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A etapa final do socialismo: a desintegração da Venezuela

Comentário do IMB

“O
socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros”, disse Margaret
Thatcher.  Na Venezuela, além do
dinheiro, acabou também a paciência da população. 

Cansada
da escassez de produtos — falta de tudo: desde papel higiênico e jornais a
produtos básicos de alimentação –, da inflação de preços galopante, da
corrupção e da violência endêmica (a maior da América do Sul), dezenas de milhares de
pessoas estão nas ruas protestando desde quarta-feira da semana passada.

O
governo reprime as manifestações com violência. 
Três
pessoas foram assassinadas pelo governo
e mais de 60 estão feridas.  A polícia está invadindo
casas
a esmo à procura
do líder da oposição
, que está foragido porque está jurado.


vários vídeos no YouTube descrevendo a situação e mostrando imagens do
protesto.  Este,
em espanhol e em inglês, resume o que está acontecendo na Venezuela.  Este mostra imagens dos
confrontos e contém cenas fortes.  Aqui
um manifestante é espancado pelas forças do governo.  E este
mostra o exato momento em que um manifestante é assassinado.

Duas
páginas foram criadas no Facebook para narrar e mostrar, em tempo real, tudo o
que está acontecendo na Venezuela: SOS Venezuela e Somos más del
46% – Venezuela
.  Ambas estão
postando fotos das manifestações.

Segundo
o jornal espanhol El País, jornais e redes de televisão venezuelanos estão
limitando
a veiculação de notícias sobre as manifestações, a mando do governo
.

Praticamente nenhum canal de televisão está transmitindo imagens dos
protestos.  Jornais impressos, que dependem da autorização do governo para
a compra de papel, também têm dado pouco destaque às manifestações. Até o
momento, três jornalistas que cobriam os protestos estão presos.

O jornal espanhol também denunciou ainda a suspensão, por parte de Maduro,
dos serviços de metrô e ônibus que fazem o transporte entre Caracas e os
municípios próximos, Sucre, Chacao e Baruta, governados pela oposição — e
palco do início dos protestos.

O
artigo a seguir é um compêndio de nossos artigos sobre a Venezuela, organizado
de maneira cronológica.  Ele permite
entender como as políticas econômicas do governo levaram a situação a este
ponto.

*********************************

181-xx6M4.AuSt.55.jpegA
turbulência econômica que fustiga a Venezuela tem recebido crescente
atenção da mídia internacional ao longo dos últimos meses. 

À
medida que piora a situação econômica do país, seu governo vai se tornando cada vez
mais autoritário.  No momento, ele está fazendo de tudo para solapar as
bases do já extremamente deteriorado tecido social do país.

Em
setembro de 2013, a contínua
escassez de papel higiênico
 (que ocorreu após a escassez de alimentos
e de apagões no setor elétrico) levou o governo a ocupar
uma fábrica de papel higiênico
, com o uso maciço de força militar, com o
intuito de garantir uma “distribuição justa” dos estoques
disponíveis.  Parece cômico, mas é imensamente trágico.

No
início de novembro, após o presidente Nicolás Maduro acusar os fabricantes de
manipulação de preços, ele ordenou que o exército ocupasse
as lojas
 e confiscasse todos os bens com o intuito de vendê-los a
“um preço justo”.  Ato contínuo, Maduro mandou prender os
comerciantes e ainda enviou o alerta de que “este é apenas o início de
tudo o que farei para proteger o povo venezuelano”. 

Logo
após esse confisco, multidões se aglomeraram, ao longo de todo o país, em
frente às portas de várias lojas de eletrodomésticos com o intuito de
saqueá-las, o que chegou a ocorrer em vários casos.  

Maduro
asseverou que o governo iria, dali em diante, supervisionar todas as redes
varejistas do país para se assegurar de que os preços fossem significativamente
reduzidos.  Também ordenou que todos os estoques das lojas deveriam ser
liquidados.  Em um discurso televisionado, ele mandou
a mensagem
: “Não deixem que nada permaneça nas prateleiras”.

Também
no início de novembro, imediatamente após ter criado o Ministério
da Suprema Felicidade Social
 — em mais uma tentativa de garantir a
“felicidade para todas as pessoas” –, Maduro anunciou que iria antecipar
o natal
para o mês de novembro.  O intuito era “trazer felicidade
para o povo e combater a amargura”.  Ato contínuo, o presidente
começou a distribuir benesses
natalinas
, já pensando nas eleições municipais de dezembro. 

