Não
é própria deste momento histórico a existência de confusões causadas por
múltiplas interpretações de uma mesma palavra. Por este motivo, é necessário
que o cientista, o pesquisador e o teórico se detenham por um instante sobre a
tarefa de apresentar uma conceituação dos termos utilizados. Esta tarefa não
corresponde ao ato de tomar para si as palavras, mas de apresentar um uso, isto
é, uma interpretação para elas.
No
campo do pensamento político há diversos conceitos. Palavras como capitalismo,
socialismo, anarquia, mercado, propriedade, poder, indivíduo e sociedade são
alguns exemplos de termos que necessitam de aprofundamento conceitual. Caso
isto não ocorra, torna-se difícil compreender qual é o sentido pretendido.
Devido a problemas de tradução da palavra inglesa libertarian é
preciso diferenciar o pensamento libertário norte-americano do antigo uso da
palavra libertário para designar os anarquistas clássicos.
Dentro
da história do pensamento político, chamou-se de liberal o defensor de
determinadas liberdades civis e liberdades econômicas. O liberalismo é a
doutrina do liberal, pautado no pensamento dos liberais clássicos como Locke e
Mill. O problema linguístico aparece quando nos Estados Unidos o termo liberal
é usado para designar uma posição que, no Brasil, chamaríamos de liberalismo-social.
Naquele país os defensores de liberdades se viram órfãos de um termo que os
designassem. É neste contexto que aparece, para diferenciar o liberal,
o termo libertarian.
A
confusão para o leitor da língua de Camões ocorreu ao traduzir-se o termo libertarian por
libertário. Este novo libertário também foi designado neste idioma como
libertarista e libertarianista. É óbvio que um indivíduo que defende liberdades
irá chamar a si mesmo de libertário, o defensor da liberdade, como aponta a
definição dicionarista. Porém, devido ao uso deste termo em outras tradições do
pensamento político, a confusão torna-se aparente.
Jorge
Esteves da Silva está correto ao apontar que o termo libertário foi introduzido
pelos teóricos anarquistas franceses no século XIX. Se não há, nem deveria ter,
direitos de propriedade sobre o uso de palavras, o uso do termo libertário pode
se modificar ao longo da dinâmica existente nas transformações linguísticas que
sempre ocorreram na história.
Se
o termo libertário foi introduzido pelos anarquistas, é compreensível que os
seguidores de Joseph Déjacque (1821-1864) reivindiquem o seu uso para a defesa
do pensamento político que defende a divisão equitativa do produto do trabalho
numa sociedade organizada comunalmente, sem a existência de um governo central.
É importante salientar que, antes de Déjacque, Pierre Joseph Proudhon
(1809-1865) havia se autointitulado anarquista. O termo libertário começa a ser
utilizado como oposição ao mutualismo proudhoniano, um sistema que defendia
direitos de propriedade e remuneração proporcional ao trabalho realizado.
Destarte,
há neste ponto uma primeira distinção que merece atenção. Nos anarquismos
não-proudhonianos o coletivismo é um ponto principal. Estes anarquismos que
rejeitam uma liberdade de associação com salários e preços, o chamado
anarquismo social, podem ter um caráter comunista ou socialista (posteriormente
surge o anarco-sindicalismo). O anarco-socialismo, ou socialismo libertário, é
a defesa de uma sociedade na qual todos os meios de produção são socializados.
Porém, diferente de Karl Marx, defende que esta socialização ocorra sem a
criação de um estado ou estrutura hierarquizante para governar. A revolução dos
trabalhadores não trocaria os atuais governantes por novos governantes, como
defendeu Marx e ocorreu nas revoluções socialistas ao redor do globo. Contudo,
para os anarcocomunistas há um problema grave com esta defesa socialista do
anarquismo, pois ainda existira a remuneração pelo trabalho. O anarcocomunismo
defende a abolição deste sistema de salários, visando uma distribuição dos bens
a partir da necessidade. Tudo seria comum e distribuído para todos conforme
fosse necessário o uso. Este sistema de abolição do dinheiro acabaria com a
ideia de recompensa, pois todos teriam acesso ao que foi produzido e decidiriam
democraticamente em suas comunas como utilizar os recursos e os bens
produzidos.
A
briga semântica estava lançada no movimento anarquista do século XIX. O
primeiro teórico a usar o termo libertário defendia uma posição
anarcocomunista. Entretanto, Mikail Bakunin, teórico anarco-socialista, chamou
seu anarquismo de socialismo libertário (em oposição ao socialismo autoritário,
termo que usava para designar a ideia de Marx). Neste contexto, os
anarcocomunistas, que viam no socialismo libertário uma estrutura de preços e
salários, consideravam-se mais defensores da liberdade e então surge o
comunismo libertário.
Assim,
o termo libertário na tradição anarquista não possui um uso uniforme.
Obviamente que os anarcocomunistas reivindicam o seu uso devido ao seu
surgimento como oposição ao mutualismo de Proudhon e ao anarco-socialismo de
Bakunin. A liberdade que defendem é a liberdade social da vida numa comuna
democrática com redistribuição por necessidade e não por mérito. Esta é a
sociedade sem coerção, sem autoridade e sem amarras, para estes “libertários”.
