Entrevista concedida a Joel Pinheiro da Fonseca para a revista Dicta&Contradicta
Um bom termo para descrever o pensamento de Hans-Hermann Hoppe é radical. Um pensamento que afirma, sem medo, todas as consequências a que uma ideia originária leva, e que, para resolver qualquer problema social ou filosófico que se impõe, retorna à raiz das questões discutidas para dela extrair — dedutivamente se possível — uma solução universal.
Passando da forma ao conteúdo, Hoppe se insere, via seu mentor Murray Rothbard, em uma linhagem muito particular da chamada escola austríaca de economia. Essa “escola” (no sentido de uma tradição de pesquisa com certos pressupostos básicos comuns) de pensamento econômico ficou, a partir de meados do século 20, fortemente associada à defesa do liberalismo econômico. Rothbard foi herdeiro da forma austríaca de se entender o funcionamento do mercado e a integrou a uma outra matriz de pensamento: a tradição libertária dos direitos naturais, segundo a qual todo homem tem direito absoluto e irrestrito sobre seu próprio corpo e sua propriedade; qualquer agressão contra ele, vinda de onde vier (inclusive do estado), é ilegítima. Foi ele quem originou, assim, a síntese conhecida como austro-libertarianismo. Hoppe foi ainda mais longe que seu mentor, ao apresentar uma demonstração a priori da existência dos direitos naturais no ensaio “A ética e a economia da propriedade privada“, demonstração que — não pela conclusão mas pela forma — remete à ética do discurso proposta por outra influência sua: seu orientador de doutorado, Jürgen Habermas.
Sua contribuição mais notória — e polêmica –, contudo, é outra: Hoppe é um ferrenho oponente daquele sistema político comumente considerado o melhor: a democracia. Em seu livro Democracia – o deus que falhou , ele aplica o princípio da tragédia dos comuns ao próprio estado. Na monarquia absoluta, argumenta, o estado é propriedade privada: tem um dono que, via de regra, zelará por manter seu valor de longo prazo. Já na democracia, o estado torna-se propriedade pública: todos têm acesso a seus (muitos) benefícios e cargos; e então todos quererão para si quantas dessas benesses puderem pegar no menor prazo possível (pois quem não o fizer pagará a conta dos benefícios alheios).
Assim, sob a democracia, o estado sempre tende a crescer, as liberdades individuais a diminuir, e a cultura a refletir a disciplina aprendida pela dinâmica da tragédia dos comuns: o aumento da taxa de desconto intertemporal, isto é, a priorização do curto prazo sobre o longo. Desta forma, a monarquia deveria ser preferida à democracia. Hoppe, no entanto, é o primeiro a lembrar que a monarquia já é, ela própria, pior do que — e historicamente uma degeneração da — anarquia, ou seja, da ausência de estado. Longe de se pautar pelos valores democráticos hoje em voga, a sociedade genuinamente anárquica seria, segundo Hoppe, desigual, elitista e hierárquica. E isso, para ele, é um grande mérito.
Nesta breve entrevista concedida à Dicta&Contradicta, nosso interesse centrou-se em dois temas: (1) a intersecção entre o libertarianismo conservador de Hoppe e a cultura e as artes; e (2) o papel do intelectual e das ideias na sociedade atual.
I. Libertarianismo e Cultura
A mudança de uma sociedade estatista para uma sociedade libertária promoveria ou dificultaria a produção de alta cultura?
Uma sociedade libertária seria significativamente mais próspera e rica e isso certamente ajudaria tanto a alta quanto a baixa cultura. Mas uma sociedade livre — uma sociedade sem impostos e subsídios e sem os assim chamados “direitos de propriedade intelectual” — produziria uma cultura muito diferente, com uma gama também muito diferente de produtos, produtores, estrelas e fracassos.
Em seus escritos, o senhor identifica uma ligação causal entre a forma de governo de uma sociedade e seus valores morais e desenvolvimento social. O senhor vê uma ligação similar entre a forma de governo e os critérios estéticos e a qualidade da arte e do entretenimento?
