturas que criou (Apocalipse por exemplo); mas por livre e espontânea vontade ela pode,também, desistir de destruir e, até mesmo, nos esquecer.
As criaturas não estão salvas das arbitrariedades dessa Divindade (do Apocalipse).As criaturas não possuem nenhuma garantia de que essa Divindade será boa ou ruim (se você olhar no Antigo Testamento)
As criaturas seriam mais livres se, por acaso, existisse um controle sobre essa Divindade.Esse controle deveria destruí-la ou, pelo menos, evitar que as arbitrariedades nocivas sejam realizadas (evitar o Apocalipse ou qualquer praga).Se o controle não existir, as criaturas estariam pensando em liberdade ao pensar numa maneira de criar esse controle.
Quanto mais livre da Divindade, mais segura estão as criaturas e quanto mais seguras da Divindade estão as criaturas, mais livres elas estão (pelo menos em relação à Divindade).
Troque “criatura” por indivíduo e troque “Divindade” por Estado ou maioria ou mais forte ou forças da natureza (tecnologia liberta) ou mais científico ou politicamente mais correto ou moralmente superior ou mais rico ou qualquer outra coisa que esteja relacionada ao poder sobre a minha pessoa. Essa é a minha visão, focada na prudência que deve ser, ao máximo, multiplicada no senso dos mais vulneráveis, ou seja, no senso de cada indivíduo
Boa tarde.
Eu apenas lembro ao leitor WMZ e tantos outros libertários, que confundem a Divindade Criadora do Universo com governos ( totalitários ou não…), marxismo, comunismo, fascismo, nazismo, etc., que oprimem o indivíduo tirando a sua ( nossa…), liberdade; que essa “teoria” está extremamente equivocada.
Tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento, Deus e Seu Filho, Jesus ( sendo que este apenas reafirma os Ensinamentos do Pai e o maior diferencial Dele, Jesus, é abrir a Salvação à todos que se converterem, não apenas e somente aos judeus…), há inúmeros exemplos de livre arbítrio do ser humano, logo, não existe Destino ou algo parecido com isso, nem ditadura, controle de Deus sobre as suas criaturas.
Todos são livres para fazerem o que quiserem, apenas arcarão com as consequências dos seus atos, sejam estes bons ou ruins.
Tampouco Deus ou Jesus desaprovam a riqueza e/ou valorizam a pobreza ( algo que comunistas pregam aos outros, mas fazem o contrário…), nem no AT, nem no NT.
Aliás, tem vários exemplos nas Sagradas Escrituras que dizem da importância de valorizar a riqueza, aumentá-la. Isso fica muito claro na Parábola das Dez Moedas, onde um senhor dá aos seus empregados dez moedas e vai viajar, ao voltar, cobra de cada um o lucro obtido e aquele que não obteve lucro algum, é fortemente criticado pelo senhor dono das terras.
Esquerdistas amam lembrar ( embora eles nunca leram uma linha das Sagradas Escrituras….), a passagem do Jovem Rico, onde Jesus fala para o jovem que diz querer segui-Lo, mandando-o doar tudo que tem como regra para ser um discípulo. Nesse caso fica claro que ninguém pode seguir Jesus na sua vida monástica, de dedicação total, preocupado com as suas riquezas, se elas aumentam ou diminuem, mas não há uma critica ao lucro, à livre iniciativa, a liberdade do indivíduo comum. Isso também fica claro quando Jesus afirma ao soldado romano: ” à César o que é de César, o meu Reino não é desse mundo…”, ou seja, poder dinheiro, etc., não é preocupação dos Céus, mas sim, dos homens, logo, todos são livres em tudo, para o bem ou para o mal.
Mesmo no Livro do Apocalipse, como bem lembra o leitor, Constatação, é apenas lembrado das consequências das nossas ações durante a vida, e não uma punição pré estabelecida pela Divindade.
É importante ter a ciência que muitos líderes religiosos, infelizmente, interpretam de forma pessoal ( e de acordo com interesses escusos….), as Sagradas Escrituras, daí nós vermos “ensinamentos” que falam em destino pré definido, críticas à busca pela riqueza ( principalmente da parte da Teologia da Libertação, no caso dos Católicos….), ou da busca pela prosperidade infinita estimulada por Deus ou a inexistência de livre arbítrio ( algo comum nas pregações dos “pastores” Reformistas…).
Não se deve colocar no mesmo balaio: coerção, punição, supressão da liberdade, exaltação da pobreza, crítica a riqueza, junto com Judaísmo e Cristianismo, pois são justamente essas duas vertentes religiosas que mais estimularam a riqueza no Ocidente durante séculos.
Mesmo o Catolicismo, tão criticado por muitos por não estimular a riqueza, justamente fez o contrário, pois padres Jesuítas entre outras Congregações, expandiram o comércio no mundo, junto com reis, imperadores cristãos.