Por
este tipo de anarquismo ser mais difundido, ajudado pelas revoltas e revoluções
desencadeadas contra o capitalismo (no sentido marxista do termo), não é de
estranhar que os defensores do libertarianismo sejam vistos com repulsa ao se
considerarem libertários.
O
libertarianismo, libertarianism no inglês, dentro da tradição
anarquista está posicionado entre outro tipo de anarquismo que floresceu na
primeira metade do século XIX, o anarquismo individualista. Nesta vertente é o
indivíduo que está em primeiro plano, acima de um contexto social ou comunal.
Não se pensará no modo de vida coletivo, mas na efetivação da autonomia
individual através de liberdades individuais plenas. Numa sociedade totalmente
comunista o indivíduo perde-se no coletivo ao qual está inserido. Por conta
disto, se um dos problemas enxergados pelos anarquistas é o do estado como algo
coercitivo, para um individualista a decisão da comunidade pode ferir suas
liberdades e ele se verá coagido a algo, mesmo que não exista uma estrutura de
poder como nas sociedades arquistas.
Se
na tradição individualista o libertarianismo defende as liberdades individuais
em seu mais alto grau, ao defender um modo de produção de bens e serviços será
buscada a forma mais livre de produzir. Portanto, é no livre mercado que se
pautará a defesa da efetivação da liberdade de se produzir onde, quando e como
quiser. Este ambiente de liberdade só é possível se as relações entre os
indivíduos forem voluntárias e não orquestradas por um governo central. Bem diferente
dos coletivistas, estes novos anarcoindividualistas defenderão o mercado
desimpedido, sendo possível apenas num ambiente no qual sejam respeitadas as
propriedades privadas. É exatamente no espaço privado que haverá a efetivação
total das vontades e liberdades individuais. Como não são autosuficientes, os
indivíduos precisarão efetuar trocas com outros indivíduos. O sistema de preços
e as leis de oferta e demanda possibilitarão que as trocas justas ocorram, isto
é, as trocas efetuadas voluntariamente serão justas se aceitas por ambas as
partes sem a existência de fraude ou coação.
Os
libertários, isto é, os libertaristas ou libertarianistas, podem reivindicar o
uso da palavra libertário por não especificarem como deve ser a sociedade. Numa
sociedade sem um governo central, as pessoas iriam arranjar soluções para a
sobrevivência. Pensam que um sistema de mercado seja mais eficiente que
sistemas cooperativos, mas não há coação para que se pratiquem trocas baseadas em moeda. Numa sociedade
comunista não haveria espaço para o uso da moeda (que foi abolida) e, portanto,
indivíduos que desejassem viver com propriedade privada através deste tipo de
trocas não teriam espaço. Numa sociedade que ainda há o uso de moeda,
indivíduos poderiam se juntar e viver de forma cooperativa numa propriedade,
sem receber represálias, visto que não há um “dever ser” econômico. Se
libertário é o defensor da liberdade total, então estes novos libertários
possuem um argumento para a utilização da palavra. Defendem liberdades individuais
e liberdades econômicas.
Apesar
dessa defesa das liberdades, as liberdades econômicas eram o ponto menos aceito
para uma tradição anarquista. Num século que foi marcado por ditaduras
socialistas e por enormes intervenções governamentais na economia era preciso
demonstrar que a defesa de uma sociedade com mercados desimpedidos traria mais
benefícios para os menos favorecidos economicamente. Esta defesa de uma
economia de mercado trouxe para o moderno libertarianismo uma antiga direita,
defensora do livre mercado. Este foi um dos motivos para que os novos
libertários ficassem associados apenas à defesa de mercados desregulados. Neste
contexto, retoma-se uma forma de apresentar o libertarianismo que remonta à
tradição individualista do anarquismo. Este libertarianismo retomado do século
XIX fica conhecido como libertarianismo de esquerda (left-libertarianism).
O
libertarianismo de esquerda não é uma posição política homogênea. Antes,
designa diferentes abordagens de questões políticas e sociais num contexto
teórico nos quais diferentes teorias relacionam-se. Deste modo, falar em
libertários de esquerda pode-se referir aos seguintes grupos teóricos: (1)
esquerda libertária, (2) georgismo (geoísmo), (3) escola Steiner–Vallentyne,
(4) agorismo, (5) left-libertarianism (libertarianismo de
esquerda de livre mercado).
Apesar
das diferentes linhas de pensamento, é a quinta vertente a que chama a si mesmo
de libertária de esquerda. Há confusão, por exemplo, pelo fato de alguns
autores identificarem alguns marxistas como Rosa de Luxemburgo, Anton
Pannekoek, Paul Mattick, Cornelius Castoriadis, Jean-François Lyotard e Guy Debord
como libertários de esquerda.[1] A
esquerda libertária, portanto, alinha-se muito mais com o socialismo
libertário, já comentado anteriormente. Contemporaneamente, anarquistas famosos
como Murray Bookchin e Noam Chomsky tem se identificado com esta tradição
socialista de viés anti-estatal.