Sim. O governo de um estado democrático promove sistematicamente o igualitarismo e o relativismo. No campo da interação humana, leva à subversão e, em última análise, ao desaparecimento da ideia de princípios eternos e universais da justiça. A lei é soterrada e submersa pela legislação. No campo das artes e do juízo estético, a democracia leva à subversão e ao desaparecimento da noção de beleza e dos critérios universais de beleza. A beleza é soterrada e submersa pela chamada “arte moderna”.
As posições éticas e políticas libertárias têm alguma relação com juízos estéticos e artísticos determinados? Há alguma incoerência em um libertário que seja, digamos, apreciador do realismo soviético?
De um ponto de vista puramente lógico, o libertarianismo é compatível com todo e qualquer juízo ou estilo artístico e estético. Não sou o primeiro a notar, por exemplo, que a obra literária da célebre libertária Ayn Rand tem uma clara semelhança estilística com o realismo soviético socialista. Similarmente, constato que é possível ser um libertário “perfeito”, que nunca agride nenhuma pessoa ou propriedade, e ainda assim ser um sujeito plenamente inútil, desagradável ou mesmo podre.
Psicologicamente, contudo, as coisas são diferentes. Aqui, no campo da psicologia, sentimos que o estilo de vida de um vagabundo pacífico ou de um apreciador do realismo soviético é de alguma maneira incompatível e oposta ao estilo de vida de um libertário consciente. Quando vemos tal conduta ou gosto manifestos em alguém que se diz libertário, isso nos causa um desconforto e a sensação de uma dissonância emocional ou estética. E com razão, penso eu. Pois a experiência humana é caracterizada pela integração de três habilidades: a capacidade de se reconhecer a verdade, a justiça e a beleza. Podemos distinguir o verdadeiro do falso, o certo do errado, e podemos distinguir o belo (e o perfeito) do feio (e do imperfeito); podemos refletir e falar sobre as três noções e suas antíteses. Uma vida humana integral e completa deveria, então, ser não apenas veraz e justa; deveria ser também uma vida boa. Talvez não bela e perfeita, mas uma vida que almejasse a beleza e a perfeição. Uma vida exemplar, moral e esteticamente edificante, inspiradora. É nisso que o vagabundo pacífico e o amante do realismo soviético pecam.
Alternativamente, tem a arte um papel a desempenhar na formação de ideias políticas e filosóficas? É possível que isso se dê sem que seja como propaganda para uma dada ideologia?
O propósito das artes visuais e da música é a criação da beleza em todas as suas manifestações. Ainda assim, a beleza visual e musical e o libertarianismo têm algo importante em comum. O libertarianismo também é belo. Não esteticamente, é claro, mas logicamente, por ser uma teoria social simples e elegante.
Quanto às artes total ou parcialmente discursivas — narrativas –, sim, elas podem servir como veículo para a promoção de ideias políticas e filosóficas. Você pode chamar isso de propaganda. Mas essas ideias podem ser verdadeiras e boas ou falsas e más. E embora eu não seja muito chegado em arte, prefiro que haja mais artistas propagandeando as ideias boas e verdadeiras da propriedade privada e do capitalismo, como Ayn Rand, e menos artistas propagandeando as ideias falsas e más da propriedade pública e do socialismo, como, digamos, Bertolt Brecht. Uma agenda filosófica, por sua vez, tampouco é necessária para que haja arte – pode-se contar uma história como um fim em si. Para que haja arte uma narrativa tem de se caracterizar pela veracidade (no sentido mais amplo do termo), pela inteligibilidade, coerência lógica, domínio da língua, expressão e estilo, e por um sentido de humanidade e de justiça humana: de agência, do que há de intencional e não intencional na vida, do certo e do errado, do bom e do mau.
Vale a pena ler literatura? Qual é seu livro literário favorito?
Isso é algo que cada um tem de decidir por si. Pessoalmente, nunca li muita literatura. Se quero uma leitura mais “leve”, em geral leio História, incluindo romances históricos, biografias ou crítica literária e cultural à la H. L. Mencken ou Tom Wolfe.
