Quando
o governo Lula anunciou, com a fanfarra que lhe era habitual, a existência de petróleo
na camada pré-sal do litoral brasileiro, ainda em 2006, a exultação foi
enorme. Quando, em 2008, a Petrobras
extraiu pela primeira vez petróleo do pré-sal, a promessa era a de que todos os
problemas do Brasil já estavam solucionados.
Bastava apenas extrair o petróleo lá das profundezas, e todos os
problemas da educação e da saúde seriam miraculosamente resolvidos com o
dinheiro que seria obtido com a exportação deste petróleo.
No
entanto, não era necessário ser nenhum especialista em geologia para entender
que a aposta era arriscada. Bastava
apenas entender o básico de economia. A
extração de petróleo da camada pré-sal não é uma operação qualquer. Não é tão simples quanto a tradicional
extração de petróleo da camada de pós-sal.
Veja a figura abaixo.
Uma
coisa é extrair petróleo a 2.000 metros de profundidade, sem grandes
obstáculos. Outra coisa, completamente
distinta, é extrair petróleo a 6.000 metros de profundidade, tendo de superar
duas camadas (camada de pós-sal e camada de sal) para se chegar ao pré-sal. Esta operação é tecnicamente cara. Logo, só é economicamente viável se o preço do barril de petróleo estiver
acima de um determinado valor.
E
é aí que começa a encrenca.
Quando
a euforia do pré-sal estava em seu apogeu, em meados de 2008, o preço do
petróleo também estava em níveis recordes, chegando a bater em US$145 o barril,
o que de fato tornava economicamente viável a exploração do pré-sal. Logo, sob este aspecto, havia algum sentido político
em se fazer demagogia e proselitismo a respeito dos supostos milagres que a
extração do petróleo do pré-sal traria ao país.
O
problema é que esta alta do petróleo não se sustentou. No final de 2008, o preço do barril desabou
de US$145 para US$35 e, desde 2011, vem oscilando entre US$80 e US$100. Veja a evolução
no gráfico abaixo.
Segundo
estimativas otimistas, o início da produção do pré-sal brasileiro pode levar de
5 a 10 anos, a depender da geologia do local e dos investimentos feitos. E o pico da produção pode levar 15 anos para
ser atingido. É tempo demais para um
empreendimento tão caro e de preço final tão volátil.
Essa
total suscetibilidade aos preços futuros do barril de petróleo cria uma enorme
incerteza ao empreendimento do pré-sal.
Por exemplo, qualquer descoberta de novas jazidas em qualquer parte do
mundo, ou até mesmo a confirmação de novas fontes de energia, poderá derrubar o
preço do petróleo, tornando ainda mais inviável o pré-sal.
No
momento, a maior ameaça para os prosélitos do pré-sal vem dos EUA, onde surgiu
um novo fenômeno que pode colocar tudo a perder: o gás
de xisto. Esta nova fonte de energia
está fazendo com que o custo da energia venha caindo
vigorosamente nos EUA. No momento,
em decorrência de um
pesado lobby de gigantes industriais como Dow, Alcoa, Celanese e Nucor, a
exportação de gás de xisto foi proibida pelo governo americano, o que vem
garantindo energia abundante e barata a essas empresas dentro dos EUA e
impedindo que o preço da energia caia ao redor do mundo. No entanto, caso um futuro governo americano
libere a exportação do gás de xisto, o pré-sal pode se tornar imediatamente
inviável.
Segundo
estimativas
da Administração de Informação sobre Energia (EIA — Energy Information
Administration), a reserva americana de gás de xisto é de 2,7 trilhões de
metros cúbicos, o que seria suficiente para abastecer o mercado americano por
mais de 100 anos. No entanto, a produção
de gás de xisto vem sofrendo pesadas restrições impostas por poderosos grupos
ambientalistas, pois, segundo eles, a tecnologia utilizada na extração —
popularmente chamada de fracking, que
é um sistema de fratura hidráulica que consiste na injeção de grandes volumes
de água a profundidades superiores a três quilômetros para liberar gás — apresenta
risco de contaminação de fontes de água potável.
Além
do gás de xisto, é preciso considerar que sempre há a possibilidade de o governo
americano liberar a extração de petróleo na reserva selvagem de ANWR,
no Alasca, o que garantiria mais 10 bilhões de barris de petróleo, o suficiente
para alimentar os EUA por dois anos.
Não
bastassem todas essas “ameaças”, há também o fato de que os estados americanos
de Colorado, Utah e Wyoming possuem as maiores reservas de xisto
petrolífero do mundo, capazes de produzir, segundo estimativas da United States
Geologic Survey, mais de 1,5 trilhão
de barris. No momento, a produção ainda
é inviável,
justamente por causa do atual preço do petróleo, considerado ainda baixo. Vale enfatizar que as empresas são um tanto
reticentes a este tipo de investimento por causa de uma desventura ocorrida no
passado: durante a crise do petróleo da década de 1970, as petrolíferas
imaginaram que os preços ficariam altos em definitivo (naquela época, US$70 o
barril), e investiram somas consideráveis na extração deste xisto petrolífero. No entanto, o preço do petróleo convencional
caiu na década de 1980, e vários destes investimentos se tornaram
inviáveis. No dia 2 de maio de 1982, dia
que ficou conhecido como o Domingo
Negro, a Exxon cancelou um projeto de US$5 bilhões de dólares no
Colorado por causa da queda do preço do petróleo, demitindo mais de 2.000 trabalhadores.