Mas
este populismo não era apenas uma questão de estratégia política.  A taxa
de inflação de preços na Venezuela, como será demonstrado mais abaixo, já
está nos três dígitos.  Em um cenário assim, os salários
precisam ser distribuídos de forma rápida, antes que os preços subam ainda
mais; daí a “antecipação” dos bônus natalinos.  Esse tipo de
política não tem absolutamente nada de novo na história econômica do mundo: o
atual episódio hiperinflacionário da Venezuela está se desenrolando
de uma maneira muito semelhante ao da Alemanha da década de 1920.

A
história da economia venezuelana e de sua decadente moeda, o bolívar, pode ser
resumida na seguinte frase: “De mal a pior”.  Com efeito, a
situação já extremamente deteriorada da Venezuela conseguiu dar uma guinada
para pior.

A
espiral decadente da economia venezuelana começou de fato quando Hugo Chávez
decidiu impor seu “socialismo moreno” ao país, uma excentricidade
que, à época, chegou a ser relativamente bem recebida por vários setores da
grande mídia.  Durante anos, a Venezuela manteve um volumoso programa de
gastos sociais combinado com controles de preços e salários e com um mercado de
trabalho extremamente rígido, além de manter, como política externa, uma
agressiva estratégia de ajuda internacional voltada majoritariamente para
Cuba.  Todo este insano castelo de cartas conseguiu se manter solvente por
um bom tempo unicamente por causa das receitas do petróleo.

Mas
à medida que os custos deste populismo foram crescendo, o país teve de recorrer
com cada vez mais frequência aos cofres da estatal petrolífera PDVSA e à
impressora do dinheiro do Banco Central da Venezuela.  Isso resultou em um
declínio contínuo do valor do bolívar — um declínio que se acelerou ainda mais
após começarem a surgir notícias sobre o crítico estado de saúde de Hugo Chávez.

A
morte de Chávez, no dia 5 de março de 2013, gerou um abalo sísmico em toda a
economia venezuelana.  De maneira nada surpreendente, desde que seu
sucessor Maduro assumiu o controle do país, o castelo de cartas venezuelano
começou a desmoronar.  A taxa de câmbio do bolívar no mercado paralelo
ilustra bem essa história.  Desde a morte de Chávez até novembro de 2013,
o bolívar já perdeu 64,5% de seu valor em relação ao dólar no mercado paralelo,
como mostra o gráfico abaixo.

venezuela_chart_1.png

Gráfico
1: taxa de câmbio bolívar/dólar no mercado paralelo (linha azul) versus taxa de
câmbio oficial declarada pelo governo (linha vermelha)

Essa
acentuada desvalorização do bolívar, por sua vez, gerou uma extremamente alta
inflação de preços na Venezuela.  Para economias altamente estatizadas, a
desvalorização de uma moeda no mercado paralelo é o mensurador que melhor
estima o real valor dessa moeda.  Com este mensurador, é possível inferir
que a inflação de preços “reprimida” na Venezuela está atualmente nos
três dígitos, alcançando o estonteante valor anual de 297%, como mostra o gráfico abaixo.

venezuela_chart_22.png

Gráfico
2: inflação de preços oficial (linha vermelha) versus inflação de preços
implícita (linha azul) acumuladas em 12 meses.

O
governo reagiu exatamente como todos os governos populistas reagem aos aumentos
de preços causados por suas próprias políticas: impondo controle de preços cada
vez mais rígidos.  Obviamente, como Ludwig von Mises já havia
explicado há várias décadas
, estas políticas não apenas fracassaram
completamente, como geraram um grande desabastecimento nos supermercados e uma
constrangedora escassez de vários produtos essenciais, como papel
higiênico. 

De
fato, como mostra o gráfico abaixo, do próprio Banco Central da Venezuela,
aproximadamente 22,4% de todos os bens existentes no mercado simplesmente não
mais estão disponíveis nas lojas e nos supermercados da Venezuela.  Esse
índice parece um remix daquela clássica música de Paul
McCartney: “Back in
the USSR
“.

globe-jan2014-3.jpg

Gráfico
3: Índice de escassez de bens nas lojas e supermercados

Apesar
dos congelamentos de preços e da escassez, nada foi feito para atacar a causa
básica das aflições inflacionárias da Venezuela, que é o descontrole da oferta
monetária.

Este
gráfico mostra a evolução da quantidade de dinheiro na economia venezuelana
(agregado M3) de acordo com as estatísticas do próprio Banco Central
venezuelano.  Em sete anos, a quantidade
de dinheiro na economia aumentou 93 vezes, ou incríveis 9.200%.

venezuela-money-supply-m3.png

Gráfico
4: evolução da quantidade de dinheiro na economia venezuelana

O
governo Maduro reagiu a tudo isso recorrendo exatamente às mesmas táticas
empregadas por outros regimes totalitários e com moedas destroçadas.  Do
Zimbábue de Robert Mugabe à Coréia do Norte atual, o manual é simples: negar e
enganar.

