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Quanto mais liberdade econômica, mais solidariedade e caridade – na teoria e na prática

Um dos
maiores lugares-comuns que ouvimos a respeito da solidariedade é que, sem o estado
— ou seja, sem uma agência coerciva que obriga as pessoas a pagarem impostos,
os quais serão imediatamente gastos em prol dos mais necessitados –, e sem essa
redistribuição forçada de renda comandada pelos burocratas do estado, os pobres
seriam abandonados à sua própria sorte. 

Pior
ainda: sem o estado para tomar o dinheiro dos ricos, estes jamais abririam voluntariamente
os cordões de suas bolsas para ajudar os mais necessitados.

O problema
é que tanto a lógica quanto os próprios fatos empíricos não apenas contradizem
essa afirmação, como, aliás, confirmam o exato oposto.

Comecemos
diretamente pelos fatos.

Uma das
maneiras de medir a solidariedade espontânea — ou seja, a caridade — é
analisar o tempo e o dinheiro dedicados pelas pessoas ao voluntariado, isto é,
a todo o tipo de atividades que têm um impacto direto sobre terceiros, sem que
o prestador receba uma compensação material em troca.  Neste caso, apoiaremo-nos sobre o World
Giving Index
, que todos os anos apresenta um estudo sobre o voluntariado no
mundo e que mede a porcentagem de pessoas que foram solidárias espontaneamente.

Apenas para
esclarecer, o que o World Giving Index
chama de “voluntariado” são pessoas que (1) doaram dinheiro a uma organização, (2)
doaram tempo a uma organização ou (3) ajudaram um estranho ou desconhecido que
necessitava de ajuda. 

Eis um
mapa do mundo para 2014:

heatmap.png

Os países
em vermelho são os mais caridosos.  Os países
em vários tons de amarelo vêm em segundo lugar (quanto mais escuro o amarelo,
mais caridoso).

Já os países
em azul são os menos caridosos.  Quanto mais
escuro o azul, menos caridosa é a população do país.

Portanto,
dentre os países mais caridosos — ou seja, países cuja população é
espontaneamente solidária — temos EUA, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Reino
Unido, Holanda, Islândia, e vários países do Sudeste Asiático.  (A Suíça está em branco, o que significa que
ela não foi incluída na pesquisa).

Em segundo
lugar entre os mais caridosos destacam-se Finlândia, Suécia, Alemanha, Áustria,
Eslovênia, alguns países do Oriente Médio, alguns países do Sudeste Asiático, África
do Sul, Chile e Colômbia.

Já dentre
os menos caridosos destacam-se Brasil, Venezuela, Equador, Argentina, Paraguai,
Peru, Portugal, França, Itália, todos os do Leste Europeu, vários da África, Rússia,
Japão e China.

Agora,
comparemos esse mapa com o índice de liberdade econômica da Heritage
Foundation
e do Wall Street
Jornal
.

Este índice
utiliza uma série de indicadores que mensuram liberdade de empreender, livre
comércio com o exterior, facilidade dada aos investimentos estrangeiros, tamanho
dos gastos do governo, respeito à propriedade privada, nível da inflação de preços,
entre outros.  Por conseguinte, este índice mede o
liberalismo econômico de um país.  

Para 2014,
os resultados globais são estes:

index.png 

Aqui, os países
verdes são os mais economicamente livres (quanto mais escuro o verde, mais
livre ele é.  Dentre estes, destacam-se
EUA, Canadá, Chile, Colômbia, Reino Unido, Suíça, Alemanha, Áustria, Holanda,
República Tcheca, Estônia, Lituânia, todos os nórdicos, Austrália e Nova Zelândia.

Já os países
amarelos são os relativamente livres economicamente. Destaque para México,
Peru, Paraguai, Uruguai, Portugal, Espanha, França, Itália, Leste Europeu e África
do Sul

Já os
países menos livres estão em vários tons de vermelho e laranja.  Quanto mais escuro, menos economicamente livre
é o país.  Destaque para Brasil,
Venezuela, Argentina, Bolívia, Equador, quase todos da África, e todo o bloco
que vai da Rússia à Índia.

Agora os
dois mapas em conjunto (lembrando que, no mapa da caridade, o primeiro, vermelho é algo
positivo e no da liberdade econômica, o negativo):

heatmap.png

index.png

Como é possível
constatar, existe uma correlação bastante forte entre mais liberalismo econômico
e mais voluntariado.