Em decorrência dos prejuízos da década
de 1980, essas empresas se tornaram relutantes a fazer novos investimentos
desse tipo.
Todos
esses fatores concorrem para gerar incertezas quanto ao preço futuro do
petróleo.
Nas
atuais condições, para que a extração de petróleo do pré-sal brasileiro seja economicamente
viável, ou o preço do barril de petróleo no mercado internacional teria de
disparar ou a empresa exploradora teria de usufruir grandes benefícios
tributários. Fora isso, sempre há a
terceira opção: entregar a exploração a empresas estatais, que não operam de
acordo com o sistema de lucros e prejuízos e, consequentemente, não têm de se
preocupar com o preço do petróleo. Elas
podem simplesmente espetar a conta nos pagadores de impostos.
Ao
que tudo indica, as petrolíferas de fato pensam assim, e uma boa comprovação
pôde ser testemunhada ontem, dia 21 de outubro, no leilão do campo de Libra
realizado pelo governo brasileiro.
Propagandeado como a maior reserva de petróleo do Brasil e a maior área para exploração de petróleo no
mundo, cujo potencial poderia se aproximar dos 12 bilhões de
barris, o governo brasileiro esperava atrair pelo menos 40 empresas para o
leilão de Libra. Quantas realmente se candidataram? Apenas quatro:
duas estatais chinesas (CNPC e CNOOC), uma empresa francesa (Total) e a
anglo-holandesa Shell. As quatro
formaram um único consórcio, o que significa que não houve nenhuma concorrência
no leilão. Gigantes do setor, como Chevron,
Exxon Mobil, BHP Billiton, Statoil, BP e Repsol não se interessaram.
Como
presente de grego, essas quatro empresas vencedoras terão a Petrobras como
sócia compulsória e majoritária.
Toda
a lambança começou com o regime de exploração escolhido pelo governo. Havia duas opções: o regime de concessão —
que é o utilizado desde 1997, e que ajudou a elevar sobremaneira o volume de
petróleo produzido no Brasil –, e o regime de partilha, um monstrengo inventado
por motivos puramente ideológicos.
Nenhum
destes dois modelos representa uma privatização genuína. Ambos são uma parceria público-privada, que nada mais é do que um arranjo
corporativista no qual estado e grandes empresas se aliam para, sob o manto de
estarem realizando serviços, extorquir os cidadãos e dividir entre si o butim,
dando em troca algo que lembra um pouco, com muita boa vontade, uma prestação
de serviço. No entanto, o regime
escolhido pelo governo, o de partilha, é o pior dentre os dois.
Em uma PPP tradicional — que
continua sendo adotado nas áreas de petróleo existentes no pós-sal –, todos os
gastos e todos os riscos da produção, bem como a propriedade dos
hidrocarbonetos, são do consórcio que obteve a concessão. Em troca, o consórcio paga ao Tesouro
impostos e participações especiais sobre o valor da produção, além de pagar royalties
aos estados e municípios onde a atividade é realizada.
No
arranjo adotado, que foi o “regime de partilha”, o dono do petróleo é o
Tesouro. Neste arranjo, o estado fica
com uma parcela da produção física em cada campo de petróleo. O consórcio
paga um bônus à União ao assinar o contrato e, se encontrar petróleo, será
remunerado com uma parcela deste petróleo que seja suficiente para cobrir seus
custos e garantir algum ganho. Todo o
resto do petróleo ficará para a União (daí o nome de “partilha”). Além
disso, todas as decisões de investimento serão, em última instância,
autorizadas ou negadas pela Petrobras, que também usufruirá uma participação
mínima obrigatória de 30% entre as empresas componentes do consórcio — no caso
de Libra, ela terá 40%.
Como
que para comprovar a irracionalidade da coisa, o modelo de partilha obriga a
Petrobras a desembolsar R$6 bilhões, que correspondem a 40% do bônus de
assinatura do contrato. Dado que o
senhor Mantega veio a público jurar que a Petrobras tem essa quantia,
podemos então ter a certeza absoluta de que ela não tem, e terá de pegar com o
Tesouro ou com o BNDES (leia-se: de nós).
No modelo de concessão, a Petrobras e o governo não teriam de pagar
nada.
Por
último, a cereja do bolo: o governo obrigará as plataformas a terem um “elevado
conteúdo de fabricação nacional“, um privilégio nacional-desenvolvimentista
que servirá para as indústrias fornecedoras aumentarem seus preços e encarecer ainda mais o
processo produtivo.
Sabendo
de tudo isso, é realmente de se estranhar que tenha havido um interesse quase
nulo das petrolíferas privadas? Quem
iria se sujeitar a um marco regulatório tão arbitrário e politicamente
subjetivo quanto este? Dado que a
Petrobras detém 40% de participação no consórcio, e é hoje a
empresa mais endividada do mundo, por acaso seria algum exagero prever que todos
esses direitos assegurados ao governo brasileiro é que irão ditar os
investimentos e as decisões de desenvolvimento?
Como afinal será o critério para decidir qual será o volume de petróleo suficiente
para cobrir os custos da produção e suficiente para garantir algum ganho às
empresas?
Não
é nada surpreendente que as grandes e experientes petrolíferas privadas nem
sequer tenham se apresentado para participar dessa presepada, deixando a
encrenca para as estatais chinesas.
O
que está acontecendo, portanto, é um agigantamento
do estado no setor petrolífero. E isso
está sendo vendido ao público como “privatização”. Realmente, é desesperadora a situação do
debate econômico no Brasil.
