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O fantasma do Natal passado

Nos últimos 35 anos, em todo Natal, os romenos têm recordado a revolução de dezembro de 1989 e o regime comunista que chegou ao fim com ela. Poucos ainda guardam lembranças afetuosas daqueles tempos; muitos se lembram do regime pelo que ele realmente foi: um período de pobreza, medo e falta de liberdade.

No início da década de 1980, o ditador comunista Nicolae Ceaușescu já havia esgotado o capital acumulado da Romênia. A população em geral foi a que mais sofreu — por exemplo, ao tentar pagar toda a dívida externa do país, de aproximadamente 13 bilhões de dólares — suportando inúmeras privações, incluindo o racionamento de água quente e eletricidade. Talvez uma das restrições mais difíceis fosse o chamado “programa de alimentação científica”, que estipulava as quantidades máximas de bens que uma pessoa podia comprar por mês. Essas compras só podiam ser feitas com um cartão especial, no qual essas quantidades eram marcadas. A ração incluía as seguintes quantidades mensais:

Frango — 1 kg

Carne suína ou bovina — 500g (não havendo, deve ser substituída por carne enlatada da URSS)

Frios ou patê de fígado — 800g

Queijo – 500g (a cada 3 meses)

Manteiga — 100g

Azeite – 1 litro

Açúcar – 1 kg

Farinha – 1 kg (a cada 3 meses)

Ovos — 8-12

Pão – 300g/dia

O governo oferecia várias explicações para essas limitações, que iam desde a afirmação de que o estado estaria garantindo aos cidadãos uma dieta normal e equilibrada até a alegação de que seria necessário impedir que “especuladores” estocassem alimentos. No entanto, o cartão de racionamento não assegurava que a comida estaria realmente disponível, e muitos desses produtos só podiam ser adquiridos se você estivesse entre os primeiros da fila. Com o tempo, isso levou ao ditado de que ter um “contato” no comunismo — como um funcionário de loja que pudesse garantir que você receberia a cota completa ou até mais — valia mais do que uma propriedade inteira no capitalismo.

Depois de 1990, os romenos não tiveram mais de suportar concessões institucionais quanto ao cardápio de sua ceia de Natal — ou de qualquer outra refeição, aliás. Mas talvez o que mais os tenha alegrado foi poder celebrar o Natal sem o medo de serem denunciados aos serviços secretos por seus vizinhos.

Este artigo foi originalmente publicado no Mises Institute.

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1 comentário em “O fantasma do Natal passado”

  1. Nicolae Ceaușescu e sua esposa foram julgados e executados num espetáculo televisivo e com altíssima audiência.

    E sem todo aquele formalismo de um pelotão de fuzilamento, puseram eles no paredão e os kalashinikovs dispararam sem muita disciplina, parecia que todos ali queriam dar a seu tiro.
    (isso eu vi no YouTube)

    Depois foram na casa dele e lá encontraram torneiras de ouro maciço, escadas de cristal e outras extravagâncias.

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