No entanto,
o leitor mais cético poderá retorquir dizendo que também poderíamos comparar o
gráfico do voluntariado com o de riqueza por habitante, com o de porcentagem de
protestantes ou ainda com o do tamanho médio do órgão sexual, e ainda assim
constataremos que, quanto mais elevadas essas estatísticas (menos para a
última), mais voluntariado haverá.  Logo,
será generoso, em média, quem for abastado, protestante e mediamente
constituído.

Pode ser.  Afinal, como disse o jornalista canadense Jean Dion, “as estatísticas
são para os analistas o que os postes de iluminação são para os embriagados:
fornecem muito mais um apoio que um esclarecimento”.  Sim, as estatísticas utilizadas têm
obviamente as suas falhas e não podem nos explicar, por si sós, toda a
realidade.

No entanto,
mesmo o leitor mais cético tem de ter reparado que os países mais ricos são
também os mais generosos. Isso é indiscutível. 
Nesse caso, parece que, parodiando Jean Dion, o poste de iluminação ilumina
tanto quanto serve de apoio.

Porém,
para uma análise mais completa, passemos agora à lógica: qual é a razão que
dita que mais liberdade econômica significará também mais caridade?

A sociologia por trás do altruísmo

Em uma
sociedade livre, o grau de responsabilidade individual tem de ser elevado.  E é assim pela simples razão de que o
corolário da liberdade é a responsabilidade. (Quando existe liberdade sem
responsabilidade, há apenas uma licenciosidade). 

Consequentemente,
em uma sociedade livre, as pessoas têm de ter elas próprias a responsabilidade
de se precaverem e de se salvaguardarem. 
São elas que têm de assumir sozinhas as consequências de suas decisões. Essa
noção de que elas têm de se cuidar para o futuro — tão estranha a nós de ascendência
latina — as impulsiona a serem mais precavidas desde cedo.  Incentiva, por exemplo, as pessoas a pouparem
mais, a fazerem seguros de vida, a fazerem planos financeiros para suas
aposentadorias etc.

Isso, por
si só, já estimula um comportamento mais soberbo e austero, estimulando
atitudes que visam a um horizonte temporal de longo prazo e desestimulando
atitudes que visam apenas ao curto prazo.

Adicionalmente,
como praticamente todos os indivíduos têm, arraigados em si, um altruísmo
natural, e dado que a pressão social tende também a rechaçar os egoístas
primários, em uma sociedade liberal as pessoas sentem uma maior necessidade de
ajudar ao próximo.  Não é uma pressão exatamente
coerciva, mas sim aquela obrigação moral
de ajudar quem necessita. 

E é assim
porque, em primeiro lugar, elas sentem que, se não fizerem nada para ajudar os destituídos,
estes serão abandonados à própria sorte, o que choca com o seu altruísmo
natural. 

Em uma
sociedade economicamente menos livre, o estado já se arvorou à função de ajudar
os necessitados.  As pessoas simplesmente
pensam: “eu já pago meus impostos e o estado já tem seus programas sociais. Logo,
estou moralmente desobrigado de ajudar os outros”.

Em segundo
lugar, dado que muitas destas pessoas altruístas já terão passado por situações
difíceis — e, na ocasião, foram socorridas pelo voluntarismo de terceiros –,
elas se sentem devedoras e agirão igualmente assim para com os outros
desvalidos.

Em terceiro
lugar, como os próprios desvalidos sabem que estão sendo ajudados por
terceiros, sem que estes não tenham nenhuma obrigação legal de fazê-lo, isso
implica que, se os auxiliados abusarem da bondade dos outros, um dia poderão já
não mais se beneficiar dela.  Uma coisa é
ter ajudas pontuais para se reerguer.  Outra
coisa é ficar completamente encostado sem se esforçar.  Consequentemente, essas mesmas pessoas sob
assistência tenderão a fazer de tudo para sair da situação difícil em que atualmente
se encontram.

Por outro
lado, se o governo se arroga o papel de cobrar impostos para cuidar de todos
para sempre, haverá o estímulo à indolência e à improdutividade.