A
verdadeira taxa de inflação de preços demonstrada no gráfico 2, de 297%, é
cinco vezes maior do que a taxa oficial de inflação de preços, de 54%, que é
divulgada pelo governo venezuelano e repetida pela imprensa internacional.

Com
efeito, vejo no Financial Times este valor de “54%”
e me pergunto: “Como eles acreditam nisso”?  Mas a resposta é
cristalina: os censores venezuelanos são muito eficazes.  Talvez não tanto
quanto os censores chineses, mas ainda assim eficazes.  Os jornalistas
lotados em Caracas com os quais converso frequentemente me dizem que as
agências de notícias já fazem voluntariamente todo o trabalho de auto-censura
em prol do governo, pois querem evitar que seus jornalistas em Caracas sejam
expulsos do país.

O
problema é que, ao menos na Venezuela, tais políticas não são novidade
nenhuma.  Há anos o governo controla os preços de vários bens.  Por
exemplo, o preço do galão da gasolina prêmio está congelado em US$0,058, o que
faz com que um galão de gasolina seja mais barato que um galão de água potável
em Caracas.

Além
da escassez, controles de preços podem levar a consequências políticas não
imaginadas.  Uma vez que os controles de preços são implementados, é muito
difícil revogá-los sem que isso gere inquietação popular — veja os distúrbios
que ocorreram em 1989
 na Venezuela, quando o presidente Carlos Perez
tentou abolir o congelamento de preços.

Embora
o congelamento mantenha os preços dos bens em níveis ostensivamente baixos no
mercado oficial, eles inevitavelmente geram prateleiras vazias, privando vários
consumidores de ter acesso a bens essenciais.  Controle de preços em
conjunto com uma regulação da margem de lucro não pode gerar outra coisa senão
o desabastecimento.  Como resultado, a
escassez de produtos bateu recordes na Venezuela

Recentemente,
em uma reação estouvada às aflições econômicas do país, Maduro exigiu — e
conseguiu — que o Congresso lhe concedesse poderes
emergenciais e ditatoriais
 sobre toda a economia.  Sua primeira
medida foi estipular um limite
nos lucros das empresas
.  Essa, no entanto, é apenas uma tática para
gerar distração, pois a própria inflação de preços corrói os lucros e dilui a
taxa de retorno dos investimentos. 

Maduro
também lançou um feroz ataque à indústria automotiva, assinando um decreto
para regular
a produção e os preços de automóveis
 “da porta da fábrica até os
pontos de revenda”.  Como consequência, o governo começou a controlar
os preços dos carros e a ameaçar de prisão todos aqueles que ousarem vender
automóveis aos seus preços de mercado.  Será interessante ver quem Maduro
irá culpar quando esta medida resultar em escassez de novos carros.

O
governo venezuelano alega que a alta inflação de preços e o desabastecimento
generalizado de produtos básicos são resultado tanto de uma “guerra
econômica” feita pelos EUA quanto de maquinações maquiavélicas da
“classe burguesa parasítica” da Venezuela.  Por isso, Maduro
começou a mobilizar suas tropas contra estes “inimigos” e passou a
encarcerar todos os comerciantes que pudessem ser enquadrados no crime de
“usura” e “extorsão”.

Veja
no vídeo abaixo o desespero de um comerciante ao ser preso pelo governo pelo
simples fato de não ter reduzido seus preços como ordenava o governo:

Essa
escolha entre preço “justo” e encarceramento é agora a norma para os
empreendedores da Venezuela.  Herbert Garcia, chefe do Alto Comissariado
para a Defesa Popular da Economia, disse
bem claramente
: “Temos de garantir que todas as pessoas tenham uma TV
de plasma e uma geladeira de última geração”.

O
único problema é que o governo não foi capaz de fazer com que sua rede estatal
de energia elétrica fornecesse eletricidade o suficiente para alimentar os
produtos eletroeletrônicos espoliados, e os constantes
e volumosos apagões
 não estão deixando os espoliadores usufruírem os
produtos de seus saques.

image.jpgComprovando
sua ignorância econômica, Maduro disse que o Banco Central venezuelano tem de
estar mais atento às maquinações dos empresários do país e divagou: “Se
estamos baixando os preços dos produtos em quase 100%, isso deveria impactar a
taxa de inflação, não?”  É claro que não.  Enquanto o Banco
Central continuar criando dinheiro para financiar o governo (ver o gráfico 4),
a inflação de preços continuará subindo.  E ao ativamente estimular os
saques aos comerciantes, o governo está deliberadamente desestabilizando a
sociedade venezuelana, muito provavelmente com o intuito de ter a justificativa
para adotar medidas ainda mais radicais.

