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Feminismo de Gênero, a Nova Esquerda e o Marxismo: Existe um Eixo Político?

O feminismo de gênero, a Nova Esquerda e o Marxismo (FEM) são frequentemente descritos como politicamente alinhados e, de fato, há uma sobreposição significativa entre eles. Mas existe um eixo político FEM?

A resposta é importante. Uma dinâmica surreal politizou cada canto da sociedade e pessoas de bem precisam agora se defender de acusações infundadas de racismo, misoginia e outros “crimes de ódio” para preservar seus empregos, reputações e seus futuros. Compreender de onde essa dinâmica se origina lhes dá mais chances de enfrentá-la. A resposta começa com a definição do FEM e a descrição de suas interconexões.

(Por necessidade, a análise a seguir é bastante simplificada.)

O feminismo de gênero ganhou proeminência nas décadas de 1970 e 1980. É chamado de feminismo “de gênero” porque essa vertente do feminismo explica o mundo dividindo homens e mulheres em classes antagônicas. Também conhecido como feminismo de terceira onda, seu sucessor ideológico é às vezes chamado de feminismo de quarta onda; ele se concentra na equidade para mulheres e minorias, no uso das redes sociais como arma política e na interseccionalidade.

A Nova Esquerda foi uma ampla coalizão de liberais, radicais e marxistas heterodoxos nos anos 1960. A palavra “Nova” a distanciava do marxismo puro e da Velha Esquerda, que era centrada no trabalho. Em contraste, a Nova Esquerda defendia causas culturais como o feminismo e os direitos dos homossexuais. Essa é uma abordagem maoísta da revolução — uma revolução cultural para mudar “o sistema”, subvertendo as tradições e instituições fundacionais. Por isso, a Nova Esquerda era às vezes chamada de contracultura. A justiça social emergiu em seu rastro.

O Marxismo é a teoria e prática do comunismo; ele defende a luta de classes como caminho para uma sociedade sem propriedade privada, na qual os bens são distribuídos conforme a necessidade. As diferentes escolas do comunismo são unidas por algumas crenças fundamentais, duas delas: o capitalismo é exploração, e as pessoas são definidas por sua afiliação de classe.

Os três movimentos condenam o capitalismo e acreditam que as pessoas são sua “identidade” — a raça, por exemplo. “Identidade” é hoje a palavra preferida no lugar de “classe”, mas os termos significam basicamente a mesma coisa. Como a classe é um conceito fundamental para o FEM e seus sucessores, examinar como ela é tratada pode revelar o quão próximo é o alinhamento político entre eles.

Uma classe é um grupo de pessoas que compartilham uma característica comum que serve ao propósito de quem está fazendo a classificação. Um pesquisador de câncer pode agrupar os sujeitos de acordo com os tipos de câncer, por exemplo. O FEM aborda a classe com o objetivo de forjar ideologia e revolução política. Todos utilizam a análise relacional de classes, na qual uma classe é definida por sua relação com uma instituição. Marx usou a relação com a propriedade dos meios de produção para dividir as pessoas em capitalistas e trabalhadores.

A influente feminista de gênero Catharine MacKinnon se autodenominava “feminista pós-marxista”. A palavra “marxista” indicava a adesão do movimento ao anticapitalismo, à luta de classes e à redistribuição de riqueza e poder. O “pós” indica que elas tropeçaram na teoria marxista de classes entre capitalistas e trabalhadores.

As feministas de gênero se rebelaram contra essa divisão porque tanto homens quanto mulheres estavam presentes nas duas categorias, o que tornava o gênero irrelevante para a análise de classes. Assim, mesmo mantendo os demais fundamentos do marxismo, adotaram uma linha divisória diferente: você é homem ou mulher? Em seu livro Of Woman Born (1976), Adrienne Rich argumentou que o inimigo de classe das mulheres é o “sistema social, ideológico e político” por meio do qual os homens controlam as mulheres. Hoje, isso é chamado de “patriarcado” ou capitalismo masculino. Dessa forma, a análise de classes feminista se fundiu com o marxismo, conferindo-lhe um retoque ideológico ao fazê-lo.