O
georgismo refere-se à teoria político-econômica elaborada por Henry George. O
ponto central do pensamento de George é que as pessoas são proprietárias de
tudo o que criam, mas que os bens naturais, como a terra, não deveriam possuir
proprietários. Economicamente significa que o único imposto existente deveria
ser o imposto sobre a terra. Toda atividade econômica ficaria livre de taxação
e a única taxação existente seria eficiente e equitativa ao recair sobre os que
possuíssem mais propriedades de terra. Milton Friedman (1978) concordou com a
posição de Henry George ao afirmar que o imposto sobre a terra seria menos
nocivo e produziria menos distorções econômicas do que os impostos sobre as
atividades econômicas.[2]
Vale salientar que apesar de não ser um anarquista, as ideias de George foram
tomadas por alguns seguidores que reelaboraram o georgismo, transformando-o no
chamado geoanarquismo, uma espécie de neo-georgismo.
A
Escola Steiner–Vallentyne está alicerçada no pensamento de Hillel Steiner e
Peter Vallentyne, além de possuir contribuições de outros acadêmicos e
pensadores não necessariamente left-libertarians. A questão chave
desta escola é criticar a concepção de autopropriedade de Robert Nozick (famoso
pelo seu clássico Anarquia, Estado e Utopia) e a dedução de que a
propriedade de outros recursos naturais decorra deste conceito. Neste contexto,
o pensamento desta escola aproxima-se do pensamento de Henry George ao afirmar
a necessidade de “uma compensação que os proprietários devem aos não
proprietários mediante impostos ou rendas sobre a propriedade de recursos
naturais, incluindo a propriedade da terra” (ROSAS, 2009).
O
agorismo é a doutrina filosófica elaborada por Samuel Edward Konkin III,
ativista libertário. O termo remete à palavra ágora do grego. A ágora era a
praça principal da pólis grega, o local onde ocorriam as assembleias e onde
havia mercados e feiras livres. Ao propor o agorismo, Konkin queria fugir dos antigos
rótulos “liberal” e “anarquista”. O agorismo seria então a filosofia política
baseado nos mercados livres, em suas palavras “libertária em teoria e de
livre-mercado na prática”. Konkin expôs suas ideias no Manifesto do
novo libertário. Neste livro, apresenta o conjunto de conceitos e
princípios que baseiam a defesa de uma sociedade livre. Aponta que a nossa
condição é o estatismo e que este precisa ser eliminado para que se atinja a
sociedade agorista. Defende a contra-economia, isto é, que os libertários
evitem ao máximo a economia branca e façam suas trocas no mercado negro, como
forma de atingir o estatismo. Konkin não apenas defendeu esta ideia, mas
praticou a contra-economia incentivando o surgimento de empreendedores do
mercado negro. Foi grande crítico de uma transformação pela via política, como
o Libertarian Party, defendendo uma revolução cultural que minasse o estatismo.
O
quinto grupo que pode ser definido como libertário de esquerda é o
libertarianismo de esquerda. Neste sentido, quando dentro da tradição
libertária (do libertarianismo) fala-se de um libertarianismo de esquerda (left-libertarianism)
é a este movimento que se refere. Dentro os mais notáveis pensadores desta
posição estão Kevin Carson, Roderick T. Long, Charles Johnson, Brad Spangler,
Sheldon Richman, Chris Matthew Sciabarra e Gary Chartier.
A
principal diferença do libertarianismo de esquerda com o libertarianismo mais
difundido no Brasil está relacionada com questões sociais, como drogas e
aborto, e questões econômicas, como propriedade da terra e grandes corporações.
É certo que autores como Murray Rothbard, Walter Block, Leonard Read e Harry
Browne escreveram sobre o libertarianismo não ser nem de direita e nem de
esquerda, criticando autores que se posicionam nas vertentes left e right do
pensamento libertário. Apesar deste ímpeto de evitar tal classificação,
inclusive sob o slogan “nem esquerda, nem direita, libertário”, Anthony Gregory
apresenta uma distinção que pode auxiliar a diferenciação entre o
libertarianismo de esquerda e de direita.
Para
Gregory (2006), uma forma de apresentar a diferença é:
Libertários de
esquerda concentram-se nas “liberdades individuais”, enquanto os de direita se
interessam principalmente pelas “liberdades econômicas”.Libertários de
esquerda possuem simpatia pelo igualitarismo voluntário, enquanto os de direita
são mais favoráveis à hierarquia natural.Libertários de
esquerda podem ser aqueles que vivem estilos de vida esquerdistas culturalmente
ao invés do estilo de vida conservador dos libertários de direita.Libertários de
esquerda podem ser os que buscam ativamente outros para abraçarem seu estilo de
vida, enquanto os de direita procuram outros para abraçar seu estilo de vida
conservador.Libertários de
esquerda podem se opor ao big bussiness, enquanto os de direita os veem
como vítimas do estado.Libertários de
esquerda assumem uma posição à esquerda sobre o imperialismo, enquanto os de
direita são a favor de uma “forte defesa nacional”.Libertários de
esquerda pensam que o estado deva intervir ativamente em assuntos estrangeiros
para “proteger liberdades”, enquanto os de direita possuem uma visão alinhada
com a antiga direita com relação ao imperialismo.