Em
abril de 2013, quando Nicolás Maduro oficialmente assumiu a presidência após uma
vitória bastante questionável nas urnas, várias pessoas especularam que ele
seria mais conciliador e moderado que seu antecessor Chávez.  Ledo
engano.  Já está claro agora que, sob Maduro, o chavismo foi elevado ao
paroxismo e que o pior ainda está por vir na Venezuela.

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135 comentários em “A etapa final do socialismo: a desintegração da Venezuela”

  1. Tem umas fotos muito interessantes mostrando os TUPAMAROS (tipo uns black blocs do governo venezuelano) portando fuzis e armas diversas.

    O que mostra que a política de desarmamento lá foi parcial de acordo com os interesses do governo.

    E mais uma vez, podem chorar a vontade: Olavo estava certo.

  2. Socialismo na prática é assim: o governo mata a população.
    Começa matando só alguns, mas termina em milhares, ou milhões,
    dependendo do tamanho da população.

  3. Também ouvi comentários de que a violência na Venezuela contra os manifestantes está muito maior do que o que está sendo divulgado aqui no Brasil. O próprio fato do governo da Venezuela controlar a mídia de lá impede que estas notícias cheguem aqui. Por aqui, a mídia também não está tão interessada em divulgar os podres do Socialismo em nosso país.

    Se alguém tiver notícias sobre as manifestações vindas de fontes primárias, seria muito produtivo.

  4. Não entra em minha cabeça o fato de, em pleno século 21, ainda ser comum em países onde a população ativa (economicamente) se rebela ser concedido poderes extremos e sem fim a déspotas que não aceitam abrir mão de seus mandatos.

    O mundo fica quieto frente a atrocidades, demora demais para começar a fazer pressão, sempre com a desculpa que não podem se meter em assuntos internos dos países. Balela.

    Num mundo que se pretende justo, muito ainda deveria ser modificado para se conter, em tempo, estes que se entendem donos das verdades em seus países. No caso da Venezuela, se levarmos em conta a capacidade petroleira daquele país… E se o próprio presidente é “maduro”, então que caia.

  5. Mais uma prova de que controle de preços e mercadorias é fadado ao fracasso, pois isto só incentiva o livre comércio a ficar o mais longe possível do governo.

    “g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2013/12/brasileiros-atravessam-fronteira-para-comprar-presentes-de-natal.html”

  6. Há informações de que de hora em hora o governo Vuvuzuelano solta uma chamada na TV com o nosso conhecidíssimo amigo Lularápio declarando apoio ao governo Maduro…

  7. Pergunta que não quer calar: para onde um pobre assalariado com pequena poupança pode correr? Até Estados Unidos com os problemas atuais sendo denunciados me parece melhor.

  8. Ângelo M. Palmeira

    “Ministério da Suprema Felicidade Social”

    Sinceramente, senti um frio na espinha quando li isso. É orwelliano de mais pra ser verdade. E o pior de tudo é que é de fato verdade.

    Quando vi o nome desse ministério, me veio automaticamente o Ministério do Amor, de 1984, onde os presos políticos eram submetidos a sessões intermináveis de tortura.

    Infelizmente, Orwell estava certo.

  9. Será que isso acontecera na Argentina amanha e no Brasil depois de amanha?

    Será que o povo vai ter que sofrer tanto para começar a ver que a politica libertaria é realmente a correta, assim como prova Honk Kong?

    Quanto tempo tem que passar para acreditarem que Adam Smitch, Hayeak, Mises estão certos?

    Será que em circunstancias como essas a ignorância é realmente uma benção?

    Quanto mais penso que sei percebo que menos sei.

  10. Em seu ímpeto reacionário, o arqui-burguês Steve Hanke apressa-se ao narrar a situação do povo venezuelano e a conspiração da CIA contra a felicidade advinda dos programas sociais de Maduro. Como sempre defensor do povo, sacrifico-me ao ousar refutar as críticas maliciosas do sr. Hanke, quem ostentou neste artigo o absurdo de afirmar que é o povo que sofre com a escassez gerada pelos controles de preço ao invés do grande capital e das oligarquias internacionais.

    – Explicando a infame questão do papel higiênico: O ato de ‘defecar’ é essencial para a manutenção da conjunta capitalista sob uma perspectiva marxista-polilógica, pois aliena o trabalhador da condição de exploração na qual vive ao expô-lo a um trono produzido industrialmente (visando a burguesia prendê-lo às condições de produção, como explicado genialmente por Horckeimer ao questionar as intenções reacionárias por trás do sofá e da televisão) de onde ele é torturado pelos alimentos que consumiu, incapaz de refletir e lutar pela justiça social.