Solução
Os
problemas de um setor petrolífero nas mãos do estado são óbvios demais: ele
gera muito dinheiro para políticos, burocratas, sindicatos e demais
apaniguados. Isso é tentador. A teoria diz que toda e qualquer gerência
governamental sobre uma atividade econômica sempre estará subordinada a
ineficiências criadas por conchavos políticos, a esquemas de propina em
licitações, a loteamentos de cargos para apadrinhados políticos e a monumentais
desvios de verba. No setor petrolífero, Venezuela,
Nigéria e todos os países do Oriente Médio comprovam essa teoria.
Um
setor ser gerido pelo governo significa apenas que ele opera sem precisar se
sujeitar ao mecanismo de lucros e prejuízos. Todos os déficits
operacionais serão cobertos pelo Tesouro, que vai utilizar o dinheiro
confiscado via impostos dos desafortunados cidadãos. Um empreendimento estatal
não precisa de incentivos, pois não sofre concorrência financeira — seus
fundos, oriundos do Tesouro, em tese são infinitos. O interesse do consumidor é a última variável
a ser considerada.
No setor petrolífero brasileiro, o dinheiro é retirado do subsolo e despejado
no buraco sem fundo da burocracia, da corrupção, dos privilégios e das mamatas. Todos os governos estaduais e todos os
políticos do país querem uma fatia deste dinheiro para subsidiar suas
burocracias e programas estatais preferidos.
Consequentemente, em todos os setores em que esse dinheiro é gasto, ele
é desperdiçado. Como é economicamente
impossível o governo produzir algo de real valor, ele na prática apenas consome
os ativos e a riqueza do país.
Caso
o setor petrolífero estivesse sob o controle de empresas privadas, todo o
dinheiro retirado do subsolo seria de propriedade destas empresas e de seus
acionistas. Sim, haveria impostos sobre esse
dinheiro. Mas a maior parte dele ainda
iria para mãos privadas. É assim nos EUA
e em vários países da Europa. Tal
arranjo mantém o dinheiro longe das mãos do governo e dos demais parasitas, e
garante que a produção e a distribuição sempre ocorrerão estritamente de acordo
com interesses de mercado, e não de acordo com conveniências políticas.
Sendo
assim, qual a maneira efetiva de se desestatizar o setor petrolífero do Brasil? Legalizando a concorrência. Para isso, bastaria o estado se retirar do
setor petrolífero, deixando a Petrobras à sorte de seus próprios funcionários,
que agora não contariam com nenhum monopólio, nenhuma proteção e nenhuma
subvenção. O estado não venderia nada
para ninguém. Apenas sairia de cena,
aboliria a ANP e nada faria para impedir a chegada concorrência estrangeira.
A
Petrobras é do povo? Então, nada mais
coerente do que colocar este mantra em prática: após a retirada do governo do
setor petrolífero, cada brasileiro receberia uma ação da Petrobras que estava
em posse do governo. E só. Ato contínuo, cada brasileiro decidirá o que
fazer com esta ação. Se quiser vendê-la,
que fique à vontade. Se quiser mantê-la,
boa sorte. Se quiser comprar ações das
outras empresas petrolíferas que agora estarão livres para vir operar aqui, sem
os onerosos fardos da regulamentação da ANP, que o faça. Se a maioria dos acionistas brasileiros quiser
vender suas ações para investidores estrangeiros, quem irá questionar a divina
voz do povo? Se o povo é sábio o
bastante para votar, então certamente também é sábio o bastante para gerenciar as
ações da Petrobras.
O
objetivo supremo é fazer com que o dinheiro do petróleo vá para as mãos do
povo, e não para o bolso de políticos e burocratas. É assim que acontece em outros países,
principalmente nos EUA, onde não há autossuficiência e a gasolina é bem mais
barata que a nossa.
Conclusão
É
claro que isso nunca será feito. Isso
significaria capitalismo genuíno.
Significaria cidadãos privados participando ativamente da riqueza gerada
pela indústria petrolífera, e se beneficiando dela — algo proibido em arranjos
socialistas como o que vigora no Brasil.
Sem
o estado participando ativamente do setor petrolífero, não mais seria possível
ocorrer as manipulações, as indicações políticas e os jogos de favorecimento a companheiros
no alto comando da Petrobras.
Mas
nenhum governo de nenhum partido fará esse tipo de reforma. Imaginar que políticos irão voluntariamente
abrir mão dos privilégios gerados pela Petrobras é tão lógico quanto imaginar
que cupins irão voluntariamente abdicar da madeira. O governo é naturalmente formado por
insaciáveis praticantes da espoliação pública.
Tais pessoas não apenas querem utilizar o dinheiro do petróleo para
financiar seus próprios projetos eleitoreiros, como também querem ter o governo
subsidiando esses seus buracos sem fundo.
Só nos resta aguentar.




É nojento,revoltante e desesperador viver neste país do faz de conta,dá vontade de não saber dessas coisas,mas ao mesmo tempo fico cheio de esperança quando lembro as palavras de Jesus “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” de maneira que este site esclarecedor tem me ajudado a entender as entrelinhas da política suja que impera nesta republica de bananas…
“Mas nenhum governo de nenhum partido fará esse tipo de reforma. Imaginar que políticos irão voluntariamente abrir mão dos privilégios gerados pela Petrobras é tão lógico quanto imaginar que cupins irão voluntariamente abdicar da madeira.”