Por último,
e por tudo descrito acima, os próprios caridosos sabem também que os auxiliados
têm o interesse de se aprumar o mais rapidamente possível, pois não será possível
viver pendurado para sempre na caridade de terceiros.  Logo, os caridosos sabem que os auxiliados não
irão abusar, caso contrário perderão todos os auxílios.  Consequentemente, os caridosos estarão
dispostos a ajudar mais, exatamente porque sabem que, em caso de abuso, sempre poderão
se retirar.

Conclusão

Não apenas
a teoria, como a própria empiria, confirma que voluntariado e caridade andam
juntos com liberdade econômica. 

Uma
sociedade livre tem os seus próprios mecanismos naturais de
solidariedade e estes são pouco visíveis agora, para nós, precisamente
porque um estado gigante já monopolizou a assistência social
absorvendo os recursos da sociedade civil que seriam destinados a esses fins.
“Por que farei caridade se já pago impostos para que o estado faça a
caridade por mim?”

Creio não
ser necessário explicar por que um sistema coercivo gerenciado por um estado
que promete cuidados do berço ao túmulo incentiva mais o egoísmo e o abuso da
generosidade alheia.

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79 comentários em “Quanto mais liberdade econômica, mais solidariedade e caridade – na teoria e na prática”

  1. A propósito, vale lembrar o que foi dito na TV por um “ator da globo” na campanha desse ano do Criança Esperança: “contribua! Se você acha que pagar impostos é suficiente para ajudar, você está enganado!”
    Ou seja, arcamos com uma colossal carga tributária (que, em tese, deveria, ao menos em parte, ser drenada para os necessitados), mas, apesar disso, vem um “ator” (sendo certo que os “artistas”, quase sempre, funcionam como emissários do regime estatista) admoestar as pessoas – repreendendo-as moralmente – que acham “que pagar impostos é suficiente para ajudar”.
    Creio que o episódio ilustra o ponto central do artigo.

  2. Exactamente,as pessoas nunca questionam a moralidade dos impostos,vulgo roubo,enquanto as pessoas não se questionarem moralmente acerca da maracutaia estado,não há esperança para uma sociedade livre!

  3. Kkk um ancap jusnaturalista usando argumentos consequencialistas para mostrar que o mercado elimina a barbárie e promove até caridade. Vou postar no grupo. Valeu, imb!

  4. Ótimo artigo. O que mais me incomoda é quando escuto frases de que o “brasileiro não ajuda” , “o brasileiro não se preocupa com o pobre” e afins. Não é o brasileiro que não age de forma caridosa, é o estado brasileiro que o impossibilita tanto através de pesadas tributações como querendo assumir este papel de “provedor monopolista” dos necessitados no país.

    Sempre digo: E se caridade for dedutível do imposto de renda? Vamos ver se o brasileiro é tão “sacana” assim?

  5. Prezados

    Uma pergunta.

    Como faço para achar uma série temporal do volume de contratos de swap cambial negociados pelo banco central do brasil?

    Agradeço desde já a atenção.

  6. Pessoal, e esse dólar?
    Vai continuar caindo? Não faz sentido nenhum ele cair! Só por que o FED provavelmente só vai aumentar juros ano que vem. Mas e todo resto? Só vejo motivos para ele subir e muito.

  7. “eu já pago meus impostos e o estado já tem seus programas sociais. Logo, estou moralmente desobrigado de ajudar os outros”.

    Quantos amigos nunca fizeram um trabalho social na vida e acham q merecem o Nobel da Paz porque votam no PT e acham que assim estão ajudando os pobres…

  8. Penso frequentemente nos motivos pelo qual muitas pessoas ainda tem medo de ESTADO ENXUTO + LIVRE INICIATIVA… minha teoria até o momento é que no DNA das pessoas existe o receio de voltarmos a idade média/monarquia, quando existia forte concentração de renda na mão dos feudais e a maioria da população passava fome. A diferença é que a humanidade/pensamento evoluiu muito nesse meio milênio e tanto os potenciais “oprimidos” quanto os “opressores” (leia-se menos e mais abastados) sabem que todos perdem voltando ao modus operandi daquela época…

    Traço um paralelo desse medo com um filme da série Highlander na qual o mundo estava “protegido” por um escudo contra as radiações do sol que um dia alcançaram níveis fatais. Com o tempo a camada de ozônio se reconstituiu e a empresa responsável pelo escudo (aqui leia-se Estado) escondeu esse fato pq lucrava e mantinha o poder sobre a sociedade. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência!