Querer comparar o Criador, através dos ensinamentos que temos sobre Ele, com ideologias, governos, políticos, ministros de Tribunais, etc., é algo no mínimo sem base histórica e muito parcial, para ficarmos apenas nisso.
Pessoas que almejam o controle da sociedade tendem a usar a religião como arma, seja em defesa ou ataque, deturpando o que está nos ensinamentos respectivos.
Eu lembro do filme, O Livro de Eli, onde o personagem do ator Gary Oldman, que controla ditatorialmente uma pequena cidade sobrevivente de uma guerra nuclear devastadora, quer ter a Bíblia para usá-la, de forma errada, maldosa, almejando dominar, controlar a população sobrevivente do lugar, onde ele inclusive, vende a pouca água potável existente.
É um filme interessante para todas as pessoas entenderem que o “problema”, não é o Criador, a Bíblia, mas sim o uso que homem faz da religião sobre pessoas desinformadas. Aliás, políticos fazem isso constantemente, mesmo não usando Deus como desculpa para explorar, controlar, dominar as populações do mundo.
Abraços.
Boa tarde amigos ! Sou um leigo em economia, entretanto me interessei pela filosofia do Mises, caso alguém possa me auxiliar nos meus estudos sobre economia, ficarei grato. Se um de vocês puderem me dar dicas de quais assuntos estudar e de como iniciar meus estudos nesta ciência seria de enorme ajuda, pois não tenho um “norte” para seguir. Caso se sintam bem em me ajudar favor me contatar pelo e-mail: [email protected]
Grato Kauê
O que é mais fundamental: a minha liberdade ou a liberdade alheia?
Na situação atual, se eu circulo livremente como, se não houvesse uma pandemia, eu estaria afetando a liberdade de outrem que tem o direito a não se infectar.
Se a rua está cheia de gente e eu não quero ser infectado, como poderei eu sair à rua? Por mais que me cubra de cuidados, com máscaras e todos os apetrechos possíveis, eu ainda assim corro o risco de ser infectado por alguém contra a minha vontade.
Mais fundamental ainda: como buscar ressarcimento sobre o prejuízo a mim causado por alguém que me infectou? Como vou acioná-lo na justiça?
Como solucionar estas questões?
Depois de ler um texto tão profundo e esclarecedor sobre liberdade, fiquei me perguntando, como vocês, libertários, vêem esses projetos tão defendidos por brasileiros reacionários, principalmente políticos, empresários ligados ao estado e suas benesses, “defensores de ideologias de esquerda”, enfim, projetos de regulação e controle das mídias sociais, controle de armas…etc em especial agora, o whats’app.
Incrível que esses projetos venham de jovens políticos do RenovaBR, como Tabata Amaral e Felipe Rigoni, apoiados também pela Fundação Lemann.
Nesse cenário, como reagem os libertários? Ou não reagem? Qual a postura de vocês libertários, diante de toda essa ameaça e provável cerceamento de liberdade de expressão em escala inimaginável até alguns meses atrás?
Gostaria muito que alguém respondesse.
“Entao nao posso obrigar a alguem andar de mascara? ”
NÃO.
“Podemos tb liberar as pessoas de andarem de roupa agora? ”
Você quer leis estatais regulando a roupa das pessoas, é isso?
“Mas se alguem vai e bate no meu carro, esse alguem me ressarce.”
Se você conseguir provar a culpa.
“Se alguem vai e infecta o meu corpo, esse alguem deve me ressarcir.”
De novo, se você conseguir provar a culpa.
“Se me infectar por imprudencia, como o nao uso de mascara, entao o ressarcimento deve vir dobrado.”
No nosso ordenamento jurídico, imprudencia é crime culposo, que é menos grave que crime doloso.
Mas, de novo, você pode provar que foi infectado por alguém?
Ou você quer criar um sistema jurídico em que o seu desejo se transforma magicamente em obrigação legal para os outros?
O fato de Hayek ter sugerido a Tatcher que atacasse diretamente a Argentina ao inves de manter a guerra na Falkland, não soa um pouco contraditorio para um liberal?
Argentina era uma agressora, porem atacar a Argentina implicaria não só matar civis, como estender a dimensão da guerra.
Fonte:
http://www.margaretthatcher.org/document/117186
Em nome da L I B E R D A D E, adequado seria se este ensaio pudesse ser comido pelos presidentes da Venezuela e do Brasil a exemplo do profeta EZEQUIEL (Cap. 3, 1, 2, 3, 4), quando Deus lhe disse: ‘Filho do homem come esse rolo… vá até a casa de Israel para transmitir minhas palavras…’
O que vocês dizem sobre esses dados?
http://www.gazetadopovo.com.br/economia/economia-brasileira-melhor-fatores/
A economia vai se recuperar bem e calçar a vitória de Bolsonaro?
Real vai se valorizar e eleger bonoro dnv? Imagina só, ai a economia volta a andar, BACEN toma juizo e varremos a esquerda em 22.
O que vocês pensam?
Jacarezinho no RJ, o que acharam?
Porque a imprensa defende bandido?