Tenhamos fé, façamos orações á Nossa Senhora do Pré-Sal para que ilumine a cabeça dos ungidos e lhe mostre o verdadeiro caminho do progresso, amén!
Excelente artigo, Leandro!
É interessantes saber que o gás de xisto, ainda que não seja explorado de forma massiva no momento, sempre estará presente para competir com o preço do petróleo, impedindo que ele chegue nas alturas.
Excelente artigo, revela basicamente a putaria que ocorre no setor petrolífero no atual arranjo. O que mais me enoja, é observar em outros sítios, os ditos nacionalistas, que quebram o pau quando o governo resolve vender o campo de libra,mas são os mesmos a reclamarem que a gasolina brasileira é uma das mais caras do mundo e de qualidade duvidosa.
Acordou cedo hein?
Excelente texto, pena que esse capítulo do petróleo Brasileiro é só “mais do mesmo”. Sorte de quem especulou opções de PETR4 ontem 🙂
Leandro,
No caso da Petrobras pegar dinheiro com o Tesouro, isso pode significar que o governo irá se endividar mais ainda, pois além de impostos, o Tesouro pegaria emprestado dinheiro do sistema bancario para poder bancar a Petrobras certo ?
Em resumo, pagariamos boa parte dessa bonança na inflação com dinheiro criado pelo BC para repor o sistema bancario, alem disso tudo, a divida bruta brasileira subiria vertiginosamente – que hj já está em 68%¨e que diga-se de passagem o Mantega já está querendo maquiar junto ao FMI a metodologia de calculo – justamente nessa parte dos repasses do Tesouro.
Leandro, uma pergunta fora do tópico(não encontrei seus contatos): ouvi em uma entrevista sua que você considera-se monarquista. Com um palpite para sua possível resposta, fiquei curioso em saber o porquê.
Olá Leandro, primeiramente, parabéns por mais um artigo simples e claro. Apenas para adicionar ao debate: Shell e Total são duas grandes petrolíferas privadas e isso não pode ser desprezado. Sobre o custo de exploração do pré-sal, creio que ele seja tão ou mais viável que a exploração de tar sands no Canadá ou de petróleo no Ártico, sendo que a primeira já vem sendo feita há tempo e a segunda tem empresas tentando (o Greenpeace tem chiado bastante). A verdade é que o setor petrolífero é tão lucrativo que os governos não conseguem se conter e acabam passando a mão mesmo.
Porque a Shell foi a única privada a se aventurar?
Mais um artigo esclarecedor. O governo da Dilma, Mantega e cia é tão ruim, que fez setores da esquerda e os defensores da Escola Austriaca concordarem. Tá certo que por outras motivações. Aqueles pelo motivo errado (+ estado) e estes pelo motivo certo (- estado). Parabéns Leandro.
Agradeço ao senhor Leandro pelas ótimas advertências.
Entretanto, sabemos o que dizer(>) e fazer em quaisquer circunstâncias(*):
*O barril de petróleo do pré-sal possui preço muito acima ao de outras fontes energéticas no mercado internacional.
> Desvalorizaremos o real para estimular as exportações. Assim, reduziremos o poder de compra de todos os brasileiros em prol da geração de empregos em um setor economicamente inviável. (1)
> Acusaremos as multinacionais imperialistas de estarem fazendo “dumping” para sabotar a modernização brasileira.
> Se (1) não for possível, faremos o mercado nacional absorver o barril de petróleo do pré-sal aumentando a carga tributária da energia vinda de outras fontes.
————————————————————————————-
*A necessidade de componentes nacionais na produção, produzidos por linhas muito menos competitivas que as internacionais fará com que as fornecedoras aumentem seus preços e tornará o barril de petróleo do pré-sal ainda menos competitivo.
> Não há problema, pois qualquer economista diria que a demanda agregada está sendo estimulada. Além disso, a elite não apresentará qualquer oposição, afinal, estará ganhando dinheiro com isso.
Sim, fundos estarão sendo retirados da classe média nazista e dos produtores covardes para financiar um projeto insustentável, sendo que esses poderiam ter sido mais bem utilizados para a prestação e consumo de serviços pelos agentes produtivos progressivamente (O que faria uma real geração de utilidade e emprego). Entretanto, a autonomia petrolífera é um bem maior, afinal, o comércio internacional gera dependência assim como os supermercados. Todos seríamos mais ricos se produzíssemos no quintal tudo o que consumimos ao invés daquilo que fazemos eficientemente.
> Em últimos casos, tabelaremos os preços no setor e se isso fizer arrefecer a oferta, uma nacionalização não faz mal a ninguém. Ou ao menos forçá-las a produzir em prol do bem da nação. Estamos falando dos próximos 15 anos, não sabemos quão comprometido o Brasil estará com as causas revolucionárias.
————————————————————————————-
*O Pré-Sal, no fim de tudo, não entregou a autonomia petrolífera brasileira já prometida pelas autoridades desde Getúlio Vargas, desviou quantidades absurdas de recursos escassos à linhas de produção virtualmente insustentáveis, tornou-se mais um motivo para o consumo de combustíveis mais caros do que seriam caso houvesse importação liberada por não ter entregado quaisquer barris de petróleo competitivos no mercado internacional.
> Diremos que foi tudo conspiração dos Estados Unidos para sabotar a modernização e a educação brasileiras e perpetuar a doutrina Monroe.
Não há como perdermos.