II. Intelectuais
As ideias discutidas pelos intelectuais têm algum efeito prático na história da humanidade?
Não sou fã de John Maynard Keynes. Mas creio que ele estava certo quando disse que “as ideias dos economistas e filósofos políticos, estejam elas certas ou erradas, são mais poderosas do que comumente se percebe. Com efeito, elas governam o mundo quase sozinhas. Homens práticos, que se acreditam isentos de qualquer influências intelectual, costumam ser escravos de algum economista defunto”. Ironicamente, ele mesmo, Keynes, é o economista defunto por excelência — emitindo, por sinal, ideias falsas –; aquele por quem os homens práticos de hoje são escravizados intelectualmente.
Dado que comunidades libertárias poderiam banir livremente qualquer um que discordasse de alguma opinião, num mundo libertário haveria mais ou menos liberdade de discussão intelectual em comparação ao nosso? E em comparação a um mundo composto de monarquias tradicionais?
A propriedade privada dá a seu dono o direito de discriminar: de excluir ou incluir outros em sua propriedade e de determinar as condições de entrada e inclusão. Tanto a inclusão quanto a exclusão têm seus custos e benefícios para o proprietário, os quais ele pesa na hora de tomar uma decisão. De qualquer maneira, a decisão do proprietário é motivada por sua razão e pelo seu interesse por sua propriedade. Seu pensamento pode calhar de estar certo, e ele atinge seu objetivo, ou pode calhar de estar errado, mas de qualquer modo, sua decisão é uma decisão pensada.
Assim, alguém que fundasse e desenvolvesse uma comunidade privada, provavelmente não discriminaria e excluiria com base numa mera diferença de opinião. Se o fizesse, provavelmente não atrairia mais inquilinos do que o séquito de um guru. Usualmente, a discriminação é baseada em diferenças de conduta, expressão e aparência, no que as pessoas fazem e como agem em público, na língua, religião, etnia, costumes, classe social etc. O proprietário discrimina para atingir um alto grau de homogeneidade de conduta em sua comunidade e assim evitar ou reduzir tensões e conflitos intracomunitários — no jargão econômico: para reduzir os custos de transação. E ele o faz na expectativa de que sua decisão seja boa para sua propriedade e sua comunidade.
Em todo o caso, num mundo libertário haveria de fato muito mais discriminação do que no atual mundo estatista, que é caracterizado por inúmeras leis antidiscriminação e, consequentemente, por uma integração forçada e onipresente. Em particular, quaisquer que fossem os outros critérios usados para inclusão ou exclusão, em um mundo libertário nenhum dono de comunidade privada iria tolerar – e deixar de discriminar — ativistas comunistas ou socialistas em sua propriedade. Como inimigos da própria instituição em que a comunidade se funda, eles seriam excluídos ou expulsos — mas seriam, é claro, livres para estabelecer sua própria comuna comunista, kibbutzim ou qualquer outro “estilo de vida experimental” que imaginassem.
Em suma, e para responder finalmente à sua pergunta, um mundo libertário seria caracterizado por uma variedade muito maior de comunidades diferentes, mas que, internamente, seriam relativamente homogêneas. Consequentemente, o espectro, a diversidade e o vigor da discussão intelectual provavelmente ultrapassariam de longe qualquer experiência presente ou passada.
A vida acadêmica em seu estado atual é um ambiente saudável para um intelectual? É possível que ele sobreviva em qualquer outro meio?
Depende do intelectual. A vida acadêmica pode ser muito confortável para quem vomita platitudes politicamente corretas de esquerda por anos a fio. Por outro lado, para um austro-libertário — e ainda mais para um austro-libertário que seja culturalmente conservador — a vida acadêmica é difícil e não raro enlouquecedora. Com persistência e alguma sorte você pode sobreviver, mas se você não se vender ou ao menos calar a boca, prepare-se para pagar um preço.