    Como explicado por Trotsky e Marx, o fim da luta de classes com a ascensão do proletariado inevitavelmente ilimita a capacidade física e intelectual do proletário, fazendo-o não mais protestar pelas futilidades antes impostas pela sociedade burguesa como o ‘papel higiênico’, retomando a sociedade ao belo passado bucólico quando não era necessário sentir-se oprimido por seus desejos orgânicos e bastava jogá-los pela janela. A Venezuela enfrenta um processo de mudança necessário e em breve, o proletariado esquecerá do hábito imposto pela burguesia neoliberal a seu povo.

    – O “gás verde”: Sendo a Venezuela uma produtora de petróleo, é mister que Maduro está preocupado em limpar sua imagem perante a vanguarda revolucionária fabiana ambientalista, utilizando de gás verde para apaziguar as multidões pagas pela CIA para oporem-se ao regime, criado de uma belíssima forma simbólica, uma ‘paz verde’ (Greenpeace).

    – Os “saques” aos supermercados: Trata-se de pura restituição de mais-valia não consolidada. Quando as elites contratam trabalhadores para aumentarem seu lucro, o sr. Hanke maliciosamente se omite, porém quando estes vão às suas lojas, quebram as vidraças e trazem os bens produzidos para casa ao ponto de que não mais haverá contratações (ou seja, fim da exploração do povo venezuelano), o senhor Hanke chama de “saque”. Trata-se de apenas um exemplo da luta de classes em ação, impedindo o autor burguês de enxergar a libertação do povo.

    – A “inflação galopante” venezuelana: O senhor Maduro está mais do que correto – se os índices de preço estão fixos, é simplesmente impossível que esteja ocorrendo uma inflação (aumento de preços). Na verdade, o que está a ocorrer na Venezuela é uma deflação, pois a burguesia unida à CIA deseja entesourar sua riqueza, abdicando no curto prazo de sua própria alimentação, energia e sustento para que o proletariado não triunfe na Venezuela; daí o aumento de mais de 90 vezes na quantidade de dinheiro em circulação no país, trata-se de uma imprescindível ação do estado para manter de pé a demanda agregada perante uma armadilha de liquidez da burguesia e uma conspiração do capital internacional.

    – A mídia neoliberal burguesa é censurada: Diferentemente da maliciosa escolha de palavras do senhor Hanke, a tomada dos meios de comunicação e a prisão ou expulsão de agentes reacionários para fins revolucionários foi um processo completamente democrático e portanto, justo e ético. Como demonstrado genialmente pela capa da edição da Carta Capital em que os novos movimentos reacionários brasileiros são criticados, o suicídio daquela enfermeira inglesa deprimida severamente após um trote de uma rádio australiana é mais do que justificativa para uma submissão da mídia ao bem comum.

    – Há “apagões” na Venezuela: Se prestar atenção na foto exposta neste artigo, trata-se de um empresário donos dos meios de produção afirmando que não há energia no país. Trata-se de mais um exemplo do paradoxo da luta de classes em ação – apenas os reacionários sentem os apagões enquanto os trabalhadores estão nas ruas a festejar as conquistas sociais do país por ordem do Ministério da Suprema Felicidade Social, eventualmente entrando em conflito com os agentes da CIA a enfrentar a revolução.

    ————————————————————————————-

    O senhor Hanke verdadeiramente extrapolou em suas “acusações” contra o Bolivarianismo neste artigo, chegando, data venia, ao ridículo. Recomendo que ele venha à USP como estudante e tome um curso de ciências sociais para que aprenda como de fato funciona o mundo.

  11. Emerson Luis, um Psicologo

    Ler este artigo após ter lido os de Hong Kong é um choque térmico.

    “Eu (Venezuela) sou você (Argentina) amanhã e você (Brasil) depois de amanhã”.

    * * *

  12. Caros amigos do Mises, muito bom o artigo, bem lúcido, deveria ser mais divulgado, inclusive, coisa que o farei o máximo possível. Gostaria de dividir com vcs aqui um link de um texto, publicado no Repórter Alagoas, intitulado “A Farsa do Neoliberalismo”, feito por um Doutor em Direito (deve entender tudo de economia também, pelo jeito). Falácias e mais falácias. Quem tiver paciência, leia, e quem tem mais conhecimento que eu, detonem o argumento dele, por favor. Está aqui o link reporteralagoas.com.br/novo/?p=74184#comment-100705

  13. Algumas orações que resumem a tendência da nossa sociedade sul-americana atual, lamentavelmente:

    “A Liberdade Ameaçada”;
    “A Sociedade Indignada”;
    “A Sociedade Assustada”;
    “A Dignidade Enclausurada”;
    “A Vergonha Espalhada”;
    “A Desordem Escrachada”;
    “A Humanidade Retorcida”;
    “O Povo Amedrontado”;
    “A Fantasia Embrutecida”;
    “A Igualdade Fundida”;
    “O Estado Desavergonhado”;
    “A Multidão Enlouquecida”;
    “A Sociedade Enfurecida”.