Excelente! Fiquei observando esse imbróglio de leilão. Sempre desconfiei do pré-sal foi demagógico demais o anúncio de sua descoberta. agora entendi porque criar uma estatal para supervisionar TUDO.Só apadrinhados.
Lendo este texto eu fico pensando na malfadada Venezuela: o governo trancou todo o mercado interno do pais e agora depende majoritariamente do mercado internacional petrolífero. O preço do dólar por la ta valendo cerca de 6 bolívares venezuelanos (usd.pt.fx-exchange.com/vef/) e a inflação não esta nos seus melhores dias. O poder de compra da população é mais do que ridículo. Será que a economia venezuelana será muito afetada caso os EUA começarem com a exportação do gás xisto, embora o custo de extração para a Venezuela não seja tão oneroso quanto o do pré-sal?
Sobre o Brasil, parece que continuaremos na mesma: continuaremos pagando altos preços de gasolina e continuaremos bancando a divida da Petrobrás, e teremos como retorno apenas apelações propagandísticas desse desgoverno do PT. O petróleo nunca foi nosso. Somente na cabeça de ativistas políticos bocoiós e dos pobres coitados que foram la protestar que o petróleo é nosso. O petróleo sempre foi do governo e de seus apadrinhados. Nosso é só o prejuízo.
Excelente artigo Leandro.
A propósito, sua eficiência em escrever o artigo 24hs após o pedido de um dos leitores aqui no Mises é tipico de um puro laissez faire 🙂
Abraços!
A Petrobras foi desde sempre a vaca leiteira de todos os governos, de quaisquer tons de verde, de vermelho e dos furta-cores (e também dos que tudo furtam, seja de qualquer cor que forem). O p-e-sal é o “o que que é isso minga gente” de que todo munda fala, dá palpite e nada sabe. Dá pena ver tanta gente jogando água fora da bacia para dizer tanta bobagem e fazer papel tão lastimável. Por isso é que “nois não progrede”.
Quanto ao gás de xisto, o drama é o processo miraculoso do “fracturing”, que faz o xisto virar óleo, mas abala o subsolo e ofende os aquíferos. No Brasil os/as “marinistas”, socialistas ou apenas “gente da floresta”, vão ficar furiosos…
Leandro, poderia me dizer, de acordo com o que você acompanha, se já é possível vislumbrar crescimento econômico para
EUA
União Europeia
Japão ?
e, até pouco tempo atrás, fala-se muito em uma grave crise na China. O que acha?
muito obrigado e parabéns pelo seu trabalho
Leandro o típico filósofo tem razão,somos todos feitos de idiota e a demagogia do governo campeia por todos os lados,é uma pena ver tanta gente alienada achando que nós anarcocapitalistas somos alarmistas e catastrofistas a serviço das forças ocultas.Leandro como convencer as massas que não acreditam nas boas intenções do IMB.
até onde eu sei, ainda não foi extraída uma só gota do pré-sal. as propagandas do governo são pra lá de mentirosas quando o dizem.
o buraco é bem mais embaixo.
1) Como argumentar com um cidadão comum que vive ouvindo falar que “o petróleo é nosso” de que, na verdade, as estatais não pertencem realmente ao povo? Porque parece que os políticos que privatizam sempre fazem isso como uma última opção, por uma questão meramente utilitarista, “só” para dar mais eficiência a um setor. Mas, como eu posso convencer alguém de que a privatização também é MORALMENTE superior?
2) Vocês saberiam me dizer se, num possível futuro governo liberal, o presidente que vier não pode modificar o modelo de Libra e conceder as funções que atualmente são da Petrobras para outras empresas? Será que não pode haver algum impedimento jurídico? Porque seria maravilhoso se aqueles 40% da petrossauro fossem privatizadas.
Muito bom o artigo,
Algumas pessoas me perguntando o que eu acho sobre o assunto do leilão, simplesmente agora só vou ter o trabalho de indicar o artigo,
Att
Caro Leandro,
Eu imaginava que estava ruim, mas este artigo, como sempre muito bem elaborado, aumentou substancialmente o nível de pessimismo quanto ao nosso futuro. Mais uma vez irão embolsar os lucros (se houver) e socializar o prejuízo.
Grato por mais esta obra-prima!
Leandro, creio que você deve entender de política, mas pouco sobre a industria de petróleo!
Primeiro o gás de xisto é uma fonte de energia que pode substituir o petróleo na produção de GLP, Gás natural e etc… Mas não é apenas isso que os barris de petróleo produzem também temos diesel, QAV, gasolina e etc! E esses combustíveis precisam de óleo para produção nos atuais padrões de consumo! Alem disso, para os próximos 30 anos ou mais nao teremos uma fonte de energia viável para substituir o petróleo facilmente, já que as nossas maquinas quase que 100% são movidas a óleo!
Ou seja exceto que haja um “apocalipse”, o mundo precisara de petróleo por muitos e muitos anos!
Leandro, primeiramente, parabéns pelo artigo, esclarecedor.
Também não achei seus contatos,por isso vou fazer uma pergunta um pouco deslocada, mas é que estou na dúvida mesmo.
Há algum artigo no site (já procurei, mas não achei) em que refute especificamente as afirmações do economista coreano Ha-Joon Chang?
Ele defende, por exemplo, que as grandes nações se tornaram grandes devido ao protecionismo.
Sei que há vários artigos refutando o protecionismo, mas há algo específico sobre esse autor? Uma refutação caso a caso?
Obrigado.