A
partir de Gregory podemos compreender as características do que se designa como
libertarianismo de esquerda. A defesa das liberdades individuais como o uso de drogas,
o aborto e a união homossexual são obviamente posições defendidas
majoritariamente pela esquerda. Há textos libertários contrários a estas
posições, como Ron Paul defendendo uma posição pró-vida e Justin Raimondo que
defende que os homossexuais não devam mendigar favores ao estado, vivendo um
casamento livre da intervenção estatal.[3]
Outro
ponto importante na abordagem à esquerda do libertarianismo é ser contra o
poder das grandes corporações. Há enorme vinculação entre o poder estatal e o
poder dos grandes grupos corporativos. Defender a liberdade econômica seria
favorecer os que já começam no livre mercado amparados, auxiliados e
favorecidos pela condição histórica anterior. Quantas histórias de
favorecimento com doações de terras, ou mais sujas, como o pagamento de fiscais
do governo para atrapalhar concorrentes e até mesmo a morte de concorrentes não
existem no mundo do big business? Como as pessoas poderiam competir
num mundo no qual o favorecimento histórico concedeu terras aos amigos dos que
detinham poder político? Seria justo ignorar o histórico ilegal de aquisição de
terras e bens? Terras sem uso deveriam ser consideradas propriedade e quem as
usasse considerados invasores? Para os libertários de esquerda essas questões
são fundamentais.
Em
questões sociais, os libertários de esquerda desaprovam toda forma de opressão.
São, por isso, contrários ao racismo, sexismo, hierarquia e formas autoritárias
de educação e cuidados parentais.
Em
suma, o libertarianismo de esquerda é uma oposição ao que Kevin Carson chamou
de libertarianismo vulgar. Para Carson, a defesa da privatização,
desregulamentação, diminuição dos impostos para corporações, negação do
aquecimento global, aumento de políticas imigratórias e livre mercado sem a
defesa da legalização das drogas, das liberdades civis, reforma nos impostos
(fechando brechas usadas pelas grandes empresas), eliminação do bem-estar
corporativo e liberdade de operar um negócio sem licença sanitária, por
exemplo, é um libertarianismo incompleto, um libertarianismo vulgar.[4]
Temos
então o libertarianismo de esquerda como algo diferente do anarcocomunismo e
anarco-socialismo (socialismo libertário). As preocupações com os grandes
detentores de poder econômico são similares. Porém, ao invés de uma sociedade
com abolição total da propriedade privada e da moeda os libertários de esquerda
defendem um livre mercado.
A
defesa de um livre mercado, entretanto, não se resume a apenas deixar de
controlar a economia, mas de pensar um modo no qual cada um possa realmente ser
dono de si numa sociedade construída sobre bases igualitárias que diminuíssem
as diferenças herdadas por séculos de um sistema que favoreceu poucos em
detrimento dos demais.
Com
isto, é totalmente plausível chamar o libertarianismo de esquerda de
libertário. O libertarianismo é de esquerda, pois considera os menos
favorecidos. Talvez o termo libertário seja um problema semântico apenas para
os defensores de um libertarianismo preocupado apenas com as questões
econômicas.
Para uma visão contrária, ver Progressistas, reacionários, histeria e a longa marcha gramsciana
_______________________________
Referências
Bibliográficas
KONKIN
III, Samuel Edward. Manifesto do novo libertário. Disponível em:http://libertyzine.blogspot.com.br/2007/03/o-manifesto-do-novo-libertrio-samuel.html .
Acesso em 24 de Jul de 2013.
FRIEDMAN,
Milton. An Interview with Milton Friedman. The Times Herald,
Norristown, Pennsylvania; Friday, 1 December, 1978.
GREGORY,
Anthony. Left, Right, Moderate and Radical. Lewrockwell.com, 21 de
Dezembro de 2006. Disponível emhttp://www.lewrockwell.com/2006/12/anthony-gregory/left-right-moderate-or-radical-libertarian/ .
Acesso em 24 de Jul de 2013.
ROSAS,
João Cardoso. A concepção de estado de Nozick. Crítica, 2009.
Disponível em: http://criticanarede.com/nozick.html .
Acesso em 24 de Jul de 2013.
SILVA,
Jorge Esteves da. Os Libertários. Disponível emhttp://www.cedap.assis.unesp.br/cantolibertario/textos/0025.html .
Acesso em 25 de Jun de 2012.
[1] CF.: William T. Armaline;
Deric Shannon. Toward a more unified libertarian left. Theory in Action, vol 3,
n.4, 2010. Disponível em: http://scholarworks.sjsu.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1001&context=justice_pub
[2] CF.: Fred E. Foldvary.
Geo-Rent: A Plea to Public Economists. Econ Journal Watch, Volume 2, Number 1,
April 2005, p. 106.
[3] CF.: Ron
Paul. A questão do aborto. Disponível em: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=241 ;
Justin Raimondo. O casamento gay, os libertários e as questões que
ninguém se atreve a discutir. Disponível em: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=881.
[4] CF.:
RacionalWiki. Vulgar Libertarianism. Disponível em:http://rationalwiki.org/wiki/Vulgar_libertarianism.