    Com o risco de se tornar:

    “O Território Esquecido”;
    “A Liberdade Extirpada”;
    “A Fraternidade Chutada”;
    “O Caos Instalado”;
    “O Poder Totalizado”;
    “A Paz Rasgada”;
    “A Sociedade Perdida”.

  14. Para quem acha que estamos longe, vejam esta “incrivel” reportagem do G1: g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/02/procon-faz-operacao-para-combater-precos-abusivos-nas-praias-do-rio.html Já estamos tendo controle de preços em território nacional meus amigos! Infelizmente para nosso país só estou esperando o pior nesta década, pois estamos caindo no poço agora e demora para chegarmos ao fundo! Boa sorte a todos!

  15. Essa situação na Venezuela seria interessante para divulgarmos as idéias da escola austríaca e do capitalismo de verdade, alguém aí tem um bom espanhol e se habilita a divulgar pelo menos vídeos em espanhol n Youtube sobre liberalização da indústria e o bom e velho laissez-faire?
    Eu vou agora mesmo discutir com uns venezuelanos por aí(estudantes se possível). Tratar um pouco sobre minarquia e desregulamentação(acho o anarcocapitalismo muito salgado pra uma sociedade mergulhada no keyenesianismo e marxismo).

  16. Embora essa seja a vontade do PT/PSTU/PCO e da Sininho, não creio que chegaremos a essa nível de desestruturação.

    O Brasil é um país complexo. Muito complexo.
    Existem travas que a meu ver impediriam o vagão de sair dos trilhos.

    O PMDB é uma delas, são oportunistas, velhos vampiros gordos de sugar sangue do estado brasileiro. Infelizmente são representação ipsi literis do povo. Mas não tem nada de socialistas e uma desestruturação socialista atrapalhariam seus planos.

    O próprio povo em seu estado bruto, embora esteja votado no PT não o faz por ideologia, o faz por interesse, puro e simples. Uma bolsa-esmola, um cargo etc… Lula nunca foi endeusado pelos brasileiros, se lixaram quando o mesmo teve câncer e seu filme propaganda foi um fiasco. O povo no máximo o considera o menos pior. Nada de "chavismo". O brasileiro é naturalmente desconfiado de salvadores da pátria, culto a personalidade nunca deu muito certo por aqui, tanto que nos comícios recentes lula-lá pagou 20$ para cada um que compareceu.

    As FFAA. Silenciosas, mas presentes. Sempre causando aquela ponta de dúvida nos nossos bolivarianos. "E se eles resolverem agir?" Essa pergunta é um freio de burro nos nossos comunas.

    A economia brasileira de fato já foi pro vinagre. E não vai ter mantega que resolva. Vamos crescer >2% se não entrarmos em recessão. Inflação vai ficar na casa dos 10%(números reais), e logo o IBGE vai ter desmascarado seu índice de "pleno emprego".

    Esse será o fim da era petista no brasil, se em 2014, 2018 ou em qualquer interregno destes não sei dizer.
    Não será o vim do viés marxista na política /educação/globo etc, nem do populismo demagógico travestido de "justiça social", mas do PT.
    E esse é e sempre será o problema.

  17. No livro Psychology of Socialism de Gustave Le Bon, há um excepcional aviso contra a experimentação socialista. "Não devemos nos iludir", escreveu Le Bon, "como alguns fizeram, a ponto de permitir que o socialismo mostre sua finalidade para que se prove sua fraqueza, pois o socialismo imediatamente dará origem ao cesarismo e prontamente se suprimirá todas as instituições democráticas". Isso foi publicado por Le Bon em 1898 e desde então tem sido invariavelmente profético quando se vê a Revolução Bolchevique na Rússia dezenove anos depois e a Revolução Nacional Socialista na Alemanha em 1933-34. Quando os princípios socialistas tomaram o controle na Rússia e na Alemanha, o cesarismo em Lênin, Stálin e Hitler logo apareceu. A liberdade de expressão logo foi espezinhada juntamente com os direitos de propriedade. Quando Le Bon escreveu Psychology of Socialism, a palavra "totalitarismo" não havia sido inventada. Uma palavra bem mais antiga designava a mesma coisa: era o "cesarismo".
    fonte:www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/13556-livre-mercado-moralidade-e-cesarismo.html

    Os avisos já existiam há tempos.
    Gustave Le Bon, os papas da Igreja católica, Von Mises e outros.
    Na história o socialismo criou uma pilha de cadáveres que chega a mais de 100 milhões, mas infelizmente continua sendo negligenciado, então é de se pensar qual será o próximo país, a Argentina, o Brasil, a Bolívia?