Fernando
Aplaudo o artigo. mais uma coisa. Dei-me um país que tenha monopólio estatal do petróleo e, eu lhe darei um país pobre e uma cleptocracia. Exemplos:Argentina, Brasil, Irã, Iraque, Líbia,Venezuela, etc.
Essas restrições à exportação de gás de xisto nos EUA não levam a retaliações de outros países? Será que vale a pena, para os EUA, fechar o mercado desse tipo de combustível?
Se o pré-sal é inviável, por que duas gigantes privadas vão investir nele, e não será pouco?
Se o pré-sal é realmente a barbada prometida pelo governo, por que as gigantes como Chevron, Exxon Mobil, BHP Billiton, Statoil, British Petroleum, Suncor e Repsol não se interessaram? Essas petrolíferas odeiam dinheiro?
Leandro,
vou mudar também de assunto (já fiz meu comentário sobre este texto. Parabéns pela analise esclarecedora sobre o pré-sal)
O BACEN vem aumentando constantemente o valor da selic e vem propagandeando na mídia que é “necessário cortar gastos públicos”. Sabemos que o que ocorre na verdade é que os “dealers” são os que detem a maior parte dos títulos governamentais, e são eles e o próprio governo que vão ganhar com a politica de subir juros. Para alem do controle da inflação, o que da fato vem incentivando esta crescente alta nos juros?
“Além disso, todas as decisões de investimento serão, em última instância, autorizadas ou negadas pela Petrobras, que também usufruirá uma participação mínima obrigatória de 30% entre as empresas componentes do consórcio — no caso de Libra, ela terá 40%.”
Leandro, atualmente já há campos do pré-sal em campanha de desenvolvimento da produção (ainda no modelo de concessão): são os campos de Lula, Iracema e Iara no bloco BM-S-11 e Sapinhoá e Carioca no bloco BM-S-9. Ambos são parcerias entre a Petrobras e empresas privadas.
BM-S-11: Petrobras (65%), BG Group (25%) e Galp Energia (10%)
BM-S-9: Petrobras (45%), BG Group (30%) e Repsol-Sinopec (25%)
Nesses blocos, a Petrobras é a operadora, ou seja, é ela quem faz todos os projetos, exploração/explotação e posterior operação da produção. Entretanto, os parceiros participam ativamente, inclusive vetando propostas que a Petrobras apresenta. Ou seja, a Petrobras não tem “carta branca” para fazer o que quiser.
Acredito que em Libra essa estrutura decisória seja mantida, afinal, nenhuma empresa privada cometeria a loucura de ficar totalmente a mercê de uma estatal gerida politicamente.
Na minha opinião, o que afastou as grandes petrolíferas (Exxon, Chevron, BP, BHP, Petronas etc) foi o péssimo modelo escolhido (partilha, cotas de conteúdo nacional, Petrobras como operadora etc) e também as grandes incertezas que há sobre Libra, onde até o momento apenas um poço foi perfurado. Todas as megalomaníacas estimativas de reservas são puro achismo.
O fato de Total e Shell serem parceiras em Libra não quer dizer nada, a participação delas é pequena e eu entendo isso como “vamos colocar uns trocados aqui e ver no que dá”.
A única coisa que me espanta nisso tudo é ter aparecido alguém para participar desse tal leilão. As estatais chinesas eu até entendo, existem outros interesses políticos nisso tudo. Mas não dá para entender que uma empresa privada compre esse mico.
O “socialismo” da Noruega me mata de inveja:
veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/politica-cia/o-presidente-da-estatal-de-petroleo-da-noruega-uma-das-gigantes-do-ramo-informa-la-o-governo-nao-se-mete-na-empresa-se-ela-nao-der-lucro-me-mandam-embora-conta/
“A Noruega é citada como a grande fonte de inspiração para o novo modelo exploratório do pré-sal brasileiro. A comparação faz jus à realidade?
Até certo ponto, sim. Os dois países compartilham da compreensão de que os recursos naturais devem se converter em riqueza permanente e possuem estatais que atuam como indutoras da indústria do petróleo. Mas uma diferença significativa nos distancia: a Statoil não tem direito automático sobre todas as áreas exploratórias, como a Petrobras, que recebe pelo menos 30% de cada bloco licitado.
Na Noruega, temos de competir com gigantes multinacionais como Exxon, Shell, BP e Chevron. E também podemos decidir em quais licitações entrar. Isso é bom para a empresa, porque não nos obriga a assumir negócios que não nos interessam, e benéfico à economia do país.”
“A Statoil não sofre interferência do governo e dos políticos?
Não. O governo norueguês tem 65% das ações, mas apenas um único representante no comitê que nomeia os conselheiros. Em 2001, quando passamos a vender ações na bolsa, o estado norueguês assumiu publicamente o compromisso de nunca, sob hipótese alguma, tentar arbitrar os rumos da companhia. Minha obrigação é gerar valor para os acionistas. Se falhar, o governo me manda embora. Se não fosse assim, jamais teríamos conseguido quintuplicar a produção na área internacional na última década.”
“A Statoil não precisa pedir autorização ao governo para aumentar o preço dos combustíveis?
Claro que não. O preço dos combustíveis deve ser regulado pelo mercado global, não pelo governo. Vendemos nossos produtos no exterior e estamos bem cientes de que os valores no mercado interno devem refletir as cifras internacionais.”
Artigos do Leandro eu leio e reverencio. Sem mais.
Estas empresas irão cair fora assim que a Petrobrás começar a colocar as manguinhas de fora e querer ditar as regras estatizantes e políticas ao Consórcio.