    Se alguém tem outra teoria pfv compartilhe…
    Abç,
    André Roedel

  9. Bom artigo, mas simplista demais na análise. Ortega Y Gasset e Albert J. Nock discutiram brilhantemente sobre o assunto, sobre como o poder estatal só existe exaurindo o poder social. O IMB poderia publicar algo desses autores.

  10. O mesmo argumento é utilizado para a escravidão militar, se não for imposto e com duras penas para os desobedientes, ninguém vai querer lutar.

  11. Henrique Zucatelli

    Brilhante Leandro, boa tarde!

    Posso mudar um pouco de assunto e polemizar um pouco? Sei que é off topic, mas não achei nada na pesquisa a respeito, e gostaria que me tirasse uma dúvida:

    Como funcionariam as regras de relacionamentos em um mundo sem Estado?

    2- Existiria o conceito de pedofilia? Ou cada lei seria diferente “da porta para dentro” de sua propriedade, e da porta pra fora seria como dizem, um “Velho Oeste”?

    Pergunto isso baseado em uma notícia dos últimos dias onde uma menina foi presa por fazer sexo com um garoto de 11 anos, e me ocorreu: como seria isso em uma sociedade sem Estado?

    Se puder fazer um artigo a esse respeito, seria mais um bálsamo.

    Abraços,

  12. Amarílio Adolfo da Silva de Souza

    Simples: quanto mais livre um país é mais dinheiro sobra nas mãos das pessoas. A tendência é elas serem mais caridosas. Então, devemos diminuir o tamanho do estado nos países pobres, para que o fato se repita globalmente. Não se pode(ou é muito raro) fazer caridade sem ter nada.

  13. Uma dúvida:
    -Se em 2008 um banco estivesse com 10 títulos tóxicos sub-prime, lastreados em hipotecas, com valor de face de $ 100.000,00 totalizando 1 milhão.
    – O FED, comprou esses títulos, criando dinheiro do nada, com um deságio de 50%, criando $ 500.000 na conta do banco vendedor.
    – O FED, resolve vender esses títulos para um banco de investimento Chinês, com valor de face de $ 700.000 com juros de 6% ao ano.
    O FED, apaga os $ 500,000 criados do nada e ganha $ 200.000, é isso mesmo?

  14. “No entanto, o leitor mais cético poderá retorquir dizendo que também poderíamos comparar o gráfico do voluntariado com o de riqueza por habitante, com o de porcentagem de protestantes ou ainda com o do tamanho médio do órgão sexual, e ainda assim constataremos que, quanto mais elevadas essas estatísticas (menos para a última), mais voluntariado haverá. Logo, será generoso, em média, quem for abastado, protestante e mediamente constituído.”

    Poxa vida, eu ia falar exatamente isso…

    Brincadeiras à parte, por mais que eu tenha que concordar que muitos dos preceitos do libertarianismo originaram de pensadores católicos, eles também que concordar que a aplicação destes preceitos no mundo real foi muito mais bem sucedida em países de tradição protestante. Como exemplo temos a Inglaterra e os países de linhagem inglesa. Enquanto isso, boa parte dos países dos países europeus de raiz católica sempre flertaram mais com as ideias socialistas, sendo o exemplo maior a França.

    Porém, a desgraça socialista está invadindo até aqueles países e o islamismo será o castigo merecido, infelizmente.

  15. Sou professor universitário, e estou preparando uma apresentação para estudantes de graduação, onde vou iniciar com a frase “Somos a geração que vive melhor em toda a história da Humanidade”. Para comprovar esta tese tão estapafúrdia aos ouvidos dos militantes de esquerda, retirei da internet “imperialista” os gráficos da evolução temporal, no mundo e no Brasil, da expectativa de vida, da mortalidade infantil, do consumo per capita de calorias, do consumo per capita de energia, do aumento da produtividade por área na agricultura, e das taxas de homicídios (que declinam em todo o mundo mas aumentam no Brasil da “justiça social”). Além disto, vou usar os mapas Global Peace Index e World Conflict Map, mostrando a quantidade relativamente pequena de conflitos armados nos dias de hoje.
    Agora vou usar também este mapa Giving Index.
    Obrigado por mais esta luz!