Não esperava que fosse publicado aqui. Haverá muita discussão. Espero que o debate possa ir além do negacionismo do libertarianismo de esquerda. Lerei o artigo indicado e retorno. Obrigado, IMB.
Ótimo texto!
Texto excelente e esclarecedor, mas parece uma mea-culpa pela apropriação da designação de uma filosofia essencialmente contrária ao que os “libertários de direita” defendem.
Ademais, a designação da ideologia em si é desimportante, o importante é que a própria ideologia seja defendida. Eu defendo a propriedade privada e a abolição do estado, se isso se chama “Blerg” então eu sou um Blerguista.
Agora, esse Gregory (2006) tá meio louco quando diz que “libertários de direita são a favor de uma ‘forte defesa nacional'” hein…
Acho que o foco de qualquer libertário é ser a favor da liberdade, seja ela civil ou econômica, não importa. O que importa mesmo é ser a favor de Deus e da família, e contra o Estado, esse sim, um agente que não tem um mínimo de interesse real de nos ajudar de modo eficiente, mas sim por interesse próprio. Menos Estado é sim o sinônimo de mais liberdade, esse sim o verdadeiro objetivo do ser libertário, ser anti-estatista. As iniciativas eficientes partem sempre dos indivíduos e não do Estado, isso sim uma lei exata.
Leandro, há algum movimento, por menor que seja, de aceitação das ideias da Escola Austríaca e do liberalismo econômico por parte dos governos ou das universidades? Estamos tendo algum progresso nesse sentido?
Valeu!
“A defesa de um livre mercado, entretanto, não se resume a apenas deixar de controlar a economia, mas de pensar um modo no qual cada um possa realmente ser dono de si numa sociedade construída sobre bases igualitárias que diminuíssem as diferenças herdadas por séculos de um sistema que favoreceu poucos em detrimento dos demais.”
E dá para fazer isso sem violar os direitos à propriedade, à liberdade e à vida dos demais? O que é “realmente dono de si”? Algo além daqueles três direitos?
Bases igualitárias? Diminuição de diferenças herdadas por séculos? Assim o mercado seria livre mas não muito, né?
Filipe Celeti, muito obrigado! Não sabe pelo que? Explico: Por diversas vezes que dialoguei com socialista eles sempre finalizavam o seu discurso com o argumento “altruísta” de que as pessoas estão em desigualdade de oportunidade, que portanto deve haver políticas de redistribuição para compensar essas diferenças na largada. Mas agora, com suas palavras, encontrei o contra argumento. Obrigado!
Muito bom que o IMB tenha aberto espaço para a publicação de um texto explicando a ala “esquerdista” do libertarianismo, já que nessa semana tem-se discutido muito sobre isso. Sinto falta de artigos de uma vertente dessa ala aqui: os rothbardianos esquerdistas como Roderick Long, Samuel Konkin, Brad Spangler e Karl Hess. Todos bem influenciados pela Escola Austríaca.
Para quem se interessar, o blog “A Esquerda Libertária” (aesquerdalibertaria.blogspot.com.br) é especializado nesse lado do libertarianismo. Contém artigos de mutualistas, anarco-individualistas e rothbardianos esquerdista.
É foda né, parece que a esquerda tomou para si, tudo que é humano ou social. Como se não fosse importante para o capitalista o bem das pessoas.
“já que nessa semana tem-se discutido muito sobre isso.”
Prezado Rodrigo, onde está ocorrendo esta discussão?
Olha, estou um pouco confusa. Eu defendo a liberdade plena, se for seguir o texto, sou uma libertária de direita com um pé na esquerda, pois não sou nem um pouco conservadora e acredito plenamente nas liberdades individuais de cada um. Devo me definir de que lado, ou de nenhum lado, apenas libertária?
E com base em que você afirma isso? Digo, eu simplesmente acredito que cada um deva viver da maneira que lhe convém, independente da minha maneira de viver, e acredito que devem ter liberdade pra isso. Isso quer dizer que sou libertária de esquerda? Não faz sentido. Pelo que conheço do libertarianismo, e pelo que “pratico”, só defendo a total liberdade econômica e individual. O que é chamado somente de libertarianismo.
Discordo totalmente.
Existe uma diferença entre constatar que o mundo atual foi configurado com a coerção estatal e propor alternativas que vão melhorar tal situação, que vão fazê-la mais justa.
A justa correção de todos os erros estatais do passado é uma impossibilidade. Ela só pode ocorrer em alguns casos, os quais já foram considerados pelo genuíno pensamento a favor da liberdade.
O problema com essa filosofia é que a maioria esmagadora dos erros estatais está em uma situação em que não é possível reparar os prejudicados e punir os culpados sem cometer novas injustiças.
A justa correção da maioria esmagadora dos erros estatais é impossível porque o contexto inicial de agressão, o qual era passível de clara reparação justa, não existe mais. O cenário já foi alterado pela sucessão do tempo, de ações individuais que não ocorreriam e por várias sucessões de proprietários.
As consequências dos atos estatais estão dissolvidas em toda sociedade, todas as ações estatais fizeram com que ocorressem ações que de outra forma não teriam ocorrido.