Além disso, quem tem acompanhado a situação financeira da Petrobrás sabe que ela foi delapidada e não tem recursos para nenhum tipo de investimento, muito menos para colocar R$ 50 bi na mesa.
Aguardem para ver o que irá acontecer!
E pagarás impostos para sempre!
A função social da Petrobras:
Petrobrás fechou contrato superfaturado de US$ 825 milhões com Odebrecht
Ainda em vigor, termo fechado na gestão Gabrielli inclui aluguel de três copiadoras por R$ 7,2 milhões e salário mensal de pedreiro de R$ 22 mil
Caro Leandro,
Parabéns pelo texto.
Tenho acompanhado as publicações do site e vejo que há muita qualidade.
Gostaria de ler mais textos sobre a economia brasileira. Como você bem sabe, os intervencionistas parecem dominar os debates em nosso país.
Seria interessante ver uma discussão do intervencionismo e do desenvolvimentismo sob a perspectiva austríaca.
Alguns temas interessantes seriam:
– CEPAL, Celso Furtado e seus seguidores;
– “deterioração dos termos de troca”;
– política econômica da Era Vargas;
– o debate entre Roberto Simonsen e Eugênio Gudin;
– planos econômicos de Juscelino, Jango e da ditadura militar;
– FHC e a teoria da dependência etc.
Imagine só os EUA com a extensão de terras que o Brasil tem favorável ao plantio de cana de açúcar, o estrago que faria no setor energético no mundo produzindo álcool uma energia renovável e mamona para o biodiesel, não precisava, desmatar mais florestas, só precisava modernizar a criação de gado. o sistema adotado hoje é desperdício de terras produtivas que poderias servir para outra culturas, O pré-sal para o Brasil não viável porque envolver tecnologia muito complexas, e arriscada pode haver uma falha e se tronar um desastre ecológico . FHC estava no caminho certo quando incentivou as usinas de álcool. poderíamos ser auto suficiente em energia e alimentos ao mesmo tempo.
economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,xisto-reduz-venda-da-petrobras-aos-eua,175035,0.htm
“Xisto reduz venda da Petrobrás aos EUA
Alternativa mudou a matriz energética do país, que ficou menos dependente de importações e cortou compras de petróleo do Brasil em 60%”
O pré-sal já está virando fumaça? Se essa tendência se confirmar a tendência é o que o preço do petróleo caia ou permaneça estável, o que deve comprometer a viabilidade do pré-sal.
REINVENÇÃO DO PETROLEO PELO USO DO SHALE GAS
A maior vantagem proporcionada pela revolução do shale gas decorre do fato de serem proprietários privados dos recursos que os exploram com meios próprios contando incentivos dos próprios estados produtores, ao contrário daqueles em que a propriedade é da união, garantida por dispositivos constitucionais que remontam ao código de águas, de 1934.
Os EUA repetem a experiência dos estados produtores dos EUA que inventaram o petróleo do Texas e Pensilvânia.
–Porque o shale gas nos EUA dá certo e o pré-sal não deslancha? Eis algumas razões:
– É estabelecida em bases locais – devido aos baixos custos do transporte em relação ao do petróleo e gás por oleodutos.
– Ocorre em zonas despovoadas e aproveita a extensa rede de gasodutos subutilizada dos antigos campos, o que favorece a geração distribuidada através termoelétricas combinadas a gas muito mais econômicas do que as antigas térmicas a vapor movida a carvão e óleo.
– Antigos campos ainda produtivos foram deixados para traz em razão da abundância de novos mais produtivos e dos baixos preços do barril daí decorrentes. Inicialmente o gás excedente era reinjetado para aumentar a produção, ou, simplesmente queimado. De modo que existe uma enorme quantidade de gas e petróleo encarcerado nos poços maduros que pode ser reaproveitado pela injeção de água no processo de fracionamento.
–A aplicação da nova tecnologia de fracionamento não se restringe à exploração de gás de xisto. Pode ser usada também para obtenção de petróleo em poços maduros ou em jazidas até agora consideradas subcomerciais, com a vantagem que a rede de infraestrutura subterrânea é pouco extensa ou já existe.
– A ocorrência contempla indistintamente países grandes e pequenos, ricos ou pobres, que podem recorrer à P&D desenvolvida nos países ricos em regime de cooperação espontânea. Assim, podem escapar da ditadura do cartel dos grandes produtores de petróleo.
– os EUA repetem a experiência dos estados fundadores dos EUA que inventaram o petróleo do Texas e Pensilvânia.
BRINCANDO DE NOVO NOS CAMPOS DO PRÉ-SAL
Ainda Segundo Meireles:
– A alta do dólar foi o sinal do FED de que reduzirá as medidas de estímulo monetário contra a crise ("Tsunami de dólares"), agora finalmente reforçado. O sucesso na exploração do gás de xisto nos EUA combinado com a eliminação dos estímulos traz como consequência a valorização do dólar – como continua ocorrendo.
"Elas elevaram demais a oferta de dólares e sua reversão fortalece a moeda americana e redireciona capitais aos EUA".
O sucesso eleitoral está novamente garantido, mas o risco do fiasco do próximos leilão do Pré-sal permanece. O governo tem pressa, tanto que antecipou colocando o poço mais promissor para evitar o desgaste com a queda das ações da Petrobras.