Hoje em dia, no entanto, graças à Internet, você também pode sobreviver como um intelectual fora da academia oficial. Com custos de entrada mínimos, a competição é feroz, mas as oportunidades parecem ilimitadas. Felizmente, há já um bom número de intelectuais austro-libertários que conquistaram preeminência e dinheiro por essa via.
Habermas exerceu influência positiva sobre seu pensamento? Houve também influências negativas?
Habermas foi meu principal professor de filosofia e meu orientador de Ph.D durante meus estudos na Universidade Goethe em Frankfurt, de 68 a 74. Por meio de seus seminários eu travei contato com a filosofia analítica britânica e americana. Li Karl Popper, Paul Feyerabend, Ludwig Wittgenstein, Gilbert Ryle, J. L. Austin, John Searle, W. O. Quine, Hillary Putnam, Noam Chomsky, Jean Piaget. Descobri Paul Lorenzen, a Escola de Erlangen e a obra de Karl-Otto Apel. Ainda acredito que tenha sido um treino intelectual muito bom.

Se o senhor pudesse, magicamente, mudar uma crença nas mentes de todas as pessoas do mundo, qual seria ela?
Nesse ponto, estou com meu principal professor, mentor e mestre, Murray Rothbard. Eu iria querer apenas que as pessoas reconhecessem as coisas como elas são: que elas reconhecessem os impostos como roubo, os políticos como ladrões e todo o aparato e burocracia estatais como uma quadrilha de proteção, uma instituição como a Máfia, só que muito maior e mais perigosa. Em suma, eu desejaria que eles odiassem o estado. Se todo mundo o fizesse, então, como mostrou Étienne de la Boétie, o poder do estado desapareceria quase que instantaneamente.
Absurdo.
O senhor Hoppe não possui qualquer compaixão. Quer um mundo onde aqueles dotados de bens estéticos possuem a completa liberdade subjugar aqueles que faltam com os mesmos ao expô-las. Afirma ser anti-ética a proposição de que uns indivíduos devem submeter sua propriedade(Corpo) aos caprichos arbitrários do coletivo(Bem Comum), entretanto, sua posição que é uma brutalidade como defenderiam fervorosamente Paulo Freire e Milton Santos.
É simplesmente INACEITÁVEL este mundo onde aqueles que possuem posses mais valiosas e aparência mais rebuscada podem expô-las frente às pessoas comuns, incapazes de atingir tais dotes. É uma missão desleal, cruel e desumana. Aplausos aos britânicos: Formaram uma cota de mulheres gordinhas nas revistas de moda(Porque todos nós sabemos que tais revistas movimentam milhões de leitoras adolescentes e são as principais formadoras de padrões estéticos internacionalmente. Não são mero bode expiatório) para evitar que os padrões estéticos do capital internacional prevaleçam.
O senhor Hoppe é meramente um grande tirano. Pois deseja conceder perversamente a liberdade de livre uso da propriedade aos indivíduos privilegiados pela natureza ou mercado. É uma manifestação monstruosa do mal individualista.
No fundo, todo comunista deveria apoiar o anarcocapitalismo, pois então eles seriam livres para poderem testar esse modelo. Era só adquirir uma terra afastada e implantar lá o sistema comunista. Mas todos nós já sabemos o resultado que isso iria dar.
No mais, esaa entrevista esclareceu muita coisa. Obrigado!
– Texto para reflexão e debate sobre a liberdade atual:
A NOSSA LIBERDADE
Liberdade para quê? Liberdade para quem?
Liberdade para roubar, matar, corromper, mentir, enganar, traficar e viciar?
Liberdade para ladrões, assassinos, corruptos e corruptores, para mentirosos, traficantes, viciados e hipócritas?
Falam de uma "noite" que durou 21 anos, enquanto fecham os olhos para a baderna, a roubalheira e o desmando que, à luz do dia, já dura 26!
Fala-se muito em liberdade!
Liberdade que se vê de dentro de casa, por detrás das grades de segurança, de dentro de carros blindados e dos vidros fumê!