  18. Interessante, vocês criticam a esquerda, dizendo que as ações delas são horríveis para a sociedade,ficam afirmando que controle de preços não deve ocorrer e que o Estado deve ser o Estado mínimo, o que é estranho, porque o Sec. XX provou que tudo isso é mentira. Quase todas as ditaduras na América do Sul ocorreram sobre o viés de impedir o comunismo, sendo que milhares de mortes, censuras, proibição de liberdades ocorreram sobre ditaduras direitistas, ou seja, conservadoras e extremamente capitalistas.

    Com relação ao Estado mínimo, Crise de 1929 manda lembranças, assim como as dezenas de crises que ocorreram por causa do neo-liberalismo. Economistas do mundo inteiro sabem que o Estado deve intervir no mercado para o mesmo se manter. Só um exemplo, se o governo não tivesse baixado o IPI (que é uma intervenção do Estado na economia), várias multinacionais teriam saído do país, milhares de pessoas teriam perdido seus empregos e o país teria entrado em uma crise que levaria alguns anos para se recuperar.

    Então, pessoas da extrema direita, que só leem veja e nunca analisaram a história do mundo, principalmente do sec. XX, parem de vomitar inverdades e comecem a discutir de verdade, porque o mundo não e mais socialista ou capitalista (Estado de bem-estar social).

  19. engana-se quem acretida que o brasil nao pode virar uma venezuela ou uma cuba.
    como bastiat escreveu em sua famosa frase “existe o que voce ve e o que voce nao ve”, no brasil se vive um espectro de medidas pro-comunismo nao materias ,as quais tendem a conduzir a populaçao (demagogia).
    No momento em que se torna um fato a perseguiçao dentro das universidades brasileiras, a liberais,conservadores intitucionais(democratas),conservadores morais(cristaos) e ate mesmo a social-democratas a situaçao se torna sim muito seria.Quando a pluraridade do pensamento humano e suprimida ,a funçao da universidade, a casa de livre pensanmento e modificada e passa ensinar so o materialismo dialetico como correto somado a um ensino basico precario, a liberdade individual mais basica e essencial,a liberdade de expressao e de escolha e atcada direta e indiretamente.

    obs.faço unicamp e todos os cursos ligados a humanas sao radicalmente marxistas, entao nao me espanta um tipico filosofo brasileiro crer que existe curso de ciencias socias na usp ouem qualquer universidade nacional e que levar uma sociedade de volta a idade media e o caminho inevitavel da humanidade.(o ciencias sem froteiras e restrido a ciencias exatas por que sera?)

  20. Uma coisa me intriga. Será que a polícia e exercito da Venezuela está bem aparelhada, ouseja, os integrantes de linha de frente e seus familiares possuem os itens que faltam a população? Pois não consigo ver um soldado passando fome defendendo o próprio governo que o faz ficar nesta situação deplorável.
    Isso é fundamental saber para que se u dia isso vier acontecer aqui no país, sbermos quais atitudes tomar para com os soldados.

  21. O atual momento em que vivemos do capitalismo é sua evolução natural. Com toda suas corrupções, apoio do Estado, etc. O capital nada mais fez que comprar seus Estados, bem como a grande mídia. Era inevitável. Achar que em um utópico livre mercado, essas coisas nao aconteceriam da mesma forma, que os empresários seriam honestos.. é inocencia. Nunca houve na historia comunismo perfeito, nem capitalismo perfeito.

  22. Pessoal, caso o regime de Maduro se suporta, aos trancos e barrancos (não é impossível, veja Cuba…) e a ideia da consolidação da área de atuação do socialismo na América Latina não morrer, vocÊs acham que os países da Aliança do Pacífico possam ser um anteparo razoável ou sofrerão as consequências também?

    A “esquerda” ainda é muito forte nesses países (veja Bachelet). Ou será que o provável sucesso econômico prevalecerá?

  23. Olá!

    Há alguns dias venho tentando argumentar contra os defensores do chavismo. Eles, todavia, se defendem do que está acontecendo na Venezuela com o discurso de que o governo chavista melhorou vários setores da sociedade venezuelana.

    Farei um pequeno resumo dos principais argumentos apresentados, e gostaria muito de uma resposta vinda de vocês.

    1 – Chávez é amado na Venezuela, venceu 15 das últimas 16 eleições (referendadas por Jimmy Carter);

    2 – Aumentou a participação das pessoas no ensino universitário, construiu 22 universidades, e alfabetizou 95% da população;

    3 – Construiu quase 8.000 centros médicos e o número de médicos aumentou de 20 para 100 para cada 1000 habitantes;

    4 – A desnutrição infantil caiu 40%;

    5 – Ajudou a América Latina com 8,8 bilhões de dólares, contra 3 bilhões dos EUA;

    6 – O salário mínimo passou de 16 dólares para 330 dólares.