Só pode haver justa correção em casos onde bastante nítidos. Rothbard cita aqui, por exemplo, a justa apropriação das propriedades onde trabalhavam por parte dos escravos recém-libertos dos EUA.
Excelente texto que demarca as diferenças entre o Libertarianismo e o Conservadorismo, entre o Livre Mercado e o Capitalismo de Estado. Interessante também o resgate do Anarquismo. O próprio Bakunin em diversas passagens de seus escritos e em transcrissões de debates com o Marx, já apontava que o Marxismo acarretaria necessariamente no Totalitarismo.
A direita condenada no artigo são os anarcocapitalistas (libertários) OU são os conservadores (liberais em economia, mas moralistas em costumes)?
Compartilho da mesma opinião do Rothbard… o libertarianismo não deve ser nem de esquerda e nem de direita. aliás, segundo o próprio Rothbard, conceitos de direita e esquerda já foram e continuam sendo distorcidos pela sociedade… em cada época, esquerda e direita significavam posições diferentes…
acho que o artigo é bom, mas acho que não se devemos apegar-se a termos de esquerda e direita.
Segundo acredito, liberdade e socialismo são auto-excludentes. Então um movimento libertário de esquerda é uma contradição em termos. Não estou dizendo que os proponentes de algum anarquismo de esquerda tem consciência diste fato. Na verdade, terem conhecimento ou não é irrelevante.
Conforme tudo o que conclui até agora, os governos simples nascem naturalmente da existência de bens comuns, particularmente de espaços comuns e sistemas de governo comuns. Se isto está correto, a única forma de não existirem governos seria se todos os espaços fossem privados (ou espaços sem dono, no caso de áreas de pouco interesse econômico). Mas isso não é natural ao ser humano. Até onde posso perceber, o ser humano naturalmente, tanto quanto possível, dentro das limitações econômicas e institucionais em que vive, procura estabelecer tanto espaços públicos quanto espaços privados. Isso se dá de maneira diferente em diferentes sociedades, mas o impulso geral é claramente discernível.
Não há nenhuma maneira de uma sociedade ser socialista sem que haja um governo. E necessariamente um governo bastante coercivo, para impedir que indivíduos exerçam atividades econômicas por iniciativa própria.
Grande texto! E como ele fala sobre conceitos e diferenças de algumas concepções políticas, eu gostaria de postar parte de um artigo que expõe mais sobre outro conceito: o de Liberalismo Social (também chamado de Novo Liberalismo). O artigo, escrito pelo brilhante filósofo americano, Adam kostakis, fala, entre outras coisas, sobre feminismo, direitos, Liberalismo Clássico, Liberalismo Social e sobre a gradual perda da autonomia masculina. Ele conta qual é a maior mudança do Ocidente do último século:
“a transformação do feminismo, de um movimento de oposição ao governo e à sociedade em geral, em um movimento que controla o Estado e a opinião pública — e usa essa posição para perseguir os novos inimigos do Estado… Hoje, as feministas não precisam ter acessos de raiva para conseguirem o que querem, pois, enquanto no passado elas protestavam violentamente contra a máquina, agora elas controlam-na. Esta é a mudança verdadeiramente profunda nas sociedades ocidentais desde o auge da consciência sobre o feminismo, em meados do século passado”
Adam Kostakis fala como se deu toda a perversão do Liberalismo Clássico para o Liberalismo Social, o qual, segundo ele, foi um dos principais responsáveis, ao lado do feminismo, pelo ataque à autonomia e à liberdade individual dos Homens (sexo masculino):
“Claramente, precisamos de limitações, e a Constituição dos Estados Unidos da América é um clássico exemplo com respeito a isso. Como a melhor declaração de liberdade pessoal e de democracia representativa que o mundo já conheceu, ela existe para proteger uma série de direitos fundamentais de serem derrubados pelo mais forte conjunto de indivíduos — ou seja, o governo. Leis podem ir e vir, mas, contanto que a Constituição seja mantida, os direitos fundamentais do cidadão são imutáveis — ou, pelo menos, são extremamente difíceis de remover ou alterar. Onde um governo repetidamente viola sua própria Constituição, ele (idealmente, pelo menos) corre o risco de ser derrubado por um levante dos cidadãos, que, em conjunto, formariam um coletivo mais poderoso.
A Constituição dos Estados Unidos, aprovada em 1787, foi baseada em cima da filosofia liberal da época, sobretudo da de John Locke. As Seções da Declaração de Independência, assinadas 11 anos antes, foram mais ou menos levantadas a partir do seuSegundo Tratado sobre o Governo. As idéias expressas nesse trabalho não são aquelas do liberalismo que conhecemos hoje; elas se assentam agora em algo mais próximo para o que chamaríamos de libertarismo2. Foi apenas na segunda metade do século XIX que o liberalismo sofreu a profunda transformação para a ideologia coletivista que nós associamos mais facilmente com o termo de hoje.