Mas, afinal, o que se vê?
Vê-se tiroteios, incompetência, corrupção, quadrilhas e quadrilheiros, guerra de gangues e traficantes, Polícia Pacificadora, Exército nos morros, negociação com bandidos, violência e muita hipocrisia.
Olhando mais adiante, enxergamos assaltos, estupros, pedófilos, professores desmoralizados, ameaçados e mortos, vemos "bullying", conivência e mentiras, vemos crianças que matam, crianças drogadas, crianças famintas, crianças armadas, crianças arrastadas, crianças assassinadas.
Da janela dos apartamentos e nas telas das televisões vemos arrastões, bloqueios de ruas e estradas, terras invadidas, favelas atacadas, policiais bandidos e assaltos a mão armada.
Vivemos em uma terra sem lei, assistimos a massacres, chacinas e seqüestros. Uma terra em que a família não é valor, onde menores são explorados e violados por pais, parentes, amigos, patrícios e estrangeiros.
Mas, afinal, onde é que nós vivemos?
Vivemos no país da impunidade onde o crime compensa e o criminoso é conhecido, reconhecido, recompensado, indenizado e transformado em herói! Onde bandidos de todos os colarinhos fazem leis para si, organizam "mensalões" e vendem sentenças!
Nesta terra, a propriedade alheia, a qualquer hora e em qualquer lugar, é tomada de seus donos, os bancos são assaltados e os caixas explodidos. É aqui, na terra da "liberdade", que encontramos a "cracolândia" e a "robauto", "dominadas" e vigiadas pela polícia!
Vivemos no país da censura velada, do "microondas", dos toques de recolher, da lei do silêncio e da convivência pacífica do contraventor e com o homem da lei. País onde bandidos comandam o crime e a vida de dentro das prisões, onde fazendas são invadidas, lavouras destruídas e o gado dizimado, sem contar quando destroem pesquisas cientificas de anos, irrecuperáveis!
Mas, afinal, de quem é a liberdade que se vê?
Nossa, que somos prisioneiros do medo e reféns da impunidade ou da bandidagem organizada e institucionalizada que a controla?
Afinal, aqueles da escuridão eram "anos de chumbo" ou anos de paz?
E estes em que vivemos, são anos de liberdade ou de compensação do crime, do desmando e da desordem?
Quanta falsidade, quanta mentira quanta canalhice ainda teremos que suportar, sentir e sofrer, até que a indignação nos traga de volta a vergonha, a auto estima e a própria dignidade?
Quando será que nós, homens e mulheres de bem, traremos de volta a nossa liberdade?
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* Paulo Chagas é General da Reserva do Exército do Brasil.
Assistindo ao noticiário da Globo pela manhã, escuto as seguintes frases proferidas por repórteres:
“Aqui em Alagoas é de graça as clínicas para dependentes do crack.”
Eu diria que é SUBSIDIADA com dinheiro público.
“As viagens dos ministros com aviões da FAB é paga com dinheiro público“.
Uótt? Sério isso!? E os salários dos mesmos e o cafezinho também? Ãaaaahhhhh
É no mínimo engraçada a dialética.
É inegável a relação entre livre mercado e desenvolvimento da alta cultura. Está ligado ao fato de que as pessoas concentrarão sempre seus esforços em atividades mais nobres, pois as produtivas serão realizadas de forma muito mais eficaz.
Tive esse pensamento hoje ao cobrir um colega numa audiência na Justiça do Trabalho. Impressionante que os cargos das pessoas que lá estão – juízes, advogados, servidores e etc. – simplesmente não precisariam existir… é assustador. A juíza era uma moça linda, mas extremamente infeliz tocando audiência após audiência sobre assuntos idiotas, completamente dispensáveis para o organismo social.
Quanto à arte, importante pensarmos quais foram os períodos históricos onde ela mais se desenvolveu: Itália do século XV, XVI e XII, com o mecenato; na Amsterdã do século XVII; na França e Inglaterra do século XIX, e vários outros exemplos.