  16. Não há a menor chance do Brasil começar a mudar em menos de 10 ou 20 anos.

    Existem milhares de processos fiscais e trabalhistas. Temos 2,5 trilhões em títulos de dívida do governo, 57 milhões de pessoas com nome sujo na praça, um déficit habitacional e de saneamento gigantesco, lixões espalhados por todo o país, falta presídios para tantos bandidos e corruptos, o estado paga os maiores salários e as maiores aposentadorias públicas do mundo, as leis trabalhistas confiscam quase metade do salário dos trabalhadores, monopólio de sindicatos subornados, corrupção generalizada no governo, etc.

    Alguém vê alguma saída para toda essa canalhice que fizeram no país ?

    Doar alguma coisa vai mudar o país ?

  17. Off topic.

    Bem que o IMB poderia publicar um artigo a respeito da liminar da juíza Monica Teixeira, do Estado do RJ, que derrubou a lei que proíbe Uber e semelhantes por lá. A argumentação dela foi em cima do livre mercado e do Estado de Direito.

    É uma visão republicana, e não ancap, mas ao menos respeita o mercado com pouca ou nenhuma interferência governamental.

    Segue liminar na íntegra

    s.conjur.com.br/dl/justica-rio-libera-uber-define-multa.pdf

  18. Tenho lido artigos de todos os tipos, para tentar “calibrar” meu conhecimento prático nessas vivências pelo mundo – já que meu conhecimento teórico em economia, sociologia e antropologia é realmente limitado.

    Porém, sempre pensando em aplicações práticas e em cenários reais, visando compreender as possibilidades de melhorarmos esse mundo que vivemos, acabo sempre atuando como ´advogado do diabo´, tanto aqui quanto acolá. Deste modo, comento/pergunto:

    1 – entendo as limitações do texto, mas, por exemplo, principalmente no caso de uma sociedade tão heterogênea como o Brasil, não é simplista demais praticamente rebaixar a um ou dois fatores o que se pode levar a solidariedade? Como comparar então países não so heterogêneos internamente, mas também entre si?

    2 – a pesquisa do World Giving Index é uma medida absoluta de qual a porcentagem de pessoas que fez algum tipo de doação – porem inclui perguntas extremamente vagas (já ajudou alguém que precisava de ajuda?, por exemplo), e não contabiliza qual o tipo de ajuda realizado. Ou seja, também não seria simplista demais usar uma pesquisa como essa? Varias pessoas ´ajudando alguém que precisa´ pode significar quase nada, enquanto algumas pessoas realmente ajudando um grupo grande pode significar muito mais.

    3 – não vi uma correlação tão grande assim entre liberdade econômica e este índice – pelo menos 15 países do top 30 certamente não estão nem próximos de serem liberais. Fora isso, vários dos países que se encaixam neste preceito, por mais que sejam mais liberais, ainda apresentam uma forte atuação do ´welfare state´ – ou seja, o caso de ´não ajudar pois o estado ja ajuda´ não se aplicaria totalmente.

    3 – em vias práticas, como seria feita esta ´transição´? Ou seja, em um país como o Brasil, como poderíamos eliminar a atuação do estado nesta área e depender somente da livre iniciativa para lidar com este problema?

    Trabalho neste campo há um bom tempo na América do Sul, África e Ásia, e acredito em possibilidades muito melhores que as atuais para (a) complementar e (b) substituir políticas em relação a assistencialismo, porém precisam-se bases e argumentos fortes e consistentes, com viés pratico aplicável.

    Atenciosamente.

  19. Perfeito

    E pior, o Estado não apenas assume a obrigação de fazer caridade, como não o faz direito!

    Ele toma os nossos recursos, promete fazer algo com aquilo, e não o faz, o Estado é estelionatário!

    E eu ainda sou obrigado a ver pessoas pedindo pra taxar instituições de caridade, que são formadas voluntariamente e vivem de doações.. a mentalidade Estatista já tomou conta do povo brasileiro..

  20. O Estado gigante não extermina apenas o senso de responsabilidade das pessoas quanto a ajudar ao próximo, ele elimina a capacidade delas de fazê-lo.

    A alta carga tributária (40%) encarece todos os produtos e serviços.

    Os “direitos” trabalhistas encarecem a contratação de mão de obra (103%), achatando os salários.