Em seu Ensaio em 1859, Sobre a Liberdade, J. S. Mill introduziu uma nova articulação da defesa moral liberal tradicional dos direitos individuais. É algo assim: os indivíduos têm o direito de fazer o que quiserem, desde que isso não prejudique os outros. Mill usou de cautela ao analisar a aplicação deste princípio: não estaria sendo prejudicado, por exemplo, aquele que perdesse na concorrência aberta (por exemplo, no mercado livre). Seguindo Tocqueville, ele expressou a preocupação de que a democracia, se não moderada, podia transformar-se em tirania da maioria.
Podemos agradecer aos sucessores de Mill pela perversão do liberalismo individualista para uma filosofia coletivista e autoritária. Daí foi um pequeno passo do axioma de Mill — os indivíduos têm o direito de fazer o que quiserem, desde que isso não prejudique os outros — para a doutrina do Novo Liberalismo3: se eu não posso fazer o que quero fazer, então alguém deve estar me prejudicando. Foi o autoproclamado "socialista liberal", Leonard Trelawny Hobhouse, que se baseou em cima das premissas de Mill e acrescentou uma nova distorção: que a liberdade não é boa em si mesma, mas deve estar subordinada a algo de maior efeito. Segue-se que qualquer liberdade que não está subordinada a esse fim superior não é moralmente justificável. Foi o radical social Richard Henry Tawney, baseando-se neste desenvolvimento, quem defendia uma sociedade igualitária baseada na premissa de que "a liberdade para o peixão é a morte para os peixinhos" — em outras palavras, que certos grupos identificáveis não são merecedores de autonomia igual, mas deve ter sua participação restrita. E foi Lester Frank Ward que repudiou o indivíduo por completo e argumentou que o Estado deve direcionar todo o desenvolvimento social e econômico, incluindo a felicidade dos seus cidadãos. Talvez o mais revelador de tudo seja que ele era um entusiasta da idéia de que as mulheres são superioras aos homens de forma inata. Para citar uma passagem especialmente relevante:
‘E agora, do ponto de vista do desenvolvimento intelectual em si, encontramo-la lado a lado e ombro a ombro com ele, suprindo, desde o início, remontando aos tempos pré-histórico, pré-social, e até mesmo pré-humano, o complemento necessário para o seu diferente, de caminho unilateral, irrefletido e errático, sem o qual ele logo teria deformado e distorcido o curso da vida e o tornado incapaz de se fazer muito progresso, o qual ele, exclusivamente, afirma inspirar. E por essa razão novamente, até no domínio do intelecto, onde ele iria reinar ao seu bel-prazer de forma suprema, ela provou completamente ser igual a ele e tem direito a partilhar de todo crédito atribuído ao progresso humano alcançado.'”
Por isso que Kostakis ressalta:
“É a modernidade, e em particular o pensamento iluminista, que fez da autonomia individual uma possibilidade — e é o liberalismo social, e mais especialmente o feminismo, que estão transformando-a em uma impossibilidade para os homens.”
Citações: sexoprivilegiado.blogspot.com.br/2013/01/perseguindo-arco-iris.html
No meu comentário anterior, onde foi colocado “libertarismo2” leia-se: Libertarianismo.
Oras, mas essa questão da distribuição inicial em um mundo libertário será de fácil resolução. Primeiramente, sobrará enormes recursos que antes pertencia ao estado e esses recursos poderão ser direcionados àqueles que mais pagaram impostos e ao mais pobres, violentamente afetados pela ideologia vitimista ensinada pelas escolas estatais.
Quanto às grandes empresas favorecidas pelo estado, elas já sairão perdendo, pois estão acostumadas e possuem suas estruturas direcionadas ao companheirismo estatal e irão apanhar na concorrência pura.
Talvez falte algo em relação à distribuição de terras, mas se redistribuirmos as terras estatais e as dos índios, no brasil, creio que já haverá um bom ponto de partida também. Aguardo melhores sugestões.
Acho absurdo que os defensores de transformações sociais através de engenharia social chamem-se a si mesmos de defensores da liberdade. Isto é a última coisa que são. E mais estranho ainda que alguém aceite essa alegação. Há provas por todo lado de que são os piores inimigos da liberdade.
Esta divisão entre libertarianismo de esquerda e de direita parece ser construída em cima de valores individuais sem que, contudo, haja alguma diferença estrutural entre ambas as posições. O próprio Rothbard chegou a propor coisas como a desapropriação de terras por descendentes de escravos que nelas trabalharam. Isso torna ele um libertário de esquerda? Diz-se que ele passou por um período de esquerda, mas isso se trata dos valores aos quais ele apelava para captar seguidores, sua teoria permanecendo consistente entre um período e o outro. Dentro do próprio anarcocapitalismo é possível encontrar uma grande variedade de posições extremamente divergentes acerca de valores que não estão diretamente ligados a teoria anarcocapitalista. Não faz sentido dividir o libertarianismo entre esquerda e direita quando estamos discutindo valores e não uma diferença teórica. Não importa se um indivíduo sente maior desejo por uma liberação das drogas ou pela liberação das importações, se ele crê que homossexualismo é um pecado ou que a homossexualidade é completamente normal, pois a teoria em relação ao uso ético da violência, do que se trata a propriedade e tudo aquilo que importa permanecem as mesmas, e é disso que se trata o libertarianismo. A discussão sobre quais valores são os corretos ou errados quando eles não dizem respeito a teoria libertária são um outro assunto.