Podemos dizer o mesmo do avanço e das inovações tecnológicas.
Nas economias socialistas, contudo… só vemos atraso.
Enfim, fica evidente que a economia é a matriz da vida social. Tentar controlá-la é arruinar a sociedade, a beleza e o sentido da vida.
O que seria ‘culturalmente conservador’?
É bem provável que tenham muitos poucos leitores felizes nesse artigo, pois o que este senhor defende vai totalmente contra o espírito “anti-alemão” que vigora na sociedade e na mente de vários economistas – o que quer dizer que é um total absurdo um Estado impenetrável e ‘incorruptível’ (monárquico) que existe para proteger a propriedade privada dos habitantes e para garantir os verdadeiros direitos humanos, que não são igualitários. União perigosa, devem pensar, um alemão defendendo o estilo austríaco e um governo absolutista.
Meus parabéns a ele, comungo muito com as suas ideias.
Me parece que o grande problema das interpretacoes, eh que a maioria ainda nao entendeu que o problema esta no poder politico e nao no modo economico de producao, seja ele capitalista ou comunista ou outro …ista qualquer, mas estamos evoluindo!( pois a historia nos revela que este eh um processo lento e doloroso, mas esta acontecendo. Tire o poder politico da “mafia/estado/governo” e veja em que ela se transforma! Tal principio ( da retirada do poder politico) e que foi estudado e demonstrado por todos os grandes teoricos tanto de esquerda como de direita procede. Porem o que impera sao sentimentos que beira a irracionalidade na tentativa de convencer os incautos e o pior, as vezes convencem tais incautos a se posicionar sobre situacoes que nao se sustentam na realidade. A historia nos revela com inumeros exemplos: a procura de uma sociedade justa… Esta sempre esbarra na insistencia de existir no seio das que foram criadas e que me parece as que virao ainda a ser criadas em futuro incerto, o pecado “original” da permanencia e existencia do poder politico.
Concordo desde que todos tenham as mesmas oportunidades.
Noto que ele acredita que antes da monarquia havia a anarquia. Basta olhar o sistema das tribos mais primitivas para perceber que não é anárquico.
Hoppe argumenta que a democracia hodierna está institucionalizando progressivamente as violações dos direitos de propriedade. Com efeito, ele diz que a democracia é pior que a monarquia a esse respeito, pois se "o governo é possuído privadamente (sob o governo monárquico), a estrutura de incentivos que se apresenta ao governante é tal, que é do seu próprio interesse ser relativamente previdente e empenhar-se apenas moderadamente nas guerras e nos impostos". Sob um governo que é "possuído publicamente", todavia, os incentivos são diferentes. De acordo com Hoppe, "acerca dos efeitos incivilizatórios do governo (democrático), espera-se que ele cresça e fique forte o bastante para na verdade cessar o processo civilizatório, ou mesmo que ele altere sua direção e traga a tendência oposta, que é o caminho da incivilização: consumo de capital, encolhimento dos horizontes de planejamento e de provisões e progressiva infantilização e brutalização da vida social".
Deste modo, a transição da monarquia para a democracia, diz Hoppe, "representa não o progresso, mas uma decadência civilizacional". A democracia, na verdade, abre uma gigantesca via para a violação dos direitos de propriedade e para a interferência estatal que seria impensável em uma monarquia, esta que por sua vez tem um senso mais limitado de poder sobre a sociedade. Com efeito, há um tipo de relativismo na democracia em que o voto da maioria sempre ameaça o mercado. Com o advento dos grupos de pressão política, o aumento nos gastos para o bem-estar é inevitável. O aumento das regulamentações é um processo contínuo, assim como o encorajamento de uma classe permanentemente indigente. A falência do processo, portanto, já está embutida. O eventual colapso da civilização, seja súbito ou gradual, é garantido.