    7 – A imprensa na Venezuela é livre, visto que as duas maiores empresas de comunicação são oposicionistas;

    8 – A Venezuela apresenta o melhor índice Gini da América Latina.

    Esses são os argumentos principais que consegui coletar. O que vocês acham? Eu tenho alguns argumentos contra o que foi apresentado, mas por conta do espaço, deixo que vocês respondam-me primeiro, pra só depois entrar na conversa.

    Creio que a melhor maneira de combater esse mal é desmoralizando racionalmente o discurso defensivo.

  24. Antonio Henrique

    Temos que nos preocupar é com os nossos políticos.

    Em relação à Venezuela, quanto pior para eles, melhor para nós.
    Teremos mais oportunidades de vender papel higiênico.
    (enquanto tivermos indústrias)

  25. Aprendiz do Típico Filósofo

    Eis uma realidade que mostra a inquestionável e irrefutável superioridade do socialismo perante o capitalismo:

    O capitalismo em 100 anos popularizou o vaso sanitário em todo o mundo.

    O socialismo em 10 anos acabou com o papel higiênico na Venezuela

  26. Enquanto isso, na medicina socializada da Venezuela….

    Saúde entra em colapso na Venezuela

    Falta de insumos e de pessoal para operar equipamentos na área de cardiologia causou a morte de 235 pessoas nos últimos 6 meses

    A ausência de insumos e de pessoal para operar equipamentos na área de cardiologia dos hospitais públicos da Venezuela já causou a morte de 235 pessoas nos últimos seis meses, segundo a organização Médicos pela Saúde. A escassez levou hospitais de referência a declararem-se tecnicamente fechados.

    Mesmo diante das pressões de médicos e de pacientes, o governo de Nicolás Maduro mantém a aposta de seu antecessor, Hugo Chávez, no sistema de assistência popular Bairro Adentro. Coordenado pela Embaixada de Cuba em Caracas, seu orçamento nunca foi divulgado.

    Nos últimos meses, a Médicos pela Saúde organizou passeatas para exigir material de trabalho nos hospitais públicos, que atendem a cerca de 80% da demanda civil. Em vários deles, funcionários pediam aos pacientes para trazer materiais básicos, agulhas de injeção e gaze. Em outros, as salas de cirurgias foram fechadas.

    O Ministério da Saúde, em 2012, informou terem reduzido 25 mil leitos em hospitais públicos, em comparação com os disponíveis no fim dos anos 90, como consta em pesquisa dos economistas Silvia Salvato e Eduardo Añez.

    Parte da crise tem sido atribuída ao controle de câmbio no país, que dificulta a importação de bens. A situação foi agravada pela decisão de cerca de 700 fornecedores de suspender as entregas, segundo o jornal El Nacional, de Caracas. O governo teria dívidas com essas empresas de 764 milhões de bolívares (US$ 13,9 milhões, no câmbio oficial, e US$ 121 milhões, no paralelo) nos últimos cinco anos.

    http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,saude-entra-em-colapso-na-venezuela,1149900,0.htm

  27. Se em futuro próximo milhões na venezuela morrerem de fome,não vai ser de admirar e nem uma novidade para esse regime comunista,deus salve nossas almas.

  28. Quando alguém joga uma pedra pro alto e logo em seguida vê a pedra cair não se pode dizer:

    “Inacreditável, a pedra caiu!”.

    O que se deve dizer é:

    “Normal, a pedra caiu, como sempre.”.

    Analogamente, quando se instala o socialismo em algum país não se pode dizer:

    “Inacreditável, tudo que era abundante está se tornando escasso!”.

    O que se deve dizer é:

    “Normal, o socialismo fez até mesmo a coisa mais abundante escassear, como sempre.”.

    Claro que a maioria das pessoas não sabe disso, se soubesse elas não elegeriam ninguém que se dissesse favorável ao socialismo. Seria como votar em alguém que dissesse favorável à tornar toda a população pobre e miserável e à viver o inferno na terra.

  29. Ótimas notícias! Pelo menos para alguns.

    www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/10/1532639-preco-do-petroleo-desaba-e-zera-defasagem-da-gasolina-no-brasil.shtml

  30. carlos manuel velosa teixeira

    As ditaduras comunistas disfarçadas de Socialismo têm destruído a Venezuela desde há muitos anos… A rotura está iminente o caos e miséria à vista desde longo tempo. É necessários acabar co isto para que a Venezuela não chegue ao abismo / desintegração…
    A Nobre População Venezuelana me merece respeito, dignidade e ajuda mundial!

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