    As inúmeras regulamentações dificultam ao máximo que se trabalhe por conta própria e ainda mais que se abra uma empresa e contrate pessoas, diminuindo as opções de trabalho autônomo e a oferta de empregos no mercado de trabalho.

    Resultado: a situação de grande parte dos assalariados não é muito melhor do que a situação dos necessitados que pedem ajuda, ou para os quais se pede ajuda.

    Muitos brasileiros não fazem caridade porque eles próprios estão há um passo de precisar receber caridade.

    * * *

  21. Mas é sobre países como Quênia, Irã, entre outros que estão laranja mas que não são tão liberais?
    Acho que ainda falta analisar muita informação e provar que há uma relação de causa e efeito entre liberdade econômica e solidariedade.
    Além disso, acho que mais importante que solidariedade é não haver pessoas que não tem acesso à condições básicas para se viver.

  22. Vinicius Cordeiro

    Neste site, o autor põe em dúvida os dados do Heritage Fundation. Alegando que a fundação coloca países com muito Estado como tendo mais liberdade, como a Finlandia, e países sem Estado lá em baixo no ranking como Haiti.

    minutoprodutivo.com/economia/por-que-nao-me-entusiasmo-com-o-ranking-da-heritage-foundation

  23. Eu tenho outra versão dos fatos. Os habitantes dos países liberais são solidários com os pobres porque sabem que estes estão abandonados à própria sorte. Nos países sociais, as pessoas colaboram menos porque sabem que a atitude correta é alertar as autoridades sobre esses necessitados. E o liberalismo é a lei da selva, os fortes sobrevivem e os fracos perecem.

  24. No gráfico que mostra os países de acordo com o índice de liberdade economica(onde o verde representa maior liberdade) a Austrália figura como um dos países mais livres economicamente. Contudo em pesquisas aqui na net descobri que esse país tem uma alta carga de impostos e que por conta disso o custo de vida é bastante elevado. Outra coisa que descobri é que quanto mais se ganha mais se paga imposto por lá. Este dinheiro arrecadado com os impostos ao que parece é bem aplicado em áreas como saúde, educação e segurança. Bem como volta aos cidadãos na forma de outros beneficios.Pode-se dizer que o Estado trabalhou bem aqui ao cobrar bastante imposto (quanto mais a pessoa é rica mais ela é cobrada)e devolver aos cidadãos isso na forma de melhorarias? Reduzindo asssim desigualdades e melhorando o idh do país? Quero entender a questão.

  25. Citar Faustão e Gugu no contexto de produção de valores é algo bem duvidoso. Eles se dão bem num nicho de mercado TOTALMENTE CONTROLADO pelo estado: Televisão e Rádio, ou seja, o “valor” deles é resultado da ação MONOPOLISTA estatal em todos os aspectos: concessões de TV, de rádio, sistema de ensino (sem homschooling), etc. E o que vem acontecendo, ultimamente, com o advento da internet banda larga e crescimento do Netflix? Resposta: desespero das emissoras de TV abertas, especialmente Globo, Record, SBT, BAND e RedeTV, que vêm perdendo suas receitas, e, pior ainda, quando o esquema petista de publicidade estatal vem sob ameaça de desmantelamento.

    Creio que o artigo, antes de mais nada, deveria introduzir, juntamente com a questão do valor, a hierarquia das necessidades humanas de Maslow e, partir daí, buscar traçar um paralelo. Qual valor relativo teriam os produtos de Faustão e Gugu em uma sociedade sem TV, rádio, celular e diante da necessidade de busca diária da sobrevivência?

  26. O artigo citou países que adotam o Estado de bem-estar social, (v.g., Suíça) este historicamente adveio para corrigir os excessos do liberalismo “puro”, sabemos que naquele há politicas intervencionistas em prol dos necessitados.

    Políticas públicas sociais como salário mínimo etc., são inspiradas no Keynesianismo, não há em vários países, ex., Dinamarca, mas há outras que são importantes para assegurar o mínimo existencial; vamos pular a estagflação que a doutrina Keynes causara na década de 1970 nos EUA.

    Na visão dos ilustres doutos, para valorizar o próprio indivíduo, para ampará-lo para que este tenha condições de competir não é o ideal em um país em desenvolvimento como o Brasil?

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