A Nova Esquerda também se desviou da teoria marxista de classes e passou a falar em “elite do poder” ou no Estado militar-industrial — isto é, o capitalismo de Estado, que ela encarava como o próprio capitalismo. A elite do poder era composta por líderes militares, empresariais e políticos que manipulavam as pessoas comuns para uma conformidade; essa classe média poderia incluir muitos trabalhadores, mas eles haviam sido absorvidos pela elite do poder. A verdadeira classe revolucionária consistia em intelectuais radicais que conduziam grupos marginalizados — como minorias ou homossexuais — à batalha política. Assim, a Nova Esquerda se fundiu com o marxismo, mas imprimiu sua própria interpretação à teoria de classes.

Como os sucessores do FEM enxergam a classe?

O sucessor do feminismo de gênero recorre intensamente à interseccionalidade, que é uma forma complexa de análise de classes. Trata-se da maneira como as diferentes identidades de uma pessoa se interconectam para definir seu nível de opressão. Por exemplo, diz-se que uma mulher é subjugada pelos homens. Uma mulher negra é duplamente subjugada — tanto pelos homens quanto pelos brancos — e tem uma voz mais amplificada. Uma mulher negra transgênero… e assim por diante. No cálculo da opressão total de uma pessoa, diferentes aspectos de sua identidade são somados. Um homem negro ganha pontos por causa de sua raça. Uma feminista branca perde pontos por causa da sua. Mas o inimigo de todos permanece o mesmo: o capitalismo do homem branco.

O sucessor da Nova Esquerda é a justiça social, que busca redistribuir riqueza, oportunidades e privilégios a fim de beneficiar aqueles considerados oprimidos. Elevar os subjugados, contudo, exige rebaixar os homens brancos capitalistas, responsabilizados pela opressão. Uma classe precisa perder para que a outra ganhe. Isso significa que o objetivo real não é a igualdade, mas o que se chama de “equidade” — uma forma de igualitarismo político, social e econômico — imposta pelo estado e pela lei.

Em síntese, as conclusões desses movimentos se alinham bem com o marxismo. São as metodologias que diferem.

A teoria é algo maravilhoso, mas — supondo que ela seja sólida — ela se traduz em prática? Isso equivale a perguntar se compreender um problema facilita sua resolução. Considere um exemplo.

Quem ainda não foi chamado de racista, sexista ou produto do privilégio, está vivendo em hora extra. Quando a acusação acontece, sua mera menção pode ameaçar meios de vida, reputações e perspectivas de futuro. Se a afirmação for verdadeira, um pedido de desculpas é devido. Se não for, é fundamental compreender o contexto de onde parte o acusador e como ele ou ela enxerga esse embate. Eles partem de uma análise de classes, consciente ou absorvida da cultura. O embate não é entre dois indivíduos, mas entre duas identidades com interesses irremediavelmente antagônicos. Razão, apaziguamento e provas de inocência não são defesas válidas. Pelo simples fato de ser branco, homem ou pertencer a alguma outra classe “privilegiada”, o acusado é culpado e uma violência ambulante. Esse veredicto não mudará, pois é dado de antemão.

A dinâmica estabelecida por conceitos como a interseccionalidade representa uma ameaça direta a qualquer pessoa que não possua uma pontuação elevada no eixo de opressão do FEM. Infelizmente, a realidade do mundo atual significa que tais conceitos não podem receber o tratamento que merecem — ser ignorados. Eles precisam ser compreendidos.

Este artigo foi originalmente publicado no Mises Institute.

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1 comentário em “Feminismo de Gênero, a Nova Esquerda e o Marxismo: Existe um Eixo Político?”

  1. “Patriarcado”…

    Patriarcado? No Brasil? Em que a Lei Maria da Penha pode ser estendida para qualquer discussão mesmo fora do âmbito doméstico, a ponto de que o homem (ainda que tenha razão) corre o risco de sofrer medida protetiva? Com deputados com idéia de amplificar a pena de “feminicídio” para meio-século, em um país em que uma mulher homicida mal fica reclusa por meia-década (se muito), isto para entrar-se no mérito de que o princípio da isonomia foi assassinado? Em que notícias como a vereadora de uma cidadezinha catarinense foi absolvida após matar o companheiro enquanto este dormia? A do Rio Grande do Sul, que “churrascou” literalmente o marido e igualmente recebeu absolvição? É este o tal “patriarcado” de que tanto de queixam? Eu deveria estar conforme meu nick com mais intensidade, e só não o estou por não precisar parabenizar ninguém ontem apenas por ter vindo ao mundo com uma vulva, ou por disforia de gênero, identificar-se como tal.

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