Como a civilização e o mercado podem ser salvos? "Acima de tudo", diz Hoppe, "a ideia de democracia e maioria devem ser deslegitimadas". Na verdade, argumenta ele, a esmagadora maioria na Europa aceitou a monarquia como legítima há cem anos. Apenas porque a democracia é legítima nos dias de hoje, não devemos presumir que ela sempre será. Devemos, diz ele, postular uma ideia de ordem natural pela qual um sistema melhor e mais legítimo possa emergir. Quais devem ser as bases desse sistema? Segundo Hoppe, a civilização é fundada no "direito de propriedade e a produção e troca voluntárias de bens…". Para sustentar uma civilização, deve existir aquilo que ele chama de nobilitas naturalis (isto é, uma elite natural voluntariamente reconhecida).
"O desfecho natural das transações voluntárias de propriedade entre vários proprietários particulares é decididamente não igualitário, hierárquico e elitista", explicou Hoppe. "Devido às conquistas e realizações mais elevadas […] alguns indivíduos passam a possuir uma 'autoridade natural' e suas opiniões e juízos gozam de difundido respeito". Por conta da confluência seletiva de membros que tipicamente ocorre entre as famílias da elite, os patriarcas dessas famílias "agiriam naturalmente como juízes e pacificadores […] providos de um senso de obrigação requerido e esperado de uma pessoa de autoridade, além de uma preocupação com os princípios da justiça civil…".
Eis as origens da monarquia. De acordo com Hoppe, "o pequeno – embora decisivo – passo na transição para um governo monárquico […] consistiu precisamente na monopolização das funções de juízes e pacificadores. O passo foi dado assim que um membro da elite natural voluntariamente reconhecida […] insistiu […] para que todos os conflitos dentro de um território específico fossem trazidos para ele". Assim, o monopólio monárquico varreu para longe o sistema pré-monárquico baseando na "ordem natural das jurisdições competidoras".
Como não é possível voltar para a monarquia (que também não é lá muito perfeita) e a democracia está roendo a civilização mordida por mordida, Hoppe pensa que a resposta pode ser encontrada em um retorno à 'autoridade natural' exercida por meio do "suporte ideológico" contra a descentralização e até mesmo contra "forças sociais separatistas". O erro fundamental do liberalismo, diz Hoppe, é o fracasso em reconhecer que "todo governo é destrutivo naquilo que ele quer preservar, e que a proteção e a produção de segurança podem ser empreendidas corretamente apenas por um sistema competitivo de fornecedores de segurança". Em outras palavras, a anarquia da propriedade privada (conforme advogado por Murray Rothbard).
Se for para desaparecer com o Estado em favor de um sistema competitivo de fornecedores de segurança, então surge a questão: quem vai proteger a sociedade do mercado armado? Essa é uma questão a qual Hoppe não trata. Sem dúvida ele está correto sobre a democracia e a decadência, mas sua solução não é fácil de aplicar. A história ensina algumas lições, e uma que é ensinada repetidas vezes é que a balcanização política é perigosa. Ao invés de contribuir para a paz, ela tende a contribuir para o conflito. Enquanto muitos criticaram os estados-nação como formações que prejudicaram a atividade mercantil por meio de guerras mundiais e conflitos menores, a era dos pequenos principados talvez tenha sido menos pacífica, com obstáculos maiores aos negócios e ao comércio.
Contudo, o argumento apresentado por Hoppe talvez seja irrespondível. O estado tem uma tendência a se tornar cada vez mais centralizado e cada vez mais controlador. O mercado está cada vez mais restringido. Nada ainda conseguiu reverter esse caminho rumo ao socialismo. A civilização está cada vez mais fraca. Tateamos na escuridão em busca de soluções. Se a solução de Hoppe não estiver correta, ele pelo menos identificou nosso problema. Como sairemos da camisa-de-força do estado de bem-estar socialista? Uma reforma ainda é possível? O sistema pode corrigir-se em tempo? Os direitos de propriedade podem ser preservados?
eu me lembrei do feudalismo quando ele falou de comunidades fechadas e isoladas, inclusive comunistas. imagine um namoro entre um casal vindo de famílias de vilas diferentes. seria uma nova tragédia de nápoles…