Libertarianismo de esquerda equivale a acender uma vela para Deus e outra para o diabo.
Defendem os programas da esquerda em seus pontos mais fundamentais e o temperam com a “não intervenção do estado”, sendo que pelo esgarçamento das tradições, dos costumes, da propriedade e da família estão entregando ao estado de mão beijada todo poder que ele precisa para dominar uma sociedade destituída de meios de resistência.
Não há como se defender de um ente centralizado sem valores e instituições fortes. O individuo sozinho que começar a bradar contra o estado será engolido pelas pretensões de distribuição de renda, função social da propriedade, criminalização de opiniões politicamente incorretas, intervenção estatal na família, perseguição religiosa, etc.
Quando o MST estiver na frente da sua fazenda, experimente dizer que você até concorda que eles merecem uma reparação por não terem uma propriedade rural….
Nas discussões sobre esquerda libertária e direita libertária, é muito comum a ideia de que a direita defende a liberdade econômica e a esquerda as liberdade individuais. O que é falso, pois a esquerda defende “direitos, e não direitos de indivíduos, mas direitos de certos grupos. Existem os direitos das mulheres, os direitos dos gays, os direitos dos negros, etc. E muitos libertários caem nessa.
Do mesmo modo que se diz que a esquerda defende certas liberdades, também é possível citar certos ideais de liberdade defendidos pela direita, como a porte de armas, a educação independente do estado, como o homeschooling, a não interferência do estado na criação dos filhos, etc. E diferentemente da esquerda,a direita não faz a coletivização dos indivíduos. Porém, pode se dizer que a direita só defende tais liberdades porque elas atendem ao seu conservadorismo. Mesmo assim, isso coloca a direita, no mínimo, no mesmo patamar da esquerda, no que concerne a defesa de liberdades que não são diretamente econômicas.
Me senti burro. Não consigo entender as diferenças. Libertarismo, libertarianismo, anarquismo… que confusão!!!
You’re all a bunch of socialists!
“Esquerda” e “direita” descrevem, cada uma, posições autoritárias. A liberdade não possui relação horizontal com o autoritarismo. A relação do libertarianismo com o autoritarismo é vertical; está muito acima dessa podridão de homens escravizando indivíduos.”
Recomendo esse artigo.
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1466
…
Chega a ser uma piada ler algo como “reparação de erros cometidos pelo estado com mais intervenção estatal.” De novo vem aquela velha história das dívidas históricas! Ai eu te pergunto: como matematizar o pagamento dessa dívida? Só se corrige um determinado erro seguindo em frente. Sinto muito, mas esse conceito me parece uma grande furada e uma brecha para impostos.
Outro erro é tratar os costumes como direita/esquerda. A esquerda já se mostrou bastante homofóbica e racista ao longo da história. Você pode ser contra o aborto, contra o uso de drogas e até mesmo contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo e ser uma pessoa liberal. Seu modo de vida não influencia naquilo que diz respeito às liberdades individuais.
Sim, é necessário explicar o que queremos dizer com os nomes que usamos.
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“Em questões sociais, os libertários de esquerda desaprovam toda forma de opressão. São, por isso, contrários ao racismo, sexismo, hierarquia e formas autoritárias de educação e cuidados parentais.“
Duas características da esquerda: reivindicar o monopólio das virtudes e debater intenções em vez de resultados. Quer dizer que os “libertários de direita” aprovam alguma forma de opressão e são a favor do racismo e do sexismo? E toda hierarquia, educação e cuidado parental é autoritária?
Só se “desaprovar” significa invadir a vida, a liberdade e a propriedade privada das pessoas para impor a “consciência social” via coerção estatal.
Na prática é impossível separar liberdade econômica da liberdade individual, quem não tem uma também não tem a outra. Logo, não dá para dizer que existe um tipo de liberal para cada tipo de liberdade defendida.
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Tem muito fã de Cazuza aqui: “Ideologia! Eu quero uma para viver”…
O tema liberdade é envolvente. Ela é inata no ser humano. Escravização é antinatural. A liberdade plena requer o saber. “Conhecereis a Verdade e ela vos libertará. Mas onde buscar a luz da verdade neste mundo dominado pelo dogmatismo e teorias engendradas pelo raciocínio, impostos coercitivamente aos seres humanos?
Primeiro gostaria de parabenizar o articulista pelo texto, muito bom, esclarecedor e me deixou com várias dúvidas, acho que é para isso que textos serve, reflexão, então parabéns.
Não que eu seja fã de de classificações e conceituações, em que pese reconhecer um certo grau de relevância, principalmente didática.
Enfim, não sou do tipo que tenta encaixotar tudo, mas depois de ler o texto e alguns comentários, fiquei com uma dúvida, tenha a esperança que alguém possa me ajudar.
Aquele que se diz libertário, entenda além do liberalismo clássico, tem para si tão importante quanto as liberdades individuais como econômicas, por entender uma relação de mutualismo entre elas, estaria em qual estamento??
Grato e parabéns pelo textos e cometários.
A posição libertária é próxima ao anarquismo. É uma forma de autoritarismo tácito.