O governo está de olho mesmo é no "presente" (gift) para cobrir superávits: bônus de assinatura (15 bilhões de dólares) mais do que na repartição do óleo "futuro" (máximo 75%,). Foi teste – com exigências abrandadas para avaliar o desempenho dos próximos leilões: pouco direito de voto (35%), ainda sujeito a veto da estatal PPSA no que tange a custo. São exigências demasiadas que só podem contar com grandes empresas chinesas, interessadas apenas em garantia de fornecimento futuro. Mesmo com a queda de produção na bacia de Campos e apesar do insucesso das empresas "X", as apostas não têm compromisso no presente:
O que importa é o sucesso do 1º e único poço promissor. Depois virão outros e muita coisa pode ser mudada no próximo governo. Por exemplo: concessão com a finalidade de angariar recursos para novos contratos de partilha.
DESONERAÇÃO DE COMBUSTÍVEL FÓSSIL
– Enquanto o governo brasiileiro desonera o carvão mineral para uso em térmicas a vapor de baixo rendimento, nos EUA elas são substituidas por termoelétricas a gas mais econômicas na produção de calor e eletricidade. Com isso libera para outros fins extensa rede de estradas de ferro utilizada no transporte de carvão, bem como carvão para exportar.
Aproveitam a extensa rede de gasodutos subutilizada de campos de petróleo maduros o que favorece a geração distribuidada.
– Enquanto o congresso americano retira subsídios ao etanol de milho e premia o etanol de cana, o governo brasileiro vende na distribuidora a gasolina e etanol de milho mais barato do que o produto importado, em detrimento do etanol de cana brasileiro que não é sequer suficiente para a mistura à gasolina importada.
Leandro,
Poderia apresentar alguma consideração a respeito da refinaria de Pasadena? Essa refinaria gerou algum lucro no ultimo exercício? ou continua sendo um péssimo negócio para Petrobras?
Quase um ano após a publicação deste artigo, o preço do barril de petróleo despencou nada menos que 19,20%. E o do tipo Brent despencou incríveis 21,6%.
A viabilidade do pré-sal está cada vez mais no terreno da ficção.
Tá complicando pro pré sal:
www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/11/1542912-eua-despontam-na-venda-de-petroleo-bruto.shtml
“O petroleiro de bandeira cingapuriana BW Zambeze zarpou em 30 de julho do porto de Galveston, no Texas, levando petróleo bruto para a Coreia do Sul. Apesar do pouco alarde que cercou a viagem, os 400 mil barris a bordo foram a primeira exportação irrestrita de petróleo dos EUA para um país fora da América do Norte em quase quatro décadas.”
“O Departamento de Energia dos EUA iniciou um estudo sobre as exportações. Os refinadores argumentam que elas podem encarecer o petróleo para uso doméstico. Mas as companhias petrolíferas e muitos economistas afirmam que as vendas contribuiriam para elevar a oferta mundial, consequentemente reduzindo os preços internacionais de referência.
A produção nacional de petróleo dos EUA aumentou 70% nos últimos seis anos, chegando a 8,7 milhões de barris por dia, enquanto as importações oriundas de membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) foram reduzidas pela metade. A produção americana deve chegar a 12 milhões de barris por dia no prazo de uma década.”
Aí já virou esculhambação. Barril WTI fechou a US$57,61. Ao mesmo tempo, a maldita Petrobras — que agora tem de recuperar suas finanças (é uma estatal) — anuncia aumento de 18% no gás GLP.
Esse país tá uma zona.
E o Delfim:
http://www.cartacapital.com.br/revista/830/a-verdadeira-petrobras-9284.html
A verdadeira Petrobras
“O aumento da oferta do petróleo tirado do pré-sal e da capacidade de refino testemunham a favor de uma empresa sólida.”
“Infelizmente hoje tudo conspira contra a boa execução do pré-sal”
“Infelizmente hoje tudo conspira contra a boa execução do pré-sal, desde as exageradas demandas colocadas sobre a Petrobras no apoio à indústria nacional (um OBJETIVO LEGÍTIMO quando feito com MODERAÇÃO e inteligência) e o controle dos preços dos combustíveis para reduzir a taxa de inflação, o que lhe impôs um custo que só vai ser recuperado ao longo do tempo.”
“O fato positivo é que, diante de todas essas dificuldades e da destruição da sua imagem pública, a Petrobras "técnica", aquela que inova, que extrai petróleo, que é fator DECISIVO NO PROGRESSO DA ECONOMIA NACIONAL, tem aumentado a oferta do petróleo extraído do pré-sal.”
“A despeito da confusão interna, a Petrobras ampliou sua capacidade de refino, reduziu o valor das nossas importações e deu algum alívio à balança comercial brasileira. Isso testemunha a favor de uma EMPRESA SÓLIDA com notável "espírito de corpo", cuja maioria absoluta de colaboradores merece nosso respeito e será o suporte da necessária e segura superação da tragédia que a sedução político-partidária irresponsável lhe impôs.”
Alguém poderia me informar como está o cenário atual!?
parece que está melhorando para o pré-sal… é verdade?
Sr. Leandro,
Alguma surpresa com o fracasso da cessão onerosa?
Parabens pelo trabalho do Mises.
esse regime de partilha é previsto em lei? não poderia ter sido diferente por iniciativa do governo?
E o governo Bolsonaro fez algo nesse sentido, de tirar esse regime de partilha?
Eles deveriam pelo menos mudar esse regime para autorização, como está acontecendo agora com o setor ferroviário. O que o MME está fazendo sobre isso?